ūüďĆ√Ä descoberta dos “Guerreiros de Pedra” do Alto Alentejo…

À descoberta dos Castelos do Alto Alentejo e da Linha do Tejo: 4 dias e 3 noites pela região do Alentejo.

Oliraf_Montemor-o-Novo
Castelo de Montemor-o-novo

Novo Roteiro, nova viagem.¬†Confesso que j√° tomei o gosto de¬†programar uma pequena viagem para um fim de semana prolongado. Se estava a pensar em ficar em casa, mudei de ideias. De facto, sugest√Ķes de “escapadinhas” tur√≠stico-militares n√£o faltam em Portugal. O patrim√≥nio natural e edificado est√£o em destaque nesta aventura de quatro dias pelo Alentejo, aproveitando o fim-de-semana prolongado de 10 a 13 de Junho, durante a qual realizei uma reportagem fotogr√°fica para o blogue OLIRAF.

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Rua Direita em Estremoz

O Alentejo √© uma antiqu√≠ssima regi√£o portuguesa valorizada pelo seu patrim√≥nio natural e edificado.¬†Para os amantes do turismo cultural, de natureza e do turismo militar, o Alentejo √© uma boa op√ß√£o de visita que combina actividades de lazer,natureza e culturais com o descanso. Nesta reportagem fotogr√°fica sobre a¬†regi√£o do Alto Alentejo, no sul de¬†Portugal, ¬†destacamos as ‚Äúbonitas‚ÄĚ vilas de ¬†√Čvora-Monte, Castelo de Vide, Marv√£o e Belver, os ‚Äútesouros naturais ‚ÄĚ como a Serra de S√£o Mamede/Rio Tejo e, principalmente, a gastronomia alentejana.

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Ruínas do Palácio dos Alcaides em Montemor-o-Novo

Um elemento diferenciador na paisagem – o castelo:¬†¬ęPresentes de norte a sul do territ√≥rio portugu√™s, os castelos e as cinturas de muralhas que serviram um dia para proteger vilas e cidades s√£o, ainda hoje, testemunhos vivos de um dos per√≠odos mais fascinantes e ricos da Hist√≥ria de Portugal¬Ľ, como afirma o Historiador Miguel Gomes Martins no seu recente livro “Guerreiros de Pedra“. Trata-se de uma obra¬†fundamental¬†para a compreens√£o hist√≥rica e da arquitectura militar na Idade Medieval Portuguesa,¬†dando-nos ¬†a conhecer o quotidiano, os pormenores¬†militares e acontecimentos mais marcantes que desempenharam na Hist√≥ria de Portugal.

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Castelo de Arraiolos

Viajar na ignor√Ęncia do passado hist√≥rico de um pa√≠s ou de uma regi√£o deixa-nos impotentes de entender o ¬ęporqu√™¬Ľ de qualquer facto ou gentes. Por exemplo, a import√Ęncia do patrim√≥nio edificado, neste caso, os castelos, ¬†que contam a Hist√≥ria de um pa√≠s ou de um povo. Portugal, de facto, guarda grandes e pequenos tesouros que nos fascinam pela sua arquitectura, monumentalidade e paisagem.

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Vila de Arronches (Portalegre)

Em Portugal, o final do séc. XIII e princípio do séc. XIV foram marcados pelo Reinado de D. Dinis (1279-1325), caracterizada pela afirmação do poder régio e pela definição dos limites fronteira luso-castelhana, rectificada com o tratado de Alcanizes (1297). Trata-se da fronteira política mais antiga e estável do continente Europeu. Ao viajarmos pela raia portuguesa, verificamos a forte presença e cunho deste monarca lusitano. Com sentido de Estado excecional, um politico nato,D. Dinis promoveu o repovoamento das terras, da construção de muralhas e castelos, construção de uma marinha e do ensino universitário.

