Aldeias Históricas de Portugal, Algarve, Blogger Trips, Castelos & Fortalezas, Fotografia, História, Paisagem & Natureza, Portugal (Terras), Reino de Espanha (Terras), Rota Omíada, Roteiros Fotográficos, Turismo Cultural, Umayyad Route, Viagens

📌 À descoberta de Alcoutim e Salúncar do Guadiana: duas irmãs “gémeas” separadas por um rio…

📌 São experiências amenas, algumas ainda por revelar. Fomos em busca da Rota Omíada do Algarve – inserida no projecto Umayyad Route – e descobrimos o legado material e imaterial desta Dinastia Árabe em Portugal, mas também as vistas sobre o oceano, a natureza, a gastronomia, os museus e experiências de aventura para viver na extremidade sul de Portugal e da Europa. Quem disse que o Algarve é quente só no Verão?

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👤 Um pouco de História…

Os Omíadas foram uma Dinastia Islâmica a implementar o sistema hereditário do califado, após a morte do profeta Maomé. Eram oriundos da mesmo clã do profeta, a tribo dos Coraixitas, oriunda da cidade de Medina na Península Arábica. Daqui, transferiram a seu do seu poder para Damasco, na actual Síria. O califado Omíada de Damasco (661-750) expande a sua influência religiosa, cultural e militar para o Norte de África (Magrebe) e para a Península Ibérica (Al-Andalus), conquistada na primeira metade século VIII, sendo administrados pelo Emir de Cairuão (Tunisía), sob dependência directa do poder califal da Damasco. Em 750, os Abássidas assassinam a Dinastia Omíada, à excepção do Abderramão I que foge para a capital do Al-Andalus. Este, em 756,  funda o Emirato Omíada de Córdova (756-929), independente do poder califal abássida de Bagdad. O apogeu do poder omíada no Al-Andalus dá-se entre 929 e 1031, com a fundação do Califado Omíada de Córdova, em 929, por Abderramão III (891-961).

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Vista parcial do Castelo de Alcoutim

Alcoutim. Terra de Fronteira. O Algarve Natural. São os slogan(s) do Município de Alcoutim para promover esta singela vila nas margens do Guadiana. Tal como José Saramago, o nosso Nobel da Literatura (1998), esteve nestas paragens, em 1980, no âmbito da sua Viagem a Portugal. Deixo-me surpreender pela singularidade do casario branco de Salúncar do Guadiana e do seu “Guerreiro de Pedra” – o Castillo de San Marcos – que domina a paisagem em redor. Esta pequena urbe nasceu da necessidade do controlo e vigilância do transporte de bens alimentares (trigo, azeite e mel) e de minério (ouro,prata e cobre), através do rio Guadiana, pelas  ocupações humanas sucessivas que a usavam na transição entre as rotas comerciais do Mediterrâneo e do Atlântico.

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Vista parcial da vila de Salúncar do Guadiana (Huelva,Andaluzia)

Depois de fotografar as vistas (e que vistas), dirigi-me para a experiência do slide fronteiriço agendada para a parte de manhã, com a limitezero do inglês David Jarman, radicado à treze anos nesta zona da raia luso-espanhola. Contacto com o responsável da empresa de animação turística Fun River, o Dr.José Cavaco, que me informa que o seu funcionário estava em Espanha e que me iria buscar dentro de momentos. A única ligação entre margens no rio Guadiana entre Alcoutim (Algarve) e Salúncar do Guadiana (Andaluzia) é efectuada por esta empresa. A aventura estava prestes a começar. E a adrenalina a aumentar…

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A “Tirolesa” que faz a travessia entre a Andaluzia e o Algarve. Só para os mais aventureiros!

Depois de uma aventura 4×4 num Land Rover até ao local do Slide, onde avistamos a beleza de Salúncar do Guadiana. Do topo, a cerca de 180 metros, temos uma bela vista aérea sobre Alcoutim e o rio Guadiana. O que levamos deste Mundo? Experiências. Aqui, podem ver o video do Slide no YOUTUBE De facto, viajar é descobrir-nos. E,claro, soltar o nosso outro eu. No meu caso, o sentido pela aventura. Já tinha saudades de fazer “Slide”. Nem parece que vamos a 80 Km/h. Em menos de um minuto estamos em Portugal. E o Medo? Esse ficou para segundo plano. E qual a razão? Há sempre uma,certo? A paisagem arrebatadora entre Salúncar do Guadiana e Alcoutim – as duas vilas gémeas do rio Guadiana -, como afirmou José Saramago, permite viver esta experiência devagar e com tempo.

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A pitoresca vila de Alcoutim, do topo do Castillo de San Marcos.

O Homem adapta-se ao meio. A cerca de um 1km para Norte da actual vila de Alcoutim, deparamo-nos com uma das melhores vistas do Algarve sobre o rio Guadiana. Aqui,podemos contemplar as três tipos de paisagem algarvia: o litoral, o barrocal e a serra. Do topo do castelo velho de Alcoutim – antigo Alcácer fortificado – do período Omíada (713-1031) edificado com as pedras com maior abundância na região:o xisto e o grauvaque. As suas origens remontam ao Século IX, segundo escavações arqueológicas recentes da Dr.ªHelena Catarino, e é uma das mais importantes estruturas militares islâmicas do Gharb-Al Andaluz. Como se sabe, o domínio muçulmano na Península Ibérica começa a ser ameaçado pela pressão da reconquista cristã, dai a necessidade de criar uma rede de fortificações de vigilância do território. É o caso do Castelo Velho de Alcoutim. Em virtude do seu difícil acesso (utilizado com funções de vigilância e de apoio à mineração), esta estrutura foi abandonada na época dos Almóadas e deu lugar ao actual Castelo Medieval de Alcoutim no Século XIV. A partir daqui, a população foi fixando-se junto ao leito do rio Guadiana.

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Ruínas do antigo alcácer fortificado de Alcoutim  (Época Omíada)

Em busca das vivências desta região castiça do Guadiana, surgiu uma parceria entre dois vizinhos e estrangeiros de Espanha e Portugal para recriar as memórias históricas e etnográficas comuns de outros tempos: o Festival do Contrabando. O objectivo é a promoção de Alcoutim e de Salúncar do Guadiana como destino turístico de experiências (natureza, eventos, património e gastronomia). Segundo a autarquia de Alcoutim, o “Festival do Contrabando é mais que um Festival, é a junção e fusão da homenagem a uma actividade que ao longo da história foi importante para as gentes da fronteira, com as artes e a cultura. A paisagem fronteiriça que desafiava os destemidos na passagem de mercadorias, agora é palco de vários projectos culturais que transportam para o interior das populações e seus visitantes, os sonhos e ambições, trazendo até à Vila Raiana uma oferta cultural que desafia todas as condicionantes existentes”. Durante os dias deste festival – a primeira edição – poderá reviver a arte de “contrabandear” dos anos 30 e 40 do Século XX, atravessar as duas margens do rio Guadiana numa ponte pedonal e  visitar uma região do Baixo Guadiana e do Sotavento Algarvio. Aqui, poderá encontrar um clima mediterrânico e um património edificado e natural genuíno. As praias fluviais – Pego Fundo – e o barrocal  são um convite para (e por) desvendar…o castiço Algarve Natural. Para mim, visitar o Algarve das Pontas…é reencontra-me.

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Como chegar

A partir de Lisboa optei por reservar uma viagem em Alfa pendular, através da Comboios de Portugal. Faro era a minha base para efectuar a Rota Omíada do Algarve. Para tal, optei por alugar uma viatura rent-a-car para fazer a ligação entre os diversos pontos histórico-culturais desta rota. Na maioria dos casos, utilizei a via do Infante (A22) e a Nacional 125. No caso da ida para Alcoutim, optei pela A22 até Castro Marim e depois o IC27 (Beja) até Alcoutim (N122-1).

Onde ficar

Estive uma semana no Hotel Faro. Fui recebido por uma equipe fantástica. A meu ver os pontos fortes deste Hotel são o seu restaurante (comida fantástica), os seus funcionários sempre prestáveis e o rooftop com uma vista fantástica sobre a Ria Formosa. A meu ver, o melhor rooftop de Faro. Já imaginaram almoçar com uma autêntica vista para as silhuetas que dão cor e forma à Ria Formosa?

Restaurante Ria Formosa

Praça D. Francisco Gomes, Nº2 8000-168 Faro Portugal

+351 289 830 830

✉️ Email: reservas@hotelfaro.pt

 

Onde comer:

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Perguntei ao Dr.Júlio Cardoso, técnico de turismo do Município de Alcoutim, um local típico para almoçar em Alcoutim. Estava nos meus planos almoçar no Centro Histórico de Alcoutim ou Salúncar do Guadiana. Persuadiu-me a ir almoçar à  Cantarinha do Guadiana, situada na localidade de Laranjeiras do Guadiana. Não me deixei enganar pelo espaço e pela falta de multibanco. De facto, o paladar conquista-se no prato. E a Senhora Isabel Ribeiros, a singular cozinheira, proporciona verdadeiros petiscos de cozinha regional alentejana e algarvia. Adorei saborear a comida tipicamente caseira e tradicional do interior algarvio, em especial, a sopa de tomate com ovos escalfados e o ensopado de enguias. Uma delicia para os viajantes andarilhos. E para acompanhar o café, nada como um “cheirinho” algarvio: o Medronho. Safa,mas aquece!

Para mais informações:

Região de Turismo do Algarve

Direcção Regional de Cultura do Algarve

Festival do Contrabando (Página Oficial)

Projecto Umayyad Route 

Turismo do Algarve – Rota Omíada do Algarve (Folheto + App)

Turismo da Andaluzia (Oficial)

Ayuntamento de Salúncar do Guadiana (Turismo)

Limite Zero (Slide)

Nota importante

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

Follow me: @oliraffotografia on Instagram | Oliraf Fotografia on Facebook

Fotografia•Viagens•Portugal © OLIRAF (2016)

Contact: oliraf89@gmail.com

 

 

 

 

 

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Aldeias Históricas de Portugal, Algarve, Blogger Trips, Castelos & Fortalezas, Fotografia, História, Paisagem & Natureza, Portugal (Terras), Rota Omíada, Roteiros Fotográficos, Turismo Cultural, Turismo Militar, Umayyad Route, Viagens

📌 À descoberta de Cacela Velha: o castiço Algarve das pontas…

📌 São experiências amenas, algumas ainda por revelar. Fomos em busca da Rota Omíada do Algarve – inserida no projecto Umayyad Route – e descobrimos o legado material e imaterial desta Dinastia Árabe em Portugal, mas também as vistas sobre o oceano, a natureza, a gastronomia, os museus e experiências de aventura para viver na extremidade sul de Portugal e da Europa. Quem disse que o Algarve é quente só no Verão?

👤 Um pouco de História…

Os Omíadas foram uma Dinastia Islâmica a implementar o sistema hereditário do califado, após a morte do profeta Maomé. Eram oriundos da mesmo clã do profeta, a tribo dos Coraixitas, oriunda da cidade de Medina na Península Arábica. Daqui, transferiram a seu do seu poder para Damasco, na actual Síria. O califado Omíada de Damasco (661-750) expande a sua influência religiosa, cultural e militar para o Norte de África (Magrebe) e para a Península Ibérica (Al-Andalus), conquistada na primeira metade século VIII, sendo administrados pelo Emir de Cairuão (Tunisía), sob dependência directa do poder califal da Damasco. Em 750, os Abássidas assassinam a Dinastia Omíada, à excepção do Abderramão I que foge para a capital do Al-Andalus. Este, em 756,  funda o Emirato Omíada de Córdova (756-929), independente do poder califal abássida de Bagdad. O apogeu do poder omíada no Al-Andalus dá-se entre 929 e 1031, com a fundação do Califado Omíada de Córdova, em 929, por Abderramão III (891-961).

