Fotografia, História, Portugal (Terras), Roteiros Fotográficos, Viagens

🌎 Best of Blogger Trips 2016 by Oliraf Fotografia 📷

✈︎ E 2016 chegou ao fim. Foi um ano correr,mas todos os dias partilhamos boas experiências…

Foi um ano muito frutuoso a nível de experiências de viagem e interessante a nível pessoal, profissional e académico. Em virtude, da boleia da minha nomeação nos BTL Blogger Awards 2016, nomeado para a categoria de melhor blogue de fotografia de viagens, tive oportunidade de experienciar o que é a vida de um verdadeiro traveller, storyteller e fotógrafo de viagens. Confesso que esta nomeação foi um incentivo e uma promoção da minha paixão pela fotografia e pelo gosto da História, em consonância com o prazer de viajar. Há milhões de blogues por esse Mundo fora. Mais do que ser conhecido, é ver reconhecido o nosso trabalho. Eu diria paixão. Era o único blogue amador entre diversos profissionais (Alma de Viajante, Viajar entre Viagens, Nelson Carvalheiro, Uma foto, Uma História, entre outros). Considero-me um sortudo. Poucos sabem ser irreverentes e contar as experiências de viagem. Mas, a sorte é apenas a ponta do icebergue. O Trabalho não é visível. Ao longo deste ano, definimos como prioridade dar prioridade à terra de “Nuestros Hermanos” e também pelo nosso Portugal. Alguns locais foram verdadeiras descobertas pessoais, outras foram confirmações das nossas expectativas…de viagem.

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Deixo-vos o meu Best of das minhas Blogger Trips de 2016. Espero que gostem. O que levamos deste Mundo? Experiências vividas. De facto, viajar é descobrir-nos. E,claro, soltar o nosso outro eu. No meu caso, o sentido pela aventura e da descoberta do património edificado local, nacional e internacional. Nada como viajar devagar e com tempo. Experimentem. E,claro, sigam as minhas sugestões fotográficas.

📌 Granada (Andaluzia, Espanha)

O Alhambra detém o nosso olhar, seja à noite ou durante o dia. Granada encanta e admira qualquer viajante que chega e pela primeira vez a contempla. Granada é o Alhambra, o bairro Albaicín e o El Generalife. Esta cidade andaluza transmite boas vibrações a qualquer forasteiro ou viajante andarilho. Há cidades que nos tocam a alma. Granada é uma delas. E aquele momento em que recebes a notificação que o Turismo de Espanha partilhou, e mencionou, a tua foto na sua página oficial do Instagrampágina oficial do Instagram. Em breve, irei falar-vos desta visita de estudo no meu blogue. Estejam atentos.

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Alhambra de Granada

📌Rota Omíada  (Algarve, Portugal)

Durante a Blogger Trip pelo AlgarveBlogger Trip pelo Algarve, a convite da Região do Turismo do Algarve tive a oportunidade de contactar com uma nova rota cultural na região do Algarve. Foram experiências amenas, algumas ainda por revelar. Fomos em busca da Rota Omíada do Algarve – inserida no projecto Umayyad Route – e descobrimos o legado material e imaterial desta Dinastia Árabe em Portugal, mas também as vistas sobre o oceano, a natureza, a gastronomia, os museus e experiências de aventura para viver na extremidade sul de Portugal e da Europa. Quem disse que o Algarve é quente só no Verão?

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Ruínas do Castelo Omíada de Alcoutim

📌Salamanca (Castela&Leão, Espanha)

El viajero en el país de Cervantes. Após atravessar a região do “Campo Charro”, entre Ciudad Rodrigo e Salamanca, chegamos à Monumental cidade de Salamanca. A arquitectura exterior e interior da Catedral Velha e Nova cativa o olhar de qualquer viajante. Aqui, podemos sentir a influência e a importância do poder religioso e temporal nas dinâmicas urbanas ao longo dos séculos. Para Miguel de Unamuno, a cidade de Salamanca “…Es una fiesta para los ojos y para el espíritu. Ver la ciudad como poso del cielo en la tierra de las aguas del Tormes.” Acima de tudo, a cidade de Salamanca é um museu ao ar livre em que se destacam a Catedral Nova e Velha, o Palácio de Monterrey, Convento e Igreja de las Agustinas ou a Casa das Conchas, já a chegar à Plaza Mayor. Do topo da torre da catedral nova, podemos contemplar a arquitectura monumental desta cidade de Castilla y León. Ao fundo, podemos ver a transição do Campo Charro para as Tierras de Campo.

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El bloggeiro OLIRAF na Plaza Mayor de Salamanca

📌 Ilha da Madeira(Arquipélago da Madeira, Portugal)

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Paisagem Natural da Ilha da Madeira

Do vale à montanha e do mar à serra. Visitar a Ilha da Madeira é, para mim, sempre uma boa surpresa. Utilizada como “cobaia” pelo Infante D.Henrique para a génese da expansão e colonização – Sistema de Capitanias Donatárias – do futuro Império Ultramarino Português (1415-1999). Em 1508 com a elevação do Funchal à categoria de Cidade, esta Diocese tornou-se, por alguns anos, a maior diocese católica do mundo, em extensão, onde estiveram sujeitas todas as terras descobertas por Portugal ao longo do Império Ultramarino. Para além disso, a Ilha da Madeira é conhecida pela sua natureza exuberante, pelo clima tropical, gentes e pela sua gastronomia. Sabia que ilustres viajantes e estadistas, como Colombo, a Princesa Sissi, Napoleão Bonaparte ou Churchill passaram por aqui?

📌Castelo de Belver (Alto Alentejo, Portugal)

Belver. Uma motivação antiga. Há muito tempo que “cogitava” para visitar esta aldeia, com quase mil habitantes (censos 2001),  e o seu “guerreiro de pedra” que domina a paisagem em redor. Para mim, esta “Sentinela do Tejo” é um dos mais belos castelos medievais de Portugal. Infelizmente, não é tão conhecido como o “turístico” Castelo de Almourol. Não tanto pela sua arquitectura militar, de planta circular, com capela no interior, mas pela sua envolvente paisagística. Pela localização estratégica,num altaneiro morro sobranceiro ao Tejo, este Castelo foi o primeiro a ser construído no séc. XII pela Ordem do Hospital, reinava D. Sancho I. O seu objectivo era prevenir novas incursões muçulmanas a norte do Tejo, quando este rio era a fronteira entre duas civilizações: a cristã e a muçulmana.

