Alentejo, Castelos & Fortalezas, Fotografia, História, Portugal (Terras), Roteiros Fotográficos

À descoberta de Marvão: roteiro fotográfico por uma “sentinela” de pedra com muitas estórias da História de Portugal…

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Canhões da Memória. Em tempos idos, estes canhões fustigavam o invasor.

O Alentejo é uma antiquíssima região portuguesa valorizada pelo seu património natural e edificado. Para os amantes do turismo cultural, de natureza e do turismo militar, esta região portuguesa é uma boa opção de visita que combina actividades de lazer,natureza e culturais com o descanso. Durante o meu roteiro fotográfico pela região do Alto Alentejo, no sul de Portugal,  tive a oportunidade de visitar a vila de Marvão, em pleno Parque Natural da Serra de São Mamede. Desde tempos milenares, os rochedos de Marvão eram um local de refúgio para as povoações face aos exércitos invasores. Na época romana, ao que parece, este local já detinha uma certa importância bélica…

Panorama CasteloMarvão

Panorâmica Geral da Fortaleza de Marvão

A Vila-Fortificada de Marvão, localiza-se no Alto Alentejo, num planalto setentrional da serra de S. Mamede e é limitado geograficamente a sul pelo concelho de Portalegre, a oeste por Castelo de Vide e a este e norte pela fronteira com o Reino de Espanha. Nos censos de 2011, o concelho de Marvão contava com cerca de 3500 almas. Já no serro de Marvão, isto é no  interior do complexo fortificado ainda resistem, ou zelam pelo património edificado, cerca de 500 habitantes. Um número bastante abaixo dos seus tempos áureos das lutas fronteiriças durante a Guerra da Restauração (1640-1668).

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Vista parcial da Torre de Menagem do Castelo de Marvão

Pitoresca vila-fortaleza, situada em pleno interior da Serra de São Mamede, reflete  a adaptação do Homem ao meio ambiente durante milénios. A meu ver, Marvão conquista de imediato quem a vê,  no alto de um cabeço montanhoso, desde a estrada da fronteira de Porto Roque. É uma sentinela da fronteira, um belo exemplo da arquitectura-militar portuguesa.

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Aspecto parcial do casario branco do interior da vila de Marvão

Um amante da História vê o Castelo de Marvão e a paisagem da Serra de São Mamede como testemunha do passado das lutas fronteiriças entre o Reino de Portugal e Castela (mais tarde, Reino de Espanha), sendo que a Guerra da Restauração (1640-1668) foi o zénite da importância bélica desta praça-fortificada. Mais tarde, os confrontos resumiram-se a ocupações pontuais de exércitos estrangeiros, como são exemplos, a Guerra de Sucessão Espanhola (1705-1715) e as Invasões Francesas (1807-1811).

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Durante o Período Árabe – séc. IX-X  – a vila de Marvão era identificada na documentação califal, neste caso, pelo historiador cordovês Isa Ibn Áhmad ar-Rázi, como a Fortaleza de Amaia ou de Amaia-o-Monte, em virtude de ter exisitido uma fortificação do inicio do século I.d.c. Também a sua actual designação advém, ainda do mesmo autor citado anteriormente, pela existência de um muladi emeritense – descedente de uma mãe não árabe – chamado ‘Abd ar-Rah.ma:n Ibn Marwa:n Ibn Yu:nus al-Jillí:qi (Ab-derramão filho de Marvão filho de Iúnece – i. e. Johannes-João – o Galego), que se destacou no último quartel do séc. IX como rebelde contra o poder centralizador do o Emirato Omíada de Córdova. Verificamos, assim, que esta fortaleza raiana sempre assumiu o papel de zelar pela fronteira e pelo território que a circunda, desde tempos ancestrais. Não há dúvidas que estamos perante uma “sentinela do reino”.

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Para comprovar a importância estratégica desta praça da raia alentejana, deixo-vos um facto histórico cabalmente documentado pelo Tenente Coronel Engenheiro, Tomás de Vila Nova e Sequeira, através de uma impressão pessoal datado de 1796: “(…) A posição que tem na linha da Fronteira a faz importante para a sua defesa, porque de Valência de Alcântara ou de Albuquerque para Portalegre, para o Crato, para Castelo de Vide e também para Ribatejo, não há outra estrada por onde se possa conduzir artilharia que a do Porto da Espada, que passa à vista da Praça no sítio a que chamam o Prado, e por ela também é que se pode levar artilharia contra a mesma Praça.”

