📌À descoberta de Melgaço: onze experiências para fazer no concelho mais a norte de Portugal.

📷 A região do vinho Alvarinho e do Parque Nacional Peneda-Gerês. Sugestões e impressões pessoais de um roteiro fotográfico pela essência desta vila minhota. Melgaço, meus caros, Melgaço!

“O Destino de natureza mais radical de Portugal”. Melgaço saudá-vos, assim, quando o viajante chega à primeira rotunda desta vila minhota. A vila de Melgaço é o concelho mais a norte de Portugal Continental. Porque, aqui, começa Portugal. Estamos no Minho, a região berço da nacionalidade portuguesa. Ah, já tínhamos saudades de percorrer e conhecer a geografia e a história dos lugares que estudamos nas aulas da faculdade.

A convite do Município de Melgaço em particular dos Serviços de Comunicação e Imagem deste concelho do Alto Minho, entre os dias 7 e 10 de Junho, tive oportunidade de participar numa FAM TRIP da Pegada Zero – III Jornadas de Turismo de Natureza – PNPG – Melgaço 2018’. O programa foi bastante diversificado e com muitas actividades de turismo de natureza e aventura. O divertidissimo e genuíno grupo de bloggers, jornalistas e profissionais de turismo que participaram nesta Fam Trip era fantástico, simpático e,acima de tudo, com um excelente espirito de união. Em especial, os inúmeros bloggers de Portugal e de Espanha que me deram dicas,inspiração e fantásticas experiências para viajar. Adoro pessoas com MUNDO!

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Melgaço é, na minha opinião, o concelho mais radical de Portugal! Foi o caso desta FAM Trip. Este concelho,apesar de ser do interior, tem imenso potencial para atrair forasteiros que queiram fazer inúmeras experiências. Um dos meus locais preferidos de Portugal. Porquê? Tem História, Desporto, Natureza, Gastronomia, Enoturismo e, acima de tudo, a simplicidade das suas gentes. Agradecimento especial à fotógrafa Carla Cristina da @fotomelgaco que capturou os melhores momentos fotográficos das actividades radicais. Já conhecem Melgaço? Saiba mais na rede social Instagram em @discovermelgaco.

Eis as minhas onze experências e sugestões desta viagem fotográfica ao concelho mais a norte de Portugal:

1. Percorrer os trilhos de BTT do Parque Nacional Peneda-Gerês.

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O concelho de Melgaço oferece condições excepcionais para a prática desportiva e actividades de lazer. Por exemplo, a modalidade de ciclismo todo-o-terreno: o BTT. Ao percorrer os inúmeros trilhos em terra batida e calcetadas com pedra granítica da Serra da Peneda, o viajante poderá apreciar a fauna, a flora, o património e as actividades humanas do Parque Nacional Peneda-Gerês. Nas Portas de Lamas de Mouro, optei por acompanhar a IIIª Maratona BTT de Melgaço 2018 (Campeonato Nacional de Maratona XCM) entre a zona ribeirinha e montanhosa do concelho de Melgaço. No seu conjunto, a prova contou com mais de 500 “fundistas” de BTT que percorreram diversos percursos exigentes (acumulado aproximado subida/descida 2658 metros) com quase 90 Km. É obra!

2. Realizar uma prova de vinhos na Quinta do Soalheiro

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A primeira marca de Alvarinho de Melgaço. Fundada em 1982, a Quinta do Soalheiro proporciona aos visitantes uma viagem pelos sentidos do vinho da casta Alvarinho da marca Soalheiro para deleite dos visitantes. A sala de prova de vinhos proporciona uma excelente vista “soalheira” para a Galiza e o curso do Rio Minho. Se pretende aprofundar mais sobre o vinho Alvarinho poderá visitar o Solar do Alvarinho. Este Solar Seiscentista é um dos ex-libris da vila de Melgaço. O visitante poderá fazer uma visita ao espaço histórico (antiga cadeia e tribunal) e realizar uma prova gratuita de três vinhos da casta alvarinho. No espaço poderá adquirir produtos regionais e artesanais minhotos e melgacenses.

3. Praticar a actividade radical Canyoning nos rios Laboreiro e Varziela

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A actividade radical – Canyoning – é uma excelente forma de conhecer a fauna, a flora e o património edificado da área envolvente da aldeia de Castro Laboreiro. Optei por fotografar esta actividade junto à Ponte da Varziela, visto que o tempo estava chuvoso e frio. Mas, ainda bem, que existem pessoas corajosas! Os destemidos bloggers portugueses e espanhóis avançam nas turbulentas águas da ribeira da Varziela durante uma actividade radical de Canyoning simpaticamente guiada pela Montes de Laboreiro durante a Fam Trip da IIIªEdição da Pegada Zero.

4. Fazer uma massagem no Medical SPA das Termas de Melgaço

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Durante a visita às instalações das Termas de Melgaço, os participantes da FAM Trip Pegada Zero puderam contactar com um lugar para relaxar e apreciar o espaço verde envolvente: as @termasdemelgaco. Como gostei do espaço envolvente e das instalações, optei por aceitar um convite ao relaxamento, isto é, realizar uma massagem de cinquenta minutos. Aqui, somos recebidos num ambiente familiar por uma equipe de jovens profissionais competentes. Porque não fazer uma massagem que revitaliza o corpo e a mente? Deixe para trás a agitação urbana e descubra os prazeres e os sentidos do turismo termal no cncelho mais a norte de Portugal.

5. Visitar o centro Histórico de Melgaço e subir à Torre de Menagem

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O Castelo de Melgaço é um belo exemplo da arquitetura militar românica. Uma das caracteristicas é de que a Torre de Menagem ficar no centro da Alcáçova, em vez de ficar junto à cintura de muralhas. Por momentos, senti-me na pele do escudeiro Duarte D’Armas que desenhou este “guerreiro de pedra” para El`Rei D.Manuel I nos principios do século XVI. Por um 1€ poderá visitar o núcleo museológico deste património edificado e ficar a conhecer um pouco sobre a evolução histórica desta vila do Alto Minho. Afinal, Portugal começa aqui! Nas minhas itinerâncias, a busca da curiosidade dos lugares leva-me sempre a subir a um ponto elevado. Não me fatigo. Nada me emociona que o deslumbramento da revelação de uma paisagem, seja ela urbana ou natural, e de sentir que o tempo não está aprisionado em sólidas muralhas, como foi o caso desta sentinela militar que domina o rio Minho: o castelo de Melgaço.

6. Descer o rio Minho em Rafting

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Uma das razões para visitar o concelho de Melgaço: o Rafting. Esta actividade radical realizada, entre a barragem da Frieira (Espanha) e a Ponte do Peso (Melgaço), no rio Minho, foi uma das razões para visitar o concelho de Melgaço. Tratou-se de uma experiência fantástica e com muita adrenalina ao longo de quase 14 Km. Os monitores da Melgaço Radical (e da Melgaço WhiteWater) são excelentes pessoas que nos proporcionam uma experiência fantásticas que desperta os nossos sentidos. A cereja no topo do bolo é a oferta de uma garrafinha de vinho Alvarinho aos clientes. Nunca tinha feito Rafting e confesso que superou as minhas expectativas sobre esta actividade de turismo de aventura e radical. Um dia, irei voltar para fazer esta experiência com os meus alunos! Há que promover o “currículo oculto”. Trata-se de uma forma divertida (e exigente) de cimentar o espírito de união de um grupo.

7. Subida ao Castelo de Castro Laboreiro

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Localizado a cerca de 1000 metros de altitude, o castelo de Castro Laboreiro é um forte motivo para visitar a genuína aldeia de Castro Laboreiro. Trata-se de um antigo castro romanizado que, na minha opinião, vale pela sua localização geográfica e, acima de tudo, pela seu conjunto fortificado preservado da intervenção do Estado Novo na década de 40 do século XX. Após uma caminhada de cerca de 900 metros, com sinalética um pouco degrada, é possível contemplar uma das melhores vistas para a aldeia de Castro Laboreiro e para as fragas/penedos da Serra da Peneda. A Just Natur organiza visitas e caminhadas temáticas para apreciar o património natural e edificado desta aldeia típica castreja.

8. Contemplar a fauna e a flora do Parque Nacional Peneda-Gerês

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O Parque Nacional Peneda-Gerês proporciona-nos um contacto mais próximo com a Natureza. Aliás, a vila de Melgaço situa-se, a sensivelmente, 30 Km de umas das entradas: as Portas de Lamas de Mouro. Ao longo da estrada, o viajante poderá apreciar a dimensão física, a fauna e a flora deste lugar mágico. Podemos ver cavalos selvagens (os garranos) e as vacas da raça cachenas guiadas por cães da raça Castro Laboreiro que pastam livremente, entre o principio da primavera e o fim de outono, nos inúmeros prados na zona montanhosa da região minhota.

9. Conhecer o românico do Alto Minho: o Mosteiro de Paderne.

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Gosta de viajar no Tempo? Sim, então, tem de visitar o Mosteiro de São Salvador de Paderne para apreciar uma conjugaçao de rara beleza artística e arquitectónica românica da região do Alto Minho. Este edifício religioso românico foi consagrada à Ordem dos Agostinhos, corria o ano de 1302. Ao contemplarmos as suas pedras com História, o viajante pode ter uma ideia bastante elucidativa do antigo traçado: planta em cruz latina, de uma só nave, transepto e cabeceira tripartida. De realçar, no exterior, os pórticos, a cachorrada e o óculo deste Monumento Nacional.

10. Apreciar os sabores da gastronomia melgacense na Adega Sabino

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Situada no centro Histórico da vila de Melgaço (em frente à ao edificio da câmara muncipal), a Adega Sabino é um dos melhores espaços para saborear a gastronomia local e regional do Alto Minho. Existente há mais de cinco décadas, este negócio familiar ganhou um novo impulso com Manuel Augusto de Castro: o “Sabino” conhecido na comunidade local. Podemos comprovar que o “Sabino” é um verdadeiro “embaixador” da cultura gastronómica melgacense. Um gentleman. diria melhor. Porquê? É um anfitrião que qualquer viajante poderá encontrar numa visita ao Centro Histórico de Melgaço. Afinal, trata-se de uma figura querida da Terra. O “guia-turístico” de Melgaço. Aliás, o “Sabino” é o Confrade do Vinho Alvarinho, uma espécie de relações públicas desta casta vinicola sublime. Como eu gosto de conhecer os locais. A meu ver, estes são o verdadeiro “Tripadvisor”, isto é, são a melhor fonte de informação e recomendação dos lugares que queremos realmente visitar.

11. Percorrer os trilhos pedestres das pontes de Castro Laboreiro

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A necessidade da rápida movimentação de exércitos, populações e mercadorias motivou a construção de uma importante rede viária regional, desde o período romano, que atravessa o território do concelho de Melgaço e da região minhota-galaica. Se percorrermos os diversos percursos pedestres do planalto de Castro Laboreiro, podemos encontrar inúmeras pontes de origem romana que foram alvo de reformulações na época Medieval. É o caso da Ponte Nova da Cava Velha. Este monumento nacional é notável pelas suas características arquitectónicas, com dois arcos de volta perfeita. Importa salientar que esta ponte insere-se numa rede de comunicações essenciais para Castro Laboreiro, visto que ligava as aldeias da margem direita e esquerda do vale do rio Laboreiro.

