Fotografia, Roteiros por Lisboa, História, Roteiros Fotográficos, Cidades [City Breaks], Turismo Cultural

📷 Silverbox Studio: uma fotografia à moda do Século XIX…

Visitar o Silverbox Studio é recuar aos primórdios da arte fotográfica. Trata-se de uma arte – a 8ªOitava – com quase 180 anos. Mais do que um estúdio fotográfico é um espaço de vivências e experiências.

O Silverbox nasceu pela mão de um jovem casal Rute e Filipe. Ambos nutrem uma paixão pela arte fotográfica e, em especial, pelo processo de colódio húmido. Trata-se de um processo fotográfico muito utilizado na 2ªMetade do Século XIX por fotógrafos profissionais e amadores, entre os quais, o português Carlos Relvas. Sim, o pai do republicano José Relvas. Este estúdio fotográfico fora do comum, tem a fusão das técnicas fotográficas da segunda metade do século XIX com a estética do século XXI. O objectivo deste estúdio lisboeta é trazer de volta o ritual de ir ao fotógrafo e de fazer um retrato individual ou de grupo,à semelhança dos nossos antepassados.

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Ao percorrermos o espaço envolvente do estúdio, o futuro sujeito-retratado depara-se com uma panóplia de equipamento fotográfico da época. Mas, o que lhe salta à vista são as inúmeras máquinas fotográficas antigas que nos remetem-nos para uma atmosfera intemporal num ambiente contemporâneo. Antes de realizar a fotografia, o fotógrafo e o modelo estudam as poses, a expressividade do rosto, a melhor iluminação, tudo com tempo e com calma, porque numa imagem pretende-se contar uma história. Acima de tudo, o objectivo é dar largas à imaginação do modelo. Por exemplo, poderá escolher uma roupa temática ou um fundo temático para que a fotografia vá de encontro aos gostos pessoais do sujeito-retratado.

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Após o registo fotográfico, o sujeito-retratado irá acompanhar todo o processo de revelação fotográfica, através de um tour pelo laboratório. Para um amante de fotografia, e como arquivista que lida com documentação fotográfica, podemos  recuar aos primórdios da arte fotográfica. Trata-se de uma experiência fantástica e única, onde vamos acompanhando os passos necessários para fazer uma fotografia no processo fotográfico de colódio húmido. Durante o  processo fotográfico mundialmente conhecido como Colódio Húmido, as imagens ficam expostas, reveladas e fixadas enquanto a chapa fotográfica, em vidro ou alumínio, ainda se encontra húmida, as imagens podem ser visíveis em poucos minutos.

SilverboxStudio (4)Vejamos alguns passos: aplicar a solução de colódio fotográfico sobre a chapa de metal; Espalhar e devolver o excedente ao frasco; Deixar secar até se tornar pegajoso; Mergulhar na solução de nitrato de prata durante três a cinco minutos; Retirar do tanque de prata, enxugar as costas da chapa de metal; Colocar no chassis da câmara fotográfica; Tirar a fotografia. Revelar na solução de sulfato ferroso; Lavar em água (pode-se acender a luz branca); Fixar, a imagem converte-se em positivo; Lavar em água corrente; Secar a placa na lamparina; Envernizar com goma de sandarac e, finalmente, a secagem sobre a chama da lamparina.

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Após este tour laboratorial, verificamos a importância do colódio húmido na história da fotografia, visto que uma grande parte das imagens, em especial as provas em albumina, que temos hoje do século XIX são neste processo fotográfico, de onde advêm os negativos. Foram muito usados, entre 1851 até cerca de 1880, altura em que foram substituídos pelos negativos em vidro de gelatina de produção industrial. Como fotógrafos que usaram este processo, podemos citar alguns vultos da fotografia portuguesa e internacional, tais como, Carlos Relvas, Wenceslau Cifka, Francesco Rochinni, Thomson, Timothy O. Sullivan e Mathew Brady, entre outros.

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O resultado final foi um retrato “À La Carte”, com o formato 13×18 cm. Poderá personalizar a sua sessão fotográfica, escolhendo como, quando e quantas imagens quer realizar. No meu caso,optei por uma prova fotográfica (50€). Como “ingrediente”, optei por associar uma antiga máquina fotográfica da primeira metade do século XIX. Nada como um toque “vintage” para eternizar um momento. Na minha opinião, ser retratado com uma máquina grande formato de madeira como antigamente, posar imóvel, em virtude do tempo de exposição, para a foto não sair com movimento e ver a nossa expressão surgir durante os diversos passos do processo de revelação no laboratório, parece uma autêntica viagem pelo principio da arte fotográfica. Apesar da minha expressão “Séria”…fez-se Magia.

Para mais informações:

Silverbox Studio

Morada: Rua Braamcamp, nº88 4 esq – 1200 Lisboa

Email: info@silverbox.pt
Telefone: +351 915074612 / +351 218057735
Horário: Por marcação: info@silverbox.pt
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INFORMAÇÃO DE CONTACTO
 915 074 612
 @silverboxlisboa
 info@silverbox.pt

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.linhagraficaALL-oliraf-03💻  Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷

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Fotografia, História, Paisagem & Natureza, Regimento de Artilharia de Costa (RAC), Roteiros Fotográficos, Roteiros por Lisboa, Turismo Militar

📌 À descoberta do Regimento de Artilharia de Costa: a 3ªBataria da Laje…

E continuamos a viajar pelos “canhões da memória” que Portugal esqueceu de preservar…

A 3ª Bateria de Costa da Lage está camuflada pela natureza envolvente entre a estrada Marginal e a linha ferroviária de Cascais. Situada na freguesia Paço de Arcos, no concelho de Oeiras. Foi construída entre 1893 e 1911. Integrava o sistema de fortificações do Campo Entrincheirado de Lisboa (CEL), nomeadamente a frente marítima de defesa de Lisboa e da foz do estuário do rio Tejo. Mais tarde, pertenceu ao conjunto de oito Baterias de Artilharia de Costa do Exército que formavam o extinto Regimento de Artilharia de Costa (Grupo Norte).

