📌À descoberta do Forte de São João Baptista: sentinela de Peniche, guardiã da Berlenga.

📷 A região Oeste de Portugal presenteia-nos com paisagens bucólicas verdejantes, areais dourados a perder de vista e locais com monumentos singelos. Situada a escassas sete milhas do Cabo Carvoeiro, cerca de dez quilómetros, o Arquipélago das Berlengas destaca-se como um dos paraísos perdidos da costa portuguesa. É um bom mote para passar uma jornada diferente que contemple actividades de lazer pela natureza e património edificado da Ilha Grande da Berlenga. Deixo-vos, assim, as impressões pessoais e olhares fotográficos de um antigo exemplar fortificado da costa marítima portuguesa. Vamos embarcar nesta viagem?

“É necessário sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós.”, afirmou o escritor José Saramago. Seguindo a velha máxima da entidade que promove o destino Portugal, “Vá para fora, cá dentro” , optei por realizar uma incursão fotográfica à Ilha da Berlenga. Trata-se de um dos mais conhecidos e concorridos destinos turísticos na região Oeste de Portugal durante a época de veraneio. Situada numa região de intenso tráfego marítimo, o arquipélago das Berlengas sempre foi um local apelativo e ao mesmo tempo perigoso para a navegação marítima. A ocupação humana da Ilha da Berlenga tem mais de dois mil anos como comprova a investigação arqueológica levada a cabo por Jacinta Bugalhão e Susana Lourenço. Comprovou-se, segundo o estudo citado anteriormente, que a Ilha da Berlenga era utilizada como fundeadouro para embarcações comerciais de médio e longo curso, nomeadamente aquelas que percorriam as rotas de ligação entre o Mediterrâneo e os territórios romanos atlânticos.

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Créditos da Imagem ©️ Projecto LIFE Berlengas

O Forte de São João Baptista ao longo da História…

A ocupação humana da Ilha da Berlenga, ao largo da costa da península de Peniche, remonta à primeira metade do século XVI, mais concretamente, ao ano de 1513. Todavia, alguns arqueólogos e historiadores, admitem a presença humana possa remontar à época Romana (século I a.C.). A ocupação efectiva do território da Ilha Berlenga foi feita por uma  pequena [e corajosa] comunidade de monges Jerónimos (movimento eremítico inspirado em São Jerónimo), com edificação de um espaço monástico – o Mosteiro da Misericórdia da Berlenga (1513-1548) – para auxiliar os pescadores locais e as vitimas de naufrágio. Governava, então, El-Rei Dom Manuel I (1495-1521), à época Mestre da Ordem de Cristo e  um grande devoto desta ordem religiosa. Em 1449, o rei D.Afonso V cedeu o senhorio das Berlengas e do Baleal ao Infante D.Henrique, Mestre da Ordem de Cristo. Ao todo, o “Venturoso” mandou fundar, também, os Mosteiros de Santa Maria de Belém (Lisboa) e de Nossa Senhora da Pena (Sintra). A Ilha da Berlenga, seguindo os princípios da Ordem dos Jerónimos, promovia a tranquilidade, a contemplação, o silêncio e o recolhimento.  Em 1548, o espaço religioso foi abandonado pelos monges Jerónimos por motivos de força maior: a fome, as doenças e os constantes ataques de piratas e corsários, em particular, os “mouriscos” que raptavam os monges para vender nos mercados do Norte de África.

RumoBerlenga (43)Na segunda metade do século XVI, em 1557, Dom Luís de Ataíde, 3.ºConde de Atouguia, escrevia uma carta ao rei [D.Sebastião?] de Portugal a expor a situação de fragilidade costeira no seu senhorio de Atouguia da Baleia e Peniche, face aos ataques dos corsários e franceses que faziam aguadas e roubavam embarcações na área envolvente do Arquipélago das Berlengas. O nobre fidalgo, um dos futuros Vice-reis da Índia durante o século XVI, chega a referir que os corsários franceses iam “vender trigos a Lisboa”, fruto dessas pilhagens. Face à importância nevrálgica da região costeira de Peniche, e após sugestão do mesmo, a Coroa Portuguesa, em 1557, incube D. Luís de Ataíde de materializar a edificação de uma fortificação marítima na península de Peniche: o Baluarte Redondo (1557-1558). Entre os anos de 1557 e 1562, o 3.ºConde de Atouguia esteve envolvido em diversos combates navais contra piratas e corsários para defender a jurisdição do seu senhorio, visto que à época a pacata aldeia de Peniche, ligada à actividade piscatória, agrícola e comercial, era alvo de cobiça e constantes desembarques de aventureiros europeus e magrebinos.

Panorama ForteBerlenga (2)Os primórdios da construção da Guardiã da Ilha da Berlenga…

No contexto da Guerra da Restauração, o monarca D.João IV (1640-1654) ordenou a construção de uma estrutura militar para complementar a defesa da costa e da cidadela abaluartada de Peniche. Após a visita de João Rodrigues de Sá, entre 1651 e 1654, sobre um dos ilhéus da enseada da Muxinga, na vertente sudeste da Ilha da Berlenga, decorreram as obras de construção, com recurso a cantarias calcárias e reaproveitamento de pedras do antigo Mosteiro da Ordem dos Jerónimos, do único exemplar bélico do Arquipélago das Belengas: o Forte de São João Batista da Berlenga. Com uma planta octogonal irregular, adaptado à morfologia, estava guarnecida com nove peças de artilharias (Canhoiras). Contém um pátio interior, junto as muralhas exteriores foram edificadas o paiol e as casamatas. A ligação entre o ilhéu e a Berlenga é feito através de uma ponte em alvenaria, e um conjunto de arcos,  com um pequeno ancoradouro.

ForteSJBaptista2015BerlengaCabo Avelar Pessoa: um herói da restauração…

Esta fortificação militar do século XVII, do ponto de vista histórico, ganha um maior destaque na defesa de costa em Portugal no papel que desempenhou ao longo da Guerra da Restauração, considerada o seu expoente bélico. Um dos mais conhecidos episódios e marcantes nos anais da História de Portugal foi ataque de uma armada castelhana de 14 navios, comandada pelo almirante Don Diogo Ibarra, que tinha por objetivo raptar a rainha D. Maria Francisca de Sabóia na sua chegada a Portugal, à época do seu casamento com D. Afonso VI. Logrado o objectivo principal, em Junho de 1666, a armada espanhola decidiu atacar o Forte de São João Baptista, tendo efectuado um intenso bombardeado. Ao longo de dois dias,  a guarnição portuguesa, cerca de trinta soldados e oficiais, comandada pelo Cabo Avelar Pessoa, rendeu-se aos castelhanos por falta de comida, de pólvora e pela traição de um dos soldados que, após uma operação anfíbia, abriu as portas às forças sitiantes. Apesar das baixas castelhanas (cerca de 500 mortos, uma nau afundada e duas danificadas), os combatentes portugueses foram capturados e levados para Espanha pelas forças sitiantes. Hoje em dia, a maior embarcação que faz a ligação Peniche-Berlenga, construída em 1993,  tem o nome deste valoroso herói português.

 

RumoBerlenga (19)O impacto das Guerras Peninsulares (1807-1814)…

Após um restauro na terceira metade do século XVII, após o ataque de 1666, o forte adquiriu funções de presídio politico e militar. Durante as Guerras Peninsulares, em especial durante a 1.ª Invasão Francesa (1807-1808),  o forte serviu de base de apoio para a Royal Navy (à época era “dona e senhora dos mares” após a vitória de Trafalgar em 1805) para realizar assédios constantes à guarnição francesa da cidadela de Peniche. Com a retirada destes, foi pilhada pelos franceses. A capela e o forte foram, novamente, restaurados em 1821. No decorrer das lutas entre liberais e absolutistas (1828-1834) foi utilizada de base às tropas de D. Pedro IV para a conquista da fortaleza de Peniche, ocupada por forças miguelistas. Em 1847, esta fortificação militar do século XVII acabou por ser abandonada, visto que já não cumpria as necessidades bélicas. Posteriormente, foi ocupado por um destacamento da Guarda Fiscal até 1889.

RumoBerlenga (16)A visita do Presidente do Conselho  de Ministros no século XX…

Durante a década de 50 do séc. XX, entre 1952 e 1953, a Fortaleza de São João Baptista foi restaurada pela então Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais para uma posterior adaptação do espaço a pousada, servindo de abrigo a quem aí desejasse pernoitar. Aliás, são estas as funções que hoje apresenta. No Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT) – Arquivo Oliveira  Salazar (1908-1974) – podemos encontrar documentação referente à situação da Pousada das Berlengas, bem como algumas fotografias (Jornal O Século) desta fortificação marítima na década de 30 do século XX. O “mentor” do Estado Novo (1933-1974), o Dr. Oliveira Salazar, na companhia do então Ministro da Marinha Almirante Américo Tomás, a 9 de Julho de 1952, fez uma das raras deslocações fora do seu quotidiano habitual: uma visita para acompanhar as obras de adaptação a Pousada do Forte de São João Baptista. Quem diria, não é?

RumoBerlenga (17)Da Revolução dos Cravos até aos dias de hoje…

A sua missão já não é a defesa da Ilha da Berlenga. Após a Revolução dos Cravos (1974), este bastião de defesa costeira foi cedido, e bem,  pelo  Estado Português à Associação de Amigos da Berlenga (AAB), com vista à sua reabilitação e, mais tarde, para adaptação a alojamento turístico. Funciona, assim, como Casa-abrigo para os inúmeros visitantes que escolhem ficar nas suas celas seculares. Infelizmente, o aspecto histórico do monumento militar e da pousada histórica estão pouco explorados e desenvolvidos. Se ficou interessado neste exemplar de arquitectura militar português, recomendo a leitura da seguinte tese académica Forte de São João Baptista da Berlenga:um plano de gestão integrada da investigadora Raquel Carteiro (2017).

Um Até já…

Solitário. Isolado. Mágico. Mas, Forte. É este o Forte de São João Baptista da Ilha Berlenga. O guardião desta Ilha. A Berlenga. Uma Memória de Pedra que resta de outros tempos, de outras guerras. Saudades de pedra. A sensação de ver surgir a silhueta das suas muralhas na proa de uma embarcação causa espanto e comoção ao visitante da Ilha da Berlenga. Um verdadeiro “guerreiro de pedra” que combateu ao serviço da nação portuguesa. Iremos voltar, certamente.

Não deixe de fazer…

  • realizar uma visita de barco às inúmeras grutas (Flandres, Azul, Muxinga, Lagosteira, entre outras) do Arquipélago das Berlengas;
  • observar um belo pôr-do-sol no atlântico;
  • explorar os diversos trilhos pedestres da Ilha Velha e da Berlenga;
  • fotografar um dos ícones naturais da Berlenga: a cabeça do Elefante;
  • visitar o Farol Duque de Bragança;
  • observar a fauna e a flora única em Portugal, em especial, as gaivotas de pata amarela, os airos, o corvo-marinho-de-crista, a galheta e a cagarra (Birdwatching);
  • efectuar diversas actividades lúdicas ligadas à natureza e desporto, tais como,  o  snorkeling e canoagem;
  • realizar mergulho nos destroços de navios a vapor nas águas agitadas do Arquipélago das Berlengas, tais como, o SS Primavera e o SS Andrios;
  • conhecer o espaço do projeto LIFE Berlengas que visa contribuir para a gestão sustentável da Zona de Proteção Especial (ZPE) deste Arquipélago Atlântico;
  • mergulhar nas águas tranquilas e transparentes da praia do Carreiro do Mosteiro.
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Para mais informações:

Aqui poderá encontrar, por exemplo, extensa documentação e dicas sobre o património material e imaterial desta Ilha Atlântica nos seguintes links:

Antes de viajar para a Berlenga, segundo a CM Peniche, é recomendável consultar algumas particularidades desta ilha para planear a sua viagem. Por exemplo, o visitante deve efetuar a reserva do transporte e/ou do alojamento antecipadamente. O website do Turismo do Centro oferece informação atualizada sobre a região Centro de Portugal. É a melhor opção para começar a planear uma viagem à região Oeste. Já o Município de Peniche permite descarregar mapas e um conjunto de informações sobre os transportes públicos, locais de interesse, museus, gastronomia, entre outros. Importa salientar que poderá encontrar o posto de turismo para saber mais informações e dicas para fazer e planear o seu roteiro pela Reserva Natural das Berlengas (RNB).

✈ Como chegar:

A ligação marítima, entre o Porto de Peniche e a Ilha da Berlenga, têm uma duração aproximada de uma hora. As embarcações de passageiros funcionam entre os meses de Maio e Setembro, fora desse período não existe transporte regular para a Ilha da Berlenga, à excepção dos faroleiros e dos pescadores locais. O “Cabo Avelar Pessoa”, embarcação da empresa VIAMAR, é o transporte marítimo regular com maior capacidade de carga e para o transporte de passageiros. Há também diversas embarcações marítimo-turísticas (Barco Julius, Rumo ao Golfinho, TGV, etc) que levam entre 10 a 40 passageiros, permitindo o acesso à ilha de uma forma cómoda e mais rápida, bem como a organização de passeios às grutas do Arquipélago das Ilhas Berlengas.

🏠 Onde ficar:

Em virtude de ser uma Reserva Natural (Reserva Natural da Biosfera da UNESCO), a Ilha da Berlenga tem três [e únicas] possibilidades de pernoitar para os visitantes: o apoio de campismo (Município de Peniche – Posto de Turismo), na Pousada do Forte São Julião Baptista da Associação de Amigos das Berlengas (AAB) ou no Restaurante Mar e Sol. Aconselha-se a quem quiser pernoitar na ilha a levar lanternas e mantimentos, água doce incluída. No Castelinho existe um pequeno bar e um minimercado com produtos essenciais para a estadia na Ilha. Importa referir que a electricidade é cortada à uma hora da manhã. A torneira de água doce comunitária está aberta entre às 9 e 11 h da manhã todos os dias, visto que é transportada por via marítima pela embarcação “Cabo Avelar Pessoa”.