Não deixe de fazer…

  • realizar uma prova de vinhos (até três vinhos) gratuita no Solar do Alvarinho;
  • observar as vacas cachenas, os cavalos selvagens (garranos) entre as Portas de Lamas de Mouro e a aldeia da Branda da Aveleira;
  • fazer o Melgaço Alvarinho On Trail;
  • participar na Festa do Alvarinho e do Fumeiro;
  • conhecer a História Local nos espaços museológicos de Melgaço: Espaço Memória e Memória, Museu do Cinema Jean Loup Passek e Núcleo Museológico da Torre de Menagem (o bilhete para os três principais espaços custa 2,5€);
  • visitar o único SPA para cabras em Portugal Continental: a queijaria Prados de Melgaço;
  • descobrir as aldeias típicas do Alto Minho: Lindoso, Sistelo e Soajo;
  • fazer uma “Grand Tour” pela região vinícola da casta Alvarinho através da Rota do Alvarinho;
  • visitar o canil onde se cria os cães da raça Castro Laboreiro;
  • explorar os inúmeros trilhos pedestres do Parque Nacional Peneda-Gerês.
Não perca as minhas aventuras e olhares fotográficos no Instagram! Um encontro com a História, ao sabor das imagens…

Para mais informações:

Aqui poderá encontrar, por exemplo, extensa documentação e dicas sobre o património material e imaterial da capital espanhola nos seguintes links:

O website do Turismo Porto e Norte oferece informação atualizada sobre a região Norte de Portugal. É a melhor opção para começar a planear uma viagem à região do Alto Minho. Já o Município de Melgaço permite descarregar mapas e um conjunto de informações sobre os transportes públicos, locais de interesse, museus, gastronomia, entre outros. Importa salientar que poderá encontrar o posto de turismo para saber mais informações e dicas para fazer e planear o seu roteiro pela vila. Para mim, esta é a melhor forma de começar a visita a Melgaço: a Praça da República.

✈ Como chegar:

Em virtude de querer conhecer um pouco a região do Alto Minho, visto que ia fazer uma viagem de quase 500 km, optei por ir de avião numa companhia low-cost para o Aeroporto do Porto. É a melhor opção relação custo-tempo. De seguida, optei por alugar uma viatura para ir para o concelho de Melgaço. A partir do Aeroporto do Porto (Maia), deve seguir pela A41 (IC24) até à saída para a A3 (Parede), em direcção a Braga (via Valença). De seguida, opte pela N101 que liga Valença a Monção. Deverá prosseguir pela N202 até à vila de Melgaço. Se quiser prosseguir para a aldeia de Castro Laboreiro, desde a vila de Melgaço, opte pela N202 em direcção a Lamas de Mouro. De seguida, opte pela N202-3 rumo à aldeia serrana. Tenha atenção às vacas cachenas e ao nevoeiro denso que costuma aparecer ao longo do trajecto rodoviário.

🏠 Onde ficar:

No concelho de Melgaço existem inúmeras opções económicas de alojamentos, consoante o número de dias que irá ficar para conhecer a região do Alto Minho e do Parque Peneda-Gerês. Nas proximidades das Termas de Melgaço, o Hotel Boavista II (3 Estrelas) é uma excelente ideia para quem queira ficar na vila de Melgaço. Já na aldeia de Castro Laboreiro recomendo duas opções distintas: uma unidade Hoteleira (Hotel Castrum Villae) e um alojamento local (Moinhos do Poço Verde). Na minha opinião, ambas as escolhas são recomendáveis. Todavia, se gosta de um ambiente tranquilo e longe da confusão, os Moinhos do Poço Verde são a melhor opção para “meditar” na natureza envolvente do Parque Nacional Peneda-Gerês. Este turismo rural é ideal para quem queira ficar um fim-de-semana.

🍜 Onde comer:

Na vila e nos arredores do concelho de Melgaço existe uma diversidade de espaços gastronómicos que são um convite a uma tertúlia pelos sentidos e sabores da cultura gastronómica melgacense. Vejamos, a Adega Sabino é um dos melhores espaços para saborear a gastronomia local e regional do Alto Minho. Afinal, o “Sabino” é um verdadeiro “embaixador” da cultura gastronómica melgacense. Na minha opinião, a sua simplicidade em acolher no seu espaço gastronómico, torna-o especial. A sua adega conquistou-me pelo paladar e pelos aromas do alvarinho, bem as indicações para fazer uma prova de vinhos no Solar do Alvarinho. Recomendo as pataniscas, os nacos de vitela, o bucho doce e o vinho Alvarinho Torre de Menagem. Nas proximidades do Mosteiro de Paderne, optei por jantar na Tasquinha da Portela. Na minha opinião, um dos melhores restaurantes do concelho de Melgaço. Recomendo o pão de alho, o Polvo à lagareiro, o vinho branco da casa (mistura de alvarinho), bem como os licores da casa. E a simpatia da gerência são bons motivos para voltar. Para quem quer lanchar, a pastelaria e salão de chã Aromas & Caprichos é um excelente motivo para deliciar-se com a mistura da pastelaria francesa com produtos regionais. Nas proximidades de Castro Laboreiro, o Brandeiro é um dos melhores restaurantes do concelho de Melgaço. Trata-se de boa sugestão gastronómica para visitar a castiça aldeia da Branda da Aveleira. Supera pela sua localização geográfica e variedade gastronómica os restaurantes de Castro Laboreiro: o Miradouro do Castelo e o Miracastro. A nivel gastronómico, recomendo os nacos de carne chacena. Infelizmente, não se apanha muita rede de telemóvel no restaurante. Optamos por saborear o momento a solo. A vida sabe melhor.

Nota importante [👤]

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💻 Texto: Rafael Oliveira 📷 Fotografia: Oliraf Fotografia 🌎

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Fotografia✈︎Viagens✈︎Portugal © OLIRAF (2018)

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📌À descoberta do Castelo de Beja: um olhar fotográfico de um “Guerreiro de Pedra”…

 Castelo Medieval de Beja: um dos mais belos “guerreiros de pedra” da região do Alentejo. Destaca-se a imponente torre de Menagem Medieval do Castelo de Beja. Trata-se da maior de Portugal com quase 40 metros de altura. Daqui, contemplamos a  paisagem em redor e os campos de cereais, o que demonstra a  importância histórica, política e militar desta cidade milenar, fundada pelos Romanos: a Pax Julia. Aliás, segundo as fontes tradicionais, o local onde está o castelo era o antigo castrum de origem romana. Através deste exemplo, podemos comprovar que as fortalezas medievais eram formas de ostentação social, económica,militar e de autoridade dos seus senhores. Sabia que o monarca D.Manuel I (1495-1521), o Venturoso, foi Duque de Beja? Dai, o significado da simbologia nesta fortificação militar: a esfera armilar. Falar de Beja, a meu ver, é falar do seu castelo. E claro da sua imagem de marca: a torre de menagem. É obra!

Como forma de espelhar a minha visita a Beja, decidi seleccionar as 8 melhores imagens deste spot fotográfico. Apesar da subjectividade visual, uma escolha pessoal, espero que gostem. Deixo-vos, assim, o Best of da minha incursão fotográfica a este “guerreiro de pedra” do Baixo Alentejo.

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Vista parcial da Torre de Menagem do Castelo de Beja

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Arco romano junto às muralhas medievais

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Aspecto geral da Casa do Governador da Alcáçova do Castelo de Beja

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Sala de armas do interior da Torre de Menagem. Na imagem, a estátua do “O Lidador”.

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Vista parcial do centro histórico e da paisagem envolvente da cidade de Beja

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Esfera armilar, uma das divisas do rei D.Manuel I (1495-1521)

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Vista geral da torre de menagem e muralhas medievais do castelo de Beja

Para mais informações:

O website do Turismo do Alentejo – Visit Alentejo – oferece informação atualizada sobre a região. É a melhor opção para começar a planear uma visita à cidade de Beja. Já o Posto de Turismo de Beja  permite descarregar mapas e um conjunto de informações sobre os transportes públicos, locais de interesse, museus, gastronomia, entre outros. Importa salientar que poderá encontrar o posto de turismo para saber mais informações e dicas para fazer e planear o seu roteiro pela cidade. Importa salientar que o posto de turismo está situado na Casa do Governador, no interior do Castelo de Beja. Horário: Das 10h00h às 13h00 e das 14h00 às 18h00.

✈ Como chegar:

Apesar de ter um Aeroporto, a maioria das pessoas utiliza o transporte rodoviário e ferroviário para deslocar-se à capital do Baixo Alentejo. Desde a cidade de Évora, a minha opção recai sobre o transporte ferroviário. Apesar de ter ficado cerca de duas horas à espera do Inter-Cidades de Lisboa na estação de Casa Branca, a viagem de comboio valeu pelas paisagens onde predomina a monocultura do cereal e pelos azulejos que dão cor à estação desta cidade. Todavia, a melhor relação custo-tempo é o transporte rodoviário. A Rede de Expressos ou a Rodoviária do Alentejo faz ligações diárias entre Évora e Beja, bem como outras cidades do nosso país.

🍜 Onde comer:

Para conhecer verdadeiramente uma região ou um lugar, o viajante tem degustar os sabores, os aromas e a forma como as gentes locais os cozinham e,acima de tudo, combinam. Situado junto à emblemática Torre de Menagem de Beja, o Dom Dinis é uma boa sugestão gastronómica. Para quem quer um sítio calmo e saborear umas boas migas de espargos alentejanas ou um grelhado de porco preto, este restaurante tem uma boa relação do custo-qualidade. Na minha opinião, o espaço vale pela sua autenticidade e simpatia das suas gentes. A ir.

Nota importante [👤]

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linhagraficaALL-oliraf-03💻  Texto: Rafael Oliveira  📷 Fotografia: Oliraf Fotografia 🌎

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 FOTOGRAFIA✈︎VIAGENS✈︎ESPANHA © OLIRAF (2018)

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📌 À descoberta do Museu Militar de Elvas: um olhar fotográfico…

Elvas foi a “sentinela” do Reino de Portugal. Segundo o historiador Rafael Moreira (1986:80), “Do rigor teórico à urgência prática: a arquitectura militar, História da Arte em Portugal, vol. 8”, a cidade alentejana de Elvas foi o primeiro espaço fronteiriço a ser “fortificado de modo permanente” durante e depois da Guerra da Restauração em 1640, sendo então designada capital militar do Alentejo e a mais importante praça-forte que assegurava a Independência de Portugal, em virtude de estar a menos de 10 km da fronteira luso-espanhola. O Museu Militar de Elvas é um reflexo desta importância histórico-militar para o nosso país. De facto, este espaço museológico contém um dos mais importantes acervos bélicos de Portugal Continental, onde podemos contactar com o passado histórico-militar com mais de três séculos. Importa salientar que, em 2012, a cidade de Elvas foi classificada Património Mundial da Humanidade como “CIDADE-QUARTEL FRONTEIRIÇA DE ELVAS E SUAS FORTIFICAÇÕES”, tendo recebido mais de um milhão de visitantes desde a sua distinção pelo comité da UNESCO.