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Um pouco de História…

Situada num local estratégico que domina a entrada da barra do Tejo, a actual Bateria da Laje, assim conhecida pela proximidade à Ribeira da Laje, em 1902, era designada como Bateria Rainha Maria Pia, em memória da viúva do monarca D.Luís I. Projectada pelo Major de Engenharia Firmino José da Costa, tendo a 1 de Março de 1887 começado a ser edificada sob a direcção do Capitão Sarmento de Fonseca, auxiliado pelo tenente Hermano de Oliveira. Apesar de ter sido concluída, em 1889, a Bateria só foi equipada com três bocas de fogo Krupp nos princípios do  século XX.

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No âmbito do Regimento de Artilharia de Costa (RAC), a 3ª Bataria da Laje estava integrada no Grupo Norte do complexo sistema de fortificações do “Plano Barrow”. Esta bateria de artilharia de costa tem uma imensa frente marítima, desde Algés até à entrada da barra do Tejo, em Oeiras. À semelhança das 5ª e 8ªBaterias da Raposeira (Trafaria) e de Albarquel (Setúbal) estava equipada com 3 peças de fogo Krupp CTR 15 cm de curto e médio alcance e contribuía para a defesa de proximidade da barra do Tejo. Contava, nas proximidades, com o apoio adicional da 2ªBateria da Parede. Esta instalação militar contava, ainda, com um quartel, casamatas e paióis para alojamento do material e pessoal militar que prestava serviço nesta antiga unidade militar do Exército Português. Perdida a sua função militar, em 1998, as instalações militares foram cedidas à Associação de Comandos que, actualmente, proporciona um espaço verde para actividades de Desporto e Aventura. 

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Ao percorrermos as instalações desta antiga unidade militar, comprovamos a excepcionalidade do espaço edificado e do seu aproveitamento lúdico. Logo à entrada, encontra-se um restaurante que fornece almoços aos visitantes e associados. Aos fins-de-semana, a azáfama é ainda maior com a visita de inúmeros associados e curiosos pelo espaço em redor. Para além de um serviço de restauração, no plano superior da bateria, podemos encontrar um pinhal que oferece diversas valências para recreação de pequenos e graúdos, designadamente uma pista de obstáculos para preparação física e militar (Rappel e Slide), além de um espaço para merendas. Também é possível realizar acampamentos – os escuteiros utilizam o espaço para as suas actividades – com vista para um dos melhores miradouros da zona ribeirinha do estuário do rio Tejo, onde temos o Farol de São Lourenço do Bugio a dominar o cenário envolvente.

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Neste espaço ecoa a memória dos canhões que o tempo calou, (re)vivem-se tradições militares  e projectam-se vivências de outros tempos. Este Centro de Desporto e de Aventura é um bom exemplo de como conservar a memória do património edificado em Portugal. É de salientar o reconhecimento do papel social, recreativo e cultural, assim como  zelar cuidadosamente e manter em bom estado o património local de Oeiras e bélico do antigo RAC à comunidade civil em geral. Há que manter vivo os elos que nos ligam ao nosso passado e que fortalecem o nosso sentido de pertença e identidade.

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Fragmentos da História de Portugal…

Sabia que a estátua do coronel Vicente Nicolau Mesquita (1818-1880), militar de origem macaense que foi protagonista da tomada do forte de Passaleão (1849), um confronto entre Chineses e os Portugueses. Esta estátua figurou no Largo do Senado (Macau) entre 1940 e 1966, encontrando-se, desde Fevereiro de 2017, nas instalações da Bateria da Laje, após ter sido doada, em 1986, à Associação de Comandos Governador de Macau, Contra-Almirante Vasco Almeida e Costa. Trata-se de uma estátua em bronze, da autoria de Maximiliano Alves, realizada na vigência do Estado Novo (1933-1974). Se quiser saber mais informações, poderá consultar o seguinte artigo.

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Nas instalações existem duas chaimites parqueadas (o veículo icónico da Revolução dos Cravos de 25 Abril de 1974) uma das quais a comandada pelo coronel Jaime Neves, Comandante do Regimento de Comandos da Amadora que, a 25 Novembro de 1975, teve um papel crucial nas operações militares na área de Lisboa, no contexto do Processo Revolucionário em Curso (PREC) e do Verão Quente de 1975.

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E nas proximidades…uma bela supresa!

Depois de conhecer “por dentro” a Bateria da Laje, aproveitamos ainda o resto da tarde para uma caminhada pelo passeio marítimo de Oeiras. Nas proximidades da ribeira da Laje, situada junto à praia de S. Amaro em Oeiras e à estrada da Marginal, deparei-me com a antiga Bateria do Areeiro. Construída entre 1903 e 1908, integrava o antigo Campo Entrincheirado de Lisboa (CEL), nomeadamente os fortes responsáveis pela frente marítima de defesa do Porto de Lisboa.  Mais tarde, entre 1946 a 1953, esteve integrada no Regimento de Artilharia de Costa (RAC). Foi  guarnecida com 4 peças de artilharia de 75 milímetros e 45 calibres de comprimento até 1943. Para quem a visita, é visível a degradação desta fortificação costeira face ao abandono a que foi votada, depois de a Marinha Portuguesa deixar de a utilizar como torre de radar de controle do Porto de Lisboa. A sua arquitectura é muito semelhante à bateria das Alpenas, mas com uma menor escala e dimensão. Mais uma ruína bélica esquecida pelo Homem e entregue ao tempo.

