Algarve, Blogger Trips, Castelos & Fortalezas, Escrita de Viagens, Eventos Turísticos, Fotografia, História, Paisagem & Natureza, Património Edificado & Monumental, Portugal (Terras), Prémios & Nomeações, Rota Omíada, Roteiros Fotográficos, Turismo Cultural, Turismo Militar, Umayyad Route, Viagens

📌 À descoberta de Silves: um olhar fotográfico da “Alhambra Portuguesa”…

Silves ou a Xilb de Al-Mu’tamid. Outrora a mais importante cidade do Algarve, tanto na época islâmica (aqui era a capital do Al-Gharb) e, depois da conquista cristã, do Reino do Algarve. Mais tarde, Silves iria perder importância para Faro. Não é por mero acaso que estamos no maior e no mais peculiar castelo do Algarve (desde a época muçulmana), edificado com a pedra da região envolvente: o grés vermelho. Atrevo-me a chamar-lhe a “Alhambra Portuguesa”,mas em formato miniatura. Trata-se da jóia da arquitectura militar da época islâmica em Portugal.  Já tinha cá estado em 2008 durante a minha viagem de ferry-boat entre a Ilha da Madeira (Funchal) e Portugal Continental (Portimão). Sim, quando havia ligação marítima entre o Arquipélago da Madeira e Portugal Continental. Não vamos falar de politica, certo? Nessa época,  não tinha a ideia de criar um blogue pessoal,mas tinha o gosto de fotografar os belos exemplares do nosso património histórico-militar: os Castelos. Quem diria que iria voltar aqui, desta vez, oito anos numa blogger trip. A vida dá muitas voltas e, em muitos casos, 180º.

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Atravessamos a antiga ponte medieval do rio Arade e dirigimos-nos para o centro histórico desta cidade algarvia, onde iríamos ter uma visita-guiada ao Museu Municipal de Arqueologia de Silves. É o resultado das escavações arqueológicas desenvolvidas ao longo do séc.XX. No centro do espaço, podemos visualizar um Poço-Cisterna da época Almóada (séculos XII-XIII), descoberto após escavações arqueológicas decorridas nos anos 80 do séc. XX . Esta hoje classificado como Monumento Nacional. É apartir dela – o ex-libris do discurso expositivo – que fazemos o percurso  desta visita guiada com a Dr.ª Dr.ª Maria José Gonçalves, actualmente arqueóloga do Município de Silves. Trata-se de uma académica especializada em cidades medievais islâmicas, nos campos da arqueologia e da história. E isso denota-se no seu discurso. Levei, literalmente, uma lição de História e de Arqueologia.

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Prato de Mesa  da Época Omíada (séculos VIII-IX)

Apresenta-me, passo-a-passo, o acervo do Museu, na sua maioria proveniente das escavações arqueológicas efectuadas na cidade e concelho. O acervo reúne um conjunto de objetos desde o Paleolítico até ao período Medieval. Constato que há imensos achados arqueológicos em quantidade, mas que valem pela sua qualidade e excepção de ornamentos e pictóricos. E como Silves era a principal cidade do Gharb Al-Andalus, este museu tem no seu acervo um grande destaque para o Período Islâmico – Omíada, Califal, Taifa, Almorávida e Almóada, desde o século VIII ao século XIII, ou seja, ao período cronológico da ocupação árabe ao que hoje corresponde ao território algarvio. O visitante que percorrer este espaço museológico irá compreender a importância da cidade de Silves no período islâmico. Silves é legado mais vivo e duradouro do património islâmico em Portugal. Dai, ter-me demorado mais por esta cidade emblemática.

Depois da visita ao espaço museológico, inserido na antiga medina de Silves, fomos visitar o antigo alcácer islâmico: o actual Castelo Silves. A sua pedra avermelhada – grés de Silves – dá outra cor e magnificência a este antigo complexo bélico. Digo actual, visto que, nas décadas de 30 e 40 do Século XX, a Direção de Monumentos Nacionais uniformizou a traça dos Castelos Medievais Portugueses, muitos deles em estado de ruína, à imagem do Castelo de Guimarães. Como Portugal fez-se da conquista de território aos Mouriscos, não interessava para o Estado Novo – regime ditatorial – manter esse legado, mas sim o papel fundador de Guimarães na construção  e formação da identidade Portuguesa. O que diria  Al-Mu’tamid se visse a sua amada Xilb nos dias hoje? Apesar de tudo, dedicaria-lhe um poema…do seu declínio.

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Os Muçulmanos aproveitaram muitas técnicas de construção romanas para a construção das suas muralhas defensivas, por exemplo, sob a forma de silharia de tipologia romana redisposta num padrão regular, a soga e tição. Actualmente, este é um dos poucos exemplares existentes nas muralhas de Silves que, ao longo dos séculos, foi sofrendo inúmeras alterações efectuadas pelo Homem e pelo tempo.

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Durante a descoberta da Rota Omíada, Abderramán I, Al-Mutamid, Al-Idrisi e,Ibn Darraj al-Qastalli, foram excelentes companheiros de viagem…interior. Shukran. Mais do que uma viagem pela história, foi uma “panóplia” de experiências pessoais e colectivas que podem ser partilhadas digitalmente,mas que devem ser vividas na primeira pessoa. É isso que convido o leitor do blogue OLIRAF a fazer: viver estas experiências. Não haverá melhor sensação do que sair da nossa “zona de conforto”?  👌

Como chegar

A partir de Lisboa optei por reservar uma viagem em Alfa pendular, através da Comboios de Portugal. Faro era a minha base para efectuar a Rota Omíada do Algarve. Para tal, optei por alugar uma viatura rent-a-car para fazer a ligação entre os diversos pontos histórico-culturais desta rota. Na maioria dos casos, utilizei a via do Infante (A22) e a Nacional 125. No caso da ida para Alcoutim, optei pela A22 até Castro Marim e depois o IC27 (Beja) até Alcoutim (N122-1).

