📌 À descoberta do Museu Militar de Elvas: um olhar fotográfico…

Elvas foi a “sentinela” do Reino de Portugal. Segundo o historiador Rafael Moreira (1986:80), “Do rigor teórico à urgência prática: a arquitectura militar, História da Arte em Portugal, vol. 8”, a cidade alentejana de Elvas foi o primeiro espaço fronteiriço a ser “fortificado de modo permanente” durante e depois da Guerra da Restauração em 1640, sendo então designada capital militar do Alentejo e a mais importante praça-forte que assegurava a Independência de Portugal, em virtude de estar a menos de 10 km da fronteira luso-espanhola. O Museu Militar de Elvas é um reflexo desta importância histórico-militar para o nosso país. De facto, este espaço museológico contém um dos mais importantes acervos bélicos de Portugal Continental, onde podemos contactar com o passado histórico-militar com mais de três séculos. Importa salientar que, em 2012, a cidade de Elvas foi classificada Património Mundial da Humanidade como “CIDADE-QUARTEL FRONTEIRIÇA DE ELVAS E SUAS FORTIFICAÇÕES”, tendo recebido mais de um milhão de visitantes desde a sua distinção pelo comité da UNESCO.

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Incorporado no seio das fortificações abaluartadas (1645-1653), da autoria do jesuíta João de Cosmander, designadamente nas antigas instalações do Regimento de Infantaria 8 (Convento de São Domingos, a Muralha Fernandina e parte das muralhas e baluartes Seiscentistas), este espaço museológico tem inúmeros pontos e elementos  expositivos de interesse, tais como, o Centro de Interpretação do Património de Elvas, a História do Serviço de Saúde do Exército, o salão de Hipomóveis e Arreios Militares e inúmeras viaturas bélicas que fizeram parte da história-militar de Portugal do séc. XX. Tem como missão a “a promoção, a valorização, o enriquecimento e a exposição do património histórico-militar à sua guarda”, pode ler-se no site. Faz parte da Rede Portuguesa de Museus (RPM) da Direção Geral do Património Cultural (DGPC).

Trata-se do maior museu em área de implantação de Portugal. Ao todo são 150.000m2 e uma área coberta de 14.000m2. Actualmente a área deste espaço museológico ultrapassa os 3.500m2. Com uma elevada carga arquitectónica e histórica, este espaço tem um valiosíssimo património onde se História da cidade de Elvas e de Portugal. Pedras com História. O Quartel do Casarão faz parte de antigas dependências construídas no séc. XVIII, depois da campanha de 1762-63 pelo engenheiro militar Valleré, autor da traça do Forte de Nossa Senhora da Graça. Trata-se de um conjunto de antigas Casernas do Quartel da Cavalaria, hoje ocupadas por circuito expositivo sobre as comunicações do Exército Português. Cada uma ostenta um nome de um combate onde a arma de cavalaria se notabilizou, designadamente nos sertões de África nos finais do séc.XIX. mantendo ainda hoje a sua traça original.

O Salão Hipomóvel está localizado numa sala do inicio do séc XIX, quando uma parte do espaço era ocupado quartel de cavalaria, houve a necessidade de construir cavalariças para alojar 500 cavalos e milhares de soldados, estas desenvolviam se ao longo de toda a atual parada Mouzinho de Albuquerque, num comprimento total de 120 metros. Chegados a meados do séc XX, com a sucessiva substituição da força motora dos equinos pelos automóveis, e com a necessidade de proporcionar condições mais dignas aos militares que aqui prestavam serviço, foi desanexada parte da cavalariça para adaptação a refeitório de praças.

As salas de dedicadas ao armamento rebocado por animais (Hipomóveis), na sua quase totalidade artilharia, podemos encontrar exposto os seguintes objectos bélicos: tiro de Artilharia composto por 3 parelhas, armão de transporte de munições e peça“Scheneider Canet” de 7,5 mm Modelo 1904; Canhão revolve “Hotckiss”de 40mm Modelo 1904. Carro de Ferramenta de Esquadrão Modelo 1907. Peça de Artilharia 11,4 cm tiro rápido Modelo 1917; Ambulância de Campanha Modelo Francês do ano 1890; Peça “AB Bofors” calibre 75mm. Modelo 1934; Caixa de Cirurgia de Campanha com instrumentos e material sanitário.

O “amarelo militar” é uma constante ao longo do espaço exterior do Museu de Elvas, à excepção de um pequeno troço que contém as antigas muralhas fernandinas do séc.XIV. Ainda no exterior, o visitante poderá contactar com armamento pesado exposto ao ar livre, com inúmeras peças de artilharia rebocada. Em primeiro plano, obus de campanha 150mm, “Bofors”, de fabrico sueco, no ano de 1885. Em segundo plano, um obus de campanha de 150mm modelo 1937, de origem nipónica, desconhecendo-se a sua chegada ao nosso país. Ao fundo, podemos visualizar dois obuses de campanha de 140mm modelo 1942, de origem inglesa.

No espaço exterior do Museu Militar, o visitante pode contemplar a área envolvente das fortificações e muralhas abaluartadas da cidade de Elvas. É o caso do Forte de Nossa Senhora da Graça. Para mim, uma das mais belas fortificações do nosso país e, quiçá, do Mundo. De facto, a vista aérea deste fortificação do séc.XVIII espelha a beleza arquitectónica, enquadrada estrategicamente com a paisagem à sua volta. À primeira vista, desde o Quartel do Casarão, esta fortificação parece-nos “inofensiva” à distância. Foi erigido a pensar para resistir a cercos prolongados, atestando a sua solidez e à prova de bomba.

A “Coleção de Viaturas Militares do Museu Militar de Elvas” contém inúmeras viaturas histórico-militares que fizeram parte da História Militar de Portugal.  Na imagem, temos o “burro do mato” Mercedes Benz UNIMOG 411, de fabrico alemão,  foram intensamente usados desde 1957 até aos anos 80. Também esta é uma das viaturas emblemáticas das campanhas de África, podia transportar 10 militares, sem qualquer protecção, mas dispostos (costas com costas) de modo a poderem saltar rapidamente da viatura e reagir a emboscadas.  A icónica CHAIMITE V-200, veiculo da Revolução de 25 de Abril de 1974, que fazia uma visita-guiada pelos espaços do acervo do Museu Militar de Elvas.

Durante o “XI Encontro Nacional de Veículos Militares Antigos / Um Dia no Museu Militar – Elvas 2017”, organizado pelo Exército e pela Associação Portuguesa de Veículos Militares, tive a oportunidade de fotografar e andar em inúmeros veículos militares que fizeram parte da História Militar de Portugal. Com entrada livre, este  evento proporciona um conjunto de actividades pouco vulgares com esta dimensão em Portugal, onde podemos visualizar os veículos e carros de combate que pertenciam ao Exército e que foram recuperadas pela Associação Portuguesa de Veiculos Militares (APVM), em colaboração com o Exército Português. A maioria faz parte do nosso imaginário colectivo (Chaimite, Berliet-Tramagal, UMM, Unimogs,etc), especialmente para os apaixonados por temas bélicos, visto que muitas delas ajudaram a escrever as páginas da História de Portugal.

Os visitantes e os amantes de veículos militares poderão visualizar inúmeras demonstrações dinâmicas de todos os tipos de veículos militares, jipes, pesados de transporte, tratores de artilharia e blindados de combate (alguns exemplares raros), a reconstituição de cenários militares da Guerra colonial Portuguesa, II Guerra Mundial e Vietname, a iniciação à prática de slide e rapel, realizar visitas orientadas por guias especializados às coleções de transmissões e viaturas militares do MME, bem como passeios em veículos militares nos espaços do Museu. Na imagem podemos visualizar duas viaturas: do lado esquerdo um Unimog 404, de origem alemã, e do lado direito o AEC MATADOR 4X4 MA/40/44/46 com reboque de um obus de 140mm M1943, de origem britânica Ambos foram usados no contexto africano, como veículos de transporte de pessoal, material e de  tracção de artilharia, respectivamente.

A Berliet-Tramagal GBC8KT 4X4 com uma metralhadora quádrupla de artilharia antiaérea 12,7 mm m/953, de origem norte-americana. Estes veículos foram adaptados no contexto da Guerra Colonial (1961-1974) e foram chamados a participar em inúmeras operações militares, em virtude da sua extraordinária capacidade em termos de ângulo e capacidade de tiro, sendo capazes de disparar contra alvos aéreos e terrestres. Foi possível comprovar que o material está em perfeita condições.

As reservas do Museu Militar de Elvas: junto às muralhas e baluartes seiscentistas existem inúmeras “carcaças” e peças de antigos carros de combate, veículos de transporte de tropas e artilharia rebocada que fizeram, e fazem, parte do nosso imaginário colectivo e alguns escreveram as páginas da História de Portugal e do Mundo. A maioria das reservas chegou dos inúmeros depósitos de material bélico do Exército Português, encontram-se a céu aberto aguardando a sua hora para recuperação, bem como outras estão colocadas em armazéns. Aguardam colocação na área visitável, consoante a disponibilidade dos voluntários da APVM e do recursos financeiros para comprar material para a sua reabilitação.

Na imagem acima podemos visualizar o icónico carro de combate M4 Sherman, de origem norte-americana, utilizado pelas forças aliadas em vários cenários da IIªGuerra Mundial contra as forças do Eixo. Neste caso, trata-se de um carro de combate do exército português aguardando a sua recuperação pelos associados da APVM, onde o objectivo é “manter a rolar”, evitando assim o esquecimento ou a sua condenação à sucata. Para quem nunca viu ou andou numa Chaimite, por exemplo, o trabalho da APVM proporciona (re) viver os tempos das picadas de África e os acontecimentos do 25 de Abril de 1974.

A Viatura Blindada de Reconhecimento Panhard EBR 75 17 Ton. 7,5cm 8X8 M/1959 é uma dos carros de combate icónicos da Revolução dos Cravos. Ao todo, em 1959, Portugal adquiriu 50 unidades  com a torre FL 10 e peça de 75 mm à França (Anciens Établissements Panhard-Levassor SA) Destas 21 foram enviadas para Angola (ficaram sediadas em Luanda e Silva Porto) e as restantes ficaram em Portugal Continental. Esta viatura esteve ao serviço do nosso país entre 1959 e 1984.