 

Marv√£o (19)

Sabem uma coisa? Nada como sair do quotidiano agitado de uma grande cidade. Deixar a rotina de um trabalhador-comum √† frente do computador, pegar na m√°quina fotogr√°fica, no mapa, no telem√≥vel e ir para o terreno. Ir fazer o trabalho de ‚Äúcampo‚ÄĚ como costumo dizer. Para mim,o lugar de um fot√≥grafo √© l√° fora. Melhor ainda se o roteiro fotogr√°fico implicar uma agenda ligada ao patrim√≥nio hist√≥rico-cultural. Deixo-vos alguns dos locais que visitei neste¬†roteiro fotogr√°fico pelo Alentejo…

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Castelo de √Čvoramonte

√Čvora Monte √© uma bonita vila alentejana do concelho de Estremoz, situada na vasta plan√≠cie do Alentejo Central, erguendo-se noo cimo de uma colina com mais de 400 metros de altitude na parte mais ocidental da¬†Serra d‚ÄôOssa.¬†O Castelo e as¬†muralhas foram mandadas construir por D. Dinis, em 1306, contando¬†¬†com quatro portas principais:¬†a Porta do Sol, a Porta do Freixo virada a poente e as Portas de S. Br√°s e de S. Sebasti√£o, e que recebem o seu nome das ermidas dedicadas aos mesmos santos, situadas no exterior do Castelo. No S√©culo XVI, com o objectivo de preparar o castelo para a arquitectura pirobalistica, as muralhas foram acrescentadas “torre√Ķes-canhoeiras” em locais estrat√©gicos para a sua defesa.

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Pa√ßo de √Čvoramonte

O c√©lebre Pa√ßo fortificado (apesar do seu aspecto b√©lico, era apenas usado para jornadas de ca√ßa) ¬†com quatro torre√Ķes cil√≠ndricos definindo um per√≠metro quadrangular, de eminente gosto italianizante, e decorado nos panos com n√≥s p√©treos, que lhe conferem particular carga simb√≥lica. a meu ver, a lembrar a velha m√°xima da Casa de Bragan√ßa: Depois de v√≥s, n√≥s. Esta campanha palaciana foi dirigida por Francisco de Arruda em 1531, j√° com um longo curr√≠culo ao servi√ßo da Casa Real Portuguesa, a mando de D.Teod√≥sio.¬†De facto, este pa√ßo √© uma constru√ß√£o sem precedentes em Portugal e na arquitectura militar do S√©culo XVI, sendo¬†demonstrativo do poderio da Casa de Bragan√ßa, pela sua localiza√ß√£o, grandeza e visibilidade a muitos quil√≥metros de dist√Ęncia.

√Čvora-Monte (7)

Assinale-se ainda um facto da Hist√≥ria de Portugal a que se encontra ligada a vila: no n.¬ļ41 da Rua da Conven√ß√£o foi assinada, em 26 de Maio de 1834, a c√©lebre Conven√ß√£o de √Čvoramonte, documento que consagrou o fim da fratricida Guerra Civil Portuguesa (1832-1834), entre partid√°rios do Absolutismo e do Liberalismo. Na assinatura do documento estiveram os generais-duques de Saldanha e da Terceira, pelo lado de D.Pedro IV, e de Jo√£o Ant√≥nio de Azevedo e Lemos por D.Miguel.

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As ruas no interior do centro hist√≥rico de √Čvoramonte guardam a ess√™ncia da √©poca medieval, de tranquilidade e da tradi√ß√£o alentejana. Dentro das suas muralhas, reina a calma e a paz, bem como o seu pa√ßo,¬†um dos raros castelos portugueses que alia caracter√≠sticas √ļnicas: pelo conjunto arquitect√≥nico que enquadra, pela excel√™ncia da paisagem que dele se pode desfrutar, mas tamb√©m pela sua import√Ęncia hist√≥rica.

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Aspecto parcial de √Čvoramonte, vista do pa√ßo.