Onde ficar

Restaurante Ria Formosa

Praça D. Francisco Gomes, Nº2 8000-168 Faro Portugal
+351 289 830 830

✉️ Email: reservas@hotelfaro.pt

Para mais informações:

Região de Turismo do Algarve

Direcção Regional de Cultura do Algarve

Blog Turismo do Algarve

Projecto Umayyad Route 

Turismo do Algarve – Rota Omíada do Algarve (Folheto + App)

Nota importante

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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Blogger Trips, Castelos & Fortalezas, Escrita de Viagens, Fortalezas Portuguesas (Marrocos), Fotografia, História, Paisagem & Natureza, Património Edificado & Monumental, Património Mundial de Origem Portuguesa (Mundo), Reino de Marrocos (Terras), Roteiros Fotográficos, Turismo Cultural, Turismo Militar, Viagens, World Heritage (UNESCO)

📌À descoberta da antiga fortaleza portuguesa de Mazagão (1506-1769): um olhar fotográfico…

Mazagão (El Jadida, Marrocos) não é uma fortaleza como tantas outras. É a jóia do património edificado militar do Império Português (1415-1769) no Magrebe. As suas pedras contam muitas estórias da História de Portugal.

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A cidade-fortaleza de Mazagão, oficialmente fundada como vila a 1 de Agosto de 1541, apesar da existência de uma pequena fortaleza construída pelo arquitecto Diogo de Arruda, em 1514, actual Cisterna Portuguesa, como ponto de apoio a Azamor. Mais tarde, em 1541, João de Castilho adaptaria para uma cisterna e celeiros. Foi desenhada pelo engenheiro italiano Benedetto da Ravenna, em conjunto com Miguel de Arruda e Diogo de Torralva. De referir, que a construção desta fortificação marca o inicio da adaptação das novas formas de combate no Magrebe – construções com baluartes de traça italiana -, em virtude pela utilização da artilharia por parte das forças islâmicas. A partir da 2ª Metade do Século XVI dá-se a adaptação das velhas fortificações de cariz medieval para esta nova arquitectura militar.

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O seu porto de acesso fácil e a traça abaluartada das muralhas, em alguns pontos com mais de dez metros de espessura, tornavam-na numa inexpugnável. Mais tarde, seria abandonada por Portugal, em 1769, por decisão do «valido» do Rei D.José I, o então Marquês de Pombal. Actualmente, a Cité Portugaise de El-Jadida está restaurada, como se comprova pelas fotos da minha autoria. A enorme extensão do perímetro muralhado da antiga Mazagão mostram a tradição da arquitectura militar italiana e da importância do estilo renascentista durante o Reinado de D.João III (1521-1557). De Salientar que o Baluarte de São Sebastião, lado do mar, mostra a escala grandiosa da fortificação.

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A famosa cisterna da antiga Mazagão é uma das atracções turísticas de Marrocos. Foi construída sob a direcção de João de Castilho em estilo renascentista sobre o pátio de armas do antigo Castelo de origem Manuelina. O catalisador da construção desta imponente fortificação militar foram os constantes raides, razias e conquistas dos xarifes do Sul de Marrocos, equipados com moderna tecnologia pirobalística e com conselheiros militares europeus (mercenários italianos/germânicos). Mazagão era, assim, uma alternativa viável ao abandono das possessões costeiras fortificadas de Santa Cruz do Cabo Gué (Agadir), Safim e Azamor. A concentração de meios humanos, materiais e bélicos numa única praça permitia uma melhor resistência aos constantes e numerosos assédios das forças sob o signo de Alá.

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Em 1769, a cidade-fortaleza de Mazagão foi abandonada pela Coroa Portuguesa. Em virtude deste abandono, a Coroa ordenou que os seus habitantes – nobreza local, soldados, etc – fossem para Lisboa. Aqui chegados, foram reenviados para uma nova missão: a fundação de uma Nova Mazagão, na fronteira Norte do Brasil, no actual estado de Amapá. Era o fim de mais de três séculos de presença portuguesa em Marrocos (1415-1769), em virtude de as possessões norte-africanas serem um sorvedouro de recursos humanos, monetários e bélicos, sem qualquer retorno (à excepção das questões ideológicas, Guerra Santa).

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A antiga fortificação de Mazagão constitui – hoje uma importante atracção turística de Marrocos – um dos melhores exemplos conservados da arquitectura militar do Renascimento fora do Continente Europeu, que resistiu ao teste do tempo e da própria acção humana. De Salientar, que as fortificações portuguesas de Mazagão foram inscritas na lista do Património da Humanidade pela UNESCO em 2004 e, em 2009, como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. O litoral atlântico de Marrocos oferece-nos uma grande variedade de grandes e pequenas fortificações costeiras com grande impacto visual e plástico, como em nenhum outro lugar. Nas mesmas, podemos encontrar o estilo de fortificar de Diogo de Arruda e dos seus familiares.