Na imagem acima temos o carro de combate M47 ‘Patton’, de origem norte-americana, que serviu no Exército Português, entre 1952 e 1984, na Escola Prática de Cavalaria. Fez parte de um episódios da Rua do Arsenal e da Ribeira das Naus, espaços onde ficou “decidido” o 25 de Abril de 1974. É gratificante aperceber-me que as autoridades militares estão conscientes da importância da preservação e valorização do património histórico-militar, bem como da sua abertura à comunidade civil. De facto, estes eventos proporcionam momentos lúdicos que nos ensinam a admirar e a olhar para a importância da salvaguarda do material circulante do Exército Português, bem como possibilita um incremento de visitantes para a temática do turismo militar na cidade de Elvas.

Em suma, este olhar fotográfico foi pequeníssima amostra das reservas, dos espaços e elementos que dão corpo ao Museu Militar de Elvas. A meu ver, a Associação Portuguesa de Veículos Militares tem feito um trabalho notável, tendo em conta, os parcos recursos humanos e financeiros à sua disposição. A maioria dos associados faz trabalho voluntário. Acima de tudo, estes nutrem uma grande paixão por veículos que fizeram parte dos episódios da História de Portugal, visto que uma vez por mês passa um fim-de-semana nas oficinas de Elvas a recuperarem os  veículos militares fabricados ou montados em Portugal: os icónicos camiões Berliet-Tramagal, blindados Chaimite, jipes Cournil e Alter da UMM.

Para mais informações:

Turismo do Alentejo

Câmara Municipal de Elvas

Museu Militar de Elvas

Blogue Operacional (Temas Militares)

Coordenadas: 38.881158,-7.159067 (ver no mapa)
Avenida de São Domingos 13,
7350-047 ELVAS – Elvas
+351 268636240
​ ​ ​ ​Horário de Verão (Março a Outubro)
Abertura ​Almoço Encerramento ​Última Entrada
​09H00 ​12H30-14H30 ​19H00 12H00 e ​18H30
Horário de Inverno (​Novembro a Março)
​09H00 ​12H30-14H30 ​17H30 ​12H00 e 17H00
Dia de encerramento: 2ª feira e feriados de 25 de Dezembro e 1º de Janeiro. Para mais informações sobre o Encontro Nacional de Veículos Militares Antigos / Um Dia no Museu Militar – Elvas 2017, contacte a Associação Portuguesa de Veículos Militares pelo email apvmilitares@gmail.com.

 Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

linhagraficaALL-oliraf-03💻  Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷

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Fotografia✈︎Viagens✈︎Portugal © OLIRAF (2018)

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📌 À descoberta da Rota do Mármore: uma viagem fotográfica pela indústria extrativa do Anticlinal de Estremoz…

O Alentejo é um território com vastas e reconhecidas potencialidades estratégicas,  onde podemos incluir o turismo industrial e cultural. A Rota do Mármore do Anticlinal de Estremoz proporciona a visita a lugares invisíveis que não estão acessíveis às massas turísticas. Trata-se, a meu ver, de um excelente exemplo, da dinamização turística, cultural e económica da Indústria extractiva do Mármore e do interior de Portugal, designadamente na região do Alentejo. Nesta visita-guiada pelo núcleo de pedreiras de São Marcos, entre os concelhos de Vila Viçosa do Alandroal, o leitor poderá (re) viver a minha experiência fotográfica e saber um pouco mais sobre a excelência e qualidade do mármore do Anticlinal de Estremoz. Sabia que o “Ouro Branco” é extraído, transformado e exportado para todas as regiões do globo terrestre? Sabia que Portugal é um dos principais e maiores produtores de rochas ornamentais do mundo (Mármore e Granito), a seguir a Itália? Sabia que a residência oficial do antigo líder do Iraque Saddam Hussein tinha mármore alentejano?

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Rota do Mármore do Anticlinal de Estremoz, criada pelo Centro de Estudos de Cultura, História, Artes e Património (CECHCAP), é um projecto cultural e de turismo industrial que pretende promover os patrimónios da região alentejana, tendo como ponto de partida o seu recurso endógeno mais abundante: o mármore. Consiste em proporcionar aos visitantes uma experiência invulgar, através de visitas guiadas acompanhadas por uma equipa multidisciplinar (guias-intérpretes, historiadores e investigadores) conhecedores do território, da geologia, da indústria e do património  associado ao mundo do mármore. O objectivo é a promoção de actividades de animação turística, diferenciadora e integradora, através da valorização da história, cultura, arte, a arquitectura, paisagem e gastronomia dos concelhos de Alandroal, Sousel, Borba, Estremoz e Vila Viçosa, visto que a Rota do Mármore AE, está sediada no centro histórico de Vila Viçosa, em plena zona dos Mármores do Alentejo.

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Mármore: o ouro branco da região do Alentejo. A região de Borba, Estremoz e Vila Viçosa constituem o núcleo-base do Anticlinal de Estremoz, uma das mais antigas e produtivas superfícies de extracção de rochas ornamentais em Portugal. As actividades relacionadas com este recurso mineral têm um grande peso na economia regional destes concelhos alentejanos e fomentam a empregabilidade da população local na indústria local, face a uma tradicional ligação ao sector agrícola. O nosso país é o segundo maior exportador mundial desta rocha ornamental, e até a Itália, o maior produtor, compra mármore de origem nacional.  Dai, a importância da certificação desta matéria-prima. Sensivelmente 90 % do Mármore de Portugal é extraído em torno da região de Estremoz: o anticlinal de Estremoz. Esta rocha ornamental é extraída e utilizada há mais de dois mil anos, desde a época romana e islâmica.  O Templo Romano de Évora, a Mesquita de Córdoba ou o Palácio de Vila Viçosa são magníficos exemplos da utilização arquitectónica desta rocha ornamental.

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Um pouco de Geologia…

O Anticlinal de Estremoz situa-se, em Portugal, na região do Alentejo, encerra um um dos principais centros mundiais da indústria extractiva de mármores para fins ornamentais denominado Zona dos Mármores. Localiza-se no sector setentrional da Zona de Ossa – Morena (ZOM), em Portugal, a cerca de 150 quilómetros a leste da cidade de Lisboa. Faz parte de um importante estrutura geológica em que diferentes rochas se distribuem no espaço por acção da deposição de sedimentos e materiais provenientes de antigos vulcões que terão acumulado numa bacia de sedimentação em estratos sensivelmente horizontais. Em virtude da acção das forças tectónicas, todos estes sedimentos foram transformados e deformados, originando, respectivamente, rochas metamórficas e dobras na crosta terrestre, fazendo com que as rochas que se encontravam umas sobre as outras passassem a estar lado a lado.

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No fundo, um Anticlinal é uma estrutura geológica geometricamente simétrica, em que a convexidade está voltada para cima, denomina-se antiformas (o núcleo destas estruturas contém as rochas mais antigas). Que tipo de mármores podemos encontrar no Anticlinal de Estremoz? Podemos encontrar diferentes mármores de inúmeras cores, tais como, os cinzentos e por vezes escuros (mármore azul e ruivina), Mármores claros, cremes e róseos limpos ou de vergada fina castanha e acinzentada e Mármores claros com vergada, róseos e creme com vergada xistenta espessa. 

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A primeira parte da visita-guiada consistiu num percurso pedestre pelo núcleo de pedreiras de São Marcos, nas proximidades de Vila Viçosa (EN 255), onde o visitante é elucidado pela importância geológica, histórica, económica, cultural e ambiental da exploração desta rocha ornamental  no Anticlinal de Estremoz, sempre respeitando as indicações de segurança (uso de capacete e colete reflector) e as normas básicas de civismo, visto que as explorações são propriedades privadas. Comprovamos, através de uma panorâmica do local, que a fisionomia de uma pedreira é ditada pelos seguintes factores: a topografia, pela disposição dos filões e pela adaptação de materiais e técnicas usadas na exploração. Antes de iniciar a lavra, a primeira operação é a limpeza do mato à superfície e a remoção de rochas consideradas inferiores. De seguida, após a instalação da maquinaria de suporte à pedreira, a exploração económica dos recursos poderá ser feita por bancadas ou por fossas.

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No Anticlinal de Estremoz existem cerca de 200 pedreiras em actividade para um total de, aproximadamente, 370 cortas existentes e estas unidades extractivas espalham-se pelos vários núcleos de exploração e transformação. A maioria das pedreiras são a céu aberto e tem uma profundidade que varia entre os 15 e os 50 metros, existindo no entanto explorações com profundidades mais elevadas, possuindo a mais profunda cerca de 110 metros. Aliás, existem explorações que fazem, excepcionalmente, lavra em galeria.

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Para atingir tais profundidades, as firmas e os trabalhadores da indústria do mármore utilizam o fio diamantado para o corte de grandes blocos de mármore. Este fio surgiu para substituir as inconveniências técnicas do fio helicoidal, visto que as rochas ornamentais como os granitos são materiais com grande resistência que os mármores. Dai, a sua aplicação à indústria extrativa do mármore. A escolha de um fio tem sempre em consideração os  factores de produtividade e a tecnologia utilizada no corte (máquina em que irá trabalhar, a pedra que o cliente irá serrar, a maior  durabilidade e a rapidez do corte).

 

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As gruas tipo Derrick são maquinismos com um grande impacto visual, económico e tecnológico nas explorações de extracção do mármore. Estas começaram a ser montadas e utilizadas a partir do final da década de 60 do século passado, após a finalização da construção da ponte Salazar (actual Ponte 25 de Abril), visto que os equipamentos usados para a construção das infra-estruturas foram vendidas a diversas firmas portuguesas pela responsável da obra, a United States Steel Export Company, incluindo algumas empresas metalomecânicas que adaptaram-nas às pedreiras locais de indústria extrativa do AntiClinal de Estremoz.