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Aspecto geral da Alcáçova do Castelo de Marvão

Nas proximidades…

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Aspecto geral da antiga Estação de Marvão-Beirã (1880-2012)

Sabia que há um segredo bem guardado, perto da Vila de Marvão? É o TRAIN STOP GUESTHOUSE . Se gosta de cultura ferroviária, recomendo este fabuloso espaço para pernoitar a poucos quilómetros da vila de Marvão. Deixe-se capturar pela história e beleza da antiga estação de comboios de Marvão-Beirã. Garantimos que só se vai perder de encantos, pela História do Ramal de Cáceres, pela arquitectura industrial e pelos famosos azulejos (de Jorge Colaço) desta estação fronteiriça desactivada, que deu lugar a um projecto de alojamento local. É, seguramente, uma viagem pela História e pela arte portuguesa.

Bairro da Fronteira do Porto Roque [Marvão] (4)

Antigo Posto-Fronteiriço de Marvão

Na fronteira de Galegos, porta de entrada para quem vem do Reino de Espanha, existiu um importante pólo residencial do concelho de Marvão: o bairro de Porto Roque. Inaugurado em 1972,  era constituído por 20 fogos e 16 edifícios com uma área coberta de 3450m2, em 20 hectares de terreno. Com a abolição das fronteiras, em 1993, e com a introdução do espaço Schengen foram desactivados os serviços da Guarda Fiscal que funcionavam na fronteira de Galegos, tendo sido todo o património edificado entregue ao tempo, com poucas casas ocupadas e edifícios em avançado estado de degradação.

Panorama FronteiraPortoRoque

Aspecto Geral do Bairro de Porto Roque (Marvão)

Ao desfrutar a estrada que nos conduz desde o antigo posto-fronteiriço de Porto Roque até ao topo da Vila de Marvão, ficamos com a sensação de tranquilidade, apesar do cansaço da condução no asfalto. Transporta a fronteira, a paisagem perde a sua monotomia e ganha outro sentido para o nosso olhar. Todavia, ganhamos outro ânimo quando nos deparamos com as muralhas bélicas, as ruas e vielas desta vila fortificada do Alto Alentejo. E sem guias turisticos, entramos numa viagem pelo tempo,através de antigas  muralhas medievais e baluartes em estilo vauban que nos alimentam a alma de viajante e olhar de fotógrafo andarilho. Já tinha saudades de sentir a genuidade do povo do interior de Portugal. Nada como ouvir um Bom Dia ou uma Boa Tarde de um habitante local a um forasteiro que visita a sua aldeia / vila raiana Alentejana. Até parece mal educado não falar. Porque o Homem quando viaja, adapta-se ao meio. O que fica na minha memória? Os sentidos, a gastronomia, a arquitectura,o anfiteatro natural, a história, entre outras coisas mais. A experiência, essa, fica para nós.

Bairro da Fronteira do Porto Roque [Marvão] (3)

Viaje,mas devagar. Aventure-se Além do Tejo! E descubra-se.

Como chegar

A partir de Lisboa opte pela A12, via Ponte Vasco da Gama, e depois pela A6 até Évora (Elvas/Badajoz). Saia em Évoramonte. Siga na direção de Estremoz (N18). Se já se encontra na cidade de Estremoz (IP2) tome a direção de Portalegre/Castelo Branco. A partir da vila de Marvão opte pela N246 até Castelo de Vide. Ou pela N359 (Beirã/Marvão).

Coordenadas geográficas de Marvão, Latitude: 39.3936, Longitude: -7.37365

Câmara Municipal de Marvão @ Créditos Fotográficos

Onde Comer

As migas do restaurante Sabores de Marvão, na aldeia da Beirã-Marvão, contam-se entre os petiscos e sugestões durante uma visita ao Alto Alentejo – uma região que não nos convence apenas pela paisagem,mas também pelo paladar. É uma excelente opção para degustar e petiscar a gastronomia da região do Alto Alentejo. A meu ver, com uma boa relação de preço/qualidade.

Restaurante “Sabores de Marvão”

Rua 16 de Julho, Nº 46
7330-012 Beirã
Telf: 245 992 710

Onde ficar

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Estação ferroviária de Beirã/Marvão
Largo da Alfândega,
7330-012 Beirã

Gestão e Reservas :
+351 963 340 221
Comunicação e Marketing :
+351 963 237 402
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Para mais informações:

Roteiro pelos Castelos do Alto Alentejo

Turismo do Alentejo

Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos

Municipio de Marvão

Posto de Turismo de Marvão

Direção Regional de Cultura do Alentejo

Train Spot (Guest House)

Nota importante

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencionei os direitos morais e de autor das mesmas.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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Fotografia•Viagens•Portugal © OLIRAF (2016)

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À Descoberta de Castelo de Vide: roteiro fotográfico pela “Sintra do Alentejo”…

O Alentejo é uma antiquíssima região portuguesa valorizada pelo seu património natural e edificado. Para os amantes do turismo cultural, de natureza e do turismo militar, o Alentejo é uma boa opção de visita que combina actividades de lazer,natureza e culturais com o descanso. Durante o meu roteiro fotográfico pela região do Alto Alentejo, no sul de Portugal,  tive a oportunidade de visitar a vila de Castelo de Vide: a “Sintra do Alentejo”, em pleno Parque Natural da Serra de São Mamede.

