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📌 À descoberta do Forte-Presídio da Trafaria

Uma aventura pela Arquitectura Militar da Trafaria: o Forte-Presídio da Trafaria e a 5ªBateria da Raposeira. Há ruínas que têm muitas estórias da história de Portugal para descobrir…

Próxima paragem: Trafaria. A terra das famosas amêijoas à Bulhão Pato. Ou a Terra onde o Tejo se faz ao mar. É o slogan deste freguesia do concelho de Almada. Partimos para a margem sul do Tejo em busca da memória histórica da arquitectura militar do Antigo Regimento de Artilharia de Costa. O antigo Presídio-Lazareto da Trafaria é uma viagem pela Memória Histórica. A memória de outros tempos obscuros da nossa História. E apetece dizer: Nunca mais! Em tempos idos, milhares foram os viajantes, degredados e presos políticos que aguardavam a sua próxima viagem: a ida para o ultramar português. Para muitos, a Ponta da Areia – Trafaria – era a sua última morada em Portugal e, para a maioria, da sua vida.

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Trafaria: onde o Tejo se faz ao mar. Ou será oceano?

A Trafaria em virtude da sua posição geográfica, localizada junto à foz do estuário do Rio Tejo, despertou o interesse estratégico das autoridades governamentais para a defesa militar da entrada da barra do Porto e Cidade de Lisboa. A primeira fortificação foi construída na 2ªMetade do Século XVII, durante o reinado de D.Pedro II (1668/1683-1705), junto às instalações do antigo Lazareto do Século XVI. Importa referir que a antiga esplanada de artilharia – guarnecida com 12 peças de artilharia – foram demolidas no inicio do século XX, aquando das obras de construção do novo presidio.

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Aspecto da Estação Fluvial da Trafaria

Em virtude do clima belicista das potências europeias imperialistas (Inglaterra,França, Alemanha ou Rússia) no último quartel do Século XIX, Portugal sentiu necessidade de construir e guarnecer a sua frente atlântica, em especial nos estuários do Sado e do Tejo, com uma rede de fortificações e equipamento bélico dissuasor consoante as restrições orçamentais que vigoravam durante regime monárquico. Assim, no principio do Século XX, entre 1902 a 1909, ocorreu o maior empreendimento de engenharia militar do concelho de Almada: a construção de um conjunto de fortificações  Baterias de Artilharia de Costa de Alpenas e da Raposeira e do Quartel do Grupo de Artilharia N.º4 na freguesia da Trafaria.

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Um dos mais singulares Ferry-boat (s) de Portugal: o Eborense.

Nesta empreitada militar foram construídas infra-estruturas – uma ponte cais e de uma linha férrea – destinadas ao transporte de matéria-prima, artilharia naval e munições para guarnecer as futuras baterias de origem alemã Krupp  que se localizavam no topo do Monte da Raposeira e na Arriba Fóssil da Caparica.  O Quartel da Trafaria, inaugurado em 1905 pelo Rei D.Carlos,  era utilizado para alojar a guarnição militar que servia nas baterias anteriormente mencionadas. Mais tarde, passa a designar-se Quartel da Brigada de Artilharia de Costa N.º1. Na 2ªMetade do Século XX, passa a designar-se Batalhão de Reconhecimento e Transmissões. Actualmente, encontra-se afecto à Guarda Nacional Republicana.

📌 Forte-Presídio da Trafaria (séc. XVI-XX)

No âmbito da Trienal de Arquitectura de Lisboa esteve aberto ao público até ao passado dia 11 de Dezembro, de Sexta-feira a Domingo, a exposição sobre O Presídio e a Trafaria 450 anos de História nas antigas celas do Forte-Presídio da Trafaria. Com entrada livre, esta exposição tinha como intuito dar a conhecer a importância estratégica e histórica da Trafaria ao longo dos últimos quinhentos anos.

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Forte Prisional da Trafaria

O Lazareto-presidio da Trafaria foi construído na 2ªMetade do Século XVI (1565), durante o reinado de D.Sebastião, na regência do Cardeal D.Henrique. Este mandou construir um complexo, em nome do seu sobrinho-neto, para o recolhimento de matérias-primas e viajantes do Império Ultramarino Português (1415-1999). Tratava-se, assim, de uma medida de controlo sanitário e aduaneiro  rigoroso, para um dos maiores complexos portuários da Europa à época.

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Aspecto do Presidio da Trafaria

Ao longo do edifício e das celas que constituem o núcleo do Forte-Presídio, tivemos oportunidade de contactar com um percurso expositivo que, através de referências históricas, documentais e iconográficas, nos elucidou sobre a origem do património histórico-militar edificado, das dinâmicas económicas, locais e religiosas que fizeram, e fazem, desta localidade da margem sul do Tejo, um local singular para muitos portugueses.

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Complexo Edificado do Forte da Trafaria

No final do regime monárquico, no reinado de D.Manuel II (1908-1910), foram construídas as instalações da Casa da Reclusão da Trafaria. Com a implantação do regime republicano , serviu de prisão militar para os Monárquicos envolvidos na revolta do Monsanto. Entre o golpe de Estado de 28 de Maio de 1926 e a Revolução de 25 de Abril de 1974 ficou associado à prisão de muitos civis e políticos que combateram a ditadura militar e o Estado Novo, na tentativa de derrube do regime. diversas. Para muitos, este presídio-militar foi a sua morada final.

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Como chegar:

A partir de Lisboa, o trajecto mais acessível para esta localidade da margem sul, é através da via fluvial. Para tal, basta apanhar o cacilheiro ou o ferry-boat que faz as ligações fluviais entre Belém e a Trafaria. Eu fui no Eborense. A viagem custou 1.20 €. Para consultar os horários e os preços, poderá saber mais na Transtejo. Esta é a empresa que assegura a Ligação Trafaria – Porto Brandão – Belém.