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O Forte e a Igreja de Cacela Velha: são os dois ex-libris desta povoação costeira

Cacela Velha é…um poema de pedra construído pelo Homem. Esta pequena grande povoação costeira do Sotavento Algarvio está localizada no concelho de Vila Real de Santo António. A meu ver, esta localidade é uma bela surpresa pela sua paisagem para a ria formosa, a arquitectura tradicional das casas típicas castiças e pela sua capatez. Além disso, as ruas têm o nome de poetas que fizeram parte da nossa cultura milenar. Chego a uma constatação: começo a gostar de outro Algarve. O Al-Gharb fora dos roteiros turísticos “habitué”: o das pontas.

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As castiças casas típicas desta localidade do litoral algarvio…

O Núcleo Histórico de Cacela Velha presenteia-nos com um pequeno conjunto de casas típicas do litoral algarvio. Todavia, os dois ex-libris desta pequena povoação é a sua fortaleza do Século XVI, reconstruída após o fatídico terramoto de 1755, e a Igreja com o seu portal renascentista. Na época Omíada, Qast´alla, Cacela em árabe, fora conquistada em 713 por forças califais de Abd al-Aziz ibn Musa (714-1715), o primeiro uale do Al-Andalus, isto é, um governador militar dependente do califa omíada de Damasco (661-750). Até à reconquista cristã, em 1240, a povoação ficou na jurisdição da cidade de Ossónoba (Faro) e assumiu o papel de primeiro aglomerado de carácter urbano situado a sudeste do actual território algarvio.

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Paisagem da ria Formosa

 

Uma curiosidade. Sabia que as ruas têm nomes de poetas se inspiraram nesta localidade para os seus poemas, como são os casos de Abû al-‘Abdarî, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Eugénio de Andrade? Um pormenor delicioso. Visitar Cacela Velha é conhecer um outro Algarve: o genuíno e castiço. O Algarve das Pontas. A meu ver, o casario pitoresco, a pequena aldeia, a praia, fortaleza são uma bela harmonia na paisagem. Um belo exemplo do que o Homem consegue criar. Da visita à terra natal do poeta Ibn Darraj al-Qastalli (958-1030), um dos mais influentes do califado Omíada na época do poderoso Almançor,  levo na minha memória o som, ao fundo, do oceano atlântico…

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Pequena habitação para guardar os apetrechos de um pescador

Como chegar

A partir de Lisboa optei por reservar uma viagem em Alfa pendular, através da Comboios de Portugal. Faro era a minha base para efectuar a Rota Omíada do Algarve. Para tal, optei por alugar uma viatura rent-a-car para fazer a ligação entre os diversos pontos histórico-culturais desta rota. Na maioria dos casos, utilizei a via do Infante (A22) e a Nacional 125.

Onde ficar

Restaurante Ria Formosa

Praça D. Francisco Gomes, Nº2 8000-168 Faro Portugal
+351 289 830 830

✉️ Email: reservas@hotelfaro.pt

Para mais informações:

Região de Turismo do Algarve

Direcção Regional de Cultura do Algarve

Blog Turismo do Algarve

Projecto Umayyad Route 

Turismo do Algarve – Rota Omíada do Algarve (Folheto + App)

Nota importante

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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Aldeias Históricas de Portugal, Fotografia, História, Paisagem & Natureza, Portugal (Terras), Região Oeste, Roteiros Fotográficos, Viagens

🏠 Mata Pequena: a singularidade de uma aldeia saloia…

📌 Mata Pequena: uma aldeia saloia, com certeza!

A região Oeste é uma terra de contrastes. A Mata Pequena é um bom exemplo de uma «ressurreição», como afirmou José Hermano Saraiva, de uma aldeia saloia esquecida pelo homem e pela passagem do tempo. Em tempos idos, o nosso Portugal era um grande tecido de aldeias. Autenticidade e tradição são as palavras para descrever esta aldeia recuperada pelo neto do oleiro José Franco, Diogo Batalha. Para quem gosta de história e etnografia, é uma viagem no tempo. O tempo dos nossos antepassados. Até nos mais pequenos pormenores ficamos surpreendidos…

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A Aldeia da Mata Pequena é um pequeno povoado rural, composto por treze  habitações, situado a escassos 40 km da cidade de Lisboa. Tão perto da capital e tão longe do stress e do rebuliço urbano. Trata-se de uma aldeia recuperada ao pormenor e com rigor etnográfico e histórico, sendo um dos raros exemplares da arquitectura tradicional da região saloia, em particular, do concelho de Mafra.

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…Tradição saloia revive na Aldeia da Mata Pequena. Diogo Batalha herdou de seu avô, o conhecido ceramista e oleiro José Franco, a paixão pelas terras saloias. Uma paixão que o levou a fazer renascer uma aldeia esquecida do concelho de Mafra, num belíssimo exemplo de preservação da arquitectura regional…“, afirmou no seu programa televisivo, o Tempo e a Alma, José Hermano Saraiva.

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Diogo Batalha herdou os genes do seu avô, o oleiro José Franco, pela preservação e gosto pela História. Fruto do labouro, desde 2005, da sua paixão e de muitos anos de  pesquisa do património material e imaterial das gentes e casas saloias de antigamente, a aldeia – da Mata Pequena – foi distinguida em 2010 com o I Prémio de arquitectura para edifícios recuperados, atribuído pela Câmara Municipal de Mafra. Casa a casa, o projecto foi avançado de uma forma sustentável, onde o objectivo era preservar a autenticidade, a magia e a essência de uma aldeia saloia. Ainda hoje podemos ver alguns habitantes a cultivar as suas terras, das suas casas e dos seus animais. Uma mais valia para os futuros habitantes da aldeia.

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A Aldeia da Mata Pequena é hoje um “museu etnográfico a céu aberto”. A verdadeira essência de uma típica aldeia  saloia. Aqui, através dos cheiros, dos objectos, cores e tradições, podemos viajar no tempo até meados do século XX. Este paraíso rural em comunhão com a natureza, com os animais e a tranquilidade do local são um convite a uma fuga da rotina citadina às portas de Lisboa.

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Entre os montes e vales que fazem desta da região saloia, um dos locais singulares do nosso pitoresco Portugal, a  Mata Pequena é a simplicidade da arquitectura tradicional e da vivência dos nossos antepassados. Durante a minha estadia tive oportunidade de verificar a rusticidade destas pequenas mas muito acolhedoras casas rurais, que foram rigorosamente recuperadas, tendo em conta os materiais de construção à época e traça original. Diogo Batalha reproduziu, com um rigor histórico, etnográfico e social, o espaço em que muitos dos nossos antepassados viveram e que era o seu quotidiano habitual. É um lugar de memória. E isso reflecte-se no exterior e interior das habitações, nomeadamente, nas peças de mobiliário e utensílios da vida rural.

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Petiscos da Tasquinha do Gil

Como chegar?
A partir de Mafra, seguir pela N116 até à Carapinheira e, a partir daí, optar pela N9, em direção a Sintra. Em Cheleiros, subir até à Igreja Nova e, depois, seguir as placas que dizem Mata Pequena.

Coordenadas GPS: N 38º 53′ 43.63” W 09º 19′ 11.63″

Onde ficar?
Hoje, a Aldeia da Mata Pequena é, quase toda ela, uma unidade de alojamento local – turismo rural – com treze casas de diferentes tipologias, do T1 ao T3, e diárias que variam, nesta altura, entre os 60, 90 € e 120€. O Preço varia consoante o tamanho das habitações. Importa referir que há pão de Mafra cozido em lenha incluído no pequeno-almoço. E esta, hein?!

O que comer?
Dentro da própria aldeia encontra-se a Tasquinha do Gil, um restaurante que recupera o espírito das antigas tasquinhas de aldeia, com uma ementa à base de petiscos criativos.

Como reservar?

Rua São Francisco de Assis, Igreja Nova. 21 927 0908. diogobatalha@aldeiadamatapequena.com

Não deixe de…

  • Passear ao longo da “pacata”Ericeira;
  • Visitar o Palácio Nacional de Mafra;
  • Fazer Snorkeling / Mergulho nas Berlengas;
  • Almoçar e provar o peixe e o marisco em Porto Novo;
  • Beber um bom vinho da região Oeste.
  • Visitar a Ponte Medieval de Cheleiros;
  • Visitar a Vila Medieval de Óbidos.

Veja mais em: https://www.aldeiadamatapequena.com/?lang=en

Nota importante

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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📌 À descoberta da Rota Omíada do Al-Gharb: roteiro fotográfico pelo legado material e imaterial dos Omíadas em Portugal 📷

📌 São experiências amenas, algumas ainda por revelar. Fomos em busca da Rota Omíada do Algarve – inserida no projecto Umayyad Route – e descobrimos o legado material e imaterial desta Dinastia Árabe em Portugal, mas também as vistas sobre o oceano, a natureza, a gastronomia, os museus e experiências de aventura para viver na extremidade sul de Portugal e da Europa. Quem disse que o Algarve é quente só no Verão?

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Blogger Trip pela Rota Omíada do Algarve @ OLIRAF (2016)

👤 Um pouco de História…

Os Omíadas foram uma Dinastia Islâmica a implementar o sistema hereditário do califado, após a morte do profeta Maomé. Eram oriundos da mesmo clã do profeta, a tribo dos Coraixitas, oriunda da cidade de Medina na Península Arábica. Daqui, transferiram a seu do seu poder para Damasco, na actual Síria. O califado Omíada de Damasco (661-750) expande a sua influência religiosa, cultural e militar para o Norte de África (Magrebe) e para a Península Ibérica (Al-Andalus), conquistada na primeira metade século VIII, sendo administrados pelo Emir de Cairuão (Tunisía), sob dependência directa do poder califal da Damasco. Em 750, os Abássidas assassinam a Dinastia Omíada, à excepção do Abderramão I que foge para a capital do Al-Andalus. Este, em 756,  funda o Emirato Omíada de Córdova (756-929), independente do poder califal abássida de Bagdad. O apogeu do poder omíada no Al-Andalus dá-se entre 929 e 1031, com a fundação do Califado Omíada de Córdova, em 929, por Abderramão III (891-961).

📌 Dia 1 – 05/12 (Segunda-feira) Faro – Ossónoba (أخشونبة)

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Alfapendular na Estação Ferroviária de Faro

Rumo ao Gharb Al-Andalus. Antes de partir, peço a Al’Mutamid  sabedoria para a escrita e a Al-Idrisi, orientação geográfica para esta “epopeia” algarvia. Depois da saída de Lisboa, às 8h30, no “TGV” da nossa realidade portuguesa, isto é, o Alfa Pendular chego à capital do antigo Reino dos Algarves: Faro. Ou como quiserem chamar al-Harun (فارو),  Shantamariyyat al-Gharb (شنتمريّة الغرب) ou Ossónoba. Eu prefiro a ultima. A viagem demorou menos de quatro horas para percorrer quase 300km, a uma velocidade média de 150 Km/h.