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Como chegar:

As instalações bélicas desta antiga unidade da Artilharia de Costa estão abertas à comunidade civil e aos associados da Associação de Comandos. Para saber mais informações, o leitor poderá contactar para o seguinte e-mail:

  bateriadalaje@gmail.com

Rua D. Nuno Álvares Pereira, Paço d’Arcos – Oeiras GPS- N38º 41´11″ W9º 18´32″.
Para reservas e contactos:
Tel: 218 261 075

Para mais informações:

CALLIXTO, Carlos Pereira, Fortificações Marítimas do Concelho de Oeiras, Oeiras: Câmara Municipal de Oeiras, 1988.

Bateria do Outão e Forte Velho do Outão – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=25039 >

Forte-Presídio Naval da Trafaria – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2016]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=32962 >

COSTA, António José Pereira da – A cidadela de Cascais e a Defesa da Costa Marítima do Guincho ao Estoril. In: “Boletim do AHM”, Lisboa, vol. 63 (1998 – 1999), pgs. 37 – 98.

EMERECIANO, Jaime – A Artilharia na Defesa de Costa em Portugal. Lisboa: Academia Militar, Dissertação Mestrado em Ciências Militares, especialidade de Artilharia, 2011. Disponível na internet URL: http://comum.rcaap.pt/handle/123456789/7247

MACHADO, M. (22 de Dezembro de 2008). Os Últimos Disparos do “Muro do Atlântico” Português. Obtido em Fevereiro de 2011, de http://www.operacional.pthttp://www.operacional.pt/os-ultimos-disparos-do-%E2%80%9Cmuro-doatlantico%E2%80%9D-portugues/

MASCARENHAS, Catarina de Oliveira Tavares – Da defesa à contemplação da paisagem : intervir no lugar do Forte e da 7ª Bateria do Outão no contexto da Arrábida. – Lisboa : FA, 2014. Tese de Mestrado.

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👤Luís Martins: um olhar fotográfico de uma figura do imaginário popular eborense…

📷 Nas nossas cidades, vilas ou aldeias de Portugal, há sempre uma figura que se destaca no meio do reboliço do quotidiano habitual e fazem parte do imaginário popular das mesmas. Postais vivos que identificam um território. São o rosto do imaginário popular.  O “Beato Salú” é um exemplo. Esta figura carismática deambula pelas ruas e vielas do centro histórico da cidade de Évora. Encarnou uma missão divina, diz ele. Na minha opinião, um Santo Popular. Como afirmou Padre António Vieira: “Há homens que são como as velas; sacrificam-se, queimando-se para dar luz aos outros.”

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O que se faz num fim-de-semana em Évora? Ou depois do trabalho? Fotografar a castiça Évora, sem percurso predefinido e ir ao encontro das gentes. Depois de ter conhecido os principais pontos turísticos e menos conhecidas desta cidade alentejana, optei por conversar com Luís Amaral Martins (o “Beato Salú”). Lá arranjei coragem para pedir-lhe umas fotos. Até parece uma fobia falar e fotografar uma pessoa que vive na rua há mais de três décadas por opção (ou por acreditar em algo). Confessa-me que não gosta de tirar fotos, apesar de ser a figura mais carismática da cidade de Évora. Depois alguns minutos de conversa, junto à Praça do Sertório, ganho coragem e peço-lhe algumas fotografias. Após fazer as ditas imagens, Luís Martins confessa-me: “essas suas fotografias têm a minha energia. Já leva uma parte de mim.” E eu, na minha ingenuidade e curiosidade pelo outro, perguntei-lhe a idade: “Tenho três milhões de anos”.  Na sua “loucura”, a meu ver, ele diz muitas verdades sobre os aspectos da nossa sociedade. À medida que íamos falando, inúmeros eborenses vinham cumprimentar o “postal vivo” da sua cidade e os turistas captavam à distância o rosto deste “Gandalf” local. O seu discurso quase profético, a meu ver, demonstrava um Homem culto e informado que, nas minhas surtidas fotográficas no centro histórico de Évora, captava a ler alguns jornais.

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Quem é o “Beato Salú”? 

Luís Martins é talvez o eborense mais conhecido de Portugal e, talvez, do Mundo. Com mais de sete décadas de vida, fez os seus estudos primários e aos 12 anos tornou-se grumo no café mais emblemático da cidade de Évora: o Arcada. Foi casado e teve um filho, tal como a maioria dos “comuns mortais” desta sociedade. Mais tarde, tornou-se caixeiro viajante, vendendo electrodomésticos pela região do Alentejo. Todavia, houve um momento em que mudou o destino da sua vida. Nos anos 70, numa ida a Fátima, teve uma revelação. Abdicar de tudo, até da família, em nome da sua missão divina. Ainda hoje, não fala com a família. Por opção. Acredita nas energias da natureza e acredita ser uma espécie de “Profeta” de salvar a cidade de Évora das más energias, sejam elas naturais e humanas. Há mais de trinta anos que é fiel a este compromisso divino. Quando toma conhecimento de algum presságio ou calamidade, caminha os dias inteiros entre as arcadas da Praça do Giraldo e da Drogaria Azul, com a sua icónica trolley de viagem, a salvar o mundo local de Évora. É este o seu trabalho, apesar de negar que está sempre a passear ou a descansar num banco de jardim. Há que recarregar energias no seu “O“. Na década de 80 do século XX, o povo de  Évora decidiu meter a alcunha de “Beato Salú”, personificando como o vidente da novela brasileira Roque Santeiro (1975). Acima de tudo, pude comprovar que esta pessoa é uma simpatia, muito culto, informado e sempre disposto a contar as suas estórias de vida.