Para mais informações:

Bateria do Outão e Forte Velho do Outão – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=25039 >

Forte-Presídio Naval da Trafaria – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2016]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=32962 >

COSTA, António José Pereira da – A cidadela de Cascais e a Defesa da Costa Marítima do Guincho ao Estoril. In: “Boletim do AHM”, Lisboa, vol. 63 (1998 – 1999), pgs. 37 – 98.

EMERECIANO, Jaime – A Artilharia na Defesa de Costa em Portugal. Lisboa: Academia Militar, Dissertação Mestrado em Ciências Militares, especialidade de Artilharia, 2011. Disponível na internet URL: http://comum.rcaap.pt/handle/123456789/7247

MACHADO, M. (22 de Dezembro de 2008). Os Últimos Disparos do “Muro do Atlântico” Português. Obtido em Fevereiro de 2011, de http://www.operacional.pt: http://www.operacional.pt/os-ultimos-disparos-do-%E2%80%9Cmuro-doatlantico%E2%80%9D-portugues/

MASCARENHAS, Catarina de Oliveira Tavares – Da defesa à contemplação da paisagem : intervir no lugar do Forte e da 7ª Bateria do Outão no contexto da Arrábida. – Lisboa : FA, 2014. Tese de Mestrado.

FONTE: http://sitiomarconi.fundacao.telecom.pt/…/p4_40_miolo_Marco…
Oliveira, João de – “A TSF: como nasceu em Portugal” in Revista Militar, Ano 98,.º11,1946,pp.561-562.

Ler mais em:  http://ruinarte.blogspot.pt/2013/02/a-bataria-da-raposeira-trafaria.html

Ler mais em: http://www.fpc.pt/Portals/0/Flipbook/HTML/files/assets/seo/page67.html

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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📌 À descoberta do Regimento de Artilharia de Costa: a 5ªBateria da Raposeira…

Uma aventura pela Arquitectura Militar da Trafaria: a 5ª Bateria da Raposeira. Há ruínas que têm muitas estórias da história de Portugal para descobrir. Neste artigo, as ruínas falam

A 5ª Bateria de Costa da Raposeira é um local peculiar situado na freguesia da Trafaria, no concelho de Almada. Foi construída entre 1893 e 1911. Integravam o sistema de fortificações do Campo Entrincheirado de Lisboa, mas foram mais tarde integradas na Frente Marítima de Defesa de Lisboa. Actualmente, em ruínas, este complexo bélico estava integrado num conjunto de oito Baterias de Artilharia de Costa do Exército que formavam o extinto Regimento de Artilharia de Costa (Grupo Sul).

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Subindo o monte da Raposeira, o cenário do complexo bélico é desolador. Das antigas instalações militares – que foram desocupadas na década de 80 do Século XX – , restam as ruínas dos edifícios construídos no final do século XIX, os subterrâneos e as três peças de artilharia Krupp CTR de 15 cm. Ainda hoje, nos canos, podemos comprovar que foram fundidas, entre 1904 e 1907, no berço desta empresa industrial alemã: Essen. Ao longo do espaço arquitectónico,encontramos espalhadas centenas de munições de paintball. Por experiência própria, aquando da minha visita às Baterias das Alpenas, tive oportunidade de receber o meu “baptismo de fogo” dos adeptos deste combate simulado. Os graffitis cobrem as paredes deste recinto. Não ficamos intimidados, visto que estes são uma companhia para os mais curiosos, como eu.

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Peça (s) de Artilharia Krupp CTR 15 cm

Há muitas ruínas que têm muitas estórias da História para contar. Aliás, verdadeira pedras com história. No campo das Telecomunicações, foi nesta antiga estrutura militar que se deram as primeiras experiências com a Telegrafia Sem Fios (TSF) em Portugal foram realizadas em 17 Abril de 1901, entre o forte da Raposeira na Trafaria e o Regimento de Engenharia no forte do Alto do Duque, localizado em Algés. Entre ambas, havia uma distância de 4.300 metros. Por resolução do Ministério da Guerra, sob o comando do coronel Avelar Machado, dirigiram estes testes, desde o forte da Trafaria, o Capitão João Severo da Cunha e o Tenente Pedro Álvares. Foi experimentado durante o ensaio radiotelegráfico, o equipamento da empresa francesa Ducretet oferecido  ao Ministro da Guerra de então, o General Luís Augusto Pimentel Pinto.

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5ªBataria da Artilharia de Costa da Raposeira 

O Regimento de Artilharia de Costa tinha como intuito a protecção da capital portuguesa e da entrada do rio Tejo face a uma eventual invasão marítima. Todavia, nunca tiveram uma prova de fogo, como as do Forte de Almada e do Alto do Duque contra os Navios da Armada Portuguesa:  o contratorpedeiro ‘Dão’ e o ‘Aviso’ de 1ª classe Afonso de Albuquerque. Estávamos em 1936, em plena Guerra Civil de Espanha (1936-1939), uma facção de marinheiros portugueses revoltou-se contra a ditadura salazarista, face ao apoio deste ao General Franco, e face à situação politica no nosso país. O golpe militar não vingou, mas os marinheiros revoltosos quiseram levar os navios para Espanha, onde combateriam na Guerra Civil pelo lado republicano. Após uma tentativa falhada de fugir da Barra do Tejo, em virtude do fogo cruzado entre o Forte de Almada e do Alto do Duque, estes acabaram por render-se e ficar fundeados junto à Cruz Quebrada. Apesar de não terem participado, os canhões da Bateria  e da Raposeira estavam de prevenção para impedir a saída dos navios do estuário Tejo. Foi o último grito de revolta do reviralho contra a Ditadura Militar e, mais tarde, Estado Novo.

