Algarve, Blogger Trips, Castelos & Fortalezas, Escrita de Viagens, Eventos Turísticos, Fotografia, História, Paisagem & Natureza, Património Edificado & Monumental, Portugal (Terras), Prémios & Nomeações, Rota Omíada, Roteiros Fotográficos, Turismo Cultural, Turismo Militar, Umayyad Route, Viagens

📌 À descoberta de Silves: um olhar fotográfico da “Alhambra Portuguesa”…

Silves ou a Xilb de Al-Mu’tamid. Outrora a mais importante cidade do Algarve, tanto na época islâmica (aqui era a capital do Al-Gharb) e, depois da conquista cristã, do Reino do Algarve. Mais tarde, Silves iria perder importância para Faro. Não é por mero acaso que estamos no maior e no mais peculiar castelo do Algarve (desde a época muçulmana), edificado com a pedra da região envolvente: o grés vermelho. Atrevo-me a chamar-lhe a “Alhambra Portuguesa”,mas em formato miniatura. Trata-se da jóia da arquitectura militar da época islâmica em Portugal.  Já tinha cá estado em 2008 durante a minha viagem de ferry-boat entre a Ilha da Madeira (Funchal) e Portugal Continental (Portimão). Sim, quando havia ligação marítima entre o Arquipélago da Madeira e Portugal Continental. Não vamos falar de politica, certo? Nessa época,  não tinha a ideia de criar um blogue pessoal,mas tinha o gosto de fotografar os belos exemplares do nosso património histórico-militar: os Castelos. Quem diria que iria voltar aqui, desta vez, oito anos numa blogger trip. A vida dá muitas voltas e, em muitos casos, 180º.

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Atravessamos a antiga ponte medieval do rio Arade e dirigimos-nos para o centro histórico desta cidade algarvia, onde iríamos ter uma visita-guiada ao Museu Municipal de Arqueologia de Silves. É o resultado das escavações arqueológicas desenvolvidas ao longo do séc.XX. No centro do espaço, podemos visualizar um Poço-Cisterna da época Almóada (séculos XII-XIII), descoberto após escavações arqueológicas decorridas nos anos 80 do séc. XX . Esta hoje classificado como Monumento Nacional. É apartir dela – o ex-libris do discurso expositivo – que fazemos o percurso  desta visita guiada com a Dr.ª Dr.ª Maria José Gonçalves, actualmente arqueóloga do Município de Silves. Trata-se de uma académica especializada em cidades medievais islâmicas, nos campos da arqueologia e da história. E isso denota-se no seu discurso. Levei, literalmente, uma lição de História e de Arqueologia.

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Prato de Mesa  da Época Omíada (séculos VIII-IX)

Apresenta-me, passo-a-passo, o acervo do Museu, na sua maioria proveniente das escavações arqueológicas efectuadas na cidade e concelho. O acervo reúne um conjunto de objetos desde o Paleolítico até ao período Medieval. Constato que há imensos achados arqueológicos em quantidade, mas que valem pela sua qualidade e excepção de ornamentos e pictóricos. E como Silves era a principal cidade do Gharb Al-Andalus, este museu tem no seu acervo um grande destaque para o Período Islâmico – Omíada, Califal, Taifa, Almorávida e Almóada, desde o século VIII ao século XIII, ou seja, ao período cronológico da ocupação árabe ao que hoje corresponde ao território algarvio. O visitante que percorrer este espaço museológico irá compreender a importância da cidade de Silves no período islâmico. Silves é legado mais vivo e duradouro do património islâmico em Portugal. Dai, ter-me demorado mais por esta cidade emblemática.

Depois da visita ao espaço museológico, inserido na antiga medina de Silves, fomos visitar o antigo alcácer islâmico: o actual Castelo Silves. A sua pedra avermelhada – grés de Silves – dá outra cor e magnificência a este antigo complexo bélico. Digo actual, visto que, nas décadas de 30 e 40 do Século XX, a Direção de Monumentos Nacionais uniformizou a traça dos Castelos Medievais Portugueses, muitos deles em estado de ruína, à imagem do Castelo de Guimarães. Como Portugal fez-se da conquista de território aos Mouriscos, não interessava para o Estado Novo – regime ditatorial – manter esse legado, mas sim o papel fundador de Guimarães na construção  e formação da identidade Portuguesa. O que diria  Al-Mu’tamid se visse a sua amada Xilb nos dias hoje? Apesar de tudo, dedicaria-lhe um poema…do seu declínio.

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Os Muçulmanos aproveitaram muitas técnicas de construção romanas para a construção das suas muralhas defensivas, por exemplo, sob a forma de silharia de tipologia romana redisposta num padrão regular, a soga e tição. Actualmente, este é um dos poucos exemplares existentes nas muralhas de Silves que, ao longo dos séculos, foi sofrendo inúmeras alterações efectuadas pelo Homem e pelo tempo.