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Muralhas da Vila de Castelo de Vide

Falavam-me de Marvão. Tens de ir visitar, Rafael. É um dos locais mais pitorescos de Portugal. Farto de ouvir relatos, de conhecidos e desconhecidos, decidi meter a mochila às costas e ir verificar com os meus próprios olhos. Todavia, não foi a vila fortificada de Marvão que cativou o meu olhar fotográfico. A menos de 10 km, do alto do Castelo de Marvão, deparei-me com um casario branco que reluzia no “verde” da Serra de São Mamede: Castelo de Vide. A Sintra do Alentejo. 

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Centro Histórico de Castelo de Vide – Estátua do monarca D.Pedro V (1837-1861)

Castelo de Vide é, para mim, um dos locais mais típicos e genuínos do nosso Portugal. O que despertou o meu interesse nesta experiência pessoal? Vejamos, a escadaria que desce pela Judiaria até à Fonte da Vila,as ruelas do Centro Histórico, o antigo burgo medieval, as inúmeras portas com arcos ogivais e a bela janela da torre de menagem do Castelo medieval. Sabia que o médico Garcia D`Orta, o legislador liberal Mouzinho da Silveira e o capitão de abril Salgueiro Maia eram naturais desta terra? De facto, uma terra com muitas estórias da nossa História.

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Aspecto da Judiaria de Castelo de Vide

A arrebatadora Judiaria de Castelo de Vide. Quem diria que esta vila alentejana carrega consigo memórias vivas e simbologias da intolerância religiosa, mas também elementos da vivência da tradição judaica no quotidiano local. Com a perseguição dos Judeus de Castela (Decreto de Alhambra – 1492), muitos procuram refúgio em Castelo de Vide. Das 15 familias judias existentes nesta localidade raiana, juntaram-se cerca de cinco mil judeus até ao final do século XV. Entre eles, os pais do médico Garcia D`Orta ou de Benedito Espinosa. Mais tarde, por motivos estratégicos e políticos, o “Venturoso” opta pela conversão em massa de Judeus: os cristão-novos. Muitos Serfaditas – Judeus Ibéricos – perseguidos pela Inquisição optam por fugir para o Norte da Europa, as colónias ibéricas do Novo Mundo (América), Magrebe (Marrocos) ou Oriente. (Goa).

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Fonte da Vila – um dos monumentos Ex-Libris de Castelo de Vide

Se quiser saber mais sobre o legado histórico dos judeus em  Castelo de Vide, saliento a edição do passado dia 12 de junho do jornal Jerusalem Post inclui um artigo intitulado “Unspoiled Alentejo – Perfect for the art of doing anything” [trad: Alentejo não explorado – perfeito para a arte de não fazer nada”, resultado da press trip de um jornalista de Israel ao Alentejo, através da Agência de Promoção Turística do Alentejo. Mas, Castelo de Vide transporta uma herança pesada: a perseguição movida pela Inquisição aos Judeus. Tive oportunidade de visitar uma exposição sobre os instrumentos e métodos de tortura utilizados no tempo da Inquisição.

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Vista panorâmica do Castelo de Vide

Ao “saborear” as ruas e vielas do Alto Alentejo, sem mapas, entramos numa viagem pelo tempo,através de antigos burgos medievais que nos alimentam a alma de viajante. E sabe sempre bem ouvir um Bom Dia ou uma Boa Tarde de um habitante local a um forasteiro que visita a sua aldeia / vila raiana Alentejana, Até parece mal educado não falar. Porque o Homem quando viaja, adapta-se ao meio. O que fica na minha memória? Os sentidos, a gastronomia, a arquitectura,o anfiteatro natural, a história, entre outras coisas mais.

Viaje,mas devagar. Aventure-se Além do Tejo! E descubra-se.

Como chegar

A partir de Lisboa opte pela A12, via Ponte Vasco da Gama, e depois pela A6 até Évora (Elvas/Badajoz). Saia em Évoramonte. Siga na direção de Estremoz (N18). Se já se encontra na cidade de Estremoz (IP2) tome a direção de Portalegre/Castelo Branco. A partir da vila de Marvão opte pela N246 até Castelo de Vide.

Coordenadas GPS – 39º24’55.46″N | 7º27’20.04″O

Onde comer

Neste particular, a bochecha de porco preto do restaurante A Confraria, próximo do Centro Histórico de Castelo de Vide,  é uma excelente opção para degustar e petiscar a gastronomia da região do Alto Alentejo. A meu ver, com uma boa relação de preço/qualidade. Aqui podemos realizar provas de produtos regionais, provar os maravilhosos gelados confeccionados à taça e, se ainda não tiver satisfeito, os deliciosos crepes confeccionados com produtos regionais.