  • Área de campismo: as reservas são feitas no Posto de Turismo de Peniche (telefone: 262 789 571; email: turismo@cm-peniche.pt)
  • Casa Abrigo do Forte de São João Baptista: reservas feitas junto da Associação Amigos das Berlengas (telefone: 912 631 426; email: berlengareservasforte@gmail.com)
  • Pavilhão Mar e Sol: reservas feita pelo telefone 91 954 31 05

🍜 Onde comer:

Em virtude da Ilha da Berlenga ser um santuário natural, a oferta e diversidade de espaços gastronómicos é [muito] reduzida. A principal área de restauração localiza-se na Berlenga Grande. Trata-se do Restaurante e Alojamento Mar & Sol, localizado no bairro dos Pescadores. Um convite a uma tertúlia pelos sentidos e sabores da cultura gastronómica da região Oeste, em especial, o paladar de uma caldeira de marisco ou um prato de sardinhas com sabor à maresia atlântica. Na minha opinião, a opção mais correta é levar, como se dizia nos escuteiros, “almoço-volante”, isto é, o típico farnel. Nada como uma bela “sandocha” e uma “cervejinha” para desfrutar do descanso de uma caminha pelos trilhos da Berlenga. No Forte da Berlenga, com entrada gratuita, existe também um pequeno bar-restaurante, explorado pela Associação dos Amigos da Berlenga (AAB), que poderá visitar.

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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💻 Texto: Rafael Oliveira 📷 Fotografia: Oliraf Fotografia 🌎

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FOTOGRAFIA✈︎VIAGENS✈︎PORTUGAL © OLIRAF (2019)

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📌À descoberta do Alto Minho: um périplo fotográfico pela região mais a norte de Portugal.

📷 A região do Alto Minho. O troço de fronteira mais antigo de Portugal Continental: o rio Minho. Paisagens que parecem bilhetes-postais, Terra de gentes afáveis, de bom vinho Alvarinho, gastronomia farta, o Parque Nacional Peneda-Gerês e de inúmeros Castelos que fazem parte das estórias da História de Portugal.  Afinal, o Minho definiu os limites geográficos do Condado Portucalense face à Galiza.

Região raiana, o Alto Minho tem um património edificado, natural e geológico único. É um belo prelúdio da diversidade do nosso país. Paisagens bucólicas que parecem bilhetes-postais, lugares que contam estórias da nossa História e uma gastronomia farta e à minhota. O Parque Nacional da Peneda-Gerês não é o único motivo para visitar esta região bem portuguesa. Recordamos algumas imagens fotográficas e impressões pessoais de um viajante andarilho pela essência e singularidade desta região mais a norte de Portugal. Acompanhe-nos neste périplo fotográfico pela região do Alto Minho e conheça locais repletos de história.

📍Rafting no rio Minho (Melgaço)

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Uma das razões para visitar o Alto Minho: o Rafting. Esta actividade radical realizada, entre a barragem da Frieira (Espanha) e a Ponte do Peso (Melgaço), no rio Minho, foi uma das razões para visitar o concelho de Melgaço. Tratou-se de uma experiência fantástica e com muita adrenalina ao longo de quase 14 Km. Os monitores da Melgaço Radical (e da Melgaço WhiteWater) são excelentes pessoas que nos proporcionam uma experiência fantásticas que desperta os nossos sentidos. A cereja no topo do bolo é a oferta de uma garrafinha de vinho Alvarinho aos clientes. Nunca tinha feito Rafting e confesso que superou as minhas expectativas sobre esta actividade de turismo de aventura e radical. Um dia, irei voltar para fazer esta experiência com os meus alunos! Há que promover o “currículo oculto”. Trata-se de uma forma divertida (e exigente) de cimentar o espírito de união de um grupo.

📍Santuário de Nossa Senhora da Peneda (Arcos de Valdevez)

img_20190215_143036_998-1371465966.jpgO Santuário de Nossa Senhora da Peneda é um lugar recôndito e de rara beleza. A sua escadaria é um regalo arquitectónico para os nossos olhos. A Igreja, dedica ao culto da Nossa Senhora da Peneda, foi construída entre os finais do século XVIII e os primórdios do século XIX. Trata-se de um dos santuários católicos mais concorridos pelos romeiros do Norte de Portugal, em especial, na região do Alto Minho. Aprecie a bela cascata que cai, abruptamente, dos penedos graníticos que dão forma, cor e impacto visual à Serra da Peneda.

📍Praça-forte de Valença do Minho (Valença)

img_20190216_233813_934569004936.jpgPraça-forte de Valença do Minho, a sentinela da fronteira raiana do Alto Minho. Durante o século XII, El-rei Dom Sancho I, através de Valença, por inúmeras vezes tentou expandir a fronteira lusa com o assédio às localidades galegas de Tui e Pontevedra. Valença, à época denominada Contrasta, afirmou-se como um local estratégico, visto que estava entre o Rio Minho e a velha estrada romana.  É a mais importante fortaleza do Alto Minho e um dos notáveis exemplos da Arquitectura Bélica da História de Portugal (só equiparada a Almeida e Elvas). Esta impressionante fortificação abaluartada, construída no contexto da Guerra da Restauração (1640-1668), é um belo exemplo do aproveitamento das condições do meio envolvente: os patamares sobrepostos à orografia do terreno. Um projecto militar com escala para fazer face às ameaças de “nuestros hermanos”. Hoje em dia, esta cidade minhota é um ponto de confluência entre peregrinos de Santiago e de viajantes de todos os cantos da Peninsula Ibérica. Uma História feita de [Portugueses] Fortes!

📍Aldeia do Sistelo (Arcos de Valdevez)

img_20190214_195641_517-828808577.jpgEm Portugal existem lugares encantadores para descobrir. Sistelo é um deles. uma aldeia singela e bela. Trata-se de uma paisagem monumento-nacional e uma das 7 maravilhas de Portugal. Esta aldeia minhota, localizada no relevo acidentado da Serra da Peneda, é conhecida (turisticamente) pelo “Tibete Português”. E porquê? A paisagem envolvente é caracterizada pelos socalcos, que variam entre os 180 metros e os 1360 metros, onde se cultiva o milho e pasta o gado autóctone: as vacas cachenas. Apesar não estarmos na Ásia, a paisagem verdejante transmite uma paz espiritual e uma harmonia secular entre o homem e o meio. Um belo poema paisagístico escrito pelo Homem.

📍Vila de Ponte de Lima (Ponte de Lima)

2018_0606_12301000650701230.jpgSabia que Ponte de Lima é a vila mais antiga de Portugal? A capital da canoagem portuguesa é uma verdadeira embaixadora da região do Alto Minho. O rio Lima, que dá nome a esta vila, era denominado pelos romanos de Lethes: o rio do esquecimento. Quem o atravessasse, acreditava eles, perderia [para sempre] a memória. Era, assim, há mais de dois milénios. Além da beleza natural que envolve esta peculiar vila de Portugal, o património edificado aumenta singularmente o seu valor histórico, cultural e arquitectónico como, por exemplo, a icónica ponte romana sobre o rio Lima e os vestígios da cerca e torres muralhadas, construídas durante o reinado do “Justiceiro” D. Pedro I de Portugal, que cercavam o antigo burgo medieval. Não deixe de percorrer a “Avenida dos Plátanos”, bem como ver a bela Capela do Anjo da Guarda.

📍Espigueiros do Soajo (Arcos de Valdevez)

2018_0606_15531600-419566512.jpgA simpática vila do Soajo. Aqui, o viajante poderá encontrar um conjunto de espigueiros erigidos sobre uma majestosa laje granítica. Ainda hoje, são utilizados para secar o milho pelas gentes desta aldeia minhota. Os Espigueiros do Soajo são um excelente exemplo da tradição da arquitectura popular do Minho. O percurso turístico de Automóvel pelas estradas e caminhos, entre as Serras Amarela e do Soajo, o viajante tem, por vezes, a companhia das [singelas] vacas Barrosãs. Máxima atenção!

📍Torre de Lapela (Monção)

img_20190216_234946_166-297228575.jpgHá locais repletos de História, como o caso da Torre de Lapela. Incógnita na paisagem, esta Torre de Menagem impõe a sua presença junto às margens do rio Minho. Datada do século XIV, esta Torre Medieval é uma imponente, robusta e sólida construção bélica. É visível a grande distância e eleva-se a cerca de 35 metros sobre o leito do rio Minho. No reinado de D. Manuel I  (1495-1521),o castelo foi desenhado pela pena do escudeiro Duarte D`Armas no seu “Livro das Fortalezas” (ANTT: 1509).  Durante o reinado de D.João V (1705-1750), o antigo castelo de Lapela foi desmantelado, à excepcão da Torre, para que as suas sólidas pedras fossem utilizadas na construção da moderna fortaleza abaluartada da vila de Monção. Exigências bélicas (e dos tempos). Sugerimos uma visita ao  Núcleo Museológico, aberto desde 2016,  para compreender as estórias desta sublime torre fortificada. No final, o viajante poderá desfrutar de uma vista arrebatadora para o leito do rio Minho e para o conjunto da aldeia. A “Torre de Belém do Minho”, segundo é apelidada pelas gentes regionais, vale mesmo a pena visitar e perder um bocado de tempo.

📍Aldeia de Castro Laboreiro (Melgaço)

img_20190216_154225_0171232351829.jpgIncógnito e recôndito. Duas palavras para descrever este “guerreiro de pedra” da aldeia de Castro Laboreiro. Localizado a cerca de 1000 metros de altitude, o castelo de Castro Laboreiro é um forte motivo para visitar a genuína aldeia de Castro Laboreiro. Trata-se de um antigo castro romanizado que, na minha opinião, vale pela sua localização geográfica e, acima de tudo, pela seu conjunto fortificado preservado da intervenção do Estado Novo na década de 40 do século XX. Após uma caminhada de cerca de 900 metros, com sinalética um pouco degrada, é possível contemplar uma das melhores vistas para a aldeia de Castro Laboreiro e para as fragas/penedos da Serra da Peneda. A Just Natur organiza visitas e caminhadas temáticas para apreciar o património natural e edificado desta aldeia típica castreja.

📍Castelo de Lindoso (Ponte da Barca)

img_20190207_095202_393-202276086.jpgÉ na freguesia de Lindo(so) que existe a maior concentração de Espigueiros da Peninsula Ibérica. São, sensivelmente, 120 exemplares. Esta aldeia minhota tem um belo nome e, na minha subjectiva opinião, é  bela de aspecto. Trata-se da sentinela [de pedra] das Serras da Peneda e do Gerês.  Em virtude da sua situação estratégica, sobre o curso do rio Lima, é um dos mais importantes monumentos portugueses da arquitectura militar medieval, datada do reinado de D.Afonso III (1248-1279),  foi alvo de inúmeros assédios bélicos durante a Guerra da Restauração (1640-1668), visto que está próxima da fronteira raiana com Espanha. Poderá, no interior da fortaleza, visita um pequena exposição permanente sobre a sua emblemática história em defesa do escudo real de Portugal. Na envolvência desta fortificação bélica, o viajante fica impressionado com a enorme quantidade dos “pequenos celeiros” da região minhota: os Espigueiros. O mais antigo está datado do século XVIII. São o exemplo da vivência comunitária das gentes desta aldeia do Alto Minho.

📍Mosteiro de Sanfins de Friestas (Valença)

img_20190223_084033_356137124943.jpgA Igreja do Mosteiro de Sanfins de Friestas sobressai na bucólica paisagem onde se insere.  Aqui, o viajante viaja pelo legado secular da arquitectura religiosa românica do Alto Minho. É como estar às portas [da História de Arte] do primeiro românico Português. Com amplas vistas sobre o vale do rio Minho, o antigo Mosteiro [Masculino] Beneditino, fundado no fim do século XI, tem um extenso aglomerado de ruínas que revelam as seculares estruturas religiosas: o aqueduto, o muro e as respectivas dependências monacais.  Este lugar é um verdadeiro convite ao recolhimento espiritual no seio de uma monumental mata de Carvalhos (os verdadeiros guardiões deste lugar peculiar).

📍Castelo de Melgaço (Melgaço)

FAM TRIP_Melgaço--4Castelo de Melgaço é um belo exemplo da arquitectura militar românica. Uma das características é a sua Torre de Menagem, situar-se no centro da Alcáçova, em vez de ficar junto à cintura de muralhas. Por momentos, senti-me na pele do escudeiro Duarte D’Armas que desenhou este “guerreiro de pedra” para El`Rei D.Manuel I nos principios do século XVI. Todavia, uma das razões para visitar o concelho mais radical de Portugal é o Rafting. Esta actividade radical realizada, entre a barragem da Frieira (Espanha) e a Ponte do Peso (Melgaço), no rio Minho, foi uma das razões para sair da minha zona de conforto e fazer quase 500 km até ao concelho mais a Norte de Portugal. Tratou-se de uma experiência fantástica e com muita adrenalina ao longo de quase 14 Km. Os monitores da Melgaço Radical (e da Melgaço WhiteWater) são excelentes embaixadores do rafting, em Portugal, que nos proporcionam experiência fantásticas que despertam o lado radical escondido que há em cada pessoa.