Podemos observar a vasta paisagem da plan√≠cie Alentejana, do topo do Torre√£o, ¬†que emoldura esta pequena povoa√ß√£o hist√≥rica amuralhada do Alentejo Central. Se vai pela A6, em dire√ß√£o a Elvas/Badajoz, fa√ßa um desvio no seu itiner√°rio de viagem e aproveite para visitar √Čvora-Monte. N√£o se vai arrepender. Palavra de Escuteiro (se n√£o √© adepto da velha m√°xima “uma imagem vale mil palavras”).

Vila de Alburquerque (Badajoz, Extremadura Espanhola)

PaisagemFronteiraRaiaAlentejo
Fronteira Luso-Espanhola

Passeando pelas cidades e vilas da regi√£o da Extremadura Espanhola (La Codosera ou Val√™ncia de Alc√Ęntara), fui descobrir uma vila que me impressionou pelo seu Castillo. Alburquerque, pr√≥ximo de Badajoz, tem um¬†patrim√≥nio hist√≥rico-militar¬†impressionante pela sua magnitude e import√Ęncia, em virtude das constantes guerras e escaramu√ßas travadas ao longo da Hist√≥ria entre o Reino de Portugal e de Castela (posteriormente Reino de Espanha). A vida quotidiana, nestas pitorescas vilas, apesar de ficar t√£o perto da nossa fronteira √© completamente diferente da que se vive em Portugal.

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Castillo de Alburquerque

O Castelo de Alburquerque (Castillo de Luna) √© um dos castelos mais bem conservados de todo o Reino de Espanha. Cont√©m uma Hist√≥ria riqu√≠ssima sobre a import√Ęncia estrat√©gica do controlo das fronteiras na zona raia espanhola-portuguesa. Recomendo a visita ao interior da Torre de Menagem, a vista para Portugal e as anima√ß√Ķes tur√≠sticas no seu interior. E n√£o se paga.

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Aspecto de uma Rua típica de Alburquerque

Wow…B-R-U-T-A-L! Foram as palavras quando deparei-me com este “Guerreir√£o de Pedra”. Nunca pensei que tivesse tanta Hist√≥ria Lusitana nestas pedras. Vejamos, D. Afonso de Sanches, filho bastardo de D.Dinis foi o primeiro Senhor deste Castelo (andava chateado com o maninho D.Afonso IV). In√™s de Castro esteve aqui, enquanto D.Pedro I estava em Ouguela. Mais tarde, durante quase dez anos foi uma¬†pra√ßa-forte portuguesa durante a Guerra de Sucess√£o Espanhola (entre 1705-1715), s√≥ devolvida com o Tratado de Utrecht.

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Vila de Alburquerque, vista parcial.

Este “Castillo” vale pela paisagem que domina e pelo seu interior. Na minha opini√£o, um dos mais belos e bem conservados castelos de “Nuestros Hermanos”. Sim,porque, os Espanh√≥is n√£o brincam em servi√ßo quando se trata de proteger e promover o seu patrim√≥nio hist√≥rico-cultural.

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Centro Histórico

Tive oportunidade de visitar este restaurante espanhol de cozinha de autor durante a minha visita ao Castillo de Luna. Recomendaram-me. E n√£o fiquei desiludido. Tem uma boa rela√ß√£o custo/qualidade. Ideal para almo√ßar durante uma escapadinha a Espanha, antes de ir para Marv√£o. Saliento o Gazpacho de Tomate. Gastronomia Simples e elaborada que agrada ao paladar e √© um “regalo” para os olhos. Por umas horas fui um s√ļbdito portugu√™s de Felipe VI de Bourbon, Rei de Espanha.

Fronteira de Marv√£o-Espanha (Porto Roque)

Panorama FronteiraPortoRoque
Bairro Residencial de Porto Roque

Na fronteira de Galegos, porta de entrada para quem vem do Reino de Espanha, existiu um importante polo residencial do concelho de Marvão: o bairro de Porto Roque. Inaugurado em 1972,  era constituído por 20 fogos e 16 edifícios com uma área coberta de 3450m2, em 20 hectares de terreno. Com a abolição das fronteiras, em 1993, e com a introdução do espaço Schengen foram desativados os serviços da Guarda Fiscal que funcionavam na fronteira de Galegos, tendo sido todo o património edificado entregue ao tempo, com poucas casas ocupadas e edifícios em avançado estado de degradação.

