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📌À descoberta da arquitectura militar da Trafaria: o Forte-Presídio da Trafaria e a 5ªBateria da Raposeira

Uma aventura pela Arquitectura Militar da Trafaria: o Forte-Presídio da Trafaria e a 5ªBateria da Raposeira. Há ruínas que têm muitas estórias da história de Portugal para descobrir…

Próxima paragem: Trafaria. A terra das famosas amêijoas à Bulhão Pato. Ou a Terra onde o Tejo se faz ao mar. É o slogan deste freguesia do concelho de Almada. Partimos para a margem sul do Tejo em busca da memória histórica da arquitectura militar do Antigo Regimento de Artilharia de Costa. O antigo Presídio-Lazareto da Trafaria é uma viagem pela Memória Histórica. A memória de outros tempos obscuros da nossa História. E apetece dizer: Nunca mais! Em tempos idos, milhares foram os viajantes, degredados e presos políticos que aguardavam a sua próxima viagem: a ida para o ultramar português. Para muitos, a Ponta da Areia – Trafaria – era a sua última morada em Portugal e, para a maioria, da sua vida.

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Trafaria: onde o Tejo se faz ao mar. Ou será oceano?

A Trafaria em virtude da sua posição geográfica, localizada junto à foz do estuário do Rio Tejo, despertou o interesse estratégico das autoridades governamentais para a defesa militar da entrada da barra do Porto e Cidade de Lisboa. A primeira fortificação foi construída na 2ªMetade do Século XVII, durante o reinado de D.Pedro II (1668/1683-1705), junto às instalações do antigo Lazareto do Século XVI. Importa referir que a antiga esplanada de artilharia – guarnecida com 12 peças de artilharia – foram demolidas no inicio do século XX, aquando das obras de construção do novo presidio.

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Aspecto da Estação Fluvial da Trafaria

Em virtude do clima belicista das potências europeias imperialistas (Inglaterra,França, Alemanha ou Rússia) no último quartel do Século XIX, Portugal sentiu necessidade de construir e guarnecer a sua frente atlântica, em especial nos estuários do Sado e do Tejo, com uma rede de fortificações e equipamento bélico dissuasor consoante as restrições orçamentais que vigoravam durante regime monárquico. Assim, no principio do Século XX, entre 1902 a 1909, ocorreu o maior empreendimento de engenharia militar do concelho de Almada: a construção de um conjunto de fortificações  Baterias de Artilharia de Costa de Alpenas e da Raposeira e do Quartel do Grupo de Artilharia N.º4 na freguesia da Trafaria.

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Um dos mais singulares Ferry-boat (s) de Portugal: o Eborense.

Nesta empreitada militar foram construídas infra-estruturas – uma ponte cais e de uma linha férrea – destinadas ao transporte de matéria-prima, artilharia naval e munições para guarnecer as futuras baterias de origem alemã Krupp  que se localizavam no topo do Monte da Raposeira e na Arriba Fóssil da Caparica.  O Quartel da Trafaria, inaugurado em 1905 pelo Rei D.Carlos,  era utilizado para alojar a guarnição militar que servia nas baterias anteriormente mencionadas. Mais tarde, passa a designar-se Quartel da Brigada de Artilharia de Costa N.º1. Na 2ªMetade do Século XX, passa a designar-se Batalhão de Reconhecimento e Transmissões. Actualmente, encontra-se afecto à Guarda Nacional Republicana.

📌 Forte-Presídio da Trafaria (séc. XVI-XX)

No âmbito da Trienal de Arquitectura de Lisboa esteve aberto ao público até ao passado dia 11 de Dezembro, de Sexta-feira a Domingo, a exposição sobre O Presídio e a Trafaria 450 anos de História nas antigas celas do Forte-Presídio da Trafaria. Com entrada livre, esta exposição tinha como intuito dar a conhecer a importância estratégica e histórica da Trafaria ao longo dos últimos quinhentos anos.

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Forte Prisional da Trafaria

O Lazareto-presidio da Trafaria foi construído na 2ªMetade do Século XVI (1565), durante o reinado de D.Sebastião, na regência do Cardeal D.Henrique. Este mandou construir um complexo, em nome do seu sobrinho-neto, para o recolhimento de matérias-primas e viajantes do Império Ultramarino Português (1415-1999). Tratava-se, assim, de uma medida de controlo sanitário e aduaneiro  rigoroso, para um dos maiores complexos portuários da Europa à época.