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Peça de Artilharia Krupp CTR 15 cm (Essen, 1904,N.º18)

Os Canhões da Memória. As diversas ruínas do antigo RAC são, hoje, lugares esquecidos pelo Homem. Entregues ao tempo. Ao percorrer estas ruínas, sinto-me uma espécie de intermediário entre os artilheiros que fizeram uma parte da sua vida neste complexo militar. Nem todos se conformam com o triste destino das baterias  da Artilharia de Costa. É o exemplo da recente Associação dos Amigos da Artilharia de Costa criada com o objectivo de zelar pelo legado memorial e pela conservação deste património histórico-militar. E não estão sozinhos nesta “epopeia”. Arquitectos, historiadores e os habitantes da Trafaria esperam agora que as ruínas dêem um novo impulso cultural e económico que traga novos horizontes…de memória.

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Panorama parcial da Trafaria, vista do Monte da Raposeira

Os canhões da bateria da Artilharia Costa nº 5 silenciaram-se há mais de duas décadas, tendo como consequência a monotonia desta freguesia da margem sul do Tejo. Todavia, o centro histórico da Trafaria merece uma visita mais demorada para conhecer as estórias desta vila piscatória e industrial, cuja existência remonta há pelo menos cinco séculos. Ao percorrermos as suas ruas e vielas, podemos tomar contacto com a arquitectura balnear dos séculos XIX e XX que pode ser apreciada calmamente, apesar do desgaste do tempo a que foi sujeito. Sabia que a Trafaria foi a primeira colónia balnear inaugurada pela Rainha D. Amélia?

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Como chegar:

A partir de Lisboa, o trajecto mais acessível para esta localidade da margem sul, é através da via fluvial. Para tal, basta apanhar o cacilheiro ou o ferry-boat que faz as ligações fluviais entre Belém e a Trafaria. Eu fui no Eborense. A viagem custou 1.20 €. Para consultar os horários e os preços, poderá saber mais na Transtejo. Esta é a empresa que assegura a Ligação Trafaria – Porto Brandão – Belém.

Para mais informações:

Bateria do Outão e Forte Velho do Outão – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=25039 >

Forte-Presídio Naval da Trafaria – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2016]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=32962 >

COSTA, António José Pereira da – A cidadela de Cascais e a Defesa da Costa Marítima do Guincho ao Estoril. In: “Boletim do AHM”, Lisboa, vol. 63 (1998 – 1999), pgs. 37 – 98.

EMERECIANO, Jaime – A Artilharia na Defesa de Costa em Portugal. Lisboa: Academia Militar, Dissertação Mestrado em Ciências Militares, especialidade de Artilharia, 2011. Disponível na internet URL: http://comum.rcaap.pt/handle/123456789/7247

MACHADO, M. (22 de Dezembro de 2008). Os Últimos Disparos do “Muro do Atlântico” Português. Obtido em Fevereiro de 2011, de http://www.operacional.pt: http://www.operacional.pt/os-ultimos-disparos-do-%E2%80%9Cmuro-doatlantico%E2%80%9D-portugues/

MASCARENHAS, Catarina de Oliveira Tavares – Da defesa à contemplação da paisagem : intervir no lugar do Forte e da 7ª Bateria do Outão no contexto da Arrábida. – Lisboa : FA, 2014. Tese de Mestrado.

FONTE: http://sitiomarconi.fundacao.telecom.pt/…/p4_40_miolo_Marco…
Oliveira, João de – “A TSF: como nasceu em Portugal” in Revista Militar, Ano 98,.º11,1946,pp.561-562.

Ler mais em:  http://ruinarte.blogspot.pt/2013/02/a-bataria-da-raposeira-trafaria.html

Ler mais em: http://www.fpc.pt/Portals/0/Flipbook/HTML/files/assets/seo/page67.html

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📷 Viagem Fotográfica pela cidade de Lisboa…

No próximo dia 22 de Abril, irei realizar o meu primeiro Tour Fotográfico pelo centro histórico da cidade de Lisboa. Trata-se de uma parceria entre o blogue OLIRAF e a Time Travellers. Este passeio destina-se a todos os Time Travellers que apreciem o contacto com a arte fotográfica, o gosto pela História e que queiram conhecer mais um pouco da cidade de Lisboa. Siga neste passeio pedestre dedicado exclusivamente à fotografia, curiosidades históricas e o património histórico de Lisboa castiça. Iremos captar as praças e os miradouros movimentados, a magnifica arquitectura urbana, os melhores retratos de rua e aventurarmos-nos pela genuína Alfama à procura dos melhores ambientes, olhares e cores da capital portuguesa.Para mais informações, poderá consultar o seguinte link  Viagem Fotográfica Pela Cidade De Lisboa.

PortefólioOLIRAFBlogue2017

Sinopse

Ao comando do seu grupo, o viajante Rafael Oliveira (OLIRAF) traça um novo percurso fotográfico, do Terreiro do Paço até à Feira da Ladra. No encalce deste viajante do tempo, de viela em viela, vai percorrer e registar a tua epopeia fotográfica. Este passeio destina-se a todos os Time Travellers que apreciem o contacto com a arte fotográfica, o gosto pela História e que queiram conhecer mais um pouco da cidade de Lisboa. Siga neste passeio pedestre dedicado exclusivamente à fotografia, curiosidades históricas e o património histórico de Lisboa Castiça. Iremos captar as praças e os miradouros movimentados, a magnifica arquitetura urbana, os melhores retratos de rua e aventurarmo-nos pela genuína Alfama à procura dos melhores ambientes, olhares e cores da capital portuguesa.

Spots Fotográficos: Terreiro do Paço / Elétrico 28 / Sé Catedral /Alfama / Miradouro Santa Luzia e do Castelo / São Vicente de Fora / Feira da Ladra.

Material fotográfico aconselhado: tratando‐se de uma experiência fotográfica, recomenda‐se a utilização de uma câmara analógica ou reflex (DSLR), com objectiva (grande angular ou teleobjectiva). Considere a hipótese levar cartões de memória e baterias extra. De qualquer modo, poderá levar um telemóvel (Smartphone) para registar as suas imagens durante o percurso.