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Incorporado no seio das fortificações abaluartadas (1645-1653), da autoria do jesuíta João de Cosmander, designadamente nas antigas instalações do Regimento de Infantaria 8 (Convento de São Domingos, a Muralha Fernandina e parte das muralhas e baluartes Seiscentistas), este espaço museológico tem inúmeros pontos e elementos  expositivos de interesse, tais como, o Centro de Interpretação do Património de Elvas, a História do Serviço de Saúde do Exército, o salão de Hipomóveis e Arreios Militares e inúmeras viaturas bélicas que fizeram parte da história-militar de Portugal do séc. XX. Tem como missão a “a promoção, a valorização, o enriquecimento e a exposição do património histórico-militar à sua guarda”, pode ler-se no site. Faz parte da Rede Portuguesa de Museus (RPM) da Direção Geral do Património Cultural (DGPC).

Trata-se do maior museu em área de implantação de Portugal. Ao todo são 150.000m2 e uma área coberta de 14.000m2. Actualmente a área deste espaço museológico ultrapassa os 3.500m2. Com uma elevada carga arquitectónica e histórica, este espaço tem um valiosíssimo património onde se História da cidade de Elvas e de Portugal. Pedras com História. O Quartel do Casarão faz parte de antigas dependências construídas no séc. XVIII, depois da campanha de 1762-63 pelo engenheiro militar Valleré, autor da traça do Forte de Nossa Senhora da Graça. Trata-se de um conjunto de antigas Casernas do Quartel da Cavalaria, hoje ocupadas por circuito expositivo sobre as comunicações do Exército Português. Cada uma ostenta um nome de um combate onde a arma de cavalaria se notabilizou, designadamente nos sertões de África nos finais do séc.XIX. mantendo ainda hoje a sua traça original.

O Salão Hipomóvel está localizado numa sala do inicio do séc XIX, quando uma parte do espaço era ocupado quartel de cavalaria, houve a necessidade de construir cavalariças para alojar 500 cavalos e milhares de soldados, estas desenvolviam se ao longo de toda a atual parada Mouzinho de Albuquerque, num comprimento total de 120 metros. Chegados a meados do séc XX, com a sucessiva substituição da força motora dos equinos pelos automóveis, e com a necessidade de proporcionar condições mais dignas aos militares que aqui prestavam serviço, foi desanexada parte da cavalariça para adaptação a refeitório de praças.

As salas de dedicadas ao armamento rebocado por animais (Hipomóveis), na sua quase totalidade artilharia, podemos encontrar exposto os seguintes objectos bélicos: tiro de Artilharia composto por 3 parelhas, armão de transporte de munições e peça“Scheneider Canet” de 7,5 mm Modelo 1904; Canhão revolve “Hotckiss”de 40mm Modelo 1904. Carro de Ferramenta de Esquadrão Modelo 1907. Peça de Artilharia 11,4 cm tiro rápido Modelo 1917; Ambulância de Campanha Modelo Francês do ano 1890; Peça “AB Bofors” calibre 75mm. Modelo 1934; Caixa de Cirurgia de Campanha com instrumentos e material sanitário.

O “amarelo militar” é uma constante ao longo do espaço exterior do Museu de Elvas, à excepção de um pequeno troço que contém as antigas muralhas fernandinas do séc.XIV. Ainda no exterior, o visitante poderá contactar com armamento pesado exposto ao ar livre, com inúmeras peças de artilharia rebocada. Em primeiro plano, obus de campanha 150mm, “Bofors”, de fabrico sueco, no ano de 1885. Em segundo plano, um obus de campanha de 150mm modelo 1937, de origem nipónica, desconhecendo-se a sua chegada ao nosso país. Ao fundo, podemos visualizar dois obuses de campanha de 140mm modelo 1942, de origem inglesa.

No espaço exterior do Museu Militar, o visitante pode contemplar a área envolvente das fortificações e muralhas abaluartadas da cidade de Elvas. É o caso do Forte de Nossa Senhora da Graça. Para mim, uma das mais belas fortificações do nosso país e, quiçá, do Mundo. De facto, a vista aérea deste fortificação do séc.XVIII espelha a beleza arquitectónica, enquadrada estrategicamente com a paisagem à sua volta. À primeira vista, desde o Quartel do Casarão, esta fortificação parece-nos “inofensiva” à distância. Foi erigido a pensar para resistir a cercos prolongados, atestando a sua solidez e à prova de bomba.

A “Coleção de Viaturas Militares do Museu Militar de Elvas” contém inúmeras viaturas histórico-militares que fizeram parte da História Militar de Portugal.  Na imagem, temos o “burro do mato” Mercedes Benz UNIMOG 411, de fabrico alemão,  foram intensamente usados desde 1957 até aos anos 80. Também esta é uma das viaturas emblemáticas das campanhas de África, podia transportar 10 militares, sem qualquer protecção, mas dispostos (costas com costas) de modo a poderem saltar rapidamente da viatura e reagir a emboscadas.  A icónica CHAIMITE V-200, veiculo da Revolução de 25 de Abril de 1974, que fazia uma visita-guiada pelos espaços do acervo do Museu Militar de Elvas.

Durante o “XI Encontro Nacional de Veículos Militares Antigos / Um Dia no Museu Militar – Elvas 2017”, organizado pelo Exército e pela Associação Portuguesa de Veículos Militares, tive a oportunidade de fotografar e andar em inúmeros veículos militares que fizeram parte da História Militar de Portugal. Com entrada livre, este  evento proporciona um conjunto de actividades pouco vulgares com esta dimensão em Portugal, onde podemos visualizar os veículos e carros de combate que pertenciam ao Exército e que foram recuperadas pela Associação Portuguesa de Veiculos Militares (APVM), em colaboração com o Exército Português. A maioria faz parte do nosso imaginário colectivo (Chaimite, Berliet-Tramagal, UMM, Unimogs,etc), especialmente para os apaixonados por temas bélicos, visto que muitas delas ajudaram a escrever as páginas da História de Portugal.

Os visitantes e os amantes de veículos militares poderão visualizar inúmeras demonstrações dinâmicas de todos os tipos de veículos militares, jipes, pesados de transporte, tratores de artilharia e blindados de combate (alguns exemplares raros), a reconstituição de cenários militares da Guerra colonial Portuguesa, II Guerra Mundial e Vietname, a iniciação à prática de slide e rapel, realizar visitas orientadas por guias especializados às coleções de transmissões e viaturas militares do MME, bem como passeios em veículos militares nos espaços do Museu. Na imagem podemos visualizar duas viaturas: do lado esquerdo um Unimog 404, de origem alemã, e do lado direito o AEC MATADOR 4X4 MA/40/44/46 com reboque de um obus de 140mm M1943, de origem britânica Ambos foram usados no contexto africano, como veículos de transporte de pessoal, material e de  tracção de artilharia, respectivamente.

A Berliet-Tramagal GBC8KT 4X4 com uma metralhadora quádrupla de artilharia antiaérea 12,7 mm m/953, de origem norte-americana. Estes veículos foram adaptados no contexto da Guerra Colonial (1961-1974) e foram chamados a participar em inúmeras operações militares, em virtude da sua extraordinária capacidade em termos de ângulo e capacidade de tiro, sendo capazes de disparar contra alvos aéreos e terrestres. Foi possível comprovar que o material está em perfeita condições.

As reservas do Museu Militar de Elvas: junto às muralhas e baluartes seiscentistas existem inúmeras “carcaças” e peças de antigos carros de combate, veículos de transporte de tropas e artilharia rebocada que fizeram, e fazem, parte do nosso imaginário colectivo e alguns escreveram as páginas da História de Portugal e do Mundo. A maioria das reservas chegou dos inúmeros depósitos de material bélico do Exército Português, encontram-se a céu aberto aguardando a sua hora para recuperação, bem como outras estão colocadas em armazéns. Aguardam colocação na área visitável, consoante a disponibilidade dos voluntários da APVM e do recursos financeiros para comprar material para a sua reabilitação.

Na imagem acima podemos visualizar o icónico carro de combate M4 Sherman, de origem norte-americana, utilizado pelas forças aliadas em vários cenários da IIªGuerra Mundial contra as forças do Eixo. Neste caso, trata-se de um carro de combate do exército português aguardando a sua recuperação pelos associados da APVM, onde o objectivo é “manter a rolar”, evitando assim o esquecimento ou a sua condenação à sucata. Para quem nunca viu ou andou numa Chaimite, por exemplo, o trabalho da APVM proporciona (re) viver os tempos das picadas de África e os acontecimentos do 25 de Abril de 1974.

A Viatura Blindada de Reconhecimento Panhard EBR 75 17 Ton. 7,5cm 8X8 M/1959 é uma dos carros de combate icónicos da Revolução dos Cravos. Ao todo, em 1959, Portugal adquiriu 50 unidades  com a torre FL 10 e peça de 75 mm à França (Anciens Établissements Panhard-Levassor SA) Destas 21 foram enviadas para Angola (ficaram sediadas em Luanda e Silva Porto) e as restantes ficaram em Portugal Continental. Esta viatura esteve ao serviço do nosso país entre 1959 e 1984.

Na imagem acima temos o carro de combate M47 ‘Patton’, de origem norte-americana, que serviu no Exército Português, entre 1952 e 1984, na Escola Prática de Cavalaria. Fez parte de um episódios da Rua do Arsenal e da Ribeira das Naus, espaços onde ficou “decidido” o 25 de Abril de 1974. É gratificante aperceber-me que as autoridades militares estão conscientes da importância da preservação e valorização do património histórico-militar, bem como da sua abertura à comunidade civil. De facto, estes eventos proporcionam momentos lúdicos que nos ensinam a admirar e a olhar para a importância da salvaguarda do material circulante do Exército Português, bem como possibilita um incremento de visitantes para a temática do turismo militar na cidade de Elvas.

Em suma, este olhar fotográfico foi pequeníssima amostra das reservas, dos espaços e elementos que dão corpo ao Museu Militar de Elvas. A meu ver, a Associação Portuguesa de Veículos Militares tem feito um trabalho notável, tendo em conta, os parcos recursos humanos e financeiros à sua disposição. A maioria dos associados faz trabalho voluntário. Acima de tudo, estes nutrem uma grande paixão por veículos que fizeram parte dos episódios da História de Portugal, visto que uma vez por mês passa um fim-de-semana nas oficinas de Elvas a recuperarem os  veículos militares fabricados ou montados em Portugal: os icónicos camiões Berliet-Tramagal, blindados Chaimite, jipes Cournil e Alter da UMM.