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Aspecto do Castelo de Belver (Gavião, Portugal)

📌Cidade de Amarante (Região Norte, Portugal)

À “boleia” da minha nomeação para os BTL Blogger Travel Awards 2016, tive a oportunidade de visitar o Centro Histórico da Cidade de Amarante, durante o meu roteiro pela Rota do Românico, a convite da Quinta da Aveleda, S.A. Esta foi a minha primeira experiência na planificação de um roteiro por Portugal de vários dias,onde tive oportunidade de visitar diversas experiências fundadas pela História, citando o “slogan” turístico da Rota do Românico. Entre o Porto e Vila Real, esta cidade nortenha causa uma forte impressão a qualquer aprendiz de viajante e fotógrafo andarilho. Por momentos, dá-nos a sensação que estamos numa cidade de montanha do Centro ou Norte da Europa. Amarante é uma pequena grande surpresa. Surpreendeu-me.

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Aspecto da Ponte Barroca de São Gonçalo de Amarante

📌Vila de Marvão (Alto Alentejo, Portugal)

O Alentejo é uma antiquíssima região portuguesa valorizada pelo seu património natural e edificado. Para os amantes do turismo cultural, de natureza e do turismo militar, esta região portuguesa é uma boa opção de visita que combina actividades de lazer,natureza e culturais com o descanso. Durante o meu roteiro fotográfico pela região do Alto Alentejo, no sul de Portugal,  tive a oportunidade de visitar a vila de Marvão, em pleno Parque Natural da Serra de São Mamede. Desde tempos milenares, os rochedos de Marvão eram um local de refúgio para as povoações face aos exércitos invasores. Na época romana, ao que parece, este local já detinha uma certa importância bélica…

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Aspecto da vila de Marvão, vista da torre de menagem do castelo

📌Aldeia da Mata Pequena (Região Oeste, Portugal)

A região Oeste é uma terra de contrastes. A Mata PequenaMata Pequena é um bom exemplo de uma «ressurreição», como afirmou José Hermano Saraiva, de uma aldeia saloia esquecida pelo homem e pela passagem do tempo. Em tempos idos, o nosso Portugal era um grande tecido de aldeias. Autenticidade e tradição são as palavras para descrever esta aldeia recuperada pelo neto do oleiro José Franco, Diogo Batalha. Para quem gosta de história e etnografia, é uma viagem no tempo. O tempo dos nossos antepassados. Até nos mais pequenos pormenores ficamos surpreendidos…

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Aspecto da “Rua Direita” da Aldeia da Mata Pequena

📌Cidade de Valladolid (Castela&Leão, Espanha)

Valladolid era uma perfeita desconhecida para mim. E acredito que também para muitos portugueses. Sabia que teve muita importância histórica entre os Reis Católicos e os Felipe (s) de Espanha. Felipe II de Espanha nasceu aqui. É uma cidade com imensa curiosidade histórica, seja na sua arquitectura urbana e religiosa. Quem diria que nesta cidade castelhana também existia um jardim – Campo Grande de Valladolid – para recreação dos seus habitantes, tal como em Lisboa. Ao final da tarde, podemos ver vários jovens a conviver, os mais idosos meter a conversa em dia, os mais traquinas nas suas fantasias e os mais graúdos a comer umas tapas. De facto, os Espanhóis sabem usufruir do espaço público. Cá para mim, só vão dormir a casa. Sabia que Cristóvão Colombo morreu, em 1506, nesta cidade?

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Igreja de Santa Maria de la Antígua

📌 Forte da Trafaria (Almada, Portugal)

De Belém para a Trafaria: uma viagem solitária à descoberta da outra margem…do rio Tejo. É uma das minhas viagens preferidas em Portugal. O antigo Presídio-Lazareto do forte da Trafaria é uma viagem pelo tempo. A outros tempos obscuros da nossa História. E apetece dizer: Nunca mais!!! Em tempos idos, milhares foram os viajantes, degredados e presos politicos que aguardavam a sua próxima viagem: a ida para o ultramar português. Para muitos, a Ponta da Areia – Trafaria – era a sua última morada em Portugal e, para a maioria, da sua vida. Hoje é apenas Silêncio. Um local ruinoso fantástico. Recomendo uma visita a este antigo lazareto. Era aqui, na Trafaria, que os viajantes das “conquistas” lusitanas aguardavam em quarentena a sua entrada em Lisboa. Até dia 11 de Dezembro.Parabéns à CM ALMADA, no âmbito da bienal de arquitectura pela exposição que esteve patente sobre a História da Trafaria. Que venha a recuperação do mesmo.

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Aspecto interior do antigo presídio do Forte da Trafaria

🌎E foi assim o meu ano de blogger amador. Mais do que uma viagem pelas estórias da nossa história, foi uma “panóplia” de experiências pessoais e colectivas que podem ser partilhadas digitalmente,mas que devem ser vividas na primeira pessoa. É isso que convido o leitor do blogue OLIRAF a fazer: viver estas experiências. Não haverá melhor sensação do que sair da nossa “zona de conforto”?

Estou agradecido a todas entidades públicas e privadas pelo acompanhamento constante para que tudo estivesse ao meu dispor durante as diversas Blogger Trips em Portugal e em Espanha. E aos investigadores, professores e técnicos que me acompanharam e elucidaram-me com o seu saber a riqueza patrimonial das respectivas regiões. Muito obrigada à Império das Malas pela trolley Pepe Jeans que utilizo nas minhas incursões fotográficas. E acima de tudo, ao leitor,  pelo apreço, feedback, e que partilham as minhas experiências fundadas nas estórias de lugares com História. Bem Hajam!

Experiências. Muitas estórias da nossa História. Mais do que partilhar, vivam. Acima de tudo, tenham Mundo. E sejam felizes. Dizem que viajar é bom para o Mau Humor (e ainda bem!).

