📷 OLIRAF Blogger Trips 2018: 12 Lugares, 12 Imagens.

✏2018 foi, para mim, um ano de grandes experiências e de exigentes desafios ao nível pessoal, profissional e académico. Tive oportunidade de experimentar o que é a vida de um verdadeiro traveller, storyteller e fotógrafo de viagens. Considero-me um sortudo. Cruzei-me com pessoas e gentes de diversas latitudes. De facto, estamos cada vez mais numa «aldeia global». Não fico admirado com a noticia de Portugal ter sido eleito “Melhor Destino do Mundo”, pelo segundo ano consecutivo, nos World Travel Awards.

Viagens&Vantagens_selo_finalista

Em Junho de 2018, resolvi inscrever o meu projecto de escrita e fotografia de viagens na 1.ª Edição do Prémio Latitudes Viagens & Vantagens, uma iniciativa da Via Verde e do projeto Óbidos Vila Literária para eleger e premiar os melhores trabalhos de literatura digital (blogs) com temas de turismo e viagens publicados sobre Portugal. Para este concurso literário da Via Verde, optei por concorrer com um artigo sobre o Cais Palafítico da Carrasqueira, localizado nas proximidades da Aldeia da Comporta (Alentejo). Para mim, ser um dos cinco finalistas, é uma enorme satisfação e realização pessoal, visto que dá uma maior motivação para continuar a inspirar e a publicar artigos de viagens sobre o nosso país.

Evasões_Edição_172No mês de Julho, o blogue OLIRAF apareceu  na capa da edição 172 da Revista @evasoes.pt. Tão gratificante sair na capa do Jornal de Notícias e numa das principais publicações de renome de viagens. E, se dúvida, uma das melhores experiências que fiz enquanto amante de turismo de natureza e aventura. Foi com gosto que aceitei o convite da Hostelsclub para falar um pouco da essência do projecto de escrita e fotografia de viagens numa entrevista. Para mais informações poderão consultar aqui.

Como forma de celebrar o ano que chega ao fim, decidi seleccionar as 12 imagens que reflectissem os lugares que mais gostei de conhecer. Apesar da subjectividade visual reflectir uma escolha pessoal, deixo-vos o Best of das minhas Blogger Trips 2018:

📍Melgaço (Minho, Portugal)

FAM TRIP_Melgaço--4Castelo de Melgaço é um belo exemplo da arquitectura militar românica. Uma das características é a sua Torre de Menagem, situar-se no centro da Alcáçova, em vez de ficar junto à cintura de muralhas. Por momentos, senti-me na pele do escudeiro Duarte D’Armas que desenhou este “guerreiro de pedra” para El`Rei D.Manuel I nos principios do século XVI. Todavia, uma das razões para visitar o concelho mais radical de Portugal é o Rafting. Esta actividade radical realizada, entre a barragem da Frieira (Espanha) e a Ponte do Peso (Melgaço), no rio Minho, foi uma das razões para sair da minha zona de conforto e fazer quase 500 km até ao concelho mais a Norte de Portugal. Tratou-se de uma experiência fantástica e com muita adrenalina ao longo de quase 14 Km. Os monitores da Melgaço Radical (e da Melgaço WhiteWater) são excelentes embaixadores do rafting, em Portugal, que nos proporcionam experiência fantásticas que despertam o lado radical escondido que há em cada pessoa.

📍Óbidos (Oeste, Portugal)

img_20181008_080745_641-1453401165.jpgBela e singela. São dois adjectivos para descrever esta vila medieval da região Centro de Portugal. Para mim, Óbidos é a vila-rainha do Turismo Português. Sabia que o seu castelo medieval foi eleito, em 2007, uma das 7 maravilhas de Portugal? Afinal, não há terra igual no nosso país! Entre 27 de Setembro a 7 de Outubro de 2018 ocorreu o FOLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos. À boleia da minha nomeação como finalista da 1.ºEdição do Prémio Latitudes Viagens & Vantagens 2018 tive um excelente motivo para (re) descobrir o património edificado e o pulsar quotidiano de uma das mais singelas e belas vilas medievais do nosso país: Óbidos. Segundo o jornal Britânico The Guardian, esta vila literária é referida como uma das 10 melhores cidades do livro do mundo: “Óbidos is a beautiful, historic hilltop town with a wall that encloses a compact medieval centre filled with cobbled streets and traditional houses. The town – just over an hour north”. É graticante estar nestas LATITUDES, em especial, numa região bem familiar: o Oeste.

📍Convento do Varatojo (Oeste, Portugal)

Varatojo (1)Silêncio…e simplicidade! Foi assim fomos recebidos no Convento de Santo António do Varatojo por Frei Nicolás de Almeida. Este guia-nos pelas simbólicas e seculares pedras do claustro do Convento de Santo António do Varatojo.  Trata-se de um belo exemplar da Arquitetura Gótica da região Oeste. Já imaginaram o “Africano” a deambular com o seu hábito Francisco pelo espaço conventual? Um espaço religioso que nos surpreende pela sua singularidade espiritual franciscana, arquitectónica e pela simbologia régia! Sabia que este espaço religioso foi mandado erigir por El-Rei Dom Afonso V, em 1470, em cumprimento de um voto que fizera a Santo António para o sucesso das suas aventuras bélicas no Norte de Marrocos (Alcácer-Ceguer e Tânger)? Daí, o espaço Conventual denominar-se Santo António do Varatojo.

📍Forte da Baralha (Sesimbra, Portugal)

FortedaBaralha (Sesimbra)O Forte de São Domingos da Baralha, localizado nas proximidades da vila piscatória de Sesimbra, é um testemunhos da arquitectura militar em ruínas existentes em inúmeros pontos estratégicos da costa portuguesa. Construído numa plataforma calcária, esta fortificação  em ruínas, datada dos meados do século XVII, foi um dos primeiros redutos marítimos da costa da Arrábida que integrou a linha defensiva que se estendia ao longo do  litoral de Albarquel ao Cabo Espichel. Tinha, assim, como objectivo a salvaguarda das embarcações que rumavam à povoação marítima do estuário do Sado: Setúbal. A Mystical Trip, através dos seus mentores, Rui Costa e Sandra Caldeira, é uma empresa de animação turística que alia o desenvolvimento de experiências turísticas e culturais associadas à História e ao Património histórico-militar, bem como o enquadramento histórico e paisagístico do património edificado e natural. Ao longo de 7 km´s, entre o Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel e a Chã dos Navegantes, o caminhante pode contemplar o contraste do azul do Atlântico e o verde  da Serra da Arrábida e contactar com o património militar e natural da “Costa Negra”. Actualmente, o Forte da Baralha e a Capela do Senhor Jesus dos Navegantes, encontram-se abandonados e em avançado estado de ruína.

📍Ruínas Romanas de Tróia (Grândola, Portugal)

Tróia_Ferry-1-2De um lado o Atlântico, do outro o Sado. As Ruínas Romanas da Península de Tróia eram o maior centro industrial de produção e preparados de pescado do Império Romano entreos séc. I e VI. d.C. Já imaginou as elites da cidade de Roma saborearem a iguaria “Garum” durante as suas sumptuosas festas? As ruínas desta “Fábrica de Roma” ficam nas proximidades do Tróia Resort. Segundo o ilustre escritor dinamarquês Hans Christian Andersen  descreveu, na sua obra Uma visita em Portugal (1866), como «A Pompeia de Setúbal». Infelizmente, só uma pequena parte (dez por cento) deste complexo arqueológico está visível, revela-nos a arqueóloga Ana Magalhães, aguardando novos trabalhos de prospecção arqueológica. A visita guiada pelo circuito arqueológico – os tanques de salga de peixe, as termas, as residências privadas e a necrópole, permitem-nos compreender o quotidiano de trabalho e de lazer durante a época Romana, em particular, na região do estuário do Sado. Um passeio por quase 2000 anos de história. Recomendo esta visita para quem queira fazer um programa de Praia & Cultura na região do Alentejo, em particular, o longo das margens azuis do Sado e das dunas douradas da Península de Tróia.

📍Base Aérea de Monte Real (Leiria, Portugal)

F-16-1-4Anualmente, ocorrem os dias abertos das principais bases aéreas da Força Aérea Portuguesa. Foi o caso do dia aberto da principal base aérea do nosso país: a BA5 de Monte Real, localizada no centro do país. As Esquadras 201 (Falcões) e 301 (Jaguares) operam as aeronaves de combate F-16 (Lockeed Martin F-16 AM). É, assim, desde 1994 em que estes caças foram adquirido aos EUA. Estas são a “ponta de lança” e o ex-libris da Força Aérea Portuguesa (FAP) cuja função é o policiamento aéreo, defesa aérea e ataque ao solo. Estes Caças Supersónicos, suportam acelerações de 9G, são capazes de percorrer a distância Bragança a Faro em 8 minutos! Por breves horas, fui, literalmente, transferido para o quotidiano de uma Base Aérea dos Estados Unidos da América. Nada como sentir a azáfama do reabastecimento, as descolagens, aterragens e as “Low-pass” das inúmeras parelhas dos “Top-Gun” Portugueses.

📍Monsanto (Castelo Branco, Portugal)

2018_0428_135837001039201416.jpgMonsanto, uma aldeia portuguesa. Localizada no concelho de Idanha-a-Nova, esta é uma das nove aldeias históricas do nosso pequeno grande país: Portugal. Sabia que foi considerada a “Aldeia mais Portuguesa” de Portugal, em 1938, na vigência do regime Estado Novo? A réplica do Galo de Prata na Torre de Lucano (ou do Relógio) é uma evidência do passado desse concurso. E qual era o objetivo? Promover a manutenção dos costumes, tradições religiosas, do património edificado e, acima de tudo, evitar o massivo êxodo rural para as cidades em busca de novas oportunidades de vida A política do regime Salazarista pretendia,acima de tudo, evitar a “Proletarização” dos Campos. Os blocos graníticos exemplificam a força “bruta” da Natureza e a fragilidade do ser humano.Aqui, no monte-ilha de Monsanto, uma comunidade milenar adaptou-se ao meio envolvente! Continência aos agentes erosivos!

📍Ponte de Alcántara (Extremadura, Espanha)

PonteAlcántara (3)A majestosa e monumental Ponte Romana de Alcántara atravessa as serenas águas do rio Tejo. Trata-se de uma verdadeira atração turística e uma das razões de ter ido a estas latitudes. O cenário arquitetónico é um dos mais belos “rincones” emblemáticos de toda a Extremadura Espanhola. Aqui, o viajante pode recuar até ao passado e imaginar as legiões romanas, hordas de povos bárbaros, mouros, castelhanos, portugueses e franceses pisaram estas pedras e passaram o rio Tejo rumo ao nosso país. Para mim, está ponte não é uma passagem. É uma viagem através do tempo. Há pontes que são verdadeiras obras de arte que impõem respeito e admiração!

📍Castro Laboreiro (Melgaço, Portugal)

FAM TRIP_Melgaço--8Localizado a cerca de 1000 metros de altitude, o castelo de Castro Laboreiro é um forte motivo para visitar a genuína aldeia de Castro Laboreiro. Trata-se de um antigo castro romanizado que, na minha opinião, vale pela sua localização geográfica e, acima de tudo, pela seu conjunto fortificado preservado da intervenção do Estado Novo na década de 40 do século XX. Após uma caminhada de cerca de 900 metros, com sinalética um pouco degrada, é possível contemplar uma das melhores vistas para a aldeia de Castro Laboreiro e para as fragas/penedos da Serra da Peneda. A Just Natur organiza visitas e caminhadas temáticas para apreciar o património natural e edificado desta aldeia típica castreja.

📍Madrid (Comunidad de Madrid, Espanha)

Madrid (2)A monárquica Madrid é a maior e mais povoada urbe da Península Ibérica e umas das maiores cidades europeias. Fundada nos meados do Século XVI, durante o “Sieglo de Oro”, por Filipe II de Espanha (Dinastia dos Áustria). Até ai, a maior cidade da “Jangada de Pedra”, como refere o Nobel da Literatura José de Saramago à Península Ibérica, era Lisboa. Mais tarde, em meados do Século XIX, esta foi suplantada por Madrid como a cidade mais importante da Península Ibérica. De facto, a posição central na Península Ibérica foi vital para a fixação da corte dos Áustrias (Séc. XVI-XVII) na pequena urbe castelhana. Mais tarde, a Dinastia dos Bourbons (Séc. XVIII) ajudaram a fomentar s consolidação desta cidade como a “cabeça” da Monarquia Hispânica (e o “coração” da Península Ibérica). Em Madrid podemos destacar o famoso Palácio Real de Madrid, antiga residência real da Dinastia Bourbon, construído pelo neto de Luís XIV, Felipe V de Bourbon (1700-1746).

📍World of Discoveries (Porto, Portugal)

2018_1201_16060800-794836941.jpgO World of Discoveries proporciona-nos um contacto mais próximo com a epopeia dos Descobrimentos Portugueses. Localizado no Centro Histórico do Porto num antigo estaleiro de construção naval da época dos Descobrimentos dos séc.XV-XVI, em Miragaia, este museu interactivo e parque temático é uma excelente sugestão de uma actividade lúdica (e didáctica) para  compreender e reflectir as viagens que os nossos antepassados apreenderam ao longo de inúmeras latitudes do Globo Terrestre. Aqui, o viajante, seja ele miúdo e graúdo, poderá ter uma noção dos instrumentos náuticos utilizados, de como eram construídas os navios dos Descobrimentos, através de réplicas reais, em diversas salas temáticas, tais como a sala dos instrumentos náuticos e dos navios dos descobrimentos, a do porão de carga de uma Nau e a do Estaleiro Naval. Denotamos a importância e o papel da cidade do Porto no processo expansionista além-mar. Da conquista de Ceuta (1415) às exóticas florestas do Brasil, o visitante poderá fazer uma viagem pelo oceano desconhecido, através de um circuito de réplicas de barcos dos descobrimentos, com os episódios mais marcantes dos Descobrimentos que fizeram parte da  História de Portugal. Sabia que as Naus São Rafael e São Gabriel da Armada de Vasco da Gama que descobriu o caminho marítimo para a Índia (1497-1499) foram construídas no Porto? Afinal, os Portugueses foram os precursores da primeira Globalização, isto é, deram “Novos Mundos ao Mundo”.

📍San Lorenzo de El Escorial (Comunidad de Madrid, Espanha)

Escorial (2)Deixe para trás a agitação urbana de Madrid e faça uma pausa nos arredores da capital espanhola, nomeadamente um passeio pelas cercanías de Madrid. Porque não conhecer o Mosteiro de San Lorenzo do Escorial nas proximidades do Monte Abantos? A uma hora de Madrid, através da Linha C-3 da Renfe Cercanías, em pleno coração da Serra de Guadarrama, encontra-se o majestoso San Lorenzo de El Escorial, pensado pelo Rei Filipe II de Espanha, no século XVI, para comemorar a vitória na Batalha de San Quintín, ocorrida a 10 de Agosto de 1557, contra os franceses. Trata-se de um belo exemplar do estilo austero do arquiteto de Filipe II: Herrera. Suba ao mirador de Abantos para apreciar uma panorâmica do Mosteiro e, ao fundo, da malha urbana de Madrid. Aqui, a quase 50 Km de Madrid, o viajante poderá fazer uma caminhada pelos trilhos de natureza da Sierra de Guadarrama (e sentir o ar puro da natureza) sempre acompanhado pela envolvência monumental do Mosteiro del Escorial.

Como dizia José Saramago, o “viajante [Oliraf] volta já.”

Nota importante [👤]

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💻 Texto: Rafael Oliveira 📷 Fotografia: Oliraf Fotografia 🌎

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FOTOGRAFIA✈︎VIAGENS✈︎PORTUGAL © OLIRAF (2018)

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📷Roteiro Fotográfico pelo Reino de Espanha: as minhas sugestões para evasões histórico-culturais…

📷 El viajero en el país de Cervantes e Velásquez. O Reino de Espanha é um dos países mais turísticos e belos do Mundo. Amo Espanha como sempre amei Portugal. Para mim, tal como Ernest Hemingway, um dos meus países preferidos para realizar uma escapadinha cultural. Sugestões e impressões pessoais para um roteiro fotográfico pela essência do património histórico-cultural de “nuestros hermanos”. Sinta e viva o “salero” hispânico!