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Em virtude de a lavra fazer-se em céu aberto e cada vez a profundidades mais profundas, as gruas tipo Derrick passaram a ser maiores para retirar grandes blocos de pedra, substituindo, assim, o arrastamento com recurso aos Crapauds pela elevação. Trata-se de um dispositivo fixo, constituído por um grande mastro que gira mas não se inclina, que se move para cima e para baixo para elevar ou baixar pesos. Para suportar a distribuição do peso da estrutura de metal, estas gruas eléctricas são munidas de dois ou mais braços laterais fixados ao solo.

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Todavia, a exploração de mármores no Anticlinal de Estremoz apresenta alguns problemas relacionados com a evolução da actividade da lavra intensiva. Sabia que num século extraiu-se mais mármore que em dezanove séculos? Estas alterações resultam da evolução do processo extrativo e inovação tecnológica  proporcionada ao longo do século XX, promovendo uma rápida exploração esgotamento da matéria-prima, bem como a degradação e fracturação dos mármores devido à concentração de tensões junto dos taludes. De facto, a maioria das pedreiras são encerradas, pós o corte, arranque e remoção dos blocos de mármore de várias toneladas, e por norma aterrada com recurso à pedra extraída, amontoada nas escombreiras, mas não valorizada economicamente.

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As escombreiras acumulam enormes quantidades de depósitos de material não comercializado e acumulado junto às pedreiras, o que causa grande impacto visual, ambiental e económico na exploração do território envolvente às pedreiras. A Rota do Mármore tem alertado as empresas do sector para esta situação, bem como tem contribuído para a educação e preservação ambiental, através, de um conjunto de percursos distintos que alertam para o reordenamento do sector extractivo e a necessidade de compatibilização da actividade extractiva com a exploração turística sustentável do território do anticlinal de Estremoz.

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Na segunda parte da visita-guiada, os visitantes puderem acompanhar o quotidiano de uma unidade industrial de transformação de mármore: a Margrimar – Mármores e Granitos, S.A. Aqui, podemos visualizar diferentes processos industriais que transformam esta rocha ornamental para ser utilizada na construção civil, sejam em grandes obras públicas ou pequenas obras privadas. Verifica-se uma grande utilização de diversas tecnologias  que utilizam discos e láminas diamantadas  nas diversas máquinas de corte desta rocha ornamental o que, por sua vez, revelam um grande consumo de água para evitar a quebra das mesmas durante o processo de corte. Após o corte dos blocos de mármore em diversas dimensões, conforme as necessidades dos clientes, as mesmas são alvo de um processo de embalagem em paletes de madeira aguardando o destino final para outras latitudes.

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Nesta unidade industrial, o visitante pode ainda contactar com um poucos exemplares do guincho diferencial (Crapaud) produzido pela empresa Joaquim José Ramos. Estes “veículos” motorizados de origem belga foram utilizados na extracção do mármore, a partir da década de 40 do século XX, em inúmeras pedreiras da região do Alentejo. Trata-se de uma inovação tecnológica (Arqueologia Industrial) produzida pelas empresas metalomecânicas locais, de que ainda subsiste um exemplar, para a indústria dos Mármores. Importa salientar que estes Crapauds eram cópias de modelos de empresas estrangeiras, adaptadas e melhoradas tecnologicamente em função das necessidades e realidades da indústria de extracção local. Movidos a diesel, com motores Lister de origem inglesa, podiam mover uma carga máxima de 160 kg /mm2, utilizando o método de retirar blocos de pedra através de elevação por arrastamento, dando, assim, uma maior robustez, segurança, força e capacidade para puxar o mármore.

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O transporte rodoviário é essencial para o escoamento do mármore extraído do Anticlinal de Estremoz, visto que a região do Alentejo é parca em transportes ferroviários de mercadorias (o comboio  de passageiros só tem ligação à cidade de Évora). A meu ver, esta situação deve-se à facilidade de ligações rodoviárias (A6 e N255) com o litoral português (Porto de Setúbal, Sines ou Lisboa) e à proximidade geográfica com a fronteira luso-espanhola que permite exportar grandes quantidades de blocos de mármore para o continente Europeu e outras regiões do globo. Aliás, a maioria das pedreiras da região do Anticlinal de Estremoz situam-se junto a estradas nacionais (N4 e N255) e da auto-estrada que faz ligação a Espanha (A6).

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A fachada do Palácio Ducal de Vila Viçosa (remonta aos primeiros anos do século XVI as obras da fachada principal, sob a ordem do Duque de Bragança D.Jaime) é um belo exemplo da aplicação desta rocha ornamental, em virtude da rara qualidade e beleza do mármore alentejano. De facto, a rocha ornamental desta região portuguesa está presente em abundância no património arquitetónico, histórico e artístico da região, mas também no resto do país e em todo o mundo, o que torna este recurso um digno embaixador de Portugal e do Alentejo. Quem diria que, a mais de 100 metros, em Vila Viçosa,são extraídas toneladas de mármore para ornamentar inúmeros edifícios do Mundo inteiro, por exemplo o Palácio de Versalhes  (França), Mosteiro do Escorial (Espanha), Cidade do Vaticano (Vaticano) e Franklin National Memorial (EUA).

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As pedreiras são o exemplo são o resultado da exploração das paisagens naturais que dão lugar a paisagens industriais,isto é, alteradas pela mão do Homem. Para quem faz a Estrada Nacional 255, entre as localidades alentejanas do Alandroal e Vila Viçosa, não fica indiferente à paisagem envolvente, onde emergem as inúmeras escombreiras e as gruas Derrick, que se sucedem-se à medida que nos aproximamos da terra da poetisa Florbela Espanca. Através desta visita-guiada, dotada de uma temática invulgar e específica e, por isso, não familiar à grande maioria do público, a Rota do Mármore proporcionou-me uma oportunidade de conhecer de forma mais aprofundada o sector da indústria extractiva dos mármores da região do Alentejo. Trata-se, na minha opinião, de um bela comunhão entre o património edificado e o turismo industrial. De facto, o Alentejo é actualmente um território pouco explorado, preservado e seguro  das massas turísticas, onde a sua história é marcada pelo património a descobrir e pela cultura popular que lhe (ainda) conferem identidade e autenticidade. A Rota do Mármore do Anticlinal de Estremoz proporciona uma forma diferente de conhecer uma das mais antigas e produtivas superfícies de extração de mármores do nosso país, bem como a promoção do património edificado (material e imaterial), a típica gastronomia local e as belezas naturais que dão cor, forma e conteúdo ao Alentejo.

A Rota do Mármore AE é…uma forma diferente de conhecer o melhor do Alentejo!

Para mais informações:

Esta visita-guiada foi realizada no âmbito das Jornadas Europeias do Património – 22,23,e 24 de Setembro de 2017, subordinadas ao tema “Património e Natureza. Pessoas Lugares e Histórias”. O caliponense, o Dr. Carlos Filipe, um dos mentores do projeto de Turismo Industrial do Anticlinal de Estremoz, foi o nosso guia nesta viagem pela @rota_do_marmore_ae. O Blogue OLIRAF agradece a visita de contemplação de paisagem natural e edificada ao “Mundo dos Mármores” da região do Alentejo.

Alves, Daniel (ed.), Mármore, património para o Alentejo: contributos para a sua história (1850-1986), Vila Viçosa, Centro de Estudos de Cultura, História, Artes e Patrimónios, 2015.

Rota do Mármore do Anticlinal de Estremoz

Coordenadas 38.776871,-7.418105 (ver no mapa)
Largo D. João IV, 40A
7160-254 – Vila Viçosa
Telefone: +351 268 889 186 / 966 032 646

Nota importante

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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Fotografia•Viagens•Portugal © OLIRAF (2018)

Contact: oliraf89@gmail.com

🌎 OLIRAF Blogger Trips 2017: 12 fotos, 12 olhares 📷

📷 Foi um ano de grandes e exigentes desafios. O ano 2017, para mim, foi um ano satisfatório a todos os nível pessoal, profissional e académico. Em virtude, da boleia da minha nomeação nos BTL Blogger Awards 2017, nomeado para a categoria de melhor blogue de fotografia de viagens, tive oportunidade de experienciar o que é a vida de um verdadeiro traveller, storyteller e fotógrafo de viagens. Considero-me um sortudo. Cruzei-me com pessoas e gentes de diversas latitudes. De facto, estamos cada vez mais numa «aldeia global». Não fico admirado com a noticia de Portugal ter sido eleito “Melhor Destino do Mundo” nos World Travel Awards. Lisboa é o “Melhor Destino para City Break” e a Ilha da Madeira “o Melhor Destino Insular”. de facto, o nosso país está na Moda!

Poucos sabem ser irreverentes e contar as suas experiências de viagem. É preciso ter muita vontade, coragem, motivação e tempo para escrever as nossas aventuras, neste caso, fotográficos. A minha nomeação para o passatempo da Navigator “Arround the World in 80 pages” é um exemplo. Sorte? Não, é apenas a ponta do icebergue do trabalho que não é visível. Ao longo deste ano, definimos como prioridade conhecer a região do Alentejo. Na minha opinião, um dos locais ainda genuínos do nosso país. Ao contrário do que gostaríamos, este ano não fizemos muitas incursões ao estrageiro, à excepção da visita à pitoresca vila luso-espanhola de Olivença. Alguns locais foram verdadeiras descobertas pessoais, outras foram confirmações das nossas expectativas…de viagem.

Como forma de celebrar o ano que chega ao fim, decidi seleccionar as 12 melhores imagens de 2017. Apesar da subjectividade visual, uma escolha pessoal, espero que gostem. Deixo-vos,assim, o Best of das minhas Blogger Trips de 2017:

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  Aldeia de Monsaraz (Alentejo): o blogue OLIRAF foi nomeado para a 4ªEdição dos BTL BLOGGER TRAVEL AWARDS (BTL), considerados os “Óscares” dos Blogues de Viagens em Portugal, na categoria de “Fotografia de Viagem”. Depois de ter sido nomeado nos últimos dois anos (2016 e 2017), o meu projecto pessoal de fotografia e escrita de viagens continua a ser um incentivo para escrever e viajar pelas estórias da História. Confesso que esta nomeação foi um incentivo e uma promoção da minha paixão pela fotografia e pelo gosto da História, em consonância com o prazer de viajar. Há milhões de blogues por esse Mundo fora. Mais do que ser conhecido, é ver reconhecido a nossa paixão.