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A opinião do viajante. A região do Norte de África (Magrebe)  – Marrocos – não é para um português um mero passeio como qualquer outro.  É uma espécie de regresso a casa. Para quem possua alguns conhecimentos de Geografia e História e tenha o sentido do valor dos passado lusitano, visitar o actual Reino de Marrocos é ir a um dos nossos lugares predilectos, ir afervorar o amor pátrio e retemperar a alma, como afirma Urbano Rodrigues (RODRIGUES, 1935). De facto, diante de património edificado pelos nossos antepassados  em diversas cidades costeiras como Asilah, Tânger, Essaouira, Safi, El Jadida, podemos sentir bem o que fomos e o que podemos ainda ser. Infelizmente, não cultivamos o maior legado português ao Mundo: a língua portuguesa!

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BIBLIOGRAFIA

Impressões de uma visita de estudo a Marrocos – As Fortificações de origem portuguesa 

Carita, Rui, “A arquitectura abaluartada de origem portuguesa”, in Relações luso-marroquinas 230 anos, Camões – Revista de Letras e Culturas Lusófonas, nº 17-18, Lisboa, Instituto Camões, Novembro 2004, pp. 135-138, 143-145.

Correia, Jorge, “Mazagão: A última praça Portuguesa no Norte de África”, in Revista de História da Arte, Lisboa, IHA – FCSH-UNL, nº 4 , 2007, pp. 185-209.

Dias Farinha, António,  “Os Portugueses em Marrocos”, Instituto Camões, Colecção Lazúli, 1999,pp.3-103.

LOPES, David – A Expansão em Marrocos, Colecção Cabo a Cabo, Lisboa: Teorema /O Jornal, 1989.

Moreira, Rafael, “Arquitectura militar do Renascimento”, in História das Fortificações Portuguesas no Mundo, Dir. Rafael Moreira, Lisboa, Pub. Alfa S.A., 1989, pp. 150-157.

RODRIGUES, Urbano – Passeio a Marrocos, Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1935.

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📷 “Alentejo – Olhares Fotográficos”: o Álbum Fotográfico da Saal Digital Portugal…

Entre Março e Setembro de 2017, tive oportunidade de viver, trabalhar e viajar pelo Alentejo. Visitei inúmeras cidades, vilas e aldeias desta região bem portuguesa, com a minha pequena máquina fotográfica Fujifilm X-T10. Contactei com o imenso património natural, edificado e, acima de tudo, com as gentes, igualmente com os seus problemas.
À série de fotografias que resultou da minha experiência, todas a cores, optei por criar um Álbum Fotográfico Alentejo – Olhares Fotográficos“.
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Trata-se de uma retrospectiva pessoal, como fotógrafo amador, composto por uma selecção de 30 fotografias da minha conta do Instagram, referente as minhas itinerâncias na região do Alentejo, no sul de Portugal. Cada fotografia deste álbum fotográfico procura captar a memória do passado, a contemplação da paisagem natural e das gentes que dão vida a esta região bem portuguesa. Aliás, o meu primeiro “devaneio fotográfico” ocorreu durante uma visita ao castelo de Montemor-o-Novo, “corria o ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2006″. A partir desse momento, nunca perdi a ligação afectiva à região do Alentejo. E, claro, à arte fotográfica.
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Porquê a escolha do Alentejo?
Trata-se de uma das mais calmas, genuínas e tradicionais regiões de Portugal, onde o património natural e edificado continua bem preservado, e onde encontramos gentes que tornam a experiência de viagem mais enriquecedora. Eis alguns pontos fortes desta região portuguesa:
  •  Paisagem natural (Serra de São Mamede, Alqueva e Serra de Ossa);
  •  Gastronomia tradicional;
  •  Património Mundial UNESCO (Évora e Elvas);
  •  Praias (Comporta, Zambujeira do Mar e Vila Nova de Mil Fontes);
  •  Turismo Industrial (Rota do Mármore);
  •  Enoturismo (Ervideira, Cartuxa e João Portugal Ramos);
  •  Gente afável, próximo,  simpático e sempre a ajudar os “forasteiros”.

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O que é Saal Digital?

Tomei conhecimento desta empresa, e do respectivo produto, através da rede social Instagram. Notei que a Saal Digital está a fazer um forte investimento e captação de público e clientes para testar os seus serviços e produtos digitais relacionados com a impressão de material fotográfico. Foi a primeira vez que pedi a impressão de um álbum digital. E não fiquei arrependido. De uma forma geral, a qualidade do produto, do serviço e software de edição deixou-me com uma boa  impressão.

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"A Saal Digital Portugal permite tornar a tua paixão em algo palpável e para a posterioridade"
Os Álbuns digitais e produtos fotográficos são personalizados com uma qualidade profissional. Eu fiquei impressionado com a qualidade de impressão das minhas fotografias, mesmo não tendo a melhor qualidade gráfica. Já imaginou não ter o logo do fabricante. Fantástico. Optei por Álbum digital 15 x 21 – e pela encadernação panorâmica, visto que permite ao utilizador inserir fotografias em páginas duplas sem perder qualquer detalhe gráfico. A meu ver, a abertura 180º é ideal para colocar imagens de grande tamanho, neste caso, panoramas. A qualidade é suberba! Tanto das imagens como do material. É uma sensação maravilhosa folhear as minhas aventuras fotográficas  Para além disso, eles oferecem um software próprio para instalar no computador para fazer o projecto fotográfico. Em relação ao prazo de entrega, a meu ver, foi rápido e a embalagem vinha devidamente acondicionada.
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Se és amante da fotografia…