Destinatários: esta “viagem fotográfica” destina-se a todos os participantes que gostam de História, Fotografia e de Viajar. Pretende-se, acima de tudo, valorizar o olhar, o conhecimento e a técnica fotográfica de cada viajante, bem como enriquecimento cultural sobre a cidade de Lisboa.

📌Para mais informações:

DATA: 22 de Abril
HORÁRIO: 10h-13h
PONTO DE ENCONTRO: Terreiro do Paço
INSCRIÇÕES: Até 20 de abril
PREÇO POR PESSOA: Adultos: €15 | Crianças até 12 anos: €5
INCLUI: Workshop Fotografia de Rua e seguro | Obrigatório levar máquina de qualquer tipo

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📌Be a Time Traveller: roteiro fotográfico pela “Lisboa das Lendas e dos Mitos”

A Time Travellers é uma agência de animação turística, criada em 2010, dedicada à divulgação do património Histórico, Arqueológico e Cultural de Portugal. Os seus passeios já levaram milhares de portugueses e estrangeiros a conhecer a História e Cultura do nosso país. Confesso que há muito seguia este projecto cultural de duas arqueólogas de formação (a Inês Ribeiro e a Raquel Policarpo), mas com muita paixão pelas estórias da nossa História de Portugal e, em especial, da cidade de Lisboa.

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Após vários contactos para agendar um passeio pela capital lisboeta, tive oportunidade de percorrer a “Lisboa das Lendas e dos Mitos”, com a Time Traveller Inês Ribeiro. O ponto de encontro é no Largo do Carmo, um local mítico e simbólico para muitos lisboetas e portugueses. De facto, um dos marcos históricos e políticos da nossa contemporaneidade: a Revolução dos Cravos de 1974. Mas, recuando a tempos idos, aqui também temos as ruínas do antigo Convento do Carmo. Estou certo que o leitor deve recordar-se da expressão “Cai o Carmo e a Trindade”? Há um antes e um depois do fatídico dia 1 de Novembro de 1755.

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Através da meu olhar, em sintonia com o discurso da Time Traveller para a audiência, fui fotografando de uma forma descontraída o que me despertava a atenção e do grupo de viajantes do tempo que acompanhava-me nesta (re)visitação pelas castiças e surpreendentes estónias da História da capital portuguesa.

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Viajamos por inúmeras Lendas e Mitos da capital portuguesa, desde Ulisses até D.Pedro IV, incluindo as expressões vulgarmente utilizadas no quotidiano lisboeta. Por exemplo, a expressão “resvés (ou rés-vés) Campo de Ourique” remonta ao fatídico terramoto do ano de 1755. Segundo alguns cientistas, este fenómeno natural  terá tido uma magnitude de 9 na escala de Ritcher, originando a destruição do casco medieval e renascentista do património monumental da cidade de Lisboa, em especial, junto ao rio Tejo. Após o terramoto segui-se um maremoto (ou tsunami), originando uma onda entre 15 a 20 metros, que inundou e causou grande destruição e mortandade até à actual zona de Campo de Ourique que, por um triz, escapou. Para alguns historiadores, a origem da expressão, remonta ao antigo limite urbano – termo – da cidade de Lisboa: a antiga estrada da circunvalação que atravessava à “justa” Campo de Ourique. Na minha opinião, eu apontava para a primeira hipótese. Porquê? O Aqueduto das Águas Livres, com os seus 35 Arcos Ogivais – aguentaram este sismo sem qualquer dano ou rachura maior.

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A meu ver, foi uma narrativa peculiar de estórias da  História dos locais, como lisboeta, por onde passamos no nosso “fugaz” quotidiano habitual e que muitas vezes não paramos para apreciar verdadeiramente. A Time Traveller Inês Ribeiro nutre uma grande paixão pela divulgação da História, Cultura e Arqueologia de Portugal. E a sua agência de animação turística é um bom exemplo. Está sempre disponível para responder a todas as perguntas, sempre com um sorriso. No final de cada visita ou pausa, há sempre espaço de discussão para aqueles viajantes do tempo que se entusiasmam pelas curiosidades históricas, como eu.

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Ficou com curiosidade? Quer descobrir uma Lisboa desconhecida e perdida no tempo, fora dos roteiros turísticos das “massas” ? Poderá vivenciar numa visita-guiada pelas Time Travellers ou adquirir este livro que, a meu ver, revela-lhe estes e outros segredos e vestígios de uma cidade milenar à espera de serem descobertos por si. Sabia que na Igreja de Santo António se pode aceder ao subsolo por baixo do altar-mor, onde teve início a história do templo? E que na Rua da Prata se pode visitar galerias romanas e descobrir o que resta de um antigo fórum romano? Lisboa é uma cidade milenar e multicultural, fruto dos séculos de vivência de fenícios, romanos, visigodos, muçulmanos e cristãos.
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Descubra o património edificado da cidade de Lisboa que a rodeia, na companhia do OLIRAF

No próximo dia 22 de Abril, irei realizar o meu primeiro Tour Fotográfico pelo centro histórico da cidade de Lisboa. Trata-se de uma parceria entre o blogue OLIRAF e a Time Travellers. Este passeio destina-se a todos os Time Travellers que apreciem o contacto com a arte fotográfica, o gosto pela História e que queiram conhecer mais um pouco da cidade de Lisboa. Siga neste passeio pedestre dedicado exclusivamente à fotografia, curiosidades históricas e o património histórico de Lisboa castiça. Iremos captar as praças e os miradouros movimentados, a magnifica arquitectura urbana, os melhores retratos de rua e aventurarmos-nos pela genuína Alfama à procura dos melhores ambientes, olhares e cores da capital portuguesa.Para mais informações, poderá consultar o seguinte link  Viagem Fotográfica Pela Cidade De Lisboa.