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Para mim, as imagens têm vários poderes: o de transformar, convencer e comover. A fotografia de rua, de facto, permite ao fotógrafo captar a agitação diária de uma urbe, mostrando os sujeitos, os territórios e as realidades que lhe dão corpo. Por vezes, é ela que nos ensina a olhar e a reflectir para assuntos que a nossa mente nem se atreve a imaginar. Mas é esta realidade cruel, e ao mesmo tempo bela, do mundo que me faz apreciar tanto este género fotográfico. Nunca mundo onde cada vez temos menos tempo para sentir e ver, é necessário, a meu ver, parar e olhar para aquilo que nos rodeia. Ah, a eterna máxima de Robert Capa: “Se uma foto não está boa o suficiente , então é porque você não se aproximou o suficiente“. É caso para dizer: aproximem-se!

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Luís Martins é, sobretudo, um ser humano.  Um “monumento vivo” de Évora (sem o selo da UNESCO). São estas pessoas que fazem parte da memória popular e urbana de uma cidade. Quem disse que é preciso ir ao outro lado do Globo, captar olhares diferentes e genuínos? No Alentejo, e no interior de Portugal, podemos captar a essência das gentes humildes que dão rosto, corpo e alma a um território. Apesar da sua loucura, esta não deixa de ter alguma razão. Como afirmou a poetisa Florbela Espanca: “Afinal, quem é que tem a pretensão de não ser louca? Loucos somos todos, e livre-me Deus dos verdadeiros ajuizados, que esses são piores que o diabo!“. Dá vontade de ir a Évora, e nunca mais sair!

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📌 À descoberta de Silves: um olhar fotográfico da “Alhambra Portuguesa”…

Silves ou a Xilb de Al-Mu’tamid. Outrora a mais importante cidade do Algarve, tanto na época islâmica (aqui era a capital do Al-Gharb) e, depois da conquista cristã, do Reino do Algarve. Mais tarde, Silves iria perder importância para Faro. Não é por mero acaso que estamos no maior e no mais peculiar castelo do Algarve (desde a época muçulmana), edificado com a pedra da região envolvente: o grés vermelho. Atrevo-me a chamar-lhe a “Alhambra Portuguesa”,mas em formato miniatura. Trata-se da jóia da arquitectura militar da época islâmica em Portugal.  Já tinha cá estado em 2008 durante a minha viagem de ferry-boat entre a Ilha da Madeira (Funchal) e Portugal Continental (Portimão). Sim, quando havia ligação marítima entre o Arquipélago da Madeira e Portugal Continental. Não vamos falar de politica, certo? Nessa época,  não tinha a ideia de criar um blogue pessoal,mas tinha o gosto de fotografar os belos exemplares do nosso património histórico-militar: os Castelos. Quem diria que iria voltar aqui, desta vez, oito anos numa blogger trip. A vida dá muitas voltas e, em muitos casos, 180º.

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Atravessamos a antiga ponte medieval do rio Arade e dirigimos-nos para o centro histórico desta cidade algarvia, onde iríamos ter uma visita-guiada ao Museu Municipal de Arqueologia de Silves. É o resultado das escavações arqueológicas desenvolvidas ao longo do séc.XX. No centro do espaço, podemos visualizar um Poço-Cisterna da época Almóada (séculos XII-XIII), descoberto após escavações arqueológicas decorridas nos anos 80 do séc. XX . Esta hoje classificado como Monumento Nacional. É apartir dela – o ex-libris do discurso expositivo – que fazemos o percurso  desta visita guiada com a Dr.ª Dr.ª Maria José Gonçalves, actualmente arqueóloga do Município de Silves. Trata-se de uma académica especializada em cidades medievais islâmicas, nos campos da arqueologia e da história. E isso denota-se no seu discurso. Levei, literalmente, uma lição de História e de Arqueologia.

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Prato de Mesa  da Época Omíada (séculos VIII-IX)

Apresenta-me, passo-a-passo, o acervo do Museu, na sua maioria proveniente das escavações arqueológicas efectuadas na cidade e concelho. O acervo reúne um conjunto de objetos desde o Paleolítico até ao período Medieval. Constato que há imensos achados arqueológicos em quantidade, mas que valem pela sua qualidade e excepção de ornamentos e pictóricos. E como Silves era a principal cidade do Gharb Al-Andalus, este museu tem no seu acervo um grande destaque para o Período Islâmico – Omíada, Califal, Taifa, Almorávida e Almóada, desde o século VIII ao século XIII, ou seja, ao período cronológico da ocupação árabe ao que hoje corresponde ao território algarvio. O visitante que percorrer este espaço museológico irá compreender a importância da cidade de Silves no período islâmico. Silves é legado mais vivo e duradouro do património islâmico em Portugal. Dai, ter-me demorado mais por esta cidade emblemática.