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 Évora, um olhar fotográfico: entre Março e Setembro de 2017, tive oportunidade de viver, trabalhar e viajar pelo Alentejo, designadamente na milenar Évora. Na sua obra “Viagem a Portugal”, o escritor José Saramago escrevia: “O viajante está em Évora.[…] Em Évora há, sim, uma atmosfera que não se encontra em outro qualquer lugar; Évora tem, sim, uma presença constante de História nas suas ruas e praças, em cada pedra ou sombra; Évora logrou, sim, defender o lugar do passado sem retirar espaço ao presente.” Ao longo de seis meses, viajei e visitei inúmeras cidades, vilas e aldeias desta região bem portuguesa, com a minha pequena máquina fotográfica Fujifilm X-T10. Contactei com o imenso património natural, edificado e, acima de tudo, com as gentes, igualmente com os seus problemas. À série de fotografias que resultou da minha experiência, todas a cores, optei por criar um Álbum Fotográfico Alentejo – Olhares Fotográficos“.

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 Cais Palafítico da Carrasqueira:  é uma engenhosa e criativa solução da comunidade piscatória da Carrasqueira (Comporta, Alcácer do Sal) para resolver o problema de acesso aos barcos durante a baixa-mar. As estacas de madeira penetram no sapal e estendem-se como os “tentáculos de um polvo” até ao estuário do Sado. Neste porto piscatório, os barcos atracam e no passadiço circulam as redes, os apetrechos, pescado e, mais recentemente, inúmeros turistas e curiosos para captar fotograficamente o espaço e o meio envolvente. Trata-se de um dos ex-líbris turisticos do concelho de Alcácer do Sal.

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 Vila de Olivença: é uma agradável e pitoresca cidade fronteiriça da raia luso-espanhola. Para quem percorre o seu “casco histórico”, como referem os “nuestros hermanos” aos seus centros históricos, o viajante não fica indiferente à escala do seu património edificado de origem portuguesa. Com quase doze mil habitantes (2016), esta vila da Extremadura Espanhola, nas proximidades de Badajoz, é um ponto de (re) encontro entre as culturas portuguesa e espanhola. Afinal de contas, Olivença personifica duas faces da mesma moeda. Para muitos, “Olivença é filha de Espanha, neta de Portugal”.

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 Ponte da Ajuda (Elvas): este exemplar da arquitectura manuelina – militar e civil – era o único meio de comunicação, no rio Guadiana, entre Elvas e Olivença. Dai, a sua destruição no contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714). Há projectos para a sua reconstrução, mas em virtude das querelas fronteiriças entre Portugueses e Espanhóis, tal não foi possível ainda. Assim, entre 1709 a 2001, quem quisesse visitar Olivenza, teria de passar a fronteira do Caia em Badajoz. Actualmente, o viajante pode transpor, sem qualquer dificuldade, o território português, graças à nova ponte da Ajuda, em betão armado e sem qualidade estética da anterior, construída e financiada integralmente pelo Governo de Portugal.

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 Rota do Mármore (Vila Viçosa): o projecto da Rota do Mármore do Anticlinal de Estremoz é uma forma diferente de conhecer uma das mais antigas e produtivas superfícies de extração de mármores do nosso país: a a região do Alentejo. Trata-se de um belo exemplo do aproveitamento turístico, de cariz industrial e patrimonial, das pedreiras onde se extrai o “ouro branco”: o mármore. Através de uma visita guiada, o viajante poderá contactar com lugares invisíveis, com os valores históricos, culturais e patrimoniais dos concelhos que compõem a região do Anticlinal de Estremoz (Alandroal, Borba, Estremoz, Sousel e Vila Viçosa). Além da promoção desta rocha ornamental e o património edificado a ela associado, por exemplo o Palácio Ducal de Vila Viçosa, um dos valores desta rota turística é promover a típica gastronomia local e as belezas naturais que lhe dão cor e forma.

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 Museu Militar de Elvas: trata-se de um dos mais importantes museus bélicos de Portugal Continental, onde podemos contactar com um acervo histórico-militar com mais de três séculos. Visitei este espaço museológico (situado nas antigas instalações do Regimento de Infantaria 8) durante o Encontro Nacional de Veículos Militares Antigos, onde podemos visualizar os veículos e carros de combate que pertenciam ao Exército e que foram recuperadas pela Associação Portuguesa de Veiculos Militares (APVM). A maioria faz parte do nosso imaginário (Chaimite, Berliet-Tramagal, UMM, Unimogs,etc), especialmente para os apaixonados por temas bélicos, visto que muitas delas ajudaram a escrever as páginas da História de Portugal.

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 Castelo Medieval de Beja: um dos mais belos “guerreiros de pedra” da região do Alentejo. Destaca-se a imponente torre de Menagem Medieval do Castelo de Beja. Trata-se da maior de Portugal com quase 40 metros de altura. Daqui, contemplamos a  paisagem em redor e os campos de cereais, o que demonstra a  importância histórica, política e militar desta cidade milenar, fundada pelos Romanos (Pax Julia).Através deste exemplo, podemos comprovar que as fortalezas medievais eram formas de ostentação social, económica,militar e de autoridade dos seus senhores. É obra!

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 Regimento de Artilharia de Costa: localizada na Fonte da Telha, a 6ªBataria foi desactivada em 1999. Depois disso, a grande maioria dos quartéis onde funcionavam as instalações militares desta unidade do exército português ficaram entregues ao tempo e a si próprios. Há uma excepção: a 6ªBataria da Raposa. Aqui, a Associação dos Amigos da Artilharia de Costa, o ajudante Castanheira e dois praças do Exército Português mantêm viva a memória e em bom estado de conservação uma das estruturas de artilharia em Portugal. Na imagem inicial, temos um antigo artilheiro Fernando Limão do RAC, junto de uma das três peças “Vickers” C. 23.4 cm da “Raposa”.

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 Luís Martins (Évora):  Nas nossas cidades, vilas ou aldeias de Portugal, há sempre uma figura que se destaca no meio do reboliço do quotidiano habitual e fazem parte do imaginário popular das mesmas. Postais vivos que identificam um território. São o rosto do imaginário popular.  O “Beato Salú” é um exemplo. Esta figura carismática deambula pelas ruas e vielas do centro histórico da cidade de Évora. Encarnou uma missão divina, diz ele. Na minha opinião, um Santo Popular. Como afirmou Padre António Vieira: “Há homens que são como as velas; sacrificam-se, queimando-se para dar luz aos outros.”

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 Silverbox Studio (Lisboa): Silverbox nasceu pela mão de um jovem casal Rute e Filipe. Ambos nutrem uma paixão pela arte fotográfica e, em especial, pelo processo de colódio húmido. Trata-se de um processo fotográfico muito utilizado na 2ªMetade do Século XIX por fotógrafos profissionais e amadores, entre os quais, o português Carlos Relvas. Sim, o pai do republicano José Relvas. Este estúdio fotográfico fora do comum, tem a fusão das técnicas fotográficas da segunda metade do século XIX com a estética do século XXI. O objectivo deste estúdio lisboeta é trazer de volta o ritual de ir ao fotógrafo e de fazer um retrato individual ou de grupo,à semelhança dos nossos antepassados.

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 Passatempo Navigator “Arround the World in 80 pages”fui uma das 80 Histórias seleccionadas, pela primeira vez, para integrar e dar cor ao livro “Around the World in 80 pages”, um passatempo do Grupo Navigator.  Esta segunda edição do Navigator Around the World in 80 Pages recebeu mais de 1350 histórias submetidas online. Este passatempo de viagens tem como objectivo premiar as melhores histórias em Inglês e as fotografias dos viajantes nacionais e estrangeiros que concorrem. Após uma profunda reflexão das melhores estórias da História e fotografias do portefólio  de viagens referentes ao ano de 2016, optei por concorrer com três fotografias que davam cor ao texto da minha viagem a Granada (Andaluzia,Espanha): Be a Time Traveller in Granada Heritage”.  Esta escolha, a meu ver, reflectiu a minha paixão pela literatura e fotografia de viagens, bem como a curiosidade pelo legado da civilização islâmica na Península Ibérica: o Al-Andalus.

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E foi assim o meu ano de blogger amador. Mais do que uma viagem pelas estórias da nossa história, foi uma “panóplia” de experiências pessoais e colectivas que podem ser partilhadas digitalmente,mas que devem ser vividas na primeira pessoa. É isso que convido o leitor do blogue OLIRAF a fazer: viver estas experiências. Não haverá melhor sensação do que sair da nossa “zona de conforto”?

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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Fotografia✈︎Viagens✈︎Portugal © OLIRAF (2017)

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👤Luís Martins: um olhar fotográfico de uma figura do imaginário popular eborense…

📷 Nas nossas cidades, vilas ou aldeias de Portugal, há sempre uma figura que se destaca no meio do reboliço do quotidiano habitual e fazem parte do imaginário popular das mesmas. Postais vivos que identificam um território. São o rosto do imaginário popular.  O “Beato Salú” é um exemplo. Esta figura carismática deambula pelas ruas e vielas do centro histórico da cidade de Évora. Encarnou uma missão divina, diz ele. Na minha opinião, um Santo Popular. Como afirmou Padre António Vieira: “Há homens que são como as velas; sacrificam-se, queimando-se para dar luz aos outros.”