Restaurante “A Confraria”

Morada:
Rua de Santa Maria de Baixo, n.º 10
7320-137 Castelo de Vide

Telemóvel: 916 603 652
N.º de lugares: 26 c/ esplanada

Onde ficar

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As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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Quinta da Aveleda: uma viagem pela história de um vinho singular desde o século XIX até aos nossos dias…

No Dia Europeu do Enoturismo, este ano celebrado a 13 de novembro,deixo a minha visita-guiada à Quinta da Aveleda. Com este artigo, pretendo dar a conhecer a marca e a história de uma quinta singular, de uma região vínica e, a meu ver, um dos melhores locais de enoturismo em Portugal.

Quinta da Aveleda é, sem dúvida, uma quinta rústica que nos recebe com o seu encanto. E,claro, com o seu vinho.  Para muitos amantes de Baco, o vinho da Aveleda encontra-se entre os melhores vinhos verdes de Portugal e do Mundo. O Blogue Oliraf Fotografia foi gentilmente convidado a visitar a Quinta da Aveleda com a seguinte frase: “Se a sua objectiva o levar até Penafiel, teríamos o maior prazer em o receber na Quinta da Aveleda.” E porque não arriscar uma nova experiência por uma Quinta que integra a Rota dos Vinhos Verdes? O Enoturismo.  Quem não arrisca, não petisca com um Aveleda.

quinta-da-aveleda-19Entre os concelhos de Paredes e de Penafiel, a cerca de 30 km do grande Porto, encontramos uma antiga casa do século XVII, construída pela aristocracia rural local: a Familia Guedes. A Quinta da Aveleda deixou de ser uma quinta de veraneio e, no século XIX, foi totalmente remodelada e adaptada para o fabrico de vinhos, preservando a essência do seu jardim, da casa senhorial e a sua identidade original..Para além do vinho verde, a Quinta da Aveleda também é conhecida pelos jardins (em estilo Inglês),pelo seu património histórico-cultural, pelas compotas e queijos que fazem as delícias dos seus visitantes.

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Aveleda é um nome de um vinho conceituado da região vínica do Norte do País. A Região dos Vinhos Verdes. Todavia, a maioria das pessoas conhece o seu sabor, mas não a quinta que lhe dá forma: a Quinta da Aveleda. De facto, esta singular quinta é gerida pela mesma família (Família Guedes) à cinco gerações, sendo que os primeiros registos de venda de vinho engarrafado datam da 2ªmetade do Século XIX (1870). Tudo começou pela iniciativa pessoal e vocação empreendedora de Manuel Pedro Guedes (1837-1899), considerado o fundador do negócio vinícola tal como o conhecemos hoje. Desde esses tempos, as gerações vindouras souberam preservar a qualidade e a  reputação da produção de vinho, espumantes, queijos e outros produtos da marca Avelelda. Hoje em dia, estes produtos têm sido sinónimos de sucesso a nível nacional e internacional

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À descoberta dos jardins da Quinta da Aveleda: Tínhamos à nossa espera a guia Renata Figueiredo, que nos mostrou os cantos mais simbólicos e encantos daquele lugar singular, num belo dia de Primavera. Explicou-me, passo-a-passo, os principais pontos de interesse do jardim botânico, das casas de campo e a importância histórica da Quinta. A meu ver, o que mais me impressionou foram a quantidade de espécies botânicas existentes no jardim e a importância social e de lazer que estes tiveram na história local e nacional.

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Muitos ilutres e notáveis portugueses, escolheram esta quinta para veraneio, para passar as suas férias, rendendo-se aos encantos e cantos singulares da Aveleda. Sabia que o príncipe herdeiro, filho de D.Carlos I, D. Luís Filipe de Bragança, e o seu aio, Mouzinho de Albuquerque (o herói de Chaimite) almoçaram, em Outubro de 1901, numa das mesas existentes do jardim botânico? Este pormenor histórico, a meu ver, deu mais sabor à minha visita guiada.

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Além do seu importante património botânico, a Quinta da Aveleda é também conhecida pelo seu património histórico, nomeadamente a Janela Manuelina do séc. XVI, a Fonte das 4 Irmãs, a Torre das Cabras e pela Fonte de Nossa Senhora da Vandoma. Realçava a Janela Manuelina que, segundo a tradição popular, onde o primeiro rei de Portugal, da Dinastia dos Bragança, D. João IV, terá sido aclamado. Mais tarde, esta foi oferecida a Manuel Pedro Guedes da Silva da Fonseca, que a colocou nos jardins da Quinta da Aveleda.