Depois da visita ao espaço museológico, inserido na antiga medina de Silves, fomos visitar o antigo alcácer islâmico: o actual Castelo Silves. A sua pedra avermelhada – grés de Silves – dá outra cor e magnificência a este antigo complexo bélico. Digo actual, visto que, nas décadas de 30 e 40 do Século XX, a Direção de Monumentos Nacionais uniformizou a traça dos Castelos Medievais Portugueses, muitos deles em estado de ruína, à imagem do Castelo de Guimarães. Como Portugal fez-se da conquista de território aos Mouriscos, não interessava para o Estado Novo – regime ditatorial – manter esse legado, mas sim o papel fundador de Guimarães na construção  e formação da identidade Portuguesa. O que diria  Al-Mu’tamid se visse a sua amada Xilb nos dias hoje? Apesar de tudo, dedicaria-lhe um poema…do seu declínio.

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Os Muçulmanos aproveitaram muitas técnicas de construção romanas para a construção das suas muralhas defensivas, por exemplo, sob a forma de silharia de tipologia romana redisposta num padrão regular, a soga e tição. Actualmente, este é um dos poucos exemplares existentes nas muralhas de Silves que, ao longo dos séculos, foi sofrendo inúmeras alterações efectuadas pelo Homem e pelo tempo.

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Durante a descoberta da Rota Omíada, Abderramán I, Al-Mutamid, Al-Idrisi e,Ibn Darraj al-Qastalli, foram excelentes companheiros de viagem…interior. Shukran. Mais do que uma viagem pela história, foi uma “panóplia” de experiências pessoais e colectivas que podem ser partilhadas digitalmente,mas que devem ser vividas na primeira pessoa. É isso que convido o leitor do blogue OLIRAF a fazer: viver estas experiências. Não haverá melhor sensação do que sair da nossa “zona de conforto”?  👌

Como chegar

A partir de Lisboa optei por reservar uma viagem em Alfa pendular, através da Comboios de Portugal. Faro era a minha base para efectuar a Rota Omíada do Algarve. Para tal, optei por alugar uma viatura rent-a-car para fazer a ligação entre os diversos pontos histórico-culturais desta rota. Na maioria dos casos, utilizei a via do Infante (A22) e a Nacional 125. No caso da ida para Alcoutim, optei pela A22 até Castro Marim e depois o IC27 (Beja) até Alcoutim (N122-1).

Onde ficar

Restaurante Ria Formosa

Praça D. Francisco Gomes, Nº2 8000-168 Faro Portugal
+351 289 830 830

✉️ Email: reservas@hotelfaro.pt

Para mais informações:

Região de Turismo do Algarve

Direcção Regional de Cultura do Algarve

Blog Turismo do Algarve

Projecto Umayyad Route 

Turismo do Algarve – Rota Omíada do Algarve (Folheto + App)

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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Fotografia•Viagens•Portugal © OLIRAF (2016)

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📌À descoberta da antiga fortaleza portuguesa de Mazagão (1506-1769): um olhar fotográfico…

Mazagão (El Jadida, Marrocos) não é uma fortaleza como tantas outras. É a jóia do património edificado militar do Império Português (1415-1769) no Magrebe. As suas pedras contam muitas estórias da História de Portugal.

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A cidade-fortaleza de Mazagão, oficialmente fundada como vila a 1 de Agosto de 1541, apesar da existência de uma pequena fortaleza construída pelo arquitecto Diogo de Arruda, em 1514, actual Cisterna Portuguesa, como ponto de apoio a Azamor. Mais tarde, em 1541, João de Castilho adaptaria para uma cisterna e celeiros. Foi desenhada pelo engenheiro italiano Benedetto da Ravenna, em conjunto com Miguel de Arruda e Diogo de Torralva. De referir, que a construção desta fortificação marca o inicio da adaptação das novas formas de combate no Magrebe – construções com baluartes de traça italiana -, em virtude pela utilização da artilharia por parte das forças islâmicas. A partir da 2ª Metade do Século XVI dá-se a adaptação das velhas fortificações de cariz medieval para esta nova arquitectura militar.

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O seu porto de acesso fácil e a traça abaluartada das muralhas, em alguns pontos com mais de dez metros de espessura, tornavam-na numa inexpugnável. Mais tarde, seria abandonada por Portugal, em 1769, por decisão do «valido» do Rei D.José I, o então Marquês de Pombal. Actualmente, a Cité Portugaise de El-Jadida está restaurada, como se comprova pelas fotos da minha autoria. A enorme extensão do perímetro muralhado da antiga Mazagão mostram a tradição da arquitectura militar italiana e da importância do estilo renascentista durante o Reinado de D.João III (1521-1557). De Salientar que o Baluarte de São Sebastião, lado do mar, mostra a escala grandiosa da fortificação.

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A famosa cisterna da antiga Mazagão é uma das atracções turísticas de Marrocos. Foi construída sob a direcção de João de Castilho em estilo renascentista sobre o pátio de armas do antigo Castelo de origem Manuelina. O catalisador da construção desta imponente fortificação militar foram os constantes raides, razias e conquistas dos xarifes do Sul de Marrocos, equipados com moderna tecnologia pirobalística e com conselheiros militares europeus (mercenários italianos/germânicos). Mazagão era, assim, uma alternativa viável ao abandono das possessões costeiras fortificadas de Santa Cruz do Cabo Gué (Agadir), Safim e Azamor. A concentração de meios humanos, materiais e bélicos numa única praça permitia uma melhor resistência aos constantes e numerosos assédios das forças sob o signo de Alá.