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  • Setor

    Lazer, viagens e turismo

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    Turismo, Walking Tours, Organização de eventos

  • Roteiros & Passeios

    Lisboa e Portugal

  • Fundada em

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📌À descoberta da arquitectura militar da Trafaria: o Forte-Presídio da Trafaria e a 5ªBateria da Raposeira

Uma aventura pela Arquitectura Militar da Trafaria: o Forte-Presídio da Trafaria e a 5ªBateria da Raposeira. Há ruínas que têm muitas estórias da história de Portugal para descobrir…

Próxima paragem: Trafaria. A terra das famosas amêijoas à Bulhão Pato. Ou a Terra onde o Tejo se faz ao mar. É o slogan deste freguesia do concelho de Almada. Partimos para a margem sul do Tejo em busca da memória histórica da arquitectura militar do Antigo Regimento de Artilharia de Costa. O antigo Presídio-Lazareto da Trafaria é uma viagem pela Memória Histórica. A memória de outros tempos obscuros da nossa História. E apetece dizer: Nunca mais! Em tempos idos, milhares foram os viajantes, degredados e presos políticos que aguardavam a sua próxima viagem: a ida para o ultramar português. Para muitos, a Ponta da Areia – Trafaria – era a sua última morada em Portugal e, para a maioria, da sua vida.

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Trafaria: onde o Tejo se faz ao mar. Ou será oceano?

A Trafaria em virtude da sua posição geográfica, localizada junto à foz do estuário do Rio Tejo, despertou o interesse estratégico das autoridades governamentais para a defesa militar da entrada da barra do Porto e Cidade de Lisboa. A primeira fortificação foi construída na 2ªMetade do Século XVII, durante o reinado de D.Pedro II (1668/1683-1705), junto às instalações do antigo Lazareto do Século XVI. Importa referir que a antiga esplanada de artilharia – guarnecida com 12 peças de artilharia – foram demolidas no inicio do século XX, aquando das obras de construção do novo presidio.

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Aspecto da Estação Fluvial da Trafaria

Em virtude do clima belicista das potências europeias imperialistas (Inglaterra,França, Alemanha ou Rússia) no último quartel do Século XIX, Portugal sentiu necessidade de construir e guarnecer a sua frente atlântica, em especial nos estuários do Sado e do Tejo, com uma rede de fortificações e equipamento bélico dissuasor consoante as restrições orçamentais que vigoravam durante regime monárquico. Assim, no principio do Século XX, entre 1902 a 1909, ocorreu o maior empreendimento de engenharia militar do concelho de Almada: a construção de um conjunto de fortificações  Baterias de Artilharia de Costa de Alpenas e da Raposeira e do Quartel do Grupo de Artilharia N.º4 na freguesia da Trafaria.

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Um dos mais singulares Ferry-boat (s) de Portugal: o Eborense.

Nesta empreitada militar foram construídas infra-estruturas – uma ponte cais e de uma linha férrea – destinadas ao transporte de matéria-prima, artilharia naval e munições para guarnecer as futuras baterias de origem alemã Krupp  que se localizavam no topo do Monte da Raposeira e na Arriba Fóssil da Caparica.  O Quartel da Trafaria, inaugurado em 1905 pelo Rei D.Carlos,  era utilizado para alojar a guarnição militar que servia nas baterias anteriormente mencionadas. Mais tarde, passa a designar-se Quartel da Brigada de Artilharia de Costa N.º1. Na 2ªMetade do Século XX, passa a designar-se Batalhão de Reconhecimento e Transmissões. Actualmente, encontra-se afecto à Guarda Nacional Republicana.

📌 Forte-Presídio da Trafaria (séc. XVI-XX)

No âmbito da Trienal de Arquitectura de Lisboa esteve aberto ao público até ao passado dia 11 de Dezembro, de Sexta-feira a Domingo, a exposição sobre O Presídio e a Trafaria 450 anos de História nas antigas celas do Forte-Presídio da Trafaria. Com entrada livre, esta exposição tinha como intuito dar a conhecer a importância estratégica e histórica da Trafaria ao longo dos últimos quinhentos anos.

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Forte Prisional da Trafaria

O Lazareto-presidio da Trafaria foi construído na 2ªMetade do Século XVI (1565), durante o reinado de D.Sebastião, na regência do Cardeal D.Henrique. Este mandou construir um complexo, em nome do seu sobrinho-neto, para o recolhimento de matérias-primas e viajantes do Império Ultramarino Português (1415-1999). Tratava-se, assim, de uma medida de controlo sanitário e aduaneiro  rigoroso, para um dos maiores complexos portuários da Europa à época.

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Aspecto do Presidio da Trafaria

Ao longo do edifício e das celas que constituem o núcleo do Forte-Presídio, tivemos oportunidade de contactar com um percurso expositivo que, através de referências históricas, documentais e iconográficas, nos elucidou sobre a origem do património histórico-militar edificado, das dinâmicas económicas, locais e religiosas que fizeram, e fazem, desta localidade da margem sul do Tejo, um local singular para muitos portugueses.

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Complexo Edificado do Forte da Trafaria

No final do regime monárquico, no reinado de D.Manuel II (1908-1910), foram construídas as instalações da Casa da Reclusão da Trafaria. Com a implantação do regime republicano , serviu de prisão militar para os Monárquicos envolvidos na revolta do Monsanto. Entre o golpe de Estado de 28 de Maio de 1926 e a Revolução de 25 de Abril de 1974 ficou associado à prisão de muitos civis e políticos que combateram a ditadura militar e o Estado Novo, na tentativa de derrube do regime. diversas. Para muitos, o Presídio-militar da Trafaria foi a sua morada final.

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Aspecto parcial das Celas do Forte da Trafaria

📌 5ªBateria da Raposeira (séc.XX)

A 5ª Bateria de Costa da Raposeira é um local peculiar situado na freguesia da Trafaria, no concelho de Almada. Foi construída entre 1893 e 1911. Integravam o sistema de fortificações do Campo Entrincheirado de Lisboa, mas foram mais tarde integradas na Frente Marítima de Defesa de Lisboa. Actualmente, em ruínas, este complexo bélico estava integrado num conjunto de oito Baterias de Artilharia de Costa do Exército que formavam o extinto Regimento de Artilharia de Costa (Grupo Sul).