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Após a visita ao jardim e parques da Aveleda, dirija-se à Adega Velha para provar uma aguardente de vinho verde saboreando com um Chocolate a História deste afamado vinho secular. A partir daqui, dirija-se ao edificio da prova de vinhos e contemple as extensas vinhas e a paisagem que a rodeia. Aqui percebemos a razão de os vinhos da Aveleda ao longo dos séculos serem reconhecidos a nível nacional e internacional pela sua qualidade. Este reconhecimento do trabalho do fundador da Aveleda foi premiado com medalhas de ouro arrebatadas nos concursos internacionais de Berlim (1888) e Paris (1889).

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Mais recentemente, e durante três consecutivos, a marca Aveleda colocou um dos seus vinhos  – o vinho verde Quinta da Aveleda – no TOP 3 do TOP 100 Best Buys da prestigiada revista norte americana Wine Enthusiast . Além dos seus premiados vinhos, a Quinta da Aveleda foi galardoada em 2011 com o prémio internacional Best of Wine Tourism na categoria de «Arquitectura, Parques e Jardins» e os Certificados de Excelência 2015 e 2016 pelo TripAdvisor. E basta um breve ou demorada passeio pela património botânico e histórico para perceber a razão destas nomeações e prémios. A qualidade, o trabalho e a perfeição está nos pequenos detalhes do seu património edificado e genealógico ao longo de mais de 300 anos.

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Agora, percebo a inspiração familiar para produzir admiráveis vinhos verdes que fazem “inveja” ao Deus do Vinho, Baco. A marca Aveleda (Vinho Verde, Douro, Quinta da Aveleda, Alvarinho,Reserva da Família Bairrada, Reserva da Família Alvarinho);Casal Garcia; Charamba ; Aveleda Follies  e a Adega Velha. Mas, o vinho é apenas mais um produto da Quinta da Aveleda. Os seus queijos de cabra e vaca – Penafidelis – são uma combinação perfeita para “petiscar” com um Aveleda. E as compotas…

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No final da minha visita à Quinta da Aveleda, tive oportunidade de visitar a Aveleda Shop é possível encontrar todos os produtos produzidos na Quinta como vinhos, espumantes, aguardentes, queijos da marca Penafidelis e compotas. Além disso, o cliente tem disponível cabazes, caixas e outras embalagens que pode juntar aos produtos “made in Aveleda”,  outros produtos regionais, como o artesanato.

img_20160428_093815Em síntese, a Quinta da Aveleda representa uma elevada importância na valorização da região do Vinho Verde e dos recursos endógenos, assente na divulgação do enoturismo como estratégia económica e cultural desta região, rica em património edificado e natural. É exemplo a Rota do Românico surpreendeu-me pelo imenso património histórico cultural e pela variedade paisagística que nos oferece. A meu ver esta região Norte de Portugal ainda tem mais encanto por três razões: boa gente, boa comida e bom vinho.

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O projecto de enoturismo da Quinta da Aveleda pretende antes de mais mostrar a história familiar, da produção do vinho e da vasta região do Vinho Verde. Para além disso, a marca Aveleda é parceira de diversos agentes económicos e culturais na divulgação do património histórico da Rota do Românico, do Concelho de Penafiel e da região dos Vinhos Verdes, como produto (s) de excelência e a todos os que gostam de apreciar a natureza e saborear um bom vinho. De facto, o enoturismo é cada vez mais apreciado pelo público em Portugal e um pouco por todo o mundo.

Aproveite este fim-de-semana para conhecer o encantador jardim, as paisagens naturais e o património edificado que dão forma à Quinta da Aveleda!

Como chegar

Se pretender ir do Porto para Penafiel (Quinta da Aveleda), deverá seguir pela A4 sentido Vila Real/Valongo até à saida  Penafiel Sul/Entre-os-Rios. Após passar a portagem, deverá virar no sentido de Paredes. Virar novamente na primeira à direita a cerca de 300m (Placa  Aveleda), prossiga eem frente, cerca de 1 km, até encontrar a entrada da Quinta à sua esquerda.

Onde comer

Nas proximidades da Quinta da Aveleda, no concelho de Penafiel,  Winebar Casa da Viúva é um espaço que combina arquitectura rústica da Aldeia de Quintadona com uma elegante decoração. Aqui podemos provar um bom vinho da região e petiscar umas belas tapas. Na Quinta da Aveleda, o visitante poderá fazer uma prova de vinhos ou uma marcar uma refeição para saborear os produtos made in Aveleda?

Onde ficar

Casa Valxisto (Country House)

Rua Padres da Agostinha, n.º 233

4560-195 – Freguesia de Lagares Penafiel
(GPS: 41.135686, -8.377872)

Solar Egaz Moniz

Rua dos Monges Beneditinos, n.º 158, Paço de Sousa, 4560-380 Penafiel, Portugal

Tlm: + 351 962 168 254

Para direcções veja a página Localização ou aceda directamente ao google maps.

Coordenadas GPS: Latitude:  41°10’2.40″N  | Longitude:   8°20’34.09″O

Para mais informações sobre a Quinta da Aveleda:

AVELEDA S.A.