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Durante a descoberta da Rota Omíada, Abderramán I, Al-Mutamid, Al-Idrisi e,Ibn Darraj al-Qastalli, foram excelentes companheiros de viagem…interior. Shukran. Mais do que uma viagem pela história, foi uma “panóplia” de experiências pessoais e colectivas que podem ser partilhadas digitalmente,mas que devem ser vividas na primeira pessoa. É isso que convido o leitor do blogue OLIRAF a fazer: viver estas experiências. Não haverá melhor sensação do que sair da nossa “zona de conforto”?  👌

Como chegar

A partir de Lisboa optei por reservar uma viagem em Alfa pendular, através da Comboios de Portugal. Faro era a minha base para efectuar a Rota Omíada do Algarve. Para tal, optei por alugar uma viatura rent-a-car para fazer a ligação entre os diversos pontos histórico-culturais desta rota. Na maioria dos casos, utilizei a via do Infante (A22) e a Nacional 125. No caso da ida para Alcoutim, optei pela A22 até Castro Marim e depois o IC27 (Beja) até Alcoutim (N122-1).

Onde ficar

Restaurante Ria Formosa

Praça D. Francisco Gomes, Nº2 8000-168 Faro Portugal
+351 289 830 830

✉️ Email: reservas@hotelfaro.pt

Para mais informações:

Região de Turismo do Algarve

Direcção Regional de Cultura do Algarve

Blog Turismo do Algarve

Projecto Umayyad Route 

Turismo do Algarve – Rota Omíada do Algarve (Folheto + App)

Nota importante

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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Blogger Trips, Castelos & Fortalezas, Escrita de Viagens, Fortalezas Portuguesas (Marrocos), Fotografia, História, Paisagem & Natureza, Património Edificado & Monumental, Património Mundial de Origem Portuguesa (Mundo), Reino de Marrocos (Terras), Roteiros Fotográficos, Turismo Cultural, Turismo Militar, Viagens, World Heritage (UNESCO)

📌À descoberta da antiga fortaleza portuguesa de Mazagão (1506-1769): um olhar fotográfico…

Mazagão (El Jadida, Marrocos) não é uma fortaleza como tantas outras. É a jóia do património edificado militar do Império Português (1415-1769) no Magrebe. As suas pedras contam muitas estórias da História de Portugal.

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A cidade-fortaleza de Mazagão, oficialmente fundada como vila a 1 de Agosto de 1541, apesar da existência de uma pequena fortaleza construída pelo arquitecto Diogo de Arruda, em 1514, actual Cisterna Portuguesa, como ponto de apoio a Azamor. Mais tarde, em 1541, João de Castilho adaptaria para uma cisterna e celeiros. Foi desenhada pelo engenheiro italiano Benedetto da Ravenna, em conjunto com Miguel de Arruda e Diogo de Torralva. De referir, que a construção desta fortificação marca o inicio da adaptação das novas formas de combate no Magrebe – construções com baluartes de traça italiana -, em virtude pela utilização da artilharia por parte das forças islâmicas. A partir da 2ª Metade do Século XVI dá-se a adaptação das velhas fortificações de cariz medieval para esta nova arquitectura militar.

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O seu porto de acesso fácil e a traça abaluartada das muralhas, em alguns pontos com mais de dez metros de espessura, tornavam-na numa inexpugnável. Mais tarde, seria abandonada por Portugal, em 1769, por decisão do «valido» do Rei D.José I, o então Marquês de Pombal. Actualmente, a Cité Portugaise de El-Jadida está restaurada, como se comprova pelas fotos da minha autoria. A enorme extensão do perímetro muralhado da antiga Mazagão mostram a tradição da arquitectura militar italiana e da importância do estilo renascentista durante o Reinado de D.João III (1521-1557). De Salientar que o Baluarte de São Sebastião, lado do mar, mostra a escala grandiosa da fortificação.

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A famosa cisterna da antiga Mazagão é uma das atracções turísticas de Marrocos. Foi construída sob a direcção de João de Castilho em estilo renascentista sobre o pátio de armas do antigo Castelo de origem Manuelina. O catalisador da construção desta imponente fortificação militar foram os constantes raides, razias e conquistas dos xarifes do Sul de Marrocos, equipados com moderna tecnologia pirobalística e com conselheiros militares europeus (mercenários italianos/germânicos). Mazagão era, assim, uma alternativa viável ao abandono das possessões costeiras fortificadas de Santa Cruz do Cabo Gué (Agadir), Safim e Azamor. A concentração de meios humanos, materiais e bélicos numa única praça permitia uma melhor resistência aos constantes e numerosos assédios das forças sob o signo de Alá.

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Em 1769, a cidade-fortaleza de Mazagão foi abandonada pela Coroa Portuguesa. Em virtude deste abandono, a Coroa ordenou que os seus habitantes – nobreza local, soldados, etc – fossem para Lisboa. Aqui chegados, foram reenviados para uma nova missão: a fundação de uma Nova Mazagão, na fronteira Norte do Brasil, no actual estado de Amapá. Era o fim de mais de três séculos de presença portuguesa em Marrocos (1415-1769), em virtude de as possessões norte-africanas serem um sorvedouro de recursos humanos, monetários e bélicos, sem qualquer retorno (à excepção das questões ideológicas, Guerra Santa).

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A antiga fortificação de Mazagão constitui – hoje uma importante atracção turística de Marrocos – um dos melhores exemplos conservados da arquitectura militar do Renascimento fora do Continente Europeu, que resistiu ao teste do tempo e da própria acção humana. De Salientar, que as fortificações portuguesas de Mazagão foram inscritas na lista do Património da Humanidade pela UNESCO em 2004 e, em 2009, como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. O litoral atlântico de Marrocos oferece-nos uma grande variedade de grandes e pequenas fortificações costeiras com grande impacto visual e plástico, como em nenhum outro lugar. Nas mesmas, podemos encontrar o estilo de fortificar de Diogo de Arruda e dos seus familiares.