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Casamata de Direção de Tiro (?)

Subindo o monte da Raposeira, o cenário do complexo bélico é desolador. Das antigas instalações militares – que foram desocupadas na década de 80 do Século XX – , restam as ruínas dos edifícios construídos no final do século XIX, os subterrâneos e as três peças de artilharia Krupp CTR de 15 cm. Ainda hoje, nos canos, podemos comprovar que foram fundidas, entre 1904 e 1907, no berço desta empresa industrial alemã: Essen. Ao longo do espaço arquitectónico,encontramos espalhadas centenas de munições de paintball. Por experiência própria, aquando da minha visita às Baterias das Alpenas, tive oportunidade de receber o meu “baptismo de fogo” dos adeptos deste combate simulado. Os graffitis cobrem as paredes deste recinto. Não ficamos intimidados, visto que estes são uma companhia para os mais curiosos, como eu.

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Peça (s) de Artilharia Krupp CTR 15 cm

Há muitas ruínas que têm muitas estórias da História para contar. Aliás, verdadeira pedras com história. No campo das Telecomunicações, foi nesta antiga estrutura militar que se deram as primeiras experiências com a Telegrafia Sem Fios (TSF) em Portugal foram realizadas em 17 Abril de 1901, entre o forte da Raposeira na Trafaria e o Regimento de Engenharia no forte do Alto do Duque, localizado em Algés. Entre ambas, havia uma distância de 4.300 metros. Por resolução do Ministério da Guerra, sob o comando do coronel Avelar Machado, dirigiram estes testes, desde o forte da Trafaria, o Capitão João Severo da Cunha e o Tenente Pedro Álvares. Foi experimentado durante o ensaio radiotelegráfico, o equipamento da empresa francesa Ducretet oferecido  ao Ministro da Guerra de então, o General Luís Augusto Pimentel Pinto.

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5ªBataria da Artilharia de Costa da Raposeira 

O Regimento de Artilharia de Costa tinha como intuito a protecção da capital portuguesa e da entrada do rio Tejo face a uma eventual invasão marítima. Mas, foi uma “evasão” que levou estas peças de artilharia a serem usadas contra dois navios da Marinha de Guerra Portuguesa: o contratorpedeiro ‘Dão’ e o ‘Aviso’ de 1ª classe Afonso de Albuquerque. Estávamos em 1936, em plena Guerra Civil de Espanha (1936-1939), uma facção de marinheiros portugueses revoltou-se contra a ditadura salazarista, face ao apoio deste ao General Franco, e face à situação politica no nosso país. O golpe militar não vingou, mas os marinheiros revoltosos quiseram levar os navios para Espanha, onde combateriam na Guerra Civil pelo lado republicano. Mas a Artilharia de Costa impediu, assim, os navios de sair do estuário Tejo. Foi o último grito de revolta do reviralho.
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Peça de Artilharia Krupp CTR 15 cm (Essen, 1904,N.º18)

Os Canhões da Memória. As diversas ruínas do antigo RAC são, hoje, lugares esquecidos pelo Homem. Entregues ao tempo. Ao percorrer estas ruínas, sinto-me uma espécie de intermediário entre os artilheiros que fizeram uma parte da sua vida neste complexo militar. Nem todos se conformam com o triste destino das baterias  da Artilharia de Costa. É o exemplo da recente Associação dos Amigos da Artilharia de Costa criada com o objectivo de zelar pelo legado memorial e pela conservação deste património histórico-militar. E não estão sozinhos nesta “epopeia”. Arquitectos, historiadores e os habitantes da Trafaria esperam agora que as ruínas dêem um novo impulso cultural e económico que traga novos horizontes…de memória.
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Panorama parcial da Trafaria, vista do Monte da Raposeira

Os canhões da bateria da Artilharia Costa nº 5 silenciaram-se há mais de duas décadas, tendo como consequência a monotonia desta freguesia da margem sul do Tejo. Todavia, o centro histórico da Trafaria merece uma visita mais demorada para conhecer as estórias desta vila piscatória e industrial, cuja existência remonta há pelo menos cinco séculos. Ao percorrermos as suas ruas e vielas, podemos tomar contacto com a arquitectura balnear dos séculos XIX e XX que pode ser apreciada calmamente, apesar do desgaste do tempo a que foi sujeito. Sabia que a Trafaria foi a primeira colónia balnear inaugurada pela Rainha D. Amélia?

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Como chegar:

A partir de Lisboa, o trajecto mais acessível para esta localidade da margem sul, é através da via fluvial. Para tal, basta apanhar o cacilheiro ou o ferry-boat que faz as ligações fluviais entre Belém e a Trafaria. Eu fui no Eborense. A viagem custou 1.20 €. Para consultar os horários e os preços, poderá saber mais na Transtejo. Esta é a empresa que assegura a Ligação Trafaria – Porto Brandão – Belém.

Para mais informações:

Bateria do Outão e Forte Velho do Outão – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=25039 >

Forte-Presídio Naval da Trafaria – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2016]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=32962 >

COSTA, António José Pereira da – A cidadela de Cascais e a Defesa da Costa Marítima do Guincho ao Estoril. In: “Boletim do AHM”, Lisboa, vol. 63 (1998 – 1999), pgs. 37 – 98.

EMERECIANO, Jaime – A Artilharia na Defesa de Costa em Portugal. Lisboa: Academia Militar, Dissertação Mestrado em Ciências Militares, especialidade de Artilharia, 2011. Disponível na internet URL: http://comum.rcaap.pt/handle/123456789/7247

MACHADO, M. (22 de Dezembro de 2008). Os Últimos Disparos do “Muro do Atlântico” Português. Obtido em Fevereiro de 2011, de http://www.operacional.pt: http://www.operacional.pt/os-ultimos-disparos-do-%E2%80%9Cmuro-doatlantico%E2%80%9D-portugues/

MASCARENHAS, Catarina de Oliveira Tavares – Da defesa à contemplação da paisagem : intervir no lugar do Forte e da 7ª Bateria do Outão no contexto da Arrábida. – Lisboa : FA, 2014. Tese de Mestrado.