Para mais informações:

Turismo do Alentejo

Câmara Municipal de Elvas

Museu Militar de Elvas

Blogue Operacional (Temas Militares)

Coordenadas: 38.881158,-7.159067 (ver no mapa)
Avenida de São Domingos 13,
7350-047 ELVAS – Elvas
+351 268636240
​ ​ ​ ​Horário de Verão (Março a Outubro)
Abertura ​Almoço Encerramento ​Última Entrada
​09H00 ​12H30-14H30 ​19H00 12H00 e ​18H30
Horário de Inverno (​Novembro a Março)
​09H00 ​12H30-14H30 ​17H30 ​12H00 e 17H00
Dia de encerramento: 2ª feira e feriados de 25 de Dezembro e 1º de Janeiro. Para mais informações sobre o Encontro Nacional de Veículos Militares Antigos / Um Dia no Museu Militar – Elvas 2017, contacte a Associação Portuguesa de Veículos Militares pelo email apvmilitares@gmail.com.

 Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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Fotografia✈︎Viagens✈︎Portugal © OLIRAF (2018)

📌 À descoberta da Rota do Mármore: uma viagem fotográfica pela indústria extrativa do Anticlinal de Estremoz…

O Alentejo é um território com vastas e reconhecidas potencialidades estratégicas,  onde podemos incluir o turismo industrial e cultural. A Rota do Mármore do Anticlinal de Estremoz proporciona uma visita a lugares “invisíveis” que não estão acessíveis às massas turísticas. Trata-se, a meu ver, de um excelente exemplo da dinamização turística, cultural e económica da Indústria extractiva do Mármore e do interior de Portugal, designadamente na região do Alentejo. Nesta visita-guiada pelo núcleo de pedreiras de São Marcos, entre os concelhos de Vila Viçosa do Alandroal, o leitor poderá (re) viver a minha experiência fotográfica e saber um pouco mais sobre a excelência e qualidade do mármore do Anticlinal de Estremoz. Sabia que o “Ouro Branco” é extraído, transformado e exportado para todas as regiões do globo terrestre? Sabia que Portugal é um dos principais e maiores produtores de rochas ornamentais do mundo (Mármore e Granito), a seguir a Itália? Sabia que a residência oficial do antigo líder do Iraque Saddam Hussein tinha mármore alentejano?

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Rota do Mármore do Anticlinal de Estremoz, criada pelo Centro de Estudos de Cultura, História, Artes e Património (CECHCAP), é um projecto cultural e de turismo industrial que pretende promover os patrimónios da região alentejana, tendo como ponto de partida o seu recurso endógeno mais abundante: o mármore. Consiste em proporcionar aos visitantes uma experiência invulgar, através de visitas guiadas acompanhadas por uma equipa multidisciplinar (guias-intérpretes, historiadores e investigadores) conhecedores do território, da geologia, da indústria e do património  associado ao mundo do mármore. O objectivo é a promoção de actividades de animação turística, diferenciadora e integradora, através da valorização da história, cultura, arte, a arquitectura, paisagem e gastronomia dos concelhos de Alandroal, Sousel, Borba, Estremoz e Vila Viçosa, visto que a Rota do Mármore AE, está sediada no centro histórico de Vila Viçosa, em plena zona dos Mármores do Alentejo.

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Mármore: o ouro branco da região do Alentejo. A região de Borba, Estremoz e Vila Viçosa constituem o núcleo-base do Anticlinal de Estremoz, uma das mais antigas e produtivas superfícies de extracção de rochas ornamentais em Portugal. As actividades relacionadas com este recurso mineral têm um grande peso na economia regional destes concelhos alentejanos e fomentam a empregabilidade da população local na indústria local, face a uma tradicional ligação ao sector agrícola. O nosso país é o segundo maior exportador mundial desta rocha ornamental, e até a Itália, o maior produtor, compra mármore de origem nacional.  Dai, a importância da certificação desta matéria-prima. Sensivelmente 90 % do Mármore de Portugal é extraído em torno da região de Estremoz: o anticlinal de Estremoz. Esta rocha ornamental é extraída e utilizada há mais de dois mil anos, desde a época romana e islâmica.  O Templo Romano de Évora, a Mesquita de Córdoba ou o Palácio de Vila Viçosa são magníficos exemplos da utilização arquitectónica desta rocha ornamental.

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Um pouco de Geologia…

O Anticlinal de Estremoz situa-se, em Portugal, na região do Alentejo, encerra um um dos principais centros mundiais da indústria extractiva de mármores para fins ornamentais denominado Zona dos Mármores. Localiza-se no sector setentrional da Zona de Ossa – Morena (ZOM), em Portugal, a cerca de 150 quilómetros a leste da cidade de Lisboa. Faz parte de um importante estrutura geológica em que diferentes rochas se distribuem no espaço por acção da deposição de sedimentos e materiais provenientes de antigos vulcões que terão acumulado numa bacia de sedimentação em estratos sensivelmente horizontais. Em virtude da acção das forças tectónicas, todos estes sedimentos foram transformados e deformados, originando, respectivamente, rochas metamórficas e dobras na crosta terrestre, fazendo com que as rochas que se encontravam umas sobre as outras passassem a estar lado a lado.

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No fundo, um Anticlinal é uma estrutura geológica geometricamente simétrica, em que a convexidade está voltada para cima, denomina-se antiformas (o núcleo destas estruturas contém as rochas mais antigas). Que tipo de mármores podemos encontrar no Anticlinal de Estremoz? Podemos encontrar diferentes mármores de inúmeras cores, tais como, os cinzentos e por vezes escuros (mármore azul e ruivina), Mármores claros, cremes e róseos limpos ou de vergada fina castanha e acinzentada e Mármores claros com vergada, róseos e creme com vergada xistenta espessa. 

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A primeira parte da visita-guiada consistiu num percurso pedestre pelo núcleo de pedreiras de São Marcos, nas proximidades de Vila Viçosa (EN 255), onde o visitante é elucidado pela importância geológica, histórica, económica, cultural e ambiental da exploração desta rocha ornamental  no Anticlinal de Estremoz, sempre respeitando as indicações de segurança (uso de capacete e colete reflector) e as normas básicas de civismo, visto que as explorações são propriedades privadas. Comprovamos, através de uma panorâmica do local, que a fisionomia de uma pedreira é ditada pelos seguintes factores: a topografia, pela disposição dos filões e pela adaptação de materiais e técnicas usadas na exploração. Antes de iniciar a lavra, a primeira operação é a limpeza do mato à superfície e a remoção de rochas consideradas inferiores. De seguida, após a instalação da maquinaria de suporte à pedreira, a exploração económica dos recursos poderá ser feita por bancadas ou por fossas.

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No Anticlinal de Estremoz existem cerca de 200 pedreiras em actividade para um total de, aproximadamente, 370 cortas existentes e estas unidades extractivas espalham-se pelos vários núcleos de exploração e transformação. A maioria das pedreiras são a céu aberto e tem uma profundidade que varia entre os 15 e os 50 metros, existindo no entanto explorações com profundidades mais elevadas, possuindo a mais profunda cerca de 110 metros. Aliás, existem explorações que fazem, excepcionalmente, lavra em galeria.

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Para atingir tais profundidades, as firmas e os trabalhadores da indústria do mármore utilizam o fio diamantado para o corte de grandes blocos de mármore. Este fio surgiu para substituir as inconveniências técnicas do fio helicoidal, visto que as rochas ornamentais como os granitos são materiais com grande resistência que os mármores. Dai, a sua aplicação à indústria extrativa do mármore. A escolha de um fio tem sempre em consideração os  factores de produtividade e a tecnologia utilizada no corte (máquina em que irá trabalhar, a pedra que o cliente irá serrar, a maior  durabilidade e a rapidez do corte).

 

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As gruas tipo Derrick são maquinismos com um grande impacto visual, económico e tecnológico nas explorações de extracção do mármore. Estas começaram a ser montadas e utilizadas a partir do final da década de 60 do século passado, após a finalização da construção da ponte Salazar (actual Ponte 25 de Abril), visto que os equipamentos usados para a construção das infra-estruturas foram vendidas a diversas firmas portuguesas pela responsável da obra, a United States Steel Export Company, incluindo algumas empresas metalomecânicas que adaptaram-nas às pedreiras locais de indústria extrativa do AntiClinal de Estremoz.

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Em virtude de a lavra fazer-se em céu aberto e cada vez a profundidades mais profundas, as gruas tipo Derrick passaram a ser maiores para retirar grandes blocos de pedra, substituindo, assim, o arrastamento com recurso aos Crapauds pela elevação. Trata-se de um dispositivo fixo, constituído por um grande mastro que gira mas não se inclina, que se move para cima e para baixo para elevar ou baixar pesos. Para suportar a distribuição do peso da estrutura de metal, estas gruas eléctricas são munidas de dois ou mais braços laterais fixados ao solo.

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Todavia, a exploração de mármores no Anticlinal de Estremoz apresenta alguns problemas relacionados com a evolução da actividade da lavra intensiva. Sabia que num século extraiu-se mais mármore que em dezanove séculos? Estas alterações resultam da evolução do processo extrativo e inovação tecnológica  proporcionada ao longo do século XX, promovendo uma rápida exploração esgotamento da matéria-prima, bem como a degradação e fracturação dos mármores devido à concentração de tensões junto dos taludes. De facto, a maioria das pedreiras são encerradas, pós o corte, arranque e remoção dos blocos de mármore de várias toneladas, e por norma aterrada com recurso à pedra extraída, amontoada nas escombreiras, mas não valorizada economicamente.

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As escombreiras acumulam enormes quantidades de depósitos de material não comercializado e acumulado junto às pedreiras, o que causa grande impacto visual, ambiental e económico na exploração do território envolvente às pedreiras. A Rota do Mármore tem alertado as empresas do sector para esta situação, bem como tem contribuído para a educação e preservação ambiental, através, de um conjunto de percursos distintos que alertam para o reordenamento do sector extractivo e a necessidade de compatibilização da actividade extractiva com a exploração turística sustentável do território do anticlinal de Estremoz.

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Na segunda parte da visita-guiada, os visitantes puderem acompanhar o quotidiano de uma unidade industrial de transformação de mármore: a Margrimar – Mármores e Granitos, S.A. Aqui, podemos visualizar diferentes processos industriais que transformam esta rocha ornamental para ser utilizada na construção civil, sejam em grandes obras públicas ou pequenas obras privadas. Verifica-se uma grande utilização de diversas tecnologias  que utilizam discos e láminas diamantadas  nas diversas máquinas de corte desta rocha ornamental o que, por sua vez, revelam um grande consumo de água para evitar a quebra das mesmas durante o processo de corte. Após o corte dos blocos de mármore em diversas dimensões, conforme as necessidades dos clientes, as mesmas são alvo de um processo de embalagem em paletes de madeira aguardando o destino final para outras latitudes.