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

linhagraficaALL-oliraf-03💻  Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia📷

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Fotografia✈︎Viagens © OLIRAF (2016)

📩 Contact: oliraf89@gmail.com 

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Aldeias Históricas de Portugal, Fotografia, História, Paisagem & Natureza, Portugal (Terras), Região Oeste, Roteiros Fotográficos, Viagens

🏠 Mata Pequena: a singularidade de uma aldeia saloia…

📌 Mata Pequena: uma aldeia saloia, com certeza!

A região Oeste é uma terra de contrastes. A Mata Pequena é um bom exemplo de uma «ressurreição», como afirmou José Hermano Saraiva, de uma aldeia saloia esquecida pelo homem e pela passagem do tempo. Em tempos idos, o nosso Portugal era um grande tecido de aldeias. Autenticidade e tradição são as palavras para descrever esta aldeia recuperada pelo neto do oleiro José Franco, Diogo Batalha. Para quem gosta de história e etnografia, é uma viagem no tempo. O tempo dos nossos antepassados. Até nos mais pequenos pormenores ficamos surpreendidos…

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A Aldeia da Mata Pequena é um pequeno povoado rural, composto por treze  habitações, situado a escassos 40 km da cidade de Lisboa. Tão perto da capital e tão longe do stress e do rebuliço urbano. Trata-se de uma aldeia recuperada ao pormenor e com rigor etnográfico e histórico, sendo um dos raros exemplares da arquitectura tradicional da região saloia, em particular, do concelho de Mafra.

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…Tradição saloia revive na Aldeia da Mata Pequena. Diogo Batalha herdou de seu avô, o conhecido ceramista e oleiro José Franco, a paixão pelas terras saloias. Uma paixão que o levou a fazer renascer uma aldeia esquecida do concelho de Mafra, num belíssimo exemplo de preservação da arquitectura regional…“, afirmou no seu programa televisivo, o Tempo e a Alma, José Hermano Saraiva.

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Diogo Batalha herdou os genes do seu avô, o oleiro José Franco, pela preservação e gosto pela História. Fruto do labouro, desde 2005, da sua paixão e de muitos anos de  pesquisa do património material e imaterial das gentes e casas saloias de antigamente, a aldeia – da Mata Pequena – foi distinguida em 2010 com o I Prémio de arquitectura para edifícios recuperados, atribuído pela Câmara Municipal de Mafra. Casa a casa, o projecto foi avançado de uma forma sustentável, onde o objectivo era preservar a autenticidade, a magia e a essência de uma aldeia saloia. Ainda hoje podemos ver alguns habitantes a cultivar as suas terras, das suas casas e dos seus animais. Uma mais valia para os futuros habitantes da aldeia.

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A Aldeia da Mata Pequena é hoje um “museu etnográfico a céu aberto”. A verdadeira essência de uma típica aldeia  saloia. Aqui, através dos cheiros, dos objectos, cores e tradições, podemos viajar no tempo até meados do século XX. Este paraíso rural em comunhão com a natureza, com os animais e a tranquilidade do local são um convite a uma fuga da rotina citadina às portas de Lisboa.

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Entre os montes e vales que fazem desta da região saloia, um dos locais singulares do nosso pitoresco Portugal, a  Mata Pequena é a simplicidade da arquitectura tradicional e da vivência dos nossos antepassados. Durante a minha estadia tive oportunidade de verificar a rusticidade destas pequenas mas muito acolhedoras casas rurais, que foram rigorosamente recuperadas, tendo em conta os materiais de construção à época e traça original. Diogo Batalha reproduziu, com um rigor histórico, etnográfico e social, o espaço em que muitos dos nossos antepassados viveram e que era o seu quotidiano habitual. É um lugar de memória. E isso reflecte-se no exterior e interior das habitações, nomeadamente, nas peças de mobiliário e utensílios da vida rural.

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Petiscos da Tasquinha do Gil

Como chegar?
A partir de Mafra, seguir pela N116 até à Carapinheira e, a partir daí, optar pela N9, em direção a Sintra. Em Cheleiros, subir até à Igreja Nova e, depois, seguir as placas que dizem Mata Pequena.

Coordenadas GPS: N 38º 53′ 43.63” W 09º 19′ 11.63″

Onde ficar?
Hoje, a Aldeia da Mata Pequena é, quase toda ela, uma unidade de alojamento local – turismo rural – com treze casas de diferentes tipologias, do T1 ao T3, e diárias que variam, nesta altura, entre os 60, 90 € e 120€. O Preço varia consoante o tamanho das habitações. Importa referir que há pão de Mafra cozido em lenha incluído no pequeno-almoço. E esta, hein?!

O que comer?
Dentro da própria aldeia encontra-se a Tasquinha do Gil, um restaurante que recupera o espírito das antigas tasquinhas de aldeia, com uma ementa à base de petiscos criativos.

Como reservar?

Rua São Francisco de Assis, Igreja Nova. 21 927 0908. diogobatalha@aldeiadamatapequena.com

Não deixe de…

  • Passear ao longo da “pacata”Ericeira;
  • Visitar o Palácio Nacional de Mafra;
  • Fazer Snorkeling / Mergulho nas Berlengas;
  • Almoçar e provar o peixe e o marisco em Porto Novo;
  • Beber um bom vinho da região Oeste.
  • Visitar a Ponte Medieval de Cheleiros;
  • Visitar a Vila Medieval de Óbidos.

Veja mais em: https://www.aldeiadamatapequena.com/?lang=en

Nota importante

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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Fotografia•Viagens•Portugal © OLIRAF (2016)

Contact: oliraf89@gmail.com

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Aldeias Históricas de Portugal, Algarve, Blogger Trips, Castelos & Fortalezas, Cidades [City Breaks], Enoturismo, Fotografia, História, Paisagem & Natureza, Património Edificado & Monumental, Portugal (Terras), Reino de Espanha (Terras), Rota Omíada, Roteiros Fotográficos, Ruinas, Umayyad Route, Viagens

📌 À descoberta da Rota Omíada do Al-Gharb: roteiro fotográfico pelo legado material e imaterial dos Omíadas em Portugal 📷

📌 São experiências amenas, algumas ainda por revelar. Fomos em busca da Rota Omíada do Algarve – inserida no projecto Umayyad Route – e descobrimos o legado material e imaterial desta Dinastia Árabe em Portugal, mas também as vistas sobre o oceano, a natureza, a gastronomia, os museus e experiências de aventura para viver na extremidade sul de Portugal e da Europa. Quem disse que o Algarve é quente só no Verão?