📍Parque Nacional Peneda-Gerês (Melgaço)

FAM TRIP_Melgaço--16Parque Nacional Peneda-Gerês proporciona-nos um contacto mais próximo com a Natureza. Aliás, a vila de Melgaço situa-se, a sensivelmente, 30 Km de umas das entradas: as Portas de Lamas de Mouro. Ao longo da estrada, o viajante poderá apreciar a dimensão física, a fauna e a flora deste lugar mágico. Podemos ver cavalos selvagens (os garranos) e as vacas da raça cachenas guiadas por cães da raça Castro Laboreiro que pastam livremente, entre o principio da primavera e o fim de outono, nos inúmeros prados na zona montanhosa da região minhota. Porque não captar a fauna e a flora de um dos mais importantes parques naturais de Portugal Continental?

Como dizia o escritor José Saramago, o “viajante [Oliraf] volta já.”

Não deixe de fazer…

  • realizar uma prova de vinhos (até três vinhos) gratuita no Solar do Alvarinho;
  • observar as vacas cachenas, os cavalos selvagens (garranos) entre as Portas de Lamas de Mouro e a aldeia da Branda da Aveleira;
  • dar um mergulho em Caminha;
  • conhecer o Navio Gil Eanes na cidade de Viana do Castelo;
  • visitar o único SPA para cabras em Portugal Continental: a queijaria Prados de Melgaço;
  • fazer uma “Grand Tour” pela região vinícola da casta Alvarinho através da Rota do Alvarinho;
  • visitar o canil onde se cria os cães da raça Castro Laboreiro;
  • explorar os inúmeros trilhos pedestres do Parque Nacional Peneda-Gerês.
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Para mais informações:

Aqui poderá encontrar, por exemplo, extensa documentação e dicas sobre o património material e imaterial desta vila do Alto Minho nos seguintes links:

O website do Turismo Porto e Norte oferece informação atualizada sobre a região Norte de Portugal. É a melhor opção para começar a planear uma viagem à região do Alto Minho. Já o Município de Melgaço permite descarregar mapas e um conjunto de informações sobre os transportes públicos, locais de interesse, museus, gastronomia, entre outros. Importa salientar que poderá encontrar o posto de turismo para saber mais informações e dicas para fazer e planear o seu roteiro pela vila. Para mim, esta é a melhor forma de começar a visita a Melgaço: a Praça da República.

✈ Como chegar:

Em virtude de querer conhecer um pouco a região do Alto Minho, visto que ia fazer uma viagem de quase 500 km, optei por ir de avião numa companhia low-cost para o Aeroporto do Porto. É a melhor opção relação custo-tempo. De seguida, optei por alugar uma viatura para ir para o concelho de Melgaço. A partir do Aeroporto do Porto (Maia), deve seguir pela A41 (IC24) até à saída para a A3 (Parede), em direcção a Braga (via Valença). De seguida, opte pela N101 que liga Valença a Monção. Deverá prosseguir pela N202 até à vila de Melgaço. Se quiser prosseguir para a aldeia de Castro Laboreiro, desde a vila de Melgaço, opte pela N202 em direcção a Lamas de Mouro. De seguida, opte pela N202-3 rumo à aldeia serrana. Tenha atenção às vacas cachenas e ao nevoeiro denso que costuma aparecer ao longo do trajecto rodoviário.

🏠 Onde ficar:

No concelho de Melgaço existem inúmeras opções económicas de alojamentos, consoante o número de dias que irá ficar para conhecer a região do Alto Minho e do Parque Peneda-Gerês. Nas proximidades das Termas de Melgaço, o Hotel Boavista II (3 Estrelas) é uma excelente ideia para quem queira ficar na vila de Melgaço. Já na aldeia de Castro Laboreirorecomendo duas opções distintas: uma unidade Hoteleira (Hotel Castrum Villae) e um alojamento local (Moinhos do Poço Verde). Na minha opinião, ambas as escolhas são recomendáveis. Todavia, se gosta de um ambiente tranquilo e longe da confusão, os Moinhos do Poço Verde são a melhor opção para “meditar” na natureza envolvente do Parque Nacional Peneda-Gerês. Este turismo rural é ideal para quem queira ficar um fim-de-semana.

🍜 Onde comer:

Na vila e nos arredores do concelho de Melgaço existe uma diversidade de espaços gastronómicos que são um convite a uma tertúlia pelos sentidos e sabores da cultura gastronómica melgacense. Vejamos, a Adega Sabino é um dos melhores espaços para saborear a gastronomia local e regional do Alto Minho. Afinal, o “Sabino” é um verdadeiro “embaixador” da cultura gastronómica melgacense. Na minha opinião, a sua simplicidade em acolher no seu espaço gastronómico, torna-o especial. A sua adega conquistou-me pelo paladar e pelos aromas do alvarinho, bem as indicações para fazer uma prova de vinhos no Solar do Alvarinho. Recomendo as pataniscas, os nacos de vitela, o bucho doce e o vinho Alvarinho Torre de Menagem. Nas proximidades do Mosteiro de Paderne, optei por jantar na Tasquinha da Portela. Na minha opinião, um dos melhores restaurantes do concelho de Melgaço. Recomendo o pão de alho, o Polvo à lagareiro, o vinho branco da casa (mistura de alvarinho), bem como os licores da casa. E a simpatia da gerência são bons motivos para voltar. Para quem quer lanchar, a pastelaria e salão de chã Aromas & Caprichos é um excelente motivo para deliciar-se com a mistura da pastelaria francesa com produtos regionais. Nas proximidades de Castro Laboreiro, o Brandeiro é um dos melhores restaurantes do concelho de Melgaço. Trata-se de boa sugestão gastronómica para visitar a castiça aldeia da Branda da AveleiraSupera pela sua localização geográfica e variedade gastronómica os restaurantes de Castro Laboreiro: o Miradouro do Castelo e o Miracastro. A nivel gastronómico, recomendo os nacos de carne chacena. Infelizmente, não se apanha muita rede de telemóvel no restaurante. Optamos por saborear o momento a solo. A vida sabe melhor.

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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📌 À descoberta de Monsanto: um olhar fotográfico da “Aldeia mais portuguesa de Portugal”.

📷 Majestosa, forte e alta. São três adjectivos que utilizo para descrever esta aldeia-monumento da região Centro de Portugal. Para mim, a aldeia histórica de Monsanto é a aldeia-rainha do Turismo Português.  Afinal, não há terra igual no nosso país! Trata-se da aldeia com maior consagração nacional, a comprovar estão os prémios de “Aldeia mais Portuguesa de Portugal” (1938), uma das doze Aldeias Históricas de Portugal e, mais recentemente, uma das finalistas da categoria de aldeia-monumento das 7 Maravilhas de Portugal® – Aldeias. Sabia que o  seu castelo medieval foi eleito, em 2007, uma das 7 maravilhas de Portugal?

📍Monsanto, Idanha-a-Nova, Castelo Branco, Portugal.

As Aldeias Históricas de Portugal são, na sua grande maioria, antigas povoações fortificadas localizadas junto à raia, isto é, junto à fronteira luso-espanhola. Monsanto, na ciência geográfica, é um Icelbergue, ou seja, um “monte-ilha” resultante dos agentes erosivos. Esta aldeia portuguesa é conhecida e apreciada pelas suas características singulares histórico-culturais e geográficas. Uma viagem curta, mas vivida intensamente. Monsanto é sempre uma boa surpresa para um viajante ocasional.

Monsanto
Gravura do Castelo de Monsanto in Livro das Fortalezas, Duarte d`Armas, c.1509, ANTT

Localizada no Municipio de Idanha-a-Nova, situada a meio caminho entre Penha Garcia e Castelo Branco, esta é uma das doze Aldeias Históricas de Portugal🇵🇹.  Há lugares que despertam o nosso espírito de viajante andarilho existente em cada um de nós. Ícone turístico da região da Beira Baixa, a Aldeia Histórica de Monsanto é uma experiência pelo património edificado e natural, bem como da autenticidade das suas gentes locais. Era uma ambição antiga que nunca se satisfazia como se aquela vontade [de viajar] acumulada por muitos anos nunca mais se fartasse  Monsanto mais do que uma aldeia, a meu ver, é um geomonumento.

A Igreja Matriz (ou de São Salvador) recebe-nos à entrada da “aldeia mais portuguesa” de Portugal. O viajante está em Monsanto. Aqui, o casario  granítico confunde-se com os “caos” de penedos que descem a encosta que observo atentamente. De facto, não é muito diferente do que  o escudeiro  ao serviço de El`Rei D.Manuel I  (1495-1521) desenhou nos princípios do século XVI. Por momentos, senti-me na pele Duarte D’Armas que desenhou este “guerreiro de pedra” na suas errâncias pela fronteira luso-castelhana.

img_20181105_200742_3441062676411.jpgMonsanto, uma aldeia portuguesa. Sabia que foi considerada a “Aldeia mais Portuguesa” de Portugal, em 1938, na vigência do regime Estado Novo? A réplica do Galo de Prata na Torre de Lucano (ou do Relógio) é uma evidência do passado desse concurso, organizado e desenvolvido pelo Secretariado de Propaganda Nacional (SPN), liderado por António Ferro. Este organismo tinha como objectivo a promoção da coesão nacional e do restauro das “tradições”, através, de concursos, discursos e guias de viagem. Através dos conceitos centrais – popular, o povo, a aldeia e a tradição – o Estado Novo (1933-1974) procurava instituir um universo simbólico que facilitasse a imposição da ideologia política do Salazarismo: a construção de uma identidade nacional.

monsanto (1)A Aldeia era o cenário perfeito para acções de propaganda da raça portuguesa ancestral. Simbolizava o reduto da nação portuguesa – antiga, rural, prestígio do núcleo familiar e da moral, trabalhadora, tradicional, pobre, cristã, honrada e genuína, isto é, o refúgio material e imaterial da conservação, desde tempos remotos, do modo de viver das comunidades, através da história, folclore, artesanato, da religião, sabedoria popular e do património edificado, em oposição ao Portugal cosmopolita e urbano. A política do regime Salazarista, enquanto sistema totalitário e fascista, pretendia evitar, a todo o custo, a “Proleitarização” dos Campos, isto é, defender a coesão nacional face ao massivo êxodo rural para as cidades em busca de novas oportunidades de vida.

 

img_20181107_202518_160-794935924.jpgO miradouro natural, junto ao Forno Comunitário, faz parar curiosos desde a subida do centro da aldeia ao topo da fortificação bélica local. É a parte mais antiga e o ponto mais alto da aldeia. O castelo fica situado num lugar íngreme e de difícil acesso. Nas minhas itinerâncias, a busca da curiosidade dos lugares leva-me sempre a subir a um ponto elevado. Não me fatigo. Nada me emociona que o deslumbramento da revelação de uma paisagem. Após a conquista por D.Afonso Henriques aos Sarracenos, a aldeia de Monsanto foi doada aos Templários. O Castelo de Monsanto foi construído no decurso do século XII pelo mítico Gualdim Pais (1157-1195), grão-mestre da Ordem do Templo em Portugal.

img_20181107_200751_771-2139980262.jpgEste “guerreiro de pedra” foi adaptado à morfologia do meio em que está inserido: as muralhas e a alcáçova fortificada serpenteiam ao sabor das enormes fragas e penedos graníticos. Hoje em dia restam pouco vestígios da torre de menagem. A sua missão era proteger a fronteira leste do Reino de Portugal, em conjunto com os castelos de Penha Garcia e Segura, face às investidas bélicas do Reino de Leão e Castela, visto que, durante a Idade Média, esta zona era muito vulnerável, instável e pouco povoada. Para tal, os primeiros reis da Dinastia Afonsina concederam-lhe Carta de Foral em 1174, 1190 e em 1217. Com um panorama visual 360º, do topo do castelo destacam-se a barragem Marechal Carmona e, ao fundo, o pequeno castelo de Penha Garcia. Para mim, um cenário à medida da Série da HBO “Game of Thrones”!  É difícil transmitir sensações perante esta paisagem singular capaz de deixar qualquer um 💯 fôlego.

monsanto (3)Segundo uma famosa a lenda medieval do cerco ao Castelo de Monsanto, os sitiados enganaram os castelhanos alimentando uma vitela com o pouco cereal que tinham. Julgando que os monsantinos estavam cheios de mantimentos, as tropas castelhanas decidiram levantar o cerco. A Festa de Santa Cruz, em Maio, honra a memória deste episódio da história local. À saída do recinto muralhado, ergue-se o antigo povoado primitivo em redor do Campanário, à esquerda, e da  Capela de São Miguel, à direita. A partir do século XV, os monsantinos instalam-se, progressivamente, na actual aldeia. Trata-se de um belo exemplar da arquitectura românica. Infelizmente, hoje, em ruínas. Mas, estas não deixam de ter o seu mistério. Afinal, as ruínas são o símbolo da passagem do tempo.  Nas proximidades, o viajante curioso poderá visualizar a Torre do Pilão e as respectivas sepulturas antropomórficas. Aqui, o viajante poderá sentir que o tempo não está aprisionado em sólidas muralhas de granito.

img_20181107_202113_845-1045289407.jpgSensivelmente a 758 metros de altitude, a alma de viajante andarilho, tal como o geógrafo Orlando Ribeiro, foi esmagada pelo paisagem envolvente. Monsanto não é apenas uma lição de História. É, também, uma lição de Geografia. De facto, as ciências geográficas e históricas caminham juntas. Ninguém fica indiferente aos inúmeros penedos e blocos graníticos que emergem do planalto da Beira Baixa: são os inselbergue ou montes-ilha. Estas formas de relevo esculpidas com mestria pela acção da natureza, através, dos agentes de erosão (ventos e chuva). A Rocha granítica, neste caso, mais resistente fica à superfície terrestre. Os blocos graníticos exemplificam a força “bruta” da Natureza e a fragilidade do ser humano. Continência aos agentes erosivos! O viajante alarga os horizontes da memória e geográficos. O espanto da novidade a qualquer instante. Natureza exuberante e surpreendente. A experiência directa, e não a leitura de livros, tornou-se no modo de conhecer o mundo real. Uma na forma de olhar o Mundo. É um território de natureza bruta. A largueza dos horizontes abre-nos para a eterna novidade do Mundo.