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Aspecto parcial do Quarto Standard do Hotel Faro

Sou recebido na recepção do Hotel Faro. Enquanto faço o chek-in, o Francisco – funcionário, aconselha-me os melhores sugestões para “perder-me”pela cidade de Faro. Oferece-me um mapa da cidade e indicou-me os locais mais sugestivos, a nível fotográfico, para eu percorrer. Depois de efectuado o Check-in, aconselhou-me a almoçar no restaurante Ria Formosa, localizado no rooftop do mesmo hotel. Aqui, podemos encontrar uma fantástica piscina e uma esplanada com um panorama para o casario branco e ria formosa. Já na oferta gastronómica, a meu ver, é uma tertúlia de sabores e emoções. Com o tempo, de facto, vamos aprendendo a saborear e a degustar os prazeres da vida. E a comida e o vinho é um prazer. Baco que o diga. A essência da gastronomia Algarvia e, claro, da dieta mediterrânica. O Pão de Alfarroba. Top. E a saladinha divinal. Agora, percebo o 2ºConde de Essex, Robert Devereux (1566-1601), ter saqueado a Sé de Faro em 1596. Vá, agora a sério, eu prefiro “saquear” e saborear a gastronomia algarvia. E a cereja no topo do bolo, na minha opinião, é a vista panorâmica sobre a …ria formosa.

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A Gastronomia Algarvia é uma tertúlia de sabores para desfrutar e apreciar

Ernesto Cabrita, o responsável pela LOOK-AL, um apaixonado pela sua cidade e,claro, pela sua região.Através do mesmo, podemos viajar pelas estórias da História e pelas Lendas da capital do Al-Gharb. A meu ver, trata-se  de um projecto alternativo que proporciona aos seus clientes vivências genuínas e inesquecíveis pelo centro histórico da cidade de Faro, neste caso, pela Vila-Adentro. Antes de iniciarmos o trajecto, sugeriu-me uma experiência diferente: um  Recital de Guitarra Portuguesa com o guitarrista João Cuña.
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Recital de Guitarra Portuguesa no Arco da Vila Adentro

Para mim, foi mais do que uma experiência, foi uma viagem às raízes materiais e sonoras do fado em Portugal.  Adorei, em especial, o fado da Vila-Adentro que nos transporta para outras épocas. De seguida, iniciamos um périplo pelas curiosidades históricas, lendas e locais milenares da cidade de Faro. Iniciamos o nosso percurso pelo Arco da Vila, Sé Velha, antiga medina, túneis do séc.XI, a capela dos Ossos e pela antiga judiaria da cidade. Todavia, o que mais cativou foi o miradouro da Sé de Faro tem uma das melhores vistas sobre a cidade e a ria formosa.
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Antiga Porta em Ferradura do Período Omíada da cidade de Faro

Após a experiência histórico-cultural proporcionada pela Look-Al, acabamos em grande com um “Workshop” individual na garrafeira About Wine. Aqui, sou recebido pelo jovem casal, o Luís e a Alexandra, que me elucidam sobre a essência do seu projecto surgido em 2010.  Mais do que beber um vinho, seja ele um branco ou tinto, há que saber conjugá-lo com os sabores certos. Esta visita elucidou-me como saborear um bom vinho, qual a postura correta na degustação e os petiscos que se adequam a cada tipo de vinho. Adorei, em especial, o vinho branco algarvio Malaca. Mais do que uma experiência em enoturismo, uma visita a esta garrafeira é embeber a cultura vinícola do Algarve e das diversas regiões de Portugal.
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Provas de Vinhos e Petiscos da Região do Algarve na About Wine

De seguida, sou recebido na Tertúlia Algarvia. Um dos sócios, enquanto não vem o manjar, fala-me do conceito gastronómico deste restaurante em plena Vila-Adentro. A sua especialidade é a cataplana algarvia. Mas, os filetes de cavala e a milenar Muxama de atum não ficam nada atrás.

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Vista Geral do Restaurante Tertúlia Algarvia

📌 Dia 2 – 06/12 (Terça-feira) Vila do Bispo – Cabo São Vicente

A minha primeira “Fam Trip”, como blogger convidado pela Região do Turismo do Algarve para promover um destino de uma rota cultural. O objectivo foi «Redescobrir os Segredos do Algarve em Vila do Bispo e a Rota Omíada» pelos operadores turísticos, entidades, jornalistas regionais. mais do que conhecer um dos principais destinos turísticos de Portugal, mas também conhecer alguns segredos não revelados desta localidade algarvia e embeber o legado árabe na região. Após uma viagem de autocarro entre Faro e Vila do Bispo, chegamos ao Centro de Interpretação de Vila do Bispo. Aqui, somos recebidos pelo Presidente da RTA, Desidério Silva, a Directora-Regional da Cultura do Algarve,Drª Alexandra Gonçalves e pelo autarca local, o Dr.Adelino Soares.

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Menir do Padrão: um exemplo da ocupação humana desde a Pré-História

De seguida, somos levados em itinerância pelo legado material e imaterial do concelho mais extremo do Continente Europeu pelo arqueólogo da autarquia local Ricardo Soares. Primeira paragem: o Menir do Padrão na Raposeira. Trata-se de um monumento megalítico melhor preservado e com mais estudos de entre os demais. Ricardo Soares elucida-nos que Vila do Bispo é a área de maior concentração de menires do ocidente europeu, ao todo 250,  provavelmente os mais antigos e dos primeiros. Tal facto, é demonstrativo da ocupação humana desde a Pré-História.

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Boca do Rio: o Algarve das Pontas em todo o seu esplendor.

 

Antes de irmos para a Boca do Rio, opto por trocar umas breves palavras com o arqueólogo Ricardo Soares. Tal como eu, é um amante da arte fotográfica e tem um blogue sobre arqueologia. Afinal, não sou o único que concilia a sua paixão pela fotografia com o gosto pela História. Já na Boca do Rio, podemos percorrer a ocupação humana deste território: uma villa romana dedicada à indústria conserveira (saiam verdadeiros petiscos para Roma daqui), uma fortificação da século XVII para proteger a pesca de atum, naufrágios do século XX perpetuadas por U-Boats Alemães e o impacto do Tsunami que se seguiu ao Sismo de 1755 na orla costeira do Algarve.  Apercebo-me da existência de um trilho para a compreensão da biodiversidade local. Dirigi-me para lá para captar alguns registos fotográficos. A Paisagem era brutal. Apetecia-me mergulhar, literalmente, nela…

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Retrato de grupo da “Fam Trip” por Vila do Bispo @ Créditos fotográficos RTA

Retrato de Grupo. Nas viagens o que levamos delas, a meu ver, são as experiências e as pessoas. Foi de salutar o espírito de convívio e a troca de experiências entre os profissionais, técnicos e jornalistas da área do Turismo da Região do Algarve. Dizem que os melhores negócios ou iniciativas fecham-se à mesa,certo? Então, nada como um almoço tipicamente algarvio para saborear novas parcerias. O Almoço foi no Forte de Santo António de Beliche, perto do promontório de Sagres, do qual temos uma excelente panorama sobre um anfieteatro natural entre o azul do céu e do mar. Algarve, what else?

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Papas de Xerém

O Almoço apresentava na ementa alguns dos produtos tradicionais da gastronomia algarvia, em especial, do concelho de Vila do Bispo. Sabores da Terra  e do Mar. As estrelas “Michelin” eram o Pão com Azeitona  e ovos verdes; as Papas de Xerém; a Estupeta de Atum; a Açorda de Borrego e grão com hortelã; Sobremesa com doces tipicos Algarvios; Vinho do Algarve (Pacha). O que dizer, depois desta tertúlia de sabores? O Algarve é “crime” a nível gastronómico. Um sabor familiar. A Estupeta de Atum relembrou-me as saladas que comi em Marrocos. Lá está, as evocações ao marcante legado imaterial islâmico.

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Forte de Santo António de Beliche, situado nas proximidades do Cabo São Vicente

Farol do Cabo de São Vicente. A minha segunda estreia num Farol da Marinha Portuguesa, depois da minha aventura na Ilha da Berlenga. Somos recebidos pelo faroleiro de serviço que nos faz uma visita guiada ao quotidiano habitual de um faroleiro e pela história deste farol construído em 1834 pela rainha D.Maria II e remodelado nos finais do Século XIX e princípios do Século XX. A torre do farol tem uma altura de 28 me e o seu alcance luminoso é de 32 milhas (c. 59 km). Desde a antiguidade que o Cabo de São Vicente tem sido local de romaria, existindo a mítica Ermida do Corvo, algures em Sagres, um templo dedicado ao culto de São Vicente. Segundo documentou o geógrafo árabe Al-Idrisi, a Kanisast Al-Gurab, a “Igreja dos Corvos” encontrava-se no fim da finisterra mediterrânica. Aliás,  actual Farol já foi um antigo espaço monástico (frades Jerónimos e Capuchos) que dava apoio a peregrinos.

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Torre do Farol do Cabo de São Vicente (1906)

A visita terminou  com um mágico pôr-do-sol no extremo mais sudoeste da Europa: o Cabo de São Vicente. É um “Sunset” poético em que muitos o descreveram na mitologia clássica greco-romana. Pude comprovar que, apesar de ser um dia de semana, estava uma autêntica romaria para um dia de sol ameno. Mas, muitos viviam a experiência através dos ecrãs dos seus aparelhos fotográficos e telefónicos. Sociedade dos Ecrãs. Vivemos o real no Digital. Infelizmente. Eu tento moderar um pouco esse conceito. Nem quero imaginar no pico do Verão, quando estiverem aqui milhares de turistas. Quem não gosta de acabar em grande o seu dia, a contemplar o fenómeno celeste?

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Aspecto do Sunset em pleno Cabo de São Vicente

📌 Dia 3 – 07/12 (Quarta-feira) Silves as-Shilb (شلب

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Vista parcial da antiga medina e alcácer de Xilb

Silves ou a Xilb de Al-Mu’tamid. Atrevo-me a chamar-lhe a “Alhambra Portuguesa”,mas em formato miniatura. Trata-se da jóia da arquitectura militar da época islâmica em Portugal. Já tinha cá estado em 2008 durante a minha viagem de ferry-boat entre a Ilha da Madeira (Funchal) e Portugal Continental (Portimão). Não tinha a ideia do blogue,mas tinha o gosto pela viagem, fotografar e pelo património histórico-militar. Quem diria que iria voltar aqui, desta vez, oitos anos como blogger trip. A vida dá muitas voltas e, em muitos casos, 180º.

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Museu Municipal de Arqueologia de Silves

O Museu Municipal de Arqueologia de Silves foi o resultado das escavações arqueológicas desenvolvidas ao longo do séc.XX. No centro do espaço, podemos visualizar um Poço-Cisterna da época Almóada (séculos XII-XIII), descoberto após escavações arqueológicas decorridas nos anos 80 do séc. XX . Esta hoje classificado como Monumento Nacional. É apartir dela – o ex-libris do discurso expositivo – que fazemos o percurso  desta visita guiada com a Dr.ª Dr.ª Maria José Gonçalves, actualmente arqueóloga do Município de Silves. Trata-se de uma académica especializada em cidades medievais islâmicas, nos campos da arqueologia e da história. E isso denota-se no seu discurso. Levei, literalmente, uma lição de História e de Arqueologia.

