ūüďĆUma aventura “ruinosa” pelo Forte de Alpena…

Esta reportagem fotogr√°fica, que agora publicamos no blog OLIRAF sobre a Bataria de Alpena (Trafaria), uma ¬†antiga unidade militar do Ex√©rcito Portugu√™s, que se encontra em ru√≠nas. √Č um exemplo do estado a que chegou muito do patrim√≥nio militar do antigo Regimento de Artilharia de Costa (RAC). Refere-se a uma √©poca muito interessante da nossa hist√≥ria militar contempor√Ęnea, diga-se, pouco falada e estudada. Este artigo sobre uma bateria de artilharia de costa √© uma das muitas est√≥rias que esta √©poca ainda tem para contar.

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Como sabem, neste blog temos prestado alguma aten√ß√£o a quest√Ķes relativas ao extinto Regimento de Artilharia de Costa RAC), seja ao n√≠vel das considera√ß√Ķes hist√≥rico-militares, patrimoniais ou fotogr√°ficas.¬†N√£o pretendemos apenas focar as nossas aten√ß√Ķes em patrim√≥nio comum, tais como, mosteiros, castelos, pal√°cios, casas nobres, entre outras. H√° tamb√©m outras¬†constru√ß√Ķes e outros tipos de “monumentos” que igualmente merecem a nossa aten√ß√£o, como s√£o o caso das constru√ß√Ķes militares do ex-RAC.

Procuramos, atrav√©s deste Projecto documental-fotogr√°fico, desta forma denunciar e catalogar algumas constru√ß√Ķes b√©licas, que testemunham a falta de aten√ß√£o de que o patrim√≥nio arquitect√≥nico tem sido alvo ao longo de v√°rias gera√ß√Ķes e, no caso particular, do extinto Regimento de Artilharia de Costa (RAC).

IMG_20160123_140639Deixo-vos um conjunto de imagens que¬†¬†foram capturadas no passado m√™s de Janeiro durante uma incurs√£o pela “outra margem” do Tejo, nomeadamente √† localidade da Trafaria, no concelho de Almada. ¬†O local visitado √© o antigo forte de Alpena. Como o nome indica, est√° localizado nas proximidades da arriba f√≥ssil da Costa da Caparica e da Trafaria. Deparamo-nos com uma excelente, e estrat√©gica, vista para a foz do estu√°rio do rio Tejo.
Apanhei o ferry-boat da Transtejo – Eborense – que faz a liga√ß√£o entre o cais fluvial de Bel√©m, Porto Brand√£o e a Trafaria. √Č um passeio agrad√°vel e podemos visualizar a paisagem ribeirinha de Lisboa. Recomendo.

Fui acompanhado de um amigo. Em virtude de ser um local de dif√≠cil acesso e remoto, a cerca de 1 km do centro da Trafaria, aconselha-se a levar algu√©m. Neste caso, fui acompanhado por amigo que me acompanham nas minhas aventuras fotogr√°ficas. ¬†mas um pouco remoto. O pr√≥prio captou-me ¬†em alguns momentos desta “epopeia” ruinosa.

O local √© muito frequentado aos S√°bados e Domingos pelos amantes da modalidade de paintball. Como tal, aconselhamos a ir relativamente cedo para visualizar nas “calmas” este patrim√≥nio sem a necessidade de se tornar um “alvo a abater”.

Forte de Alpena: breve resenha hist√≥rico-militar…

O Forte ou bataria de Alpena, pelo que pude obter em fontes documentais e electr√≥nicas, foi uma estrutura¬†militar¬†constru√≠da¬†nos finais do S√©culo XIX (1893) e integrava o sistema de fortifica√ß√Ķes do¬†Campo Entrincheirado¬†de Lisboa, nomeadamente, os redutos da Raposeira Grande e Raposeira Pequena. Ficou operacional em 1901-1902. Situa-se, a menos de 1 km do Monte da Raposeira (Trafaria,Almada), nas proximidades de uma outra unidade militar: a 5¬™Bataria da Raposeira. Ambas foram integradas na frente mar√≠tima de Defesa de Lisboa.¬†A guarni√ß√£o destas unidades militares alojava-se numa outra edifica√ß√£o – o quartel da Trafaria, inaugurada em 1905, pelo monarca D. Carlos (1889-1908).

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Ao longo da 1¬™Metade do S√©culo XX, incluindo na 1¬™Guerra Mundial, estas estruturas foram apetrechadas com artilharia de maior calibre usado na √©poca como,por exemplo, canh√Ķes Krupp de 28 cm, para uma eficaz¬†defesa do Campo Entrincheirado de Lisboa e,como j√° vimos, da frente maritima da Costa da Caparica e do estu√°rio do Tejo. Em caso de conflito, era umas das fortifica√ß√Ķes¬†que estava na primeira linha de fogo contra alvos anf√≠bios e a√©reos.

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No ano de 1940, o Governo Portugu√™s, atrav√©s do Comando da Artilharia da Defesa Antia√©rea de Lisboa, encara com car√°cter de urg√™ncia o estudo da defesa antia√©rea de Lisboa. Em caso de necessidade¬†numa 3¬™ fase, as Baterias AA seriam instaladas para defesa das posi√ß√Ķes de Artilharia de Costa, como era o caso desta fortifica√ß√£o. Contava com 12 “ninhos” de artilharia onde podiam ser instaladas¬†baterias de costa ou antia√©reas para uma completa defesa da zona costeira e da cidade de Lisboa.
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Com o final da 2ªGuerra Mundial, em virtude do Plano Barron, perdeu a sua função militar, sendo a sua artilharia desmantelada e tornou-se um sistema de paióis anexos à 5ª Bateria da Raposeira RAC e pertencia ao , Em 1961 foram efectuadas obras de construção de novos paióis pela DSFOM. Actualmente, com a desactivação do RAC, este complexo bélico foi abandonado pelo Exército e deixado entregue ao vandalismo.
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Estas estruturas militares têm uma posição geográfica e paisagística que podiam ser valorizadas, por exemplo, para algo ligo ao turismo militar.