Com uma superfície de 504800 km² e quase 50 milhões de pessoas, a Espanha é um dos paises mais montanhosos do continente Europeu, depois da Suiça, conferindo uma dinâmica de paisagem que alterna entre cordilheiras, vales fluviais e vastos planaltos. Trata-se do país ideal para sugerir uma roadtrip ditada pela Geografia e História. Estas conferem uma singularidade própria e uma riqueza paisagística cheia de oportunidades de evasão! Pela minha experiência académica, profissional e pessoal, o Reino de Espanha tem dezenas de cidades e vilas que são merecedoras de uma visita sem pressa e para apreciar o que as rodeia. Deixo-vos,assim, 13 sugestões fotográficas para visitar no país de “nuestros hermanos”:

📍Salúncar do Guadiana (Andaluzia)

bloggertrip-algarve-funriversaluncarguadianaSalúncar do Guadiana: uma terra de fronteira. Situada nas margens do Guadiana, esta vila singela recebeu José Saramago, o nosso Nobel da Literatura (1998), esteve nestas paragens, em 1980, no âmbito da sua Viagem a Portugal. Deixo-me surpreender pela singularidade do casario branco de Salúncar do Guadiana e do seu “Guerreiro de Pedra” – o Castillo de San Marcos – que domina a paisagem envolvente. Esta pequena urbe nasceu da necessidade do controlo e vigilância do transporte de bens alimentares (trigo, azeite e mel) e de minério (ouro,prata e cobre), através do rio Guadiana, pelas  ocupações humanas sucessivas que a usavam na transição entre as rotas comerciais do Mediterrâneo e do Atlântico. Se tiver um lado mais radical, o leitor poderá aventurar-se na travessia do rio Guadiana na “ÚNICA TIROLINA TRANSFRONTERIZA DEL MUNDO”, pode ler-se na empresa limitezero.com. A paisagem arrebatadora entre Salúncar do Guadiana e Alcoutim – as duas vilas gémeas do rio Guadiana -, como afirmou José Saramago, permite viver esta experiência devagar e com tempo. Aventure-se. E surpreenda-se!

📍Ponte de Alcántara (Extremadura)

PonteAlcántara (3)

A majestosa e monumental Ponte Romana de Alcántara atravessa as serenas águas do rio Tejo. Trata-se de uma verdadeira atração turística e uma das razões de ter ido a estas latitudes. O cenário arquitetónico é um dos mais belos “rincones” emblemáticos dae toda a Extremadura Espanhola. Aqui, o viajante pode recuar até ao passado e imaginar as legiões romanas, hordas de povos bárbaros, mouros, castelhanos, portugueses e franceses pisaram estas pedras e passaram o rio Tejo rumo ao nosso país.  Para mim, está ponte não é uma passagem. É uma viagem através do tempo. Há pontes que são verdadeiras obras de arte que impõem respeito e admiração!

📍Olivenza (Extremadura)

Olivenza (2)

Olivenza mantém a essência de Olivença. Trata-se de uma agradável e pitoresca cidade fronteiriça da raia luso-espanhola. Para quem percorre o seu “casco histórico”, como referem os “nuestros hermanos” aos seus centros históricos. O viajante não fica indiferente à escala do seu património edificado de origem portuguesa. De facto, ao percorrermos a raia luso-espanhola descobrimos dezenas de antigos castelos medievais, de menor e maior escala. Todavia, o que realmente impressiona ao viajante é a Torre de Menagem de Olivenza mandada construir por Dom João II em 1488. É mais alta da fronteira, com cerca de 40 metros, sendo acessível por 17 rampas até ao topo. Daqui, contemplamos a monumentalidade de Olivenza, o demonstra a sua importância histórica, política e militar para o antigo Reino de Portugal, face a Castela. Afinal, foram mais de cinco séculos como território de Portugal. Com quase doze mil habitantes (2016), esta vila da Extremadura Espanhola, nas proximidades de Badajoz, é um ponto de (re) encontro entre as culturas portuguesa e espanhola. Afinal de contas, Olivença personifica duas faces da mesma moeda. Para muitos, “Olivença é filha de Espanha, neta de Portugal”.

📍Madrid (Comunidad  de Madrid)

Madrid (2)

A monárquica Madrid é a maior e mais povoada urbe da Península Ibérica e umas das maiores cidades europeias. Fundada nos meados do Século XVI, durante o “Sieglo de Oro”, por Filipe II de Espanha (Dinastia dos Áustria). Até ai, a maior cidade da “Jangada de Pedra”, como refere o Nobel da Literatura José de Saramago à Península Ibérica, era Lisboa. Mais tarde, em meados do Século XIX, esta foi suplantada por Madrid como a cidade mais importante da Península Ibérica. De facto, a posição central na Peninsula Ibérica foi vital para a fixação da corte dos Áustrias (Séc. XVI-XVII) na pequena urbe castelhana. Mais tarde, a Dinastia dos Bourbons (Séc. XVIII) ajudaram a fomentar s consolidação desta cidade como a “cabeça” da Monarquia Hispânica (e o “coração” da Península Ibérica). Em Madrid podemos destacar o famoso Palácio Real de Madrid, antiga residência real da Dinastia Bourbon, construído pelo neto de Luís XIV, Felipe V de Bourbon (1700-1746).

📍Sevilha (Andaluzia)

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Sevilha é uma autêntica  cidade-museu ao ar livre. Com o rio Guadalquivir aos seus pés, a capital da Andaluzia preserva um importante legado patrimonial-cultural do Reino de Espanha. Sabia que Carlos V de Habsburgo e Isabel de Portugal, filha de D.Manuel I, casaram-se nestas latitudes? E que a descoberta do Novo Mundo fomentou o crescimento da cidade, em virtude do seu porto ser servido pelo rio Guadalquivir? Afinal, esta cidade andaluza não é apenas o berço do Flamenco. O seu património histórico-cultural revela-nos a importância e a sua beleza secular. Edificios como a Torre del Oro, o Archivo General de las Indias, a Catedral e a Giralda de Sevilha, o Palácio real de Sevilha, a Plaza de Espanã  e, mais recentemente, o Metropol Parasol são visitas obrigatórias. Todavia, o Archivo Geral das Indias, construido na 2.ªMetade do Século XVI, impressionou-me pela sua dimensão. Afinal, uma boa parte da documentação histórica – “burocrática” – do Império Espanhol encontra-se aqui.

📍San Lorenzo de El Escorial (Comunidad  de Madrid)

Escorial (2)Deixe para trás a agitação urbana de Madrid e faça uma pausa nos arredores da capital espanhola, nomeadamente um passeio pelas cercanías de Madrid. Porque não conhecer o Mosteiro de San Lorenzo do Escorial nas proximidades do Monte Abantos? A uma hora de Madrid, através da Linha C-3 da Renfe Cercanías, em pleno coração da Serra de Guadarrama, encontra-se o majestoso San Lorenzo de El Escorial, pensado pelo Rei Filipe II de Espanha, no século XVI, para comemorar a vitória na Batalha de San Quitín, ocorrida a 10 de Agosto de 1557, contra os franceses. Trata-se de um belo exemplar do estilo austero do arquiteto de Filipe II: Herrera. Suba ao mirador de Abantos para apreciar uma panorâmica do Mosteiro e, ao fundo, da malha urbana de Madrid. Aqui, a quase 50 Km de Madrid, o viajante poderá fazer uma caminhada pelos trilhos de natureza da Sierra de Guadarrama (e sentir o ar puro da natureza) sempre acompanhado pela envolvência monumental do Mosteiro del Escorial.

📍Valladolid (Castilla y León)

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Valladolid era uma perfeita desconhecida para mim. E acredito que também para muitos portugueses. Sabia que teve muita importância histórica entre os Reis Católicos e os Felipe (s) de Espanha. Felipe II de Espanha nasceu aqui. É uma cidade com imensa curiosidade histórica, seja na sua arquitectura urbana e religiosa. Quem diria que nesta cidade castelhana também existia um jardim – Campo Grande de Valladolid – para recreação dos seus habitantes, tal como em Lisboa. Ao final da tarde, podemos ver vários jovens a conviver, os mais idosos meter a conversa em dia, os mais traquinas nas suas fantasias e os mais graúdos a comer umas tapas. De facto, os Espanhóis sabem usufruir do espaço público. Cá para mim, só vão dormir a casa. Sabia que Cristóvão Colombo morreu, em 1506, nesta cidade?

📍Alburquerque (Extremadura)

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De Lisboa a Albuquerque são cerca de 270 quilómetros. De Marvão, cerca de 70 km. A vila de Alburquerque está entre a cidade de Badajoz e a vila de Valência de Alcântara, bem no centro da antiga província romana da Lusitânia, na actual comunidade autónoma espanhola da Extremadura. Não vem nos roteiros  turísticos ou guias de viagem tradicionais, como a cidade de Badajoz, mas não precisava de tal distinção para merecer uma visita. É aqui que encontramos um dos mais imponentes – e bem preservados – “Castillos” da região e de toda Espanha (segundo o guia que nos fez a visita guiada gratuita ao recinto), mas a riqueza não é apenas histórica e arquitectónica,mas também paisagística. Dentro do seu  pequeno, mas acolhedor, centro histórico e do recinto muralhado começamos logo por descobrir histórias, pedras e símbolos familiares, de origem portuguesa.

📍Salamanca (Castilla y León)

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Após atravessar a região do “Campo Charro”, entre Ciudad Rodrigo e os arredores de Tordesilhas, chegamos à monumental cidade de Salamanca. A arquitectura exterior e interior da Catedral Velha e Nova cativa o olhar de qualquer viajante. Aqui, podemos sentir a influência e a importância do poder religioso e temporal nas dinâmicas urbanas ao longo dos séculos. Para Miguel de Unamuno, a cidade de Salamanca “…Es una fiesta para los ojos y para el espíritu. Ver la ciudad como poso del cielo en la tierra de las aguas del Tormes.” Acima de tudo, a cidade de Salamanca é um museu ao ar livre em que se destacam a Catedral Nova e Velha, o Palácio de Monterrey, Convento e Igreja de las Agustinas ou a Casa das Conchas, já a chegar à Plaza Mayor. Do topo da torre da catedral nova, podemos contemplar a arquitectura monumental desta cidade de Castilla y León. Ao fundo, podemos ver a transição do Campo Charro para as Tierras de Campo. Há muitas razões para visitar a “Monumental” Salamanca,uma cidade com uma vivência surpreendente. A “Coimbra Espanhola” deixa muitas saudades por quem passa.

📍Granada (Andaluzia)

img_20161112_221341A vista do Mirador de San Nicolás é arrebatadora! E qual a razão? A Alhambra detém o nosso olhar de espanto. De facto, esta cidade andaluza, Granada, encanta e admira qualquer viajante que chega pela primeira vez e a contempla. Granada é o Alhambra, o bairro Albaicín e o El Generalife. Veja-se a singularidade da Acequia Real do El Generalife: um verdadeiro paraíso. Foi construído pelos sultões nazarís para refúgio do quotidiano cortesão da Alhambra de Granada. Tal como eles, fujo das “massas” de turistas que inundam o complexo fortificado do Alhambra. Afinal, trata-se do monumento mais visitado do Reino de Espanha. Quem diria? Foi uma bela surpresa contactar com a simplicidade desta “Horta Real” com as suas fontes, hortas e belos jardins que nos transportam para outras latitudes. O Éden podia ser aqui. Esta cidade andaluza transmite boas vibrações a qualquer forasteiro ou viajante andarilho. Há cidades que nos tocam a alma. Granada é uma delas. E aquele momento em que recebes a notificação que o Turismo de Espanha partilhou, e mencionou, a tua foto na sua página oficial do Instagram.

📍Ciudad Rodrigo (Castilla y León)

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Entre Portugal e Salamanca, esta praça de fronteira foi palco de inúmeras guerras entre Cristãos e Mouros (Renquista Cristã),  Portugueses e Castelhanos (Guerra de Sucessão entre partidários de Isabel, a Católia e os partidários de Joana, a Beltraneja) e, mais tarde, entre  Espanhóis e Franceses (Guerra da Independência).  Com inúmeros edificios civis, militares e religosos que contam muitas estórias da história desta cidade da província de Salamanca. Destacamos o Castelo Medieval e o seu recinto de muralhas, bem como a Catedral de Santa Maria. Todavia, o marco histórico que ficou gravado na nossa memória foi a Torre de las Campanas que é um testemunho dos cercos cruéis durante a Guerra Peninsular (1807-1814) efectuados pelas tropas francesas de Massena (1810) e as tropas Inglesas de Wellington (1812). Ainda hoje, o viajante poderá ver oas marcas das balas de canhão efectuada pela artilharia de campanha.

📍Córdoba (Andaluzia)

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Ir a Córdoba é realizar uma viagem no tempo (e com tempo). Um encontro entre o Ocidente e o Oriente. Ao percorrer as suas ruas e bairros históricos,o viajante tem uma noção nitida da convivência e cruzamento de influências milenares entre Judeus, Muçulmanos e Cristãos que habitavam o Al-Andalus. Sabia que a Ponte Romana de Córdoba, atravessa pelo rio Guadalquivir, foi um dos cenários de Game of Thrones em Espanha? Se é um fã (nático) da Série da HBO deve recorda-se da Ponte de Volantis. Esta cidade andaluza contém património histórico-cultural com o selo da UNESCO, nomeamente o centro histórico, a Mesquita-Catedral,  as ruinas arqueológicas do antigo palácio califal de Madinat al-Zahra e o bairro Judeu. Foi o berço da antiga capital califado Omíada (929-1031), fundada por Abd al-Rahman III. Experimente fazer a Rota Omíada e deixe-se surpreender pelo legado arquitectónico e cultural da civilização islâmica de Espanha: o Al-Andalus. Sabia que Carlos V de Habsburgo, o rei-itinerante, salvou esta obra de arte da civilização islâmica para contemplação de imensos curiosos da História?

📍Santigo de Compostela (Galiza)

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Se todos os caminhos vão dar a Roma, em Espanha, todos os caminhos vão dar a Santiago de Compostela. Quem não conhece, ou já percorreu, o caminho de Santiago? Localizada na Galiza, esta cidade é uma das capitais para os crentes que professam a religião cristã. Fruto do imenso e variado património edificado de cariz religioso, sendo o seu ex-libris a Catedral que, segundo a lenda, está sepultado o Apóstolo Santiago (Maior), um dos doze apóstolos mais próximos de Jesus Cristo, a cidade de Santiago de Compostela é património Mundial da Unesco. Anualmente, esta pequena cidade recebe centenas de milhares de peregrinos que percorrem o caminho de Santiago, vindos inúmeras latitudes do globo terrestre. Afinal, o caminho não é uma viagem, mas sim uma experiência de vida!

📍Mérida (Extremadura)

A imagem pode conter: céu e ar livreO “Templo de Diana”, assim lhe chamou D.Bernabé Moreno de Vargas no século XVI, é um dos ex-libris da monumentalidade da antiga capital da província romana da Lusitânia (uma das três províncias da Hispânia): Emerita Augusta. Segundo a historiografia local, foi construído no final do século I a.C ou no inicio do século I d.C. Na 2.ªMetade do século XX, após escavações arqueológicas, constatou-se que este templo era dedicado ao culto Imperial. Durante o século XVI,aproveitando a estrutura, o Conde de los Corbos construiu uma residência palaciana que permitiu a sobrevivência da primitiva construção da época romana. Apesar das semelhanças arquitectónicas e de culto com o Templo Romano de Évora, o espaço envolvente não é muito harmonioso.

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O website do Turismo de Espanha – Visit Spain – oferece informação atualizada sobre o destino Espanha. É a melhor opção para começar a planear uma viagem a Espanha,  permitindo descarregar mapas e um conjunto de informações sobre os transportes públicos, locais de interesse, museus, gastronomia, entre outros.

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💻 Texto: Rafael Oliveira 📷 Fotografia: Oliraf Fotografia 🌎

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FOTOGRAFIA✈︎VIAGENS✈︎PORTUGAL © OLIRAF (2018)

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📌À descoberta de Madrid: dez experiências fotográficas de uma viagem à capital espanhola…

📷 El viajero en el país de Cervantes e Velásquez. Sugestões e impressões pessoais de um passeio fotográfico pelo “salero” da capital espanhola: Madrid, meus caros, Madrid!

A cidade de Madrid é a maior e mais povoada urbe da Península Ibérica e umas das maiores cidades europeias. Fundada nos meados do Século XVI, durante o “Sieglo de Oro”, por Filipe II de Espanha (Dinastia dos Áustria). Até ai, a maior cidade da “Jangada de Pedra”, como refere o Nobel da Literatura José de Saramago à Península Ibérica, era Lisboa. Mais tarde, em meados do Século XIX, esta foi suplantada por Madrid como a cidade mais importante da Península Ibérica. De facto, a sua posição geográfica no interior de Espanha e da fixação da corte dos Áustrias (Séc. XVI-XVII) e dos Bourbons (Séc. XVIII) ajudaram, a fomentar a hegemonia e a consolidação desta cidade como a “cabeça” da Monarquia Hispânica e o “coração” da Península Ibérica.