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Aspecto do Presidio da Trafaria

Ao longo do edifício e das celas que constituem o núcleo do Forte-Presídio, tivemos oportunidade de contactar com um percurso expositivo que, através de referências históricas, documentais e iconográficas, nos elucidou sobre a origem do património histórico-militar edificado, das dinâmicas económicas, locais e religiosas que fizeram, e fazem, desta localidade da margem sul do Tejo, um local singular para muitos portugueses.

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Complexo Edificado do Forte da Trafaria

No final do regime monárquico, no reinado de D.Manuel II (1908-1910), foram construídas as instalações da Casa da Reclusão da Trafaria. Com a implantação do regime republicano , serviu de prisão militar para os Monárquicos envolvidos na revolta do Monsanto. Entre o golpe de Estado de 28 de Maio de 1926 e a Revolução de 25 de Abril de 1974 ficou associado à prisão de muitos civis e políticos que combateram a ditadura militar e o Estado Novo, na tentativa de derrube do regime. diversas. Para muitos, o Presídio-militar da Trafaria foi a sua morada final.

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Aspecto parcial das Celas do Forte da Trafaria

📌 5ªBateria da Raposeira (séc.XX)

A 5ª Bateria de Costa da Raposeira é um local peculiar situado na freguesia da Trafaria, no concelho de Almada. Foi construída entre 1893 e 1911. Integravam o sistema de fortificações do Campo Entrincheirado de Lisboa, mas foram mais tarde integradas na Frente Marítima de Defesa de Lisboa. Actualmente, em ruínas, este complexo bélico estava integrado num conjunto de oito Baterias de Artilharia de Costa do Exército que formavam o extinto Regimento de Artilharia de Costa (Grupo Sul).

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Casamata de Direção de Tiro (?)

Subindo o monte da Raposeira, o cenário do complexo bélico é desolador. Das antigas instalações militares – que foram desocupadas na década de 80 do Século XX – , restam as ruínas dos edifícios construídos no final do século XIX, os subterrâneos e as três peças de artilharia Krupp CTR de 15 cm. Ainda hoje, nos canos, podemos comprovar que foram fundidas, entre 1904 e 1907, no berço desta empresa industrial alemã: Essen. Ao longo do espaço arquitectónico,encontramos espalhadas centenas de munições de paintball. Por experiência própria, aquando da minha visita às Baterias das Alpenas, tive oportunidade de receber o meu “baptismo de fogo” dos adeptos deste combate simulado. Os graffitis cobrem as paredes deste recinto. Não ficamos intimidados, visto que estes são uma companhia para os mais curiosos, como eu.

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Peça (s) de Artilharia Krupp CTR 15 cm

Há muitas ruínas que têm muitas estórias da História para contar. Aliás, verdadeira pedras com história. No campo das Telecomunicações, foi nesta antiga estrutura militar que se deram as primeiras experiências com a Telegrafia Sem Fios (TSF) em Portugal foram realizadas em 17 Abril de 1901, entre o forte da Raposeira na Trafaria e o Regimento de Engenharia no forte do Alto do Duque, localizado em Algés. Entre ambas, havia uma distância de 4.300 metros. Por resolução do Ministério da Guerra, sob o comando do coronel Avelar Machado, dirigiram estes testes, desde o forte da Trafaria, o Capitão João Severo da Cunha e o Tenente Pedro Álvares. Foi experimentado durante o ensaio radiotelegráfico, o equipamento da empresa francesa Ducretet oferecido  ao Ministro da Guerra de então, o General Luís Augusto Pimentel Pinto.

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5ªBataria da Artilharia de Costa da Raposeira 

O Regimento de Artilharia de Costa tinha como intuito a protecção da capital portuguesa e da entrada do rio Tejo face a uma eventual invasão marítima. Mas, foi uma “evasão” que levou estas peças de artilharia a serem usadas contra dois navios da Marinha de Guerra Portuguesa: o contratorpedeiro ‘Dão’ e o ‘Aviso’ de 1ª classe Afonso de Albuquerque. Estávamos em 1936, em plena Guerra Civil de Espanha (1936-1939), uma facção de marinheiros portugueses revoltou-se contra a ditadura salazarista, face ao apoio deste ao General Franco, e face à situação politica no nosso país. O golpe militar não vingou, mas os marinheiros revoltosos quiseram levar os navios para Espanha, onde combateriam na Guerra Civil pelo lado republicano. Mas a Artilharia de Costa impediu, assim, os navios de sair do estuário Tejo. Foi o último grito de revolta do reviralho.
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Peça de Artilharia Krupp CTR 15 cm (Essen, 1904,N.º18)