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Blogger Trip pela Rota Omíada do Algarve @ OLIRAF (2016)

👤 Um pouco de História…

Os Omíadas foram uma Dinastia Islâmica a implementar o sistema hereditário do califado, após a morte do profeta Maomé. Eram oriundos da mesmo clã do profeta, a tribo dos Coraixitas, oriunda da cidade de Medina na Península Arábica. Daqui, transferiram a seu do seu poder para Damasco, na actual Síria. O califado Omíada de Damasco (661-750) expande a sua influência religiosa, cultural e militar para o Norte de África (Magrebe) e para a Península Ibérica (Al-Andalus), conquistada na primeira metade século VIII, sendo administrados pelo Emir de Cairuão (Tunisía), sob dependência directa do poder califal da Damasco. Em 750, os Abássidas assassinam a Dinastia Omíada, à excepção do Abderramão I que foge para a capital do Al-Andalus. Este, em 756,  funda o Emirato Omíada de Córdova (756-929), independente do poder califal abássida de Bagdad. O apogeu do poder omíada no Al-Andalus dá-se entre 929 e 1031, com a fundação do Califado Omíada de Córdova, em 929, por Abderramão III (891-961).

📌 Dia 1 – 05/12 (Segunda-feira) Faro – Ossónoba (أخشونبة)

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Alfapendular na Estação Ferroviária de Faro

Rumo ao Gharb Al-Andalus. Antes de partir, peço a Al’Mutamid  sabedoria para a escrita e a Al-Idrisi, orientação geográfica para esta “epopeia” algarvia. Depois da saída de Lisboa, às 8h30, no “TGV” da nossa realidade portuguesa, isto é, o Alfa Pendular chego à capital do antigo Reino dos Algarves: Faro. Ou como quiserem chamar al-Harun (فارو),  Shantamariyyat al-Gharb (شنتمريّة الغرب) ou Ossónoba. Eu prefiro a ultima. A viagem demorou menos de quatro horas para percorrer quase 300km, a uma velocidade média de 150 Km/h.

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Aspecto parcial do Quarto Standard do Hotel Faro

Sou recebido na recepção do Hotel Faro. Enquanto faço o chek-in, o Francisco – funcionário, aconselha-me os melhores sugestões para “perder-me”pela cidade de Faro. Oferece-me um mapa da cidade e indicou-me os locais mais sugestivos, a nível fotográfico, para eu percorrer. Depois de efectuado o Check-in, aconselhou-me a almoçar no restaurante Ria Formosa, localizado no rooftop do mesmo hotel. Aqui, podemos encontrar uma fantástica piscina e uma esplanada com um panorama para o casario branco e ria formosa. Já na oferta gastronómica, a meu ver, é uma tertúlia de sabores e emoções. Com o tempo, de facto, vamos aprendendo a saborear e a degustar os prazeres da vida. E a comida e o vinho é um prazer. Baco que o diga. A essência da gastronomia Algarvia e, claro, da dieta mediterrânica. O Pão de Alfarroba. Top. E a saladinha divinal. Agora, percebo o 2ºConde de Essex, Robert Devereux (1566-1601), ter saqueado a Sé de Faro em 1596. Vá, agora a sério, eu prefiro “saquear” e saborear a gastronomia algarvia. E a cereja no topo do bolo, na minha opinião, é a vista panorâmica sobre a …ria formosa.

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A Gastronomia Algarvia é uma tertúlia de sabores para desfrutar e apreciar

Ernesto Cabrita, o responsável pela LOOK-AL, um apaixonado pela sua cidade e,claro, pela sua região.Através do mesmo, podemos viajar pelas estórias da História e pelas Lendas da capital do Al-Gharb. A meu ver, trata-se  de um projecto alternativo que proporciona aos seus clientes vivências genuínas e inesquecíveis pelo centro histórico da cidade de Faro, neste caso, pela Vila-Adentro. Antes de iniciarmos o trajecto, sugeriu-me uma experiência diferente: um  Recital de Guitarra Portuguesa com o guitarrista João Cuña.
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Recital de Guitarra Portuguesa no Arco da Vila Adentro

Para mim, foi mais do que uma experiência, foi uma viagem às raízes materiais e sonoras do fado em Portugal.  Adorei, em especial, o fado da Vila-Adentro que nos transporta para outras épocas. De seguida, iniciamos um périplo pelas curiosidades históricas, lendas e locais milenares da cidade de Faro. Iniciamos o nosso percurso pelo Arco da Vila, Sé Velha, antiga medina, túneis do séc.XI, a capela dos Ossos e pela antiga judiaria da cidade. Todavia, o que mais cativou foi o miradouro da Sé de Faro tem uma das melhores vistas sobre a cidade e a ria formosa.
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Antiga Porta em Ferradura do Período Omíada da cidade de Faro

Após a experiência histórico-cultural proporcionada pela Look-Al, acabamos em grande com um “Workshop” individual na garrafeira About Wine. Aqui, sou recebido pelo jovem casal, o Luís e a Alexandra, que me elucidam sobre a essência do seu projecto surgido em 2010.  Mais do que beber um vinho, seja ele um branco ou tinto, há que saber conjugá-lo com os sabores certos. Esta visita elucidou-me como saborear um bom vinho, qual a postura correta na degustação e os petiscos que se adequam a cada tipo de vinho. Adorei, em especial, o vinho branco algarvio Malaca. Mais do que uma experiência em enoturismo, uma visita a esta garrafeira é embeber a cultura vinícola do Algarve e das diversas regiões de Portugal.
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Provas de Vinhos e Petiscos da Região do Algarve na About Wine

De seguida, sou recebido na Tertúlia Algarvia. Um dos sócios, enquanto não vem o manjar, fala-me do conceito gastronómico deste restaurante em plena Vila-Adentro. A sua especialidade é a cataplana algarvia. Mas, os filetes de cavala e a milenar Muxama de atum não ficam nada atrás.