Uma viagem pela História do património monumental edificado de Madrid. Vamos, assim, à descoberta das gentes e lugares da Madrid de “nuestros hermanos”. Neste roteiro fotográfico iremos visitar o “casco” antigo desta cidade. Os spots fotográficos, ou “rincones”, em destaque, nesta escapadinha fotográfica são o Museu do Prado, a Plaza Mayor, Catedral de Almudena, Puerta del Sol, Palácio Real de Madrid, Parque do Retiro, o Mosteiro do Escorial, entre outros. Para os amantes do turismo cultural, de natureza e de gastronomia, esta escapadinha é uma boa opção de visita que combina actividades de lazer e culturais, com o descanso. Eis as minhas dez sugestões fotográficas da capital espanhola:

1. Percorrer a cosmopolita e agitada Gran Vía.

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A “Broadway” de Madrid. Uma das melhores formas para conhecer a Gran Vía é deambular pela sua “Calle” que se estende entre a Plaza de España e a Calle de Alcalá. Ao percorrer a mesma, o peão poderá sentir a sua pequenez face ao tamanho de edifícios emblemáticos, tais como, da Telefónica, El Corte Inglês, Carrión e Metrópolis. Perca-se na agitação quotidiana de Madrid, aproveite para sentir o pulsar de uma das zonas favoritas para as actividades de comércio e de lazer da capital espanhola: o Callao. No Círculo de Bellas Artes poderá encontrar um “rooftop” com uma excelente panorâmica para a Gran Vía e para o emblemático edifício Metrópolis.

2. Visitar a “trilogia” de Museus do “Paseo de Arte”.

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Um Hino à História de Arte. Se França tem o Louvre, a Espanha tem o Prado. Visitar o Museu do Prado, é sinónimo de Bosch, Ticiano, El Greco, Maino, El Greco, Ribera, Velásquez, Goya, entre outros. A minha sala preferida foi a Sala 12 com obras da Monarquia Hispânica do pintor Diego Velásquez, onde podemos encontrar a famosa obras das “As Meninas”, pintado em 1656 no Alcázar de Madrid. Se for no Horário Gratuito (18h-20h), recomendo estar uma hora antes para evitar filas. Não é possível tirar fotos na maioria do espaço museológico, à excepção de certos locais.  No Museu Rainha Sofia contemplei a obra Guernica, um grande painel pintado por Pablo Picasso, em 1937, que mostra, nua e crua, a crueldade da Guerra Civil de Espanha (1936-1939). O Paseo del Arte – PradoReina Sofia e Thyssen – são três museus essenciais numa visita a Madrid (e a menos de 15€). E a Arte aqui tão perto!

3. Capturar as melhores vistas do “Casco Histórico de Madrid”.

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A Catedral de Almudena oferece aos visitantes uma das melhores vistas para o “Casco” Histórico e das Cercanías de Madrid. Por 6 € temos acesso ao Museu e à Cúpula da Catedral de Almudena, bem como a um dos melhores “rooftops” para apreciar a silhueta da arquitectura urbana da capital espanhola. São 360º de pura nostalgia pela Madrid dos Áustria e dos Bourbon, onde poderá ver a neve nos picos da Serra de Madrid (se for no Inverno), o Palácio Real de Madrid, Plaza de Espanha, entre outros edifícios e espaços icónicos da capital espanhola. Prepare a sua máquina fotográfica para captar as melhores vistas panorâmicas e o pulsar quotidiano de Madrid.

4. Passear pelos jardins de Madrid (Retiro, Sabatin, Campo del Moro).

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O que mais me surpreendeu em Madrid? A trilogia de grandes espaços verdes formados pelo Parque do Retiro, Jardins de Sabatin e Campo del Moro. São estes os principais “pulmões” da capital espanhola. Se quer fugir da agitação quotidiana e aproveitar o espaço público para lazer, faça como os madrilenos e passeie umas horas por estes jardins e contacte com inúmeras espécies arbóreas de todo o Mundo. No Parque do Retiro aproveite para andar de barco a remos no Lago Grande, visitar as exposições temporárias no Palácio Velázquez, a Estátua do Anjo Caido e de Afonso XIII e, a jóia da coroa, o pavilhão de Cristal, um dos raros exemplares da arquitetura de ferro de Espanha. Uma viagem ao lado romântico de Madrid.

5. Assistir ao render da Guardia Real na “Puerta del Principe”.

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O render da Guardia Real  é um dos momentos altos de uma visita a Madrid. Ocorre no  famoso Palácio Real de Madrid, antiga residência real da Dinastia Bourbon, construído pelo neto de Luís XIV, Felipe V de Bourbon (1700-1746). Pela manhã, e por inocência minha, deparei-me com a multidão de turistas que se concentrava na “Puerta del Principe”. Era o render da Guardia Real que se realiza entre as 10h e as 12h de Sábado. Uma experiência fotográfica fantástica e muito…real! Esto es Madrid!

6. Tirar uma foto junto à estátua ‘El Oso y el Madroño’ (Puerta del Sol).

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A “Puerta del Sol” é uma das praças mais afamadas e concorridas da capital de Madrid. De facto, pude comprovar isso mesmo. Central, Movimentada e Emblemática poderiam ser os adjectivos para a descrever o “ponto de encontro” da capital espanhola. Ao percorrer esta “plaza” poderá encontrar o famoso relógio da Casa dos Correos, onde todos anos,os madrilenos passam o Ano Novo e a placa do quilómetro zero das inúmeras estradas rodoviárias espanholas que partem de Madrid. Junto ao símbolo que representa o escudo da cidade (e do Atlético de Madrid) – a estátua ‘El Oso y el Madroño’ -, os turistas tiram milhares de fotografias todos os dias. Ao centro da “plaza” podemos encontrar a estátua equestre de Carlos III, monarca da Dinastia Bourbon, que no século XVIII fez uma série de melhorias e reformas nas infraestruturas da cidade, modernizando, assim, Madrid.

7. Caminhar pelas Cercanías de Madrid (San Lorenzo de Escorial).

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Deixe para trás a agitação urbana de Madrid e faça uma pausa nos arredores da capital espanhola. Porque não conhecer o Mosteiro de San Lorenzo do Escorial? A uma hora de Madrid, através da Linha C-3 da Renfe Cercanías, em pleno coração da Serra de Guadarrama, encontra-se o majestoso San Lorenzo de El Escorial, pensado pelo Rei Filipe II de Espanha, no século XVI, para comemorar a vitória na Batalha de San Quitín, ocorrida a 10 de Agosto de 1557, contra os franceses. Suba ao mirador de Abantos para apreciar uma panorâmica do Mosteiro e, ao fundo, da malha urbana de Madrid. A 50 Km de Madrid, o viajante poderá sentir o ar puro da natureza, sempre acompanhado pela envolvência do magnifico Mosteiro del Escorial.

8. Contemplar a Plaza Mayor: a Madrid dos Áustrias.

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A Plaza Mayor de Madrid é o “coração” da capital Espanhola.  Das suas portas, as “Calles” são as “artérias” para descobrir os bairros históricos de Madrid, como por exemplo,  as ruelas e vielas de La Latina. Construída na primeira metade do Séc. XVII (1617), durante o “Sieglo de Oro”, no reinado de Filipe III de Espanha (1598-1621). A traça uniforme desta praça é da autoria do arquiteto Juan Gómez de Mora. Ao longo dos séculos, foi cenário de coroações reais, autos-de-fé, touradas e paradas militares séculos. Aqui, o viajante poderá viajar no tempo e sentir-se na Madrid dos Áustrias. De facto, ao chegarmos a este local, podemos dizer, com toda a segurança, o viajante está em Madrid.

9. Viajar no tempo pelo Palácio Real de Madrid.

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Gosta de viajar no Tempo? Sim, então, tem de visitar o Palácio Real de Madrid foi, para mim, uma  viagem pela História da Dinastia dos Bourbons. Trata-se de um dos maiores Palácios Reais da Europa. Ao percorrermos os seus salões, podemos comprovar a sua dimensão, a riqueza artística e a decoração efectuada ao longo de quase três séculos pela Dinastia Bourbon, fundada por Felipe V (neto de Luís XIV). Após a visita, poderá visitar a impressionante colecção da Armería Real, onde podemos visualizar o espólio de armas desde Carlos V a Felipe IV. Obrigatório. Atenção: apresentar passaporte ou B.I para entrar e as mochilas (de grande volume) guardam-se num cacifo à parte.

10. Apreciar um “Sunset” no jardim do Templo de Debod.

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Luz. A Luz de Madrid. Na minha opinião, uma das experiências fotográficas que mais gostei de viver na cidade de Madrid. Junto aos Jardins do Templo Debod (oferecido a Espanha, em 1972, pelas autoridades egípcias para evitar que ficasse submerso durante as obras da barragem de Assuão, podemos apreciar um dos belo pôr-do-sol e fotografar o espaço envolvente, onde emergem as silhuetas das pessoas, o espelho de água do património local e as vibrações da animação proporcionada pelos acordes um músico amador. Por questões de segurança, não foi possível visitar o interior deste templo egípcio do século II.a.C, dedicado ao culto aos deuses Amón e Isis.

Não deixe de fazer…

  • comprar umas antiguidades no mercado mais castiço de Madrid: o El Rastro;
  • uma escapadinha às cidades de Toledo, Segóvia, Ávila e Alcalá de Henares;
  • uma selfie na estátua de Ernest Hemingway na Plaza de Toros de las Ventas;
  • ver a bandeira de grandes dimensões na Plaza de Colón;
  • um tour pelo Estádio Santiago Barnabéu (Real Madrid);
  • visitar uma das maiores feiras de turismo do Mundo (Fitur);
  • ver a iluminação nocturna da fonte da Plaza Cibeles.
Não perca as minhas aventuras e olhares fotográficos no Instagram! Um encontro com a História, ao sabor das imagens…

Para mais informações:

Aqui poderá encontrar, por exemplo, extensa documentação e dicas sobre o património material e imaterial da capital espanhola nos seguintes links:

O website do Turismo de Espanha – Visit Spain – oferece informação atualizada sobre o destino Espanha. É a melhor opção para começar a planear uma viagem a Espanha. Já o Web oficial de Turismo Madrid  permite descarregar mapas e um conjunto de informações sobre os transportes públicos, locais de interesse, museus, gastronomia, entre outros. Importa salientar que poderá encontrar o posto de turismo para saber mais informações e dicas para fazer e planear o seu roteiro pela cidade. Para mim, esta é a melhor forma de começar a visita a Madrid: a Plaza Mayor.

Se quiser o roteiro de viagem elaborado pelo Blogue OLIRAF, o leitor poderá descarregar aqui: RoteiroMadrid2018.

✈ Como chegar:

Através da aplicação Go Euro fiz uma comparação das companhias de transporte com melhor relação custo-tempo. Optei por viajar de autocarro para Madrid com a Flixbus. O Autocarro é moderno e com excelentes condições a bordo (Wi-fi & Ar Condicionado). A viagem de ida e volta foi de 50 €, onde optei por viajar à noite. Aqui está uma excelente opção para quem não queira pagar uma noite de estadia. A partida é feita na estação de Sete-Rios, com passagem no Oriente, com destino à Estación de autobuses de Madrid (Estacion Sur). Chegado a Madrid, o viajante poderá adquirir um bilhete de MetroBus (12,20 € por dez viagens + 2,5 € pelo cartão) e apanhar a rede do Metro de Madrid na Estação de Méndez Álvaro.

🏠 Onde ficar:

Em Madrid existem inúmeras opções económicas de alojamentos, consoante o número de dias que irá ficar na capital espanhola. Bem perto da Plaza Mayor (Calle Mayor) e da Estação de Atocha (Calle Atocha), o Cat´s Hostel (Madrid) é uma excelente opção para quem queira ficar no centro da cidade de Madrid. Na minha opinião, os seus pontos fortes são a localização e o preço. Há inúmeras actividades, mas todas elas pagas. O pequeno-almoço deveria ser incluído, mas por 2€ pode tomar (uma opção económica em Madrid). O Hall do Hostel é um pátio Árabe. Razoável para quem queira ficar mais do um fim-de-semana.

🍜 Onde comer:

O El Meson de la Cervezaé uma boa sugestão para fugir ao turístico mercado de San Miguel (mas não dispensa uma visita para saborear a gastronomia madrilena e pelo ambiente que contagia qualquer um). Para quem quer um sítio calmo com uma boa relação custo-qualidade é uma excelente escolha. Já a Cerveceria Plaza Mayor é um típico velho bar de Madrid. Para quem queira apreciar o movimento quotidiano e desfrutar de um bom Bocadillo de calamares, este espaço é uma excelente opção na relação custo-qualidade. A San Ginés, a Chocalateria das Chocalaterias de Madrid. Entrar na San Ginés (1894) é saborear a tradição de comer uns Churros com Chocolate. Optei por levar um “recuerdo” de Madrid, nomeadamente uma caixa de chocolates com laranja. É uma excelente escolha para tomar um pequeno-almoço tradicional para quem visita Madrid

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linhagraficaALL-oliraf-03💻  Texto: Rafael Oliveira  📷 Fotografia: Oliraf Fotografia 🌎

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 Fotografia✈︎Viagens✈︎Espanha © OLIRAF (2018)

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🌎 OLIRAF Blogger Trips 2017: 12 fotos, 12 olhares 📷

📷 Foi um ano de grandes e exigentes desafios. O ano 2017, para mim, foi um ano satisfatório a todos os nível pessoal, profissional e académico. Em virtude, da boleia da minha nomeação nos BTL Blogger Awards 2017, nomeado para a categoria de melhor blogue de fotografia de viagens, tive oportunidade de experienciar o que é a vida de um verdadeiro traveller, storyteller e fotógrafo de viagens. Considero-me um sortudo. Cruzei-me com pessoas e gentes de diversas latitudes. De facto, estamos cada vez mais numa «aldeia global». Não fico admirado com a noticia de Portugal ter sido eleito “Melhor Destino do Mundo” nos World Travel Awards. Lisboa é o “Melhor Destino para City Break” e a Ilha da Madeira “o Melhor Destino Insular”. de facto, o nosso país está na Moda!

Poucos sabem ser irreverentes e contar as suas experiências de viagem. É preciso ter muita vontade, coragem, motivação e tempo para escrever as nossas aventuras, neste caso, fotográficos. A minha nomeação para o passatempo da Navigator “Arround the World in 80 pages” é um exemplo. Sorte? Não, é apenas a ponta do icebergue do trabalho que não é visível. Ao longo deste ano, definimos como prioridade conhecer a região do Alentejo. Na minha opinião, um dos locais ainda genuínos do nosso país. Ao contrário do que gostaríamos, este ano não fizemos muitas incursões ao estrageiro, à excepção da visita à pitoresca vila luso-espanhola de Olivença. Alguns locais foram verdadeiras descobertas pessoais, outras foram confirmações das nossas expectativas…de viagem.

Como forma de celebrar o ano que chega ao fim, decidi seleccionar as 12 melhores imagens de 2017. Apesar da subjectividade visual, uma escolha pessoal, espero que gostem. Deixo-vos,assim, o Best of das minhas Blogger Trips de 2017:

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  Aldeia de Monsaraz (Alentejo): o blogue OLIRAF foi nomeado para a 4ªEdição dos BTL BLOGGER TRAVEL AWARDS (BTL), considerados os “Óscares” dos Blogues de Viagens em Portugal, na categoria de “Fotografia de Viagem”. Depois de ter sido nomeado nos últimos dois anos (2016 e 2017), o meu projecto pessoal de fotografia e escrita de viagens continua a ser um incentivo para escrever e viajar pelas estórias da História. Confesso que esta nomeação foi um incentivo e uma promoção da minha paixão pela fotografia e pelo gosto da História, em consonância com o prazer de viajar. Há milhões de blogues por esse Mundo fora. Mais do que ser conhecido, é ver reconhecido a nossa paixão.

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 Évora, um olhar fotográfico: entre Março e Setembro de 2017, tive oportunidade de viver, trabalhar e viajar pelo Alentejo, designadamente na milenar Évora. Na sua obra “Viagem a Portugal”, o escritor José Saramago escrevia: “O viajante está em Évora.[…] Em Évora há, sim, uma atmosfera que não se encontra em outro qualquer lugar; Évora tem, sim, uma presença constante de História nas suas ruas e praças, em cada pedra ou sombra; Évora logrou, sim, defender o lugar do passado sem retirar espaço ao presente.” Ao longo de seis meses, viajei e visitei inúmeras cidades, vilas e aldeias desta região bem portuguesa, com a minha pequena máquina fotográfica Fujifilm X-T10. Contactei com o imenso património natural, edificado e, acima de tudo, com as gentes, igualmente com os seus problemas. À série de fotografias que resultou da minha experiência, todas a cores, optei por criar um Álbum Fotográfico Alentejo – Olhares Fotográficos“.

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 Cais Palafítico da Carrasqueira:  é uma engenhosa e criativa solução da comunidade piscatória da Carrasqueira (Comporta, Alcácer do Sal) para resolver o problema de acesso aos barcos durante a baixa-mar. As estacas de madeira penetram no sapal e estendem-se como os “tentáculos de um polvo” até ao estuário do Sado. Neste porto piscatório, os barcos atracam e no passadiço circulam as redes, os apetrechos, pescado e, mais recentemente, inúmeros turistas e curiosos para captar fotograficamente o espaço e o meio envolvente. Trata-se de um dos ex-líbris turisticos do concelho de Alcácer do Sal.