2018_0428_135837001039201416.jpgMonsanto não se resume ao velho e singelo castelo templário. Após uma prolongada e saborosa visita ao recinto muralhado do Castelo de Monsanto, e pelas vistosas paisagens envolventes, a visita continua numa inocente exploração dos sentidos. Descubro a casa do médico Fernando Namora que, entre 1944 e 1946, praticou medicina na aldeia de Monsanto. Construída em 1931, uma placa assinala a presença deste vulto da cultura literária portuguesa do século XX. Este escritor português amava a autenticidade e a solidão do Mundo Rural, ao contrário das vivências citadinas. O próprio sentia-se um “estrangeiro na cidade”. Estou certo que uma parte da sua obra literária foi inspirada e escrita nesta aldeia bem portuguesa. Veja-se o caso da obra “Nave de Pedra” (1975).

monsanto (2)À porta de uma casa de Monsanto encontro uma idosa tecendo e que saboreava a azáfama quotidiana de forasteiros que vêm visitar a sua singela aldeia. De súbito, ocorro-me a citação de um grande pensador e intelectual da nossa História, o Padre António Vieira (1608-1697):  “Somos o que fazemos. Nos dias em que fazemos, realmente existimos; nos outros, apenas duramos.” Os meus olhos depararam-se num objecto com características e formas peculiares. Perguntei-lhe na minha ignorância o que era. Respondeu-me: uma Marafona. Trata-se de uma Cruz de madeira vestida com aspecto de boneca (sem olhos, sem orelhas e nariz) com os trajes típicos da região de Monsanto, associada a cultos de fertilidade, utilizada para afastar o perigo das trovoadas e participa nos desfiles da festa da Divina Santa Cruz, no dia 3 de Maio. No final, optei por comprar a dita “Marafona” e pedi ainda a autorização para captar uma foto para levar como recordação. Um belo exemplo da tradição, identidade e folclore que faz desta aldeia uma das doze Aldeias Históricas do Centro de Portugal. Será que esta tradição irá perder-se? Interrogo-me. Só o tempo o dirá.

monsanto (4)A singularidade da sua localização num complexo rochoso, e construída no seio de um “caos” imenso de blocos de granito, a aldeia histórica de Monsanto, no concelho de Idanha-a-Nova, ganhou em 1938 o Galo de Prata e a designação da “aldeia mais portuguesa de Portugal”. Gente simples ocuparam penedos graníticos para vincar a dureza da vida quotidiana nestas latitudes. As pedras e o Homem. O Adufe e a Música. Os Horizontes e as suas Histórias. O Coração sentimental de Portugal. Coordenadas do tempo e do espaço em uma extensão sem precedentes. E um museu a céu aberto à História de Portugal e da Geografia Física. Presença e força que ditam a essência e singularidade da sua povoação. O Adufe e a Marafona são exemplo disso. Neste “Monte Santo” houve uma comunidade milenar que, ao longo dos milénios, soube adaptar-se ao meio envolvente.

Nas redondezas da aldeia histórica de Monsanto, não deixe de visitar:

  • a povoação raiana e as minas de Segura;
  • as termas de Monfortinho;
  • o Parque Nacional do Tejo Internacional;
  • o núcleo museológico do Paleozóico;
  • o Castelo e os moinhos etnográficos de Penha Garcia;
  • a povoação espanhola de Alcántara e o seu ex-libris: a Ponte Romana;
  •  o conjunto fortificado da aldeia histórica de Idanha-a-Velha.

Apesar de não ter nascido com passaporte de turista, como dizia o escritor Alves Redol, fui construindo uma paixão pela viagem. Viajar é aprender com o olhar. Estou no Centro de Portugal. Facto. Mas, há um dia da nossa vida que temos de descobrir um “Centro” que nos conduza pelo caminho das nossas fraquezas em busca de certezas. Monsanto é um belo exemplo da adaptação do Homem ao meio. Segundo Ernest Hemingway, a cidade de “Paris é uma Festa”. Já, para mim, Monsanto é uma Evasão. Aqui, existe uma harmonia entre o ser humano e a natureza. Durante as minhas viagens, tal como Fernando Namora, afasto-me da profissão para que o viajante possa emergir dentro de mim.

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Para mais informações:

Aqui poderá encontrar, por exemplo, extensa documentação e dicas sobre o património material e imaterial desta vila do Alto Minho nos seguintes links:

O website do Turismo da Região Centro oferece informação actualizada sobre a imensa do Centro de Portugal, sendo a melhor opção para começar a planear uma viagem à região. Recomendo, também, a consulta do sitio digital das Aldeias Históricas de Portugal, visto que permite descarregar mapas e um conjunto de informações sobre os transportes públicos, locais de interesse, museus, gastronomia, entre outros. Importa salientar que poderá pesquisar no site do Município de Idanha-a-Nova para saber mais informações e dicas para fazer e planear o seu roteiro pela aldeia histórica de Monsanto.

Monsanto está localizada a cerca de 25km a nordeste de Idanha-a-Nova. A estrada nacional N239 faz a ligação de Idanha a Monsanto num percurso com uma duração de cerca de 45m de carro. Se vem de Lisboa ou do Porto pela A1, deverá sair para a A23 na saída de Abrantes/Torres Novas. Na A23 saia pela saída de Alcains/Penamacor e siga as indicações para Idanha-a-Nova.

Coordenadas GPS: 40.0454776, -7.2296209

Ler mais em:

CASTELO-BRANCO, Salwa El-Shawan (ed.) ; BRANCO, Jorge Freitas (ed.). Vozes do Povo: A folclorização em Portugal. New edition [online]. Lisboa: Etnográfica Press, 2003 (generated 24 janvier 2019). Available on the Internet: Capítulo 9. O concurso “A Aldeia Mais Portuguesa de Portugal” (1938) >.

Documentário  “A ALDEIA MAIS PORTUGUESA DE PORTUGAL” realizado por António de Meneses (1938).

NOÉ, Paula – Os castelos da Ordem do Templo em Portugal. Lisboa: SIPA, 2016.

Nota importante [👤]

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📌À descoberta do F(O)LIO – Festival Literário Internacional de Óbidos: uma viagem literária e fotográfica pela vila-rainha da região Oeste.

📷 Bela e singela. São dois adjectivos para descrever esta vila medieval da região Centro de Portugal. Para mim, Óbidos é a vila-rainha do Turismo Português. Sabia que o  seu castelo medieval foi eleito, em 2007, uma das 7 maravilhas de Portugal? Afinal, não há terra igual no nosso país! 

Entre 27 de Setembro a 7 de Outubro de 2018 ocorreu o FOLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos. À boleia da minha nomeação como finalista da 1.ºEdição do Prémio Latitudes Viagens & Vantagens 2018 tive um excelente motivo para (re) descobrir o património edificado e o pulsar quotidiano de uma das mais singelas e belas vilas medievais do nosso país: Óbidos. Segundo o jornal Britânico The Guardian, esta vila literária é referida como uma das 10 melhores cidades do livro do mundo: “Óbidos is a beautiful, historic hilltop town with a wall that encloses a compact medieval centre filled with cobbled streets and traditional houses. The town – just over an hour north”. É graticante estar nestas LATITUDES, em especial, numa região bem familiar: o Oeste.

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Esta vila-museu é um marco  histórico-cultural e paisagístico incotornável do Centro de Portugal, em especial, da identidade da região Oeste. El-Rei Dom Dinis (1261-1325) resolveu dar à sua jovem esposa D.Isabel de Aragão (1271-1336), em 1281, como dote a mais bela jóia da Estremadura: Óbidos. As rainhas dispunham, assim, de “casa própria”, de rendimentos, terras e,acima de tudo, de espaços para recreio e lazer, na sua grande maioria, por doação régia. Esta vila medieval esteve até 1833 inserida no património da Casa das Rainhas.  Ainda hoje, o viajante poderá comprovar o impacto do mecenato régio em inúmeros edificios que dão forma ao património edificado desta localidade. Com a implantação do regime liberal, a Casa das Rainhas foi extinta, por decreto de 18 de Março de 1834, pelo rei D. Pedro IV,  sendo o seu património, bens e rendas integrados no Estado Português.

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Em Óbidos, as fotografias saem sempre bem e cheias de tonalidades cromáticas. As suas muralhas, castelo e o seu casario transportam-nos, através de uma máquina do tempo, até ao imaginário da época medieval! Enfim, esta vila do Centro de Portugal é, na minha subjetiva opinião, um belo e singelo relato literário para viajantes do tempo. O tempo da História. Da nossa História. É uma das mais ricas e perfeitas jóias da arquitectura militar da Estremadura. O Castelo de Óbidos e as suas muralhas adjacentes, segundo o arquitecto Raul Lino (1879-1974), são “um dos exemplares mais perfeitos da fortaleza medieval portuguesa”. Durante muito tempo, esta maravilhosa, singela e pitoresca vila de Portugal, esteve nas mãos dos Mouros, que tinham pelo local uma especial e justificável predileção. Todavia, o primeiro monarca do Reino de Portugal, em 1148, Dom Afonso Henriques, conquista esta fortificação aos Mouros. De seguida, o monarca ordenou a construção de uma cintura de muralhas erguida em volta do casario medievo e dos principais pontos estratégicos – as torres e as ameias – que vigiavam o litoral atlântico. Em 1195, o rei Dom Sancho I atribuiu a primeira Carta de Foral a Óbidos.

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“O FOLIO é uma festa literária em Óbidos, Portugal”, podemos ler na página do Instagram do @foliofestival. Na minha minha opinião, este festival é um ponto de encontro de amantes da literatura, cujo enfoque são tertúlias literárias entre escritores e leitores com pontos de vista diferentes e irreverentes. Podemos afirmar, e confirmar, que este Festival Literário é um dos principais eventos de promoção da cultura literária em Portugal. Afinal, Óbidos, desde 2015, é a Vila Literária de Portugal consagrada pela UNESCO. Ao longo da Rua Direita, uma das ruas mais características e castiças de Óbidos, os amantes literários bucólicos e nostálgicos poderão encontrar e deparar-se, a cada passo, com inúmeros alfarrabistas, livrarias e diversas actividades relacionadas com a arte de bem escrever, bem como vestígios de civilizações romanas e islâmicas.

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“Amor de Perdição” em plena vila Medieval de Óbidos! Perdi-me neste imenso oceano Literário, em especial pela decoração da Livraria do Mercado. Situado na Rua Direita, este espaço original é um dos pontos mais procurados por turistas e viajantes literários, ocupando um antigo quartel de bombeiros. No seu interior podemos encontrar inúmeras estantes de livros feitas com caixas de frutas reaproveitadas, bem como um pequeno Mercado Biológico. Trata-se, a meu ver, do espaço ideial para comprar um livro usado ou novo de editores independentes.

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A programação deste festival literário conta com uma vasta programação cultural e literária o que, por vezes, torna-se dificil optar pelas melhores apresentações de livros, debates e tertúlias entre escritores. Foi o caso da conversa sobre o Revisionismo Histórico entre José Pacheco Pereira e Fernando Rosas, organizada pela editora Tinta-da-China, que contou com imensa afluência do público. Afinal de contas, estes dois Historiadores são um dos maiores vultos da Historiografia e da Política do pós-25 de Abril em Portugal. Fernando Rosas, por exemplo, afirmou que o Historiador é um ser subjectivo e isso relecte-se no objecto de estudo. Já Pacheco Pereira, citando Max Weber, confessou que quem escreve História tem de ter uma certa empatia com o objecto de estudo. O debate teve lugar na Casa Tinta-da-China, com moderação de Bárbara Bulhosa, em que estava exposta um conjunto de retratos de escritores portugueses “Retratos 1970-2018”, tais como Sofia de Mello Breyner, António Lobo Antunes ou Valter Hugo Mãe, da autoria do fotógrafo Alfredo da Cunha.

Não deixe de fazer…

  • caminhar no areal da Foz do Arelho e na Lagoa de Óbidos;
  • fotografar um dos mais incónicos edificios religiosos da região Oeste: o Santuário do Senhor Jesus da Pedra;
  • assitir aos grandes eventos temáticos, tais como, Óbidos Vila Natal, Mercado Medieval e Festival do Chocolate;
  • conhecer  um dos maiores vultos da Arte Portuguesa, nomeadamente a colecção de pintura barroca de Josefa d’Óbidos (1630 – 1684) no Museu Municipal;
  • provar a famosa e saborosa Ginginha de Óbidos;
  • visitar a cidade das Caldas da Rainha;
  • ficar uma noite na Pousada do Castelo de Óbidos;
  • explorar os inúmeros encantos e recantos da vila medieval, em especial, as inúmeras livrarias que se situam ao longo da Rua Direita;
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Para mais informações:

FOLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos

ÓBIDOS – Turismo do Centro de Portugal

Câmara Municipal de Óbidos

Posto de Turismo:
Telefone: 262 959 231
E-mail: posto.turismo@cm-obidos.pt

✈ Como chegar:

Localizada a cerca de 80 quilómetros de Lisboa, a vila de Óbidos goza de bons acessos rodoviários (A8) e ferroviários (Linha do Oeste). A partir da capital portuguesa, a viagem  de Automóvel demora aproximadamente uma hora. É a melhor relação custo-tempo. Deverá optar pela A8  em direcçao a Leiria, até à saida 15 (Óbidos). Nos arredores, existem parques de estacionamento, junto ao Posto de Turismo, que são pagos. Se optar pelo Comboio, a Comboios de Portugal (CP) efectua o percurso entre Lisboa e as Caldas da Rainha (Linha do Oeste), com paragens na Estação de Óbidos. A viagem dura aproximadamente duas horas. Todavia, a estação encontra-se um pouco afastada, a cerca de 1,5 km, do centro histórico da vila, sendo a melhor entrada do lado norte da muralha medieval (Porta da Cerca). Poderá, também, apanhar um autocarro que faz o percurso Lisboa – Óbidos.