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Vista Geral do Restaurante Tertúlia Algarvia

📌 Dia 2 – 06/12 (Terça-feira) Vila do Bispo – Cabo São Vicente

A minha primeira “Fam Trip”, como blogger convidado pela Região do Turismo do Algarve para promover um destino de uma rota cultural. O objectivo foi «Redescobrir os Segredos do Algarve em Vila do Bispo e a Rota Omíada» pelos operadores turísticos, entidades, jornalistas regionais. mais do que conhecer um dos principais destinos turísticos de Portugal, mas também conhecer alguns segredos não revelados desta localidade algarvia e embeber o legado árabe na região. Após uma viagem de autocarro entre Faro e Vila do Bispo, chegamos ao Centro de Interpretação de Vila do Bispo. Aqui, somos recebidos pelo Presidente da RTA, Desidério Silva, a Directora-Regional da Cultura do Algarve,Drª Alexandra Gonçalves e pelo autarca local, o Dr.Adelino Soares.

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Menir do Padrão: um exemplo da ocupação humana desde a Pré-História

De seguida, somos levados em itinerância pelo legado material e imaterial do concelho mais extremo do Continente Europeu pelo arqueólogo da autarquia local Ricardo Soares. Primeira paragem: o Menir do Padrão na Raposeira. Trata-se de um monumento megalítico melhor preservado e com mais estudos de entre os demais. Ricardo Soares elucida-nos que Vila do Bispo é a área de maior concentração de menires do ocidente europeu, ao todo 250,  provavelmente os mais antigos e dos primeiros. Tal facto, é demonstrativo da ocupação humana desde a Pré-História.

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Boca do Rio: o Algarve das Pontas em todo o seu esplendor.

 

Antes de irmos para a Boca do Rio, opto por trocar umas breves palavras com o arqueólogo Ricardo Soares. Tal como eu, é um amante da arte fotográfica e tem um blogue sobre arqueologia. Afinal, não sou o único que concilia a sua paixão pela fotografia com o gosto pela História. Já na Boca do Rio, podemos percorrer a ocupação humana deste território: uma villa romana dedicada à indústria conserveira (saiam verdadeiros petiscos para Roma daqui), uma fortificação da século XVII para proteger a pesca de atum, naufrágios do século XX perpetuadas por U-Boats Alemães e o impacto do Tsunami que se seguiu ao Sismo de 1755 na orla costeira do Algarve.  Apercebo-me da existência de um trilho para a compreensão da biodiversidade local. Dirigi-me para lá para captar alguns registos fotográficos. A Paisagem era brutal. Apetecia-me mergulhar, literalmente, nela…

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Retrato de grupo da “Fam Trip” por Vila do Bispo @ Créditos fotográficos RTA

Retrato de Grupo. Nas viagens o que levamos delas, a meu ver, são as experiências e as pessoas. Foi de salutar o espírito de convívio e a troca de experiências entre os profissionais, técnicos e jornalistas da área do Turismo da Região do Algarve. Dizem que os melhores negócios ou iniciativas fecham-se à mesa,certo? Então, nada como um almoço tipicamente algarvio para saborear novas parcerias. O Almoço foi no Forte de Santo António de Beliche, perto do promontório de Sagres, do qual temos uma excelente panorama sobre um anfieteatro natural entre o azul do céu e do mar. Algarve, what else?

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Papas de Xerém

O Almoço apresentava na ementa alguns dos produtos tradicionais da gastronomia algarvia, em especial, do concelho de Vila do Bispo. Sabores da Terra  e do Mar. As estrelas “Michelin” eram o Pão com Azeitona  e ovos verdes; as Papas de Xerém; a Estupeta de Atum; a Açorda de Borrego e grão com hortelã; Sobremesa com doces tipicos Algarvios; Vinho do Algarve (Pacha). O que dizer, depois desta tertúlia de sabores? O Algarve é “crime” a nível gastronómico. Um sabor familiar. A Estupeta de Atum relembrou-me as saladas que comi em Marrocos. Lá está, as evocações ao marcante legado imaterial islâmico.

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Forte de Santo António de Beliche, situado nas proximidades do Cabo São Vicente

Farol do Cabo de São Vicente. A minha segunda estreia num Farol da Marinha Portuguesa, depois da minha aventura na Ilha da Berlenga. Somos recebidos pelo faroleiro de serviço que nos faz uma visita guiada ao quotidiano habitual de um faroleiro e pela história deste farol construído em 1834 pela rainha D.Maria II e remodelado nos finais do Século XIX e princípios do Século XX. A torre do farol tem uma altura de 28 me e o seu alcance luminoso é de 32 milhas (c. 59 km). Desde a antiguidade que o Cabo de São Vicente tem sido local de romaria, existindo a mítica Ermida do Corvo, algures em Sagres, um templo dedicado ao culto de São Vicente. Segundo documentou o geógrafo árabe Al-Idrisi, a Kanisast Al-Gurab, a “Igreja dos Corvos” encontrava-se no fim da finisterra mediterrânica. Aliás,  actual Farol já foi um antigo espaço monástico (frades Jerónimos e Capuchos) que dava apoio a peregrinos.

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Torre do Farol do Cabo de São Vicente (1906)

A visita terminou  com um mágico pôr-do-sol no extremo mais sudoeste da Europa: o Cabo de São Vicente. É um “Sunset” poético em que muitos o descreveram na mitologia clássica greco-romana. Pude comprovar que, apesar de ser um dia de semana, estava uma autêntica romaria para um dia de sol ameno. Mas, muitos viviam a experiência através dos ecrãs dos seus aparelhos fotográficos e telefónicos. Sociedade dos Ecrãs. Vivemos o real no Digital. Infelizmente. Eu tento moderar um pouco esse conceito. Nem quero imaginar no pico do Verão, quando estiverem aqui milhares de turistas. Quem não gosta de acabar em grande o seu dia, a contemplar o fenómeno celeste?