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Em 1769, a cidade-fortaleza de Mazagão foi abandonada pela Coroa Portuguesa. Em virtude deste abandono, a Coroa ordenou que os seus habitantes – nobreza local, soldados, etc – fossem para Lisboa. Aqui chegados, foram reenviados para uma nova missão: a fundação de uma Nova Mazagão, na fronteira Norte do Brasil, no actual estado de Amapá. Era o fim de mais de três séculos de presença portuguesa em Marrocos (1415-1769), em virtude de as possessões norte-africanas serem um sorvedouro de recursos humanos, monetários e bélicos, sem qualquer retorno (à excepção das questões ideológicas, Guerra Santa).

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A antiga fortificação de Mazagão constitui – hoje uma importante atracção turística de Marrocos – um dos melhores exemplos conservados da arquitectura militar do Renascimento fora do Continente Europeu, que resistiu ao teste do tempo e da própria acção humana. De Salientar, que as fortificações portuguesas de Mazagão foram inscritas na lista do Património da Humanidade pela UNESCO em 2004 e, em 2009, como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. O litoral atlântico de Marrocos oferece-nos uma grande variedade de grandes e pequenas fortificações costeiras com grande impacto visual e plástico, como em nenhum outro lugar. Nas mesmas, podemos encontrar o estilo de fortificar de Diogo de Arruda e dos seus familiares.

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A opinião do viajante. A região do Norte de África (Magrebe)  – Marrocos – não é para um português um mero passeio como qualquer outro.  É uma espécie de regresso a casa. Para quem possua alguns conhecimentos de Geografia e História e tenha o sentido do valor dos passado lusitano, visitar o actual Reino de Marrocos é ir a um dos nossos lugares predilectos, ir afervorar o amor pátrio e retemperar a alma, como afirma Urbano Rodrigues (RODRIGUES, 1935). De facto, diante de património edificado pelos nossos antepassados  em diversas cidades costeiras como Asilah, Tânger, Essaouira, Safi, El Jadida, podemos sentir bem o que fomos e o que podemos ainda ser. Infelizmente, não cultivamos o maior legado português ao Mundo: a língua portuguesa!

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BIBLIOGRAFIA

Impressões de uma visita de estudo a Marrocos – As Fortificações de origem portuguesa 

Carita, Rui, “A arquitectura abaluartada de origem portuguesa”, in Relações luso-marroquinas 230 anos, Camões – Revista de Letras e Culturas Lusófonas, nº 17-18, Lisboa, Instituto Camões, Novembro 2004, pp. 135-138, 143-145.

Correia, Jorge, “Mazagão: A última praça Portuguesa no Norte de África”, in Revista de História da Arte, Lisboa, IHA – FCSH-UNL, nº 4 , 2007, pp. 185-209.

Dias Farinha, António,  “Os Portugueses em Marrocos”, Instituto Camões, Colecção Lazúli, 1999,pp.3-103.

LOPES, David – A Expansão em Marrocos, Colecção Cabo a Cabo, Lisboa: Teorema /O Jornal, 1989.

Moreira, Rafael, “Arquitectura militar do Renascimento”, in História das Fortificações Portuguesas no Mundo, Dir. Rafael Moreira, Lisboa, Pub. Alfa S.A., 1989, pp. 150-157.

RODRIGUES, Urbano – Passeio a Marrocos, Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1935.

Nota importante [👤]

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📌 À descoberta do Cais palafítico da Carrasqueira: um olhar fotográfico das vivências do Alentejo Litoral…

É uma viagem constante (re)descobrir o estuário do Sado e uma parte do Alentejo que se abre ao oceano Atlântico: o Alentejo Litoral. Aqui, o viajante ou o turista poderá avistar uma imensa faixa de costa que, desde a Península de Tróia até ao Cabo de Sines, proporciona exuberantes e convidativas praias com um ininterrupto areal. Trata-se de uma das mais calmas, genuínas e tradicionais regiões de Portugal, onde o património natural e edificado continua bem preservado, e onde encontramos gentes que tornam a experiência de viagem mais enriquecedora.

O Cais Palafítico da Carrasqueira é uma engenhosa e criativa solução da comunidade piscatória da Carrasqueira (Comporta, Alcácer do Sal) para resolver o problema de acesso aos barcos durante a baixa-mar. As estacas de madeira penetram no sapal e estendem-se como os “tentáculos de um polvo” até ao estuário do Sado. Neste porto piscatório, os barcos atracam e no passadiço circulam as redes, os apetrechos, pescado e, mais recentemente, inúmeros turistas e curiosos para captar fotograficamente o espaço e o meio envolvente. Trata-se de um dos ex-líbris turisticos do concelho de Alcácer do Sal.

Quem visita a Comporta, a meu ver, não pode deixar de conhecer o cais palafítico da Aldeia Piscatória da Carrasqueira, único no continente europeu. Para quem navega nas tempestuosas águas da World Wide Web, verifica que é um dos locais mais procurados por fotógrafos amadores e profissionais para testar as suas técnicas e capturar genuínas imagens de paisagem e da comunidade piscatória local. E para quem gosta de fotografia documental, este local é de visita obrigatória para ir com tempo e com calma.

Ao percorrer os passadiços de madeira, os barcos e as casas que abrigam os utensílios usados na faina sucedem-se, tais como, as cores e as formas das últimas. Trata-se de um belo testemunho da arquitectura popular e das vivências das comunidades locais de pescadores e mariscadores que se estabeleceram na segunda metade do século XX, nesta área do estuário do Sado.