Marv√£o

Panorama CasteloMarv√£o
Vila-fortificada de Marv√£o

Pitoresca vila-fortaleza, situada em pleno interior da Serra de S√£o Mamede, reflete ¬†a adapta√ß√£o do Homem ao meio ambiente durante mil√©nios. A meu ver, Marv√£o conquista de imediato quem a v√™, ¬†no alto de um cabe√ßo montanhoso, desde a estrada da fronteira de Porto Roque. √Č uma sentinela da fronteira, um belo exemplo da arquitectura-militar portuguesa.

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Castelo de Marv√£o

Um amante da Hist√≥ria v√™ o Castelo de Marv√£o e a paisagem da Serra de S√£o Mamede como testemunha do passado das lutas fronteiri√ßas entre o Reino de Portugal e Castela (mais tarde, Reino de Espanha), sendo que a Guerra da Restaura√ß√£o (1640-1668) foi o z√©nite da import√Ęncia b√©lica desta pra√ßa-fortificada. Mais tarde, os confrontos resumiram-se a ocupa√ß√Ķes pontuais de ex√©rcitos estrangeiros, como s√£o exemplos, a Guerra de Sucess√£o Espanhola (1705-1715) e as Invas√Ķes Francesas (1807-1811).

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Vila de Marv√£o,vista Torre de Menagem

O Homem adapta-se ao meio. Aqui, em Marv√£o, a m√°xima da Geografia reflete a adapta√ß√£o do ser humano √† paisagem dominada pelo xisto,granito e quartzito em algo que combina o √ļtil ao agrad√°vel, um cen√°rio que √© um regalo aos olhos e que, ao mesmo tempo, nos d√° um dos produtos gastron√≥micos mais apreciados pelos alentejanos : o porco preto.¬† Ao contr√°rio do litoral desenvolvido e povoado, no Alto Alentejo temos um interior despovoado, e tantas vezes esquecido. Todavia, a import√Ęncia hist√≥rico-militar de Marv√£o parece fazer esquecer esse distanciamento, atrav√©s do potencial tur√≠stico dif√≠cil de igualar.

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Rua de Marv√£o

H√° um segredo bem guardado, perto da Vila de Marv√£o: TRAIN STOP GUESTHOUSE Deixe-se capturar pela hist√≥ria e beleza da antiga esta√ß√£o de comboios de Marv√£o-Beir√£ . Garantimos que s√≥ se vai perder de encantos, pela Hist√≥ria do Ramal de C√°ceres e pela arquitectura industrial desta esta√ß√£o fronteiri√ßa desactivada, que deu lugar a um projecto de alojamento local. √Č, seguramente, uma viagem pela Hist√≥ria.

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Castelo de Vide

Castelo de Vide (5)

Falavam-me de Marv√£o. Tens de ir visitar, Rafael. √Č um dos locais mais pitorescos de Portugal. Farto de ouvir relatos, de conhecidos e desconhecidos, decidi meter a mochila √†s costas e ir verificar com os meus pr√≥prios olhos. Todavia, n√£o foi a vila fortificada de Marv√£o que cativou meu olhar fotogr√°fico. A menos de 10 km, do alto do Castelo de Marv√£o, deparei-me com um casario branco que reluzia na Serra de S√£o Mamede: Castelo de Vide. A Sintra do Alentejo.¬†

Castelo de Vide - Est√°tua D.PedroV (2)
Estátua de  D.Pedro V

Castelo de Vide - Judiaria (1)

Castelo de Vide é, para mim, um dos locais mais típicos e genuínos do nosso Portugal. O que despertou o meu interesse nesta experiência pessoal? Vejamos, a escadaria que desce pela Judiaria até à Fonte da Vila,as ruelas do Centro Histórico, o antigo burgo medieval e a bela janela da torre de menagem do Castelo medieval.