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Nesta unidade industrial, o visitante pode ainda contactar com um poucos exemplares do guincho diferencial (Crapaud) produzido pela empresa Joaquim José Ramos. Estes “veículos” motorizados de origem belga foram utilizados na extracção do mármore, a partir da década de 40 do século XX, em inúmeras pedreiras da região do Alentejo. Trata-se de uma inovação tecnológica (Arqueologia Industrial) produzida pelas empresas metalomecânicas locais, de que ainda subsiste um exemplar, para a indústria dos Mármores. Importa salientar que estes Crapauds eram cópias de modelos de empresas estrangeiras, adaptadas e melhoradas tecnologicamente em função das necessidades e realidades da indústria de extracção local. Movidos a diesel, com motores Lister de origem inglesa, podiam mover uma carga máxima de 160 kg /mm2, utilizando o método de retirar blocos de pedra através de elevação por arrastamento, dando, assim, uma maior robustez, segurança, força e capacidade para puxar o mármore.

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O transporte rodoviário é essencial para o escoamento do mármore extraído do Anticlinal de Estremoz, visto que a região do Alentejo é parca em transportes ferroviários de mercadorias (o comboio  de passageiros só tem ligação à cidade de Évora). A meu ver, esta situação deve-se à facilidade de ligações rodoviárias (A6 e N255) com o litoral português (Porto de Setúbal, Sines ou Lisboa) e à proximidade geográfica com a fronteira luso-espanhola que permite exportar grandes quantidades de blocos de mármore para o continente Europeu e outras regiões do globo. Aliás, a maioria das pedreiras da região do Anticlinal de Estremoz situam-se junto a estradas nacionais (N4 e N255) e da auto-estrada que faz ligação a Espanha (A6).

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A fachada do Palácio Ducal de Vila Viçosa (remonta aos primeiros anos do século XVI as obras da fachada principal, sob a ordem do Duque de Bragança D.Jaime) é um belo exemplo da aplicação desta rocha ornamental, em virtude da rara qualidade e beleza do mármore alentejano. De facto, a rocha ornamental desta região portuguesa está presente em abundância no património arquitetónico, histórico e artístico da região, mas também no resto do país e em todo o mundo, o que torna este recurso um digno embaixador de Portugal e do Alentejo. Quem diria que, a mais de 100 metros, em Vila Viçosa,são extraídas toneladas de mármore para ornamentar inúmeros edifícios do Mundo inteiro, por exemplo o Palácio de Versalhes  (França), Mosteiro do Escorial (Espanha), Cidade do Vaticano (Vaticano) e Franklin National Memorial (EUA).

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As pedreiras são o exemplo são o resultado da exploração das paisagens naturais que dão lugar a paisagens industriais,isto é, alteradas pela mão do Homem. Para quem faz a Estrada Nacional 255, entre as localidades alentejanas do Alandroal e Vila Viçosa, não fica indiferente à paisagem envolvente, onde emergem as inúmeras escombreiras e as gruas Derrick, que se sucedem-se à medida que nos aproximamos da terra da poetisa Florbela Espanca. Através desta visita-guiada, dotada de uma temática invulgar e específica e, por isso, não familiar à grande maioria do público, a Rota do Mármore proporcionou-me uma oportunidade de conhecer de forma mais aprofundada o sector da indústria extractiva dos mármores da região do Alentejo. Trata-se, na minha opinião, de um bela comunhão entre o património edificado e o turismo industrial. De facto, o Alentejo é actualmente um território pouco explorado, preservado e seguro  das massas turísticas, onde a sua história é marcada pelo património a descobrir e pela cultura popular que lhe (ainda) conferem identidade e autenticidade. A Rota do Mármore do Anticlinal de Estremoz proporciona uma forma diferente de conhecer uma das mais antigas e produtivas superfícies de extração de mármores do nosso país, bem como a promoção do património edificado (material e imaterial), a típica gastronomia local e as belezas naturais que dão cor, forma e conteúdo ao Alentejo.

A Rota do Mármore AE é…uma forma diferente de conhecer o melhor do Alentejo!

Para mais informações:

Esta visita-guiada foi realizada no âmbito das Jornadas Europeias do Património – 22,23,e 24 de Setembro de 2017, subordinadas ao tema “Património e Natureza. Pessoas Lugares e Histórias”. O caliponense, o Dr. Carlos Filipe, um dos mentores do projeto de Turismo Industrial do Anticlinal de Estremoz, foi o nosso guia nesta viagem pela @rota_do_marmore_ae. O Blogue OLIRAF agradece a visita de contemplação de paisagem natural e edificada ao “Mundo dos Mármores” da região do Alentejo.

Alves, Daniel (ed.), Mármore, património para o Alentejo: contributos para a sua história (1850-1986), Vila Viçosa, Centro de Estudos de Cultura, História, Artes e Patrimónios, 2015.

Rota do Mármore do Anticlinal de Estremoz

Coordenadas 38.776871,-7.418105 (ver no mapa)
Largo D. João IV, 40A
7160-254 – Vila Viçosa
Telefone: +351 268 889 186 / 966 032 646

Nota importante

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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📌 À descoberta de Guimarães: um olhar fotográfico da cidade berço..

“Aqui nasceu Portugal”. Quem chega à Praça do Toural, não pode ficar indiferente a estas palavras. De facto, é a frase que todo o vimaranense tem orgulho de proferir, conta um transeunte local que tive oportunidade de abordar durante a minha “visita-relâmpago” ao Centro Histórico de Guimarães. Há lugares que respiram História. E Guimarães respira…

Guimarães (1)

O Centro Histórico de Guimarães encontra-se classificado, desde Dezembro de 2001, como património mundial da UNESCO. Ao percorrermos as ruas e as ruelas do centro histórico compreendemos a razão da sua distinção. Trata-se de uma cidade bem conservada, onde os seus edifícios e as ruas reflectem a construção e traça arquitectónica desde os tempos medievais até ao presente, com particular incidência entre os séculos XV e XIX.  Confesso que já tinha saudades de deambular pelas ruelas sem mapa e seguir ao sabor da arquitectura do local.

Panorama LargoOliveiraGuimarães

A cada passo respiramos História. Afinal, a cidade de Guimarães é conhecida por ser o “berço” fundador da nacionalidade e identidade Portuguesa. De facto, foi aqui que tiveram lugares os principais acontecimentos políticos e militares (a Batalha de São Mamede, em 1128, entre as hostes de D.Afonso Henriques e da sua Mãe, D.Teresa) que, mais tarde, levariam à independência do Condado Portucalense face ao Reino de Leão, ocorrida em 1139. Dai, a cidade de Guimarães ter um rico passado histórico, visto que  esta associada ao estabelecimento da identidade portuguesa e à língua portuguesa no séc. XII.

Para mais informações:

Turismo de Guimarães

Rota do Românico

Turismo do Porto e Região Norte de Portugal

Escapadinha de 3 dias pela Rota do Românico

Nota importante [👤]

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👤Luís Martins: um olhar fotográfico de uma figura do imaginário popular eborense…

📷 Nas nossas cidades, vilas ou aldeias de Portugal, há sempre uma figura que se destaca no meio do reboliço do quotidiano habitual e fazem parte do imaginário popular das mesmas. Postais vivos que identificam um território. São o rosto do imaginário popular.  O “Beato Salú” é um exemplo. Esta figura carismática deambula pelas ruas e vielas do centro histórico da cidade de Évora. Encarnou uma missão divina, diz ele. Na minha opinião, um Santo Popular. Como afirmou Padre António Vieira: “Há homens que são como as velas; sacrificam-se, queimando-se para dar luz aos outros.”

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O que se faz num fim-de-semana em Évora? Ou depois do trabalho? Fotografar a castiça Évora, sem percurso predefinido e ir ao encontro das gentes. Depois de ter conhecido os principais pontos turísticos e menos conhecidas desta cidade alentejana, optei por conversar com Luís Amaral Martins (o “Beato Salú”). Lá arranjei coragem para pedir-lhe umas fotos. Até parece uma fobia falar e fotografar uma pessoa que vive na rua há mais de três décadas por opção (ou por acreditar em algo). Confessa-me que não gosta de tirar fotos, apesar de ser a figura mais carismática da cidade de Évora. Depois alguns minutos de conversa, junto à Praça do Sertório, ganho coragem e peço-lhe algumas fotografias. Após fazer as ditas imagens, Luís Martins confessa-me: “essas suas fotografias têm a minha energia. Já leva uma parte de mim.” E eu, na minha ingenuidade e curiosidade pelo outro, perguntei-lhe a idade: “Tenho três milhões de anos”.  Na sua “loucura”, a meu ver, ele diz muitas verdades sobre os aspectos da nossa sociedade. À medida que íamos falando, inúmeros eborenses vinham cumprimentar o “postal vivo” da sua cidade e os turistas captavam à distância o rosto deste “Gandalf” local. O seu discurso quase profético, a meu ver, demonstrava um Homem culto e informado que, nas minhas surtidas fotográficas no centro histórico de Évora, captava a ler alguns jornais.

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Quem é o “Beato Salú”? 

Luís Martins é talvez o eborense mais conhecido de Portugal e, talvez, do Mundo. Com mais de sete décadas de vida, fez os seus estudos primários e aos 12 anos tornou-se grumo no café mais emblemático da cidade de Évora: o Arcada. Foi casado e teve um filho, tal como a maioria dos “comuns mortais” desta sociedade. Mais tarde, tornou-se caixeiro viajante, vendendo electrodomésticos pela região do Alentejo. Todavia, houve um momento em que mudou o destino da sua vida. Nos anos 70, numa ida a Fátima, teve uma revelação. Abdicar de tudo, até da família, em nome da sua missão divina. Ainda hoje, não fala com a família. Por opção. Acredita nas energias da natureza e acredita ser uma espécie de “Profeta” de salvar a cidade de Évora das más energias, sejam elas naturais e humanas. Há mais de trinta anos que é fiel a este compromisso divino. Quando toma conhecimento de algum presságio ou calamidade, caminha os dias inteiros entre as arcadas da Praça do Giraldo e da Drogaria Azul, com a sua icónica trolley de viagem, a salvar o mundo local de Évora. É este o seu trabalho, apesar de negar que está sempre a passear ou a descansar num banco de jardim. Há que recarregar energias no seu “O“. Na década de 80 do século XX, o povo de  Évora decidiu meter a alcunha de “Beato Salú”, personificando como o vidente da novela brasileira Roque Santeiro (1975). Acima de tudo, pude comprovar que esta pessoa é uma simpatia, muito culto, informado e sempre disposto a contar as suas estórias de vida.

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Para mim, as imagens têm vários poderes: o de transformar, convencer e comover. A fotografia de rua, de facto, permite ao fotógrafo captar a agitação diária de uma urbe, mostrando os sujeitos, os territórios e as realidades que lhe dão corpo. Por vezes, é ela que nos ensina a olhar e a reflectir para assuntos que a nossa mente nem se atreve a imaginar. Mas é esta realidade cruel, e ao mesmo tempo bela, do mundo que me faz apreciar tanto este género fotográfico. Nunca mundo onde cada vez temos menos tempo para sentir e ver, é necessário, a meu ver, parar e olhar para aquilo que nos rodeia. Ah, a eterna máxima de Robert Capa: “Se uma foto não está boa o suficiente , então é porque você não se aproximou o suficiente“. É caso para dizer: aproximem-se!