Os Canhões da Memória. As diversas ruínas do antigo RAC são, hoje, lugares esquecidos pelo Homem. Entregues ao tempo. Ao percorrer estas ruínas, sinto-me uma espécie de intermediário entre os artilheiros que fizeram uma parte da sua vida neste complexo militar. Nem todos se conformam com o triste destino das baterias  da Artilharia de Costa. É o exemplo da recente Associação dos Amigos da Artilharia de Costa criada com o objectivo de zelar pelo legado memorial e pela conservação deste património histórico-militar. E não estão sozinhos nesta “epopeia”. Arquitectos, historiadores e os habitantes da Trafaria esperam agora que as ruínas dêem um novo impulso cultural e económico que traga novos horizontes…de memória.
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Panorama parcial da Trafaria, vista do Monte da Raposeira

Os canhões da bateria da Artilharia Costa nº 5 silenciaram-se há mais de duas décadas, tendo como consequência a monotonia desta freguesia da margem sul do Tejo. Todavia, o centro histórico da Trafaria merece uma visita mais demorada para conhecer as estórias desta vila piscatória e industrial, cuja existência remonta há pelo menos cinco séculos. Ao percorrermos as suas ruas e vielas, podemos tomar contacto com a arquitectura balnear dos séculos XIX e XX que pode ser apreciada calmamente, apesar do desgaste do tempo a que foi sujeito. Sabia que a Trafaria foi a primeira colónia balnear inaugurada pela Rainha D. Amélia?

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Como chegar:

A partir de Lisboa, o trajecto mais acessível para esta localidade da margem sul, é através da via fluvial. Para tal, basta apanhar o cacilheiro ou o ferry-boat que faz as ligações fluviais entre Belém e a Trafaria. Eu fui no Eborense. A viagem custou 1.20 €. Para consultar os horários e os preços, poderá saber mais na Transtejo. Esta é a empresa que assegura a Ligação Trafaria – Porto Brandão – Belém.

Para mais informações:

Bateria do Outão e Forte Velho do Outão – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=25039 >

Forte-Presídio Naval da Trafaria – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2016]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=32962 >

COSTA, António José Pereira da – A cidadela de Cascais e a Defesa da Costa Marítima do Guincho ao Estoril. In: “Boletim do AHM”, Lisboa, vol. 63 (1998 – 1999), pgs. 37 – 98.

EMERECIANO, Jaime – A Artilharia na Defesa de Costa em Portugal. Lisboa: Academia Militar, Dissertação Mestrado em Ciências Militares, especialidade de Artilharia, 2011. Disponível na internet URL: http://comum.rcaap.pt/handle/123456789/7247

MACHADO, M. (22 de Dezembro de 2008). Os Últimos Disparos do “Muro do Atlântico” Português. Obtido em Fevereiro de 2011, de http://www.operacional.pt: http://www.operacional.pt/os-ultimos-disparos-do-%E2%80%9Cmuro-doatlantico%E2%80%9D-portugues/

MASCARENHAS, Catarina de Oliveira Tavares – Da defesa à contemplação da paisagem : intervir no lugar do Forte e da 7ª Bateria do Outão no contexto da Arrábida. – Lisboa : FA, 2014. Tese de Mestrado.

FONTE: http://sitiomarconi.fundacao.telecom.pt/…/p4_40_miolo_Marco…
Oliveira, João de – “A TSF: como nasceu em Portugal” in Revista Militar, Ano 98,.º11,1946,pp.561-562.

Ler mais em:  http://ruinarte.blogspot.pt/2013/02/a-bataria-da-raposeira-trafaria.html

Ler mais em: http://www.fpc.pt/Portals/0/Flipbook/HTML/files/assets/seo/page67.html

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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📌À descoberta de Granada (Andaluzia, Espanha): Alhambra, El Generalife e Bairro de Albaicín…

📷 Um passeio fotográfico pelo “Carmen” da Andaluzia…

Granada é uma cidade peculiar do Reino de Espanha. É um dos destinos mais visitados pelos turistas e viajantes no Reino de Espanha, apesar do destino preferido ser Barcelona ou Madrid. Com quase a superfície terrestre e população de Portugal, a Andaluzia é uma das maiores regiões e mais turísticas do Reino de Espanha. Para mim, uma das mais bonitas e singulares deste País Ibérico. Recentemente, tive oportunidade de acompanhar uma visita de estudo do Departamento de História de Arte da Universidade Nova de Lisboa a Granada e Córdoba. Foi aqui que ganhei contacto com a Rota Cultural dos Omíadas: a Umayyad Route.  Durante esta epopeia, tive oportunidade de contactar com o esplendor esplendor material e imaterial do antigo legado islâmico na Península Ibérica: o Al-Andalus (711-1492).