O que fica na minha memória? Os sentidos, a gastronomia, a arquitectura ,o anfiteatro natural, a história, entre outras coisas mais. Mas, Castelo de Vide transporta uma herança pesada: a perseguição movida pela Inquisição aos Judeus. Tive oportunidade de visitar uma exposição sobre os instrumentos e métodos de tortura utilizados no tempo da Inquisição.

Castelo de Vide - Sintra Alentejo  (2)
Centro Histórico de Castelo de Vide, vista da Torre de Menagem
Ao “saborear” as ruas e vielas do Alto Alentejo, sem mapas, entramos numa viagem pelo tempo,atrav√©s de antigos burgos medievais que nos alimentam a alma de viajante. E sabe sempre bem ouvir um Bom Dia ou uma Boa Tarde de um habitante local a um forasteiro que visita a sua aldeia / vila raiana Alentejana, At√© parece mal educado n√£o falar. Porque o Homem quando viaja, adapta-se ao meio.
Castelo de Vide - FonteVila (7)
Fonte da Vila
¬†Se quiser saber mais sobre o legado hist√≥rico¬†dos judeus em¬†¬†Castelo de Vide, saliento a edi√ß√£o do passado dia 12 de junho do jornal Jerusalem Post inclui um artigo intitulado “Unspoiled Alentejo ‚Äď Perfect for the art of doing anything” [trad: Alentejo n√£o explorado – perfeito para a arte de n√£o fazer nada”, resultado da¬†press trip¬†de um jornalista de Israel ao Alentejo, atrav√©s da Ag√™ncia de Promo√ß√£o Tur√≠stica do Alentejo.

Belver

Belver (11)
Aspecto Geral do Castelo e da Torre de Menagem de Belver

Belver.¬†Uma motiva√ß√£o¬†antiga. H√° muito tempo que “cogitava” para visitar esta aldeia, ¬†com quase mil¬†habitantes (censos 2001), ¬†e o seu “guerreiro de pedra”.que domina a paisagem em redor. Para mim, esta “Sentinela do Tejo” √© um dos mais belos castelos medievais de Portugal. N√£o tanto pela sua arquitectura militar, de planta circular, com capela no interior, mas pela sua envolvente paisag√≠stica. Pela localiza√ß√£o estrat√©gica,num altaneiro morro sobranceiro ao Tejo, este Castelo foi o primeiro a ser constru√≠do no s√©c. XII pela Ordem do Hospital, reinava¬†D. Sancho I. O seu objectivo era prevenir novas incurs√Ķes mul√ßulmanas a norte do Tejo, quando este rio era a fronteira entre duas civiliza√ß√Ķes: a crist√£ e a mu√ßulmana.

Belver (13)
Panorama do Vale do Tejo,vista da Torre de Menagem do Castelo de Belver.

Para além da visita ao Castelo de Belver, recomendo uma visita ao Museu do Sabão, nas proximidades do centro da aldeia. O projecto museológico está numa antiga Escola Primária do Estado Novo recuperada do abandono, no qual através de uma experiência interactiva Рfísica e visual, podemos fazer uma viagem pelo tempo sobre este produto de primeira necessidade, bem como da memória colectiva dos Saboeiros de Belver.

Belver (1)
Museu do Sab√£o (Belver)

A poucos quilómetros da aldeia de Belver, tive a oportunidade conhecer o Alamal, localizado no concelho de Gavião, no Alto Alentejo, com a sua praia fluvial pitoresca e com uma envolvente paisagística do Rio Tejo/Castelo de Belver ímpar. Mais tarde,  fiquei a dormir no Alamal River Club. Trata-se de uma unidade de alojamento local (ex-Inatel), recentemente recuperada por um jovem casal, a  Catarina e o Henrique. Destaco a  qualidade do projecto turístico, situado numa área com enormes potencialidades dos amantes do turismo ligado a actividades de natureza, cultura e desportos náuticos .