Ao percorrermos estas estruturas fortificadas podemos visualizar uma excelente perspectiva sobre a Arriba F√≥sil da Costa da Caparica, das praias, do Forte do B√ļgio, da foz do Rio Tejo, da Serra de Sintra e da costa sul de Lisboa. ¬†Vale a pena ir. De acordo com a concep√ß√£o de defesa de costa abordada, a bateria de Alpena surge como resultado de uma necessidade urgente da guerra internacional, cujos reflexos se fizeram sentir tamb√©m em Portugal. A sua miss√£o principal era a da defesa da capital portuguesa e da frente¬†mar√≠tima¬†do estu√°rio¬†do Tejo, especificamente do ¬†porto ¬†de Lisboa. Deveria actuar contra unidades navais.

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Em termos de instala√ß√Ķes, o complexo militar era constitu√≠do por uma Porta d‚Äô Armas, a norte e a sul por um Port√£o de Viaturas, v√°rios edif√≠cios subterr√Ęneos, todos eles interligados por um sistema de corredores, t√ļneis e guaritas de vigil√Ęncia. Era uma esp√©cie de linha maginot em miniatura.

O Tempo √© algo que n√£o volta atr√°s…

Em Portugal temos in√ļmeros locais¬†esquecidos pelo Homem/Estado. Entregues ao tempo…que n√£o volta para tr√°s. Ao percorrer estas ruinas, sinto-me uma esp√©cie de intermedi√°rio entre os artilheiros que fizeram uma parte da sua vida neste complexo militar. Infelizmente, o nosso pais, ao contr√°rio de ¬ęNuestros Hermanos¬Ľ, n√£o sabe preservar o seu patrim√≥nio, neste caso, o militar.

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¬†A Artilharia de Costa (RAC) tem raz√Ķes para ter esperan√ßas renovadas no que toca ¬†√† preserva√ß√£o hist√≥rico-militar, em Portugal. Recentemente, nos finais do ano de 2015,nasceu a Associa√ß√£o dos Amigos da Artilharia de Costa que vivamente saudamos e, quem sabe, no futuro possamos vir ¬†colaborar no trabalho que se prop√Ķem a desenvolver. Ao longo do ano de 2016, irei realizar mais uma “epopeia” pelas¬†ru√≠nas¬†da 5¬™Bataria¬†da Raposeira (Trafaria)¬†e da 6¬™bataria da Raposa (Fonte da Telha),ambas do Grupo Sul do RAC, onde irei captar o interior dos espa√ßos subterr√Ęneos que fazem deste local, um patrim√≥nio √≠mpar que deveria, e merecia, ser preservado e posto ao servi√ßo da popula√ß√£o local.

Para mais informa√ß√Ķes:

EMERECIANO, Jaime ‚Äď A Artilharia na Defesa de Costa em Portugal. Lisboa: Academia Militar, Disserta√ß√£o Mestrado em Ci√™ncias Militares, especialidade de Artilharia, 2011 Dispon√≠vel na internet URL:http://comum.rcaap.pt/handle/123456789/7247

Bateria do Out√£o e Forte Velho do Out√£o ‚ÄstSIPA: Sistema Informa√ß√£o para o Patrim√≥nio Arquitect√≥nico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Dispon√≠vel na¬† internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=25039

MACHADO, M. (22 de Dezembro de 2008). Os √öltimos Disparos do “Muro do Atl√Ęntico” Portugu√™s. Obtido em Fevereiro de 2011, de http://www.operacional.pt: http://www.operacional.pt/os-ultimos-disparos-do-%E2%80%9Cmuro-doatlantico%E2%80%9D-portugues/

MASCARENHAS, Catarina de Oliveira Tavares РDa defesa à contemplação da paisagem : intervir no lugar do Forte e da 7ª Bateria do Outão no contexto da Arrábida. РLisboa : FA, 2014. Tese de Mestrado.

COSTA, Ant√≥nio Jos√© Pereira da – A cidadela de Cascais e a Defesa da Costa Mar√≠tima do Guincho ao Estoril. In: “Boletim do AHM”, Lisboa, vol. 63 (1998 – 1999), pgs. 37 – 98.

Nota importante [ūüϧ]

As presentes informa√ß√Ķes n√£o t√™m natureza vinculativa, funcionam apenas como indica√ß√Ķes, dicas e conselhos, e s√£o suscept√≠veis de altera√ß√£o a qualquer momento. O Blogue OLIRAF n√£o¬†poder√° ser responsabilizado pelos danos ou preju√≠zos em pessoas e/ou bens da√≠ advenientes. Se quiser¬†partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poder√° faz√™-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

linhagraficaALL-oliraf-03ūüíĽ¬†¬†Texto: Rafael Oliveira¬†ūüĆ鬆Fotografia: Oliraf Fotografia¬†ūüď∑

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Fotografia‚úąÔłéViagens‚úąÔłéPortugal ¬© OLIRAF (2016)

ūü𤋮†Contact: oliraf89@gmail.com

4 thoughts on “ūüďĆUma aventura “ruinosa” pelo Forte de Alpena…

  1. artigos muito interessantes! parabéns ao Autor! partilho da opinião que estes locais, que para além de históricos, têm uma beleza paisagística fantástica, deviam ser preservados para memória futura.

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