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Luís Martins é, sobretudo, um ser humano.  Um “monumento vivo” de Évora (sem o selo da UNESCO). São estas pessoas que fazem parte da memória popular e urbana de uma cidade. Quem disse que é preciso ir ao outro lado do Globo, captar olhares diferentes e genuínos? No Alentejo, e no interior de Portugal, podemos captar a essência das gentes humildes que dão rosto, corpo e alma a um território. Apesar da sua loucura, esta não deixa de ter alguma razão. Como afirmou a poetisa Florbela Espanca: “Afinal, quem é que tem a pretensão de não ser louca? Loucos somos todos, e livre-me Deus dos verdadeiros ajuizados, que esses são piores que o diabo!“. Dá vontade de ir a Évora, e nunca mais sair!

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📌 À descoberta de Silves: um olhar fotográfico da “Alhambra Portuguesa”…

Silves ou a Xilb de Al-Mu’tamid. Outrora a mais importante cidade do Algarve, tanto na época islâmica (aqui era a capital do Al-Gharb) e, depois da conquista cristã, do Reino do Algarve. Mais tarde, Silves iria perder importância para Faro. Não é por mero acaso que estamos no maior e no mais peculiar castelo do Algarve (desde a época muçulmana), edificado com a pedra da região envolvente: o grés vermelho. Atrevo-me a chamar-lhe a “Alhambra Portuguesa”,mas em formato miniatura. Trata-se da jóia da arquitectura militar da época islâmica em Portugal.  Já tinha cá estado em 2008 durante a minha viagem de ferry-boat entre a Ilha da Madeira (Funchal) e Portugal Continental (Portimão). Sim, quando havia ligação marítima entre o Arquipélago da Madeira e Portugal Continental. Não vamos falar de politica, certo? Nessa época,  não tinha a ideia de criar um blogue pessoal,mas tinha o gosto de fotografar os belos exemplares do nosso património histórico-militar: os Castelos. Quem diria que iria voltar aqui, desta vez, oito anos numa blogger trip. A vida dá muitas voltas e, em muitos casos, 180º.

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Atravessamos a antiga ponte medieval do rio Arade e dirigimos-nos para o centro histórico desta cidade algarvia, onde iríamos ter uma visita-guiada ao Museu Municipal de Arqueologia de Silves. É o resultado das escavações arqueológicas desenvolvidas ao longo do séc.XX. No centro do espaço, podemos visualizar um Poço-Cisterna da época Almóada (séculos XII-XIII), descoberto após escavações arqueológicas decorridas nos anos 80 do séc. XX . Esta hoje classificado como Monumento Nacional. É apartir dela – o ex-libris do discurso expositivo – que fazemos o percurso  desta visita guiada com a Dr.ª Dr.ª Maria José Gonçalves, actualmente arqueóloga do Município de Silves. Trata-se de uma académica especializada em cidades medievais islâmicas, nos campos da arqueologia e da história. E isso denota-se no seu discurso. Levei, literalmente, uma lição de História e de Arqueologia.

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Prato de Mesa  da Época Omíada (séculos VIII-IX)

Apresenta-me, passo-a-passo, o acervo do Museu, na sua maioria proveniente das escavações arqueológicas efectuadas na cidade e concelho. O acervo reúne um conjunto de objetos desde o Paleolítico até ao período Medieval. Constato que há imensos achados arqueológicos em quantidade, mas que valem pela sua qualidade e excepção de ornamentos e pictóricos. E como Silves era a principal cidade do Gharb Al-Andalus, este museu tem no seu acervo um grande destaque para o Período Islâmico – Omíada, Califal, Taifa, Almorávida e Almóada, desde o século VIII ao século XIII, ou seja, ao período cronológico da ocupação árabe ao que hoje corresponde ao território algarvio. O visitante que percorrer este espaço museológico irá compreender a importância da cidade de Silves no período islâmico. Silves é legado mais vivo e duradouro do património islâmico em Portugal. Dai, ter-me demorado mais por esta cidade emblemática.

Depois da visita ao espaço museológico, inserido na antiga medina de Silves, fomos visitar o antigo alcácer islâmico: o actual Castelo Silves. A sua pedra avermelhada – grés de Silves – dá outra cor e magnificência a este antigo complexo bélico. Digo actual, visto que, nas décadas de 30 e 40 do Século XX, a Direção de Monumentos Nacionais uniformizou a traça dos Castelos Medievais Portugueses, muitos deles em estado de ruína, à imagem do Castelo de Guimarães. Como Portugal fez-se da conquista de território aos Mouriscos, não interessava para o Estado Novo – regime ditatorial – manter esse legado, mas sim o papel fundador de Guimarães na construção  e formação da identidade Portuguesa. O que diria  Al-Mu’tamid se visse a sua amada Xilb nos dias hoje? Apesar de tudo, dedicaria-lhe um poema…do seu declínio.

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Os Muçulmanos aproveitaram muitas técnicas de construção romanas para a construção das suas muralhas defensivas, por exemplo, sob a forma de silharia de tipologia romana redisposta num padrão regular, a soga e tição. Actualmente, este é um dos poucos exemplares existentes nas muralhas de Silves que, ao longo dos séculos, foi sofrendo inúmeras alterações efectuadas pelo Homem e pelo tempo.

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Durante a descoberta da Rota Omíada, Abderramán I, Al-Mutamid, Al-Idrisi e,Ibn Darraj al-Qastalli, foram excelentes companheiros de viagem…interior. Shukran. Mais do que uma viagem pela história, foi uma “panóplia” de experiências pessoais e colectivas que podem ser partilhadas digitalmente,mas que devem ser vividas na primeira pessoa. É isso que convido o leitor do blogue OLIRAF a fazer: viver estas experiências. Não haverá melhor sensação do que sair da nossa “zona de conforto”?  👌

Como chegar

A partir de Lisboa optei por reservar uma viagem em Alfa pendular, através da Comboios de Portugal. Faro era a minha base para efectuar a Rota Omíada do Algarve. Para tal, optei por alugar uma viatura rent-a-car para fazer a ligação entre os diversos pontos histórico-culturais desta rota. Na maioria dos casos, utilizei a via do Infante (A22) e a Nacional 125. No caso da ida para Alcoutim, optei pela A22 até Castro Marim e depois o IC27 (Beja) até Alcoutim (N122-1).

Onde ficar

Restaurante Ria Formosa

Praça D. Francisco Gomes, Nº2 8000-168 Faro Portugal
+351 289 830 830

✉️ Email: reservas@hotelfaro.pt

Para mais informações:

Região de Turismo do Algarve

Direcção Regional de Cultura do Algarve

Blog Turismo do Algarve

Projecto Umayyad Route 

Turismo do Algarve – Rota Omíada do Algarve (Folheto + App)

Nota importante

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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Fotografia•Viagens•Portugal © OLIRAF (2016)

Contact: oliraf89@gmail.com

📌 À descoberta do Cais palafítico da Carrasqueira: um olhar fotográfico das vivências do Alentejo Litoral…

É uma viagem constante (re)descobrir o estuário do Sado e uma parte do Alentejo que se abre ao oceano Atlântico: o Alentejo Litoral. Aqui, o viajante ou o turista poderá avistar uma imensa faixa de costa que, desde a Península de Tróia até ao Cabo de Sines, proporciona exuberantes e convidativas praias com um ininterrupto areal. Trata-se de uma das mais calmas, genuínas e tradicionais regiões de Portugal, onde o património natural e edificado continua bem preservado, e onde encontramos gentes que tornam a experiência de viagem mais enriquecedora.

O Cais Palafítico da Carrasqueira é uma engenhosa e criativa solução da comunidade piscatória da Carrasqueira (Comporta, Alcácer do Sal) para resolver o problema de acesso aos barcos durante a baixa-mar. As estacas de madeira penetram no sapal e estendem-se como os “tentáculos de um polvo” até ao estuário do Sado. Neste porto piscatório, os barcos atracam e no passadiço circulam as redes, os apetrechos, pescado e, mais recentemente, inúmeros turistas e curiosos para captar fotograficamente o espaço e o meio envolvente. Trata-se de um dos ex-líbris turisticos do concelho de Alcácer do Sal.

Quem visita a Comporta, a meu ver, não pode deixar de conhecer o cais palafítico da Aldeia Piscatória da Carrasqueira, único no continente europeu. Para quem navega nas tempestuosas águas da World Wide Web, verifica que é um dos locais mais procurados por fotógrafos amadores e profissionais para testar as suas técnicas e capturar genuínas imagens de paisagem e da comunidade piscatória local. E para quem gosta de fotografia documental, este local é de visita obrigatória para ir com tempo e com calma.

Ao percorrer os passadiços de madeira, os barcos e as casas que abrigam os utensílios usados na faina sucedem-se, tais como, as cores e as formas das últimas. Trata-se de um belo testemunho da arquitectura popular e das vivências das comunidades locais de pescadores e mariscadores que se estabeleceram na segunda metade do século XX, nesta área do estuário do Sado.

Aqui, no extremo norte do Baixo Alentejo, na margens da reserva natural do estuário do Sado, o viajante poderá encontrar uma outra noção de paisagem: a aquática. Além disso, o viajante pode adquirir pescado e bivalves aos pescadores locais. Note-se que uma parte do choco serve às inúmeras ementas e iguarias desta região. Uma experiência inesquecível para qualquer pessoa que visite esta terra muito peculiar.

wp-image-1673209097Durante a minha descoberta deste pitoresco local, algo captou a minha atenção quando vagueava pelos passadiços do Porto Palafitico da Carrasqueira: um casal de pescadores manuseando as redes. De repente, veio à cabeça, a eterna máxima de Robert Capa: “Se uma foto não está boa o suficiente , então é porque você não se aproximou o suficiente”. É caso para dizer: aproximem-se!

 

wp-image-622814112A região de Alcácer do Sal, desde a época muçulmana, foi um grande centro industrial de construção naval. Ao percorrermos a N253, entre a praia da comporta e Alcácer do Sal, verificamos a existência de inúmeras matas de pinho, vitais para a reparação e construção naval de pequenas e grandes embarcações.Hoje em dia, ao fundo, verificamos a presença da unidade industrial de reparação naval a Setenave da Mitrena (ex-Lisnave), bem como de navios aguardando a sua vez no estuário do Sado.

wp-image--140368371No vale do rio Sado, perto de Alcácer do Sal, a rizicultura (arroz) tornou-se muito mais rentável do que a cultura do trigo. O sapal da Carrasqueira é um bom exemplo do aproveitamento dos terrenos para fins agrícolas, tendo um pequeno dique para impedir as inundações. Actualmente, no Alentejo, a cultura do regadio sobrepõe-se , pouco a pouco, à cultura de sequeiro…

 

Após a visita ao Porto Palafítico, volto para a Aldeia da Carrasqueira onde, por mero acaso, deparou-me com uma habitação tradicional destas paragens: uma antiga dos pescadores que assentaram vida na segunda metade do século XX. Os habitantes locais dizem-me que existem mais casas tradicionais para os “lados de Grândola”, designadamente na freguesia do Carvalhal. Ao despedir-me desta castiça aldeia Alentejana, vêm-me à cabeça o seguinte pensamento: “Quando o engenho do Homem caminha em comunhão com a Natureza, a obra nasce. Aqui, o Homem adaptou-se ao meio.”