Belver (3)
Quinta do Alamal, onde se insere o Alamal River Club

Um dos ex-libris da Praia do Alamal, para al√©m da excelente praia fluvial, s√£o os passeios de barco no Tejo organizados pelo Carlos do Bar/Restaurante da Praia do Alamal. Recomendo um passeio para contemplar as¬†belas paisagens do Vale do Tejo. No meu caso particular,optei por realizar um passeio, em ritmo de treino, de canoagem (6‚ā¨/hora).

Belver (6)
Praia Fluvial do Alamal

O melhor do Alentejo n√£o est√° no GPS…

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Castelo da Amieira do Tejo

A Região do Alentejo, neste caso, o Alto Alentejo,  é um destino turístico de excelência em Portugal continetal: a Serra de São Mamede, o Castelo de Marvão, Belver ou o centro histórico de Castelo de Vide, por exemplo. Os lugares que descrevo neste roteiro de viagem ao Alto Alentejo são os muitos pontos altos do percurso que fiz pelas estradas desta região. Mas o melhor mesmo do Alentejo são as suas paisagens monótomas, o património histórico-militar, as suas gentes e a sua gastronomia intocada pelos alentejanos que sabem que têm aí a sua maior riqueza.

Castelo√ČvoraMonte (1)

Convido-vos a irem l√°, constatar o quanto s√£o cativantes estes locais de que j√° sab√≠amos a exist√™ncia. Mas, acima de tudo, aproveitem para explorar um territ√≥rio obscuro que existe em cada um de n√≥s. O esp√≠rito de viajante. Viagem,por favor! Recorro a uma frase da obra O Principezinho para explicar a ess√™ncia desta mini-descoberta pelo Alto Alentejo: este roteiro foi fruto de muito trabalho. Foi uma busca feita com f√©, com o cora√ß√£o e um trabalho feito com paix√£o. “S√≥ com o cora√ß√£o se pode ver bem. O essencial √© invis√≠vel aos olhos”.

Almourol (2)
Miradouro do Castelo de Almourol (N118)

Informa√ß√Ķes

Or√ßamento para estes dois dias: aproximadamente 200 euros por pessoa (para despesas de refei√ß√Ķes, gasolina e entradas nos monumentos).

Mês escolhido: Junho.

Preço médio da refeição: Se for em restaurante, com entrada, prato, copo de vinho e sobremesa, pagam aproximadamente 20 euros por pessoa.

Hor√°rios Monumentos: das 10h √†s 12h30 min e das 14h √†s 17h (Encerram √†s segundas-feiras, √†s ter√ßas-feiras da parte da tarde, no √ļltimo fim-de-semana de cada m√™s e nos feriados de 1 Janeiro, Domingo de P√°scoa, 1.¬ļde Maio e 25 de Dezembro. Custo (2 ‚ā¨).

Como ir…

CasteloBelver (1)
Para visitar Belver pode ir de Comboio (CP-Regional), desde o Entroncamento.

Lisboa-Estremoz

A partir de Lisboa opte pela A12, via Ponte Vasco da Gama, e depois pela A6 at√© √Čvora (Elvas/Badajoz). Saia em √Čvoramonte. Siga na dire√ß√£o de Estremoz (N18).

Estremoz-Albuquerque-Marv√£o

Se já se encontra na cidade de Estremoz (IP2) tome a direção de Arronches/Monforte, pela N369, até à fronteira de Espanha (Aldeia da Esperança)

Em Espanha opte pela estrada BAV-5004 em direção a La Codosera e depois pela BA-008 e EX-110 que vai dar a Albuquerque.

De Albuquerque a Valencia de Alc√Ęntara seguir pela EX-110. De Valencia Alc√Ęntara at√© Marv√£o seguir pela N-521 e, em Portugal, por N246-1 e depois virar para a N359 (Beir√£/Marv√£o)

Marv√£o-Castelo de Vide – Gavi√£o

A partir da vila de Marv√£o opte pela N246 at√© Castelo de Vide. Depois continue pelo IP2 at√© Gavi√£o-Belver. Saia em Gavi√£o (EN118). Alamal River Club (N244) ‚Äď Barragem de Belver.