Rua da Aveleda nº 2 | 4560-570 PENAFIEL | PORTUGAL

T.: 255 718 242

E-mail: enoturismo@aveleda.pt

Coordenadas GPS: Lat: 41º 12′ 27.51” N | Long: 8º 18′ 29.28” O

Horários para as visitas guiadas:

Março a Outubro – Segunda a Domingo: 10h00, 11h30, 15h00, 16h30.

Novembro a Fevereiro – Segunda a Sábado: 10h00, 11h30, 14h30, 16h00

Domingo: encerrado

Tempo de Visita: 60 minutos
Atende em: Português, Inglês, Francês, Espanhol, Alemão

Todos os serviços, nomeadamente as visitas guiadas, estão sujeitos a marcação prévia.

Nota importante

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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À Descoberta do Castelo de Belver: um “Guerreiro de Pedra” singular do Alto Alentejo…

O Alentejo é uma antiquíssima região portuguesa valorizada pelo seu património natural e edificado. Para os amantes do turismo cultural, de natureza e do turismo militar, o Alentejo é uma boa opção de visita que combina actividades de lazer,natureza e culturais com o descanso. Durante o meu roteiro fotográfico pela região do Alto Alentejo, no sul de Portugal,  tive a oportunidade de visitar a aldeia de Belver, um dos “tesouros naturais e edificados” do Rio Tejo.

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Belver. Uma motivação antiga. Há muito tempo que “cogitava” para visitar esta aldeia,  com quase mil habitantes (censos 2001),  e o seu “guerreiro de pedra” que domina a paisagem em redor. Para mim, esta “Sentinela do Tejo” é um dos mais belos castelos medievais de Portugal. Infelizmente, não é tão conhecido como o “turistico” Castelo de Almourol. Não tanto pela sua arquitectura militar, de planta circular, com capela no interior, mas pela sua envolvente paisagística. Pela localização estratégica,num altaneiro morro sobranceiro ao Tejo, este Castelo foi o primeiro a ser construído no séc. XII pela Ordem do Hospital, reinava D. Sancho I. O seu objectivo era prevenir novas incursões mulçulmanas a norte do Tejo, quando este rio era a fronteira entre duas civilizações: a cristã e a muçulmana.

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Um elemento diferenciador na paisagem – o castelo: «Presentes de norte a sul do território português, os castelos e as cinturas de muralhas que serviram um dia para proteger vilas e cidades são, ainda hoje, testemunhos vivos de um dos períodos mais fascinantes e ricos da História de Portugal», como afirma o Historiador Miguel Gomes Martins no seu recente livro “Guerreiros de Pedra“. Trata-se de uma obra fundamental para a compreensão histórica e da arquitectura militar na Idade Medieval Portuguesa, dando-nos  a conhecer o quotidiano, os pormenores militares e acontecimentos mais marcantes que desempenharam na História de Portugal.

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Para além da visita ao Castelo de Belver, recomendo uma visita ao Museu do Sabão, nas proximidades do centro da aldeia. O projecto museológico está numa antiga Escola Primária do Estado Novo recuperada do abandono, no qual através de uma experiência interactiva – física e visual, podemos fazer uma viagem pelo tempo sobre este produto de primeira necessidade, bem como da memória colectiva dos Saboeiros de Belver.

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A poucos quilómetros da aldeia de Belver, tive a oportunidade conhecer o Alamal, localizado no concelho de Gavião, no Alto Alentejo, com a sua praia fluvial pitoresca e com uma envolvente paisagística do Rio Tejo/Castelo de Belver ímpar. Mais tarde,  fiquei a dormir no Alamal River Club. Trata-se de uma unidade de alojamento local (ex-Inatel), recentemente recuperada por um jovem casal, a  Catarina e o Henrique. Destaco a  qualidade do projecto turístico, situado numa área com enormes potencialidades dos amantes do turismo ligado a actividades de natureza, cultura e desportos náuticos .

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Um dos ex-libris do Alamal, para além da excelente praia fluvial, são os passeios de barco no Tejo organizados pelo Carlos do Bar/Restaurante da Praia do Alamal. Recomendo um passeio para contemplar as belas paisagens do Vale do Tejo. No meu caso particular,optei por realizar um passeio, em ritmo de treino, de canoagem (6€/hora).

O melhor do Alentejo não está no GPS…

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Sabem uma coisa? Nada como sair do quotidiano agitado de uma grande cidade. Deixar a rotina de um trabalhador-comum à frente do computador, pegar na máquina fotográfica, no mapa, no telemóvel e ir para o terreno. Ir fazer o trabalho de “campo” como costumo dizer. Para mim,o lugar de um fotógrafo é lá fora. Melhor ainda se o roteiro fotográfico implicar uma agenda ligada ao património histórico-cultural. Deixo-vos alguns dos locais que visitei neste roteiro fotográfico pelo Alentejo…

Viaje,mas devagar. Aventure-se Além do Tejo! E descubra-se.