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Aspecto do Sunset em pleno Cabo de São Vicente

📌 Dia 3 – 07/12 (Quarta-feira) Silves as-Shilb (شلب

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Vista parcial da antiga medina e alcácer de Xilb

Silves ou a Xilb de Al-Mu’tamid. Atrevo-me a chamar-lhe a “Alhambra Portuguesa”,mas em formato miniatura. Trata-se da jóia da arquitectura militar da época islâmica em Portugal. Já tinha cá estado em 2008 durante a minha viagem de ferry-boat entre a Ilha da Madeira (Funchal) e Portugal Continental (Portimão). Não tinha a ideia do blogue,mas tinha o gosto pela viagem, fotografar e pelo património histórico-militar. Quem diria que iria voltar aqui, desta vez, oitos anos como blogger trip. A vida dá muitas voltas e, em muitos casos, 180º.

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Museu Municipal de Arqueologia de Silves

O Museu Municipal de Arqueologia de Silves foi o resultado das escavações arqueológicas desenvolvidas ao longo do séc.XX. No centro do espaço, podemos visualizar um Poço-Cisterna da época Almóada (séculos XII-XIII), descoberto após escavações arqueológicas decorridas nos anos 80 do séc. XX . Esta hoje classificado como Monumento Nacional. É apartir dela – o ex-libris do discurso expositivo – que fazemos o percurso  desta visita guiada com a Dr.ª Dr.ª Maria José Gonçalves, actualmente arqueóloga do Município de Silves. Trata-se de uma académica especializada em cidades medievais islâmicas, nos campos da arqueologia e da história. E isso denota-se no seu discurso. Levei, literalmente, uma lição de História e de Arqueologia.

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Peça do Mês (Dezembro 2016) – Prato de Louça de Mesa  da Época Omíada (séculos VIII-IX)

Apresenta-me, passo-a-passo, o acervo do Museu, na sua maioria proveniente das escavações arqueológicas efectuadas na cidade e concelho. O acervo reúne um conjunto de objetos desde o Paleolítico até ao período Medieval. Constato que há imensos achados arqueológicos em quantidade, mas que valem pela sua qualidade e excepção de ornamentos e pictóricos. E como Silves era a principal cidade do Gharb Al-Andalus, este museu tem no seu acervo um grande destaque para o Período Islâmico – Omíada, Califal, Taifa, Almorávida e Almóada, desde o século VIII ao século XIII, ou seja, ao período cronológico da ocupação árabe ao que hoje corresponde ao território algarvio. O visitante que percorrer este espaço museológico irá compreender a importância da cidade de Silves no período islâmico. Silves é legado mais vivo e duradouro do património islâmico em Portugal. Dai, ter-me demorado mais por esta cidade emblemática.

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Interior do Castelo de Silves – ruínas de uma antiga residência apalaçada da época islâmica

Depois da visita ao espaço museológico, inserido na antiga medina de Silves, fomos visitar o antigo alcácer islâmico: o actual Castelo Silves. A sua pedra avermelhada – grés de Silves – dá outra cor e magnificência a este antigo complexo bélico. Digo actual, visto que, nas décadas de 30 e 40 do Século XX, a Direção de Monumentos Nacionais uniformizou a traça dos Castelos Medievais Portugueses, muitos deles em estado de ruína, à imagem do Castelo de Guimarães. Como Portugal fez-se da conquista de território aos Mouriscos, não interessava para o Estado Novo – regime ditatorial – manter esse legado, mas sim o papel fundador de Guimarães na construção  e formação da identidade Portuguesa. O que diria  Al-Mu’tamid se visse a sua amada Xilb nos dias hoje? Apesar de tudo, dedicaria-lhe um poema…do seu declínio.

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Soga e Tição: método de construção omíada nas Muralhas do Alcácer de Silves

Os Muçulmanos aproveitaram muitas técnicas de construção romanas para a construção das suas muralhas defensivas, por exemplo, sob a forma de silharia de tipologia romana redisposta num padrão regular, a soga e tição. Actualmente, este é um dos poucos exemplares existentes nas muralhas de Silves que, ao longo dos séculos, foi sofrendo inúmeras alterações efectuadas pelo Homem e pelo tempo.

📌 Dia 4 – 08/12 (Quinta-feira) Tavira (Tabîra) e Cacela Velha

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Vista geral do Centro Histórico de Tavira

Em árabe, Tabîra quer dizer “a escondida”. Esta cidade do Sotavento Algarvio possui muitas curiosidades e é um regalo para os nossos olhos. E porquê? Vejamos, Tavira possui a beleza do seu rio Gilão, das suas salinas, da ria formosa, as suas antigas muralhas donde podemos avistar a arquitectura urbana e os museus que contam o seu dinamismo comercial e estratégico ao longos dos tempos. A partir do Século XII, esta localidade algarvia tornou-se um dos principais centros marítimos e comerciais da costa algarvia. Havia dois factores: um porto defensável e a posição estratégica da estrada que ligava, através da ponte do rio Gilão, Sevilha a Silves. Juntamente com Xilb e Ossónoba, Tabîra era uma das mais importantes cidades do Gharb Al-Andalus. Ao percorrer o centro histórico da cidade, podemos comprovar esta importância pela dimensão do seu Castelo e, mais tarde, com as inúmeras Igrejas em diversos estilos arquitectónicos são como uma viagem pela História de Arte em Portugal.

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Minarete Islâmico? Apenas a Torre Sineira da Igreja de Santa Maria Tavira

Mais do que falar sobre as raízes da História da cidade de Tavira, o Núcleo Museológico Islâmico desta cidade é um convite à descoberta do legado material e imaterial da época islâmica. Este núcleo do Museu Municipal de Tavira foi inaugurado em 2012 precisamente no local onde foi achado o famoso “Vaso de Tavira” (1996). Tem na sua exposição permanente – Tavira Islâmica – uma abordagem histórica sobre  a cidade no período islâmico até à reconquista cristã. Resultou, assim, das intervenções arqueológicas efectuadas em vários locais do centro histórico da cidade como, por exemplo, o Bairro Almóada, situado no Convento da Graça.