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A opinião do viajante. A região do Norte de África (Magrebe)  – Marrocos – não é para um português um mero passeio como qualquer outro.  É uma espécie de regresso a casa. Para quem possua alguns conhecimentos de Geografia e História e tenha o sentido do valor dos passado lusitano, visitar o actual Reino de Marrocos é ir a um dos nossos lugares predilectos, ir afervorar o amor pátrio e retemperar a alma, como afirma Urbano Rodrigues (RODRIGUES, 1935). De facto, diante de património edificado pelos nossos antepassados  em diversas cidades costeiras como Asilah, Tânger, Essaouira, Safi, El Jadida, podemos sentir bem o que fomos e o que podemos ainda ser. Infelizmente, não cultivamos o maior legado português ao Mundo: a língua portuguesa!

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BIBLIOGRAFIA

Impressões de uma visita de estudo a Marrocos – As Fortificações de origem portuguesa 

Carita, Rui, “A arquitectura abaluartada de origem portuguesa”, in Relações luso-marroquinas 230 anos, Camões – Revista de Letras e Culturas Lusófonas, nº 17-18, Lisboa, Instituto Camões, Novembro 2004, pp. 135-138, 143-145.

Correia, Jorge, “Mazagão: A última praça Portuguesa no Norte de África”, in Revista de História da Arte, Lisboa, IHA – FCSH-UNL, nº 4 , 2007, pp. 185-209.

Dias Farinha, António,  “Os Portugueses em Marrocos”, Instituto Camões, Colecção Lazúli, 1999,pp.3-103.

LOPES, David – A Expansão em Marrocos, Colecção Cabo a Cabo, Lisboa: Teorema /O Jornal, 1989.

Moreira, Rafael, “Arquitectura militar do Renascimento”, in História das Fortificações Portuguesas no Mundo, Dir. Rafael Moreira, Lisboa, Pub. Alfa S.A., 1989, pp. 150-157.

RODRIGUES, Urbano – Passeio a Marrocos, Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1935.

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📌 À descoberta do Cais palafítico da Carrasqueira: um olhar fotográfico das vivências do Alentejo Litoral…

É uma viagem constante (re)descobrir o estuário do Sado e uma parte do Alentejo que se abre ao oceano Atlântico: o Alentejo Litoral. Aqui, o viajante ou o turista poderá avistar uma imensa faixa de costa que, desde a Península de Tróia até ao Cabo de Sines, proporciona exuberantes e convidativas praias com um ininterrupto areal. Trata-se de uma das mais calmas, genuínas e tradicionais regiões de Portugal, onde o património natural e edificado continua bem preservado, e onde encontramos gentes que tornam a experiência de viagem mais enriquecedora.

O Cais Palafítico da Carrasqueira é uma engenhosa e criativa solução da comunidade piscatória da Carrasqueira (Comporta, Alcácer do Sal) para resolver o problema de acesso aos barcos durante a baixa-mar. As estacas de madeira penetram no sapal e estendem-se como os “tentáculos de um polvo” até ao estuário do Sado. Neste porto piscatório, os barcos atracam e no passadiço circulam as redes, os apetrechos, pescado e, mais recentemente, inúmeros turistas e curiosos para captar fotograficamente o espaço e o meio envolvente. Trata-se de um dos ex-líbris turisticos do concelho de Alcácer do Sal.

Quem visita a Comporta, a meu ver, não pode deixar de conhecer o cais palafítico da Aldeia Piscatória da Carrasqueira, único no continente europeu. Para quem navega nas tempestuosas águas da World Wide Web, verifica que é um dos locais mais procurados por fotógrafos amadores e profissionais para testar as suas técnicas e capturar genuínas imagens de paisagem e da comunidade piscatória local. E para quem gosta de fotografia documental, este local é de visita obrigatória para ir com tempo e com calma.

Ao percorrer os passadiços de madeira, os barcos e as casas que abrigam os utensílios usados na faina sucedem-se, tais como, as cores e as formas das últimas. Trata-se de um belo testemunho da arquitectura popular e das vivências das comunidades locais de pescadores e mariscadores que se estabeleceram na segunda metade do século XX, nesta área do estuário do Sado.

Aqui, no extremo norte do Baixo Alentejo, na margens da reserva natural do estuário do Sado, o viajante poderá encontrar uma outra noção de paisagem: a aquática. Além disso, o viajante pode adquirir pescado e bivalves aos pescadores locais. Note-se que uma parte do choco serve às inúmeras ementas e iguarias desta região. Uma experiência inesquecível para qualquer pessoa que visite esta terra muito peculiar.

wp-image-1673209097Durante a minha descoberta deste pitoresco local, algo captou a minha atenção quando vagueava pelos passadiços do Porto Palafitico da Carrasqueira: um casal de pescadores manuseando as redes. De repente, veio à cabeça, a eterna máxima de Robert Capa: “Se uma foto não está boa o suficiente , então é porque você não se aproximou o suficiente”. É caso para dizer: aproximem-se!