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Peça do Mês (Dezembro 2016) – Prato de Louça de Mesa  da Época Omíada (séculos VIII-IX)

Apresenta-me, passo-a-passo, o acervo do Museu, na sua maioria proveniente das escavações arqueológicas efectuadas na cidade e concelho. O acervo reúne um conjunto de objetos desde o Paleolítico até ao período Medieval. Constato que há imensos achados arqueológicos em quantidade, mas que valem pela sua qualidade e excepção de ornamentos e pictóricos. E como Silves era a principal cidade do Gharb Al-Andalus, este museu tem no seu acervo um grande destaque para o Período Islâmico – Omíada, Califal, Taifa, Almorávida e Almóada, desde o século VIII ao século XIII, ou seja, ao período cronológico da ocupação árabe ao que hoje corresponde ao território algarvio. O visitante que percorrer este espaço museológico irá compreender a importância da cidade de Silves no período islâmico. Silves é legado mais vivo e duradouro do património islâmico em Portugal. Dai, ter-me demorado mais por esta cidade emblemática.

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Interior do Castelo de Silves – ruínas de uma antiga residência apalaçada da época islâmica

Depois da visita ao espaço museológico, inserido na antiga medina de Silves, fomos visitar o antigo alcácer islâmico: o actual Castelo Silves. A sua pedra avermelhada – grés de Silves – dá outra cor e magnificência a este antigo complexo bélico. Digo actual, visto que, nas décadas de 30 e 40 do Século XX, a Direção de Monumentos Nacionais uniformizou a traça dos Castelos Medievais Portugueses, muitos deles em estado de ruína, à imagem do Castelo de Guimarães. Como Portugal fez-se da conquista de território aos Mouriscos, não interessava para o Estado Novo – regime ditatorial – manter esse legado, mas sim o papel fundador de Guimarães na construção  e formação da identidade Portuguesa. O que diria  Al-Mu’tamid se visse a sua amada Xilb nos dias hoje? Apesar de tudo, dedicaria-lhe um poema…do seu declínio.

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Soga e Tição: método de construção omíada nas Muralhas do Alcácer de Silves

Os Muçulmanos aproveitaram muitas técnicas de construção romanas para a construção das suas muralhas defensivas, por exemplo, sob a forma de silharia de tipologia romana redisposta num padrão regular, a soga e tição. Actualmente, este é um dos poucos exemplares existentes nas muralhas de Silves que, ao longo dos séculos, foi sofrendo inúmeras alterações efectuadas pelo Homem e pelo tempo.

📌 Dia 4 – 08/12 (Quinta-feira) Tavira (Tabîra) e Cacela Velha

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Vista geral do Centro Histórico de Tavira

Em árabe, Tabîra quer dizer “a escondida”. Esta cidade do Sotavento Algarvio possui muitas curiosidades e é um regalo para os nossos olhos. E porquê? Vejamos, Tavira possui a beleza do seu rio Gilão, das suas salinas, da ria formosa, as suas antigas muralhas donde podemos avistar a arquitectura urbana e os museus que contam o seu dinamismo comercial e estratégico ao longos dos tempos. A partir do Século XII, esta localidade algarvia tornou-se um dos principais centros marítimos e comerciais da costa algarvia. Havia dois factores: um porto defensável e a posição estratégica da estrada que ligava, através da ponte do rio Gilão, Sevilha a Silves. Juntamente com Xilb e Ossónoba, Tabîra era uma das mais importantes cidades do Gharb Al-Andalus. Ao percorrer o centro histórico da cidade, podemos comprovar esta importância pela dimensão do seu Castelo e, mais tarde, com as inúmeras Igrejas em diversos estilos arquitectónicos são como uma viagem pela História de Arte em Portugal.

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Minarete Islâmico? Apenas a Torre Sineira da Igreja de Santa Maria Tavira

Mais do que falar sobre as raízes da História da cidade de Tavira, o Núcleo Museológico Islâmico desta cidade é um convite à descoberta do legado material e imaterial da época islâmica. Este núcleo do Museu Municipal de Tavira foi inaugurado em 2012 precisamente no local onde foi achado o famoso “Vaso de Tavira” (1996). Tem na sua exposição permanente – Tavira Islâmica – uma abordagem histórica sobre  a cidade no período islâmico até à reconquista cristã. Resultou, assim, das intervenções arqueológicas efectuadas em vários locais do centro histórico da cidade como, por exemplo, o Bairro Almóada, situado no Convento da Graça.

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Capitel Omíada da Exposição permanente  “Tavira Islâmica”

Encontro-me com a Dr.ª Sandra Cavaco, a arqueóloga do Município de Tavira, que será a minha guia nesta viagem pela máquina do tempo.A sua linguagem é simples e directa, indo ao encontro dos meus interesses. Fala-me do passado milenar desta cidade, habitada por civlizações antigas, em virtude da sua posição estratégica (oceano atlântico) e comercial (porto de pesca e salinas). Na época islâmica, a cidade de Tabîra era uma “República” de Piratas que atacavam o comércio maritimo muçulmano ou cristão, dando guarida a gentes de má fama. Por esta razão, o poder centralizado islâmico – Almorávidas e Almóadas – por sucessivas ocasiões intentou submeter esta cidade de piratas à sua lei. Os Tavirenses só submeteram-se em 1239 à Ordem Militar de Santiago. De acordo com a Crónica da Conquista do Algarve, Tavira foi conquistada aos mouros, em Junho de 1239, por D. Paio Peres Correia, como represália pela morte de sete dos seus cavaleiros. Aqui, denotamos a importância da Ordem Militar de Santiago para a reconquista do Alentejo e do Algarve ao serviço da Coroa Portuguesa.

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O Vaso de Tavira é o ex-libris deste espaço Museológico

O Vaso de Tavira é uma peça peculiar e singular a nível Mundial. É o ex-libris deste espaço museológico e da sua exposição permanente. Segundo académicos, o vaso parece representar um rapto nupcial. Apresenta no bordo onze figuras e nas paredes, linhas, retículas, peixes e outros elementos pintados a branco. Destaca-se a noiva com a face descoberta e o noivo com um turbante, ambos a cavalo; um besteiro e um cavaleiro; um tocador de tambor e de adufe; uma tartaruga e várias pombas; e o dote, constituído por um bovídeo, um caprídeo, um camelo e um ovino.Importa também destacar, a torre em Taipa Militar, os restos da muralha islâmica do século XII e o capitel em mármore branco datado da época califal omíada, originária das oficinas da Madinat al-Zahra em Córdoba.

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Cacela Velha: entre o azul do céu e do mar…

Cacela Velha é…um poema de pedra construído pelo Homem. Esta pequena grande povoação costeira do Sotavento Algarvio está localizada no concelho de Vila Real de Santo António. A meu ver, esta localidade é uma bela surpresa pela sua paisagem para a ria formosa, a arquitectura tradicional das casas típicas castiças e pela sua capatez. Além disso, as ruas têm o nome de poetas que fizeram parte da nossa cultura milenar. Chego a uma constatação: começo a gostar de outro Algarve. O Al-Gharb fora dos roteiros turísticos “habitué”: o das pontas.

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Casas Típicas de Cacela Velha

O Núcleo Histórico de Cacela Velha presenteia-nos com um pequeno conjunto de casas típicas do litoral algarvio. Todavia, os dois ex-libris desta pequena povoação é a sua fortaleza do Século XVI, reconstruída após o fatídico terramoto de 1755, e a Igreja com o seu portal renascentista. Na época Omíada, Qast´alla, Cacela em árabe, fora conquistada em 713 por forças califais de Abd al-Aziz ibn Musa (714-1715), o primeiro uale do Al-Andalus, isto é, um governador militar dependente do califa omíada de Damasco (661-750). Até à reconquista cristã, em 1240, a povoação ficou na jurisdição da cidade de Ossónoba (Faro) e assumiu o papel de primeiro aglomerado de carácter urbano situado a sudeste do actual território algarvio.

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Aspecto geral da Igreja e Fortaleza de Cacela Velha

Uma curiosidade. Sabia que as ruas têm nomes de poetas se inspiraram nesta localidade para os seus poemas, como são os casos de Abû al-‘Abdarî, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Eugénio de Andrade? Um pormenor delicioso. Visitar Cacela Velha é conhecer um outro Algarve: o genuíno e castiço. O Algarve das Pontas. A meu ver, o casario pitoresco, a pequena aldeia, a praia, fortaleza são uma bela harmonia na paisagem. Um belo exemplo do que o Homem consegue criar. Da visita à terra natal do poeta Ibn Darraj al-Qastalli (958-1030), um dos mais influentes do califado Omíada na época do poderoso Almançor,  levo na minha memória o som, ao fundo, do oceano atlântico…

📌 Dia 5 – 09/12 (Sexta-feira) Alcoutim (Algarve, Portugal) – Salúncar do Guadiana (Andaluzia, Espanha)

Alcoutim. Terra de Fronteira. O Algarve Natural. São os slogan(s) do Município de Alcoutim para promover esta singela vila nas margens do Guadiana. Tal como José Saramago, o nosso Nobel da Literatura (1998), esteve nestas paragens, em 1980, no âmbito da sua Viagem a Portugal, deixo-me surpreender pela singularidade de Salúncar do Guadiana e do seu “Guerreiro de Pedra” – o Castillo de San Marcos – que domina a paisagem. Esta pequena urbe nasceu da necessidade do controlo e vigilância do transporte de bens alimentares (trigo, azeite e mel) e de minério (ouro,prata e cobre), através do rio Guadiana, pelas  ocupações humanas sucessivas que a usavam na transição entre as rotas comerciais do Mediterrâneo e do Atlântico.

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Vila de Alcoutim,vista do rio Guadiana

Depois de fotografar as vistas (e que vistas), dirigi-me para a experiência do slide fronteiriço agendada para a parte de manhã, com a limitezero do inglês David Jarman, radicado à treze anos nesta zona da raia luso-espanhola. Contacto com o responsável da empresa de animação turística Fun River, o Dr.José Cavaco, que me informa que o seu funcionário estava em Espanha e que me iria buscar dentro de momentos. A única ligação entre margens no rio Guadiana entre Alcoutim (Algarve) e Salúncar do Guadiana (Andaluzia) é efectuada por esta empresa. A aventura estava prestes a começar.

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“El bloggeiro portugues” desafiando os seus limites a 80 km/h até Portugal

Depois de uma aventura 4×4 num Land Rover até ao local do Slide, onde avistamos a beleza de Salúncar do Guadiana. Do topo, a cerca de 180 metros, temos uma bela vista aérea sobre Alcoutim e o rio Guadiana. O que levamos deste Mundo? Experiências. Aqui, podem ver o video do Slide no YOUTUBE De facto, viajar é descobrir-nos. E,claro, soltar o nosso outro eu. No meu caso, o sentido pela aventura. Já tinha saudades de fazer “Slide”. Nem parece que vamos a 80 Km/h. Em menos de um minuto estamos em Portugal. E o Medo? Esse ficou para 2ºPlano. Razão? A paisagem arrebatadora entre Salúncar do Guadiana e Alcoutim – as duas vilas gémeas do rio Guadiana -, como afirmou José Saramago, permite viver esta experiência devagar e com tempo.