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O que se faz num fim-de-semana em Évora? Ou depois do trabalho? Fotografar a castiça Évora, sem percurso predefinido e ir ao encontro das gentes. Depois de ter conhecido os principais pontos turísticos e menos conhecidas desta cidade alentejana, optei por conversar com Luís Amaral Martins (o “Beato Salú”). Lá arranjei coragem para pedir-lhe umas fotos. Até parece uma fobia falar e fotografar uma pessoa que vive na rua há mais de três décadas por opção (ou por acreditar em algo). Confessa-me que não gosta de tirar fotos, apesar de ser a figura mais carismática da cidade de Évora. Depois alguns minutos de conversa, junto à Praça do Sertório, ganho coragem e peço-lhe algumas fotografias. Após fazer as ditas imagens, Luís Martins confessa-me: “essas suas fotografias têm a minha energia. Já leva uma parte de mim.” E eu, na minha ingenuidade e curiosidade pelo outro, perguntei-lhe a idade: “Tenho três milhões de anos”.  Na sua “loucura”, a meu ver, ele diz muitas verdades sobre os aspectos da nossa sociedade. À medida que íamos falando, inúmeros eborenses vinham cumprimentar o “postal vivo” da sua cidade e os turistas captavam à distância o rosto deste “Gandalf” local. O seu discurso quase profético, a meu ver, demonstrava um Homem culto e informado que, nas minhas surtidas fotográficas no centro histórico de Évora, captava a ler alguns jornais.

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Quem é o “Beato Salú”? 

Luís Martins é talvez o eborense mais conhecido de Portugal e, talvez, do Mundo. Com mais de sete décadas de vida, fez os seus estudos primários e aos 12 anos tornou-se grumo no café mais emblemático da cidade de Évora: o Arcada. Foi casado e teve um filho, tal como a maioria dos “comuns mortais” desta sociedade. Mais tarde, tornou-se caixeiro viajante, vendendo electrodomésticos pela região do Alentejo. Todavia, houve um momento em que mudou o destino da sua vida. Nos anos 70, numa ida a Fátima, teve uma revelação. Abdicar de tudo, até da família, em nome da sua missão divina. Ainda hoje, não fala com a família. Por opção. Acredita nas energias da natureza e acredita ser uma espécie de “Profeta” de salvar a cidade de Évora das más energias, sejam elas naturais e humanas. Há mais de trinta anos que é fiel a este compromisso divino. Quando toma conhecimento de algum presságio ou calamidade, caminha os dias inteiros entre as arcadas da Praça do Giraldo e da Drogaria Azul, com a sua icónica trolley de viagem, a salvar o mundo local de Évora. É este o seu trabalho, apesar de negar que está sempre a passear ou a descansar num banco de jardim. Há que recarregar energias no seu “O“. Na década de 80 do século XX, o povo de  Évora decidiu meter a alcunha de “Beato Salú”, personificando como o vidente da novela brasileira Roque Santeiro (1975). Acima de tudo, pude comprovar que esta pessoa é uma simpatia, muito culto, informado e sempre disposto a contar as suas estórias de vida.

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Para mim, as imagens têm vários poderes: o de transformar, convencer e comover. A fotografia de rua, de facto, permite ao fotógrafo captar a agitação diária de uma urbe, mostrando os sujeitos, os territórios e as realidades que lhe dão corpo. Por vezes, é ela que nos ensina a olhar e a reflectir para assuntos que a nossa mente nem se atreve a imaginar. Mas é esta realidade cruel, e ao mesmo tempo bela, do mundo que me faz apreciar tanto este género fotográfico. Nunca mundo onde cada vez temos menos tempo para sentir e ver, é necessário, a meu ver, parar e olhar para aquilo que nos rodeia. Ah, a eterna máxima de Robert Capa: “Se uma foto não está boa o suficiente , então é porque você não se aproximou o suficiente“. É caso para dizer: aproximem-se!

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Luís Martins é, sobretudo, um ser humano.  Um “monumento vivo” de Évora (sem o selo da UNESCO). São estas pessoas que fazem parte da memória popular e urbana de uma cidade. Quem disse que é preciso ir ao outro lado do Globo, captar olhares diferentes e genuínos? No Alentejo, e no interior de Portugal, podemos captar a essência das gentes humildes que dão rosto, corpo e alma a um território. Apesar da sua loucura, esta não deixa de ter alguma razão. Como afirmou a poetisa Florbela Espanca: “Afinal, quem é que tem a pretensão de não ser louca? Loucos somos todos, e livre-me Deus dos verdadeiros ajuizados, que esses são piores que o diabo!“. Dá vontade de ir a Évora, e nunca mais sair!

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 Fotografia✈︎Viagens✈︎Portugal © OLIRAF (2017)

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📌 À descoberta do Cais palafítico da Carrasqueira: um olhar fotográfico das vivências do Alentejo Litoral…

É uma viagem constante (re)descobrir o estuário do Sado e uma parte do Alentejo que se abre ao oceano Atlântico: o Alentejo Litoral. Aqui, o viajante ou o turista poderá avistar uma imensa faixa de costa que, desde a Península de Tróia até ao Cabo de Sines, proporciona exuberantes e convidativas praias com um ininterrupto areal. Trata-se de uma das mais calmas, genuínas e tradicionais regiões de Portugal, onde o património natural e edificado continua bem preservado, e onde encontramos gentes que tornam a experiência de viagem mais enriquecedora.

O Cais Palafítico da Carrasqueira é uma engenhosa e criativa solução da comunidade piscatória da Carrasqueira (Comporta, Alcácer do Sal) para resolver o problema de acesso aos barcos durante a baixa-mar. As estacas de madeira penetram no sapal e estendem-se como os “tentáculos de um polvo” até ao estuário do Sado. Neste porto piscatório, os barcos atracam e no passadiço circulam as redes, os apetrechos, pescado e, mais recentemente, inúmeros turistas e curiosos para captar fotograficamente o espaço e o meio envolvente. Trata-se de um dos ex-líbris turisticos do concelho de Alcácer do Sal.

Quem visita a Comporta, a meu ver, não pode deixar de conhecer o cais palafítico da Aldeia Piscatória da Carrasqueira, único no continente europeu. Para quem navega nas tempestuosas águas da World Wide Web, verifica que é um dos locais mais procurados por fotógrafos amadores e profissionais para testar as suas técnicas e capturar genuínas imagens de paisagem e da comunidade piscatória local. E para quem gosta de fotografia documental, este local é de visita obrigatória para ir com tempo e com calma.

Ao percorrer os passadiços de madeira, os barcos e as casas que abrigam os utensílios usados na faina sucedem-se, tais como, as cores e as formas das últimas. Trata-se de um belo testemunho da arquitectura popular e das vivências das comunidades locais de pescadores e mariscadores que se estabeleceram na segunda metade do século XX, nesta área do estuário do Sado.

Aqui, no extremo norte do Baixo Alentejo, na margens da reserva natural do estuário do Sado, o viajante poderá encontrar uma outra noção de paisagem: a aquática. Além disso, o viajante pode adquirir pescado e bivalves aos pescadores locais. Note-se que uma parte do choco serve às inúmeras ementas e iguarias desta região. Uma experiência inesquecível para qualquer pessoa que visite esta terra muito peculiar.

wp-image-1673209097Durante a minha descoberta deste pitoresco local, algo captou a minha atenção quando vagueava pelos passadiços do Porto Palafitico da Carrasqueira: um casal de pescadores manuseando as redes. De repente, veio à cabeça, a eterna máxima de Robert Capa: “Se uma foto não está boa o suficiente , então é porque você não se aproximou o suficiente”. É caso para dizer: aproximem-se!

 

wp-image-622814112A região de Alcácer do Sal, desde a época muçulmana, foi um grande centro industrial de construção naval. Ao percorrermos a N253, entre a praia da comporta e Alcácer do Sal, verificamos a existência de inúmeras matas de pinho, vitais para a reparação e construção naval de pequenas e grandes embarcações.Hoje em dia, ao fundo, verificamos a presença da unidade industrial de reparação naval a Setenave da Mitrena (ex-Lisnave), bem como de navios aguardando a sua vez no estuário do Sado.

wp-image--140368371No vale do rio Sado, perto de Alcácer do Sal, a rizicultura (arroz) tornou-se muito mais rentável do que a cultura do trigo. O sapal da Carrasqueira é um bom exemplo do aproveitamento dos terrenos para fins agrícolas, tendo um pequeno dique para impedir as inundações. Actualmente, no Alentejo, a cultura do regadio sobrepõe-se , pouco a pouco, à cultura de sequeiro…

 

Após a visita ao Porto Palafítico, volto para a Aldeia da Carrasqueira onde, por mero acaso, deparou-me com uma habitação tradicional destas paragens: uma antiga dos pescadores que assentaram vida na segunda metade do século XX. Os habitantes locais dizem-me que existem mais casas tradicionais para os “lados de Grândola”, designadamente na freguesia do Carvalhal. Ao despedir-me desta castiça aldeia Alentejana, vêm-me à cabeça o seguinte pensamento: “Quando o engenho do Homem caminha em comunhão com a Natureza, a obra nasce. Aqui, o Homem adaptou-se ao meio.”

 

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O que pode fazer:

1. Se gosta de fotografar o pôr-do-sol, as  águas calmas do Sado atingem o seu nível mais elevado proporcionando imagens singulares do espelho de água envolvente;

2. Se gosta de turismo de natureza e observação de aves, o Estuário do Sado apresenta um circuito de caminhada e uma das maiores concentrações de aves limícolas do país;

3. Compre pescado e bivalves aos pescadores e mariscadores locais;

4. Saborear num restaurante local da Aldeia da Carrasqueira, um belo choco frito.

Como chegar:

De Alcácer do Sal, poderá aceder à área sul da reserva do Estuário do Sado, devendo utilizar a N253 na direção da praia da Comporta, e junto ao km 4 desta estrada, voltar à direita na direção da aldeia da Carrasqueira. De seguida, terá de atravessar uma estrada de terra batida, que conduz ao Porto Palafitico da Carrasqueira.