FONTE: http://sitiomarconi.fundacao.telecom.pt/…/p4_40_miolo_Marco…
Oliveira, João de – “A TSF: como nasceu em Portugal” in Revista Militar, Ano 98,.º11,1946,pp.561-562.

Ler mais em:  http://ruinarte.blogspot.pt/2013/02/a-bataria-da-raposeira-trafaria.html

Ler mais em: http://www.fpc.pt/Portals/0/Flipbook/HTML/files/assets/seo/page67.html

Nota importante [👤]

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Palácio dos Marqueses de Fronteira: um belo exemplar da arquitectura residencial barroca do Século XVII…

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Férias em Lisboa? Há sempre um motivo fotográfico para descobrir no “caos” e na rotina da urbe lisboeta. Visitar este Palácio é reavivar a História e a Arte em Portugal a cada passo que damos neste exemplar arquitectónico. Para além da sua arquitectura que nos fascina, nada como aventurar-nos num jardim que nos guia pelas belezas e mistérios de Fronteira.

Um oásis no caos urbano de Lisboa…

Situado em São Domingos de Benfica, próximo da Mata Florestal do Monsanto, o Palácio dos Marqueses de Fronteira é um dos belos exemplares da arquitectura residencial barroca portuguesa da 2ªMetade do Século XVII. Mandado construir pelo 1ºMarquês de Fronteira , D. João Mascarenhas, foi inaugurado por volta de 1675 como pavilhão de caça e casa de veraneio desta família nobiliárquica, uma das mais importantes do Reino de Portugal à época. É Herdeiro de uma histórica com cerca de três séculos.
Utilizado como local de veraneio e, durante alguns períodos, como residência principal da família Mascarenhas, o Palácio Fronteira acolheu sucessivas gerações de nobres, reis e rainhas, sobreviveu ao Terramoto e hospedou visitantes e viajantes de várias partes do Mundo, entre os quais o Grão-Duque da Toscânia em 1683.

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Depois do Terramoto de 1755 foi escolhido como residência “oficial” dos Marqueses de Fronteira, após a destruição da casa no Chiado. Em tempos, a distância entre este palácio e o centro de Lisboa ficavam a 3 horas de cavalo! Quem diria? Com a construção da Ala do Século XVIII, o palácio foi ganhando, assim, uma nova centralidade na vida quotidiana desta família nobre portuguesa. Esta família é um bom exemplo da nobreza de Guerra, que pelas excelentes campanhas bélicas ao serviço de El Rei durante a Guerra da Restauração (e desde a Expansão Ultramarina) foi subindo na hierarquia nobiliárquica por mérito.

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Sabia que…

A “petit histoire” não nos deixa de surpreender. Durante a Viagem de Cosme III de Médicis em Portugal no ano de 1669, o próprio visitou e descreve o palácio em construção no seu diário de viagem. Um pormenor fantástico. Mais do que um relato de uma viagem, este diário é uma espécie de visita guiada ao Portugal de Seiscentos, através das contingências da viagem realizada nesses meses de Janeiro a Março de 1669 em que a comitiva de Cosme III de Médicis (1642-1723) esteve em terra portuguesa.

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Durante a visita ao jardim, percorra as diversas fontes e suba a escadaria monumental em direção à ala dos Reis de Portugal, onde se deparará com inúmeros bustos em homenagem à realeza portuguesa, desde Afonso Henriques até D.Pedro II.

A razão da sua construção…

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Em virtude das más condições em que se vivia na cidade de Lisboa (falta de aposta da realeza na monumentalidade, suja e ruas tortuosas), os mais abastados, isto é, a nobreza construíam faustosas residências nos arredores onde passavam uma boa parte do ano, neste caso, o Verão. Na verdade, as estruturas económicas e mentais pouco tinha evoluído. Reflexo deste status quo são as próprias estruturas arquitectónicas da cidade de Lisboa que permanecem estáticas desde o séc. XVI, sendo apenas dinamizadas pela decoração: a arte azulejar e a talha dourada. De salientar que à época, a capital do Reino era o maior aglomerado urbano da Península Ibérica, só suplantada séculos mais tarde pela cidade de Madrid.

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Com a recuperação da independência nacional em 1640 e até ao reinado de D.João V, o Reino de Portugal atravessa uma fase de grande austeridade imposta por diversas condicionantes politicas,sociais e económicas. Ao contrário da nobreza do seu tempo, inculta,pobre e conservadora, os Mascarenhas eram uma família culta e aberta a novas mentalidades, entendendo as novas realidades culturais e arquitectónicas europeias do seu tempo. Ainda hoje, podemos jogar torneios de brigde neste palácio, graças ao mecenato cultural do 12.º marquês de Fronteira, D.Fernando Mascarenhas, e continuado pelos seus familiares mais próximos.

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O Palácio e os Jardins dos Marqueses de Fronteira são um belo exemplo vivo da arte azulejar em estilo barroco e da aplicação genuína desta forma artística, ao gosto dos nobres que ai viveram. Aqui, poderemos conhecer uma parte da história e da evolução técnica e artística da arte azulejar na época barroca. Depare-se com os Azulejos. De facto, durante esta visita não foi difícil dar por eles. Os azulejos, de origem árabe Al-zuleique, foram introduzidos, em Portugal e Espanha, durante a Idade Média pelos Muçulmanos. Eram usados para decorar chão e paredes das habitações muçulmanas. A partir do século XV, os Azulejos ganharam um lugar de destaque na arquitectura residencial e palaciana portuguesa, ao contrário de muitos países do continente europeu.