 

wp-image-622814112A região de Alcácer do Sal, desde a época muçulmana, foi um grande centro industrial de construção naval. Ao percorrermos a N253, entre a praia da comporta e Alcácer do Sal, verificamos a existência de inúmeras matas de pinho, vitais para a reparação e construção naval de pequenas e grandes embarcações.Hoje em dia, ao fundo, verificamos a presença da unidade industrial de reparação naval a Setenave da Mitrena (ex-Lisnave), bem como de navios aguardando a sua vez no estuário do Sado.

wp-image--140368371No vale do rio Sado, perto de Alcácer do Sal, a rizicultura (arroz) tornou-se muito mais rentável do que a cultura do trigo. O sapal da Carrasqueira é um bom exemplo do aproveitamento dos terrenos para fins agrícolas, tendo um pequeno dique para impedir as inundações. Actualmente, no Alentejo, a cultura do regadio sobrepõe-se , pouco a pouco, à cultura de sequeiro…

 

Após a visita ao Porto Palafítico, volto para a Aldeia da Carrasqueira onde, por mero acaso, deparou-me com uma habitação tradicional destas paragens: uma antiga dos pescadores que assentaram vida na segunda metade do século XX. Os habitantes locais dizem-me que existem mais casas tradicionais para os “lados de Grândola”, designadamente na freguesia do Carvalhal. Ao despedir-me desta castiça aldeia Alentejana, vêm-me à cabeça o seguinte pensamento: “Quando o engenho do Homem caminha em comunhão com a Natureza, a obra nasce. Aqui, o Homem adaptou-se ao meio.”

 

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O que pode fazer:

1. Se gosta de fotografar o pôr-do-sol, as  águas calmas do Sado atingem o seu nível mais elevado proporcionando imagens singulares do espelho de água envolvente;

2. Se gosta de turismo de natureza e observação de aves, o Estuário do Sado apresenta um circuito de caminhada e uma das maiores concentrações de aves limícolas do país;

3. Compre pescado e bivalves aos pescadores e mariscadores locais;

4. Saborear num restaurante local da Aldeia da Carrasqueira, um belo choco frito.

Como chegar:

De Alcácer do Sal, poderá aceder à área sul da reserva do Estuário do Sado, devendo utilizar a N253 na direção da praia da Comporta, e junto ao km 4 desta estrada, voltar à direita na direção da aldeia da Carrasqueira. De seguida, terá de atravessar uma estrada de terra batida, que conduz ao Porto Palafitico da Carrasqueira.

Para mais informações:

Câmara Municipal de Alcácer do Sal (Turismo)

Herdade da Comporta

Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF)

Visit Alentejo (Litoral Alentejano)

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🌏“Be a Time Traveller in Granada Heritage”: one of the 80 finalists of “Navigator Around the World in 80 pages” Global Writing Contest

O autor do blogue OLIRAF – Rafael Oliveira – foi uma das 80 Histórias seleccionadas, pela primeira vez, para integrar e dar cor ao livro “Around the World in 80 pages”, um passatempo do Grupo Navigator. Já, neste corrente ano, o blogue foi nomeado, pelo segundo ano consecutivo (2016 e 2017), para a 4ªEdição dos BTL BLOGGER TRAVEL AWARDS (BTL), considerados os “Óscares” dos Blogues de Viagens em Portugal, na categoria de “Fotografia de Viagem”. Depois de ter sido nomeado nos últimos dois anos (2016 e 2017), o autor do blogue OLIRAF volta a ser contemplado com uma nomeação na segunda edição do Navigator Around the World in 80 Pages, concurso que recebeu mais de 1350 histórias submetidas online. Este passatempo de viagens tem como objectivo premiar as melhores histórias em Inglês e as fotografias dos viajantes nacionais e estrangeiros que concorrem. Após uma profunda reflexão das melhores estórias da História e fotografias do portefólio  de viagens referentes ao ano de 2016, optei por concorrer com três fotografias que davam cor ao texto da minha viagem a Granada (Andaluzia,Espanha): Be a Time Traveller in Granada Heritage”.  Esta escolha, a meu ver, reflectiu a minha paixão pela literatura e fotografia de viagens, bem como a curiosidade pelo legado da civilização islâmica na Península Ibérica: o Al-Andalus.

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Dear Rafael,

Your text was selected from over 1300 stories, for its inspiring tone and originality, and will be published in a travel book, that you will later receive.
Navigator would like once more to thank you for sharing your stories with us, and for taking the time to participate.

As you might be already aware, your story “Be a Time Traveller in Granada Heritage…” was one of the 80 finalists who will be privileged to have their story published in a book called “Navigator Around the World in 80 pages”.

Besides offering you the book, Navigator will also send you a small present as a way of thanking you for your participation and for your amazing story.

One of 80 finalists of the Navigator Around the World in 80 Pages 2016 – Global Writing Contest.

Congratulations!

Quem é a Navigator?

A The Navigator Company é, desde fevereiro de 2016, a nova marca herdeira do património do ex-grupo Portucel Soporcel. Trata-se de uma conceituada marca de papel de escritório, líder no segmento premium.

O que é o  “Navigator Around the World in 80 pages” Global Writing Contest?

Os “Navigator Around the World in 80 Pages” foram criados em 2015 para reconhecer e premiar a criatividade dos apaixonados por viagens, tendo como objectivo final, desafiar a contar as suas experiências e partilhar as suas melhores fotografias. São inspirados, tal como o sugestivo nome do concurso indica, no romance clássico de Aventuras de Júlio Verne. Assim, a Navigator pretende motivar  mais participações e alargar a diversidade de nacionalidades envolvidas no passatempo, ao mesmo tempo que reforça o papel como o melhor veículo para exprimir emoções e experiências, definindo “Volta ao Mundo em 80 Páginas” como uma referência mundial entre os concursos de escrita”.