Para mais informações:

Câmara Municipal de Alcácer do Sal (Turismo)

Herdade da Comporta

Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF)

Visit Alentejo (Litoral Alentejano)

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Fotografia✈︎Viagens✈︎Portugal © OLIRAF (2017)

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📷 “Alentejo – Olhares Fotográficos”: o Álbum Fotográfico da Saal Digital Portugal…

Entre Março e Setembro de 2017, tive oportunidade de viver, trabalhar e viajar pelo Alentejo. Visitei inúmeras cidades, vilas e aldeias desta região bem portuguesa, com a minha pequena máquina fotográfica Fujifilm X-T10. Contactei com o imenso património natural, edificado e, acima de tudo, com as gentes, igualmente com os seus problemas.
À série de fotografias que resultou da minha experiência, todas a cores, optei por criar um Álbum Fotográfico Alentejo – Olhares Fotográficos“.
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Trata-se de uma retrospectiva pessoal, como fotógrafo amador, composto por uma selecção de 30 fotografias da minha conta do Instagram, referente as minhas itinerâncias na região do Alentejo, no sul de Portugal. Cada fotografia deste álbum fotográfico procura captar a memória do passado, a contemplação da paisagem natural e das gentes que dão vida a esta região bem portuguesa. Aliás, o meu primeiro “devaneio fotográfico” ocorreu durante uma visita ao castelo de Montemor-o-Novo, “corria o ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2006″. A partir desse momento, nunca perdi a ligação afectiva à região do Alentejo. E, claro, à arte fotográfica.
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Porquê a escolha do Alentejo?
Trata-se de uma das mais calmas, genuínas e tradicionais regiões de Portugal, onde o património natural e edificado continua bem preservado, e onde encontramos gentes que tornam a experiência de viagem mais enriquecedora. Eis alguns pontos fortes desta região portuguesa:
  •  Paisagem natural (Serra de São Mamede, Alqueva e Serra de Ossa);
  •  Gastronomia tradicional;
  •  Património Mundial UNESCO (Évora e Elvas);
  •  Praias (Comporta, Zambujeira do Mar e Vila Nova de Mil Fontes);
  •  Turismo Industrial (Rota do Mármore);
  •  Enoturismo (Ervideira, Cartuxa e João Portugal Ramos);
  •  Gente afável, próximo,  simpático e sempre a ajudar os “forasteiros”.

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O que é Saal Digital?

Tomei conhecimento desta empresa, e do respectivo produto, através da rede social Instagram. Notei que a Saal Digital está a fazer um forte investimento e captação de público e clientes para testar os seus serviços e produtos digitais relacionados com a impressão de material fotográfico. Foi a primeira vez que pedi a impressão de um álbum digital. E não fiquei arrependido. De uma forma geral, a qualidade do produto, do serviço e software de edição deixou-me com uma boa  impressão.

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"A Saal Digital Portugal permite tornar a tua paixão em algo palpável e para a posterioridade"
Os Álbuns digitais e produtos fotográficos são personalizados com uma qualidade profissional. Eu fiquei impressionado com a qualidade de impressão das minhas fotografias, mesmo não tendo a melhor qualidade gráfica. Já imaginou não ter o logo do fabricante. Fantástico. Optei por Álbum digital 15 x 21 – e pela encadernação panorâmica, visto que permite ao utilizador inserir fotografias em páginas duplas sem perder qualquer detalhe gráfico. A meu ver, a abertura 180º é ideal para colocar imagens de grande tamanho, neste caso, panoramas. A qualidade é suberba! Tanto das imagens como do material. É uma sensação maravilhosa folhear as minhas aventuras fotográficas  Para além disso, eles oferecem um software próprio para instalar no computador para fazer o projecto fotográfico. Em relação ao prazo de entrega, a meu ver, foi rápido e a embalagem vinha devidamente acondicionada.
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Se és amante da fotografia…

Se ficou curioso, visite a página oficial e o Instagram da Saal Digital Portugal ou caso tenha alguma questão relativamente à Saal Digital, pode entrar em contacto com o serviço de apoio ao cliente: suporte@saal-digital.pt 
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Um pouco de História…sobre a origem dos Álbuns Fotográficos!
Luís Pavão, um dos maiores conservador de colecções fotográficas em Portugal, afirma que os Álbuns Fotográficos constituem um “universo muito particular (…), onde as fotografias complementam-se mutuamente estabelecendo inter-relações que as enriquecem, não só individualmente como no conjunto. A existência de eventuais legendas, notas acrescentadas à mão, recortes de jornais e outro tipo de anotações ajudam a compreender o todo.Um álbum é no fundo um livro destinado a mostrar fotografias. No início os álbuns eram realizadas pelo próprio fotógrafo ou comprados como um livro em branco a um encadernador. As provas fotográficas eram presas às páginas pelos cantos ou coladas na sua totalidade (Suporte Secundário). Com o passar do tempo os álbuns foram-se tornando mais simples até ao aparecimento dos álbuns digitais em que houve uma fusão entre a escolha de um layout, o design e as imagens fotográficas.
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Para a investigadora Paula Figueiredo Cunca (Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico), o “álbum de fotografias surge na década de 1860, no enquadramento da cultura vitoriana. A atribuição álbum vitoriano foi dada àquele que se conhece como o primeiro livro/álbum a guardar as fotografias de família.” Acima de tudo, são formas de vida que retratam episódios felizes das estórias da História Familiar. Uma espécie de percurso de vida ilustrado em pequenos instantes. Haverá outra forma de recordar os nossos antepassados? E tudo começou com os franceses Niépce e Daguerre, os pais da fotografia…
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O acto de fotografar é…arquivar!
Os álbuns fotográficos, desde a segunda metade do século XIX,  “(…) encerram igualmente uma seleção fotográfica. Esta é feita tendo em conta o significado da imagem, mas também a relação entre as várias imagens de uma página“, afirma Paula Figueiredo Cunca Desta forma, a fotografia ganha mais valor: acresce ao seu valor intrínseco, o significado relacional e com o espaço representado. A fotografia de um familiar em frente ao Coliseu de Roma é incomensuravelmente registada, dando prova da sua presença e da experiência de viagem. Folhear as páginas e revelar as imagens encerradas num álbum pode ser o impulso para histórias, que alguém já contou, mas que ganham outras formas  e outros olhares quando passam para outras mãos.

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Fotografia✈︎Viagens✈︎Portugal © OLIRAF (2017)

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📌 À descoberta da Ponte da Ajuda: um belo exemplar da arquitetura civil manuelina…

🇵🇹 Se Elvas destaca-se pela geometria e pela monumentalidade da arquitetura militar barroca dos séculos XVII e XVIII, a Ponte da Ajuda, a 10 km, é um perfeito exemplar da arquitetura civil manuelina do século XVI. Situa-se na margem direita do rio Guadiana e permitia a circulação viária de bens e tropas entre Elvas e Olivença. Era, assim, a única via de comunicação entre a fronteira portuguesa e a vila de Olivenza em caso de socorro bélico.

Edificada, em 1509, no reinado do Venturoso, cognome do Rei De.Manuel I (1495-1521), a Ponte de Nossa Senhora da Ajuda encontra-se, actualmente, em ruínas. Era constituída por 19 arcos, com uma torre militar ao centro. Ao todo tinha cerca de 400 metros de comprimento.

Em virtude dos aluviões e das cheias constantes foi parcialmente destruída no final do século XVI. Mais tarde, no contexto da Guerra da Restauração, foi reconstruída para permitir o socorro de tropas, equipamento bélico e víveres aos constantes assédios militares dos exércitos castelhanos de Felipe IV. Olhando a História, compreende-mos a razão da sua reconstrução: o fim da Monarquia Dual (1580-1640) e o início da luta pela restauração da independência nacional. 

Mais tarde, em 1709, esta ponte foi destruída parcialmente pelo exército bourbon de Felipe V, neto de Louis XIV de França, no contexto da Guerra da Sucessão de Espanha (1701-1714). Era o pronúncio antigo da ocupação efectiva de um território reclamado pelos castelhanos e, mais tarde, Espanhóis desde a época da Reconquista Cristã, aquando do assédio português à Taifa de Badajoz, na segunda metade do século XII. 

Desde então, ficou impedida a passagem directa do território português para Olivença. Em 1801, no contexto da Guerra das Laranjas, dá-se a ocupação pelas forças espanholas de Godoy da vila portuguesa, cujos direitos portugueses foram reconhecidos pelos tratados de Alcanizes (1297) e de Viena (1815), mas nunca pelas autoridades espanholas. E na minha opinião, as autoridades portuguesas nunca souberam, ou não têm interesse, em valer os seus “reais e justos” direitos. Desculpem um aprendiz de viajante andarilho tem de ter opiniões, certo?

Há projectos para a sua reconstrução, mas em virtude das querelas fronteiriças entre Portugueses e Espanhóis, tal não foi possível ainda. Assim, entre 1709 a 2001, quem quisesse visitar Olivenza, teria de passar a fronteira do Caia em Badajoz. Actualmente, o viajante pode transpor, sem qualquer dificuldade, o território português, graças à nova ponte da Ajuda, em betão armado e sem qualidade estética, construída e financiada integralmente pelo Governo de Portugal.

Hoje em dia, os Portugueses e os Espanhóis são duas faces da mesma moeda: a Península Ibérica. Ao contemplar a ponte da Ajuda, o viajante fica ciente que a sua história foi feita ao ritmo dos confrontos bélicos entre os dois lados da fronteira. Daí, as sucessivas destruições e construções ao longo de mais dois séculos. Infelizmente, desde a primeira metade do século XVIII, que está em ruínas. Falar da ponte da ajuda, a meu ver, é falar estórias que fizeram a História de Portugal. 

Deixo-vos um olhar fotográfico desta icónica e histórica ponte do rio Guadiana. Quem disse que a silhueta das ruínas não é fotogénica? A ir.

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📌À descoberta de Marvão: roteiro fotográfico por uma “sentinela” de pedra com muitas estórias da História de Portugal…

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Canhões da Memória. Em tempos idos, estes canhões fustigavam o invasor.