Se ficou curioso, visite a página oficial e o Instagram da Saal Digital Portugal ou caso tenha alguma questão relativamente à Saal Digital, pode entrar em contacto com o serviço de apoio ao cliente: suporte@saal-digital.pt 
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Um pouco de História…sobre a origem dos Álbuns Fotográficos!
Luís Pavão, um dos maiores conservador de colecções fotográficas em Portugal, afirma que os Álbuns Fotográficos constituem um “universo muito particular (…), onde as fotografias complementam-se mutuamente estabelecendo inter-relações que as enriquecem, não só individualmente como no conjunto. A existência de eventuais legendas, notas acrescentadas à mão, recortes de jornais e outro tipo de anotações ajudam a compreender o todo.Um álbum é no fundo um livro destinado a mostrar fotografias. No início os álbuns eram realizadas pelo próprio fotógrafo ou comprados como um livro em branco a um encadernador. As provas fotográficas eram presas às páginas pelos cantos ou coladas na sua totalidade (Suporte Secundário). Com o passar do tempo os álbuns foram-se tornando mais simples até ao aparecimento dos álbuns digitais em que houve uma fusão entre a escolha de um layout, o design e as imagens fotográficas.
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Para a investigadora Paula Figueiredo Cunca (Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico), o “álbum de fotografias surge na década de 1860, no enquadramento da cultura vitoriana. A atribuição álbum vitoriano foi dada àquele que se conhece como o primeiro livro/álbum a guardar as fotografias de família.” Acima de tudo, são formas de vida que retratam episódios felizes das estórias da História Familiar. Uma espécie de percurso de vida ilustrado em pequenos instantes. Haverá outra forma de recordar os nossos antepassados? E tudo começou com os franceses Niépce e Daguerre, os pais da fotografia…
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O acto de fotografar é…arquivar!
Os álbuns fotográficos, desde a segunda metade do século XIX,  “(…) encerram igualmente uma seleção fotográfica. Esta é feita tendo em conta o significado da imagem, mas também a relação entre as várias imagens de uma página“, afirma Paula Figueiredo Cunca Desta forma, a fotografia ganha mais valor: acresce ao seu valor intrínseco, o significado relacional e com o espaço representado. A fotografia de um familiar em frente ao Coliseu de Roma é incomensuravelmente registada, dando prova da sua presença e da experiência de viagem. Folhear as páginas e revelar as imagens encerradas num álbum pode ser o impulso para histórias, que alguém já contou, mas que ganham outras formas  e outros olhares quando passam para outras mãos.

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📌 À descoberta do Regimento de Artilharia de Costa: a 6ªBataria da Raposa…

No passado fim-de-semana de 27 e 28 de Maio, a Associação de Amigos da Artilharia de Costa, um grupo de amigos e ex-militares criado em 2015, celebrou mais um aniversário desta feita o 6.º Encontro dos Amigos da Artilharia de Costa. Para assinalar esta efeméride, realizou-se diversas actividades de dois dias, que contou com a presença dos associados, familiares e amigos do RAC. O local escolhido não podia ter sido mais apropriado, nas instalações da 6.ª Bateria da Raposa do Regimento de Artilharia de Costa, na Fonte da Telha, que se encontram desativadas, mas contrário da maioria das fortificações do RAC, esta encontra-se num bom estado de conservação.

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O primeiro dia foi dedicado à recepção de todos os participantes, na Bateria da Raposa, com tudo previamente preparado pela Associação. Após o recenseamento dos presentes, convívio e fotografia da “praxe”, seguiu-se um périplo pelas antigas unidades militares que davam corpo ao antigo regimento de artilharia de costa do exército português, nomeadamente, a 1ª Bataria de Alcabideche, 2ª Bataria da Parede e ao antigo comando em Oeiras para uma cerimónia de homenagem aos camaradas ausentes e falecidos.

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Felizmente, tive oportunidade de participar nas actividades agendadas para o segundo e último dia. A meu ver, este era o programa mais interessante, visto que, já conhecia as batarias que constavam no roteiro de visitas do primeiro dia. Assim, após o pequeno-almoço, todos os associados foram visitar o Forte de Almada, as baterias da Trafaria e Alpena. Todavia, o quartel da Trafaria estava fechado. Mais do que um convívio de antigos camaradas de armas, os encontros dos Amigos do RAC possibilitam um maior conhecimento do património histórico-militar com os militares que lhe davam vida e alma. Pretende, assim, a Associação dar uma maior visibilidade pública e alertar para a consciência da preservação do património militar construído.

Algumas curiosidades sobre a 6ªBateria da Raposa…

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Localizada na Fonte da Telha, a 6ªBataria foi desactivada em 1999. Depois disso, a grande maioria dos quartéis onde funcionavam as instalações militares desta unidade do exército português ficaram entregues ao tempo e a si próprios. Há uma excepção: a 6ªBataria da Raposa. Aqui, a Associação dos Amigos da Artilharia de Costa, o ajudante Castanheira e dois praças do Exército Português mantêm viva a memória e em bom estado de conservação uma das estruturas de artilharia em Portugal. Na imagem inicial, temos um antigo artilheiro Fernando Limão do RAC, junto de uma das três peças “Vickers” C. 23.4 cm da “Raposa”.

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Inserida na Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica (PPAFCC), estende-se ao longo da orla costeira, desde o aglomerado urbano da Costa da Caparica até à lagoa de Albufeira, em território geográfico pertencente aos concelhos de Almada e Sesimbra. Um dos objectivos desta unidade militar, e pela qual foi concebida, era assegurar a defesa costeira dos acessos ao porto de Lisboa, visto que o alcance de tiro situava-se entre os 20 e 40 km. Estas instalações oferecem uma excelente vista panorâmica sobre o oceano Atlântico.