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 Vila de Olivença: é uma agradável e pitoresca cidade fronteiriça da raia luso-espanhola. Para quem percorre o seu “casco histórico”, como referem os “nuestros hermanos” aos seus centros históricos, o viajante não fica indiferente à escala do seu património edificado de origem portuguesa. Com quase doze mil habitantes (2016), esta vila da Extremadura Espanhola, nas proximidades de Badajoz, é um ponto de (re) encontro entre as culturas portuguesa e espanhola. Afinal de contas, Olivença personifica duas faces da mesma moeda. Para muitos, “Olivença é filha de Espanha, neta de Portugal”.

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 Ponte da Ajuda (Elvas): este exemplar da arquitectura manuelina – militar e civil – era o único meio de comunicação, no rio Guadiana, entre Elvas e Olivença. Dai, a sua destruição no contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714). Há projectos para a sua reconstrução, mas em virtude das querelas fronteiriças entre Portugueses e Espanhóis, tal não foi possível ainda. Assim, entre 1709 a 2001, quem quisesse visitar Olivenza, teria de passar a fronteira do Caia em Badajoz. Actualmente, o viajante pode transpor, sem qualquer dificuldade, o território português, graças à nova ponte da Ajuda, em betão armado e sem qualidade estética da anterior, construída e financiada integralmente pelo Governo de Portugal.

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 Rota do Mármore (Vila Viçosa): o projecto da Rota do Mármore do Anticlinal de Estremoz é uma forma diferente de conhecer uma das mais antigas e produtivas superfícies de extração de mármores do nosso país: a a região do Alentejo. Trata-se de um belo exemplo do aproveitamento turístico, de cariz industrial e patrimonial, das pedreiras onde se extrai o “ouro branco”: o mármore. Através de uma visita guiada, o viajante poderá contactar com lugares invisíveis, com os valores históricos, culturais e patrimoniais dos concelhos que compõem a região do Anticlinal de Estremoz (Alandroal, Borba, Estremoz, Sousel e Vila Viçosa). Além da promoção desta rocha ornamental e o património edificado a ela associado, por exemplo o Palácio Ducal de Vila Viçosa, um dos valores desta rota turística é promover a típica gastronomia local e as belezas naturais que lhe dão cor e forma.

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 Museu Militar de Elvas: trata-se de um dos mais importantes museus bélicos de Portugal Continental, onde podemos contactar com um acervo histórico-militar com mais de três séculos. Visitei este espaço museológico (situado nas antigas instalações do Regimento de Infantaria 8) durante o Encontro Nacional de Veículos Militares Antigos, onde podemos visualizar os veículos e carros de combate que pertenciam ao Exército e que foram recuperadas pela Associação Portuguesa de Veiculos Militares (APVM). A maioria faz parte do nosso imaginário (Chaimite, Berliet-Tramagal, UMM, Unimogs,etc), especialmente para os apaixonados por temas bélicos, visto que muitas delas ajudaram a escrever as páginas da História de Portugal.

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 Castelo Medieval de Beja: um dos mais belos “guerreiros de pedra” da região do Alentejo. Destaca-se a imponente torre de Menagem Medieval do Castelo de Beja. Trata-se da maior de Portugal com quase 40 metros de altura. Daqui, contemplamos a  paisagem em redor e os campos de cereais, o que demonstra a  importância histórica, política e militar desta cidade milenar, fundada pelos Romanos (Pax Julia).Através deste exemplo, podemos comprovar que as fortalezas medievais eram formas de ostentação social, económica,militar e de autoridade dos seus senhores. É obra!

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 Regimento de Artilharia de Costa: localizada na Fonte da Telha, a 6ªBataria foi desactivada em 1999. Depois disso, a grande maioria dos quartéis onde funcionavam as instalações militares desta unidade do exército português ficaram entregues ao tempo e a si próprios. Há uma excepção: a 6ªBataria da Raposa. Aqui, a Associação dos Amigos da Artilharia de Costa, o ajudante Castanheira e dois praças do Exército Português mantêm viva a memória e em bom estado de conservação uma das estruturas de artilharia em Portugal. Na imagem inicial, temos um antigo artilheiro Fernando Limão do RAC, junto de uma das três peças “Vickers” C. 23.4 cm da “Raposa”.

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 Luís Martins (Évora):  Nas nossas cidades, vilas ou aldeias de Portugal, há sempre uma figura que se destaca no meio do reboliço do quotidiano habitual e fazem parte do imaginário popular das mesmas. Postais vivos que identificam um território. São o rosto do imaginário popular.  O “Beato Salú” é um exemplo. Esta figura carismática deambula pelas ruas e vielas do centro histórico da cidade de Évora. Encarnou uma missão divina, diz ele. Na minha opinião, um Santo Popular. Como afirmou Padre António Vieira: “Há homens que são como as velas; sacrificam-se, queimando-se para dar luz aos outros.”

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 Silverbox Studio (Lisboa): Silverbox nasceu pela mão de um jovem casal Rute e Filipe. Ambos nutrem uma paixão pela arte fotográfica e, em especial, pelo processo de colódio húmido. Trata-se de um processo fotográfico muito utilizado na 2ªMetade do Século XIX por fotógrafos profissionais e amadores, entre os quais, o português Carlos Relvas. Sim, o pai do republicano José Relvas. Este estúdio fotográfico fora do comum, tem a fusão das técnicas fotográficas da segunda metade do século XIX com a estética do século XXI. O objectivo deste estúdio lisboeta é trazer de volta o ritual de ir ao fotógrafo e de fazer um retrato individual ou de grupo,à semelhança dos nossos antepassados.

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 Passatempo Navigator “Arround the World in 80 pages”fui uma das 80 Histórias seleccionadas, pela primeira vez, para integrar e dar cor ao livro “Around the World in 80 pages”, um passatempo do Grupo Navigator.  Esta segunda edição do Navigator Around the World in 80 Pages recebeu mais de 1350 histórias submetidas online. Este passatempo de viagens tem como objectivo premiar as melhores histórias em Inglês e as fotografias dos viajantes nacionais e estrangeiros que concorrem. Após uma profunda reflexão das melhores estórias da História e fotografias do portefólio  de viagens referentes ao ano de 2016, optei por concorrer com três fotografias que davam cor ao texto da minha viagem a Granada (Andaluzia,Espanha): Be a Time Traveller in Granada Heritage”.  Esta escolha, a meu ver, reflectiu a minha paixão pela literatura e fotografia de viagens, bem como a curiosidade pelo legado da civilização islâmica na Península Ibérica: o Al-Andalus.

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E foi assim o meu ano de blogger amador. Mais do que uma viagem pelas estórias da nossa história, foi uma “panóplia” de experiências pessoais e colectivas que podem ser partilhadas digitalmente,mas que devem ser vividas na primeira pessoa. É isso que convido o leitor do blogue OLIRAF a fazer: viver estas experiências. Não haverá melhor sensação do que sair da nossa “zona de conforto”?

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As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

linhagraficaALL-oliraf-03💻  Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷

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Fotografia✈︎Viagens✈︎Portugal © OLIRAF (2017)

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🌏“Be a Time Traveller in Granada Heritage”: one of the 80 finalists of “Navigator Around the World in 80 pages” Global Writing Contest

O autor do blogue OLIRAF – Rafael Oliveira – foi uma das 80 Histórias seleccionadas, pela primeira vez, para integrar e dar cor ao livro “Around the World in 80 pages”, um passatempo do Grupo Navigator. Já, neste corrente ano, o blogue foi nomeado, pelo segundo ano consecutivo (2016 e 2017), para a 4ªEdição dos BTL BLOGGER TRAVEL AWARDS (BTL), considerados os “Óscares” dos Blogues de Viagens em Portugal, na categoria de “Fotografia de Viagem”. Depois de ter sido nomeado nos últimos dois anos (2016 e 2017), o autor do blogue OLIRAF volta a ser contemplado com uma nomeação na segunda edição do Navigator Around the World in 80 Pages, concurso que recebeu mais de 1350 histórias submetidas online. Este passatempo de viagens tem como objectivo premiar as melhores histórias em Inglês e as fotografias dos viajantes nacionais e estrangeiros que concorrem. Após uma profunda reflexão das melhores estórias da História e fotografias do portefólio  de viagens referentes ao ano de 2016, optei por concorrer com três fotografias que davam cor ao texto da minha viagem a Granada (Andaluzia,Espanha): Be a Time Traveller in Granada Heritage”.  Esta escolha, a meu ver, reflectiu a minha paixão pela literatura e fotografia de viagens, bem como a curiosidade pelo legado da civilização islâmica na Península Ibérica: o Al-Andalus.

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Dear Rafael,

Your text was selected from over 1300 stories, for its inspiring tone and originality, and will be published in a travel book, that you will later receive.
Navigator would like once more to thank you for sharing your stories with us, and for taking the time to participate.

As you might be already aware, your story “Be a Time Traveller in Granada Heritage…” was one of the 80 finalists who will be privileged to have their story published in a book called “Navigator Around the World in 80 pages”.

Besides offering you the book, Navigator will also send you a small present as a way of thanking you for your participation and for your amazing story.

One of 80 finalists of the Navigator Around the World in 80 Pages 2016 – Global Writing Contest.

Congratulations!

Quem é a Navigator?

A The Navigator Company é, desde fevereiro de 2016, a nova marca herdeira do património do ex-grupo Portucel Soporcel. Trata-se de uma conceituada marca de papel de escritório, líder no segmento premium.

O que é o  “Navigator Around the World in 80 pages” Global Writing Contest?

Os “Navigator Around the World in 80 Pages” foram criados em 2015 para reconhecer e premiar a criatividade dos apaixonados por viagens, tendo como objectivo final, desafiar a contar as suas experiências e partilhar as suas melhores fotografias. São inspirados, tal como o sugestivo nome do concurso indica, no romance clássico de Aventuras de Júlio Verne. Assim, a Navigator pretende motivar  mais participações e alargar a diversidade de nacionalidades envolvidas no passatempo, ao mesmo tempo que reforça o papel como o melhor veículo para exprimir emoções e experiências, definindo “Volta ao Mundo em 80 Páginas” como uma referência mundial entre os concursos de escrita”.

Quais os prémios?

O júri desta competição mundial de escrita é composto por escritores/bloggers de viagens (entre eles o viajante Gonçalo Cadilhe) e representantes do grupo Navigator. Os vencedores são eleitos pelos júris do concurso – Kristin Addis, Dylan Lowe, António Quirino Soares, Gonçalo Cadilhe, Ricardo Ferreira e António Redondo – entre os 80 finalistas, cujas histórias e fotografias serão publicadas num livro, juntamente com uma ilustração exclusiva. No total, o passatempo tem 10 000 € em vouchers de viagem para contemplar as melhores histórias. Assim, o grande vencedor receberá um voucher de viagem no valor de 2 500 €,o segundo receberá um voucher de viagem no valor de 1 500 € e os restantes seis (3º ao 8º premiado),um voucher no valor de 1 000 €. Há ainda uma prémio para a melhor fotografia: uma máquina fotográfica Nikon D5500 (DSRL). Já as 80 histórias dos autores finalistas seleccionados irão ver as suas aventuras e fotografias publicadas num livro, juntamente com uma  ilustração exclusiva de um Urban Sketchers.

Como concorrer? 

A segunda edição do Navigator Around the World in 80 Pages recebeu mais de 1350 histórias submetidas online, provenientes de mais de 65 países de todo o Mundo. Já a 3ª edição dos “Navigator Around the World in 80 pages” decorre até 31 de Dezembro de 2017 e estão abertas ao público em geral, seja ele de nacionalidade portuguesa ou estrangeira. Podem concorrer as pessoas com mais de 18 anos, sejam eles cidadãos portugueses ou estrangeiros. Para tal, os concorrentes terão de escrever uma pequena experiência pessoal em viagem – uma história em Portugal ou no Estrangeiro – até ao máximo de 2500 caracteres,  acompanhada das três melhores fotografias que dão corpo e cor à sua aventura! De seguida, deverão submeter em www.navigatoraroundtheworld.com. O prazo para as submissões termina a 31 de Dezembro de 2017.

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Be a Time Traveller in Granada Heritage…

“(…) Granada is a peculiar city of Spain. It is one of the most visited destinations for travellers in this country, although the preferred cities to visit are Barcelona or Madrid. With almost the total land surface area and population of Portugal, Andalusia is one of Spain’s largest and most touristic regions. For me, it is one of the most beautiful of this country. But that is just my opinion. To wander through its avenues, streets and alleys is to let ourselves be captivated by its magic step-by-step. And feel the essence of the material and immaterial splendour of Al-Andalus.  As we walk through the streets of Granada, with only a map of the Historic Centre and with the sense of orientation grasped since our days in the scouts, the city soon conquers us, increasing our resolve to explore further. After crossing the long Gran Via de Colón, we reach the Porta de Elvira. From here, I begin to climb step by step the Albaicín Quarter to one of the belvederes most frequented by travellers on a visit to Granada: the Mirador de San Nicolás. I am looking for a free space to sit on the wall that faces the Alhambra, so that I can tranquilly contemplate this magnificent example of Islamic architecture in Spain and, in my view, on an international level. For me, this is one of the must visit landmarks in this city. This ancient fortified complex of palaces of the Nazrid Dynasty leaves nobody unmoved. There’s something magical about those stones. Nobody is can remain indifferent faced with this spectacle, be it night or day, despite all the books, reports, photographs and videos that we have seen. However, most travellers who visit only see part of the city of Granada.  After contemplating the contours of the Alhambra on the horizon, my heart began to accelerate with so much emotion, given the magnificence of this unique Islamic fortification. No one, whether a traveller, tourist or even a poet, is immune to the fascination of this ancient Islamic fortification. Now I see Boabdil’s sadness. If there are places that seem to have been conjured from a dream, there is no doubt that Granada is one of them. There is an Andalusia that everyone knows and another one that only lets itself be unveiled by those who enter this region, willing to let themselves be challenged by its singular beauty. Granada enchants and amazes any visiting traveler who contemplates it for the first time. Granada is the Alhambra, the neighbourhood of Albaicín and the Generalife. This Andalusian city conveys good vibes to any stranger or hiker. A Carmen on Earth.”

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Resta-me agradecer à Navigator, e ao júri, a escolha da minha estória para figurar no livro do concurso “Around the World in 80 Pages”. É com agrado que vejo surgir mais concursos por parte de empresas do sector do Turismo, e não só deste sector, que  promovem a curiosidade e a paixão pela escrita e fotografia de viagens. A meu ver, é sempre uma excelente iniciativa. Espero que o meu exemplo que sirva de inspiração para continuar a escrever e a partilhar as vossas experiências e relatos pessoais de viagem à volta do mundo!

PortefólioOLIRAFBlogue2017

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📌 À descoberta de Olivença: um ponto de (re)encontro da cultura portuguesa e espanhola…

 Olivença é uma agradável e pitoresca cidade fronteiriça da raia luso-espanhola. Para quem percorre o seu “casco histórico”, como referem os “nuestros hermanos” aos seus centros históricos, o viajante não fica indiferente à escala do seu património edificado de origem portuguesa. Com quase doze mil habitantes (2016), esta vila da Extremadura Espanhola, nas proximidades de Badajoz, é um ponto de (re) encontro entre as culturas portuguesa e espanhola. Afinal de contas, Olivença personifica duas faces da mesma moeda. Para muitos, “Olivença é filha de Espanha, neta de Portugal”.

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Por facilidade geográfica, vou ao Reino de Espanha uma ou duas vezes por ano, fazer uma “visita de estudo”, encher o depósito do carro, comprar caramelos, realizar uma blogger trip, etc. A “minha” Espanha é sobretudo a Andaluzia, com raras incursões pela Galiza, Extremadura e raríssimos desvios por Castela. Ir a Espanha,tornou-se um hábito como ir passear ao Porto. Nunca fez parte dos meus planos visitar Olivença. Após realizar a Rota do Mármore (Vila Viçosa), no âmbito das Jornadas Europeias do Património, decidi fazer uma incursão a Espanha. Antes de entrar no território de “nuestros hermanos”, vindo de Elvas, opto por fazer uma paragem num peculiar marco de fronteira: a histórica Ponte da Ajuda.

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Este exemplar da arquitectura manuelina – militar e civil – era o único meio de comunicação, no rio Guadiana, entre Elvas e Olivença. Dai, a sua destruição no contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714). Há projectos para a sua reconstrução, mas em virtude das querelas fronteiriças entre Portugueses e Espanhóis, tal não foi possível ainda. Assim, entre 1709 a 2001, quem quisesse visitar Olivenza, teria de passar a fronteira do Caia em Badajoz. Actualmente, o viajante pode transpor, sem qualquer dificuldade, o território português, graças à nova ponte da Ajuda, em betão armado e sem qualidade estética da anterior, construída e financiada integralmente pelo Governo de Portugal.

Porquê a escolha da (des)conhecida vila de Olivenza? 