Quais os prémios?

O júri desta competição mundial de escrita é composto por escritores/bloggers de viagens (entre eles o viajante Gonçalo Cadilhe) e representantes do grupo Navigator. Os vencedores são eleitos pelos júris do concurso – Kristin Addis, Dylan Lowe, António Quirino Soares, Gonçalo Cadilhe, Ricardo Ferreira e António Redondo – entre os 80 finalistas, cujas histórias e fotografias serão publicadas num livro, juntamente com uma ilustração exclusiva. No total, o passatempo tem 10 000 € em vouchers de viagem para contemplar as melhores histórias. Assim, o grande vencedor receberá um voucher de viagem no valor de 2 500 €,o segundo receberá um voucher de viagem no valor de 1 500 € e os restantes seis (3º ao 8º premiado),um voucher no valor de 1 000 €. Há ainda uma prémio para a melhor fotografia: uma máquina fotográfica Nikon D5500 (DSRL). Já as 80 histórias dos autores finalistas seleccionados irão ver as suas aventuras e fotografias publicadas num livro, juntamente com uma  ilustração exclusiva de um Urban Sketchers.

Como concorrer? 

A segunda edição do Navigator Around the World in 80 Pages recebeu mais de 1350 histórias submetidas online, provenientes de mais de 65 países de todo o Mundo. Já a 3ª edição dos “Navigator Around the World in 80 pages” decorre até 31 de Dezembro de 2017 e estão abertas ao público em geral, seja ele de nacionalidade portuguesa ou estrangeira. Podem concorrer as pessoas com mais de 18 anos, sejam eles cidadãos portugueses ou estrangeiros. Para tal, os concorrentes terão de escrever uma pequena experiência pessoal em viagem – uma história em Portugal ou no Estrangeiro – até ao máximo de 2500 caracteres,  acompanhada das três melhores fotografias que dão corpo e cor à sua aventura! De seguida, deverão submeter em www.navigatoraroundtheworld.com. O prazo para as submissões termina a 31 de Dezembro de 2017.

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Be a Time Traveller in Granada Heritage…

“(…) Granada is a peculiar city of Spain. It is one of the most visited destinations for travellers in this country, although the preferred cities to visit are Barcelona or Madrid. With almost the total land surface area and population of Portugal, Andalusia is one of Spain’s largest and most touristic regions. For me, it is one of the most beautiful of this country. But that is just my opinion. To wander through its avenues, streets and alleys is to let ourselves be captivated by its magic step-by-step. And feel the essence of the material and immaterial splendour of Al-Andalus.  As we walk through the streets of Granada, with only a map of the Historic Centre and with the sense of orientation grasped since our days in the scouts, the city soon conquers us, increasing our resolve to explore further. After crossing the long Gran Via de Colón, we reach the Porta de Elvira. From here, I begin to climb step by step the Albaicín Quarter to one of the belvederes most frequented by travellers on a visit to Granada: the Mirador de San Nicolás. I am looking for a free space to sit on the wall that faces the Alhambra, so that I can tranquilly contemplate this magnificent example of Islamic architecture in Spain and, in my view, on an international level. For me, this is one of the must visit landmarks in this city. This ancient fortified complex of palaces of the Nazrid Dynasty leaves nobody unmoved. There’s something magical about those stones. Nobody is can remain indifferent faced with this spectacle, be it night or day, despite all the books, reports, photographs and videos that we have seen. However, most travellers who visit only see part of the city of Granada.  After contemplating the contours of the Alhambra on the horizon, my heart began to accelerate with so much emotion, given the magnificence of this unique Islamic fortification. No one, whether a traveller, tourist or even a poet, is immune to the fascination of this ancient Islamic fortification. Now I see Boabdil’s sadness. If there are places that seem to have been conjured from a dream, there is no doubt that Granada is one of them. There is an Andalusia that everyone knows and another one that only lets itself be unveiled by those who enter this region, willing to let themselves be challenged by its singular beauty. Granada enchants and amazes any visiting traveler who contemplates it for the first time. Granada is the Alhambra, the neighbourhood of Albaicín and the Generalife. This Andalusian city conveys good vibes to any stranger or hiker. A Carmen on Earth.”

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Resta-me agradecer à Navigator, e ao júri, a escolha da minha estória para figurar no livro do concurso “Around the World in 80 Pages”. É com agrado que vejo surgir mais concursos por parte de empresas do sector do Turismo, e não só deste sector, que  promovem a curiosidade e a paixão pela escrita e fotografia de viagens. A meu ver, é sempre uma excelente iniciativa. Espero que o meu exemplo que sirva de inspiração para continuar a escrever e a partilhar as vossas experiências e relatos pessoais de viagem à volta do mundo!