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A “Raposa” encontra-se num excelente estado de conservação, algo que contrasta com o actual abandono, mau estado de conservação e vandalismo da maioria das unidades do antigo RAC.  Foi possível comprovar, com a ajuda do ex-militar Fernando Limão do RAC,  durante a visita a uma das três peças “Vickers” C. 23.4 cm, de origem inglesa, o bom estado das torres blindadas, das casamatas, dos motores de alimentação eléctrica e dos paióis subterrâneos de munições.

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Sempre que posso ajudo na colaboração na divulgação do encontro dos Amigos da Artilharia de Costa e dos objetivos que lhe estão associados. Acima de tudo, gosto de divulgar projectos que têm contéudo e, acima de tudo, futuro. Há anos que queria vir aqui. Nas minhas incursões pelo RAC, esta foi a cereja no topo do bolo. Nas fotos e nos blogues temáticos, ou seja, o “Mundo Virtual”, nada supera a realidade palpável. A “Raposa” superou as minhas expectativas. Trata-se um belo exemplo de “Lugares Invisíveis”  pelo património que está fora do alcance, do que existe para lá do que é visivel, isto é, espaços que estão inacessíveis. Obrigada à Associação de Amigos da Artilharia de Costa pelo convite para partilhar a memória e as muitas estórias da História desta antiga unidade militar do Exército Português.

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Breve história do Regimento de Artilharia de Costa…

O Regimento de Artilharia de Costa (RAC) foi criada pelas Forças Armadas Portuguesas,  após a 2ªGuerra Mundial, através do Plano luso-britânico – o Plano Barron (1939) -, onde o objectivo era criar uma força especializada em impedir o desembarque de uma força convencional apoiadas por unidades navais, nas imediações dos estuários do Tejo e do Sado. As construções decorreram entre 1944 e 1958, estando operacionais corria o ano 1958. Estiveram ao serviço da Nação, sensivelmente, cinquenta anos. Era constituído por um posto de comando, 8 Batarias com 36 peças de artilharia (Krupp e Vickers) de diversos calibres (150, 152 e 234 mm) com alcance considerável para a realidade bélica portuguesa à época.

Como chegar:

Para ver as instalações bélicas desta antiga unidade da Artilharia de Costa, o leitor terá de pedir autorização ao Exército Português ou falar directamente com a Associação dos Amigos da Artilharia de Costa Portuguesa  para saber mais informações:

  art.costa.2015@gmail.com

Para mais informações:

Bateria do Outão e Forte Velho do Outão – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=25039 >

Forte-Presídio Naval da Trafaria – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2016]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=32962 >

COSTA, António José Pereira da – A cidadela de Cascais e a Defesa da Costa Marítima do Guincho ao Estoril. In: “Boletim do AHM”, Lisboa, vol. 63 (1998 – 1999), pgs. 37 – 98.

EMERECIANO, Jaime – A Artilharia na Defesa de Costa em Portugal. Lisboa: Academia Militar, Dissertação Mestrado em Ciências Militares, especialidade de Artilharia, 2011. Disponível na internet URL: http://comum.rcaap.pt/handle/123456789/7247

MACHADO, M. (22 de Dezembro de 2008). Os Últimos Disparos do “Muro do Atlântico” Português. Obtido em Fevereiro de 2011, de http://www.operacional.pt: http://www.operacional.pt/os-ultimos-disparos-do-%E2%80%9Cmuro-doatlantico%E2%80%9D-portugues/

MASCARENHAS, Catarina de Oliveira Tavares – Da defesa à contemplação da paisagem : intervir no lugar do Forte e da 7ª Bateria do Outão no contexto da Arrábida. – Lisboa : FA, 2014. Tese de Mestrado.

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📌 À descoberta da Ponte da Ajuda: um belo exemplar da arquitetura civil manuelina…

🇵🇹 Se Elvas destaca-se pela geometria e pela monumentalidade da arquitetura militar barroca dos séculos XVII e XVIII, a Ponte da Ajuda, a 10 km, é um perfeito exemplar da arquitetura civil manuelina do século XVI. Situa-se na margem direita do rio Guadiana e permitia a circulação viária de bens e tropas entre Elvas e Olivença. Era, assim, a única via de comunicação entre a fronteira portuguesa e a vila de Olivenza em caso de socorro bélico.

Edificada, em 1509, no reinado do Venturoso, cognome do Rei De.Manuel I (1495-1521), a Ponte de Nossa Senhora da Ajuda encontra-se, actualmente, em ruínas. Era constituída por 19 arcos, com uma torre militar ao centro. Ao todo tinha cerca de 400 metros de comprimento.

Em virtude dos aluviões e das cheias constantes foi parcialmente destruída no final do século XVI. Mais tarde, no contexto da Guerra da Restauração, foi reconstruída para permitir o socorro de tropas, equipamento bélico e víveres aos constantes assédios militares dos exércitos castelhanos de Felipe IV. Olhando a História, compreende-mos a razão da sua reconstrução: o fim da Monarquia Dual (1580-1640) e o início da luta pela restauração da independência nacional. 

Mais tarde, em 1709, esta ponte foi destruída parcialmente pelo exército bourbon de Felipe V, neto de Louis XIV de França, no contexto da Guerra da Sucessão de Espanha (1701-1714). Era o pronúncio antigo da ocupação efectiva de um território reclamado pelos castelhanos e, mais tarde, Espanhóis desde a época da Reconquista Cristã, aquando do assédio português à Taifa de Badajoz, na segunda metade do século XII. 