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São muitos, e todos eles merecedores de atenção, os “Castillos” existentes ao longo da fronteira luso-espanhola, bem como em todo o Reino de Espanha. Há centenas deles. Isto se acrescentarmos também as fortalezas que entretanto se fundiram no seio da arquitectura militar medieval, nomeadamente Ciudad Rodrigo, Badajoz, entre outras. A vila de Olivença está próxima das cidades de Badajoz e de Elvas, bem no centro da antiga província romana da Lusitânia, na actual comunidade autónoma espanhola da Extremadura. Não vem nos roteiros  turísticos ou guias de viagem tradicionais, como a cidade de Badajoz, mas não precisava de tal distinção para merecer uma visita. É aqui que encontramos um dos maiores e preservados “Castillos” da região fronteiriça luso-espanhola. Todavia, a riqueza não é apenas histórica e arquitectónica, mas também paisagística. Dentro do seu acolhedor centro histórico, começamos logo por descobrir histórias, pedras e símbolos familiares, de origem portuguesa.

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Sem recurso a mapas,  uma vez que o posto do Turismo estava fechado (a famosa siesta de nuestros hermanos), aproveitei para “mergulhar” em pleno coração da vila e nas artérias do “Casco Histórico”, onde, no meio do mesmo, ergue-se a silhueta do imponente Castillo de Olivenza. Ao percorrermos as ruas encontramos vários edifícios com arquitectura manuelina e placas toponímicas, em azulejo, com os nomes em português e castelhano, inúmeras chaminés alentejanas misturadas com portas e janelas cobertas de grades de ferro forjado espanhol. Constatamos, através destes exemplos, que Olivenza é fusão de cultura luso-espanhola, fruto de uma longa história secular de ocupação portuguesa e espanhola.  De facto, este é um  lugar para (re) encontrar-se.

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A vida quotidiana, nestas pitorescas vilas, apesar de ficar tão perto da nossa fronteira é completamente diferente do que se vive em Portugal. Durante o percurso pedonal no centro histórico e nos arrabaldes da vila,  apercebo-me da importância histórico-militar desta localidade fronteiriça. De facto, o Castillo de Olivenza revela a razão da sua existência: praça fortificada para as constantes guerras, querelas politicas e escaramuças travadas ao longo da História entre o Reino de Portugal e de Castela e Leão (posteriormente Reino de Espanha).

Um pouco de História…

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O Castelo Medieval de Olivença, vulgo “Ciudadella”, é um excelente testemunho da herança do património edificado pelos portugueses. A meu ver, o que mais impressiona é a monumentalidade e a escala da sua “Ciudadela”. Mandado construir, em 1306, pelo rei D.Dinis (1279-1325), no seguimento da afirmação fronteiriça face ao reino de Castela com a assinatura do Tratado de Alcanises (1297), que, em 1298, outorgou foral à povoação portuguesa. Mais tarde, em 1335, no reinado de D.Afonso IV (1325-1357), as obras foram retomadas com a exporpiração de casas em redor da povoação, tendo em vista a sua edificação do conjunto fortificado constituído por um traçado rectangular e dotado de uma imponente torre de menagem de planta quadrada, seguindo o modelo dos antigos acampamentos romanos (quadrilátero). No fim de cada eixo, abriam-se as portas de São Sebastião (Norte), dos Anjos (Sul), da Graça (Poente) e de Alconchel (Leste). As portas de Sul e Lestes possuem torres semi-circulares, conservando, ainda hoje, os apoios de matacão e os buracos para a tranca para fechar a porta. Ao todo, o castelo era constituído por 14 torres com 3 metros de largura e 12 de altura. É obra!

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Gravura do Castelo e vila de Olivença, Livro das Fortalezas, Duarte d`Armas, c.1509, ANTT

Através da gravura de Duarte d`Armas, um escudeiro da Casa Real que ao serviço de D. Manuel I (1495-1521) registou as inúmeras fortalezas da fronteira luso-espanhola, entre Castro Marim e Caminha, munido de papel e pena (podemos afirmar, sem cometer anacronismos, que era uma espécie de “urban sketcher” do século XVI). O Castelo de Olivença não foi excepção. Através da gravura de podemos comprovar a existência da muralha medieval que envolve a vila e no centro, em grande plano, o castelo e a torre de menagem. Note-se, ao fundo, a cidade de Badajoz e as diversas atalaias que completavam o sistema defensivo de Olivença. No canto da muralha, à esquerda, encobertas pelo terreno, o leitor poderá ver as figuras de Duarte d` Armas e do seu ajudante, respectivamente a cavalo e a pé.

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Todavia, o que realmente impressiona ao viajante é a Torre e Menagem de Olivença mandada construir por Dom João II (1481-1495), em 1488, para afirmar a  autoridade do “Príncipe Perfeito” face aos Reis Católicos de Castela, Isabel de Castela e Fernando de Aragão. Com uma carga simbólica, esta é a torre medieval mais alta da fronteira, com cerca de 40 metros, sendo acessível por 17 rampas até ao topo. Daqui, contemplamos a  paisagem em redor e a monumentalidade da vila de Olivença, o que demonstra a sua importância histórica, política e militar para o antigo Reino de Portugal, face a Castela. Afinal, foram mais de cinco séculos como território de Portugal. Através deste exemplo, podemos comprovar que as fortalezas medievais eram formas de ostentação social, económica,militar e de autoridade dos seus senhores.

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Durante a Guerra da Restauração (1640-1668) ,a vila de Olivença foi palco de diversas escaramuças e cercos durante os 28 anos em que durou esta guerra de independência. As muralhas medievais foram reforçadas por revelins e baluartes adaptados às novas exigências e estratégias de combate, obras desenhadas pelo padre jesuíta Cosmander. Em caso de assédio ao território nacional, Olivença estava na primeira linha das operações contra os Castelhanos, mas estava num plano secundário face à importância das fortificações abaluartadas de Juromenha e Elvas. Em 1657, as tropas castelhanas comandadas pelo Duque de San Germán conquistaram a vila ao Reino de Portugal. Mais tarde, em 1668, Olivença foi devolvida a Portugal com a assinatura das Pazes de Lisboa (1668).

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Durante a Guerra de Sucessão Espanhola, em 1709, Olivença foi novamente palco de escaramuças, um facto comprovado pela destruição da Ponte da Ajuda pelas tropas de Felipe V de Bourbon. Em Maio de 1801, o exército espanhol conquista “pacificamente” a vila fronteiriça de Olivença. Conhecida como a “Guerra das Laranjas”, como afirmou o historiador e comunicador José Hermano Saraiva, um simples ramo de uma laranjeira foi única vitima desta Guerra, visto que o “primeiro-ministro” Manuel de Godoy ofereceu à rainha Maria Sofia. Perdia-se, para sempre, a Vila de Olivença. Todas as outras vilas conquistadas foram devolvidas ao Reino de Portugal. E foi, assim, que começou a “eterna” Questão de Olivença. Sabia que Manuel de Godoy (1767-1851), o príncipe da paz, era Conde de Évora-Monte em Portugal? Uma das muitas curiosidades da nossa História que tive oportunidade de comprovar ao visitar o património edificado na vila fronteiriça de Olivença.

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A Igreja de Santa Maria Madalena é um dos testemunhos vivos de um dos períodos mais fascinantes e ricos da História de Portugal: os descobrimentos. Segundo o Turismo de Olivença, a Igreja de Santa Maria Madalena é considerada o ex-libris da vila de Olivenza. E, pelo exterior, apercebemos-nos desta atribuição. Trata-se de uma das mais belas obras arquitectónicas e estéticas da arte manuelina, tipicamente portuguesa, logo a seguir ao Mosteiro dos Jerónimos. Datada da primeira metade do séc. XVI, foi mandada construir para servir de residência e local de culto aos Bispos da praça norte-africana de Ceuta. Em 2012, foi eleita “O Melhor Recanto de Espanha 2012” num passatempo promovido pela petrolífera espanhola Repsol.

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No exterior, destacam-se falsas ameias, pináculos, gárgulas e a porta principal, com uma portada atribuída a Nicolau de Chanterene, artista francês que em Portugal, além de outras obras, notabilizou-se ao serviço dos monarcas lusitanos, por exemplo, na criação da sublime porta do Mosteiro dos Jerónimos. O interior, rico em azulejos e motivos decorativos marítimos, divide-se por três naves com oito colunas que parecem evocar as amarras de uma embarcação e remeter para a época dos Descobrimentos Portugueses. Infelizmente, não pude visitar o interior, uma vez que estava fechada. Ainda hoje, este edifício religioso secular é visitado por centenas de curiosos que deslocam-se propositadamente a esta vila da extremadura espanhola para contemplar o seu interior.

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Deambulando pelas ruas, o viajante depara-se com um portal invulgar. Trata-se do singular portal em estilo manuelino do Palácio dos Duques do Cadaval, localizado no actual edifício do Ayuntamento. Ainda hoje, este portal é o símbolo identificativo desta vila extremenha. Num olhar mais atento, o viajante pode identificar a Esfera Armilar e Cruz de Cristo, ambas símbolos das aventuras ultramarinas dos Portugueses durante os séc. XV e XVI. Ainda nas proximidades, a Praça de Espanha é um locais onde podemos encontrar e usufruir de um belo espaço de lazer e convívio, onde existe calçada típica portuguesa a dar forma e cor. Quem disse que só existe calçada portuguesa no Rio de Janeiro?

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Confesso que já tinha saudades de realizar uma incursão pela raia luso-espanhola. Infelizmente, gostava de ter tido mais tempo e mais calma. E, claro, meditar sobre o que vi e vivi. Acima de tudo, o acto de viajar, como sempre, é olhar e (re)encontrar-se com a História. Ao sair deste marco fronteiriço, vem-me à cabeça a seguinte questão: Olivença é de Portugal ou de Espanha? Olivença sempre foi alvo de muita incompreensão e discussões,  opiniões e vontades, mas também sempre nela, se detiveram olhares, gostos e admiração. Amiúde a questão de quem pertence, o viajante ao percorrer as suas artérias constata que os monumentos são portugueses. Mas, as gentes são espanholas. E agora? Dizem que o tempo resolve tudo. Embora às vezes não se resolva de acordo com os nossos interesses. Olivenza mantém a essência de Olivença. Estórias da História que o tempo apagou…ou teima em não apagar. Urge, nos dias de hoje, encontrar as semelhanças e não as diferenças, procurando um diálogo de culturas e de convivência.  Olivenza mantém a identidade de cinco séculos de História ligados ao Reino de Portugal. Acima de tudo, esta vila é sentimentalmente portuguesa. Sempre.

O que pode fazer:

1. Se gosta de fotografia de paisagem, o melhor será subir ao topo da Torre de Menagem e contemplar o meio envolvente. Daqui poderá avistar Elvas, Juromenha e Alconchel;

2. Comprar caramelos nas inúmeras lojas locais;

3. A caminho de Olivença poderá visitar as ruínas da ponte manuelina da Ajuda;

4. Visitar o Castelo de Alconchel, a poucos quilómetros de Olivença;

5. Sugerimos uma visita ao Museu Papercraft, junto à Ciudadela, o único museu de papel de Espanha e da Europa.

✈︎ Como ir:

Desde Portugal chega-se a Olivenza, através de Elvas (A6) até à fronteira da Ponte da Ajuda, já em Espanha, opta pela EX-105. Se quiser ir a Badajoz, poderá optar pela EX-107e de seguida ir a Olivenza. De uma forma geral, de Elvas a Olivenza são, sensivelmente, 25 minutos para percorrer uma média de 30 quilómetros em estradas regionais luso-espanholas. Durante esta viagem, optamos por realizar uma paragem técnica na Ponte da Ajuda para fotografar o belo exemplar edificado e a natureza envolvente.

🌏 Para mais informações:

Página Oficial do Turismo de Espanha (Spain.info)

Página Oficial do Turismo Extremadura

Página Oficial do Ayuntamiento de Olivenza

MARTINS, Miguel Gomes (2016). Guerreiros de Pedra: castelos, muralhas e guerra de cerco em Portugal na Idade Média. Lisboa: Esfera dos Livros.

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📌 À descoberta de Salamanca: um dos belos postais de Espanha…

Uma experiência fotográfica pelo património monumental de “castiça” cidade de Castilla y León.

Salamanca é um autêntico museu ao ar livre. Com o rio Tormes aos seus pés, esta cidade de Leão e Castela preserva um importante legado patrimonial-cultural do Reino de Espanha. Jacques Le Goff afirmou que a cidade como a conhecemos nasceu na Idade Média. De facto, a cidade medieval não rompeu com os modelos de arquitetura e urbanismo da Antiguidade grega e romana. Foi, aliás, com base neles que muitas cidades se ergueram na Idade Média. E a monumental Salamanca segue este paradigma.

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El viajero en el país de Cervantes…

Após atravessar a região do “Campo Charro”, entre Ciudad Rodrigo e Salamanca, chegamos à Monumental cidade de Salamanca. A arquitectura exterior e interior da Catedral Velha e Nova cativa o olhar de qualquer viajante. Aqui, podemos sentir a influência e a importância do poder religioso e temporal nas dinâmicas urbanas ao longo dos séculos.

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Há muitas razões para visitar a “Monumental” Salamanca,uma cidade com uma vivência surpreendente. A “Coimbra Espanhola” deixa muitas saudades por quem passa. Adorei esta viagem pela história, cultura e arquitectura do Siglo de Oro Español (1492-1659). Colón, Ribera y Cervantes são figuras ominipresentes por esta região de Castilla y León. Se gostava do Barroco, com esta viagem, fiquei a gostar ainda mais. Recomendo.

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A Universidade de Salamanca (em espanhol: Universidad de Salamanca) é uma instituição de ensino superior pública. É a universidade mais antiga daquele país e a quarta fundada na Europa, posterior somente às universidades de Bolonha, Oxford e Paris. Com mais de 35 000 alunos, a Universidade de Salamanca é, hoje, uma das instituições universitárias mais prestigiadas da Europa, atraindo estudantes de toda a Espanha e de todo o mundo de língua castelhana, em especial, estudantes da América Latina. Há uma importante ligação aos povos sul-americanos, em virtude de aqui se terem formados muitos alunos/elites que posteriormente fundaram as Universidades no Novo Mundo ou Nova Espanha. Em suma, esta universidade é a mais antiga instituição universitária da Península Ibérica e da Europa, fundada em meados do Século XIII por Fernando III de Leão e Castela, à semelhança de Oxford, Cambridge, Paris, Bolonha e Modena.

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O convento de Santo Estevão – Ordem dos Dominicanos – foi um dos pioneiros na expansão espanhola na América do Sul. O prior Diego de Deza travou amizade com Cristóvão Colombo e intercedeu junto dos Reis Católicos para a consumação da ideia do genovês. De facto, os Dominicanos foram grande protectores dos indígenas nos primeiros tempos da brutalidade colonial castelhana na primeira metade do Século XVI. 

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A tradição do “Marquelo”: o Mariquelo era originariamente um membro de uma família abastada, los Mariquelos, que devia subir cada ano à torre da Catedral Nova de Salamanca, em agradecimento a Deus, pelos poucos danos e sem vitimas mortais durante o terramoto de 1755. Ainda hoje, a tradição persiste. Quem diria…

Em poucos km², nunca vi tanta Monumentalidade. De facto, o Reino de Espanha é um dos países da Europa, e do Mundo, com maior percentagem de Monumentos e sítios classificados pela UNESCO.

Porquê visitar a cidade de Salamanca?

Embora seja afamada pelo seu sol, a sua cultura de praia e pela vida noturna, à Espanha não falta diversidade cultural, paisagística e gastronómica. Com as suas montanhas cobertas de neve, regiões agrestes e remotas, reservas naturais  luxuriantes e trilhos costeiros escarpados. É também um dos países com maior número de sítios classificados como património mundial da UNESCO.

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O esplendor da arquitectura barroca de Alberto Churriguera: a agitação diurna da Plaza Mayor de Salamanca. É, sem dúvida, uma das melhores de Espanha. Esta emblemática e majestosa praça deixa qualquer viajante sem palavras. Felipe V, neto de Luís XIV, mandou-a construir em voto de agradecimento pelo apoio da cidade aos Bourbon, durante a Guerra de Sucessão Espanhola (1701-1714). É o “coração” desta cidade de Castilla y León.

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A partir daqui, o movimento diurno e nocturno vai dinamizar as artérias circundantes de Salamanca. Há entrada, junto ao mercado, temos uma cabeça de um Touro. Eram nestas praças, como em toda a Espanha, que se realizavam os espectáculos de diversão das massas: as touradas e os Autos-de-Fé. Na sua decoração, podemos ver diversos medalhões com figuras importantes da história de Espanha: Cervantes, Carlos V, Santa Teresa, entre outros.

fuji-x-t10-55De uma forma geral, esta cidade surpreendeu-me. Que experiência fantástica de viagem pelos Archivos de Salamanca e Valladolid. Visitar, contactar e conhecer novas culturas, permite-nos sermos pessoas mais instruídas. Tenho pena de não ter efetuado o programa académico Erasmus nesta cidade-universitária. Para Miguel de Unamuno, a cidade de Salamanca “…Es una fiesta para los ojos y para el espíritu.r la ciudad como poso del cielo en la tierra de las aguas del Tormes.” “…Salamanca que enhechiza la voluntad de volver a ella a todos los que la apacibilidad de su vivienda han gustado.”, dizia o escritor-viajante Miguel de Cervantes.