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Aspecto parcial de Janelas do Alhambra de Granada, vista para o Bairro de Albaicín

E foi aqui. Como diria o professor José Hermano Saraiva num tom romanceado, que começou a epopeia mundial castelhana. Há 525 anos, a 2 de Janeiro de 1492, o último bastião mourisco na Península Ibérica rendia-se, após longas negociações com o último sultão Nazarí de Granada, Boabdil, aos futuros Reis Católicos. Terminava, assim, a Reconquista Cristã, iniciada nas Astúrias por Pelágio. Abria-se uma nova porta para o Mundo: a descoberta das Américas, por Cristóvão Colombo. Aliás, o navegador ao serviço da coroa castelhana, após várias tentativas recusadas pelo Rei de Portugal D.João II (1481-1495), estava no acampamento militar de Santa Fé aguardando o desfecho das negociações para a rendição de Granada. Em Agosto de 1492, partia de Palos de la Fronteira (Huelva) rumo à futura descoberta da América. Todavia, apesar da intolerância religiosa de Isabel de Castela e Fernando de Aragão, documentada no Decreto de Alhambra, o legado material e imaterial do Reino Nazarí de Granada (1232-1492) ainda sobrevive nas pedras do Alhambra de Granada, nas encostas do casario branco de Albaicín e nas montanhosas serranias das Alpujarras.

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Aspecto parcial do El Generalife e da Sierra Nevada

À medida que caminhamos pelas ruas de Granada, apenas com um mapa do Centro Histórico e com o sentido de orientação apurado desde o tempo dos escuteiros, a cidade conquista‑nos aos poucos, fazendo que não desistirmos dela. Depois de atravessarmos a longa Gran Via de Colón, deparamo-nos com a Porta de Elvira. A partir daqui, começo a subir passo-a-passo o casario do Bairro de Albaicín até a um dos miradouros mais concorridos pelos viajantes e curiosos numa visita a Granada: o Mirador de San Nicolás.

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Aspecto de uma Ruela do Bairro de Albaicín

Aquele momento no horizonte surgiram os contornos da Alhambra, o meu coração começou a acelerar de tanta emoção, face à magnificência deste singular fortificação islâmica. Procuro um espaço livre para me sentar no muro que fica defronte da Alhambra, que me permita contemplar de uma forma serena este magnifico exemplar da arquitectura islâmica em Espanha e, a meu ver, a nível Mundial. Ninguém, seja um viajante, turista ou até mesmo um poeta, fica imune ao fascínio desta antiga fortificação islâmica. Agora, percebo a tristeza de Boabdil, durante o acto oficial entrega desta cidade e respectiva expulsão para um domínio nas Alpujarras. Durante a Guerra de Independência Espanhola (1808-1814), os soldados de Napoleão Bonaparte usavam as torres fortificadas do Alhambra para efectuar treinos de artilharia. Muitas foram destruídas.

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Jardins da Alhambra de Granada

Para mim, este é um dos pontos de visita obrigatório a esta cidade andaluza. Este antigo complexo fortificado de palácios do Reino de Granada, fundado pela Dinastia Nazarí (1232-1492), mexe com qualquer pessoa. Há algo de mágico nestas pedras. Ninguém fica indiferente, seja de noite ou dia, por mais livros, relatos, fotografias e vídeos que tenhamos visto. Mas, os viajantes não vêm ver a maioria da cidade de Granada. Em 1492, durante a rendição do último reduto mouro na Península Ibérica, os Reis Católicos não ousaram destruir este imenso complexo. Estou certo, que apesar da sua intolerância religiosa, ficaram maravilhados com a sua nova conquista. Dai, estarem sepultados na Catedral de Granada, situada no centro histórico da mesma cidade. Infelizmente, não consegui visitar os belos e singulares túmulos destes monarcas fundadores da unidade espanhola.

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Caligrafia Árabe, em estuque, da Alhambra de Granada.