Desde então, ficou impedida a passagem directa do território português para Olivença. Em 1801, no contexto da Guerra das Laranjas, dá-se a ocupação pelas forças espanholas de Godoy da vila portuguesa, cujos direitos portugueses foram reconhecidos pelos tratados de Alcanizes (1297) e de Viena (1815), mas nunca pelas autoridades espanholas. E na minha opinião, as autoridades portuguesas nunca souberam, ou não têm interesse, em valer os seus “reais e justos” direitos. Desculpem um aprendiz de viajante andarilho tem de ter opiniões, certo?

Há projectos para a sua reconstrução, mas em virtude das querelas fronteiriças entre Portugueses e Espanhóis, tal não foi possível ainda. Assim, entre 1709 a 2001, quem quisesse visitar Olivenza, teria de passar a fronteira do Caia em Badajoz. Actualmente, o viajante pode transpor, sem qualquer dificuldade, o território português, graças à nova ponte da Ajuda, em betão armado e sem qualidade estética, construída e financiada integralmente pelo Governo de Portugal.

Hoje em dia, os Portugueses e os Espanhóis são duas faces da mesma moeda: a Península Ibérica. Ao contemplar a ponte da Ajuda, o viajante fica ciente que a sua história foi feita ao ritmo dos confrontos bélicos entre os dois lados da fronteira. Daí, as sucessivas destruições e construções ao longo de mais dois séculos. Infelizmente, desde a primeira metade do século XVIII, que está em ruínas. Falar da ponte da ajuda, a meu ver, é falar estórias que fizeram a História de Portugal. 

Deixo-vos um olhar fotográfico desta icónica e histórica ponte do rio Guadiana. Quem disse que a silhueta das ruínas não é fotogénica? A ir.

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📌 À descoberta do Forte-Presídio da Trafaria

Uma aventura pela Arquitectura Militar da Trafaria: o Forte-Presídio da Trafaria e a 5ªBateria da Raposeira. Há ruínas que têm muitas estórias da história de Portugal para descobrir…

Próxima paragem: Trafaria. A terra das famosas amêijoas à Bulhão Pato. Ou a Terra onde o Tejo se faz ao mar. É o slogan deste freguesia do concelho de Almada. Partimos para a margem sul do Tejo em busca da memória histórica da arquitectura militar do Antigo Regimento de Artilharia de Costa. O antigo Presídio-Lazareto da Trafaria é uma viagem pela Memória Histórica. A memória de outros tempos obscuros da nossa História. E apetece dizer: Nunca mais! Em tempos idos, milhares foram os viajantes, degredados e presos políticos que aguardavam a sua próxima viagem: a ida para o ultramar português. Para muitos, a Ponta da Areia – Trafaria – era a sua última morada em Portugal e, para a maioria, da sua vida.

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Trafaria: onde o Tejo se faz ao mar. Ou será oceano?

A Trafaria em virtude da sua posição geográfica, localizada junto à foz do estuário do Rio Tejo, despertou o interesse estratégico das autoridades governamentais para a defesa militar da entrada da barra do Porto e Cidade de Lisboa. A primeira fortificação foi construída na 2ªMetade do Século XVII, durante o reinado de D.Pedro II (1668/1683-1705), junto às instalações do antigo Lazareto do Século XVI. Importa referir que a antiga esplanada de artilharia – guarnecida com 12 peças de artilharia – foram demolidas no inicio do século XX, aquando das obras de construção do novo presidio.

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Aspecto da Estação Fluvial da Trafaria

Em virtude do clima belicista das potências europeias imperialistas (Inglaterra,França, Alemanha ou Rússia) no último quartel do Século XIX, Portugal sentiu necessidade de construir e guarnecer a sua frente atlântica, em especial nos estuários do Sado e do Tejo, com uma rede de fortificações e equipamento bélico dissuasor consoante as restrições orçamentais que vigoravam durante regime monárquico. Assim, no principio do Século XX, entre 1902 a 1909, ocorreu o maior empreendimento de engenharia militar do concelho de Almada: a construção de um conjunto de fortificações  Baterias de Artilharia de Costa de Alpenas e da Raposeira e do Quartel do Grupo de Artilharia N.º4 na freguesia da Trafaria.

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Um dos mais singulares Ferry-boat (s) de Portugal: o Eborense.

Nesta empreitada militar foram construídas infra-estruturas – uma ponte cais e de uma linha férrea – destinadas ao transporte de matéria-prima, artilharia naval e munições para guarnecer as futuras baterias de origem alemã Krupp  que se localizavam no topo do Monte da Raposeira e na Arriba Fóssil da Caparica.  O Quartel da Trafaria, inaugurado em 1905 pelo Rei D.Carlos,  era utilizado para alojar a guarnição militar que servia nas baterias anteriormente mencionadas. Mais tarde, passa a designar-se Quartel da Brigada de Artilharia de Costa N.º1. Na 2ªMetade do Século XX, passa a designar-se Batalhão de Reconhecimento e Transmissões. Actualmente, encontra-se afecto à Guarda Nacional Republicana.

📌 Forte-Presídio da Trafaria (séc. XVI-XX)

No âmbito da Trienal de Arquitectura de Lisboa esteve aberto ao público até ao passado dia 11 de Dezembro, de Sexta-feira a Domingo, a exposição sobre O Presídio e a Trafaria 450 anos de História nas antigas celas do Forte-Presídio da Trafaria. Com entrada livre, esta exposição tinha como intuito dar a conhecer a importância estratégica e histórica da Trafaria ao longo dos últimos quinhentos anos.