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✈︎ Como ir:

Desde Portugal chega-se a Salamanca, através da A1 e da A23 até à fronteira de Vilar Formoso e, já em Espanha, opta pela autovía A-62. Pode optar pelo Autocarro Avanza Bus ou ir na sua própria viatura. De uma forma geral, de Lisboa a Salamanca são, sensivelmente, cinco horas para percorrer uma média de 500 quilómetros em Auto-Estrada. Durante esta viagem, optamos por realizar diversas paragens técnicas – duas em duras – em estações de serviço em Portugal e almoçar em Ciudad Rodrigo.

🏠Onde ficar:

Exe Hall 88 Apartahotel: este Apart Hotel é o ideal para conhecer a cidade monumental de Salamanca (a cerca de 10 minutos da cidade a pé) e um ponto-de-partida para visitar a região do Campo Charro. No interior de cada quarto, existeuma mini-cozinha para cozinhar. E tem um excelente restaurante-bar para desfrutar, por exemplo, de uma boa partida de Futebol. Para quem quer viajar de autocarro, esta unidade hoteleira fica em frente à principal estação rodoviária da cidade.

🍜 Onde comer:

O restaurante Oroviejo – Gastro-bar Salamanca, cozinha tradicional muito elogiado no Tripadvisor, está instalado perto da monumentalidade do “casco” do centro histórico de Salamanca. Perfeito para quem procura uma refeição num ambiente tranquilo, apesar da agitação das ruas. Para beber, recomendo uma cerveja Alhambra Reserva 1925. E para comer, nada como umas Tapas de Patatas Bravas. Um restaurante com boa comida espanhola. Saborosa. Recomendo as Albondigas Pollo e acompanhadas com Patatas Oroviejo . Uma delicia. Trata-se de um bom exemplo de cozinha de chefe acessível a todas as carteiras.

🌏 Para mais informações:

Página Oficial do Turismo de Espanha (Spain.info)

Página Oficial de Turismo de Castilla y León

Página Oficial Turismo de Salamanca

Turismo Provincia de Valladolid

Old City of Salamanca (UNESCO)

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📌 À descoberta de Alcoutim e Salúncar do Guadiana: duas irmãs “gémeas” separadas por um rio…

📌 São experiências amenas, algumas ainda por revelar. Fomos em busca da Rota Omíada do Algarve – inserida no projecto Umayyad Route – e descobrimos o legado material e imaterial desta Dinastia Árabe em Portugal, mas também as vistas sobre o oceano, a natureza, a gastronomia, os museus e experiências de aventura para viver na extremidade sul de Portugal e da Europa. Quem disse que o Algarve é quente só no Verão?

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👤 Um pouco de História…

Os Omíadas foram uma Dinastia Islâmica a implementar o sistema hereditário do califado, após a morte do profeta Maomé. Eram oriundos da mesmo clã do profeta, a tribo dos Coraixitas, oriunda da cidade de Medina na Península Arábica. Daqui, transferiram a seu do seu poder para Damasco, na actual Síria. O califado Omíada de Damasco (661-750) expande a sua influência religiosa, cultural e militar para o Norte de África (Magrebe) e para a Península Ibérica (Al-Andalus), conquistada na primeira metade século VIII, sendo administrados pelo Emir de Cairuão (Tunisía), sob dependência directa do poder califal da Damasco. Em 750, os Abássidas assassinam a Dinastia Omíada, à excepção do Abderramão I que foge para a capital do Al-Andalus. Este, em 756,  funda o Emirato Omíada de Córdova (756-929), independente do poder califal abássida de Bagdad. O apogeu do poder omíada no Al-Andalus dá-se entre 929 e 1031, com a fundação do Califado Omíada de Córdova, em 929, por Abderramão III (891-961).

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Vista parcial do Castelo de Alcoutim

Alcoutim. Terra de Fronteira. O Algarve Natural. São os slogan(s) do Município de Alcoutim para promover esta singela vila nas margens do Guadiana. Tal como José Saramago, o nosso Nobel da Literatura (1998), esteve nestas paragens, em 1980, no âmbito da sua Viagem a Portugal. Deixo-me surpreender pela singularidade do casario branco de Salúncar do Guadiana e do seu “Guerreiro de Pedra” – o Castillo de San Marcos – que domina a paisagem em redor. Esta pequena urbe nasceu da necessidade do controlo e vigilância do transporte de bens alimentares (trigo, azeite e mel) e de minério (ouro,prata e cobre), através do rio Guadiana, pelas  ocupações humanas sucessivas que a usavam na transição entre as rotas comerciais do Mediterrâneo e do Atlântico.

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Vista parcial da vila de Salúncar do Guadiana (Huelva,Andaluzia)

Depois de fotografar as vistas (e que vistas), dirigi-me para a experiência do slide fronteiriço agendada para a parte de manhã, com a limitezero do inglês David Jarman, radicado à treze anos nesta zona da raia luso-espanhola. Contacto com o responsável da empresa de animação turística Fun River, o Dr.José Cavaco, que me informa que o seu funcionário estava em Espanha e que me iria buscar dentro de momentos. A única ligação entre margens no rio Guadiana entre Alcoutim (Algarve) e Salúncar do Guadiana (Andaluzia) é efectuada por esta empresa. A aventura estava prestes a começar. E a adrenalina a aumentar…

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A “Tirolesa” que faz a travessia entre a Andaluzia e o Algarve. Só para os mais aventureiros!

Depois de uma aventura 4×4 num Land Rover até ao local do Slide, onde avistamos a beleza de Salúncar do Guadiana. Do topo, a cerca de 180 metros, temos uma bela vista aérea sobre Alcoutim e o rio Guadiana. O que levamos deste Mundo? Experiências. Aqui, podem ver o video do Slide no YOUTUBE De facto, viajar é descobrir-nos. E,claro, soltar o nosso outro eu. No meu caso, o sentido pela aventura. Já tinha saudades de fazer “Slide”. Nem parece que vamos a 80 Km/h. Em menos de um minuto estamos em Portugal. E o Medo? Esse ficou para segundo plano. E qual a razão? Há sempre uma,certo? A paisagem arrebatadora entre Salúncar do Guadiana e Alcoutim – as duas vilas gémeas do rio Guadiana -, como afirmou José Saramago, permite viver esta experiência devagar e com tempo.

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A pitoresca vila de Alcoutim, do topo do Castillo de San Marcos.

O Homem adapta-se ao meio. A cerca de um 1km para Norte da actual vila de Alcoutim, deparamo-nos com uma das melhores vistas do Algarve sobre o rio Guadiana. Aqui,podemos contemplar as três tipos de paisagem algarvia: o litoral, o barrocal e a serra. Do topo do castelo velho de Alcoutim – antigo Alcácer fortificado – do período Omíada (713-1031) edificado com as pedras com maior abundância na região:o xisto e o grauvaque. As suas origens remontam ao Século IX, segundo escavações arqueológicas recentes da Dr.ªHelena Catarino, e é uma das mais importantes estruturas militares islâmicas do Gharb-Al Andaluz. Como se sabe, o domínio muçulmano na Península Ibérica começa a ser ameaçado pela pressão da reconquista cristã, dai a necessidade de criar uma rede de fortificações de vigilância do território. É o caso do Castelo Velho de Alcoutim. Em virtude do seu difícil acesso (utilizado com funções de vigilância e de apoio à mineração), esta estrutura foi abandonada na época dos Almóadas e deu lugar ao actual Castelo Medieval de Alcoutim no Século XIV. A partir daqui, a população foi fixando-se junto ao leito do rio Guadiana.

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Ruínas do antigo alcácer fortificado de Alcoutim  (Época Omíada)

Em busca das vivências desta região castiça do Guadiana, surgiu uma parceria entre dois vizinhos e estrangeiros de Espanha e Portugal para recriar as memórias históricas e etnográficas comuns de outros tempos: o Festival do Contrabando. O objectivo é a promoção de Alcoutim e de Salúncar do Guadiana como destino turístico de experiências (natureza, eventos, património e gastronomia). Segundo a autarquia de Alcoutim, o “Festival do Contrabando é mais que um Festival, é a junção e fusão da homenagem a uma actividade que ao longo da história foi importante para as gentes da fronteira, com as artes e a cultura. A paisagem fronteiriça que desafiava os destemidos na passagem de mercadorias, agora é palco de vários projectos culturais que transportam para o interior das populações e seus visitantes, os sonhos e ambições, trazendo até à Vila Raiana uma oferta cultural que desafia todas as condicionantes existentes”. Durante os dias deste festival – a primeira edição – poderá reviver a arte de “contrabandear” dos anos 30 e 40 do Século XX, atravessar as duas margens do rio Guadiana numa ponte pedonal e  visitar uma região do Baixo Guadiana e do Sotavento Algarvio. Aqui, poderá encontrar um clima mediterrânico e um património edificado e natural genuíno. As praias fluviais – Pego Fundo – e o barrocal  são um convite para (e por) desvendar…o castiço Algarve Natural. Para mim, visitar o Algarve das Pontas…é reencontra-me.

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Como chegar

A partir de Lisboa optei por reservar uma viagem em Alfa pendular, através da Comboios de Portugal. Faro era a minha base para efectuar a Rota Omíada do Algarve. Para tal, optei por alugar uma viatura rent-a-car para fazer a ligação entre os diversos pontos histórico-culturais desta rota. Na maioria dos casos, utilizei a via do Infante (A22) e a Nacional 125. No caso da ida para Alcoutim, optei pela A22 até Castro Marim e depois o IC27 (Beja) até Alcoutim (N122-1).

Onde ficar

Estive uma semana no Hotel Faro. Fui recebido por uma equipe fantástica. A meu ver os pontos fortes deste Hotel são o seu restaurante (comida fantástica), os seus funcionários sempre prestáveis e o rooftop com uma vista fantástica sobre a Ria Formosa. A meu ver, o melhor rooftop de Faro. Já imaginaram almoçar com uma autêntica vista para as silhuetas que dão cor e forma à Ria Formosa?

Restaurante Ria Formosa

Praça D. Francisco Gomes, Nº2 8000-168 Faro Portugal

+351 289 830 830

✉️ Email: reservas@hotelfaro.pt

 

Onde comer:

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Perguntei ao Dr.Júlio Cardoso, técnico de turismo do Município de Alcoutim, um local típico para almoçar em Alcoutim. Estava nos meus planos almoçar no Centro Histórico de Alcoutim ou Salúncar do Guadiana. Persuadiu-me a ir almoçar à  Cantarinha do Guadiana, situada na localidade de Laranjeiras do Guadiana. Não me deixei enganar pelo espaço e pela falta de multibanco. De facto, o paladar conquista-se no prato. E a Senhora Isabel Ribeiros, a singular cozinheira, proporciona verdadeiros petiscos de cozinha regional alentejana e algarvia. Adorei saborear a comida tipicamente caseira e tradicional do interior algarvio, em especial, a sopa de tomate com ovos escalfados e o ensopado de enguias. Uma delicia para os viajantes andarilhos. E para acompanhar o café, nada como um “cheirinho” algarvio: o Medronho. Safa,mas aquece!

Para mais informações:

Região de Turismo do Algarve

Direcção Regional de Cultura do Algarve

Festival do Contrabando (Página Oficial)

Projecto Umayyad Route 

Turismo do Algarve – Rota Omíada do Algarve (Folheto + App)

Turismo da Andaluzia (Oficial)

Ayuntamento de Salúncar do Guadiana (Turismo)

Limite Zero (Slide)

Nota importante

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

Follow me: @oliraffotografia on Instagram | Oliraf Fotografia on Facebook

Fotografia•Viagens•Portugal © OLIRAF (2016)

Contact: oliraf89@gmail.com

 

 

 

 

 

📌À descoberta de Granada (Andaluzia, Espanha): Alhambra, El Generalife e Bairro de Albaicín…

📷 Um passeio fotográfico pelo “Carmen” da Andaluzia…

Granada é uma cidade peculiar do Reino de Espanha. É um dos destinos mais visitados pelos turistas e viajantes no Reino de Espanha, apesar do destino preferido ser Barcelona ou Madrid. Com quase a superfície terrestre e população de Portugal, a Andaluzia é uma das maiores regiões e mais turísticas do Reino de Espanha. Para mim, uma das mais bonitas e singulares deste País Ibérico. Recentemente, tive oportunidade de acompanhar uma visita de estudo do Departamento de História de Arte da Universidade Nova de Lisboa a Granada e Córdoba. Foi aqui que ganhei contacto com a Rota Cultural dos Omíadas: a Umayyad Route.  Durante esta epopeia, tive oportunidade de contactar com o esplendor esplendor material e imaterial do antigo legado islâmico na Península Ibérica: o Al-Andalus (711-1492).

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Aspecto parcial de Janelas do Alhambra de Granada, vista para o Bairro de Albaicín

E foi aqui. Como diria o professor José Hermano Saraiva num tom romanceado, que começou a epopeia mundial castelhana. Há 525 anos, a 2 de Janeiro de 1492, o último bastião mourisco na Península Ibérica rendia-se, após longas negociações com o último sultão Nazarí de Granada, Boabdil, aos futuros Reis Católicos. Terminava, assim, a Reconquista Cristã, iniciada nas Astúrias por Pelágio. Abria-se uma nova porta para o Mundo: a descoberta das Américas, por Cristóvão Colombo. Aliás, o navegador ao serviço da coroa castelhana, após várias tentativas recusadas pelo Rei de Portugal D.João II (1481-1495), estava no acampamento militar de Santa Fé aguardando o desfecho das negociações para a rendição de Granada. Em Agosto de 1492, partia de Palos de la Fronteira (Huelva) rumo à futura descoberta da América. Todavia, apesar da intolerância religiosa de Isabel de Castela e Fernando de Aragão, documentada no Decreto de Alhambra, o legado material e imaterial do Reino Nazarí de Granada (1232-1492) ainda sobrevive nas pedras do Alhambra de Granada, nas encostas do casario branco de Albaicín e nas montanhosas serranias das Alpujarras.

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Aspecto parcial do El Generalife e da Sierra Nevada

À medida que caminhamos pelas ruas de Granada, apenas com um mapa do Centro Histórico e com o sentido de orientação apurado desde o tempo dos escuteiros, a cidade conquista‑nos aos poucos, fazendo que não desistirmos dela. Depois de atravessarmos a longa Gran Via de Colón, deparamo-nos com a Porta de Elvira. A partir daqui, começo a subir passo-a-passo o casario do Bairro de Albaicín até a um dos miradouros mais concorridos pelos viajantes e curiosos numa visita a Granada: o Mirador de San Nicolás.

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Aspecto de uma Ruela do Bairro de Albaicín

Aquele momento no horizonte surgiram os contornos da Alhambra, o meu coração começou a acelerar de tanta emoção, face à magnificência deste singular fortificação islâmica. Procuro um espaço livre para me sentar no muro que fica defronte da Alhambra, que me permita contemplar de uma forma serena este magnifico exemplar da arquitectura islâmica em Espanha e, a meu ver, a nível Mundial. Ninguém, seja um viajante, turista ou até mesmo um poeta, fica imune ao fascínio desta antiga fortificação islâmica. Agora, percebo a tristeza de Boabdil, durante o acto oficial entrega desta cidade e respectiva expulsão para um domínio nas Alpujarras. Durante a Guerra de Independência Espanhola (1808-1814), os soldados de Napoleão Bonaparte usavam as torres fortificadas do Alhambra para efectuar treinos de artilharia. Muitas foram destruídas.

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Jardins da Alhambra de Granada

Para mim, este é um dos pontos de visita obrigatório a esta cidade andaluza. Este antigo complexo fortificado de palácios do Reino de Granada, fundado pela Dinastia Nazarí (1232-1492), mexe com qualquer pessoa. Há algo de mágico nestas pedras. Ninguém fica indiferente, seja de noite ou dia, por mais livros, relatos, fotografias e vídeos que tenhamos visto. Mas, os viajantes não vêm ver a maioria da cidade de Granada. Em 1492, durante a rendição do último reduto mouro na Península Ibérica, os Reis Católicos não ousaram destruir este imenso complexo. Estou certo, que apesar da sua intolerância religiosa, ficaram maravilhados com a sua nova conquista. Dai, estarem sepultados na Catedral de Granada, situada no centro histórico da mesma cidade. Infelizmente, não consegui visitar os belos e singulares túmulos destes monarcas fundadores da unidade espanhola.

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Caligrafia Árabe, em estuque, da Alhambra de Granada.

Os viajantes vêm ver o complexo edificado do Alhambra, com os seus palácios, a história e a arte islâmica existente nesta cidade. De facto, o Alhambra de Boabdil detém o nosso olhar, seja à noite ou durante o dia. O escritor-viajante Washington Irving (1783-1859) escreveu o seu livro – Cuentos de Alhambra – sobre o lado romântico da Alhambra de Granada e do legado mourisco na Andaluzia. Neste livro, podemos encontrar diversas passagens e descrições da vida quotidiana e rural da Andaluzia da primeira metade do Século XIX. O El Generalife é um verdadeiro paraíso. Foi construído pelos sultões nazarís para refúgio do quotidiano cortesão da Alhambra de Granada. Tal como eles, fujo das “massas” de turistas que inundam o complexo fortificado do Alhambra. Afinal, trata-se do monumento mais visitado do Reino de Espanha. Quem diria? Foi uma bela surpresa contactar com a simplicidade desta “Horta Real” com as suas fontes, hortas e belos jardins que nos transportam para outras latitudes. O Éden podia ser aqui.