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Sopa de tomate com ovos escalfados

Perguntei ao Dr.Júlio Cardoso, o técnico de turismo do Município de Alcoutim, um local típico para almoçar em Alcoutim. Estava nos meus planos almoçar no Centro Histórico de Alcoutim ou Salúncar do Guadiana. Persuadiu-me a ir almoçar à  Cantarinha do Guadiana., situada na localidade de Laranjeiras do Guadiana. Não me deixei enganar pelo espaço e pela falta de multibanco. De facto, o paladar conquista-se no prato. E a Senhora Isabel Ribeiros, a singular cozinheira, proporciona verdadeiros petiscos de cozinha regional alentejana e algarvia. Adorei saborear a comida tipicamente caseira e tradicional do interior algarvio, em especial, a sopa de tomate com ovos escalfados e o ensopado de enguias. Uma delicia para os viajantes andarilhos. E para acompanhar o café, nada como um “cheirinho” algarvio: o Medronho. Safa,mas aquece!

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Um local a visitar pelos níveis de ocupação humana que conserva da época islâmica

O Homem adapta-se ao meio. A cerca de um 1km para Norte da actual vila de Alcoutim, deparamo-nos com uma das melhores vistas do Algarve sobre o rio Guadiana. Do topo do castelo velho de Alcoutim – antigo Alcácer fortificado – do período Omíada (713-1031) edificado com as pedras com maior abundância na região:o xisto e o grauvaque. As suas origens remontam ao Século IX, segundo escavações arqueológicas recentes da Dr.ªHelena Catarino, e é uma das mais importantes estruturas militares islâmicas do Gharb-Al Andaluz. Como se sabe, o domínio muçulmano na Península Ibérica começa a ser ameaçado pela pressão da reconquista cristã, dai a necessidade de criar uma rede de fortificações de vigilância do território. É o caso do Castelo Velho de Alcoutim. Em virtude do seu difícil acesso (utilizado com funções de vigilância e de apoio à mineração), esta estrutura foi abandonada na época dos Almóadas e deu lugar ao actual Castelo Medieval de Alcoutim no Século XIV. A partir daqui, a população foi fixando-se junto ao leito do rio Guadiana.

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No Castelo de Alcoutim, no Núcleo de Arqueologia, está exposta a maior coleção de jogos de tabuleiro, do período omíada, que se tem conhecimento a nível mundial.

Como apaixonado pelo legado material e imaterial do Al-Andalus, adorei percorrer as diversas localidades que me foram sugeridas no programa da Rota Omíada do Algarve. Pude descobrir as estórias da História de cada uma, a importância dos achados arqueológicos para a materialização das fontes documentais, e os ensinamentos em Geografia foram uma ajuda constante ao longo destes cinco dias. Para mim, esta foi uma das melhores experiências de aprendiz de historiador-fotógrafo itinerante. Estou agradecido à Dr.ªCláudia Ruivinho, coordenadora da Rota Omíada do Algarve, pela elaboração desta Blogger Trip e à Região do Turismo do Algarve, Dr.Assis Coelho, pelo acompanhamento constante para que tudo estivesse ao meu dispor durante o percurso fotográfico pela Rota Omíada do Al-Gharb. E aos técnicos dos Municípios de Silves, Tavira e Alcoutim que me acompanharam e elucidaram-me da riqueza dos seus respectivos concelhos. Muito Obrigada. Bem Hajam!

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Alcoutim e Salúncar do Guadiana: “Duas vilas como irmãs gêmeas, que se vêm como o espelho uma da outra.”, referiu José Saramago em 1980.

Durante a descoberta da Rota Omíada, Abderramán I, Al-Mutamid, Al-Idrisi e,Ibn Darraj al-Qastalli, foram excelentes companheiros de viagem…interior. Shukran. Mais do que uma viagem pela história, foi uma “panóplia” de experiências pessoais e colectivas que podem ser partilhadas digitalmente,mas que devem ser vividas na primeira pessoa. É isso que convido o leitor do blogue OLIRAF a fazer: viver estas experiências. Não haverá melhor sensação do que sair da nossa “zona de conforto”?  👌

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Como chegar

A partir de Lisboa optei por reservar uma viagem em Alfa pendular, através da Comboios de Portugal. Faro era a minha base para efectuar a Rota Omíada do Algarve. Para tal, optei por alugar uma viatura rent-a-car para fazer a ligação entre os diversos pontos histórico-culturais desta rota. Na maioria dos casos, utilizei a via do Infante (A22) e a Nacional 125. No caso da ida para Alcoutim, optei pela A22 até Castro Marim e depois o IC27 (Beja) até Alcoutim (N122-1).

Onde ficar

Restaurante Ria Formosa

Praça D. Francisco Gomes, Nº2 8000-168 Faro Portugal
+351 289 830 830

✉️ Email: reservas@hotelfaro.pt

Para mais informações:

Região de Turismo do Algarve

Direcção Regional de Cultura do Algarve

Blog Turismo do Algarve

Projecto Umayyad Route 

Turismo do Algarve – Rota Omíada do Algarve (Folheto + App)

Nota importante

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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📌À descoberta do Castelo de Évora Monte: uma aldeia monumento que nos surpreende…

Évora-Monte (1)

Évora Monte é uma bonita vila alentejana do concelho de Estremoz, situada na vasta planície do Alentejo Central, erguendo-se no cimo de uma colina com mais de 400 metros de altitude na parte mais ocidental da Serra d’Ossa. O Castelo e as muralhas foram mandadas construir por D. Dinis, em 1306, contando  com quatro portas principais: a Porta do Sol, a Porta do Freixo virada a poente e as Portas de S. Brás e de S. Sebastião, e que recebem o seu nome das ermidas dedicadas aos mesmos santos, situadas no exterior do Castelo. No Século XVI, com o objectivo de preparar o castelo para a arquitectura pirobalistica, as muralhas foram acrescentadas “torreões-canhoeiras” em locais estratégicos para a sua defesa.

Évora-Monte (2)

O célebre Paço fortificado (apesar do seu aspecto bélico, era apenas usado para jornadas de caça)  com quatro torreões cilíndricos definindo um perímetro quadrangular, de eminente gosto italianizante, e decorado nos panos com nós pétreos, que lhe conferem particular carga simbólica. a meu ver, a lembrar a velha máxima da Casa de Bragança: Depois de vós, nós. Esta campanha palaciana foi dirigida por Francisco de Arruda em 1531, já com um longo currículo ao serviço da Casa Real Portuguesa, a mando de D.Teodósio. De facto, este paço é uma construção sem precedentes em Portugal e na arquitectura militar do Século XVI, sendo demonstrativo do poderio da Casa de Bragança, pela sua localização, grandeza e visibilidade a muitos quilómetros de distância.

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Assinale-se ainda um facto da História de Portugal a que se encontra ligada a vila: no n.º41 da Rua da Convenção foi assinada, em 26 de Maio de 1834, a célebre Convenção de Évoramonte, documento que consagrou o fim da fratricida Guerra Civil Portuguesa (1832-1834), entre partidários do Absolutismo e do Liberalismo. Na assinatura do documento estiveram os generais-duques de Saldanha e da Terceira, pelo lado de D.Pedro IV, e de João António de Azevedo e Lemos por D.Miguel.

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As ruas no interior do centro histórico de Évoramonte guardam a essência da época medieval, de tranquilidade e da tradição alentejana. Dentro das suas muralhas, reina a calma e a paz, bem como o seu paçoum dos raros castelos portugueses que alia características únicas: pelo conjunto arquitectónico que enquadra, pela excelência da paisagem que dele se pode desfrutar, mas também pela sua importância histórica.

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Podemos observar a vasta paisagem da planície Alentejana, do topo do Torreão,  que emoldura esta pequena povoação histórica amuralhada do Alentejo Central. Se vai pela A6, em direção a Elvas/Badajoz, faça um desvio no seu itinerário de viagem e aproveite para visitar Évora-Monte. Não se vai arrepender. Palavra de Escuteiro (se não é adepto da velha máxima “uma imagem vale mil palavras”). A vista, só por si, vale bem a visita neste local, mas a pacatez da vila e a simpatia dos habitantes, fazem desta vila perfeita para uma escapadinha no Alentejo.

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Actualmente, a região do Alentejo é um dos destinos mais procurados pelos turistas e viajantes estrangeiros, o que revela a excelência cultural e gastronómica. Os lugares que descrevo neste artigo é um dos muitos pontos altos do roteiro de viagem que fiz pelas estradas desta região portuguesa: À DESCOBERTA DOS “GUERREIROS DE PEDRA” DO ALTO ALENTEJO. De facto, o interior alentejano nunca deixa de me surpreender. Não bastava Evoramonte ser um dos ex-libris, com o seu castelo, as suas muralhas, o casario típico, o seu gaspacho e as suas gentes acolhedoras… e ainda nos oferece uma exuberante vista para a planície alentejana…

Para mais informações:

Castelo de Evoramonte

38.7717361,-7.7159429 (ver no mapa)
Evoramonte
Tipo: Castelo
Telefone: +351 268 950 025
Horário: 10h00-13h00 / 14h00-17h00
Dia de encerramento: 2ª feira, 3ª feira de manhã e no 2º fim de semana de cada mês. Feriados 1 Jan. Domingo de Páscoa, 1 Maio, 25 Dezembro e 3 de Junho

Nota importante [👤]

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linhagraficaALL-oliraf-03💻  Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷

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📌À descoberta dos “Guerreiros de Pedra” do Alto Alentejo…

À descoberta dos Castelos do Alto Alentejo e da Linha do Tejo: 4 dias e 3 noites pela região do Alentejo.

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Castelo de Montemor-o-novo

Novo Roteiro, nova viagem. Confesso que já tomei o gosto de programar uma pequena viagem para um fim de semana prolongado. Se estava a pensar em ficar em casa, mudei de ideias. De facto, sugestões de “escapadinhas” turístico-militares não faltam em Portugal. O património natural e edificado estão em destaque nesta aventura de quatro dias pelo Alentejo, aproveitando o fim-de-semana prolongado de 10 a 13 de Junho, durante a qual realizei uma reportagem fotográfica para o blogue OLIRAF.

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Rua Direita em Estremoz

O Alentejo é uma antiquíssima região portuguesa valorizada pelo seu património natural e edificado. Para os amantes do turismo cultural, de natureza e do turismo militar, o Alentejo é uma boa opção de visita que combina actividades de lazer,natureza e culturais com o descanso. Nesta reportagem fotográfica sobre a região do Alto Alentejo, no sul de Portugal,  destacamos as “bonitas” vilas de  Évora-Monte, Castelo de Vide, Marvão e Belver, os “tesouros naturais ” como a Serra de São Mamede/Rio Tejo e, principalmente, a gastronomia alentejana.

MontemoroNovo (3)

Ruínas do Palácio dos Alcaides em Montemor-o-Novo

Um elemento diferenciador na paisagem – o castelo: «Presentes de norte a sul do território português, os castelos e as cinturas de muralhas que serviram um dia para proteger vilas e cidades são, ainda hoje, testemunhos vivos de um dos períodos mais fascinantes e ricos da História de Portugal», como afirma o Historiador Miguel Gomes Martins no seu recente livro “Guerreiros de Pedra“. Trata-se de uma obra fundamental para a compreensão histórica e da arquitectura militar na Idade Medieval Portuguesa, dando-nos  a conhecer o quotidiano, os pormenores militares e acontecimentos mais marcantes que desempenharam na História de Portugal.

Arraiolos (2)

Castelo de Arraiolos

Viajar na ignorância do passado histórico de um país ou de uma região deixa-nos impotentes de entender o «porquê» de qualquer facto ou gentes. Por exemplo, a importância do património edificado, neste caso, os castelos,  que contam a História de um país ou de um povo. Portugal, de facto, guarda grandes e pequenos tesouros que nos fascinam pela sua arquitectura, monumentalidade e paisagem.