Aqui, no extremo norte do Baixo Alentejo, na margens da reserva natural do estuário do Sado, o viajante poderá encontrar uma outra noção de paisagem: a aquática. Além disso, o viajante pode adquirir pescado e bivalves aos pescadores locais. Note-se que uma parte do choco serve às inúmeras ementas e iguarias desta região. Uma experiência inesquecível para qualquer pessoa que visite esta terra muito peculiar.

wp-image-1673209097Durante a minha descoberta deste pitoresco local, algo captou a minha atenção quando vagueava pelos passadiços do Porto Palafitico da Carrasqueira: um casal de pescadores manuseando as redes. De repente, veio à cabeça, a eterna máxima de Robert Capa: “Se uma foto não está boa o suficiente , então é porque você não se aproximou o suficiente”. É caso para dizer: aproximem-se!

 

wp-image-622814112A região de Alcácer do Sal, desde a época muçulmana, foi um grande centro industrial de construção naval. Ao percorrermos a N253, entre a praia da comporta e Alcácer do Sal, verificamos a existência de inúmeras matas de pinho, vitais para a reparação e construção naval de pequenas e grandes embarcações.Hoje em dia, ao fundo, verificamos a presença da unidade industrial de reparação naval a Setenave da Mitrena (ex-Lisnave), bem como de navios aguardando a sua vez no estuário do Sado.

wp-image--140368371No vale do rio Sado, perto de Alcácer do Sal, a rizicultura (arroz) tornou-se muito mais rentável do que a cultura do trigo. O sapal da Carrasqueira é um bom exemplo do aproveitamento dos terrenos para fins agrícolas, tendo um pequeno dique para impedir as inundações. Actualmente, no Alentejo, a cultura do regadio sobrepõe-se , pouco a pouco, à cultura de sequeiro…

 

Após a visita ao Porto Palafítico, volto para a Aldeia da Carrasqueira onde, por mero acaso, deparou-me com uma habitação tradicional destas paragens: uma antiga dos pescadores que assentaram vida na segunda metade do século XX. Os habitantes locais dizem-me que existem mais casas tradicionais para os “lados de Grândola”, designadamente na freguesia do Carvalhal. Ao despedir-me desta castiça aldeia Alentejana, vêm-me à cabeça o seguinte pensamento: “Quando o engenho do Homem caminha em comunhão com a Natureza, a obra nasce. Aqui, o Homem adaptou-se ao meio.”

 

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O que pode fazer:

1. Se gosta de fotografar o pôr-do-sol, as  águas calmas do Sado atingem o seu nível mais elevado proporcionando imagens singulares do espelho de água envolvente;

2. Se gosta de turismo de natureza e observação de aves, o Estuário do Sado apresenta um circuito de caminhada e uma das maiores concentrações de aves limícolas do país;

3. Compre pescado e bivalves aos pescadores e mariscadores locais;

4. Saborear num restaurante local da Aldeia da Carrasqueira, um belo choco frito.

Como chegar:

De Alcácer do Sal, poderá aceder à área sul da reserva do Estuário do Sado, devendo utilizar a N253 na direção da praia da Comporta, e junto ao km 4 desta estrada, voltar à direita na direção da aldeia da Carrasqueira. De seguida, terá de atravessar uma estrada de terra batida, que conduz ao Porto Palafitico da Carrasqueira.

Para mais informações:

Câmara Municipal de Alcácer do Sal (Turismo)

Herdade da Comporta

Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF)

Visit Alentejo (Litoral Alentejano)

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🌏“Be a Time Traveller in Granada Heritage”: one of the 80 finalists of “Navigator Around the World in 80 pages” Global Writing Contest

O autor do blogue OLIRAF – Rafael Oliveira – foi uma das 80 Histórias seleccionadas, pela primeira vez, para integrar e dar cor ao livro “Around the World in 80 pages”, um passatempo do Grupo Navigator. Já, neste corrente ano, o blogue foi nomeado, pelo segundo ano consecutivo (2016 e 2017), para a 4ªEdição dos BTL BLOGGER TRAVEL AWARDS (BTL), considerados os “Óscares” dos Blogues de Viagens em Portugal, na categoria de “Fotografia de Viagem”. Depois de ter sido nomeado nos últimos dois anos (2016 e 2017), o autor do blogue OLIRAF volta a ser contemplado com uma nomeação na segunda edição do Navigator Around the World in 80 Pages, concurso que recebeu mais de 1350 histórias submetidas online. Este passatempo de viagens tem como objectivo premiar as melhores histórias em Inglês e as fotografias dos viajantes nacionais e estrangeiros que concorrem. Após uma profunda reflexão das melhores estórias da História e fotografias do portefólio  de viagens referentes ao ano de 2016, optei por concorrer com três fotografias que davam cor ao texto da minha viagem a Granada (Andaluzia,Espanha): Be a Time Traveller in Granada Heritage”.  Esta escolha, a meu ver, reflectiu a minha paixão pela literatura e fotografia de viagens, bem como a curiosidade pelo legado da civilização islâmica na Península Ibérica: o Al-Andalus.

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Dear Rafael,

Your text was selected from over 1300 stories, for its inspiring tone and originality, and will be published in a travel book, that you will later receive.
Navigator would like once more to thank you for sharing your stories with us, and for taking the time to participate.

As you might be already aware, your story “Be a Time Traveller in Granada Heritage…” was one of the 80 finalists who will be privileged to have their story published in a book called “Navigator Around the World in 80 pages”.

Besides offering you the book, Navigator will also send you a small present as a way of thanking you for your participation and for your amazing story.

One of 80 finalists of the Navigator Around the World in 80 Pages 2016 – Global Writing Contest.

Congratulations!

Quem é a Navigator?