Belver – Gavi√£o

Se pretender ir de Gavião para Belver ou Mação, deverá seguir pela EN118 até Alvega, seguir pela EN358 de Alvega até Mouriscas e pela EN3 de Mouriscas até Mação e prosseguir até Belver e inverso.

Onde ficar:

Belver (4)

No que toca ao alojamento, optei pelo D.Dinis Low Cost Hostel, em Estremoz, o GuestHouse Train Spot, em Marv√£o (Beir√£), e o¬†Alamal River Club, em Gavi√£o, localizado pr√≥ximo de Belver. Os dos √ļltimos,a ¬†meu ver, s√£o os ideias para quem gostar do conceito de viajar com tempo e com calma (Turismo de Natureza, Lazer e Cultural). De referir que os alojamentos contam com servi√ßo pequeno almo√ßo, √† excep√ß√£o do D.Dinis Low Cost Hostel.

Marv√£o (16)

Onde Comer:

Neste particular, a bochecha de porco preto do restaurante A Confraria, em Castelo de Vide, o gazpacho do restaurante El Fogon de Santa Maria, em Alburquerque¬†(Espanha) e as migas do restaurante Sabores de Marv√£o, na aldeia da Beir√£-Marv√£o, contam-se entre os petiscos e sugest√Ķes durante uma visita ao Alto Alentejo ‚Äď uma regi√£o que n√£o nos convence apenas pela paisagem,mas tamb√©m pelo paladar.

Alentejo (1)

Viaje,mas devagar. Aventure-se Além do Tejo! E descubra-se.

Nota importante

As presentes informa√ß√Ķes n√£o t√™m natureza vinculativa, funcionam apenas como indica√ß√Ķes, dicas e conselhos, e s√£o suscept√≠veis de altera√ß√£o a qualquer momento. O Blogue OLIRAF n√£o¬†poder√° ser responsabilizado pelos danos ou preju√≠zos em pessoas e/ou bens da√≠ advenientes.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

Follow me: @oliraffotografia on Instagram | Oliraf Fotografia on Facebook

Fotografia‚ÄĘViagens‚ÄĘPortugal ¬© OLIRAF (2016)

Contact: oliraf89@gmail.com

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12 thoughts on “ūüďĆ√Ä descoberta dos “Guerreiros de Pedra” do Alto Alentejo…

  1. Parabéns amigo Raphael, é sempre um prazer conhecer o nosso património e a paisagem, ler e ver as fotos que tiraste é reviver locais conhecidos, mas sempre com vontade de retornar, obrigado pelo maravilhoso texto. Sou um seguidor teu, ou seja, um fãn da era moderna, um abraço

    1. Obrigada, José, pelas suas palavras e incentivo. O meu objectivo é levar as pessoas a conhecer e a valorizar o nosso património natural e edificado. Na minha opinião, o nosso País tem uma grande diversidade paisagística e cultural em poucos km².

  2. Muchas gracias desde la Oficina de Turismo de Alburquerque, un art√≠culo maravilloso para potenciar la frontera m√°s antigua de Europa (1297) y la √ļnica pol√≠tica (la separaci√≥n de dos reinos medievales) como patrimonio de la humanidad.

    1. Hola,

      Ven, por este medio, agradecer por su comentario en mi art√≠culo. Pronto voy a publicar el informe sobre la visita al Castillo de Alburquerque. Es una ciudad fronteriza fant√°stico, con mucha historia y acogedor, pero lamentablemente desconocido para la mayor√≠a portugu√©s y espa√Īol.

      Si se desea se puede compartir en su p√°gina de Facebook. Me gustar√≠a dar a conocer mi trabajo en Espa√Īa.

      Muchas Gracias,

      OLIRAF

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