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Forte Prisional da Trafaria

O Lazareto-presidio da Trafaria foi construído na 2ªMetade do Século XVI (1565), durante o reinado de D.Sebastião, na regência do Cardeal D.Henrique. Este mandou construir um complexo, em nome do seu sobrinho-neto, para o recolhimento de matérias-primas e viajantes do Império Ultramarino Português (1415-1999). Tratava-se, assim, de uma medida de controlo sanitário e aduaneiro  rigoroso, para um dos maiores complexos portuários da Europa à época.

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Aspecto do Presidio da Trafaria

Ao longo do edifício e das celas que constituem o núcleo do Forte-Presídio, tivemos oportunidade de contactar com um percurso expositivo que, através de referências históricas, documentais e iconográficas, nos elucidou sobre a origem do património histórico-militar edificado, das dinâmicas económicas, locais e religiosas que fizeram, e fazem, desta localidade da margem sul do Tejo, um local singular para muitos portugueses.

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Complexo Edificado do Forte da Trafaria

No final do regime monárquico, no reinado de D.Manuel II (1908-1910), foram construídas as instalações da Casa da Reclusão da Trafaria. Com a implantação do regime republicano , serviu de prisão militar para os Monárquicos envolvidos na revolta do Monsanto. Entre o golpe de Estado de 28 de Maio de 1926 e a Revolução de 25 de Abril de 1974 ficou associado à prisão de muitos civis e políticos que combateram a ditadura militar e o Estado Novo, na tentativa de derrube do regime. diversas. Para muitos, este presídio-militar foi a sua morada final.

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Como chegar:

A partir de Lisboa, o trajecto mais acessível para esta localidade da margem sul, é através da via fluvial. Para tal, basta apanhar o cacilheiro ou o ferry-boat que faz as ligações fluviais entre Belém e a Trafaria. Eu fui no Eborense. A viagem custou 1.20 €. Para consultar os horários e os preços, poderá saber mais na Transtejo. Esta é a empresa que assegura a Ligação Trafaria – Porto Brandão – Belém.

Para mais informações:

Bateria do Outão e Forte Velho do Outão – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=25039 >

Forte-Presídio Naval da Trafaria – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2016]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=32962 >

COSTA, António José Pereira da – A cidadela de Cascais e a Defesa da Costa Marítima do Guincho ao Estoril. In: “Boletim do AHM”, Lisboa, vol. 63 (1998 – 1999), pgs. 37 – 98.

EMERECIANO, Jaime – A Artilharia na Defesa de Costa em Portugal. Lisboa: Academia Militar, Dissertação Mestrado em Ciências Militares, especialidade de Artilharia, 2011. Disponível na internet URL: http://comum.rcaap.pt/handle/123456789/7247

MACHADO, M. (22 de Dezembro de 2008). Os Últimos Disparos do “Muro do Atlântico” Português. Obtido em Fevereiro de 2011, de http://www.operacional.pt: http://www.operacional.pt/os-ultimos-disparos-do-%E2%80%9Cmuro-doatlantico%E2%80%9D-portugues/

MASCARENHAS, Catarina de Oliveira Tavares – Da defesa à contemplação da paisagem : intervir no lugar do Forte e da 7ª Bateria do Outão no contexto da Arrábida. – Lisboa : FA, 2014. Tese de Mestrado.

FONTE: http://sitiomarconi.fundacao.telecom.pt/…/p4_40_miolo_Marco…
Oliveira, João de – “A TSF: como nasceu em Portugal” in Revista Militar, Ano 98,.º11,1946,pp.561-562.

Ler mais em:  http://ruinarte.blogspot.pt/2013/02/a-bataria-da-raposeira-trafaria.html

Ler mais em: http://www.fpc.pt/Portals/0/Flipbook/HTML/files/assets/seo/page67.html

Nota importante [👤]

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📌 À descoberta do Regimento de Artilharia de Costa: a 5ªBateria da Raposeira…

Uma aventura pela Arquitectura Militar da Trafaria: a 5ª Bateria da Raposeira. Há ruínas que têm muitas estórias da história de Portugal para descobrir. Neste artigo, as ruínas falam

A 5ª Bateria de Costa da Raposeira é um local peculiar situado na freguesia da Trafaria, no concelho de Almada. Foi construída entre 1893 e 1911. Integravam o sistema de fortificações do Campo Entrincheirado de Lisboa, mas foram mais tarde integradas na Frente Marítima de Defesa de Lisboa. Actualmente, em ruínas, este complexo bélico estava integrado num conjunto de oito Baterias de Artilharia de Costa do Exército que formavam o extinto Regimento de Artilharia de Costa (Grupo Sul).

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Subindo o monte da Raposeira, o cenário do complexo bélico é desolador. Das antigas instalações militares – que foram desocupadas na década de 80 do Século XX – , restam as ruínas dos edifícios construídos no final do século XIX, os subterrâneos e as três peças de artilharia Krupp CTR de 15 cm. Ainda hoje, nos canos, podemos comprovar que foram fundidas, entre 1904 e 1907, no berço desta empresa industrial alemã: Essen. Ao longo do espaço arquitectónico,encontramos espalhadas centenas de munições de paintball. Por experiência própria, aquando da minha visita às Baterias das Alpenas, tive oportunidade de receber o meu “baptismo de fogo” dos adeptos deste combate simulado. Os graffitis cobrem as paredes deste recinto. Não ficamos intimidados, visto que estes são uma companhia para os mais curiosos, como eu.