Como chegar

Se pretender ir de Gavião para Belver ou Mação, deverá seguir pela EN118 até Alvega, seguir pela EN358 de Alvega até Mouriscas e pela EN3 de Mouriscas até Mação e prosseguir até Belver e inverso.

Onde comer

Neste particular, optei por levar “almoço-volante”. Uma expressão que era utilizada nos Escuteiro, quando traziamos comer de casa ou do supermercado para o almoço. É opção mais económica para um viajante andarilho. Todavia, poderá optar pelos restaurantes locais na aldeia de Belver e na Praia do Alamal  que, estou certo,poderão ter boas sugestões gastronómicas regioanais.

Onde ficar

No que toca ao alojamento, optei pelo Alamal River Club, em Gavião, localizado próximo de Belver. Este espaço hoteleiro é uma boa opção para quem gosta do conceito de viajar com tempo,com calma e que queira fazer actividades ligadas ao Turismo de Natureza. Importa referir que o alojamento contam com serviço pequeno almoço.

Alamal River Club

MORADA: Praia Fluvial do Alamal 6040-060, Gavião, Portalegre
TELEFONE: +351 241 638 000
FAX: +351 241 638 009
EMAIL: geral@alamalriverclub.com
FACEBOOK: Alamal River Club

Para mais informações:

Roteiro pelos Castelos do Alto Alentejo

Turismo do Alentejo

Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos

Junta Freguesia de Belver

Direção Regional de Cultura do Alentejo

Castelo de Belver (História)

Alamal River Club

Castelo de Belver (Informação)

Localização Geográfica: 39.4953995,-7.9579639 (ver no mapa)
Telefone: +351 266769450+351 965501477

HORÁRIO:

Terças, quartas, quintas e sextas: das 10:00h às 13:00h e das 14:00h às 18:00h
Sábados, domingos e feriados
: das 14:00h às 18:00h
Descanso Semanal: Segundas feiras

PREÇOS:

Bilhete Normal: 2,00€

Jovens entre os 15 e os 25 anos, portadores de cartão jovem, portadores de deficiência, adultos com mais de 65 anos e professores: 1,00€

Crianças até aos 14 anos: Entradas livres

Nota importante

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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Fotografia•Viagens•Portugal © OLIRAF (2016)

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Fotografia, História, Norte de Portugal, Paisagem & Natureza, Património Edificado & Monumental, Portugal (Terras), Viagens

Amarante: roteiro fotográfico por uma cidade singular banhada pelo rio Tâmega.

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À “boleia” da minha nomeação para os BTL Blogger Travel Awards 2016, tive a oportunidade de visitar o Centro Histórico da Cidade de Amarante, durante o meu roteiro pela Rota do Românico. Esta foi a minha primeira experiência na planificação de um roteiro por Portugal de vários dias,onde tive oportunidade de visitar diversas experiências fundadas pela História, citando o “slogan” turístico da Rota do Românico. Entre o Porto e Vila Real, esta cidade nortenha causa uma forte impressão a qualquer aprendiz de viajante e fotógrafo andarilho. Por momentos, dá-nos a sensação que estamos numa cidade de montanha do Centro ou Norte da Europa. Amarante é uma pequena grande surpresa. Surpreendeu-me.

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Trata-se de uma cidade onde a magnificência do granito não intimida, antes convida a um passeio pelo centro histórico. Atravessa-se a pé pela belíssima ponte granítica de São Gonçalo, padroeiro da cidade, com mais de 200 anos, sobre o rio Tâmega. Esta ponte reconstruída no reinado de D.Maria I, finalizada em 1791, em conjunto com a Igreja e o Convento de São Gonçalo, é o “ex-libris” da cidade amarantina. Tive a oportunidade de visitar o Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso (a entrada custa 1 €) e admirar algumas suas obras modernistas. Infelizmente, uma parte da coleção estava na Exposição na Galeria do Grand Palais em Paris. Aproveite a visita ao Centro Histórico para conhecer os inúmeros cafés, esplanadas e confeitarias que servem os célebres doces conventuais amarantinos, como os foguetes, as lérias e as brisas.

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São Gonçalo de Amarante, padroeiro do município, fundou este espaço conventual no decorrer da Idade Média. Encontra-se no centro Histórico da cidade. No interior, podemos encontrar a figura do Santo Padroeiro Amarantino. Em 1540, o monarca D.João III (1521-1557) e a sua mulher D. Catarina mandaram reformular o grande Mosteiro, transformando-o num convento dominicano em honra do padroeiro da cidade: São Gonçalo. Segundo a Lenda, o padroeiro concede as meninas, diz o povo, um pretendente se tocarem na figura do santo. Importa referir que as festas em honra deste Santo Casamenteiro ocorrem duas vezes por ano: a 10 de Janeiro data do seu falecimento e no primeiro fim de semana de Junho.