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📷 “Alentejo – Olhares Fotográficos”: o Álbum Fotográfico da Saal Digital Portugal…

Entre Março e Setembro de 2017, tive oportunidade de viver, trabalhar e viajar pelo Alentejo. Visitei inúmeras cidades, vilas e aldeias desta região bem portuguesa, com a minha pequena máquina fotográfica Fujifilm X-T10. Contactei com o imenso património natural, edificado e, acima de tudo, com as gentes, igualmente com os seus problemas.
À série de fotografias que resultou da minha experiência, todas a cores, optei por criar um Álbum Fotográfico Alentejo – Olhares Fotográficos“.
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Trata-se de uma retrospectiva pessoal, como fotógrafo amador, composto por uma selecção de 30 fotografias da minha conta do Instagram, referente as minhas itinerâncias na região do Alentejo, no sul de Portugal. Cada fotografia deste álbum fotográfico procura captar a memória do passado, a contemplação da paisagem natural e das gentes que dão vida a esta região bem portuguesa. Aliás, o meu primeiro “devaneio fotográfico” ocorreu durante uma visita ao castelo de Montemor-o-Novo, “corria o ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2006″. A partir desse momento, nunca perdi a ligação afectiva à região do Alentejo. E, claro, à arte fotográfica.
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Porquê a escolha do Alentejo?
Trata-se de uma das mais calmas, genuínas e tradicionais regiões de Portugal, onde o património natural e edificado continua bem preservado, e onde encontramos gentes que tornam a experiência de viagem mais enriquecedora. Eis alguns pontos fortes desta região portuguesa:
  •  Paisagem natural (Serra de São Mamede, Alqueva e Serra de Ossa);
  •  Gastronomia tradicional;
  •  Património Mundial UNESCO (Évora e Elvas);
  •  Praias (Comporta, Zambujeira do Mar e Vila Nova de Mil Fontes);
  •  Turismo Industrial (Rota do Mármore);
  •  Enoturismo (Ervideira, Cartuxa e João Portugal Ramos);
  •  Gente afável, próximo,  simpático e sempre a ajudar os “forasteiros”.

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O que é Saal Digital?

Tomei conhecimento desta empresa, e do respectivo produto, através da rede social Instagram. Notei que a Saal Digital está a fazer um forte investimento e captação de público e clientes para testar os seus serviços e produtos digitais relacionados com a impressão de material fotográfico. Foi a primeira vez que pedi a impressão de um álbum digital. E não fiquei arrependido. De uma forma geral, a qualidade do produto, do serviço e software de edição deixou-me com uma boa  impressão.

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"A Saal Digital Portugal permite tornar a tua paixão em algo palpável e para a posterioridade"
Os Álbuns digitais e produtos fotográficos são personalizados com uma qualidade profissional. Eu fiquei impressionado com a qualidade de impressão das minhas fotografias, mesmo não tendo a melhor qualidade gráfica. Já imaginou não ter o logo do fabricante. Fantástico. Optei por Álbum digital 15 x 21 – e pela encadernação panorâmica, visto que permite ao utilizador inserir fotografias em páginas duplas sem perder qualquer detalhe gráfico. A meu ver, a abertura 180º é ideal para colocar imagens de grande tamanho, neste caso, panoramas. A qualidade é suberba! Tanto das imagens como do material. É uma sensação maravilhosa folhear as minhas aventuras fotográficas  Para além disso, eles oferecem um software próprio para instalar no computador para fazer o projecto fotográfico. Em relação ao prazo de entrega, a meu ver, foi rápido e a embalagem vinha devidamente acondicionada.
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Se és amante da fotografia…

Se ficou curioso, visite a página oficial e o Instagram da Saal Digital Portugal ou caso tenha alguma questão relativamente à Saal Digital, pode entrar em contacto com o serviço de apoio ao cliente: suporte@saal-digital.pt 
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Um pouco de História…sobre a origem dos Álbuns Fotográficos!
Luís Pavão, um dos maiores conservador de colecções fotográficas em Portugal, afirma que os Álbuns Fotográficos constituem um “universo muito particular (…), onde as fotografias complementam-se mutuamente estabelecendo inter-relações que as enriquecem, não só individualmente como no conjunto. A existência de eventuais legendas, notas acrescentadas à mão, recortes de jornais e outro tipo de anotações ajudam a compreender o todo.Um álbum é no fundo um livro destinado a mostrar fotografias. No início os álbuns eram realizadas pelo próprio fotógrafo ou comprados como um livro em branco a um encadernador. As provas fotográficas eram presas às páginas pelos cantos ou coladas na sua totalidade (Suporte Secundário). Com o passar do tempo os álbuns foram-se tornando mais simples até ao aparecimento dos álbuns digitais em que houve uma fusão entre a escolha de um layout, o design e as imagens fotográficas.
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Para a investigadora Paula Figueiredo Cunca (Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico), o “álbum de fotografias surge na década de 1860, no enquadramento da cultura vitoriana. A atribuição álbum vitoriano foi dada àquele que se conhece como o primeiro livro/álbum a guardar as fotografias de família.” Acima de tudo, são formas de vida que retratam episódios felizes das estórias da História Familiar. Uma espécie de percurso de vida ilustrado em pequenos instantes. Haverá outra forma de recordar os nossos antepassados? E tudo começou com os franceses Niépce e Daguerre, os pais da fotografia…
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O acto de fotografar é…arquivar!
Os álbuns fotográficos, desde a segunda metade do século XIX,  “(…) encerram igualmente uma seleção fotográfica. Esta é feita tendo em conta o significado da imagem, mas também a relação entre as várias imagens de uma página“, afirma Paula Figueiredo Cunca Desta forma, a fotografia ganha mais valor: acresce ao seu valor intrínseco, o significado relacional e com o espaço representado. A fotografia de um familiar em frente ao Coliseu de Roma é incomensuravelmente registada, dando prova da sua presença e da experiência de viagem. Folhear as páginas e revelar as imagens encerradas num álbum pode ser o impulso para histórias, que alguém já contou, mas que ganham outras formas  e outros olhares quando passam para outras mãos.