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📌À descoberta de Melgaço: onze experiências para fazer no concelho mais a norte de Portugal.

📷 A região do vinho Alvarinho e do Parque Nacional Peneda-Gerês. Sugestões e impressões pessoais de um roteiro fotográfico pela essência desta vila minhota. Melgaço, meus caros, Melgaço!

“O Destino de natureza mais radical de Portugal”. Melgaço saudá-vos, assim, quando o viajante chega à primeira rotunda desta vila minhota. A vila de Melgaço é o concelho mais a norte de Portugal Continental. Porque, aqui, começa Portugal. Estamos no Minho, a região berço da nacionalidade portuguesa. Ah, já tínhamos saudades de percorrer e conhecer a geografia e a história dos lugares que estudamos nas aulas da faculdade.

A convite do Município de Melgaço em particular dos Serviços de Comunicação e Imagem deste concelho do Alto Minho, entre os dias 7 e 10 de Junho, tive oportunidade de participar numa FAM TRIP da Pegada Zero – III Jornadas de Turismo de Natureza – PNPG – Melgaço 2018’. O programa foi bastante diversificado e com muitas actividades de turismo de natureza e aventura. O divertidissimo e genuíno grupo de bloggers, jornalistas e profissionais de turismo que participaram nesta Fam Trip era fantástico, simpático e,acima de tudo, com um excelente espirito de união. Em especial, os inúmeros bloggers de Portugal e de Espanha que me deram dicas,inspiração e fantásticas experiências para viajar. Adoro pessoas com MUNDO!

FAM TRIP_Melgaço (21)

Melgaço é, na minha opinião, o concelho mais radical de Portugal! Foi o caso desta FAM Trip. Este concelho,apesar de ser do interior, tem imenso potencial para atrair forasteiros que queiram fazer inúmeras experiências. Um dos meus locais preferidos de Portugal. Porquê? Tem História, Desporto, Natureza, Gastronomia, Enoturismo e, acima de tudo, a simplicidade das suas gentes. Agradecimento especial à fotógrafa Carla Cristina da @fotomelgaco que capturou os melhores momentos fotográficos das actividades radicais. Já conhecem Melgaço? Saiba mais na rede social Instagram em @discovermelgaco.

Eis as minhas onze experências e sugestões desta viagem fotográfica ao concelho mais a norte de Portugal:

1. Percorrer os trilhos de BTT do Parque Nacional Peneda-Gerês.

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O concelho de Melgaço oferece condições excepcionais para a prática desportiva e actividades de lazer. Por exemplo, a modalidade de ciclismo todo-o-terreno: o BTT. Ao percorrer os inúmeros trilhos em terra batida e calcetadas com pedra granítica da Serra da Peneda, o viajante poderá apreciar a fauna, a flora, o património e as actividades humanas do Parque Nacional Peneda-Gerês. Nas Portas de Lamas de Mouro, optei por acompanhar a IIIª Maratona BTT de Melgaço 2018 (Campeonato Nacional de Maratona XCM) entre a zona ribeirinha e montanhosa do concelho de Melgaço. No seu conjunto, a prova contou com mais de 500 “fundistas” de BTT que percorreram diversos percursos exigentes (acumulado aproximado subida/descida 2658 metros) com quase 90 Km. É obra!

2. Realizar uma prova de vinhos na Quinta do Soalheiro

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A primeira marca de Alvarinho de Melgaço. Fundada em 1982, a Quinta do Soalheiro proporciona aos visitantes uma viagem pelos sentidos do vinho da casta Alvarinho da marca Soalheiro para deleite dos visitantes. A sala de prova de vinhos proporciona uma excelente vista “soalheira” para a Galiza e o curso do Rio Minho. Se pretende aprofundar mais sobre o vinho Alvarinho poderá visitar o Solar do Alvarinho. Este Solar Seiscentista é um dos ex-libris da vila de Melgaço. O visitante poderá fazer uma visita ao espaço histórico (antiga cadeia e tribunal) e realizar uma prova gratuita de três vinhos da casta alvarinho. No espaço poderá adquirir produtos regionais e artesanais minhotos e melgacenses.

3. Praticar a actividade radical Canyoning nos rios Laboreiro e Varziela

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A actividade radical – Canyoning – é uma excelente forma de conhecer a fauna, a flora e o património edificado da área envolvente da aldeia de Castro Laboreiro. Optei por fotografar esta actividade junto à Ponte da Varziela, visto que o tempo estava chuvoso e frio. Mas, ainda bem, que existem pessoas corajosas! Os destemidos bloggers portugueses e espanhóis avançam nas turbulentas águas da ribeira da Varziela durante uma actividade radical de Canyoning simpaticamente guiada pela Montes de Laboreiro durante a Fam Trip da IIIªEdição da Pegada Zero.

4. Fazer uma massagem no Medical SPA das Termas de Melgaço

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Durante a visita às instalações das Termas de Melgaço, os participantes da FAM Trip Pegada Zero puderam contactar com um lugar para relaxar e apreciar o espaço verde envolvente: as @termasdemelgaco. Como gostei do espaço envolvente e das instalações, optei por aceitar um convite ao relaxamento, isto é, realizar uma massagem de cinquenta minutos. Aqui, somos recebidos num ambiente familiar por uma equipe de jovens profissionais competentes. Porque não fazer uma massagem que revitaliza o corpo e a mente? Deixe para trás a agitação urbana e descubra os prazeres e os sentidos do turismo termal no cncelho mais a norte de Portugal.

5. Visitar o centro Histórico de Melgaço e subir à Torre de Menagem

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O Castelo de Melgaço é um belo exemplo da arquitetura militar românica. Uma das caracteristicas é de que a Torre de Menagem ficar no centro da Alcáçova, em vez de ficar junto à cintura de muralhas. Por momentos, senti-me na pele do escudeiro Duarte D’Armas que desenhou este “guerreiro de pedra” para El`Rei D.Manuel I nos principios do século XVI. Por um 1€ poderá visitar o núcleo museológico deste património edificado e ficar a conhecer um pouco sobre a evolução histórica desta vila do Alto Minho. Afinal, Portugal começa aqui! Nas minhas itinerâncias, a busca da curiosidade dos lugares leva-me sempre a subir a um ponto elevado. Não me fatigo. Nada me emociona que o deslumbramento da revelação de uma paisagem, seja ela urbana ou natural, e de sentir que o tempo não está aprisionado em sólidas muralhas, como foi o caso desta sentinela militar que domina o rio Minho: o castelo de Melgaço.

6. Descer o rio Minho em Rafting

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Uma das razões para visitar o concelho de Melgaço: o Rafting. Esta actividade radical realizada, entre a barragem da Frieira (Espanha) e a Ponte do Peso (Melgaço), no rio Minho, foi uma das razões para visitar o concelho de Melgaço. Tratou-se de uma experiência fantástica e com muita adrenalina ao longo de quase 14 Km. Os monitores da Melgaço Radical (e da Melgaço WhiteWater) são excelentes pessoas que nos proporcionam uma experiência fantásticas que desperta os nossos sentidos. A cereja no topo do bolo é a oferta de uma garrafinha de vinho Alvarinho aos clientes. Nunca tinha feito Rafting e confesso que superou as minhas expectativas sobre esta actividade de turismo de aventura e radical. Um dia, irei voltar para fazer esta experiência com os meus alunos! Há que promover o “currículo oculto”. Trata-se de uma forma divertida (e exigente) de cimentar o espírito de união de um grupo.

7. Subida ao Castelo de Castro Laboreiro

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Localizado a cerca de 1000 metros de altitude, o castelo de Castro Laboreiro é um forte motivo para visitar a genuína aldeia de Castro Laboreiro. Trata-se de um antigo castro romanizado que, na minha opinião, vale pela sua localização geográfica e, acima de tudo, pela seu conjunto fortificado preservado da intervenção do Estado Novo na década de 40 do século XX. Após uma caminhada de cerca de 900 metros, com sinalética um pouco degrada, é possível contemplar uma das melhores vistas para a aldeia de Castro Laboreiro e para as fragas/penedos da Serra da Peneda. A Just Natur organiza visitas e caminhadas temáticas para apreciar o património natural e edificado desta aldeia típica castreja.

8. Contemplar a fauna e a flora do Parque Nacional Peneda-Gerês

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O Parque Nacional Peneda-Gerês proporciona-nos um contacto mais próximo com a Natureza. Aliás, a vila de Melgaço situa-se, a sensivelmente, 30 Km de umas das entradas: as Portas de Lamas de Mouro. Ao longo da estrada, o viajante poderá apreciar a dimensão física, a fauna e a flora deste lugar mágico. Podemos ver cavalos selvagens (os garranos) e as vacas da raça cachenas guiadas por cães da raça Castro Laboreiro que pastam livremente, entre o principio da primavera e o fim de outono, nos inúmeros prados na zona montanhosa da região minhota.

9. Conhecer o românico do Alto Minho: o Mosteiro de Paderne.

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Gosta de viajar no Tempo? Sim, então, tem de visitar o Mosteiro de São Salvador de Paderne para apreciar uma conjugaçao de rara beleza artística e arquitectónica românica da região do Alto Minho. Este edifício religioso românico foi consagrada à Ordem dos Agostinhos, corria o ano de 1302. Ao contemplarmos as suas pedras com História, o viajante pode ter uma ideia bastante elucidativa do antigo traçado: planta em cruz latina, de uma só nave, transepto e cabeceira tripartida. De realçar, no exterior, os pórticos, a cachorrada e o óculo deste Monumento Nacional.

10. Apreciar os sabores da gastronomia melgacense na Adega Sabino

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Situada no centro Histórico da vila de Melgaço (em frente à ao edificio da câmara muncipal), a Adega Sabino é um dos melhores espaços para saborear a gastronomia local e regional do Alto Minho. Existente há mais de cinco décadas, este negócio familiar ganhou um novo impulso com Manuel Augusto de Castro: o “Sabino” conhecido na comunidade local. Podemos comprovar que o “Sabino” é um verdadeiro “embaixador” da cultura gastronómica melgacense. Um gentleman. diria melhor. Porquê? É um anfitrião que qualquer viajante poderá encontrar numa visita ao Centro Histórico de Melgaço. Afinal, trata-se de uma figura querida da Terra. O “guia-turístico” de Melgaço. Aliás, o “Sabino” é o Confrade do Vinho Alvarinho, uma espécie de relações públicas desta casta vinicola sublime. Como eu gosto de conhecer os locais. A meu ver, estes são o verdadeiro “Tripadvisor”, isto é, são a melhor fonte de informação e recomendação dos lugares que queremos realmente visitar.

11. Percorrer os trilhos pedestres das pontes de Castro Laboreiro

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A necessidade da rápida movimentação de exércitos, populações e mercadorias motivou a construção de uma importante rede viária regional, desde o período romano, que atravessa o território do concelho de Melgaço e da região minhota-galaica. Se percorrermos os diversos percursos pedestres do planalto de Castro Laboreiro, podemos encontrar inúmeras pontes de origem romana que foram alvo de reformulações na época Medieval. É o caso da Ponte Nova da Cava Velha. Este monumento nacional é notável pelas suas características arquitectónicas, com dois arcos de volta perfeita. Importa salientar que esta ponte insere-se numa rede de comunicações essenciais para Castro Laboreiro, visto que ligava as aldeias da margem direita e esquerda do vale do rio Laboreiro.

Não deixe de fazer…

  • realizar uma prova de vinhos (até três vinhos) gratuita no Solar do Alvarinho;
  • observar as vacas cachenas, os cavalos selvagens (garranos) entre as Portas de Lamas de Mouro e a aldeia da Branda da Aveleira;
  • fazer o Melgaço Alvarinho On Trail;
  • participar na Festa do Alvarinho e do Fumeiro;
  • conhecer a História Local nos espaços museológicos de Melgaço: Espaço Memória e Memória, Museu do Cinema Jean Loup Passek e Núcleo Museológico da Torre de Menagem (o bilhete para os três principais espaços custa 2,5€);
  • visitar o único SPA para cabras em Portugal Continental: a queijaria Prados de Melgaço;
  • descobrir as aldeias típicas do Alto Minho: Lindoso, Sistelo e Soajo;
  • fazer uma “Grand Tour” pela região vinícola da casta Alvarinho através da Rota do Alvarinho;
  • visitar o canil onde se cria os cães da raça Castro Laboreiro;
  • explorar os inúmeros trilhos pedestres do Parque Nacional Peneda-Gerês.
Não perca as minhas aventuras e olhares fotográficos no Instagram! Um encontro com a História, ao sabor das imagens…

Para mais informações:

Aqui poderá encontrar, por exemplo, extensa documentação e dicas sobre o património material e imaterial desta vila do Alto Minho nos seguintes links:

O website do Turismo Porto e Norte oferece informação atualizada sobre a região Norte de Portugal. É a melhor opção para começar a planear uma viagem à região do Alto Minho. Já o Município de Melgaço permite descarregar mapas e um conjunto de informações sobre os transportes públicos, locais de interesse, museus, gastronomia, entre outros. Importa salientar que poderá encontrar o posto de turismo para saber mais informações e dicas para fazer e planear o seu roteiro pela vila. Para mim, esta é a melhor forma de começar a visita a Melgaço: a Praça da República.