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Peça (s) de Artilharia Krupp CTR 15 cm

Há muitas ruínas que têm muitas estórias da História para contar. Aliás, verdadeira pedras com história. No campo das Telecomunicações, foi nesta antiga estrutura militar que se deram as primeiras experiências com a Telegrafia Sem Fios (TSF) em Portugal foram realizadas em 17 Abril de 1901, entre o forte da Raposeira na Trafaria e o Regimento de Engenharia no forte do Alto do Duque, localizado em Algés. Entre ambas, havia uma distância de 4.300 metros. Por resolução do Ministério da Guerra, sob o comando do coronel Avelar Machado, dirigiram estes testes, desde o forte da Trafaria, o Capitão João Severo da Cunha e o Tenente Pedro Álvares. Foi experimentado durante o ensaio radiotelegráfico, o equipamento da empresa francesa Ducretet oferecido  ao Ministro da Guerra de então, o General Luís Augusto Pimentel Pinto.

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5ªBataria da Artilharia de Costa da Raposeira 

O Regimento de Artilharia de Costa tinha como intuito a protecção da capital portuguesa e da entrada do rio Tejo face a uma eventual invasão marítima. Todavia, nunca tiveram uma prova de fogo, como as do Forte de Almada e do Alto do Duque contra os Navios da Armada Portuguesa:  o contratorpedeiro ‘Dão’ e o ‘Aviso’ de 1ª classe Afonso de Albuquerque. Estávamos em 1936, em plena Guerra Civil de Espanha (1936-1939), uma facção de marinheiros portugueses revoltou-se contra a ditadura salazarista, face ao apoio deste ao General Franco, e face à situação politica no nosso país. O golpe militar não vingou, mas os marinheiros revoltosos quiseram levar os navios para Espanha, onde combateriam na Guerra Civil pelo lado republicano. Após uma tentativa falhada de fugir da Barra do Tejo, em virtude do fogo cruzado entre o Forte de Almada e do Alto do Duque, estes acabaram por render-se e ficar fundeados junto à Cruz Quebrada. Apesar de não terem participado, os canhões da Bateria  e da Raposeira estavam de prevenção para impedir a saída dos navios do estuário Tejo. Foi o último grito de revolta do reviralho contra a Ditadura Militar e, mais tarde, Estado Novo.

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Peça de Artilharia Krupp CTR 15 cm (Essen, 1904,N.º18)

Os Canhões da Memória. As diversas ruínas do antigo RAC são, hoje, lugares esquecidos pelo Homem. Entregues ao tempo. Ao percorrer estas ruínas, sinto-me uma espécie de intermediário entre os artilheiros que fizeram uma parte da sua vida neste complexo militar. Nem todos se conformam com o triste destino das baterias  da Artilharia de Costa. É o exemplo da recente Associação dos Amigos da Artilharia de Costa criada com o objectivo de zelar pelo legado memorial e pela conservação deste património histórico-militar. E não estão sozinhos nesta “epopeia”. Arquitectos, historiadores e os habitantes da Trafaria esperam agora que as ruínas dêem um novo impulso cultural e económico que traga novos horizontes…de memória.

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Panorama parcial da Trafaria, vista do Monte da Raposeira

Os canhões da bateria da Artilharia Costa nº 5 silenciaram-se há mais de duas décadas, tendo como consequência a monotonia desta freguesia da margem sul do Tejo. Todavia, o centro histórico da Trafaria merece uma visita mais demorada para conhecer as estórias desta vila piscatória e industrial, cuja existência remonta há pelo menos cinco séculos. Ao percorrermos as suas ruas e vielas, podemos tomar contacto com a arquitectura balnear dos séculos XIX e XX que pode ser apreciada calmamente, apesar do desgaste do tempo a que foi sujeito. Sabia que a Trafaria foi a primeira colónia balnear inaugurada pela Rainha D. Amélia?

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Como chegar:

A partir de Lisboa, o trajecto mais acessível para esta localidade da margem sul, é através da via fluvial. Para tal, basta apanhar o cacilheiro ou o ferry-boat que faz as ligações fluviais entre Belém e a Trafaria. Eu fui no Eborense. A viagem custou 1.20 €. Para consultar os horários e os preços, poderá saber mais na Transtejo. Esta é a empresa que assegura a Ligação Trafaria – Porto Brandão – Belém.

Para mais informações:

Bateria do Outão e Forte Velho do Outão – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=25039 >

Forte-Presídio Naval da Trafaria – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2016]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=32962 >

COSTA, António José Pereira da – A cidadela de Cascais e a Defesa da Costa Marítima do Guincho ao Estoril. In: “Boletim do AHM”, Lisboa, vol. 63 (1998 – 1999), pgs. 37 – 98.

EMERECIANO, Jaime – A Artilharia na Defesa de Costa em Portugal. Lisboa: Academia Militar, Dissertação Mestrado em Ciências Militares, especialidade de Artilharia, 2011. Disponível na internet URL: http://comum.rcaap.pt/handle/123456789/7247

MACHADO, M. (22 de Dezembro de 2008). Os Últimos Disparos do “Muro do Atlântico” Português. Obtido em Fevereiro de 2011, de http://www.operacional.pt: http://www.operacional.pt/os-ultimos-disparos-do-%E2%80%9Cmuro-doatlantico%E2%80%9D-portugues/

MASCARENHAS, Catarina de Oliveira Tavares – Da defesa à contemplação da paisagem : intervir no lugar do Forte e da 7ª Bateria do Outão no contexto da Arrábida. – Lisboa : FA, 2014. Tese de Mestrado.

FONTE: http://sitiomarconi.fundacao.telecom.pt/…/p4_40_miolo_Marco…
Oliveira, João de – “A TSF: como nasceu em Portugal” in Revista Militar, Ano 98,.º11,1946,pp.561-562.

Ler mais em:  http://ruinarte.blogspot.pt/2013/02/a-bataria-da-raposeira-trafaria.html

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