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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📌 À descoberta do Regimento de Artilharia de Costa: a 6ªBataria da Raposa…

No passado fim-de-semana de 27 e 28 de Maio, a Associação de Amigos da Artilharia de Costa, um grupo de amigos e ex-militares criado em 2015, celebrou mais um aniversário desta feita o 6.º Encontro dos Amigos da Artilharia de Costa. Para assinalar esta efeméride, realizou-se diversas actividades de dois dias, que contou com a presença dos associados, familiares e amigos do RAC. O local escolhido não podia ter sido mais apropriado, nas instalações da 6.ª Bateria da Raposa do Regimento de Artilharia de Costa, na Fonte da Telha, que se encontram desativadas, mas contrário da maioria das fortificações do RAC, esta encontra-se num bom estado de conservação.

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O primeiro dia foi dedicado à recepção de todos os participantes, na Bateria da Raposa, com tudo previamente preparado pela Associação. Após o recenseamento dos presentes, convívio e fotografia da “praxe”, seguiu-se um périplo pelas antigas unidades militares que davam corpo ao antigo regimento de artilharia de costa do exército português, nomeadamente, a 1ª Bataria de Alcabideche, 2ª Bataria da Parede e ao antigo comando em Oeiras para uma cerimónia de homenagem aos camaradas ausentes e falecidos.

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Felizmente, tive oportunidade de participar nas actividades agendadas para o segundo e último dia. A meu ver, este era o programa mais interessante, visto que, já conhecia as batarias que constavam no roteiro de visitas do primeiro dia. Assim, após o pequeno-almoço, todos os associados foram visitar o Forte de Almada, as baterias da Trafaria e Alpena. Todavia, o quartel da Trafaria estava fechado. Mais do que um convívio de antigos camaradas de armas, os encontros dos Amigos do RAC possibilitam um maior conhecimento do património histórico-militar com os militares que lhe davam vida e alma. Pretende, assim, a Associação dar uma maior visibilidade pública e alertar para a consciência da preservação do património militar construído.

Algumas curiosidades sobre a 6ªBateria da Raposa…

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Localizada na Fonte da Telha, a 6ªBataria foi desactivada em 1999. Depois disso, a grande maioria dos quartéis onde funcionavam as instalações militares desta unidade do exército português ficaram entregues ao tempo e a si próprios. Há uma excepção: a 6ªBataria da Raposa. Aqui, a Associação dos Amigos da Artilharia de Costa, o ajudante Castanheira e dois praças do Exército Português mantêm viva a memória e em bom estado de conservação uma das estruturas de artilharia em Portugal. Na imagem inicial, temos um antigo artilheiro Fernando Limão do RAC, junto de uma das três peças “Vickers” C. 23.4 cm da “Raposa”.

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Inserida na Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica (PPAFCC), estende-se ao longo da orla costeira, desde o aglomerado urbano da Costa da Caparica até à lagoa de Albufeira, em território geográfico pertencente aos concelhos de Almada e Sesimbra. Um dos objectivos desta unidade militar, e pela qual foi concebida, era assegurar a defesa costeira dos acessos ao porto de Lisboa, visto que o alcance de tiro situava-se entre os 20 e 40 km. Estas instalações oferecem uma excelente vista panorâmica sobre o oceano Atlântico.

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A “Raposa” encontra-se num excelente estado de conservação, algo que contrasta com o actual abandono, mau estado de conservação e vandalismo da maioria das unidades do antigo RAC.  Foi possível comprovar, com a ajuda do ex-militar Fernando Limão do RAC,  durante a visita a uma das três peças “Vickers” C. 23.4 cm, de origem inglesa, o bom estado das torres blindadas, das casamatas, dos motores de alimentação eléctrica e dos paióis subterrâneos de munições.

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Sempre que posso ajudo na colaboração na divulgação do encontro dos Amigos da Artilharia de Costa e dos objetivos que lhe estão associados. Acima de tudo, gosto de divulgar projectos que têm contéudo e, acima de tudo, futuro. Há anos que queria vir aqui. Nas minhas incursões pelo RAC, esta foi a cereja no topo do bolo. Nas fotos e nos blogues temáticos, ou seja, o “Mundo Virtual”, nada supera a realidade palpável. A “Raposa” superou as minhas expectativas. Trata-se um belo exemplo de “Lugares Invisíveis”  pelo património que está fora do alcance, do que existe para lá do que é visivel, isto é, espaços que estão inacessíveis. Obrigada à Associação de Amigos da Artilharia de Costa pelo convite para partilhar a memória e as muitas estórias da História desta antiga unidade militar do Exército Português.

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Breve história do Regimento de Artilharia de Costa…

O Regimento de Artilharia de Costa (RAC) foi criada pelas Forças Armadas Portuguesas,  após a 2ªGuerra Mundial, através do Plano luso-britânico – o Plano Barron (1939) -, onde o objectivo era criar uma força especializada em impedir o desembarque de uma força convencional apoiadas por unidades navais, nas imediações dos estuários do Tejo e do Sado. As construções decorreram entre 1944 e 1958, estando operacionais corria o ano 1958. Estiveram ao serviço da Nação, sensivelmente, cinquenta anos. Era constituído por um posto de comando, 8 Batarias com 36 peças de artilharia (Krupp e Vickers) de diversos calibres (150, 152 e 234 mm) com alcance considerável para a realidade bélica portuguesa à época.