 

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O que pode fazer:

1. Se gosta de fotografar o pôr-do-sol, as  águas calmas do Sado atingem o seu nível mais elevado proporcionando imagens singulares do espelho de água envolvente;

2. Se gosta de turismo de natureza e observação de aves, o Estuário do Sado apresenta um circuito de caminhada e uma das maiores concentrações de aves limícolas do país;

3. Compre pescado e bivalves aos pescadores e mariscadores locais;

4. Saborear num restaurante local da Aldeia da Carrasqueira, um belo choco frito.

Como chegar:

De Alcácer do Sal, poderá aceder à área sul da reserva do Estuário do Sado, devendo utilizar a N253 na direção da praia da Comporta, e junto ao km 4 desta estrada, voltar à direita na direção da aldeia da Carrasqueira. De seguida, terá de atravessar uma estrada de terra batida, que conduz ao Porto Palafitico da Carrasqueira.

Para mais informações:

Câmara Municipal de Alcácer do Sal (Turismo)

Herdade da Comporta

Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF)

Visit Alentejo (Litoral Alentejano)

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

linhagraficaALL-oliraf-03💻  Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷

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Fotografia✈︎Viagens✈︎Portugal © OLIRAF (2017)

📩 Contact: oliraf89@gmail.com

 

📷 “Alentejo – Olhares Fotográficos”: o Álbum Fotográfico da Saal Digital Portugal…

Entre Março e Setembro de 2017, tive oportunidade de viver, trabalhar e viajar pelo Alentejo. Visitei inúmeras cidades, vilas e aldeias desta região bem portuguesa, com a minha pequena máquina fotográfica Fujifilm X-T10. Contactei com o imenso património natural, edificado e, acima de tudo, com as gentes, igualmente com os seus problemas.
À série de fotografias que resultou da minha experiência, todas a cores, optei por criar um Álbum Fotográfico Alentejo – Olhares Fotográficos“.
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Trata-se de uma retrospectiva pessoal, como fotógrafo amador, composto por uma selecção de 30 fotografias da minha conta do Instagram, referente as minhas itinerâncias na região do Alentejo, no sul de Portugal. Cada fotografia deste álbum fotográfico procura captar a memória do passado, a contemplação da paisagem natural e das gentes que dão vida a esta região bem portuguesa. Aliás, o meu primeiro “devaneio fotográfico” ocorreu durante uma visita ao castelo de Montemor-o-Novo, “corria o ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2006″. A partir desse momento, nunca perdi a ligação afectiva à região do Alentejo. E, claro, à arte fotográfica.
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Porquê a escolha do Alentejo?
Trata-se de uma das mais calmas, genuínas e tradicionais regiões de Portugal, onde o património natural e edificado continua bem preservado, e onde encontramos gentes que tornam a experiência de viagem mais enriquecedora. Eis alguns pontos fortes desta região portuguesa:
  •  Paisagem natural (Serra de São Mamede, Alqueva e Serra de Ossa);
  •  Gastronomia tradicional;
  •  Património Mundial UNESCO (Évora e Elvas);
  •  Praias (Comporta, Zambujeira do Mar e Vila Nova de Mil Fontes);
  •  Turismo Industrial (Rota do Mármore);
  •  Enoturismo (Ervideira, Cartuxa e João Portugal Ramos);
  •  Gente afável, próximo,  simpático e sempre a ajudar os “forasteiros”.

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O que é Saal Digital?

Tomei conhecimento desta empresa, e do respectivo produto, através da rede social Instagram. Notei que a Saal Digital está a fazer um forte investimento e captação de público e clientes para testar os seus serviços e produtos digitais relacionados com a impressão de material fotográfico. Foi a primeira vez que pedi a impressão de um álbum digital. E não fiquei arrependido. De uma forma geral, a qualidade do produto, do serviço e software de edição deixou-me com uma boa  impressão.

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"A Saal Digital Portugal permite tornar a tua paixão em algo palpável e para a posterioridade"
Os Álbuns digitais e produtos fotográficos são personalizados com uma qualidade profissional. Eu fiquei impressionado com a qualidade de impressão das minhas fotografias, mesmo não tendo a melhor qualidade gráfica. Já imaginou não ter o logo do fabricante. Fantástico. Optei por Álbum digital 15 x 21 – e pela encadernação panorâmica, visto que permite ao utilizador inserir fotografias em páginas duplas sem perder qualquer detalhe gráfico. A meu ver, a abertura 180º é ideal para colocar imagens de grande tamanho, neste caso, panoramas. A qualidade é suberba! Tanto das imagens como do material. É uma sensação maravilhosa folhear as minhas aventuras fotográficas  Para além disso, eles oferecem um software próprio para instalar no computador para fazer o projecto fotográfico. Em relação ao prazo de entrega, a meu ver, foi rápido e a embalagem vinha devidamente acondicionada.
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Se és amante da fotografia…

Se ficou curioso, visite a página oficial e o Instagram da Saal Digital Portugal ou caso tenha alguma questão relativamente à Saal Digital, pode entrar em contacto com o serviço de apoio ao cliente: suporte@saal-digital.pt 
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Um pouco de História…sobre a origem dos Álbuns Fotográficos!
Luís Pavão, um dos maiores conservador de colecções fotográficas em Portugal, afirma que os Álbuns Fotográficos constituem um “universo muito particular (…), onde as fotografias complementam-se mutuamente estabelecendo inter-relações que as enriquecem, não só individualmente como no conjunto. A existência de eventuais legendas, notas acrescentadas à mão, recortes de jornais e outro tipo de anotações ajudam a compreender o todo.Um álbum é no fundo um livro destinado a mostrar fotografias. No início os álbuns eram realizadas pelo próprio fotógrafo ou comprados como um livro em branco a um encadernador. As provas fotográficas eram presas às páginas pelos cantos ou coladas na sua totalidade (Suporte Secundário). Com o passar do tempo os álbuns foram-se tornando mais simples até ao aparecimento dos álbuns digitais em que houve uma fusão entre a escolha de um layout, o design e as imagens fotográficas.
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Para a investigadora Paula Figueiredo Cunca (Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico), o “álbum de fotografias surge na década de 1860, no enquadramento da cultura vitoriana. A atribuição álbum vitoriano foi dada àquele que se conhece como o primeiro livro/álbum a guardar as fotografias de família.” Acima de tudo, são formas de vida que retratam episódios felizes das estórias da História Familiar. Uma espécie de percurso de vida ilustrado em pequenos instantes. Haverá outra forma de recordar os nossos antepassados? E tudo começou com os franceses Niépce e Daguerre, os pais da fotografia…
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O acto de fotografar é…arquivar!
Os álbuns fotográficos, desde a segunda metade do século XIX,  “(…) encerram igualmente uma seleção fotográfica. Esta é feita tendo em conta o significado da imagem, mas também a relação entre as várias imagens de uma página“, afirma Paula Figueiredo Cunca Desta forma, a fotografia ganha mais valor: acresce ao seu valor intrínseco, o significado relacional e com o espaço representado. A fotografia de um familiar em frente ao Coliseu de Roma é incomensuravelmente registada, dando prova da sua presença e da experiência de viagem. Folhear as páginas e revelar as imagens encerradas num álbum pode ser o impulso para histórias, que alguém já contou, mas que ganham outras formas  e outros olhares quando passam para outras mãos.

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📌 À descoberta de Olivença: um ponto de (re)encontro da cultura portuguesa e espanhola…

 Olivença é uma agradável e pitoresca cidade fronteiriça da raia luso-espanhola. Para quem percorre o seu “casco histórico”, como referem os “nuestros hermanos” aos seus centros históricos, o viajante não fica indiferente à escala do seu património edificado de origem portuguesa. Com quase doze mil habitantes (2016), esta vila da Extremadura Espanhola, nas proximidades de Badajoz, é um ponto de (re) encontro entre as culturas portuguesa e espanhola. Afinal de contas, Olivença personifica duas faces da mesma moeda. Para muitos, “Olivença é filha de Espanha, neta de Portugal”.

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Por facilidade geográfica, vou ao Reino de Espanha uma ou duas vezes por ano, fazer uma “visita de estudo”, encher o depósito do carro, comprar caramelos, realizar uma blogger trip, etc. A “minha” Espanha é sobretudo a Andaluzia, com raras incursões pela Galiza, Extremadura e raríssimos desvios por Castela. Ir a Espanha,tornou-se um hábito como ir passear ao Porto. Nunca fez parte dos meus planos visitar Olivença. Após realizar a Rota do Mármore (Vila Viçosa), no âmbito das Jornadas Europeias do Património, decidi fazer uma incursão a Espanha. Antes de entrar no território de “nuestros hermanos”, vindo de Elvas, opto por fazer uma paragem num peculiar marco de fronteira: a histórica Ponte da Ajuda.

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Este exemplar da arquitectura manuelina – militar e civil – era o único meio de comunicação, no rio Guadiana, entre Elvas e Olivença. Dai, a sua destruição no contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714). Há projectos para a sua reconstrução, mas em virtude das querelas fronteiriças entre Portugueses e Espanhóis, tal não foi possível ainda. Assim, entre 1709 a 2001, quem quisesse visitar Olivenza, teria de passar a fronteira do Caia em Badajoz. Actualmente, o viajante pode transpor, sem qualquer dificuldade, o território português, graças à nova ponte da Ajuda, em betão armado e sem qualidade estética da anterior, construída e financiada integralmente pelo Governo de Portugal.

Porquê a escolha da (des)conhecida vila de Olivenza? 

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São muitos, e todos eles merecedores de atenção, os “Castillos” existentes ao longo da fronteira luso-espanhola, bem como em todo o Reino de Espanha. Há centenas deles. Isto se acrescentarmos também as fortalezas que entretanto se fundiram no seio da arquitectura militar medieval, nomeadamente Ciudad Rodrigo, Badajoz, entre outras. A vila de Olivença está próxima das cidades de Badajoz e de Elvas, bem no centro da antiga província romana da Lusitânia, na actual comunidade autónoma espanhola da Extremadura. Não vem nos roteiros  turísticos ou guias de viagem tradicionais, como a cidade de Badajoz, mas não precisava de tal distinção para merecer uma visita. É aqui que encontramos um dos maiores e preservados “Castillos” da região fronteiriça luso-espanhola. Todavia, a riqueza não é apenas histórica e arquitectónica, mas também paisagística. Dentro do seu acolhedor centro histórico, começamos logo por descobrir histórias, pedras e símbolos familiares, de origem portuguesa.