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Acequia Real do El Generalife

Se há locais que parecem ter saído de um sonho, não há dúvidas de que o Bairro de Albaicín é um deles. Acerca de 800 metros de altitude, o casario branco deste antigo bairro árabe transmite-nos uma sensação de paz ao percorrermos as suas vielas. Por momentos, sinto que fui transportado para a realidade bem lisboeta: a genuína Alfama. Sente-se a nostalgia e o legado da população árabe que habitou nestas ruelas e vielas. E, claro, da sua arquitectura urbana – Carmen – que se estende desde o miradouro de San Nicolás até ao rio Darro. Aliás, ainda hoje, existem lojas de “recuerdos” e restaurantes de origem magrebina, junto ao Paseo de los Tristes.

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Vista Geral do casario branco do bairro de Albaicín

Há uma Andaluzia que todos conhecem e uma outra que só se dá a desvendar por quem entra por esta região adentro, disposto a deixar-se interpelar pela sua singular beleza de cada monumento, bairro, igreja ou museu. Esta cidade andaluza encanta e admira qualquer viajante que chega pela primeira vez e a contempla. Acima de tudo, a essência desta cidade andaluza é o complexo fortificado do Alhambra, o bairro Albaicín e o El Generalife. Os três são património mundial classificado pela UNESCO. Confesso que a Andaluzia, e em especial Granada, transmite boas vibrações a qualquer forasteiro ou viajante andarilho. Há cidades que nos tocam a alma. E Granada é uma delas. Um verdadeiro Carmen na terra.

✈ Como chegar:

Granada
Fonte: Visit Spain

O website do Turismo de Espanha – Visit Spain – oferece informação atualizada sobre os meios de transportes mais acessíveis para visitar Granada. No meu caso, como fomos numa visita de estudo, optou-se pela viagem de Autocarro de Turismo desde Lisboa. Desde Lisboa a Granada – ida e volta – são quase 1500 Km. Há duas opções: ir pela fronteira algarvia – Ponte Internacional do Guadiana – ou pela Alentejana – Fronteira de Elvas/Caia. A meu ver, a última é a opção mais económica e com maior fotogenia durante o trajecto rodoviário. Todavia, poderá fazer os dois trajectos rodoviários: Lisboa-Algarve-Sevilha-Granada e Granada-Córdova-Zafra-Badajoz-Lisboa.

🏠 Onde ficar:

Estive dois dias alojado no Hotel Carmen de Granada. Adorei os quartos e a localização do Hotel. E a vista desde o rooftop do Hotel Carmen. Está próximo do Centro Histórico da Cidade de Granada. As instalações são espectaculares. Boa Relação Custo/Preço. Quer conhecer mais sobre este hotel? Poderá visitar em www.hotelcarmen.com e descobrir as ofertas desta unidade hoteleira de 4 estrelas em pleno centro de Granada.

📩 reservas@hotelcarmen.com

🍜 Onde comer:

Na La Teteria del Bueno, em pleno Bairro Histórico de Albayzín, podemos saborear com calma um chá de menta, tipico de outras latitudes. Por exemplo, Marrocos. E no frio da noite de Granada, este tem outro sabor. Aqui, podemos saborear a essência do Al-Andalus.
Como diz o lema da casa: “Casa andalusí: algo de comer,algo de beber,y mucha paz…”

Calle Banuelo 5, 18010 Granada, Espanha   +34 958 22 41 97

🌏Para mais informações:

Aqui poderá encontrar, por exemplo, extensa documentação e dicas sobre o património material e imaterial desta cidade andaluza. Consulte mais dicas & informações sobre o que ver, fazer e comer nos seguintes links:

Turismo da Andaluzia (Oficial)

Ayuntamento de Granada (Turismo)

Granada Heritage (Unesco)

Visitar o Complexo do Alhambra (Oficial)

Umayyad Route (Espanha)

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

📌 À descoberta da Rota Omíada do Al-Gharb: roteiro fotográfico pelo legado material e imaterial dos Omíadas em Portugal 📷

📌 São experiências amenas, algumas ainda por revelar. Fomos em busca da Rota Omíada do Algarve – inserida no projecto Umayyad Route – e descobrimos o legado material e imaterial desta Dinastia Árabe em Portugal, mas também as vistas sobre o oceano, a natureza, a gastronomia, os museus e experiências de aventura para viver na extremidade sul de Portugal e da Europa. Quem disse que o Algarve é quente só no Verão?

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Fam Trip pela Rota Omíada do Algarve @ OLIRAF (2016)

👤 Um pouco de História…

Os Omíadas foram uma Dinastia Islâmica a implementar o sistema hereditário do califado, após a morte do profeta Maomé. Eram oriundos da mesmo clã do profeta, a tribo dos Coraixitas, oriunda da cidade de Medina na Península Arábica. Daqui, transferiram a seu do seu poder para Damasco, na actual Síria. O califado Omíada de Damasco (661-750) expande a sua influência religiosa, cultural e militar para o Norte de África (Magrebe) e para a Península Ibérica (Al-Andalus), conquistada na primeira metade século VIII, sendo administrados pelo Emir de Cairuão (Tunisía), sob dependência directa do poder califal da Damasco. Em 750, os Abássidas assassinam a Dinastia Omíada, à excepção do Abderramão I que foge para a capital do Al-Andalus. Este, em 756,  funda o Emirato Omíada de Córdova (756-929), independente do poder califal abássida de Bagdad. O apogeu do poder omíada no Al-Andalus dá-se entre 929 e 1031, com a fundação do Califado Omíada de Córdova, em 929, por Abderramão III (891-961).

📌 Dia 1 – 05/12 (Segunda-feira) Faro – Ossónoba (أخشونبة)

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Alfapendular na Estação Ferroviária de Faro

Rumo ao Gharb Al-Andalus. Antes de partir, peço a Al’Mutamid  sabedoria para a escrita e a Al-Idrisi, orientação geográfica para esta “epopeia” algarvia. Depois da saída de Lisboa, às 8h30, no “TGV” da nossa realidade portuguesa, isto é, o Alfa Pendular chego à capital do antigo Reino dos Algarves: Faro. Ou como quiserem chamar al-Harun (فارو),  Shantamariyyat al-Gharb (شنتمريّة الغرب) ou Ossónoba. Eu prefiro a ultima. A viagem demorou menos de quatro horas para percorrer quase 300km, a uma velocidade média de 150 Km/h.

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Aspecto parcial do Quarto Standard do Hotel Faro

Sou recebido na recepção do Hotel Faro. Enquanto faço o chek-in, o Francisco – funcionário, aconselha-me os melhores sugestões para “perder-me”pela cidade de Faro. Oferece-me um mapa da cidade e indicou-me os locais mais sugestivos, a nível fotográfico, para eu percorrer. Depois de efectuado o Check-in, aconselhou-me a almoçar no restaurante Ria Formosa, localizado no rooftop do mesmo hotel. Aqui, podemos encontrar uma fantástica piscina e uma esplanada com um panorama para o casario branco e ria formosa. Já na oferta gastronómica, a meu ver, é uma tertúlia de sabores e emoções. Com o tempo, de facto, vamos aprendendo a saborear e a degustar os prazeres da vida. E a comida e o vinho é um prazer. Baco que o diga. A essência da gastronomia Algarvia e, claro, da dieta mediterrânica. O Pão de Alfarroba. Top. E a saladinha divinal. Agora, percebo o 2ºConde de Essex, Robert Devereux (1566-1601), ter saqueado a Sé de Faro em 1596. Vá, agora a sério, eu prefiro “saquear” e saborear a gastronomia algarvia. E a cereja no topo do bolo, na minha opinião, é a vista panorâmica sobre a …ria formosa.

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A Gastronomia Algarvia é uma tertúlia de sabores para desfrutar e apreciar
Ernesto Cabrita, o responsável pela LOOK-AL, um apaixonado pela sua cidade e,claro, pela sua região.Através do mesmo, podemos viajar pelas estórias da História e pelas Lendas da capital do Al-Gharb. A meu ver, trata-se  de um projecto alternativo que proporciona aos seus clientes vivências genuínas e inesquecíveis pelo centro histórico da cidade de Faro, neste caso, pela Vila-Adentro. Antes de iniciarmos o trajecto, sugeriu-me uma experiência diferente: um  Recital de Guitarra Portuguesa com o guitarrista João Cuña.
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Recital de Guitarra Portuguesa no Arco da Vila Adentro
Para mim, foi mais do que uma experiência, foi uma viagem às raízes materiais e sonoras do fado em Portugal.  Adorei, em especial, o fado da Vila-Adentro que nos transporta para outras épocas. De seguida, iniciamos um périplo pelas curiosidades históricas, lendas e locais milenares da cidade de Faro. Iniciamos o nosso percurso pelo Arco da Vila, Sé Velha, antiga medina, túneis do séc.XI, a capela dos Ossos e pela antiga judiaria da cidade. Todavia, o que mais cativou foi o miradouro da Sé de Faro tem uma das melhores vistas sobre a cidade e a ria formosa.
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Antiga Porta em Ferradura do Período Omíada da cidade de Faro
Após a experiência histórico-cultural proporcionada pela Look-Al, acabamos em grande com um “Workshop” individual na garrafeira About Wine. Aqui, sou recebido pelo jovem casal, o Luís e a Alexandra, que me elucidam sobre a essência do seu projecto surgido em 2010.  Mais do que beber um vinho, seja ele um branco ou tinto, há que saber conjugá-lo com os sabores certos. Esta visita elucidou-me como saborear um bom vinho, qual a postura correta na degustação e os petiscos que se adequam a cada tipo de vinho. Adorei, em especial, o vinho branco algarvio Malaca. Mais do que uma experiência em enoturismo, uma visita a esta garrafeira é embeber a cultura vinícola do Algarve e das diversas regiões de Portugal.
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Provas de Vinhos e Petiscos da Região do Algarve na About Wine

De seguida, sou recebido na Tertúlia Algarvia. Um dos sócios, enquanto não vem o manjar, fala-me do conceito gastronómico deste restaurante em plena Vila-Adentro. A sua especialidade é a cataplana algarvia. Mas, os filetes de cavala e a milenar Muxama de atum não ficam nada atrás.

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Vista Geral do Restaurante Tertúlia Algarvia

📌 Dia 2 – 06/12 (Terça-feira) Vila do Bispo – Cabo São Vicente

A minha primeira “Fam Trip”, como blogger convidado pela Região do Turismo do Algarve para promover um destino de uma rota cultural. O objectivo foi «Redescobrir os Segredos do Algarve em Vila do Bispo e a Rota Omíada» pelos operadores turísticos, entidades, jornalistas regionais. mais do que conhecer um dos principais destinos turísticos de Portugal, mas também conhecer alguns segredos não revelados desta localidade algarvia e embeber o legado árabe na região. Após uma viagem de autocarro entre Faro e Vila do Bispo, chegamos ao Centro de Interpretação de Vila do Bispo. Aqui, somos recebidos pelo Presidente da RTA, Desidério Silva, a Directora-Regional da Cultura do Algarve,Drª Alexandra Gonçalves e pelo autarca local, o Dr.Adelino Soares.

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Menir do Padrão: um exemplo da ocupação humana desde a Pré-História

De seguida, somos levados em itinerância pelo legado material e imaterial do concelho mais extremo do Continente Europeu pelo arqueólogo da autarquia local Ricardo Soares. Primeira paragem: o Menir do Padrão na Raposeira. Trata-se de um monumento megalítico melhor preservado e com mais estudos de entre os demais. Ricardo Soares elucida-nos que Vila do Bispo é a área de maior concentração de menires do ocidente europeu, ao todo 250,  provavelmente os mais antigos e dos primeiros. Tal facto, é demonstrativo da ocupação humana desde a Pré-História.

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Boca do Rio: o Algarve das Pontas em todo o seu esplendor.

 

Antes de irmos para a Boca do Rio, opto por trocar umas breves palavras com o arqueólogo Ricardo Soares. Tal como eu, é um amante da arte fotográfica e tem um blogue sobre arqueologia. Afinal, não sou o único que concilia a sua paixão pela fotografia com o gosto pela História. Já na Boca do Rio, podemos percorrer a ocupação humana deste território: uma villa romana dedicada à indústria conserveira (saiam verdadeiros petiscos para Roma daqui), uma fortificação da século XVII para proteger a pesca de atum, naufrágios do século XX perpetuadas por U-Boats Alemães e o impacto do Tsunami que se seguiu ao Sismo de 1755 na orla costeira do Algarve.  Apercebo-me da existência de um trilho para a compreensão da biodiversidade local. Dirigi-me para lá para captar alguns registos fotográficos. A Paisagem era brutal. Apetecia-me mergulhar, literalmente, nela…

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Retrato de grupo da “Fam Trip” por Vila do Bispo @ Créditos fotográficos RTA

Retrato de Grupo. Nas viagens o que levamos delas, a meu ver, são as experiências e as pessoas. Foi de salutar o espírito de convívio e a troca de experiências entre os profissionais, técnicos e jornalistas da área do Turismo da Região do Algarve. Dizem que os melhores negócios ou iniciativas fecham-se à mesa,certo? Então, nada como um almoço tipicamente algarvio para saborear novas parcerias. O Almoço foi no Forte de Santo António de Beliche, perto do promontório de Sagres, do qual temos uma excelente panorama sobre um anfieteatro natural entre o azul do céu e do mar. Algarve, what else?

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Papas de Xerém

O Almoço apresentava na ementa alguns dos produtos tradicionais da gastronomia algarvia, em especial, do concelho de Vila do Bispo. Sabores da Terra  e do Mar. As estrelas “Michelin” eram o Pão com Azeitona  e ovos verdes; as Papas de Xerém; a Estupeta de Atum; a Açorda de Borrego e grão com hortelã; Sobremesa com doces tipicos Algarvios; Vinho do Algarve (Pacha). O que dizer, depois desta tertúlia de sabores? O Algarve é “crime” a nível gastronómico. Um sabor familiar. A Estupeta de Atum relembrou-me as saladas que comi em Marrocos. Lá está, as evocações ao marcante legado imaterial islâmico.

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Forte de Santo António de Beliche, situado nas proximidades do Cabo São Vicente

Farol do Cabo de São Vicente. A minha segunda estreia num Farol da Marinha Portuguesa, depois da minha aventura na Ilha da Berlenga. Somos recebidos pelo faroleiro de serviço que nos faz uma visita guiada ao quotidiano habitual de um faroleiro e pela história deste farol construído em 1834 pela rainha D.Maria II e remodelado nos finais do Século XIX e princípios do Século XX. A torre do farol tem uma altura de 28 me e o seu alcance luminoso é de 32 milhas (c. 59 km). Desde a antiguidade que o Cabo de São Vicente tem sido local de romaria, existindo a mítica Ermida do Corvo, algures em Sagres, um templo dedicado ao culto de São Vicente. Segundo documentou o geógrafo árabe Al-Idrisi, a Kanisast Al-Gurab, a “Igreja dos Corvos” encontrava-se no fim da finisterra mediterrânica. Aliás,  actual Farol já foi um antigo espaço monástico (frades Jerónimos e Capuchos) que dava apoio a peregrinos.

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Torre do Farol do Cabo de São Vicente (1906)

A visita terminou  com um mágico pôr-do-sol no extremo mais sudoeste da Europa: o Cabo de São Vicente. É um “Sunset” poético em que muitos o descreveram na mitologia clássica greco-romana. Pude comprovar que, apesar de ser um dia de semana, estava uma autêntica romaria para um dia de sol ameno. Mas, muitos viviam a experiência através dos ecrãs dos seus aparelhos fotográficos e telefónicos. Sociedade dos Ecrãs. Vivemos o real no Digital. Infelizmente. Eu tento moderar um pouco esse conceito. Nem quero imaginar no pico do Verão, quando estiverem aqui milhares de turistas. Quem não gosta de acabar em grande o seu dia, a contemplar o fenómeno celeste?

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Aspecto do Sunset em pleno Cabo de São Vicente

📌 Dia 3 – 07/12 (Quarta-feira) Silves as-Shilb (شلب

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Vista parcial da antiga medina e alcácer de Xilb

Silves ou a Xilb de Al-Mu’tamid. Atrevo-me a chamar-lhe a “Alhambra Portuguesa”,mas em formato miniatura. Trata-se da jóia da arquitectura militar da época islâmica em Portugal. Já tinha cá estado em 2008 durante a minha viagem de ferry-boat entre a Ilha da Madeira (Funchal) e Portugal Continental (Portimão). Não tinha a ideia do blogue,mas tinha o gosto pela viagem, fotografar e pelo património histórico-militar. Quem diria que iria voltar aqui, desta vez, oitos anos como blogger trip. A vida dá muitas voltas e, em muitos casos, 180º.