✈ Como chegar:

Em virtude de querer conhecer um pouco a região do Alto Minho, visto que ia fazer uma viagem de quase 500 km, optei por ir de avião numa companhia low-cost para o Aeroporto do Porto. É a melhor opção relação custo-tempo. De seguida, optei por alugar uma viatura para ir para o concelho de Melgaço. A partir do Aeroporto do Porto (Maia), deve seguir pela A41 (IC24) até à saída para a A3 (Parede), em direcção a Braga (via Valença). De seguida, opte pela N101 que liga Valença a Monção. Deverá prosseguir pela N202 até à vila de Melgaço. Se quiser prosseguir para a aldeia de Castro Laboreiro, desde a vila de Melgaço, opte pela N202 em direcção a Lamas de Mouro. De seguida, opte pela N202-3 rumo à aldeia serrana. Tenha atenção às vacas cachenas e ao nevoeiro denso que costuma aparecer ao longo do trajecto rodoviário.

🏠 Onde ficar:

No concelho de Melgaço existem inúmeras opções económicas de alojamentos, consoante o número de dias que irá ficar para conhecer a região do Alto Minho e do Parque Peneda-Gerês. Nas proximidades das Termas de Melgaço, o Hotel Boavista II (3 Estrelas) é uma excelente ideia para quem queira ficar na vila de Melgaço. Já na aldeia de Castro Laboreiro recomendo duas opções distintas: uma unidade Hoteleira (Hotel Castrum Villae) e um alojamento local (Moinhos do Poço Verde). Na minha opinião, ambas as escolhas são recomendáveis. Todavia, se gosta de um ambiente tranquilo e longe da confusão, os Moinhos do Poço Verde são a melhor opção para “meditar” na natureza envolvente do Parque Nacional Peneda-Gerês. Este turismo rural é ideal para quem queira ficar um fim-de-semana.

🍜 Onde comer:

Na vila e nos arredores do concelho de Melgaço existe uma diversidade de espaços gastronómicos que são um convite a uma tertúlia pelos sentidos e sabores da cultura gastronómica melgacense. Vejamos, a Adega Sabino é um dos melhores espaços para saborear a gastronomia local e regional do Alto Minho. Afinal, o “Sabino” é um verdadeiro “embaixador” da cultura gastronómica melgacense. Na minha opinião, a sua simplicidade em acolher no seu espaço gastronómico, torna-o especial. A sua adega conquistou-me pelo paladar e pelos aromas do alvarinho, bem as indicações para fazer uma prova de vinhos no Solar do Alvarinho. Recomendo as pataniscas, os nacos de vitela, o bucho doce e o vinho Alvarinho Torre de Menagem. Nas proximidades do Mosteiro de Paderne, optei por jantar na Tasquinha da Portela. Na minha opinião, um dos melhores restaurantes do concelho de Melgaço. Recomendo o pão de alho, o Polvo à lagareiro, o vinho branco da casa (mistura de alvarinho), bem como os licores da casa. E a simpatia da gerência são bons motivos para voltar. Para quem quer lanchar, a pastelaria e salão de chã Aromas & Caprichos é um excelente motivo para deliciar-se com a mistura da pastelaria francesa com produtos regionais. Nas proximidades de Castro Laboreiro, o Brandeiro é um dos melhores restaurantes do concelho de Melgaço. Trata-se de boa sugestão gastronómica para visitar a castiça aldeia da Branda da Aveleira. Supera pela sua localização geográfica e variedade gastronómica os restaurantes de Castro Laboreiro: o Miradouro do Castelo e o Miracastro. A nivel gastronómico, recomendo os nacos de carne chacena. Infelizmente, não se apanha muita rede de telemóvel no restaurante. Optamos por saborear o momento a solo. A vida sabe melhor.

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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📌 À descoberta do Regimento de Artilharia de Costa: a 8ªBataria de Albarquel…

A 8ªBataria de Albarquel é uma arquitectura militar datada do século XX. Trata-se de uma bateria de tipo moderno em construção subterrânea, situada num morro com dispositivo de camuflagem, composta por 3 peças fixas – canhões Krupp de 150mm – sobre plataformas em socalcos com muros em redor de suporte de terras, em descontinuidade, pode ler-se no Sistema de Informação para o Património Arquitectónico (SIPA).

Nas proximidades da Serra da Arrábida, a cerca de 3 km da cidade portuária de Setúbal, seguindo pela EN 379 – 1, o viajante curioso depara-se com uma peculiar obra de engenharia militar: a  8.ªBataria de Albarquel do extinto Regimento de Artilharia de Costa (RAC). Está situada no morro contiguo à fortaleza de Albarquel, com uma localização privilegiada sobre a foz do rio Sado, junto à praia de Albarquel, no concelho de Setúbal e da região turística da Costa Azul. Fomos visitá-la!

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Após transpor-mos a entrada de portão de ferro, o viajante depara-se com uma pequena casa da guarda em ruínas e no meio da densa vegetação rasteira. A partir daqui, o viajante poderá optar por diversos caminhos para iniciar a sua aventura ruinosa. De facto, este poderá optar por um caminho de terra batida (terreno argiloso) que se bifurca até às as peças de artilharia inertes; no topo do caminho principal encontram-se as dependências dos praças e oficiais, o depósito da água, dois paióis de munições e a antiga central de energia eléctrica a óleos pesados que alimentava este complexo militar subterrâneo.

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Na primeira metade do século XX foi erguida, em 1939, no morro por detrás do forte de Albarquel, uma fortificação subterrânea acasamatada, artilhada por três canhões Krupp CTR de 150 mm, de origem alemã, e guarnecida por cerca de 30 homens. As novas instalações compreendiam dependências como casernas, refeitório e armazéns. Trata-se, assim, de um aquartelamento militar em ruínas, com a particularidade de estar parcialmente soterrado. De facto, as peças de artilharia são as únicas partes visíveis à superfície. Sabia que os militares que davam vida a esta antiga unidade bélica eram conhecidos como as “Toupeiras”? E porquê a alcunha? Ora, a vida militar fazia-se ao longo de uma rede de galerias e túneis de acesso às respectivas baterias, camufladas pela vegetação circundante.

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A 7.ª e a  8.ª Batarias, respectivamente do Outão e de Albarquel, do Grupo Sul do Regimento de Artilharia de Costa (RAC) tinham como objectivo máximo a defesa da entrada da barra do rio Sado e o Porto de Setúbal, em conjunto com outras baterias: a do Casalinho e do Moinho da Desgraça. Estas últimas foram construídas no decorrer da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e desactivadas nas décadas de 40 e 50 do Século XX, funcionando como posto de comando e de observação da 8.ªBataria. De facto, esta rede de estruturas militares atestam a importância estratégica do complexo portuário e da região de Setúbal em caso de conflito.

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Com uma localização privilegiada, o viajante é convidado a contemplar e a fotografar as vistas e a paisagem envolvente. Destacaria, em especial, as magnificas vistas do terraço do forte e da bateria de Albarquel. Aqui, podemos admirar diversos elementos geográficos que dão corpo e cor à paisagem da região de Setúbal: o verde da Serra da Arrábida, o amarelo da Península de Tróia, o azul do estuário e toda a entrada da foz do rio Sado. De facto, esta estrutura militar adaptou-se às condições e características do meio envolvente, isto é, ao património natural, conferindo-lhe, assim, uma espécie de “camuflagem”.

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Um marco histórico-cultural da cidade de Setúbal: na margem direita da foz rio Sado, a partir do século XVII, a linha defensiva da povoação maritima de Setúbal foi reforçada com a construção do Forte de Albarquel. Trata-se de uma Arquitectura militar seiscentista, barroca, estilo chão vernacular que integrava um conjunto de fortificações que se entendia da praia de Albarquel à vila piscatória de Sesimbra. A sua edificação começou em 1643 por indicação do rei D. João IV, tendo sido concluída no reinado de D. Pedro II. A sua função era reforçar o poder bélico do Castelo de São Filipe. Através de uma pesquisa no Arquivo Distrital de Setúbal, podemos encontrar extensa iconografia e informações sobre a evolução desta edificação militar. Actualmente, a estrutura do Forte  encontra-se adulterada.

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Integrada, tal como a 7ªBateria de Outão, no Parque Nacional da Arrábida, esta antiga unidade de Artilharia do Exército Português foi desactivada em 1997. Foram quase seis décadas ao serviço de Portugal. Actualmente, a bateria encontra-se em estado de abandono, bem como o forte de Albarquel. Verifico, assim,  que o concelho de Setúbal é dotado de uma vasto património edificado em ruínas e com exemplares únicos da arquitectura militar no Estuário do Sado. Segundo a imprensa local, a CM Setúbal irá ficar responsável pela recuperação e exploração deste património militar, após celebrar uma minuta de um contrato com a fundação The Helen Hamlyn Trust. Aguarda-se, com expectativa, a sua requalificação como um espaço de lazer e unidade turística para usufruto de todos os curiosos e,acima de tudo, para todos os habitantes da cidade de Setúbal: os Setubalenses.

Para mais informações:

Se quiser saber mais sobre a História de Setúbal, e em particular sobre o impacto local da  1ªGuerra nesta cidade portuguesa, o blogue OLIRAF recomenda a leitura da obra “Setúbal e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918)”. do jovem investigador Diogo Ferreira (IHC-UNL). Na minha opinião, trata-se de uma obra de referência para o conhecimento da Historiografia local setubalense e da importância económica e social da Indústria Conserveira em Setúbal. Não deixe de consultar a página oficial do turismo da de Setúbal: visitsetúbal.

ABREU, Maurício, VICTOR, Isabel e GONÇALVES, LUÍS J., Castelos e Fortalezas da Costa Azul, Setúbal, Região de Turismo da Costa Azul, 1993.

Bateria de Albarquel / Posto de Comando – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2017]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=25039 >

COSTA, António José Pereira da – A cidadela de Cascais e a Defesa da Costa Marítima do Guincho ao Estoril. In: “Boletim do AHM”, Lisboa, vol. 63 (1998 – 1999), pgs. 37 – 98.

EMERECIANO, Jaime – A Artilharia na Defesa de Costa em Portugal. Lisboa: Academia Militar, Dissertação Mestrado em Ciências Militares, especialidade de Artilharia, 2011. Disponível na internet URL: http://comum.rcaap.pt/handle/123456789/7247

FERREIRA, DiogoSetúbal e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Lisboa: Dissertação de Mestrado em História Contemporânea, FCSH-UNL, 2015. [Em linha]. [Consultado em 23 Mai. 2018]. Disponível na  internet URL: <https://run.unl.pt/handle/10362/17683>

MACHADO, M. (22 de Dezembro de 2008). Os Últimos Disparos do “Muro do Atlântico” Português. Obtido em Fevereiro de 2011, de http://www.operacional.pthttp://www.operacional.pt/os-ultimos-disparos-do-%E2%80%9Cmuro-doatlantico%E2%80%9D-portugues/

MASCARENHAS, Catarina de Oliveira Tavares – Da defesa à contemplação da paisagem : intervir no lugar do Forte e da 7ª Bateria do Outão no contexto da Arrábida. – Lisboa : FA, 2014. Tese de Mestrado.

Nota importante [👤]

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📌À descoberta do Castelo de Beja: um olhar fotográfico de um “Guerreiro de Pedra”…

 Castelo Medieval de Beja: um dos mais belos “guerreiros de pedra” da região do Alentejo. Destaca-se a imponente torre de Menagem Medieval do Castelo de Beja. Trata-se da maior de Portugal com quase 40 metros de altura. Daqui, contemplamos a  paisagem em redor e os campos de cereais, o que demonstra a  importância histórica, política e militar desta cidade milenar, fundada pelos Romanos: a Pax Julia. Aliás, segundo as fontes tradicionais, o local onde está o castelo era o antigo castrum de origem romana. Através deste exemplo, podemos comprovar que as fortalezas medievais eram formas de ostentação social, económica,militar e de autoridade dos seus senhores. Sabia que o monarca D.Manuel I (1495-1521), o Venturoso, foi Duque de Beja? Dai, o significado da simbologia nesta fortificação militar: a esfera armilar. Falar de Beja, a meu ver, é falar do seu castelo. E claro da sua imagem de marca: a torre de menagem. É obra!

Como forma de espelhar a minha visita a Beja, decidi seleccionar as 8 melhores imagens deste spot fotográfico. Apesar da subjectividade visual, uma escolha pessoal, espero que gostem. Deixo-vos, assim, o Best of da minha incursão fotográfica a este “guerreiro de pedra” do Baixo Alentejo.

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Vista parcial da Torre de Menagem do Castelo de Beja

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Arco romano junto às muralhas medievais

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Aspecto geral da Casa do Governador da Alcáçova do Castelo de Beja

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Sala de armas do interior da Torre de Menagem. Na imagem, a estátua do “O Lidador”.

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Vista parcial do centro histórico e da paisagem envolvente da cidade de Beja

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Esfera armilar, uma das divisas do rei D.Manuel I (1495-1521)

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Vista geral da torre de menagem e muralhas medievais do castelo de Beja

Para mais informações:

O website do Turismo do Alentejo – Visit Alentejo – oferece informação atualizada sobre a região. É a melhor opção para começar a planear uma visita à cidade de Beja. Já o Posto de Turismo de Beja  permite descarregar mapas e um conjunto de informações sobre os transportes públicos, locais de interesse, museus, gastronomia, entre outros. Importa salientar que poderá encontrar o posto de turismo para saber mais informações e dicas para fazer e planear o seu roteiro pela cidade. Importa salientar que o posto de turismo está situado na Casa do Governador, no interior do Castelo de Beja. Horário: Das 10h00h às 13h00 e das 14h00 às 18h00.