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Capitel Omíada da Exposição permanente  “Tavira Islâmica”

Encontro-me com a Dr.ª Sandra Cavaco, a arqueóloga do Município de Tavira, que será a minha guia nesta viagem pela máquina do tempo.A sua linguagem é simples e directa, indo ao encontro dos meus interesses. Fala-me do passado milenar desta cidade, habitada por civlizações antigas, em virtude da sua posição estratégica (oceano atlântico) e comercial (porto de pesca e salinas). Na época islâmica, a cidade de Tabîra era uma “República” de Piratas que atacavam o comércio maritimo muçulmano ou cristão, dando guarida a gentes de má fama. Por esta razão, o poder centralizado islâmico – Almorávidas e Almóadas – por sucessivas ocasiões intentou submeter esta cidade de piratas à sua lei. Os Tavirenses só submeteram-se em 1239 à Ordem Militar de Santiago. De acordo com a Crónica da Conquista do Algarve, Tavira foi conquistada aos mouros, em Junho de 1239, por D. Paio Peres Correia, como represália pela morte de sete dos seus cavaleiros. Aqui, denotamos a importância da Ordem Militar de Santiago para a reconquista do Alentejo e do Algarve ao serviço da Coroa Portuguesa.

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O Vaso de Tavira é o ex-libris deste espaço Museológico

O Vaso de Tavira é uma peça peculiar e singular a nível Mundial. É o ex-libris deste espaço museológico e da sua exposição permanente. Segundo académicos, o vaso parece representar um rapto nupcial. Apresenta no bordo onze figuras e nas paredes, linhas, retículas, peixes e outros elementos pintados a branco. Destaca-se a noiva com a face descoberta e o noivo com um turbante, ambos a cavalo; um besteiro e um cavaleiro; um tocador de tambor e de adufe; uma tartaruga e várias pombas; e o dote, constituído por um bovídeo, um caprídeo, um camelo e um ovino.Importa também destacar, a torre em Taipa Militar, os restos da muralha islâmica do século XII e o capitel em mármore branco datado da época califal omíada, originária das oficinas da Madinat al-Zahra em Córdoba.

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Cacela Velha: entre o azul do céu e do mar…

Cacela Velha é…um poema de pedra construído pelo Homem. Esta pequena grande povoação costeira do Sotavento Algarvio está localizada no concelho de Vila Real de Santo António. A meu ver, esta localidade é uma bela surpresa pela sua paisagem para a ria formosa, a arquitectura tradicional das casas típicas castiças e pela sua capatez. Além disso, as ruas têm o nome de poetas que fizeram parte da nossa cultura milenar. Chego a uma constatação: começo a gostar de outro Algarve. O Al-Gharb fora dos roteiros turísticos “habitué”: o das pontas.

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Casas Típicas de Cacela Velha

O Núcleo Histórico de Cacela Velha presenteia-nos com um pequeno conjunto de casas típicas do litoral algarvio. Todavia, os dois ex-libris desta pequena povoação é a sua fortaleza do Século XVI, reconstruída após o fatídico terramoto de 1755, e a Igreja com o seu portal renascentista. Na época Omíada, Qast´alla, Cacela em árabe, fora conquistada em 713 por forças califais de Abd al-Aziz ibn Musa (714-1715), o primeiro uale do Al-Andalus, isto é, um governador militar dependente do califa omíada de Damasco (661-750). Até à reconquista cristã, em 1240, a povoação ficou na jurisdição da cidade de Ossónoba (Faro) e assumiu o papel de primeiro aglomerado de carácter urbano situado a sudeste do actual território algarvio.

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Aspecto geral da Igreja e Fortaleza de Cacela Velha

Uma curiosidade. Sabia que as ruas têm nomes de poetas se inspiraram nesta localidade para os seus poemas, como são os casos de Abû al-‘Abdarî, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Eugénio de Andrade? Um pormenor delicioso. Visitar Cacela Velha é conhecer um outro Algarve: o genuíno e castiço. O Algarve das Pontas. A meu ver, o casario pitoresco, a pequena aldeia, a praia, fortaleza são uma bela harmonia na paisagem. Um belo exemplo do que o Homem consegue criar. Da visita à terra natal do poeta Ibn Darraj al-Qastalli (958-1030), um dos mais influentes do califado Omíada na época do poderoso Almançor,  levo na minha memória o som, ao fundo, do oceano atlântico…

📌 Dia 5 – 09/12 (Sexta-feira) Alcoutim (Algarve, Portugal) – Salúncar do Guadiana (Andaluzia, Espanha)

Alcoutim. Terra de Fronteira. O Algarve Natural. São os slogan(s) do Município de Alcoutim para promover esta singela vila nas margens do Guadiana. Tal como José Saramago, o nosso Nobel da Literatura (1998), esteve nestas paragens, em 1980, no âmbito da sua Viagem a Portugal, deixo-me surpreender pela singularidade de Salúncar do Guadiana e do seu “Guerreiro de Pedra” – o Castillo de San Marcos – que domina a paisagem. Esta pequena urbe nasceu da necessidade do controlo e vigilância do transporte de bens alimentares (trigo, azeite e mel) e de minério (ouro,prata e cobre), através do rio Guadiana, pelas  ocupações humanas sucessivas que a usavam na transição entre as rotas comerciais do Mediterrâneo e do Atlântico.

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Vila de Alcoutim,vista do rio Guadiana

Depois de fotografar as vistas (e que vistas), dirigi-me para a experiência do slide fronteiriço agendada para a parte de manhã, com a limitezero do inglês David Jarman, radicado à treze anos nesta zona da raia luso-espanhola. Contacto com o responsável da empresa de animação turística Fun River, o Dr.José Cavaco, que me informa que o seu funcionário estava em Espanha e que me iria buscar dentro de momentos. A única ligação entre margens no rio Guadiana entre Alcoutim (Algarve) e Salúncar do Guadiana (Andaluzia) é efectuada por esta empresa. A aventura estava prestes a começar.