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Sem recurso a mapas,  uma vez que o posto do Turismo estava fechado (a famosa siesta de nuestros hermanos), aproveitei para “mergulhar” em pleno coração da vila e nas artérias do “Casco Histórico”, onde, no meio do mesmo, ergue-se a silhueta do imponente Castillo de Olivenza. Ao percorrermos as ruas encontramos vários edifícios com arquitectura manuelina e placas toponímicas, em azulejo, com os nomes em português e castelhano, inúmeras chaminés alentejanas misturadas com portas e janelas cobertas de grades de ferro forjado espanhol. Constatamos, através destes exemplos, que Olivenza é fusão de cultura luso-espanhola, fruto de uma longa história secular de ocupação portuguesa e espanhola.  De facto, este é um  lugar para (re) encontrar-se.

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A vida quotidiana, nestas pitorescas vilas, apesar de ficar tão perto da nossa fronteira é completamente diferente do que se vive em Portugal. Durante o percurso pedonal no centro histórico e nos arrabaldes da vila,  apercebo-me da importância histórico-militar desta localidade fronteiriça. De facto, o Castillo de Olivenza revela a razão da sua existência: praça fortificada para as constantes guerras, querelas politicas e escaramuças travadas ao longo da História entre o Reino de Portugal e de Castela e Leão (posteriormente Reino de Espanha).

Um pouco de História…

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O Castelo Medieval de Olivença, vulgo “Ciudadella”, é um excelente testemunho da herança do património edificado pelos portugueses. A meu ver, o que mais impressiona é a monumentalidade e a escala da sua “Ciudadela”. Mandado construir, em 1306, pelo rei D.Dinis (1279-1325), no seguimento da afirmação fronteiriça face ao reino de Castela com a assinatura do Tratado de Alcanises (1297), que, em 1298, outorgou foral à povoação portuguesa. Mais tarde, em 1335, no reinado de D.Afonso IV (1325-1357), as obras foram retomadas com a exporpiração de casas em redor da povoação, tendo em vista a sua edificação do conjunto fortificado constituído por um traçado rectangular e dotado de uma imponente torre de menagem de planta quadrada, seguindo o modelo dos antigos acampamentos romanos (quadrilátero). No fim de cada eixo, abriam-se as portas de São Sebastião (Norte), dos Anjos (Sul), da Graça (Poente) e de Alconchel (Leste). As portas de Sul e Lestes possuem torres semi-circulares, conservando, ainda hoje, os apoios de matacão e os buracos para a tranca para fechar a porta. Ao todo, o castelo era constituído por 14 torres com 3 metros de largura e 12 de altura. É obra!

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Gravura do Castelo e vila de Olivença, Livro das Fortalezas, Duarte d`Armas, c.1509, ANTT

Através da gravura de Duarte d`Armas, um escudeiro da Casa Real que ao serviço de D. Manuel I (1495-1521) registou as inúmeras fortalezas da fronteira luso-espanhola, entre Castro Marim e Caminha, munido de papel e pena (podemos afirmar, sem cometer anacronismos, que era uma espécie de “urban sketcher” do século XVI). O Castelo de Olivença não foi excepção. Através da gravura de podemos comprovar a existência da muralha medieval que envolve a vila e no centro, em grande plano, o castelo e a torre de menagem. Note-se, ao fundo, a cidade de Badajoz e as diversas atalaias que completavam o sistema defensivo de Olivença. No canto da muralha, à esquerda, encobertas pelo terreno, o leitor poderá ver as figuras de Duarte d` Armas e do seu ajudante, respectivamente a cavalo e a pé.

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Todavia, o que realmente impressiona ao viajante é a Torre e Menagem de Olivença mandada construir por Dom João II (1481-1495), em 1488, para afirmar a  autoridade do “Príncipe Perfeito” face aos Reis Católicos de Castela, Isabel de Castela e Fernando de Aragão. Com uma carga simbólica, esta é a torre medieval mais alta da fronteira, com cerca de 40 metros, sendo acessível por 17 rampas até ao topo. Daqui, contemplamos a  paisagem em redor e a monumentalidade da vila de Olivença, o que demonstra a sua importância histórica, política e militar para o antigo Reino de Portugal, face a Castela. Afinal, foram mais de cinco séculos como território de Portugal. Através deste exemplo, podemos comprovar que as fortalezas medievais eram formas de ostentação social, económica,militar e de autoridade dos seus senhores.

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Durante a Guerra da Restauração (1640-1668) ,a vila de Olivença foi palco de diversas escaramuças e cercos durante os 28 anos em que durou esta guerra de independência. As muralhas medievais foram reforçadas por revelins e baluartes adaptados às novas exigências e estratégias de combate, obras desenhadas pelo padre jesuíta Cosmander. Em caso de assédio ao território nacional, Olivença estava na primeira linha das operações contra os Castelhanos, mas estava num plano secundário face à importância das fortificações abaluartadas de Juromenha e Elvas. Em 1657, as tropas castelhanas comandadas pelo Duque de San Germán conquistaram a vila ao Reino de Portugal. Mais tarde, em 1668, Olivença foi devolvida a Portugal com a assinatura das Pazes de Lisboa (1668).

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Durante a Guerra de Sucessão Espanhola, em 1709, Olivença foi novamente palco de escaramuças, um facto comprovado pela destruição da Ponte da Ajuda pelas tropas de Felipe V de Bourbon. Em Maio de 1801, o exército espanhol conquista “pacificamente” a vila fronteiriça de Olivença. Conhecida como a “Guerra das Laranjas”, como afirmou o historiador e comunicador José Hermano Saraiva, um simples ramo de uma laranjeira foi única vitima desta Guerra, visto que o “primeiro-ministro” Manuel de Godoy ofereceu à rainha Maria Sofia. Perdia-se, para sempre, a Vila de Olivença. Todas as outras vilas conquistadas foram devolvidas ao Reino de Portugal. E foi, assim, que começou a “eterna” Questão de Olivença. Sabia que Manuel de Godoy (1767-1851), o príncipe da paz, era Conde de Évora-Monte em Portugal? Uma das muitas curiosidades da nossa História que tive oportunidade de comprovar ao visitar o património edificado na vila fronteiriça de Olivença.

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A Igreja de Santa Maria Madalena é um dos testemunhos vivos de um dos períodos mais fascinantes e ricos da História de Portugal: os descobrimentos. Segundo o Turismo de Olivença, a Igreja de Santa Maria Madalena é considerada o ex-libris da vila de Olivenza. E, pelo exterior, apercebemos-nos desta atribuição. Trata-se de uma das mais belas obras arquitectónicas e estéticas da arte manuelina, tipicamente portuguesa, logo a seguir ao Mosteiro dos Jerónimos. Datada da primeira metade do séc. XVI, foi mandada construir para servir de residência e local de culto aos Bispos da praça norte-africana de Ceuta. Em 2012, foi eleita “O Melhor Recanto de Espanha 2012” num passatempo promovido pela petrolífera espanhola Repsol.

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No exterior, destacam-se falsas ameias, pináculos, gárgulas e a porta principal, com uma portada atribuída a Nicolau de Chanterene, artista francês que em Portugal, além de outras obras, notabilizou-se ao serviço dos monarcas lusitanos, por exemplo, na criação da sublime porta do Mosteiro dos Jerónimos. O interior, rico em azulejos e motivos decorativos marítimos, divide-se por três naves com oito colunas que parecem evocar as amarras de uma embarcação e remeter para a época dos Descobrimentos Portugueses. Infelizmente, não pude visitar o interior, uma vez que estava fechada. Ainda hoje, este edifício religioso secular é visitado por centenas de curiosos que deslocam-se propositadamente a esta vila da extremadura espanhola para contemplar o seu interior.

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Deambulando pelas ruas, o viajante depara-se com um portal invulgar. Trata-se do singular portal em estilo manuelino do Palácio dos Duques do Cadaval, localizado no actual edifício do Ayuntamento. Ainda hoje, este portal é o símbolo identificativo desta vila extremenha. Num olhar mais atento, o viajante pode identificar a Esfera Armilar e Cruz de Cristo, ambas símbolos das aventuras ultramarinas dos Portugueses durante os séc. XV e XVI. Ainda nas proximidades, a Praça de Espanha é um locais onde podemos encontrar e usufruir de um belo espaço de lazer e convívio, onde existe calçada típica portuguesa a dar forma e cor. Quem disse que só existe calçada portuguesa no Rio de Janeiro?

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Confesso que já tinha saudades de realizar uma incursão pela raia luso-espanhola. Infelizmente, gostava de ter tido mais tempo e mais calma. E, claro, meditar sobre o que vi e vivi. Acima de tudo, o acto de viajar, como sempre, é olhar e (re)encontrar-se com a História. Ao sair deste marco fronteiriço, vem-me à cabeça a seguinte questão: Olivença é de Portugal ou de Espanha? Olivença sempre foi alvo de muita incompreensão e discussões,  opiniões e vontades, mas também sempre nela, se detiveram olhares, gostos e admiração. Amiúde a questão de quem pertence, o viajante ao percorrer as suas artérias constata que os monumentos são portugueses. Mas, as gentes são espanholas. E agora? Dizem que o tempo resolve tudo. Embora às vezes não se resolva de acordo com os nossos interesses. Olivenza mantém a essência de Olivença. Estórias da História que o tempo apagou…ou teima em não apagar. Urge, nos dias de hoje, encontrar as semelhanças e não as diferenças, procurando um diálogo de culturas e de convivência.  Olivenza mantém a identidade de cinco séculos de História ligados ao Reino de Portugal. Acima de tudo, esta vila é sentimentalmente portuguesa. Sempre.

O que pode fazer:

1. Se gosta de fotografia de paisagem, o melhor será subir ao topo da Torre de Menagem e contemplar o meio envolvente. Daqui poderá avistar Elvas, Juromenha e Alconchel;

2. Comprar caramelos nas inúmeras lojas locais;

3. A caminho de Olivença poderá visitar as ruínas da ponte manuelina da Ajuda;

4. Visitar o Castelo de Alconchel, a poucos quilómetros de Olivença;

5. Sugerimos uma visita ao Museu Papercraft, junto à Ciudadela, o único museu de papel de Espanha e da Europa.

✈︎ Como ir:

Desde Portugal chega-se a Olivenza, através de Elvas (A6) até à fronteira da Ponte da Ajuda, já em Espanha, opta pela EX-105. Se quiser ir a Badajoz, poderá optar pela EX-107e de seguida ir a Olivenza. De uma forma geral, de Elvas a Olivenza são, sensivelmente, 25 minutos para percorrer uma média de 30 quilómetros em estradas regionais luso-espanholas. Durante esta viagem, optamos por realizar uma paragem técnica na Ponte da Ajuda para fotografar o belo exemplar edificado e a natureza envolvente.

🌏 Para mais informações:

Página Oficial do Turismo de Espanha (Spain.info)

Página Oficial do Turismo Extremadura

Página Oficial do Ayuntamiento de Olivenza

MARTINS, Miguel Gomes (2016). Guerreiros de Pedra: castelos, muralhas e guerra de cerco em Portugal na Idade Média. Lisboa: Esfera dos Livros.

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.linhagraficaALL-oliraf-03💻  Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷

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Fotografia✈︎Viagens✈︎Espanha © OLIRAF (2017)

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