Arronches

Vila de Arronches (Portalegre)

Em Portugal, o final do séc. XIII e princípio do séc. XIV foram marcados pelo Reinado de D. Dinis (1279-1325), caracterizada pela afirmação do poder régio e pela definição dos limites fronteira luso-castelhana, rectificada com o tratado de Alcanizes (1297). Trata-se da fronteira política mais antiga e estável do continente Europeu. Ao viajarmos pela raia portuguesa, verificamos a forte presença e cunho deste monarca lusitano. Com sentido de Estado excecional, um politico nato,D. Dinis promoveu o repovoamento das terras, da construção de muralhas e castelos, construção de uma marinha e do ensino universitário.

 

Marvão (19)

Sabem uma coisa? Nada como sair do quotidiano agitado de uma grande cidade. Deixar a rotina de um trabalhador-comum à frente do computador, pegar na máquina fotográfica, no mapa, no telemóvel e ir para o terreno. Ir fazer o trabalho de “campo” como costumo dizer. Para mim,o lugar de um fotógrafo é lá fora. Melhor ainda se o roteiro fotográfico implicar uma agenda ligada ao património histórico-cultural. Deixo-vos alguns dos locais que visitei neste roteiro fotográfico pelo Alentejo…

Évora-Monte

Évora-Monte (1)

Castelo de Évoramonte

Évora Monte é uma bonita vila alentejana do concelho de Estremoz, situada na vasta planície do Alentejo Central, erguendo-se noo cimo de uma colina com mais de 400 metros de altitude na parte mais ocidental da Serra d’Ossa. O Castelo e as muralhas foram mandadas construir por D. Dinis, em 1306, contando  com quatro portas principais: a Porta do Sol, a Porta do Freixo virada a poente e as Portas de S. Brás e de S. Sebastião, e que recebem o seu nome das ermidas dedicadas aos mesmos santos, situadas no exterior do Castelo. No Século XVI, com o objectivo de preparar o castelo para a arquitectura pirobalistica, as muralhas foram acrescentadas “torreões-canhoeiras” em locais estratégicos para a sua defesa.

Évora-Monte (2)

Paço de Évoramonte

O célebre Paço fortificado (apesar do seu aspecto bélico, era apenas usado para jornadas de caça)  com quatro torreões cilíndricos definindo um perímetro quadrangular, de eminente gosto italianizante, e decorado nos panos com nós pétreos, que lhe conferem particular carga simbólica. a meu ver, a lembrar a velha máxima da Casa de Bragança: Depois de vós, nós. Esta campanha palaciana foi dirigida por Francisco de Arruda em 1531, já com um longo currículo ao serviço da Casa Real Portuguesa, a mando de D.Teodósio. De facto, este paço é uma construção sem precedentes em Portugal e na arquitectura militar do Século XVI, sendo demonstrativo do poderio da Casa de Bragança, pela sua localização, grandeza e visibilidade a muitos quilómetros de distância.

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Assinale-se ainda um facto da História de Portugal a que se encontra ligada a vila: no n.º41 da Rua da Convenção foi assinada, em 26 de Maio de 1834, a célebre Convenção de Évoramonte, documento que consagrou o fim da fratricida Guerra Civil Portuguesa (1832-1834), entre partidários do Absolutismo e do Liberalismo. Na assinatura do documento estiveram os generais-duques de Saldanha e da Terceira, pelo lado de D.Pedro IV, e de João António de Azevedo e Lemos por D.Miguel.

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As ruas no interior do centro histórico de Évoramonte guardam a essência da época medieval, de tranquilidade e da tradição alentejana. Dentro das suas muralhas, reina a calma e a paz, bem como o seu paçoum dos raros castelos portugueses que alia características únicas: pelo conjunto arquitectónico que enquadra, pela excelência da paisagem que dele se pode desfrutar, mas também pela sua importância histórica.

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Aspecto parcial de Évoramonte, vista do paço.

Podemos observar a vasta paisagem da planície Alentejana, do topo do Torreão,  que emoldura esta pequena povoação histórica amuralhada do Alentejo Central. Se vai pela A6, em direção a Elvas/Badajoz, faça um desvio no seu itinerário de viagem e aproveite para visitar Évora-Monte. Não se vai arrepender. Palavra de Escuteiro (se não é adepto da velha máxima “uma imagem vale mil palavras”).

Vila de Alburquerque (Badajoz, Extremadura Espanhola)

PaisagemFronteiraRaiaAlentejo

Fronteira Luso-Espanhola

Passeando pelas cidades e vilas da região da Extremadura Espanhola (La Codosera ou Valência de Alcântara), fui descobrir uma vila que me impressionou pelo seu Castillo. Alburquerque, próximo de Badajoz, tem um património histórico-militar impressionante pela sua magnitude e importância, em virtude das constantes guerras e escaramuças travadas ao longo da História entre o Reino de Portugal e de Castela (posteriormente Reino de Espanha). A vida quotidiana, nestas pitorescas vilas, apesar de ficar tão perto da nossa fronteira é completamente diferente da que se vive em Portugal.

AlburquerqueBadajozExtremadura (3)

Castillo de Alburquerque

O Castelo de Alburquerque (Castillo de Luna) é um dos castelos mais bem conservados de todo o Reino de Espanha. Contém uma História riquíssima sobre a importância estratégica do controlo das fronteiras na zona raia espanhola-portuguesa. Recomendo a visita ao interior da Torre de Menagem, a vista para Portugal e as animações turísticas no seu interior. E não se paga.

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Aspecto de uma Rua típica de Alburquerque

Wow…B-R-U-T-A-L! Foram as palavras quando deparei-me com este “Guerreirão de Pedra”. Nunca pensei que tivesse tanta História Lusitana nestas pedras. Vejamos, D. Afonso de Sanches, filho bastardo de D.Dinis foi o primeiro Senhor deste Castelo (andava chateado com o maninho D.Afonso IV). Inês de Castro esteve aqui, enquanto D.Pedro I estava em Ouguela. Mais tarde, durante quase dez anos foi uma praça-forte portuguesa durante a Guerra de Sucessão Espanhola (entre 1705-1715), só devolvida com o Tratado de Utrecht.

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Vila de Alburquerque, vista parcial.

Este “Castillo” vale pela paisagem que domina e pelo seu interior. Na minha opinião, um dos mais belos e bem conservados castelos de “Nuestros Hermanos”. Sim,porque, os Espanhóis não brincam em serviço quando se trata de proteger e promover o seu património histórico-cultural.

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Centro Histórico

Tive oportunidade de visitar este restaurante espanhol de cozinha de autor durante a minha visita ao Castillo de Luna. Recomendaram-me. E não fiquei desiludido. Tem uma boa relação custo/qualidade. Ideal para almoçar durante uma escapadinha a Espanha, antes de ir para Marvão. Saliento o Gazpacho de Tomate. Gastronomia Simples e elaborada que agrada ao paladar e é um “regalo” para os olhos. Por umas horas fui um súbdito português de Felipe VI de Bourbon, Rei de Espanha.

Fronteira de Marvão-Espanha (Porto Roque)

Panorama FronteiraPortoRoque

Bairro Residencial de Porto Roque

Na fronteira de Galegos, porta de entrada para quem vem do Reino de Espanha, existiu um importante polo residencial do concelho de Marvão: o bairro de Porto Roque. Inaugurado em 1972,  era constituído por 20 fogos e 16 edifícios com uma área coberta de 3450m2, em 20 hectares de terreno. Com a abolição das fronteiras, em 1993, e com a introdução do espaço Schengen foram desativados os serviços da Guarda Fiscal que funcionavam na fronteira de Galegos, tendo sido todo o património edificado entregue ao tempo, com poucas casas ocupadas e edifícios em avançado estado de degradação.

Marvão

Panorama CasteloMarvão

Vila-fortificada de Marvão

Pitoresca vila-fortaleza, situada em pleno interior da Serra de São Mamede, reflete  a adaptação do Homem ao meio ambiente durante milénios. A meu ver, Marvão conquista de imediato quem a vê,  no alto de um cabeço montanhoso, desde a estrada da fronteira de Porto Roque. É uma sentinela da fronteira, um belo exemplo da arquitectura-militar portuguesa.

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Castelo de Marvão

Um amante da História vê o Castelo de Marvão e a paisagem da Serra de São Mamede como testemunha do passado das lutas fronteiriças entre o Reino de Portugal e Castela (mais tarde, Reino de Espanha), sendo que a Guerra da Restauração (1640-1668) foi o zénite da importância bélica desta praça-fortificada. Mais tarde, os confrontos resumiram-se a ocupações pontuais de exércitos estrangeiros, como são exemplos, a Guerra de Sucessão Espanhola (1705-1715) e as Invasões Francesas (1807-1811).

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Vila de Marvão,vista Torre de Menagem

O Homem adapta-se ao meio. Aqui, em Marvão, a máxima da Geografia reflete a adaptação do ser humano à paisagem dominada pelo xisto,granito e quartzito em algo que combina o útil ao agradável, um cenário que é um regalo aos olhos e que, ao mesmo tempo, nos dá um dos produtos gastronómicos mais apreciados pelos alentejanos : o porco preto.  Ao contrário do litoral desenvolvido e povoado, no Alto Alentejo temos um interior despovoado, e tantas vezes esquecido. Todavia, a importância histórico-militar de Marvão parece fazer esquecer esse distanciamento, através do potencial turístico difícil de igualar.

Marvão (6)

Rua de Marvão

Há um segredo bem guardado, perto da Vila de Marvão: TRAIN STOP GUESTHOUSE Deixe-se capturar pela história e beleza da antiga estação de comboios de Marvão-Beirã . Garantimos que só se vai perder de encantos, pela História do Ramal de Cáceres e pela arquitectura industrial desta estação fronteiriça desactivada, que deu lugar a um projecto de alojamento local. É, seguramente, uma viagem pela História.

Marvão (12)

Castelo de Vide

Castelo de Vide (5)

Falavam-me de Marvão. Tens de ir visitar, Rafael. É um dos locais mais pitorescos de Portugal. Farto de ouvir relatos, de conhecidos e desconhecidos, decidi meter a mochila às costas e ir verificar com os meus próprios olhos. Todavia, não foi a vila fortificada de Marvão que cativou meu olhar fotográfico. A menos de 10 km, do alto do Castelo de Marvão, deparei-me com um casario branco que reluzia na Serra de São Mamede: Castelo de Vide. A Sintra do Alentejo. 

Castelo de Vide - Estátua D.PedroV (2)

Estátua de  D.Pedro V

Castelo de Vide - Judiaria (1)

Castelo de Vide é, para mim, um dos locais mais típicos e genuínos do nosso Portugal. O que despertou o meu interesse nesta experiência pessoal? Vejamos, a escadaria que desce pela Judiaria até à Fonte da Vila,as ruelas do Centro Histórico, o antigo burgo medieval e a bela janela da torre de menagem do Castelo medieval.

O que fica na minha memória? Os sentidos, a gastronomia, a arquitectura ,o anfiteatro natural, a história, entre outras coisas mais. Mas, Castelo de Vide transporta uma herança pesada: a perseguição movida pela Inquisição aos Judeus. Tive oportunidade de visitar uma exposição sobre os instrumentos e métodos de tortura utilizados no tempo da Inquisição.