✈ Como chegar:

Apesar de ter um Aeroporto, a maioria das pessoas utiliza o transporte rodoviário e ferroviário para deslocar-se à capital do Baixo Alentejo. Desde a cidade de Évora, a minha opção recai sobre o transporte ferroviário. Apesar de ter ficado cerca de duas horas à espera do Inter-Cidades de Lisboa na estação de Casa Branca, a viagem de comboio valeu pelas paisagens onde predomina a monocultura do cereal e pelos azulejos que dão cor à estação desta cidade. Todavia, a melhor relação custo-tempo é o transporte rodoviário. A Rede de Expressos ou a Rodoviária do Alentejo faz ligações diárias entre Évora e Beja, bem como outras cidades do nosso país.

🍜 Onde comer:

Para conhecer verdadeiramente uma região ou um lugar, o viajante tem degustar os sabores, os aromas e a forma como as gentes locais os cozinham e,acima de tudo, combinam. Situado junto à emblemática Torre de Menagem de Beja, o Dom Dinis é uma boa sugestão gastronómica. Para quem quer um sítio calmo e saborear umas boas migas de espargos alentejanas ou um grelhado de porco preto, este restaurante tem uma boa relação do custo-qualidade. Na minha opinião, o espaço vale pela sua autenticidade e simpatia das suas gentes. A ir.

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📌 À descoberta do Museu Militar de Elvas: um olhar fotográfico…

Elvas foi a “sentinela” do Reino de Portugal. Segundo o historiador Rafael Moreira (1986:80), “Do rigor teórico à urgência prática: a arquitectura militar, História da Arte em Portugal, vol. 8”, a cidade alentejana de Elvas foi o primeiro espaço fronteiriço a ser “fortificado de modo permanente” durante e depois da Guerra da Restauração em 1640, sendo então designada capital militar do Alentejo e a mais importante praça-forte que assegurava a Independência de Portugal, em virtude de estar a menos de 10 km da fronteira luso-espanhola. Esta vila alentejana, citando J.H.Saraiva (RTP Ensina), é um dos  lugares “mais ensanguentados e mais martirizados” do território português. Afinal, a 14 de Janeiro de 1659, foi aqui que ocorreu a Batalha das Linhas de Elvas.

O Museu Militar de Elvas é um reflexo desta importância histórico-militar para o nosso país. De facto, este espaço museológico contém um dos mais importantes acervos bélicos de Portugal Continental, onde podemos contactar com o passado histórico-militar com mais de três séculos. Importa salientar que, em 2012, a cidade de Elvas foi classificada Património Mundial da Humanidade como “CIDADE-QUARTEL FRONTEIRIÇA DE ELVAS E SUAS FORTIFICAÇÕES”, tendo recebido mais de um milhão de visitantes desde a sua distinção pelo comité da UNESCO.

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Incorporado no seio das fortificações abaluartadas (1645-1653), da autoria do jesuíta João de Cosmander, designadamente nas antigas instalações do Regimento de Infantaria 8 (Convento de São Domingos, a Muralha Fernandina e parte das muralhas e baluartes Seiscentistas), este espaço museológico tem inúmeros pontos e elementos  expositivos de interesse, tais como, o Centro de Interpretação do Património de Elvas, a História do Serviço de Saúde do Exército, o salão de Hipomóveis e Arreios Militares e inúmeras viaturas bélicas que fizeram parte da história-militar de Portugal do séc. XX. Tem como missão a “a promoção, a valorização, o enriquecimento e a exposição do património histórico-militar à sua guarda”, pode ler-se no site. Faz parte da Rede Portuguesa de Museus (RPM) da Direção Geral do Património Cultural (DGPC).

Trata-se do maior museu em área de implantação de Portugal. Ao todo são 150.000m2 e uma área coberta de 14.000m2. Actualmente a área deste espaço museológico ultrapassa os 3.500m2. Com uma elevada carga arquitectónica e histórica, este espaço tem um valiosíssimo património onde se História da cidade de Elvas e de Portugal. Pedras com História. O Quartel do Casarão faz parte de antigas dependências construídas no séc. XVIII, depois da campanha de 1762-63 pelo engenheiro militar Valleré, autor da traça do Forte de Nossa Senhora da Graça. Trata-se de um conjunto de antigas Casernas do Quartel da Cavalaria, hoje ocupadas por circuito expositivo sobre as comunicações do Exército Português. Cada uma ostenta um nome de um combate onde a arma de cavalaria se notabilizou, designadamente nos sertões de África nos finais do séc.XIX. mantendo ainda hoje a sua traça original.

O Salão Hipomóvel está localizado numa sala do inicio do séc XIX, quando uma parte do espaço era ocupado quartel de cavalaria, houve a necessidade de construir cavalariças para alojar 500 cavalos e milhares de soldados, estas desenvolviam se ao longo de toda a atual parada Mouzinho de Albuquerque, num comprimento total de 120 metros. Chegados a meados do séc XX, com a sucessiva substituição da força motora dos equinos pelos automóveis, e com a necessidade de proporcionar condições mais dignas aos militares que aqui prestavam serviço, foi desanexada parte da cavalariça para adaptação a refeitório de praças.

As salas de dedicadas ao armamento rebocado por animais (Hipomóveis), na sua quase totalidade artilharia, podemos encontrar exposto os seguintes objectos bélicos: tiro de Artilharia composto por 3 parelhas, armão de transporte de munições e peça“Scheneider Canet” de 7,5 mm Modelo 1904; Canhão revolve “Hotckiss”de 40mm Modelo 1904. Carro de Ferramenta de Esquadrão Modelo 1907. Peça de Artilharia 11,4 cm tiro rápido Modelo 1917; Ambulância de Campanha Modelo Francês do ano 1890; Peça “AB Bofors” calibre 75mm. Modelo 1934; Caixa de Cirurgia de Campanha com instrumentos e material sanitário.

O “amarelo militar” é uma constante ao longo do espaço exterior do Museu de Elvas, à excepção de um pequeno troço que contém as antigas muralhas fernandinas do séc.XIV. Ainda no exterior, o visitante poderá contactar com armamento pesado exposto ao ar livre, com inúmeras peças de artilharia rebocada. Em primeiro plano, obus de campanha 150mm, “Bofors”, de fabrico sueco, no ano de 1885. Em segundo plano, um obus de campanha de 150mm modelo 1937, de origem nipónica, desconhecendo-se a sua chegada ao nosso país. Ao fundo, podemos visualizar dois obuses de campanha de 140mm modelo 1942, de origem inglesa.

No espaço exterior do Museu Militar, o visitante pode contemplar a área envolvente das fortificações e muralhas abaluartadas da cidade de Elvas. É o caso do Forte de Nossa Senhora da Graça. Para mim, uma das mais belas fortificações do nosso país e, quiçá, do Mundo. De facto, a vista aérea deste fortificação do séc.XVIII espelha a beleza arquitectónica, enquadrada estrategicamente com a paisagem à sua volta. À primeira vista, desde o Quartel do Casarão, esta fortificação parece-nos “inofensiva” à distância. Foi erigido a pensar para resistir a cercos prolongados, atestando a sua solidez e à prova de bomba.

A “Coleção de Viaturas Militares do Museu Militar de Elvas” contém inúmeras viaturas histórico-militares que fizeram parte da História Militar de Portugal.  Na imagem, temos o “burro do mato” Mercedes Benz UNIMOG 411, de fabrico alemão,  foram intensamente usados desde 1957 até aos anos 80. Também esta é uma das viaturas emblemáticas das campanhas de África, podia transportar 10 militares, sem qualquer protecção, mas dispostos (costas com costas) de modo a poderem saltar rapidamente da viatura e reagir a emboscadas.  A icónica CHAIMITE V-200, veiculo da Revolução de 25 de Abril de 1974, que fazia uma visita-guiada pelos espaços do acervo do Museu Militar de Elvas.

Durante o “XI Encontro Nacional de Veículos Militares Antigos / Um Dia no Museu Militar – Elvas 2017”, organizado pelo Exército e pela Associação Portuguesa de Veículos Militares, tive a oportunidade de fotografar e andar em inúmeros veículos militares que fizeram parte da História Militar de Portugal. Com entrada livre, este  evento proporciona um conjunto de actividades pouco vulgares com esta dimensão em Portugal, onde podemos visualizar os veículos e carros de combate que pertenciam ao Exército e que foram recuperadas pela Associação Portuguesa de Veiculos Militares (APVM), em colaboração com o Exército Português. A maioria faz parte do nosso imaginário colectivo (Chaimite, Berliet-Tramagal, UMM, Unimogs,etc), especialmente para os apaixonados por temas bélicos, visto que muitas delas ajudaram a escrever as páginas da História de Portugal.

Os visitantes e os amantes de veículos militares poderão visualizar inúmeras demonstrações dinâmicas de todos os tipos de veículos militares, jipes, pesados de transporte, tratores de artilharia e blindados de combate (alguns exemplares raros), a reconstituição de cenários militares da Guerra colonial Portuguesa, II Guerra Mundial e Vietname, a iniciação à prática de slide e rapel, realizar visitas orientadas por guias especializados às coleções de transmissões e viaturas militares do MME, bem como passeios em veículos militares nos espaços do Museu. Na imagem podemos visualizar duas viaturas: do lado esquerdo um Unimog 404, de origem alemã, e do lado direito o AEC MATADOR 4X4 MA/40/44/46 com reboque de um obus de 140mm M1943, de origem britânica. Estes “clássicos bélicos” foram usadas no contexto africano, como veículos de transporte de pessoal, material e de  tracção de artilharia, respectivamente.

A Berliet-Tramagal GBC8KT 4X4 com uma metralhadora quádrupla de artilharia antiaérea 12,7 mm m/953, de origem norte-americana. Estes veículos foram adaptados no contexto da Guerra Colonial (1961-1974) e foram chamados a participar em inúmeras operações militares, em virtude da sua extraordinária capacidade em termos de ângulo e capacidade de tiro, sendo capazes de disparar contra alvos aéreos e terrestres. Foi possível comprovar que o material está em perfeita condições.

As reservas do Museu Militar de Elvas: junto às muralhas e baluartes seiscentistas existem inúmeras “carcaças” e peças de antigos carros de combate, veículos de transporte de tropas e artilharia rebocada que fizeram, e fazem, parte do nosso imaginário colectivo e alguns escreveram as páginas da História de Portugal e do Mundo. A maioria das reservas chegou dos inúmeros depósitos de material bélico do Exército Português, encontram-se a céu aberto aguardando a sua hora para recuperação, bem como outras estão colocadas em armazéns. Aguardam colocação na área visitável, consoante a disponibilidade dos voluntários da APVM e do recursos financeiros para comprar material para a sua reabilitação.

Na imagem acima podemos visualizar o icónico carro de combate M4 Sherman, de origem norte-americana, utilizado pelas forças aliadas em vários cenários da IIªGuerra Mundial contra as forças do Eixo. Neste caso, trata-se de um carro de combate do exército português aguardando a sua recuperação pelos associados da APVM, onde o objectivo é “manter a rolar”, evitando assim o esquecimento ou a sua condenação à sucata. Para quem nunca viu ou andou numa Chaimite, por exemplo, o trabalho da APVM proporciona (re) viver os tempos das picadas de África e os acontecimentos do 25 de Abril de 1974.

A Viatura Blindada de Reconhecimento Panhard EBR 75 17 Ton. 7,5cm 8X8 M/1959 é uma dos carros de combate icónicos da Revolução dos Cravos. Ao todo, em 1959, Portugal adquiriu 50 unidades  com a torre FL 10 e peça de 75 mm à França (Anciens Établissements Panhard-Levassor SA) Destas 21 foram enviadas para Angola (ficaram sediadas em Luanda e Silva Porto) e as restantes ficaram em Portugal Continental. Esta viatura esteve ao serviço do nosso país entre 1959 e 1984.

Na imagem acima temos o carro de combate M47 ‘Patton’, de origem norte-americana, que serviu no Exército Português, entre 1952 e 1984, na Escola Prática de Cavalaria. Fez parte de um episódios da Rua do Arsenal e da Ribeira das Naus, espaços onde ficou “decidido” o 25 de Abril de 1974. É gratificante aperceber-me que as autoridades militares estão conscientes da importância da preservação e valorização do património histórico-militar, bem como da sua abertura à comunidade civil. De facto, estes eventos proporcionam momentos lúdicos que nos ensinam a admirar e a olhar para a importância da salvaguarda do material circulante do Exército Português, bem como possibilita um incremento de visitantes para a temática do turismo militar na cidade de Elvas.

Em suma, este olhar fotográfico foi pequeníssima amostra das reservas, dos espaços e elementos que dão corpo ao Museu Militar de Elvas. A meu ver, a Associação Portuguesa de Veículos Militares tem feito um trabalho notável, tendo em conta, os parcos recursos humanos e financeiros à sua disposição. A maioria dos associados faz trabalho voluntário. Acima de tudo, estes nutrem uma grande paixão por veículos que fizeram parte dos episódios da História de Portugal, visto que uma vez por mês passa um fim-de-semana nas oficinas de Elvas a recuperarem os  veículos militares fabricados ou montados em Portugal: os icónicos camiões Berliet-Tramagal, blindados Chaimite, jipes Cournil e Alter da UMM.

Para mais informações:

Turismo do Alentejo

Câmara Municipal de Elvas

Museu Militar de Elvas

Blogue Operacional (Temas Militares)

Coordenadas: 38.881158,-7.159067 (ver no mapa)
Avenida de São Domingos 13,
7350-047 ELVAS – Elvas
+351 268636240
​ ​ ​ ​Horário de Verão (Março a Outubro)
Abertura ​Almoço Encerramento ​Última Entrada
​09H00 ​12H30-14H30 ​19H00 12H00 e ​18H30
Horário de Inverno (​Novembro a Março)
​09H00 ​12H30-14H30 ​17H30 ​12H00 e 17H00
Dia de encerramento: 2ª feira e feriados de 25 de Dezembro e 1º de Janeiro. Para mais informações sobre o Encontro Nacional de Veículos Militares Antigos / Um Dia no Museu Militar – Elvas 2017, contacte a Associação Portuguesa de Veículos Militares pelo email apvmilitares@gmail.com.

 Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

linhagraficaALL-oliraf-03💻  Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷

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Fotografia✈︎Viagens✈︎Portugal © OLIRAF (2018)

📌 À descoberta de Guimarães: um olhar fotográfico da cidade berço..

“Aqui nasceu Portugal”. Quem chega à Praça do Toural, não pode ficar indiferente a estas palavras. De facto, é a frase que todo o vimaranense tem orgulho de proferir, conta um transeunte local que tive oportunidade de abordar durante a minha “visita-relâmpago” ao Centro Histórico de Guimarães. Há lugares que respiram História. E Guimarães respira…

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O Centro Histórico de Guimarães encontra-se classificado, desde Dezembro de 2001, como património mundial da UNESCO. Ao percorrermos as ruas e as ruelas do centro histórico compreendemos a razão da sua distinção. Trata-se de uma cidade bem conservada, onde os seus edifícios e as ruas reflectem a construção e traça arquitectónica desde os tempos medievais até ao presente, com particular incidência entre os séculos XV e XIX.  Confesso que já tinha saudades de deambular pelas ruelas sem mapa e seguir ao sabor da arquitectura do local.

Panorama LargoOliveiraGuimarães

A cada passo respiramos História. Afinal, a cidade de Guimarães é conhecida por ser o “berço” fundador da nacionalidade e identidade Portuguesa. De facto, foi aqui que tiveram lugares os principais acontecimentos políticos e militares (a Batalha de São Mamede, em 1128, entre as hostes de D.Afonso Henriques e da sua Mãe, D.Teresa) que, mais tarde, levariam à independência do Condado Portucalense face ao Reino de Leão, ocorrida em 1139. Dai, a cidade de Guimarães ter um rico passado histórico, visto que  esta associada ao estabelecimento da identidade portuguesa e à língua portuguesa no séc. XII.

Para mais informações:

Turismo de Guimarães

Rota do Românico

Turismo do Porto e Região Norte de Portugal

Escapadinha de 3 dias pela Rota do Românico

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Fotografia✈︎Viagens✈︎Portugal © OLIRAF (2016)

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🌎 OLIRAF Blogger Trips 2017: 12 fotos, 12 olhares 📷

📷 Foi um ano de grandes e exigentes desafios. O ano 2017, para mim, foi um ano satisfatório a todos os nível pessoal, profissional e académico. Em virtude, da boleia da minha nomeação nos BTL Blogger Awards 2017, nomeado para a categoria de melhor blogue de fotografia de viagens, tive oportunidade de experienciar o que é a vida de um verdadeiro traveller, storyteller e fotógrafo de viagens. Considero-me um sortudo. Cruzei-me com pessoas e gentes de diversas latitudes. De facto, estamos cada vez mais numa «aldeia global». Não fico admirado com a noticia de Portugal ter sido eleito “Melhor Destino do Mundo” nos World Travel Awards. Lisboa é o “Melhor Destino para City Break” e a Ilha da Madeira “o Melhor Destino Insular”. de facto, o nosso país está na Moda!

Poucos sabem ser irreverentes e contar as suas experiências de viagem. É preciso ter muita vontade, coragem, motivação e tempo para escrever as nossas aventuras, neste caso, fotográficos. A minha nomeação para o passatempo da Navigator “Arround the World in 80 pages” é um exemplo. Sorte? Não, é apenas a ponta do icebergue do trabalho que não é visível. Ao longo deste ano, definimos como prioridade conhecer a região do Alentejo. Na minha opinião, um dos locais ainda genuínos do nosso país. Ao contrário do que gostaríamos, este ano não fizemos muitas incursões ao estrageiro, à excepção da visita à pitoresca vila luso-espanhola de Olivença. Alguns locais foram verdadeiras descobertas pessoais, outras foram confirmações das nossas expectativas…de viagem.

Como forma de celebrar o ano que chega ao fim, decidi seleccionar as 12 melhores imagens de 2017. Apesar da subjectividade visual, uma escolha pessoal, espero que gostem. Deixo-vos,assim, o Best of das minhas Blogger Trips de 2017:

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  Aldeia de Monsaraz (Alentejo): o blogue OLIRAF foi nomeado para a 4ªEdição dos BTL BLOGGER TRAVEL AWARDS (BTL), considerados os “Óscares” dos Blogues de Viagens em Portugal, na categoria de “Fotografia de Viagem”. Depois de ter sido nomeado nos últimos dois anos (2016 e 2017), o meu projecto pessoal de fotografia e escrita de viagens continua a ser um incentivo para escrever e viajar pelas estórias da História. Confesso que esta nomeação foi um incentivo e uma promoção da minha paixão pela fotografia e pelo gosto da História, em consonância com o prazer de viajar. Há milhões de blogues por esse Mundo fora. Mais do que ser conhecido, é ver reconhecido a nossa paixão.

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 Évora, um olhar fotográfico: entre Março e Setembro de 2017, tive oportunidade de viver, trabalhar e viajar pelo Alentejo, designadamente na milenar Évora. Na sua obra “Viagem a Portugal”, o escritor José Saramago escrevia: “O viajante está em Évora.[…] Em Évora há, sim, uma atmosfera que não se encontra em outro qualquer lugar; Évora tem, sim, uma presença constante de História nas suas ruas e praças, em cada pedra ou sombra; Évora logrou, sim, defender o lugar do passado sem retirar espaço ao presente.” Ao longo de seis meses, viajei e visitei inúmeras cidades, vilas e aldeias desta região bem portuguesa, com a minha pequena máquina fotográfica Fujifilm X-T10. Contactei com o imenso património natural, edificado e, acima de tudo, com as gentes, igualmente com os seus problemas. À série de fotografias que resultou da minha experiência, todas a cores, optei por criar um Álbum Fotográfico Alentejo – Olhares Fotográficos“.

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 Cais Palafítico da Carrasqueira:  é uma engenhosa e criativa solução da comunidade piscatória da Carrasqueira (Comporta, Alcácer do Sal) para resolver o problema de acesso aos barcos durante a baixa-mar. As estacas de madeira penetram no sapal e estendem-se como os “tentáculos de um polvo” até ao estuário do Sado. Neste porto piscatório, os barcos atracam e no passadiço circulam as redes, os apetrechos, pescado e, mais recentemente, inúmeros turistas e curiosos para captar fotograficamente o espaço e o meio envolvente. Trata-se de um dos ex-líbris turisticos do concelho de Alcácer do Sal.

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 Vila de Olivença: é uma agradável e pitoresca cidade fronteiriça da raia luso-espanhola. Para quem percorre o seu “casco histórico”, como referem os “nuestros hermanos” aos seus centros históricos, o viajante não fica indiferente à escala do seu património edificado de origem portuguesa. Com quase doze mil habitantes (2016), esta vila da Extremadura Espanhola, nas proximidades de Badajoz, é um ponto de (re) encontro entre as culturas portuguesa e espanhola. Afinal de contas, Olivença personifica duas faces da mesma moeda. Para muitos, “Olivença é filha de Espanha, neta de Portugal”.

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 Ponte da Ajuda (Elvas): este exemplar da arquitectura manuelina – militar e civil – era o único meio de comunicação, no rio Guadiana, entre Elvas e Olivença. Dai, a sua destruição no contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714). Há projectos para a sua reconstrução, mas em virtude das querelas fronteiriças entre Portugueses e Espanhóis, tal não foi possível ainda. Assim, entre 1709 a 2001, quem quisesse visitar Olivenza, teria de passar a fronteira do Caia em Badajoz. Actualmente, o viajante pode transpor, sem qualquer dificuldade, o território português, graças à nova ponte da Ajuda, em betão armado e sem qualidade estética da anterior, construída e financiada integralmente pelo Governo de Portugal.

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 Rota do Mármore (Vila Viçosa): o projecto da Rota do Mármore do Anticlinal de Estremoz é uma forma diferente de conhecer uma das mais antigas e produtivas superfícies de extração de mármores do nosso país: a a região do Alentejo. Trata-se de um belo exemplo do aproveitamento turístico, de cariz industrial e patrimonial, das pedreiras onde se extrai o “ouro branco”: o mármore. Através de uma visita guiada, o viajante poderá contactar com lugares invisíveis, com os valores históricos, culturais e patrimoniais dos concelhos que compõem a região do Anticlinal de Estremoz (Alandroal, Borba, Estremoz, Sousel e Vila Viçosa). Além da promoção desta rocha ornamental e o património edificado a ela associado, por exemplo o Palácio Ducal de Vila Viçosa, um dos valores desta rota turística é promover a típica gastronomia local e as belezas naturais que lhe dão cor e forma.

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 Museu Militar de Elvas: trata-se de um dos mais importantes museus bélicos de Portugal Continental, onde podemos contactar com um acervo histórico-militar com mais de três séculos. Visitei este espaço museológico (situado nas antigas instalações do Regimento de Infantaria 8) durante o Encontro Nacional de Veículos Militares Antigos, onde podemos visualizar os veículos e carros de combate que pertenciam ao Exército e que foram recuperadas pela Associação Portuguesa de Veiculos Militares (APVM). A maioria faz parte do nosso imaginário (Chaimite, Berliet-Tramagal, UMM, Unimogs,etc), especialmente para os apaixonados por temas bélicos, visto que muitas delas ajudaram a escrever as páginas da História de Portugal.

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 Castelo Medieval de Beja: um dos mais belos “guerreiros de pedra” da região do Alentejo. Destaca-se a imponente torre de Menagem Medieval do Castelo de Beja. Trata-se da maior de Portugal com quase 40 metros de altura. Daqui, contemplamos a  paisagem em redor e os campos de cereais, o que demonstra a  importância histórica, política e militar desta cidade milenar, fundada pelos Romanos (Pax Julia).Através deste exemplo, podemos comprovar que as fortalezas medievais eram formas de ostentação social, económica,militar e de autoridade dos seus senhores. É obra!

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 Regimento de Artilharia de Costa: localizada na Fonte da Telha, a 6ªBataria foi desactivada em 1999. Depois disso, a grande maioria dos quartéis onde funcionavam as instalações militares desta unidade do exército português ficaram entregues ao tempo e a si próprios. Há uma excepção: a 6ªBataria da Raposa. Aqui, a Associação dos Amigos da Artilharia de Costa, o ajudante Castanheira e dois praças do Exército Português mantêm viva a memória e em bom estado de conservação uma das estruturas de artilharia em Portugal. Na imagem inicial, temos um antigo artilheiro Fernando Limão do RAC, junto de uma das três peças “Vickers” C. 23.4 cm da “Raposa”.

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 Luís Martins (Évora):  Nas nossas cidades, vilas ou aldeias de Portugal, há sempre uma figura que se destaca no meio do reboliço do quotidiano habitual e fazem parte do imaginário popular das mesmas. Postais vivos que identificam um território. São o rosto do imaginário popular.  O “Beato Salú” é um exemplo. Esta figura carismática deambula pelas ruas e vielas do centro histórico da cidade de Évora. Encarnou uma missão divina, diz ele. Na minha opinião, um Santo Popular. Como afirmou Padre António Vieira: “Há homens que são como as velas; sacrificam-se, queimando-se para dar luz aos outros.”

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 Silverbox Studio (Lisboa): Silverbox nasceu pela mão de um jovem casal Rute e Filipe. Ambos nutrem uma paixão pela arte fotográfica e, em especial, pelo processo de colódio húmido. Trata-se de um processo fotográfico muito utilizado na 2ªMetade do Século XIX por fotógrafos profissionais e amadores, entre os quais, o português Carlos Relvas. Sim, o pai do republicano José Relvas. Este estúdio fotográfico fora do comum, tem a fusão das técnicas fotográficas da segunda metade do século XIX com a estética do século XXI. O objectivo deste estúdio lisboeta é trazer de volta o ritual de ir ao fotógrafo e de fazer um retrato individual ou de grupo,à semelhança dos nossos antepassados.

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 Passatempo Navigator “Arround the World in 80 pages”fui uma das 80 Histórias seleccionadas, pela primeira vez, para integrar e dar cor ao livro “Around the World in 80 pages”, um passatempo do Grupo Navigator.  Esta segunda edição do Navigator Around the World in 80 Pages recebeu mais de 1350 histórias submetidas online. Este passatempo de viagens tem como objectivo premiar as melhores histórias em Inglês e as fotografias dos viajantes nacionais e estrangeiros que concorrem. Após uma profunda reflexão das melhores estórias da História e fotografias do portefólio  de viagens referentes ao ano de 2016, optei por concorrer com três fotografias que davam cor ao texto da minha viagem a Granada (Andaluzia,Espanha): Be a Time Traveller in Granada Heritage”.  Esta escolha, a meu ver, reflectiu a minha paixão pela literatura e fotografia de viagens, bem como a curiosidade pelo legado da civilização islâmica na Península Ibérica: o Al-Andalus.

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E foi assim o meu ano de blogger amador. Mais do que uma viagem pelas estórias da nossa história, foi uma “panóplia” de experiências pessoais e colectivas que podem ser partilhadas digitalmente,mas que devem ser vividas na primeira pessoa. É isso que convido o leitor do blogue OLIRAF a fazer: viver estas experiências. Não haverá melhor sensação do que sair da nossa “zona de conforto”?

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linhagraficaALL-oliraf-03💻  Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷

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Fotografia✈︎Viagens✈︎Portugal © OLIRAF (2017)

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