A The Navigator Company é, desde fevereiro de 2016, a nova marca herdeira do património do ex-grupo Portucel Soporcel. Trata-se de uma conceituada marca de papel de escritório, líder no segmento premium.

O que é o  “Navigator Around the World in 80 pages” Global Writing Contest?

Os “Navigator Around the World in 80 Pages” foram criados em 2015 para reconhecer e premiar a criatividade dos apaixonados por viagens, tendo como objectivo final, desafiar a contar as suas experiências e partilhar as suas melhores fotografias. São inspirados, tal como o sugestivo nome do concurso indica, no romance clássico de Aventuras de Júlio Verne. Assim, a Navigator pretende motivar  mais participações e alargar a diversidade de nacionalidades envolvidas no passatempo, ao mesmo tempo que reforça o papel como o melhor veículo para exprimir emoções e experiências, definindo “Volta ao Mundo em 80 Páginas” como uma referência mundial entre os concursos de escrita”.

Quais os prémios?

O júri desta competição mundial de escrita é composto por escritores/bloggers de viagens (entre eles o viajante Gonçalo Cadilhe) e representantes do grupo Navigator. Os vencedores são eleitos pelos júris do concurso – Kristin Addis, Dylan Lowe, António Quirino Soares, Gonçalo Cadilhe, Ricardo Ferreira e António Redondo – entre os 80 finalistas, cujas histórias e fotografias serão publicadas num livro, juntamente com uma ilustração exclusiva. No total, o passatempo tem 10 000 € em vouchers de viagem para contemplar as melhores histórias. Assim, o grande vencedor receberá um voucher de viagem no valor de 2 500 €,o segundo receberá um voucher de viagem no valor de 1 500 € e os restantes seis (3º ao 8º premiado),um voucher no valor de 1 000 €. Há ainda uma prémio para a melhor fotografia: uma máquina fotográfica Nikon D5500 (DSRL). Já as 80 histórias dos autores finalistas seleccionados irão ver as suas aventuras e fotografias publicadas num livro, juntamente com uma  ilustração exclusiva de um Urban Sketchers.

Como concorrer? 

A segunda edição do Navigator Around the World in 80 Pages recebeu mais de 1350 histórias submetidas online, provenientes de mais de 65 países de todo o Mundo. Já a 3ª edição dos “Navigator Around the World in 80 pages” decorre até 31 de Dezembro de 2017 e estão abertas ao público em geral, seja ele de nacionalidade portuguesa ou estrangeira. Podem concorrer as pessoas com mais de 18 anos, sejam eles cidadãos portugueses ou estrangeiros. Para tal, os concorrentes terão de escrever uma pequena experiência pessoal em viagem – uma história em Portugal ou no Estrangeiro – até ao máximo de 2500 caracteres,  acompanhada das três melhores fotografias que dão corpo e cor à sua aventura! De seguida, deverão submeter em www.navigatoraroundtheworld.com. O prazo para as submissões termina a 31 de Dezembro de 2017.

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Be a Time Traveller in Granada Heritage…

“(…) Granada is a peculiar city of Spain. It is one of the most visited destinations for travellers in this country, although the preferred cities to visit are Barcelona or Madrid. With almost the total land surface area and population of Portugal, Andalusia is one of Spain’s largest and most touristic regions. For me, it is one of the most beautiful of this country. But that is just my opinion. To wander through its avenues, streets and alleys is to let ourselves be captivated by its magic step-by-step. And feel the essence of the material and immaterial splendour of Al-Andalus.  As we walk through the streets of Granada, with only a map of the Historic Centre and with the sense of orientation grasped since our days in the scouts, the city soon conquers us, increasing our resolve to explore further. After crossing the long Gran Via de Colón, we reach the Porta de Elvira. From here, I begin to climb step by step the Albaicín Quarter to one of the belvederes most frequented by travellers on a visit to Granada: the Mirador de San Nicolás. I am looking for a free space to sit on the wall that faces the Alhambra, so that I can tranquilly contemplate this magnificent example of Islamic architecture in Spain and, in my view, on an international level. For me, this is one of the must visit landmarks in this city. This ancient fortified complex of palaces of the Nazrid Dynasty leaves nobody unmoved. There’s something magical about those stones. Nobody is can remain indifferent faced with this spectacle, be it night or day, despite all the books, reports, photographs and videos that we have seen. However, most travellers who visit only see part of the city of Granada.  After contemplating the contours of the Alhambra on the horizon, my heart began to accelerate with so much emotion, given the magnificence of this unique Islamic fortification. No one, whether a traveller, tourist or even a poet, is immune to the fascination of this ancient Islamic fortification. Now I see Boabdil’s sadness. If there are places that seem to have been conjured from a dream, there is no doubt that Granada is one of them. There is an Andalusia that everyone knows and another one that only lets itself be unveiled by those who enter this region, willing to let themselves be challenged by its singular beauty. Granada enchants and amazes any visiting traveler who contemplates it for the first time. Granada is the Alhambra, the neighbourhood of Albaicín and the Generalife. This Andalusian city conveys good vibes to any stranger or hiker. A Carmen on Earth.”

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Resta-me agradecer à Navigator, e ao júri, a escolha da minha estória para figurar no livro do concurso “Around the World in 80 Pages”. É com agrado que vejo surgir mais concursos por parte de empresas do sector do Turismo, e não só deste sector, que  promovem a curiosidade e a paixão pela escrita e fotografia de viagens. A meu ver, é sempre uma excelente iniciativa. Espero que o meu exemplo que sirva de inspiração para continuar a escrever e a partilhar as vossas experiências e relatos pessoais de viagem à volta do mundo!

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