Castelo de Vide - Sintra Alentejo  (2)

Centro Histórico de Castelo de Vide, vista da Torre de Menagem

Ao “saborear” as ruas e vielas do Alto Alentejo, sem mapas, entramos numa viagem pelo tempo,através de antigos burgos medievais que nos alimentam a alma de viajante. E sabe sempre bem ouvir um Bom Dia ou uma Boa Tarde de um habitante local a um forasteiro que visita a sua aldeia / vila raiana Alentejana, Até parece mal educado não falar. Porque o Homem quando viaja, adapta-se ao meio.
Castelo de Vide - FonteVila (7)

Fonte da Vila

 Se quiser saber mais sobre o legado histórico dos judeus em  Castelo de Vide, saliento a edição do passado dia 12 de junho do jornal Jerusalem Post inclui um artigo intitulado “Unspoiled Alentejo – Perfect for the art of doing anything” [trad: Alentejo não explorado – perfeito para a arte de não fazer nada”, resultado da press trip de um jornalista de Israel ao Alentejo, através da Agência de Promoção Turística do Alentejo.

Belver

Belver (11)

Aspecto Geral do Castelo e da Torre de Menagem de Belver

Belver. Uma motivação antiga. Há muito tempo que “cogitava” para visitar esta aldeia,  com quase mil habitantes (censos 2001),  e o seu “guerreiro de pedra”.que domina a paisagem em redor. Para mim, esta “Sentinela do Tejo” é um dos mais belos castelos medievais de Portugal. Não tanto pela sua arquitectura militar, de planta circular, com capela no interior, mas pela sua envolvente paisagística. Pela localização estratégica,num altaneiro morro sobranceiro ao Tejo, este Castelo foi o primeiro a ser construído no séc. XII pela Ordem do Hospital, reinava D. Sancho I. O seu objectivo era prevenir novas incursões mulçulmanas a norte do Tejo, quando este rio era a fronteira entre duas civilizações: a cristã e a muçulmana.

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Panorama do Vale do Tejo,vista da Torre de Menagem do Castelo de Belver.

Para além da visita ao Castelo de Belver, recomendo uma visita ao Museu do Sabão, nas proximidades do centro da aldeia. O projecto museológico está numa antiga Escola Primária do Estado Novo recuperada do abandono, no qual através de uma experiência interactiva – física e visual, podemos fazer uma viagem pelo tempo sobre este produto de primeira necessidade, bem como da memória colectiva dos Saboeiros de Belver.

Belver (1)

Museu do Sabão (Belver)

A poucos quilómetros da aldeia de Belver, tive a oportunidade conhecer o Alamal, localizado no concelho de Gavião, no Alto Alentejo, com a sua praia fluvial pitoresca e com uma envolvente paisagística do Rio Tejo/Castelo de Belver ímpar. Mais tarde,  fiquei a dormir no Alamal River Club. Trata-se de uma unidade de alojamento local (ex-Inatel), recentemente recuperada por um jovem casal, a  Catarina e o Henrique. Destaco a  qualidade do projecto turístico, situado numa área com enormes potencialidades dos amantes do turismo ligado a actividades de natureza, cultura e desportos náuticos .

Belver (3)

Quinta do Alamal, onde se insere o Alamal River Club

Um dos ex-libris da Praia do Alamal, para além da excelente praia fluvial, são os passeios de barco no Tejo organizados pelo Carlos do Bar/Restaurante da Praia do Alamal. Recomendo um passeio para contemplar as belas paisagens do Vale do Tejo. No meu caso particular,optei por realizar um passeio, em ritmo de treino, de canoagem (6€/hora).

Belver (6)

Praia Fluvial do Alamal

O melhor do Alentejo não está no GPS…

Amieira do Tejo - Castelo&Vila (2)

Castelo da Amieira do Tejo

A Região do Alentejo, neste caso, o Alto Alentejo,  é um destino turístico de excelência em Portugal continetal: a Serra de São Mamede, o Castelo de Marvão, Belver ou o centro histórico de Castelo de Vide, por exemplo. Os lugares que descrevo neste roteiro de viagem ao Alto Alentejo são os muitos pontos altos do percurso que fiz pelas estradas desta região. Mas o melhor mesmo do Alentejo são as suas paisagens monótomas, o património histórico-militar, as suas gentes e a sua gastronomia intocada pelos alentejanos que sabem que têm aí a sua maior riqueza.

CasteloÉvoraMonte (1)

Convido-vos a irem lá, constatar o quanto são cativantes estes locais de que já sabíamos a existência. Mas, acima de tudo, aproveitem para explorar um território obscuro que existe em cada um de nós. O espírito de viajante. Viagem,por favor! Recorro a uma frase da obra O Principezinho para explicar a essência desta mini-descoberta pelo Alto Alentejo: este roteiro foi fruto de muito trabalho. Foi uma busca feita com fé, com o coração e um trabalho feito com paixão. “Só com o coração se pode ver bem. O essencial é invisível aos olhos”.

Almourol (2)

Miradouro do Castelo de Almourol (N118)

Informações

Orçamento para estes dois dias: aproximadamente 200 euros por pessoa (para despesas de refeições, gasolina e entradas nos monumentos).

Mês escolhido: Junho.

Preço médio da refeição: Se for em restaurante, com entrada, prato, copo de vinho e sobremesa, pagam aproximadamente 20 euros por pessoa.

Horários Monumentos: das 10h às 12h30 min e das 14h às 17h (Encerram às segundas-feiras, às terças-feiras da parte da tarde, no último fim-de-semana de cada mês e nos feriados de 1 Janeiro, Domingo de Páscoa, 1.ºde Maio e 25 de Dezembro. Custo (2 €).

Como ir…

CasteloBelver (1)

Para visitar Belver pode ir de Comboio (CP-Regional), desde o Entroncamento.

Lisboa-Estremoz

A partir de Lisboa opte pela A12, via Ponte Vasco da Gama, e depois pela A6 até Évora (Elvas/Badajoz). Saia em Évoramonte. Siga na direção de Estremoz (N18).

Estremoz-Albuquerque-Marvão

Se já se encontra na cidade de Estremoz (IP2) tome a direção de Arronches/Monforte, pela N369, até à fronteira de Espanha (Aldeia da Esperança)

Em Espanha opte pela estrada BAV-5004 em direção a La Codosera e depois pela BA-008 e EX-110 que vai dar a Albuquerque.

De Albuquerque a Valencia de Alcântara seguir pela EX-110. De Valencia Alcântara até Marvão seguir pela N-521 e, em Portugal, por N246-1 e depois virar para a N359 (Beirã/Marvão)

Marvão-Castelo de Vide – Gavião

A partir da vila de Marvão opte pela N246 até Castelo de Vide. Depois continue pelo IP2 até Gavião-Belver. Saia em Gavião (EN118). Alamal River Club (N244) – Barragem de Belver.

Belver – Gavião

Se pretender ir de Gavião para Belver ou Mação, deverá seguir pela EN118 até Alvega, seguir pela EN358 de Alvega até Mouriscas e pela EN3 de Mouriscas até Mação e prosseguir até Belver e inverso.

Onde ficar:

Belver (4)

No que toca ao alojamento, optei pelo D.Dinis Low Cost Hostel, em Estremoz, o GuestHouse Train Spot, em Marvão (Beirã), e o Alamal River Club, em Gavião, localizado próximo de Belver. Os dos últimos,a  meu ver, são os ideias para quem gostar do conceito de viajar com tempo e com calma (Turismo de Natureza, Lazer e Cultural). De referir que os alojamentos contam com serviço pequeno almoço, à excepção do D.Dinis Low Cost Hostel.

Marvão (16)

Onde Comer:

Neste particular, a bochecha de porco preto do restaurante A Confraria, em Castelo de Vide, o gazpacho do restaurante El Fogon de Santa Maria, em Alburquerque (Espanha) e as migas do restaurante Sabores de Marvão, na aldeia da Beirã-Marvão, contam-se entre os petiscos e sugestões durante uma visita ao Alto Alentejo – uma região que não nos convence apenas pela paisagem,mas também pelo paladar.

Alentejo (1)

Viaje,mas devagar. Aventure-se Além do Tejo! E descubra-se.

Nota importante

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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Fotografia•Viagens•Portugal © OLIRAF (2016)

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📷 Roteiro fotográfico pela Rota do Românico…

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Escapadinha à descoberta da Rota do Românico: três dias e duas noites pela região do Vale do Sousa, Tâmega e Douro.

Rota do Românico (13)

Igreja de São Gens de Boelhe, Penafiel

À “boleia” da minha nomeação para os BTL Blogger Travel Awards 2016, a responsável do Enoturismo da Quinta da Aveleda, S.A, A Dr.ª Chantal Guilhonato, convidou-me a visitar a Quinta e a região na qual esta se insere. Assim, após várias trocas de e-mails, agendamos a minha visita para 23 a 25 de Abril. Nesta “roadtrip”de três dias, em que realizei quase 1500 km, tive a oportunidade de visitar a região de Entre-o-Douro-e-Minho. Tratou-se de uma experiência em que tomei contacto com a natureza, a gastronomia local e o património histórico-cultural da Rota do Românico, delimitado geograficamente, pelos vales do Sousa, Douro e Tâmega.

Rota do Românico p&b (7)

Esta escapadinha fotográfica, durante a qual o tempo variou entre o nublado e céu limpo, mas o suficiente para contemplar a beleza natural e o património histórico-cultural edificado desta região do Norte de Portugal. Este roteiro fotográfico apenas mostra uma pequena fração do que pude vivenciar e o que se pode encontrar na Rota do Românico pelos concelhos de Paredes, Penafiel, Amarante e Celorico de Basto. Espero que o mesmo, sirva para aguçar o paladar e a motivá-lo a visitar esta região. Através da consulta dos principais pontos de interesse da Rota do Românico, inclui paragens no Centro Histórico de Amarante, na Aldeia de Quintadona, Quinta da Aveleda (Penafiel) e na cidade de Guimarães (não necessariamente por esta ordem). São cenários dominados por aldeias, cidades e serras capazes de garantir uma experiência de viagem ímpar.

PaisagemDouroTâmega

Na minha opinião pessoal, apesar de Portugal de ser um país com um território relativamente pequeno, cerca de 90.000 km2, é fácil perdermos uns dias ou uma semana a explorá-lo e ainda assim não ter tempo suficiente para desfrutar de tudo o que nos oferece. Há que sair da nossa “zona de conforto”. Porque não  encontrar o nosso “true self”? Há que experienciar e não apenas viver. Quando realizamos uma viagem, seja em Portugal, na Europa ou no Mundo, voltamos sempre com pequenas ou grandes estórias para contar à nossa família, amigos ou colegas de trabalho. E voltamos sempre com boa energia.

Dia 1 – Roteiro pela Rota do Românico (23 de Abril)

Rota do Românico (1)

A antiga linha ferroviária do Tâmega cedeu lugar a uma ecopista que faz a delicia  aos amantes da modalidade de BTT

A Região Norte  é uma das mais antigas regiões de Portugal e uma das mais densamente povoadas, desde os primórdios do Condado Portucalense. De facto, uma boa parte da nobreza e das ordens religiosas derivaram desta região e, ajudaram, a fomentar a futura formação do reino de Portugal e a consolidação deste com a (re) conquista cristã aos Mouros.