O Alentejo é uma antiquíssima região portuguesa valorizada pelo seu património natural e edificado. Para os amantes do turismo cultural, de natureza e do turismo militar, esta região portuguesa é uma boa opção de visita que combina actividades de lazer,natureza e culturais com o descanso. Durante o meu roteiro fotográfico pela região do Alto Alentejo, no sul de Portugal,  tive a oportunidade de visitar a vila de Marvão, em pleno Parque Natural da Serra de São Mamede. Desde tempos milenares, os rochedos de Marvão eram um local de refúgio para as povoações face aos exércitos invasores. Na época romana, ao que parece, este local já detinha uma certa importância bélica…

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Panorâmica Geral da Fortaleza de Marvão

A Vila-Fortificada de Marvão, localiza-se no Alto Alentejo, num planalto setentrional da serra de S. Mamede e é limitado geograficamente a sul pelo concelho de Portalegre, a oeste por Castelo de Vide e a este e norte pela fronteira com o Reino de Espanha. Nos censos de 2011, o concelho de Marvão contava com cerca de 3500 almas. Já no serro de Marvão, isto é no  interior do complexo fortificado ainda resistem, ou zelam pelo património edificado, cerca de 500 habitantes. Um número bastante abaixo dos seus tempos áureos das lutas fronteiriças durante a Guerra da Restauração (1640-1668).

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Vista parcial da Torre de Menagem do Castelo de Marvão

Pitoresca vila-fortaleza, situada em pleno interior da Serra de São Mamede, reflete  a adaptação do Homem ao meio ambiente durante milénios. A meu ver, Marvão conquista de imediato quem a vê,  no alto de um cabeço montanhoso, desde a estrada da fronteira de Porto Roque. É uma sentinela da fronteira, um belo exemplo da arquitectura-militar portuguesa.

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Aspecto parcial do casario branco do interior da vila de Marvão

Um amante da História vê o Castelo de Marvão e a paisagem da Serra de São Mamede como testemunha do passado das lutas fronteiriças entre o Reino de Portugal e Castela (mais tarde, Reino de Espanha), sendo que a Guerra da Restauração (1640-1668) foi o zénite da importância bélica desta praça-fortificada. Mais tarde, os confrontos resumiram-se a ocupações pontuais de exércitos estrangeiros, como são exemplos, a Guerra de Sucessão Espanhola (1705-1715) e as Invasões Francesas (1807-1811).

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Durante o Período Árabe – séc. IX-X  – a vila de Marvão era identificada na documentação califal, neste caso, pelo historiador cordovês Isa Ibn Áhmad ar-Rázi, como a Fortaleza de Amaia ou de Amaia-o-Monte, em virtude de ter exisitido uma fortificação do inicio do século I.d.c. Também a sua actual designação advém, ainda do mesmo autor citado anteriormente, pela existência de um muladi emeritense – descedente de uma mãe não árabe – chamado ‘Abd ar-Rah.ma:n Ibn Marwa:n Ibn Yu:nus al-Jillí:qi (Ab-derramão filho de Marvão filho de Iúnece – i. e. Johannes-João – o Galego), que se destacou no último quartel do séc. IX como rebelde contra o poder centralizador do o Emirato Omíada de Córdova. Verificamos, assim, que esta fortaleza raiana sempre assumiu o papel de zelar pela fronteira e pelo território que a circunda, desde tempos ancestrais. Não há dúvidas que estamos perante uma “sentinela do reino”.

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Para comprovar a importância estratégica desta praça da raia alentejana, deixo-vos um facto histórico cabalmente documentado pelo Tenente Coronel Engenheiro, Tomás de Vila Nova e Sequeira, através de uma impressão pessoal datado de 1796: “(…) A posição que tem na linha da Fronteira a faz importante para a sua defesa, porque de Valência de Alcântara ou de Albuquerque para Portalegre, para o Crato, para Castelo de Vide e também para Ribatejo, não há outra estrada por onde se possa conduzir artilharia que a do Porto da Espada, que passa à vista da Praça no sítio a que chamam o Prado, e por ela também é que se pode levar artilharia contra a mesma Praça.”

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Aspecto geral da Alcáçova do Castelo de Marvão

Nas proximidades…

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Aspecto geral da antiga Estação de Marvão-Beirã (1880-2012)

Sabia que há um segredo bem guardado, perto da Vila de Marvão? É o TRAIN STOP GUESTHOUSE . Se gosta de cultura ferroviária, recomendo este fabuloso espaço para pernoitar a poucos quilómetros da vila de Marvão. Deixe-se capturar pela história e beleza da antiga estação de comboios de Marvão-Beirã. Garantimos que só se vai perder de encantos, pela História do Ramal de Cáceres, pela arquitectura industrial e pelos famosos azulejos (de Jorge Colaço) desta estação fronteiriça desactivada, que deu lugar a um projecto de alojamento local. É, seguramente, uma viagem pela História e pela arte portuguesa.

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Antigo Posto-Fronteiriço de Marvão

Na fronteira de Galegos, porta de entrada para quem vem do Reino de Espanha, existiu um importante pólo residencial do concelho de Marvão: o bairro de Porto Roque. Inaugurado em 1972,  era constituído por 20 fogos e 16 edifícios com uma área coberta de 3450m2, em 20 hectares de terreno. Com a abolição das fronteiras, em 1993, e com a introdução do espaço Schengen foram desactivados os serviços da Guarda Fiscal que funcionavam na fronteira de Galegos, tendo sido todo o património edificado entregue ao tempo, com poucas casas ocupadas e edifícios em avançado estado de degradação.

Panorama FronteiraPortoRoque
Aspecto Geral do Bairro de Porto Roque (Marvão)

Ao desfrutar a estrada que nos conduz desde o antigo posto-fronteiriço de Porto Roque até ao topo da Vila de Marvão, ficamos com a sensação de tranquilidade, apesar do cansaço da condução no asfalto. Transporta a fronteira, a paisagem perde a sua monotomia e ganha outro sentido para o nosso olhar. Todavia, ganhamos outro ânimo quando nos deparamos com as muralhas bélicas, as ruas e vielas desta vila fortificada do Alto Alentejo. E sem guias turisticos, entramos numa viagem pelo tempo,através de antigas  muralhas medievais e baluartes em estilo vauban que nos alimentam a alma de viajante e olhar de fotógrafo andarilho. Já tinha saudades de sentir a genuidade do povo do interior de Portugal. Nada como ouvir um Bom Dia ou uma Boa Tarde de um habitante local a um forasteiro que visita a sua aldeia / vila raiana Alentejana. Até parece mal educado não falar. Porque o Homem quando viaja, adapta-se ao meio. O que fica na minha memória? Os sentidos, a gastronomia, a arquitectura,o anfiteatro natural, a história, entre outras coisas mais. A experiência, essa, fica para nós.

Bairro da Fronteira do Porto Roque [Marvão] (3)

Viaje,mas devagar. Aventure-se Além do Tejo! E descubra-se.

Como chegar

A partir de Lisboa opte pela A12, via Ponte Vasco da Gama, e depois pela A6 até Évora (Elvas/Badajoz). Saia em Évoramonte. Siga na direção de Estremoz (N18). Se já se encontra na cidade de Estremoz (IP2) tome a direção de Portalegre/Castelo Branco. A partir da vila de Marvão opte pela N246 até Castelo de Vide. Ou pela N359 (Beirã/Marvão).

Coordenadas geográficas de Marvão, Latitude: 39.3936, Longitude: -7.37365

Câmara Municipal de Marvão @ Créditos Fotográficos

Onde Comer

As migas do restaurante Sabores de Marvão, na aldeia da Beirã-Marvão, contam-se entre os petiscos e sugestões durante uma visita ao Alto Alentejo – uma região que não nos convence apenas pela paisagem,mas também pelo paladar. É uma excelente opção para degustar e petiscar a gastronomia da região do Alto Alentejo. A meu ver, com uma boa relação de preço/qualidade.

Restaurante “Sabores de Marvão”

Rua 16 de Julho, Nº 46
7330-012 Beirã
Telf: 245 992 710

Onde ficar

logo

Estação ferroviária de Beirã/Marvão
Largo da Alfândega,
7330-012 Beirã

Gestão e Reservas :
+351 963 340 221
Comunicação e Marketing :
+351 963 237 402
Email:
info@trainspot.pt

Para mais informações:

Roteiro pelos Castelos do Alto Alentejo

Turismo do Alentejo

Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos

Municipio de Marvão

Posto de Turismo de Marvão

Direção Regional de Cultura do Alentejo

Train Spot (Guest House)

Nota importante

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencionei os direitos morais e de autor das mesmas.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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Fotografia•Viagens•Portugal © OLIRAF (2016)

Contact: oliraf89@gmail.com

📌À descoberta de Castelo de Vide: roteiro fotográfico pela “Sintra do Alentejo”…

O Alentejo é uma antiquíssima região portuguesa valorizada pelo seu património natural e edificado. Para os amantes do turismo cultural, de natureza e do turismo militar, o Alentejo é uma boa opção de visita que combina actividades de lazer,natureza e culturais com o descanso. Durante o meu roteiro fotográfico pela região do Alto Alentejo, no sul de Portugal,  tive a oportunidade de visitar a vila de Castelo de Vide: a “Sintra do Alentejo”, em pleno Parque Natural da Serra de São Mamede.

Castelo de Vide (5)
Muralhas da Vila de Castelo de Vide

Falavam-me de Marvão. Tens de ir visitar, Rafael. É um dos locais mais pitorescos de Portugal. Farto de ouvir relatos, de conhecidos e desconhecidos, decidi meter a mochila às costas e ir verificar com os meus próprios olhos. Todavia, não foi a vila fortificada de Marvão que cativou o meu olhar fotográfico. A menos de 10 km, do alto do Castelo de Marvão, deparei-me com um casario branco que reluzia no “verde” da Serra de São Mamede: Castelo de Vide. A Sintra do Alentejo. 

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Centro Histórico de Castelo de Vide – Estátua do monarca D.Pedro V (1837-1861)

Castelo de Vide é, para mim, um dos locais mais típicos e genuínos do nosso Portugal. O que despertou o meu interesse nesta experiência pessoal? Vejamos, a escadaria que desce pela Judiaria até à Fonte da Vila,as ruelas do Centro Histórico, o antigo burgo medieval, as inúmeras portas com arcos ogivais e a bela janela da torre de menagem do Castelo medieval. Sabia que o médico Garcia D`Orta, o legislador liberal Mouzinho da Silveira e o capitão de abril Salgueiro Maia eram naturais desta terra? De facto, uma terra com muitas estórias da nossa História.