Os viajantes vêm ver o complexo edificado do Alhambra, com os seus palácios, a história e a arte islâmica existente nesta cidade. De facto, o Alhambra de Boabdil detém o nosso olhar, seja à noite ou durante o dia. O escritor-viajante Washington Irving (1783-1859) escreveu o seu livro – Cuentos de Alhambra – sobre o lado romântico da Alhambra de Granada e do legado mourisco na Andaluzia. Neste livro, podemos encontrar diversas passagens e descrições da vida quotidiana e rural da Andaluzia da primeira metade do Século XIX. O El Generalife é um verdadeiro paraíso. Foi construído pelos sultões nazarís para refúgio do quotidiano cortesão da Alhambra de Granada. Tal como eles, fujo das “massas” de turistas que inundam o complexo fortificado do Alhambra. Afinal, trata-se do monumento mais visitado do Reino de Espanha. Quem diria? Foi uma bela surpresa contactar com a simplicidade desta “Horta Real” com as suas fontes, hortas e belos jardins que nos transportam para outras latitudes. O Éden podia ser aqui.

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Acequia Real do El Generalife

Se há locais que parecem ter saído de um sonho, não há dúvidas de que o Bairro de Albaicín é um deles. Acerca de 800 metros de altitude, o casario branco deste antigo bairro árabe transmite-nos uma sensação de paz ao percorrermos as suas vielas. Por momentos, sinto que fui transportado para a realidade bem lisboeta: a genuína Alfama. Sente-se a nostalgia e o legado da população árabe que habitou nestas ruelas e vielas. E, claro, da sua arquitectura urbana – Carmen – que se estende desde o miradouro de San Nicolás até ao rio Darro. Aliás, ainda hoje, existem lojas de “recuerdos” e restaurantes de origem magrebina, junto ao Paseo de los Tristes.

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Vista Geral do casario branco do bairro de Albaicín

Há uma Andaluzia que todos conhecem e uma outra que só se dá a desvendar por quem entra por esta região adentro, disposto a deixar-se interpelar pela sua singular beleza de cada monumento, bairro, igreja ou museu. Esta cidade andaluza encanta e admira qualquer viajante que chega pela primeira vez e a contempla. Acima de tudo, a essência desta cidade andaluza é o complexo fortificado do Alhambra, o bairro Albaicín e o El Generalife. Os três são património mundial classificado pela UNESCO. Confesso que a Andaluzia, e em especial Granada, transmite boas vibrações a qualquer forasteiro ou viajante andarilho. Há cidades que nos tocam a alma. E Granada é uma delas. Um verdadeiro Carmen na terra.

✈ Como chegar:

Granada

Fonte: Visit Spain

O website do Turismo de Espanha – Visit Spain – oferece informação atualizada sobre os meios de transportes mais acessíveis para visitar Granada. No meu caso, como fomos numa visita de estudo, optou-se pela viagem de Autocarro de Turismo desde Lisboa. Desde Lisboa a Granada – ida e volta – são quase 1500 Km. Há duas opções: ir pela fronteira algarvia – Ponte Internacional do Guadiana – ou pela Alentejana – Fronteira de Elvas/Caia. A meu ver, a última é a opção mais económica e com maior fotogenia durante o trajecto rodoviário. Todavia, poderá fazer os dois trajectos rodoviários: Lisboa-Algarve-Sevilha-Granada e Granada-Córdova-Zafra-Badajoz-Lisboa.

🏠 Onde ficar:

Estive dois dias alojado no Hotel Carmen de Granada. Adorei os quartos e a localização do Hotel. E a vista desde o rooftop do Hotel Carmen. Está próximo do Centro Histórico da Cidade de Granada. As instalações são espectaculares. Boa Relação Custo/Preço. Quer conhecer mais sobre este hotel? Poderá visitar em www.hotelcarmen.com e descobrir as ofertas desta unidade hoteleira de 4 estrelas em pleno centro de Granada.