Pela Rota do Românico… 

Rota do Românico (7)

A Rota do Românico permite compreender as antigas raízes da organização da propriedade no Norte de Portugal  e da importância das instituições eclesiásticas e senhoriais no povoamento, defesa e fixação das populações ao longo dos tempos, em especial, durante a Idade Média. De facto, ao percorrer o património militar e religioso desta rota, verificamos a influência da nobreza local/senhorial e das ordens religiosas na sua edificação.

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Torre do Vilar, Vale do Sousa, Lousada

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Mosteiro de Salvador de Travanca, Vale do Tâmega, Amarante.

Locais como o Castelo de Arnoia, o Mosteiro de Travanca, Mosteiro do Salvador de Paços de Sousa, entre outros de interesse turístico e cultural dos concelhos de Celorico de Basto, Amarante, Paredes e Penafiel estiveram em destaque neste primeiro dia.

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O Castelo de Arnoia, concelho de Celorico de Basto, é o único “Guerreiro de pedra” da Rota do Românico.

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Mosteiro do Salvador de Paços de Sousa, Penafiel, Porto.

Na Aldeia de Quintadona…

Aldeia Quintadona (5)

Aldeia Quintadona (8)

Aspecto de uma Rua da Aldeia de Quintadona

Situada na Freguesia de Lagares, concelho de Penafiel, é uma das Aldeias de Portugal. Apresenta potencialidades turísticas em meio rural, em virtude de estar bem preservada, tendo uma beleza e arquitectura singulares. Trata-se de uma Aldeia de Xisto situada numa região dominada pela pedra granítica. É um bom exemplo da dinâmica do Espaço Rural, apesar da sua proximidade dos grandes centros urbanos da área metropolitana do Porto.

Aldeia Quintadona (1)

Janela tipica da Aldeia

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Dia 2 – Visita à Quinta da Aveleda (24 de Abril)

Quinta da Aveleda (15)

Aspecto da Casa Senhorial

Finalmente, o motivo que nos levou até aqui. Aveleda. Quinta da Aveleda. Para muitos amantes de Baco, o vinho da Aveleda encontra-se entre os melhores vinhos verdes de Portugal e do Mundo. O Blogue Oliraf Fotografia foi gentilmente convidado a visitar a Quinta da Aveleda com a seguinte frase: “Se a sua objectiva o levar até Penafiel, teríamos o maior prazer em o receber na Quinta da Aveleda.”

Quinta da Aveleda (12)

Tive a oportunidade de realizar uma visita guiada, com uma guia turística, a jovem Renata Figueiredo. Explica-me, passo-a-passo, os principais pontos de interesse do jardim botânico, das casas de campo e a importância histórica da Quinta da Aveleda. A meu ver, o que mais me impressionou foram a quantidade de espécies botânicas existentes no jardim e a importância social e de lazer que estes tiveram na história local e nacional. Sabia que o príncipe herdeiro, filho de D.Carlos I, D. Luís Filipe de Bragança, e o seu aio, Mouzinho de Albuquerque (o herói de Chaimite) almoçaram, em Outubro de 1901, numa das mesas existentes do jardim botânico? Este pormenor histórico, marcou-me a minha visita. Cenas de Historiador.

Quinta da Aveleda (1)

Adega Velha, que dá nome à famosa aguardente aqui produzida.

Para além do vinho verde, a Quinta da Aveleda também é conhecida pelos jardins (em estilo Inglês),pelo seu património histórico-cultural, pelas compotas e queijos que fazem as delícias dos seus visitantes.

Quinta da Aveleda (5)

Os vinhos Quinta da Aveleda e Casal Garcia Rosé.

Se já conhece o vinho, porque não visitar a Quinta que lhe dá o nome? Uma excelente sugestão para quem gosta de Enoturismo.

Dia 3 –  Roteiro Histórico pelo Centro Histórico de Amarante e de Guimarães (25 de Abril)

Amarante

Amarante (6)

Centro Histórico de Amarante

O Centro Histórico da Cidade de Amarante, distrito do Porto, apaixona qualquer amante da arte fotográfica. Trata-se de uma cidade onde a magnificência do granito não intimida, antes convida a um passeio pelo centro histórico. Atravessa-se a pé pela belíssima ponte granítica de São Gonçalo, padroeiro da cidade, com mais de 200 anos, sobre o rio Tâmega. Esta ponte reconstruída no reinado de D.Maria I, finalizada em 1791, em conjunto com a Igreja e o Convento de São Gonçalo, é o “ex-libris” da cidade amarantina. Tive a oportunidade de visitar o Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso (a entrada custa 1 €) e admirar algumas suas obras modernistas. Infelizmente, uma parte da coleção estava na Exposição na Galeria do Grand Palais em Paris. Aproveite a visita ao Centro Histórico para conhecer os inúmeros cafés, esplanadas e confeitarias que servem os célebres doces conventuais amarantinos, como os foguetes, as lérias e as brisas.

Amarante (5)

Ponte de São Gonçalo – Século XVIII

No Contexto das Guerras Napoleónicas, em especial da Guerra Peninsular (1807-1814), a Defesa da Ponte de Amarante foi um dos episódios mais marcantes da IIªInvasão do Grande Armée de Napoleão Bonaparte, comandando, desta vez, pelo General Soult. As forças francesas lutaram com os milicianos, ordenanças e voluntários civis das forças do Brigadeiro Silveira, entre 18 de Abril a 2 de Maio de 1809, pela posse desta ponte estratégica que ligava a região do Douro ao Minho (Régua-Guimarães) e da região de Trás-os-Montes (Porto-Vila Real-Chaves). Tratou-se de uma vitória estratégica dos Portugueses em retirada para Trás-os-Montes,apesar da vitória dos Franceses.

Amarante (1)

Igreja e Convento de São Gonçalo de Amarante

Guimarães

“Aqui nasceu Portugal”. Há lugares que respiram História. Quem chega à Praça do Toural, não pode ficar indiferente a estas palavras. De facto, é a frase que todo o vimaranense tem orgulho de proferir, conta um transeunte local que tive oportunidade de abordar durante a minha “visita-relâmpago” ao Centro Histórico de Guimarães.

Guimarães (1)

Largo do Toural

O Centro Histórico de Guimarães encontra-se classificado, desde Dezembro de 2001, como património mundial da UNESCO. Ao percorrermos as ruas e as ruelas do centro histórico compreendemos a razão da sua distinção. Confesso que já tinha saudades de deambular pelas ruelas sem mapa e seguir ao sabor da arquitectura do local.

Panorama LargoOliveiraGuimarães

Largo da Oliveira vs Monumento da Batalha do Salado

A cada passo respiramos História. Afinal, a cidade de Guimarães é conhecida por ser o “berço” fundador da nacionalidade e identidade Portuguesa. De facto, foi aqui que tiveram lugares os principais acontecimentos políticos e militares (a Batalha de São Mamede, em 1128, entre as hostes de D.Afonso Henriques e da sua Mãe, D.Teresa) que, mais tarde, levariam à independência do Condado Portucalense face ao Reino de Leão, ocorrida em 1139.

Panorama CasteloGuimarães

Castelo de Guimarães

Em Síntese, a Rota do Românico surpreendeu-me pelo imenso património histórico-cultural e pela variedade paisagística que nos oferece. A meu ver esta região Norte de Portugal ainda tem mais encanto por três razões: boa gente, boa comida e bom vinho.

Foi possível comprovar o que estudei nos bancos da Universidade, durante a minha Licenciatura em História (com algumas cadeiras de Geografia pelo meio), com a experiência do trabalho de campo. De facto, a experiência pessoal ajuda a comprovar a informação que nos foi ensinada na Universidade, acompanhando, assim, o nosso processo de saber e aprendizagem ao longo da vida.

 Ao percorrer as aldeias e as paisagens da região do Românico, recordo-me do romance A Cidade e as Serras, a última obra do escritor Eça de Queirós. A temática Campo versus Cidade está sempre presente ao longo desta obra. De vez em quando, gosto de retemperar a alma e adquirir novos horizontes para enfrentar os novos desafios que enfrento no caos urbano da cidade de Lisboa. Porque, para mim, ir é o meu verbo preferido…

Onde ficar e comer…

Casa Valxisto – Country House

Casa Valxisto (170)

 Como chegar a Quintandona (Casa Valxisto)

Rua Padres da Agostinha, n.º 233

4560-195 – Freguesia de Lagares Penafiel
(GPS: 41.135686, -8.377872)

Solar Egas Moniz – Charming House

Solar Egas Moniz (1)

Como chegar a Paços de Sousa (Solar Egaz Moniz)

Morada: Rua dos Monges Beneditinos, n.º 158, Paço de Sousa, 4560-380 Penafiel, Portugal Tlm: + 351 962 168 254

Para direcções veja a página Localização ou aceda directamente ao google maps.

Coordenadas GPS: Latitude:  41°10’2.40″N  | Longitude:   8°20’34.09″O

WineBar Casa da Viúva

Aldeia Quintadona (4)

Nas proximidades da Casa Valxisto, o Winebar Casa da Viúva é um espaço que combina arquitectura rústica da Aldeia de Quintadona com uma elegante decoração. Aqui podemos provar um bom vinho da região e pestiscar umas belas tapas.

No blogue www.oliraf.wordpress.com iremos abordar mais à frente a visita à Quinta da Aveleda, Aldeia de Quintadona, Rota do Românico e aos Centros Históricos de Guimarães e Amarante, onde poderá seguir as minhas dicas de viagem, do que fazer e comer neste locais. De facto, em Portugal existem experiências fundadas na História. Resta ao leitor descobrir com ou sem as minhas dicas. O importante é ir…vivê-las.

Resta agradecer o convite efectuado pela Quinta da Aveleda,S.A, ao Solar Egas Moniz e a Casa Valxisto, bem como à Império das Malas pela trolley Pepe Jeans que utilizei nesta viagem. Muito Obrigado! Bem Hajam!

Para mais aventuras fotográficas, pode encontrar-me nas redes sociais em OLIRAF FOTOGRAFIA .

Viaje,mas devagar. E Aventure-se na região Norte de Portugal, em especial, pela da Rota do Românico!

Fontes

DAVEAU, Suzanne, Portugal Geográfico, Edições João Sá da Costa, 1ªEdição,Lisboa,1995

GASPAR, Jorge – O retorno da paisagem à Geografia. Revista Finisterra, ano XXXVI, vol. 72, p. 83-99. Lisboa, 2001.

MEDEIROS, Carlos Alberto, Geografia de Portugal – Ambiente Natural e Ocupação Humana, Uma Introdução, Ed. Estampa, 5ª Edição, Lisboa, 2000,

RIBEIRO, Orlando, Portugal o Mediterrâneo e o Atlântico, Colecção «Nova Universidade», Sá

da Costa, 4ª Edição, 1986.

RIBEIRO, Orlando – Paisagens, Regiões e Organização do Espaço, Revista Finisterra, ano XXXVI, vol. 72, p. 27-35. Lisboa, 2001.

MATTOSO, José (dir.), História de Portugal, vol. II – A Monarquia Feudal (1096-1480), coord. de José Mattoso, Lisboa, Círculo de Leitores, 1993

RAMOS, Rui (coord.), História de Portugal, I Parte – Idade Média, 6ª ed., Lisboa, Esfera dos Livros, 2010.

MARTINS, Miguel Gomes – Guerreiros de Pedras. Lisboa: Esfera dos Livros, 2016.

Para mais informações:

 

Rota do Românico

Turismo do Porto e Região Norte de Portugal

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