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Aspecto da Judiaria de Castelo de Vide

A arrebatadora Judiaria de Castelo de Vide. Quem diria que esta vila alentejana carrega consigo memórias vivas e simbologias da intolerância religiosa, mas também elementos da vivência da tradição judaica no quotidiano local. Com a perseguição dos Judeus de Castela (Decreto de Alhambra – 1492), muitos procuram refúgio em Castelo de Vide. Das 15 familias judias existentes nesta localidade raiana, juntaram-se cerca de cinco mil judeus até ao final do século XV. Entre eles, os pais do médico Garcia D`Orta ou de Benedito Espinosa. Mais tarde, por motivos estratégicos e políticos, o “Venturoso” opta pela conversão em massa de Judeus: os cristão-novos. Muitos Serfaditas – Judeus Ibéricos – perseguidos pela Inquisição optam por fugir para o Norte da Europa, as colónias ibéricas do Novo Mundo (América), Magrebe (Marrocos) ou Oriente. (Goa).

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Fonte da Vila – um dos monumentos Ex-Libris de Castelo de Vide

Se quiser saber mais sobre o legado histórico dos judeus em  Castelo de Vide, saliento a edição do passado dia 12 de junho do jornal Jerusalem Post inclui um artigo intitulado “Unspoiled Alentejo – Perfect for the art of doing anything” [trad: Alentejo não explorado – perfeito para a arte de não fazer nada”, resultado da press trip de um jornalista de Israel ao Alentejo, através da Agência de Promoção Turística do Alentejo. Mas, Castelo de Vide transporta uma herança pesada: a perseguição movida pela Inquisição aos Judeus. Tive oportunidade de visitar uma exposição sobre os instrumentos e métodos de tortura utilizados no tempo da Inquisição.

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Vista panorâmica do Castelo de Vide

Ao “saborear” as ruas e vielas do Alto Alentejo, sem mapas, entramos numa viagem pelo tempo,através de antigos burgos medievais que nos alimentam a alma de viajante. E sabe sempre bem ouvir um Bom Dia ou uma Boa Tarde de um habitante local a um forasteiro que visita a sua aldeia / vila raiana Alentejana, Até parece mal educado não falar. Porque o Homem quando viaja, adapta-se ao meio. O que fica na minha memória? Os sentidos, a gastronomia, a arquitectura,o anfiteatro natural, a história, entre outras coisas mais.

Viaje,mas devagar. Aventure-se Além do Tejo! E descubra-se.

Como chegar

A partir de Lisboa opte pela A12, via Ponte Vasco da Gama, e depois pela A6 até Évora (Elvas/Badajoz). Saia em Évoramonte. Siga na direção de Estremoz (N18). Se já se encontra na cidade de Estremoz (IP2) tome a direção de Portalegre/Castelo Branco. A partir da vila de Marvão opte pela N246 até Castelo de Vide.

Coordenadas GPS – 39º24’55.46″N | 7º27’20.04″O

Onde comer

Neste particular, a bochecha de porco preto do restaurante A Confraria, próximo do Centro Histórico de Castelo de Vide,  é uma excelente opção para degustar e petiscar a gastronomia da região do Alto Alentejo. A meu ver, com uma boa relação de preço/qualidade. Aqui podemos realizar provas de produtos regionais, provar os maravilhosos gelados confeccionados à taça e, se ainda não tiver satisfeito, os deliciosos crepes confeccionados com produtos regionais.

Restaurante “A Confraria”

Morada:
Rua de Santa Maria de Baixo, n.º 10
7320-137 Castelo de Vide

Telemóvel: 916 603 652
N.º de lugares: 26 c/ esplanada

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Largo da Alfândega,
7330-012 Beirã

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Roteiro pelos Castelos do Alto Alentejo

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Municipio de Castelo de Vide

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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📌À descoberta do Castelo de Belver: um “Guerreiro de Pedra” singular do Alto Alentejo…

O Alentejo é uma antiquíssima região portuguesa valorizada pelo seu património natural e edificado. Para os amantes do turismo cultural, de natureza e do turismo militar, o Alentejo é uma boa opção de visita que combina actividades de lazer,natureza e culturais com o descanso. Durante o meu roteiro fotográfico pela região do Alto Alentejo, no sul de Portugal,  tive a oportunidade de visitar a aldeia de Belver, um dos “tesouros naturais e edificados” do Rio Tejo.

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Belver. Uma motivação antiga. Há muito tempo que “cogitava” para visitar esta aldeia,  com quase mil habitantes (censos 2001),  e o seu “guerreiro de pedra” que domina a paisagem em redor. Para mim, esta “Sentinela do Tejo” é um dos mais belos castelos medievais de Portugal. Infelizmente, não é tão conhecido como o “turistico” Castelo de Almourol. Não tanto pela sua arquitectura militar, de planta circular, com capela no interior, mas pela sua envolvente paisagística. Pela localização estratégica,num altaneiro morro sobranceiro ao Tejo, este Castelo foi o primeiro a ser construído no séc. XII pela Ordem do Hospital, reinava D. Sancho I. O seu objectivo era prevenir novas incursões mulçulmanas a norte do Tejo, quando este rio era a fronteira entre duas civilizações: a cristã e a muçulmana.

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Um elemento diferenciador na paisagem – o castelo: «Presentes de norte a sul do território português, os castelos e as cinturas de muralhas que serviram um dia para proteger vilas e cidades são, ainda hoje, testemunhos vivos de um dos períodos mais fascinantes e ricos da História de Portugal», como afirma o Historiador Miguel Gomes Martins no seu recente livro “Guerreiros de Pedra“. Trata-se de uma obra fundamental para a compreensão histórica e da arquitectura militar na Idade Medieval Portuguesa, dando-nos  a conhecer o quotidiano, os pormenores militares e acontecimentos mais marcantes que desempenharam na História de Portugal.

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Para além da visita ao Castelo de Belver, recomendo uma visita ao Museu do Sabão, nas proximidades do centro da aldeia. O projecto museológico está numa antiga Escola Primária do Estado Novo recuperada do abandono, no qual através de uma experiência interactiva – física e visual, podemos fazer uma viagem pelo tempo sobre este produto de primeira necessidade, bem como da memória colectiva dos Saboeiros de Belver.

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A poucos quilómetros da aldeia de Belver, tive a oportunidade conhecer o Alamal, localizado no concelho de Gavião, no Alto Alentejo, com a sua praia fluvial pitoresca e com uma envolvente paisagística do Rio Tejo/Castelo de Belver ímpar. Mais tarde,  fiquei a dormir no Alamal River Club. Trata-se de uma unidade de alojamento local (ex-Inatel), recentemente recuperada por um jovem casal, a  Catarina e o Henrique. Destaco a  qualidade do projecto turístico, situado numa área com enormes potencialidades dos amantes do turismo ligado a actividades de natureza, cultura e desportos náuticos .

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Um dos ex-libris do Alamal, para além da excelente praia fluvial, são os passeios de barco no Tejo organizados pelo Carlos do Bar/Restaurante da Praia do Alamal. Recomendo um passeio para contemplar as belas paisagens do Vale do Tejo. No meu caso particular,optei por realizar um passeio, em ritmo de treino, de canoagem (6€/hora).

O melhor do Alentejo não está no GPS…

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Sabem uma coisa? Nada como sair do quotidiano agitado de uma grande cidade. Deixar a rotina de um trabalhador-comum à frente do computador, pegar na máquina fotográfica, no mapa, no telemóvel e ir para o terreno. Ir fazer o trabalho de “campo” como costumo dizer. Para mim,o lugar de um fotógrafo é lá fora. Melhor ainda se o roteiro fotográfico implicar uma agenda ligada ao património histórico-cultural. Deixo-vos alguns dos locais que visitei neste roteiro fotográfico pelo Alentejo…

Viaje,mas devagar. Aventure-se Além do Tejo! E descubra-se.

Como chegar

Se pretender ir de Gavião para Belver ou Mação, deverá seguir pela EN118 até Alvega, seguir pela EN358 de Alvega até Mouriscas e pela EN3 de Mouriscas até Mação e prosseguir até Belver e inverso.

Onde comer

Neste particular, optei por levar “almoço-volante”. Uma expressão que era utilizada nos Escuteiro, quando traziamos comer de casa ou do supermercado para o almoço. É opção mais económica para um viajante andarilho. Todavia, poderá optar pelos restaurantes locais na aldeia de Belver e na Praia do Alamal  que, estou certo,poderão ter boas sugestões gastronómicas regioanais.

Onde ficar

No que toca ao alojamento, optei pelo Alamal River Club, em Gavião, localizado próximo de Belver. Este espaço hoteleiro é uma boa opção para quem gosta do conceito de viajar com tempo,com calma e que queira fazer actividades ligadas ao Turismo de Natureza. Importa referir que o alojamento contam com serviço pequeno almoço.

Alamal River Club

MORADA: Praia Fluvial do Alamal 6040-060, Gavião, Portalegre
TELEFONE: +351 241 638 000
FAX: +351 241 638 009
EMAIL: geral@alamalriverclub.com
FACEBOOK: Alamal River Club

Para mais informações:

Roteiro pelos Castelos do Alto Alentejo

Turismo do Alentejo

Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos

Junta Freguesia de Belver

Direção Regional de Cultura do Alentejo

Castelo de Belver (História)

Alamal River Club

Castelo de Belver (Informação)

Localização Geográfica: 39.4953995,-7.9579639 (ver no mapa)
Telefone: +351 266769450+351 965501477

HORÁRIO:

Terças, quartas, quintas e sextas: das 10:00h às 13:00h e das 14:00h às 18:00h
Sábados, domingos e feriados
: das 14:00h às 18:00h
Descanso Semanal: Segundas feiras

PREÇOS:

Bilhete Normal: 2,00€

Jovens entre os 15 e os 25 anos, portadores de cartão jovem, portadores de deficiência, adultos com mais de 65 anos e professores: 1,00€

Crianças até aos 14 anos: Entradas livres

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