📩 reservas@hotelcarmen.com

🍜 Onde comer:

Na La Teteria del Bueno, em pleno Bairro Histórico de Albayzín, podemos saborear com calma um chá de menta, tipico de outras latitudes. Por exemplo, Marrocos. E no frio da noite de Granada, este tem outro sabor. Aqui, podemos saborear a essência do Al-Andalus.
Como diz o lema da casa: “Casa andalusí: algo de comer,algo de beber,y mucha paz…”

Calle Banuelo 5, 18010 Granada, Espanha   +34 958 22 41 97

🌏Para mais informações:

Aqui poderá encontrar, por exemplo, extensa documentação e dicas sobre o património material e imaterial desta cidade andaluza. Consulte mais dicas & informações sobre o que ver, fazer e comer nos seguintes links:

Turismo da Andaluzia (Oficial)

Ayuntamento de Granada (Turismo)

Granada Heritage (Unesco)

Visitar o Complexo do Alhambra (Oficial)

Umayyad Route (Espanha)

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🎉O Ano Novo na Ilha da Madeira 🍾

🎉O Ano Novo na Ilha da Madeira | The Happy New Year at Madeira Island 🍾

📷 Olá 2017…

A Ilha da Madeira, em especial a cidade do Funchal, é um dos locais mais emblemáticos de Portugal e do Mundo para a festa da passagem de Ano. Na página oficial do Turismo do Arquipélago da Madeira – Visit Madeira – poderá encontrar uma panóplia de sugestões e dicas sobre o programa de festividades que ocorrem no Funchal.

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Depois do Natal, as festividades prolongam-se até meados de Janeiro no Arquipélago da Madeira. Mas, o culminar – o zénite – destas festividades é o fogo de artificio sobre a baía do Funchal, que se realiza a 31 de Dezembro. Em 2006, foi reconhecido no livro de record do Guinness, como o maior espectáculo pirotécnico a nível Mundial.

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Antes do inicio de um dos maiores espectáculos de fogo-de-artifício do Mundo na World’s Leading Island Destination 2016, tive oportunidade de percorrer, tal como milhares de turistas e madeirenses, as iluminações e as diversas exposições etnográficas patentes no centro histórico do Funchal. A meu ver, dão outro encanto e vida à capital madeirense.

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As principais ruas e avenidas mais emblemáticas da capital madeirense enchiam-se de locais e turistas. Apanhei um verdadeiro banho de multidão de massas turísticas. E também com as tradicionais “bombinhas” que os jovens e graúdos gostam de lançar nesta época festiva. Já não estava habituado a estas andanças. Confesso. Afinal, foram quase dez anos sem ver este magnifico fogo de artificio que dá outra cor à noite madeirense e, claro, ao peculiar anfiteatro funchalense.

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A Baía do Funchal tinha ao todo, nove navios de cruzeiros, com cerca de 20 mil pessoas que puderam assistir ao espectáculo pirotécnico desde o mar. Como entusiasta de navios de cruzeiros, pude comprovar que estavam fundeados o Marco Polo, Saga Pearl II, Aidablu, MSC Magnifica ou Queen Victoria. De facto, a Madeira – e Lisboa -são um dos melhores locais para apreciar as vistas urbanas e o fogo de Ano Novo a bordo de um navio de cruzeiro.

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O  “Maior Espetáculo Pirotécnico do Mundo” é na passagem de ano na Madeira. Eram 00h deste domingo em Portugal continental e Ilha da Madeira quando milhões de portugueses e turistas entraram em 2017. No Funchal, a festa da entrada no novo ano, seguiu-se um magnifico fogo-de-artificio – este ano com a temática “Paraíso Atlântico” – com a duração de oito minutos que iluminou as serras, o casario e a baía da cidade do Funchal. Dos cerca de quarenta postos de fogos, foram disparadas 132 mil peças (70% produzidas em Portugal e 30 % na China), permitindo, assim, superar o recorde de 2006, o livro “Guinness World Records,  quando foram disparadas 67 mil peças de pirotecnia.

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Às más condições do mar e do vento  no Porto do Funchal,  impediram a deslocação de alguns passageiros a terra, bem como a saída dos barcos de animação turística, como a Nau Santa Maria de Colombo. Apesar destas adversidades, segundo fontes governamentais, a taxa de ocupação hoteleira é superior a 92%, a maior dos últimos seis anos. Parece-me que o objectivo foi superado, perante a reacção efusiva dos milhares de espectadores.

Haveria melhor forma de encerrar o melhor ano de sempre do Blogue OLIRAF? Melhor fogo do Mundo. Melhor Jogador do Mundo. Melhor Destino Turístico Insular do Mundo. Madeira, what else?

Votos de um Happy New Year 🍾!!! Trabalho, Saúde, Amizade e muitas Viagens…

Para mais informações:

Visit Madeira

Visit Portugal

Câmara Municipal do Funchal

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