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Mantendo seu protagonismo no desenrolar da história, o Palácio Fronteira é, sem dúvida, um Palácio com História. Pedras com História. Percorrer o seu jardim e o interior do Palácio, é (re) viver os maiores feitos da História de Portugal e da Expansão Ultramarina, para além do contacto com a magnifica arte azulejar portuguesa. A meu ver, o Palácio Fronteira continua a contar na sua arquitectura exterior e interior, a História de Portugal. Um Palácio que enriquece a cidade de Lisboa e que acrescenta algo à cultura portuguesa. Como pode verificar pelos registos fotográficos, motivos não faltam para visitar este belo exemplar do património histórico-cultural!

Fotografia•Viagens•Portugal © Oliraffotografia (2016)

Dicas e Informações

Como chegar:

Carreira 778 da Carris (Estação Sete Rios – Serviço Diurno)

Horário  das Visitas:

O interior do Palácio só é visitável de manhã. Todas as visitas ao interior do Palácio são guiadas, uma vez que uma parte do mesmo ainda é habitado. Já a visita os Jardins, é possível visitar de manhã e de tarde. Importa referir que não se efectuam visitas aos Domingos e Feriados.

Palácio:

Junho a Setembro:  2ª a Sábado às 10h30; às 11h00; às 11h30 e às 12h00.

Outubro a Maio:  2ª a Sábado às 11h00 e às 12h00.
Jardins: 

Junho a Setembro: 2ª a 6ª entre às 10h30 e as 13h00 e entre as 14h00 e às 17h00 e aos Sábados entre as 10h30  e as 13h00.

Outubro a Maio: 2ª a 6ª entre as 11h00 e as 13h00 e entre as 14h00 e as 17h00 e aos Sábados entre as 11h00 e as 13h00.

Custo  das Visitas (€):

Quanto às visitas, a entrada para o pacote Palácio+Jardim custa nove euros e o acesso apenas ao jardim custa três. Na minha opinião, um preço demasiado caro. Mas, trata-se de uma propriedade privada que necessita de fundos para a manutenção dos jardins e do Palácio.

Links:

Página Oficial da Fundação das Casas de Fronteira e Alorna

Página Oficial Facebook da Casa Fronteira.Alorna 

Página Oficial do Palácio Fronteira

Associação dos Amigos da Fundação das Casas de Fronteira e Alorna

SIPA | Monumentos – Palácio dos Marqueses de Fronteira

Património Cultural (DGPC) – Palácio, jardins, horta e mata dos dos marqueses de Fronteira

Nota importante

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Ribeiro do Cavalo: uma praia longe da multidão…

Situada no encontro da foz do Rio Tejo com o Oceano Atlântico, Lisboa é uma cidade com uma longa e forte tradição marítima, sendo a única capital europeia com praias atlânticas.

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Vila de Sesimbra @ OLIRAF (2016)

Ir à praia em Lisboa, a meu ver,  torna-se um caso complicado na altura de fugir à confusão dos banhistas da Costa da Caparica ou da Linha de Cascais. Por isso, é imprescindível escolher um local mais sossegado para retemperar as energias e evitar a confusão.

Praia da Ribeira do Cavalo…

Com mais de duas dezenas de praias com Bandeira Azul, a costa de Lisboa oferece variadas escolhas para a prática de desportos náuticos ou ir a banhos. Todavia, a Costa de Sesimbra tem uma das mais belas praias de Portugal, em virtude do seu lado selvagem, das águas límpidas e calmas.

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Trilho Pedestre @ OLIRAF (2016)

Na península de Setúbal, entre o Cabo Espichel e a Vila de Sesimbra, no concelho de Sesimbra, fica uma das mais belas praias de Portugal: a Praia da Ribeira do Cavalo. Pela sua localização geográfica ímpar, entre o azul turquesa do oceano e o verde das escarpas, esta praia não conta com diversos serviços de apoio, como um nadador-salvador no período de época balnear. O areal tem dimensões razoáveis para a prática balnear. Apesar de pouco movimentada, visite-a pela manhã e usufrua deste pequeno paraíso, sem estar nas costas do Mediterrâneo ou do Sudeste Asiático. Na minha opinião, é um dos melhores locais para fazer Snorkeling ou dar umas braçadas. A praia da Ribeira do Cavalo deveria ser considerada “Reserva Natural de Tranquilidade”.

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Praia da Ribeira do Cavalo @ OLIRAF (2016)

Em Suma, a praia da Ribeira do Cavalo é um paraíso exótico e único que está, sensivelmente, a 40 km da cidade de Lisboa. Seja responsável, divirta-se e respeite a harmonia Natureza!

Como ir…

A partir de Lisboa opte pela A2 (Algarve), via Ponte 25 de Abril,  em direcção a Setúbal. De seguida, saia em Fogueteiro (Rio Sul). Siga na direção da Vila Sesimbra (N310). Após a chegada a Sesimbra, siga para o fim do pontão do porto de abrigo. No final, irá encontrar uma estrada de terra batida – o “Centrão” – que dá acesso a um caminho pedestre que nos leva à Praia do Ribeiro do Cavalo. São cerca de 20 minutos em trilho pedestre, com um nível de dificuldade médio/dificil. Não é aconselhado levar crianças e idosos.

O que levar…

Como se trata de uma zona natural e selvagem,  é vital fazer uma mochila com o necessário para o seu dia na praia. Leve calçado confortável para caminhas, uma vez que o trilho é íngreme e ainda são umas dezenas de metros até ao paraíso. E não se esqueça do saco do lixo!

Coordenadas GPS: Latitude 38.432620 | Longitude -9.129870

Não deixe de…

  • passear ao longo da praia;
  • dar um mergulho no Oceano Atlântico;
  • fazer Snorkeling / Mergulho;
  • Almoçar e provar o peixe e o marico na Vila de Sesimbra;
  • Visitar o Castelo de Sesimbra.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

Fotografia•Portugal © OLIRAF (2015)

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