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Museu Municipal de Arqueologia de Silves

O Museu Municipal de Arqueologia de Silves foi o resultado das escavações arqueológicas desenvolvidas ao longo do séc.XX. No centro do espaço, podemos visualizar um Poço-Cisterna da época Almóada (séculos XII-XIII), descoberto após escavações arqueológicas decorridas nos anos 80 do séc. XX . Esta hoje classificado como Monumento Nacional. É apartir dela – o ex-libris do discurso expositivo – que fazemos o percurso  desta visita guiada com a Dr.ª Dr.ª Maria José Gonçalves, actualmente arqueóloga do Município de Silves. Trata-se de uma académica especializada em cidades medievais islâmicas, nos campos da arqueologia e da história. E isso denota-se no seu discurso. Levei, literalmente, uma lição de História e de Arqueologia.

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Peça do Mês (Dezembro 2016) – Prato de Louça de Mesa  da Época Omíada (séculos VIII-IX)

Apresenta-me, passo-a-passo, o acervo do Museu, na sua maioria proveniente das escavações arqueológicas efectuadas na cidade e concelho. O acervo reúne um conjunto de objetos desde o Paleolítico até ao período Medieval. Constato que há imensos achados arqueológicos em quantidade, mas que valem pela sua qualidade e excepção de ornamentos e pictóricos. E como Silves era a principal cidade do Gharb Al-Andalus, este museu tem no seu acervo um grande destaque para o Período Islâmico – Omíada, Califal, Taifa, Almorávida e Almóada, desde o século VIII ao século XIII, ou seja, ao período cronológico da ocupação árabe ao que hoje corresponde ao território algarvio. O visitante que percorrer este espaço museológico irá compreender a importância da cidade de Silves no período islâmico. Silves é legado mais vivo e duradouro do património islâmico em Portugal. Dai, ter-me demorado mais por esta cidade emblemática.

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Interior do Castelo de Silves – ruínas de uma antiga residência apalaçada da época islâmica

Depois da visita ao espaço museológico, inserido na antiga medina de Silves, fomos visitar o antigo alcácer islâmico: o actual Castelo Silves. A sua pedra avermelhada – grés de Silves – dá outra cor e magnificência a este antigo complexo bélico. Digo actual, visto que, nas décadas de 30 e 40 do Século XX, a Direção de Monumentos Nacionais uniformizou a traça dos Castelos Medievais Portugueses, muitos deles em estado de ruína, à imagem do Castelo de Guimarães. Como Portugal fez-se da conquista de território aos Mouriscos, não interessava para o Estado Novo – regime ditatorial – manter esse legado, mas sim o papel fundador de Guimarães na construção  e formação da identidade Portuguesa. O que diria  Al-Mu’tamid se visse a sua amada Xilb nos dias hoje? Apesar de tudo, dedicaria-lhe um poema…do seu declínio.

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Soga e Tição: método de construção omíada nas Muralhas do Alcácer de Silves

Os Muçulmanos aproveitaram muitas técnicas de construção romanas para a construção das suas muralhas defensivas, por exemplo, sob a forma de silharia de tipologia romana redisposta num padrão regular, a soga e tição. Actualmente, este é um dos poucos exemplares existentes nas muralhas de Silves que, ao longo dos séculos, foi sofrendo inúmeras alterações efectuadas pelo Homem e pelo tempo.

📌 Dia 4 – 08/12 (Quinta-feira) Tavira (Tabîra) e Cacela Velha

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Vista geral do Centro Histórico de Tavira

Em árabe, Tabîra quer dizer “a escondida”. Esta cidade do Sotavento Algarvio possui muitas curiosidades e é um regalo para os nossos olhos. E porquê? Vejamos, Tavira possui a beleza do seu rio Gilão, das suas salinas, da ria formosa, as suas antigas muralhas donde podemos avistar a arquitectura urbana e os museus que contam o seu dinamismo comercial e estratégico ao longos dos tempos. A partir do Século XII, esta localidade algarvia tornou-se um dos principais centros marítimos e comerciais da costa algarvia. Havia dois factores: um porto defensável e a posição estratégica da estrada que ligava, através da ponte do rio Gilão, Sevilha a Silves. Juntamente com Xilb e Ossónoba, Tabîra era uma das mais importantes cidades do Gharb Al-Andalus. Ao percorrer o centro histórico da cidade, podemos comprovar esta importância pela dimensão do seu Castelo e, mais tarde, com as inúmeras Igrejas em diversos estilos arquitectónicos são como uma viagem pela História de Arte em Portugal.

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Minarete Islâmico? Apenas a Torre Sineira da Igreja de Santa Maria Tavira

Mais do que falar sobre as raízes da História da cidade de Tavira, o Núcleo Museológico Islâmico desta cidade é um convite à descoberta do legado material e imaterial da época islâmica. Este núcleo do Museu Municipal de Tavira foi inaugurado em 2012 precisamente no local onde foi achado o famoso “Vaso de Tavira” (1996). Tem na sua exposição permanente – Tavira Islâmica – uma abordagem histórica sobre  a cidade no período islâmico até à reconquista cristã. Resultou, assim, das intervenções arqueológicas efectuadas em vários locais do centro histórico da cidade como, por exemplo, o Bairro Almóada, situado no Convento da Graça.

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Capitel Omíada da Exposição permanente  “Tavira Islâmica”

Encontro-me com a Dr.ª Sandra Cavaco, a arqueóloga do Município de Tavira, que será a minha guia nesta viagem pela máquina do tempo.A sua linguagem é simples e directa, indo ao encontro dos meus interesses. Fala-me do passado milenar desta cidade, habitada por civlizações antigas, em virtude da sua posição estratégica (oceano atlântico) e comercial (porto de pesca e salinas). Na época islâmica, a cidade de Tabîra era uma “República” de Piratas que atacavam o comércio maritimo muçulmano ou cristão, dando guarida a gentes de má fama. Por esta razão, o poder centralizado islâmico – Almorávidas e Almóadas – por sucessivas ocasiões intentou submeter esta cidade de piratas à sua lei. Os Tavirenses só submeteram-se em 1239 à Ordem Militar de Santiago. De acordo com a Crónica da Conquista do Algarve, Tavira foi conquistada aos mouros, em Junho de 1239, por D. Paio Peres Correia, como represália pela morte de sete dos seus cavaleiros. Aqui, denotamos a importância da Ordem Militar de Santiago para a reconquista do Alentejo e do Algarve ao serviço da Coroa Portuguesa.

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O Vaso de Tavira é o ex-libris deste espaço Museológico

O Vaso de Tavira é uma peça peculiar e singular a nível Mundial. É o ex-libris deste espaço museológico e da sua exposição permanente. Segundo académicos, o vaso parece representar um rapto nupcial. Apresenta no bordo onze figuras e nas paredes, linhas, retículas, peixes e outros elementos pintados a branco. Destaca-se a noiva com a face descoberta e o noivo com um turbante, ambos a cavalo; um besteiro e um cavaleiro; um tocador de tambor e de adufe; uma tartaruga e várias pombas; e o dote, constituído por um bovídeo, um caprídeo, um camelo e um ovino.Importa também destacar, a torre em Taipa Militar, os restos da muralha islâmica do século XII e o capitel em mármore branco datado da época califal omíada, originária das oficinas da Madinat al-Zahra em Córdoba.

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Cacela Velha: entre o azul do céu e do mar…

Cacela Velha é…um poema de pedra construído pelo Homem. Esta pequena grande povoação costeira do Sotavento Algarvio está localizada no concelho de Vila Real de Santo António. A meu ver, esta localidade é uma bela surpresa pela sua paisagem para a ria formosa, a arquitectura tradicional das casas típicas castiças e pela sua capatez. Além disso, as ruas têm o nome de poetas que fizeram parte da nossa cultura milenar. Chego a uma constatação: começo a gostar de outro Algarve. O Al-Gharb fora dos roteiros turísticos “habitué”: o das pontas.

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Casas Típicas de Cacela Velha

O Núcleo Histórico de Cacela Velha presenteia-nos com um pequeno conjunto de casas típicas do litoral algarvio. Todavia, os dois ex-libris desta pequena povoação é a sua fortaleza do Século XVI, reconstruída após o fatídico terramoto de 1755, e a Igreja com o seu portal renascentista. Na época Omíada, Qast´alla, Cacela em árabe, fora conquistada em 713 por forças califais de Abd al-Aziz ibn Musa (714-1715), o primeiro uale do Al-Andalus, isto é, um governador militar dependente do califa omíada de Damasco (661-750). Até à reconquista cristã, em 1240, a povoação ficou na jurisdição da cidade de Ossónoba (Faro) e assumiu o papel de primeiro aglomerado de carácter urbano situado a sudeste do actual território algarvio.

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Aspecto geral da Igreja e Fortaleza de Cacela Velha

Uma curiosidade. Sabia que as ruas têm nomes de poetas se inspiraram nesta localidade para os seus poemas, como são os casos de Abû al-‘Abdarî, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Eugénio de Andrade? Um pormenor delicioso. Visitar Cacela Velha é conhecer um outro Algarve: o genuíno e castiço. O Algarve das Pontas. A meu ver, o casario pitoresco, a pequena aldeia, a praia, fortaleza são uma bela harmonia na paisagem. Um belo exemplo do que o Homem consegue criar. Da visita à terra natal do poeta Ibn Darraj al-Qastalli (958-1030), um dos mais influentes do califado Omíada na época do poderoso Almançor,  levo na minha memória o som, ao fundo, do oceano atlântico…

📌 Dia 5 – 09/12 (Sexta-feira) Alcoutim (Algarve, Portugal) – Salúncar do Guadiana (Andaluzia, Espanha)

Alcoutim. Terra de Fronteira. O Algarve Natural. São os slogan(s) do Município de Alcoutim para promover esta singela vila nas margens do Guadiana. Tal como José Saramago, o nosso Nobel da Literatura (1998), esteve nestas paragens, em 1980, no âmbito da sua Viagem a Portugal, deixo-me surpreender pela singularidade de Salúncar do Guadiana e do seu “Guerreiro de Pedra” – o Castillo de San Marcos – que domina a paisagem. Esta pequena urbe nasceu da necessidade do controlo e vigilância do transporte de bens alimentares (trigo, azeite e mel) e de minério (ouro,prata e cobre), através do rio Guadiana, pelas  ocupações humanas sucessivas que a usavam na transição entre as rotas comerciais do Mediterrâneo e do Atlântico.

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Vila de Alcoutim,vista do rio Guadiana

Depois de fotografar as vistas (e que vistas), dirigi-me para a experiência do slide fronteiriço agendada para a parte de manhã, com a limitezero do inglês David Jarman, radicado à treze anos nesta zona da raia luso-espanhola. Contacto com o responsável da empresa de animação turística Fun River, o Dr.José Cavaco, que me informa que o seu funcionário estava em Espanha e que me iria buscar dentro de momentos. A única ligação entre margens no rio Guadiana entre Alcoutim (Algarve) e Salúncar do Guadiana (Andaluzia) é efectuada por esta empresa. A aventura estava prestes a começar.

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“El bloggeiro portugues” desafiando os seus limites a 80 km/h até Portugal

Depois de uma aventura 4×4 num Land Rover até ao local do Slide, onde avistamos a beleza de Salúncar do Guadiana. Do topo, a cerca de 180 metros, temos uma bela vista aérea sobre Alcoutim e o rio Guadiana. O que levamos deste Mundo? Experiências. Aqui, podem ver o video do Slide no YOUTUBE De facto, viajar é descobrir-nos. E,claro, soltar o nosso outro eu. No meu caso, o sentido pela aventura. Já tinha saudades de fazer “Slide”. Nem parece que vamos a 80 Km/h. Em menos de um minuto estamos em Portugal. E o Medo? Esse ficou para 2ºPlano. Razão? A paisagem arrebatadora entre Salúncar do Guadiana e Alcoutim – as duas vilas gémeas do rio Guadiana -, como afirmou José Saramago, permite viver esta experiência devagar e com tempo.

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Sopa de tomate com ovos escalfados

Perguntei ao Dr.Júlio Cardoso, o técnico de turismo do Município de Alcoutim, um local típico para almoçar em Alcoutim. Estava nos meus planos almoçar no Centro Histórico de Alcoutim ou Salúncar do Guadiana. Persuadiu-me a ir almoçar à  Cantarinha do Guadiana., situada na localidade de Laranjeiras do Guadiana. Não me deixei enganar pelo espaço e pela falta de multibanco. De facto, o paladar conquista-se no prato. E a Senhora Isabel Ribeiros, a singular cozinheira, proporciona verdadeiros petiscos de cozinha regional alentejana e algarvia. Adorei saborear a comida tipicamente caseira e tradicional do interior algarvio, em especial, a sopa de tomate com ovos escalfados e o ensopado de enguias. Uma delicia para os viajantes andarilhos. E para acompanhar o café, nada como um “cheirinho” algarvio: o Medronho. Safa,mas aquece!

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Um local a visitar pelos níveis de ocupação humana que conserva da época islâmica

O Homem adapta-se ao meio. A cerca de um 1km para Norte da actual vila de Alcoutim, deparamo-nos com uma das melhores vistas do Algarve sobre o rio Guadiana. Do topo do castelo velho de Alcoutim – antigo Alcácer fortificado – do período Omíada (713-1031) edificado com as pedras com maior abundância na região:o xisto e o grauvaque. As suas origens remontam ao Século IX, segundo escavações arqueológicas recentes da Dr.ªHelena Catarino, e é uma das mais importantes estruturas militares islâmicas do Gharb-Al Andaluz. Como se sabe, o domínio muçulmano na Península Ibérica começa a ser ameaçado pela pressão da reconquista cristã, dai a necessidade de criar uma rede de fortificações de vigilância do território. É o caso do Castelo Velho de Alcoutim. Em virtude do seu difícil acesso (utilizado com funções de vigilância e de apoio à mineração), esta estrutura foi abandonada na época dos Almóadas e deu lugar ao actual Castelo Medieval de Alcoutim no Século XIV. A partir daqui, a população foi fixando-se junto ao leito do rio Guadiana.

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No Castelo de Alcoutim, no Núcleo de Arqueologia, está exposta a maior coleção de jogos de tabuleiro, do período omíada, que se tem conhecimento a nível mundial.

Como apaixonado pelo legado material e imaterial do Al-Andalus, adorei percorrer as diversas localidades que me foram sugeridas no programa da Rota Omíada do Algarve. Pude descobrir as estórias da História de cada uma, a importância dos achados arqueológicos para a materialização das fontes documentais, e os ensinamentos em Geografia foram uma ajuda constante ao longo destes cinco dias. Para mim, esta foi uma das melhores experiências de aprendiz de historiador-fotógrafo itinerante. Estou agradecido à Dr.ªCláudia Ruivinho, coordenadora da Rota Omíada do Algarve, pela elaboração desta Blogger Trip e à Região do Turismo do Algarve, Dr.Assis Coelho, pelo acompanhamento constante para que tudo estivesse ao meu dispor durante o percurso fotográfico pela Rota Omíada do Al-Gharb. E aos técnicos dos Municípios de Silves, Tavira e Alcoutim que me acompanharam e elucidaram-me da riqueza dos seus respectivos concelhos. Muito Obrigada. Bem Hajam!

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Alcoutim e Salúncar do Guadiana: “Duas vilas como irmãs gêmeas, que se vêm como o espelho uma da outra.”, referiu José Saramago em 1980.

Durante a descoberta da Rota Omíada, Abderramán I, Al-Mutamid, Al-Idrisi e,Ibn Darraj al-Qastalli, foram excelentes companheiros de viagem…interior. Shukran. Mais do que uma viagem pela história, foi uma “panóplia” de experiências pessoais e colectivas que podem ser partilhadas digitalmente,mas que devem ser vividas na primeira pessoa. É isso que convido o leitor do blogue OLIRAF a fazer: viver estas experiências. Não haverá melhor sensação do que sair da nossa “zona de conforto”?  👌

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Como chegar

A partir de Lisboa optei por reservar uma viagem em Alfa pendular, através da Comboios de Portugal. Faro era a minha base para efectuar a Rota Omíada do Algarve. Para tal, optei por alugar uma viatura rent-a-car para fazer a ligação entre os diversos pontos histórico-culturais desta rota. Na maioria dos casos, utilizei a via do Infante (A22) e a Nacional 125. No caso da ida para Alcoutim, optei pela A22 até Castro Marim e depois o IC27 (Beja) até Alcoutim (N122-1).

Onde ficar

Restaurante Ria Formosa

Praça D. Francisco Gomes, Nº2 8000-168 Faro Portugal
+351 289 830 830

✉️ Email: reservas@hotelfaro.pt

Para mais informações:

Região de Turismo do Algarve

Direcção Regional de Cultura do Algarve

Blog Turismo do Algarve

Projecto Umayyad Route 

Turismo do Algarve – Rota Omíada do Algarve (Folheto + App)

Nota importante

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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