Como chegar:

Para ver as instalações bélicas desta antiga unidade da Artilharia de Costa, o leitor terá de pedir autorização ao Exército Português ou falar directamente com a Associação dos Amigos da Artilharia de Costa Portuguesa  para saber mais informações:

  art.costa.2015@gmail.com

Para mais informações:

Bateria do Outão e Forte Velho do Outão – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=25039 >

Forte-Presídio Naval da Trafaria – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2016]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=32962 >

COSTA, António José Pereira da – A cidadela de Cascais e a Defesa da Costa Marítima do Guincho ao Estoril. In: “Boletim do AHM”, Lisboa, vol. 63 (1998 – 1999), pgs. 37 – 98.

EMERECIANO, Jaime – A Artilharia na Defesa de Costa em Portugal. Lisboa: Academia Militar, Dissertação Mestrado em Ciências Militares, especialidade de Artilharia, 2011. Disponível na internet URL: http://comum.rcaap.pt/handle/123456789/7247

MACHADO, M. (22 de Dezembro de 2008). Os Últimos Disparos do “Muro do Atlântico” Português. Obtido em Fevereiro de 2011, de http://www.operacional.pt: http://www.operacional.pt/os-ultimos-disparos-do-%E2%80%9Cmuro-doatlantico%E2%80%9D-portugues/

MASCARENHAS, Catarina de Oliveira Tavares – Da defesa à contemplação da paisagem : intervir no lugar do Forte e da 7ª Bateria do Outão no contexto da Arrábida. – Lisboa : FA, 2014. Tese de Mestrado.

Nota importante [👤]

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📌 À descoberta da Ponte da Ajuda: um belo exemplar da arquitetura civil manuelina…

🇵🇹 Se Elvas destaca-se pela geometria e pela monumentalidade da arquitetura militar barroca dos séculos XVII e XVIII, a Ponte da Ajuda, a 10 km, é um perfeito exemplar da arquitetura civil manuelina do século XVI. Situa-se na margem direita do rio Guadiana e permitia a circulação viária de bens e tropas entre Elvas e Olivença. Era, assim, a única via de comunicação entre a fronteira portuguesa e a vila de Olivenza em caso de socorro bélico.

Edificada, em 1509, no reinado do Venturoso, cognome do Rei De.Manuel I (1495-1521), a Ponte de Nossa Senhora da Ajuda encontra-se, actualmente, em ruínas. Era constituída por 19 arcos, com uma torre militar ao centro. Ao todo tinha cerca de 400 metros de comprimento.

Em virtude dos aluviões e das cheias constantes foi parcialmente destruída no final do século XVI. Mais tarde, no contexto da Guerra da Restauração, foi reconstruída para permitir o socorro de tropas, equipamento bélico e víveres aos constantes assédios militares dos exércitos castelhanos de Felipe IV. Olhando a História, compreende-mos a razão da sua reconstrução: o fim da Monarquia Dual (1580-1640) e o início da luta pela restauração da independência nacional. 

Mais tarde, em 1709, esta ponte foi destruída parcialmente pelo exército bourbon de Felipe V, neto de Louis XIV de França, no contexto da Guerra da Sucessão de Espanha (1701-1714). Era o pronúncio antigo da ocupação efectiva de um território reclamado pelos castelhanos e, mais tarde, Espanhóis desde a época da Reconquista Cristã, aquando do assédio português à Taifa de Badajoz, na segunda metade do século XII. 

Desde então, ficou impedida a passagem directa do território português para Olivença. Em 1801, no contexto da Guerra das Laranjas, dá-se a ocupação pelas forças espanholas de Godoy da vila portuguesa, cujos direitos portugueses foram reconhecidos pelos tratados de Alcanizes (1297) e de Viena (1815), mas nunca pelas autoridades espanholas. E na minha opinião, as autoridades portuguesas nunca souberam, ou não têm interesse, em valer os seus “reais e justos” direitos. Desculpem um aprendiz de viajante andarilho tem de ter opiniões, certo?

Há projectos para a sua reconstrução, mas em virtude das querelas fronteiriças entre Portugueses e Espanhóis, tal não foi possível ainda. Assim, entre 1709 a 2001, quem quisesse visitar Olivenza, teria de passar a fronteira do Caia em Badajoz. Actualmente, o viajante pode transpor, sem qualquer dificuldade, o território português, graças à nova ponte da Ajuda, em betão armado e sem qualidade estética, construída e financiada integralmente pelo Governo de Portugal.

Hoje em dia, os Portugueses e os Espanhóis são duas faces da mesma moeda: a Península Ibérica. Ao contemplar a ponte da Ajuda, o viajante fica ciente que a sua história foi feita ao ritmo dos confrontos bélicos entre os dois lados da fronteira. Daí, as sucessivas destruições e construções ao longo de mais dois séculos. Infelizmente, desde a primeira metade do século XVIII, que está em ruínas. Falar da ponte da ajuda, a meu ver, é falar estórias que fizeram a História de Portugal. 

Deixo-vos um olhar fotográfico desta icónica e histórica ponte do rio Guadiana. Quem disse que a silhueta das ruínas não é fotogénica? A ir.

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