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“El bloggeiro portugues” desafiando os seus limites a 80 km/h até Portugal

Depois de uma aventura 4×4 num Land Rover até ao local do Slide, onde avistamos a beleza de Salúncar do Guadiana. Do topo, a cerca de 180 metros, temos uma bela vista aérea sobre Alcoutim e o rio Guadiana. O que levamos deste Mundo? Experiências. Aqui, podem ver o video do Slide no YOUTUBE De facto, viajar é descobrir-nos. E,claro, soltar o nosso outro eu. No meu caso, o sentido pela aventura. Já tinha saudades de fazer “Slide”. Nem parece que vamos a 80 Km/h. Em menos de um minuto estamos em Portugal. E o Medo? Esse ficou para 2ºPlano. Razão? A paisagem arrebatadora entre Salúncar do Guadiana e Alcoutim – as duas vilas gémeas do rio Guadiana -, como afirmou José Saramago, permite viver esta experiência devagar e com tempo.

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Sopa de tomate com ovos escalfados

Perguntei ao Dr.Júlio Cardoso, o técnico de turismo do Município de Alcoutim, um local típico para almoçar em Alcoutim. Estava nos meus planos almoçar no Centro Histórico de Alcoutim ou Salúncar do Guadiana. Persuadiu-me a ir almoçar à  Cantarinha do Guadiana., situada na localidade de Laranjeiras do Guadiana. Não me deixei enganar pelo espaço e pela falta de multibanco. De facto, o paladar conquista-se no prato. E a Senhora Isabel Ribeiros, a singular cozinheira, proporciona verdadeiros petiscos de cozinha regional alentejana e algarvia. Adorei saborear a comida tipicamente caseira e tradicional do interior algarvio, em especial, a sopa de tomate com ovos escalfados e o ensopado de enguias. Uma delicia para os viajantes andarilhos. E para acompanhar o café, nada como um “cheirinho” algarvio: o Medronho. Safa,mas aquece!

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Um local a visitar pelos níveis de ocupação humana que conserva da época islâmica

O Homem adapta-se ao meio. A cerca de um 1km para Norte da actual vila de Alcoutim, deparamo-nos com uma das melhores vistas do Algarve sobre o rio Guadiana. Do topo do castelo velho de Alcoutim – antigo Alcácer fortificado – do período Omíada (713-1031) edificado com as pedras com maior abundância na região:o xisto e o grauvaque. As suas origens remontam ao Século IX, segundo escavações arqueológicas recentes da Dr.ªHelena Catarino, e é uma das mais importantes estruturas militares islâmicas do Gharb-Al Andaluz. Como se sabe, o domínio muçulmano na Península Ibérica começa a ser ameaçado pela pressão da reconquista cristã, dai a necessidade de criar uma rede de fortificações de vigilância do território. É o caso do Castelo Velho de Alcoutim. Em virtude do seu difícil acesso (utilizado com funções de vigilância e de apoio à mineração), esta estrutura foi abandonada na época dos Almóadas e deu lugar ao actual Castelo Medieval de Alcoutim no Século XIV. A partir daqui, a população foi fixando-se junto ao leito do rio Guadiana.

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No Castelo de Alcoutim, no Núcleo de Arqueologia, está exposta a maior coleção de jogos de tabuleiro, do período omíada, que se tem conhecimento a nível mundial.

Como apaixonado pelo legado material e imaterial do Al-Andalus, adorei percorrer as diversas localidades que me foram sugeridas no programa da Rota Omíada do Algarve. Pude descobrir as estórias da História de cada uma, a importância dos achados arqueológicos para a materialização das fontes documentais, e os ensinamentos em Geografia foram uma ajuda constante ao longo destes cinco dias. Para mim, esta foi uma das melhores experiências de aprendiz de historiador-fotógrafo itinerante. Estou agradecido à Dr.ªCláudia Ruivinho, coordenadora da Rota Omíada do Algarve, pela elaboração desta Blogger Trip e à Região do Turismo do Algarve, Dr.Assis Coelho, pelo acompanhamento constante para que tudo estivesse ao meu dispor durante o percurso fotográfico pela Rota Omíada do Al-Gharb. E aos técnicos dos Municípios de Silves, Tavira e Alcoutim que me acompanharam e elucidaram-me da riqueza dos seus respectivos concelhos. Muito Obrigada. Bem Hajam!

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Alcoutim e Salúncar do Guadiana: “Duas vilas como irmãs gêmeas, que se vêm como o espelho uma da outra.”, referiu José Saramago em 1980.

Durante a descoberta da Rota Omíada, Abderramán I, Al-Mutamid, Al-Idrisi e,Ibn Darraj al-Qastalli, foram excelentes companheiros de viagem…interior. Shukran. Mais do que uma viagem pela história, foi uma “panóplia” de experiências pessoais e colectivas que podem ser partilhadas digitalmente,mas que devem ser vividas na primeira pessoa. É isso que convido o leitor do blogue OLIRAF a fazer: viver estas experiências. Não haverá melhor sensação do que sair da nossa “zona de conforto”?  👌

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Como chegar

A partir de Lisboa optei por reservar uma viagem em Alfa pendular, através da Comboios de Portugal. Faro era a minha base para efectuar a Rota Omíada do Algarve. Para tal, optei por alugar uma viatura rent-a-car para fazer a ligação entre os diversos pontos histórico-culturais desta rota. Na maioria dos casos, utilizei a via do Infante (A22) e a Nacional 125. No caso da ida para Alcoutim, optei pela A22 até Castro Marim e depois o IC27 (Beja) até Alcoutim (N122-1).

Onde ficar

Restaurante Ria Formosa

Praça D. Francisco Gomes, Nº2 8000-168 Faro Portugal
+351 289 830 830

✉️ Email: reservas@hotelfaro.pt

Para mais informações:

Região de Turismo do Algarve

Direcção Regional de Cultura do Algarve

Blog Turismo do Algarve

Projecto Umayyad Route 

Turismo do Algarve – Rota Omíada do Algarve (Folheto + App)

Nota importante

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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Fotografia•Viagens•Portugal © OLIRAF (2016)

Contact: oliraf89@gmail.com

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