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Nesta cidade descobrirá diversas raízes românicas, medievais, maneiristas, barrocas e modernistas. A história da cidade cruza-se com a de Portugal, nomeadamente durante as invasões francesas (1807-1812) ao Norte de Portugal. Os seus monumentos e as suas tradições reflectem a verdadeira encruzilhada religiosa.

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A actual ponte de São Gonçalo é datada do Século XVIII, substituindo a anterior ponte fortificada da época medieval que fora substituída durante as cheias do rio Tâmega. Como o espaço conventual da Igreja, está associada à figura e à lenda do Santo Padroeiro da cidade: remover enormes pedras, fazer brotar água das pedras e convocar os peixes para alimentar os trabalhadores.

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No Contexto das Guerras Napoleónicas, em especial da Guerra Peninsular (1807-1814), a Defesa da Ponte de Amarante foi um dos episódios mais marcantes da IIªInvasão do Grande Armée de Napoleão Bonaparte, comandando, desta vez, pelo General Soult. As forças francesas lutaram com os milicianos, ordenanças e voluntários civis das forças do Brigadeiro Silveira, entre 18 de Abril a 2 de Maio de 1809, pela posse desta ponte estratégica que ligava a região do Douro ao Minho (Régua-Guimarães) e da região de Trás-os-Montes (Porto-Vila Real-Chaves). Tratou-se de uma vitória estratégica dos Portugueses em retirada para Trás-os-Montes,apesar da vitória dos Franceses.

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No Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso (MMASC) podemos (re)viver a sua obra artística e biográfica deste pintor modernista singular. Em menos de uma década, este jovem amarantino produziu uma obra pictórica que lhe veio a garantir um lugar na História da Arte Moderna. Ao lado dos melhores do seu tempo: Picasso e Van Gogh. Amadeo de Souza-Cardoso (ASC), sem sombra de dúvidas, teve uma carreira fulgurante em tão pouco tempo. Infelizmente, aos 30 anos, faleceu com a doença pneumónica ou Gripe Espanhola, em Manhufe, a sua terra natal.

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De uma forma geral, esta visita à cidade de Amarante, durante o roteiro pela Rota do Românico, onde está inserida, despertou-me pela sua importância histórica durante as lutas entre forças luso-portuguesas e tropas napoleónicas na primeira década do século XIX, da sua beleza paisagística e pela monumentalidade do seu património edificado. Como tiveram oportunidade de visualizar, os ex-libris desta cidade da região Norte são a Igreja e Convento de São Gonçalo, a Ponte Barroca e o Museu Municipal de Arte Contemporânea, com obras do artista Amadeu Souza Cardoso.

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Viaje,mas devagar. E Aventure-se na região Norte de Portugal, em especial, pela da Rota do Românico!

Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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Como chegar

A ligação aérea mais próxima é o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto.  No meu caso, optei por realizar um viagem low-cost entre as cidades do Porto e Lisboa e, de seguida, aluguei uma viatura num empresa de rent-a-car.

Se já se encontra na cidade do Porto tome a direção de Amarante/Vila Real, pela autoestrada A4. Amarante fica apenas a 40 minutos, cerca de 60 km. Poderá sair em duas saídas, devidamente assinaladas: Amarante-Oeste e Amarante-Este. No meu caso, optei pela última.Se quiser optar por uma via sem portagens, pode fazê-lo pela EN15, cerca de 70 km.

A cidade de Amarante é servida por uma Estação Rodoviária, Os operadores são: Rodonorte, Valpi, Transdev e Internorte. Se a escolha for o comboio, toma-se a Linha do Douro (a partir de S. Bento ou Campanhã) até à Livração. A partir daqui, a ligação a Amarante é feita por automóvel.

Onde comer:

Nas proximidades da Casa Valxisto, no concelho de Penafiel, optei pelo Winebar Casa da Viúva é um espaço que combina arquitectura rústica da Aldeia de Quintadona com uma elegante decoração. Aqui podemos provar um bom vinho da região e petiscar umas belas tapas.

Onde ficar:

Casa Valxisto (Country House)

Rua Padres da Agostinha, n.º 233

4560-195 – Freguesia de Lagares Penafiel
(GPS: 41.135686, -8.377872)

Solar Egaz Moniz

Rua dos Monges Beneditinos, n.º 158, Paço de Sousa, 4560-380 Penafiel, Portugal

Tlm: + 351 962 168 254

Para direcções veja a página Localização ou aceda directamente ao google maps.

Coordenadas GPS: Latitude:  41°10’2.40″N  | Longitude:   8°20’34.09″O

Para mais informações:

Câmara Municipal de Amarante

Museu Amadeo Souza-Cardoso

Rota do Românico

Turismo do Porto e Região Norte de Portugal

Escapadinha de 3 dias pela Rota do Românico…

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